Rio - O batismo de fogo da Mangueira aconteceu em disputa com a Portela e o Estácio. Em 1929, Zé Espinguela convidou as agremiações para apresentação de samba em frente ao seu barraco. A Verde-e-Rosa mostrou ‘Chega de demanda’, de Cartola. O único juiz era o próprio anfitrião mangueirense. “A quem Espinguela deu o troféu? À Mangueira? Não, à Portela. Para ele, os compositores da Portela fizeram o melhor improviso, como era costume naquela época em trecho da canção, conta Fernando Antônio Guerra Peixe, diretor do Centro de Memória da Mangueira.
“O pau quebrou”, continua Guerra Peixe. “O pessoal do Estácio quis bater no Espinguela e os mangueirenses o defenderam. A turma da Portela quis brigar com o Estácio”. Na semana seguinte, o anfitrião chamou as agremiações. “Entregou um troféu a cada escola e acabou o problema”, diz o diretor.
As agremiações ainda eram blocos e só ganharam a denominação atual depois que o lendário compositor Ismael Silva, do Estácio, teve o estalo. “O que nós ensinamos? Samba. Então, somos uma escola de samba”, concluiu ele, que ajudara a fundar a Deixa Falar, considerada a primeira escola.
Em 1935, o Carnaval das grandes sociedades e ranchos estava em decadência. “O presidente Getúlio Vargas liberou verba para organizar a folia e as escolas passaram a chamar mais a atenção”, explica o pesquisador Hiram Araújo, diretor do Centro de Memória do Carnaval, da Liga das Escolas.
FANTASIAS IMPROVISADAS E 300 COMPONENTES
Nos primórdios das escolas, os desfiles eram bem diferentes, sem enredo, com tema. Segundo o pesquisador Hiram Araújo, a agremiação trazia dois ou mais sambas, normalmente ligados a paixões. Baianas seguravam corda para separar pouco mais de 300 desfilantes do público, incluídos 60 ritmistas.
Eram anos heróicos. As roupas do desfile eram pobres e pagas pelos componentes. “A nossa fantasia de baiana era feita de pano vagabundo, que parecia papel crepom”, conta Arlete Silva, a Tia Suluca, 80 anos, a mais antiga da Ala das Baianas. Tia Suluca é irmã de Hésio Laurindo da Silva, o Delegado, 86, o mestre-sala que fez par com as porta-bandeiras Neide e Mocinha. Ganhou o apelido por arrebatar corações. “Diziam que eu prendia as melhores meninas com a lábia. Por isso, me chamaram Delegado”, explica.
Chega de Demanda (samba de 1929):
Sambas de Terreiro (várias épocas) :
O mundo encantado de Monteiro Lobato (samba de 1967) :
Yés, nós temos Braguinha (samba de 1984) :
Brazil com Z é pra Cabra da Peste, Brasil com S é Nação do Nordeste (samba de 2004):
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