Élcio Braga e Raphael Azevedo
Rio - O Morro da Mangueira começou a ganhar cores em 28 de abril de 1928. Mais precisamente o verde e o rosa, a combinação que transformou a vida de gerações e, sem jamais trair a tradição, contribuiu espetacularmente na construção da megaindústria do Carnaval. Ao lançarem a semente da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, espremidos em um barraco, 80 anos atrás, sete homens simples ensinaram ao mundo que a vida não vale nada sem uma grande paixão.
Confira fotos da recente Mangueira
É essa fabulosa história de amor à escola de samba mais adorada do País que O DIA começa a contar, a partir de hoje, em série até quarta-feira. Prepare-se para doses de emoção colecionadas ao longo de quatro décadas de existência. Gente que pela Mangueira sorriu, chorou, brigou e até morreu na Avenida. No DIA Online, veja galeria dos momentos memoráveis e ouça sambas imortais.
Confira fotos dos 80 anos da Mangueira
A Verde-e-Rosa é hoje uma marca insuperável. Conquistou 18 títulos (inclusive o Supercampeonato de 1984) e ofereceu série antológica de sambas-enredo, como ‘Lendas do Abaeté’ (1973) e ‘Yes, Nós Temos Braguinha’ (1984). A quadra é a mais badalada da cidade. Atrai jovens da classe média, artistas e turistas. A Verde-e-Rosa faz campeões também fora da Sapucaí. Na Vila Olímpica e na quadra, programas sociais e educativos atendem cinco mil pessoas.
Confira fotos dos desfiles recentes
Em 1935, componentes fizeram desfile especial na antiga passarela em homenagem ao presidente, Saturnino Gonçalves, que assistiu a tudo do leito de morte. Emocionado, ele desmaiou. “A escola acabou se atrasando para o desfile oficial e foi desclassificada”, conta a filha Ulyssea Gonçalves. Satur morreu pouco depois, mas nasceu assim a força da paixão mangueirense.
PRESENTE PARA TODA A VIDA
Ao completar cinco anos em 28 de abril de 1928, Ulyssea Gonçalves aguardou em casa a chegada do pai, Saturnino Gonçalves. Depois de tanta demora, ele apareceu com a surpresa. “Não trago um presente, mas a Estação Primeira de Mangueira”, anunciou Satur, que acabara de criar com seis amigos nova agremiação de Carnaval no Morro da Mangueira.
Confira as fotos dos personagens da Mangueira
Tia Cecéa, hoje às vésperas de fazer 85 anos, não entendeu na época do que se tratava exatamente. Hoje, tem plena consciência do valor do presente. Ela é irmã de Dona Neuma, um dos símbolos da escola, e tia da presidente, Eli Gonçalves, a Chininha.
A escola havia sido criada na casa de Euclides Roberto dos Santos, na Travessa Saião Lobato 7, no Buraco Quente. Além de Saturnino e Euclides, estavam presentes Marcelino José Claudino, o Maçu, Abelardo da Bolinha, Pedro Caim, Zé Espinguela e Angenor de Oliveira, o Cartola. Carlos Cachaça ficou de fora. “Uns dizem que foi atrás de uma namorada. Mas ele disse que estava no trabalho”, explica a filha Inês de Castro, 70, da Velha Guarda.
Para os amigos, havia a necessidade de unir o morro com uma agremiação, mais organizada, livre da fama de desordeira. Cartola sugeriu o nome, inspirado na linha férrea: a Mangueira era a primeira estação com samba. Escolheu verde e rosa, cores de um bloco em Laranjeiras.
Chega de Demanda (samba de 1929):
Sambas de Terreiro (várias épocas) :
O mundo encantado de Monteiro Lobato (samba de 1967) :
Yés, nós temos Braguinha (samba de 1984) :
Brazil com Z é pra Cabra da Peste, Brasil com S é Nação do Nordeste (samba de 2002):