![]() |
|
Luis Carlos Magalhães: 'Jamelão é um ponto na história' Colunista do Dia na Folia lamenta a morte do intérprete e ressalta sua importância no cenário cultural brasileiro Jamelão morreu. Todos sabíamos disso. Agora cabe a seus amigos e parentes chorar sua perda e sua saudade. Quando ele ficou doente todos achavam que ia ser fatal para a Mangueira. Não foi. Luizito fez seu trabalho e a Mangueira passou como sempre; quase como sempre. Poucas vezes podemos ser testemunhas da história. Em 2006, tive esse pensamento. Não que ele deixaria de cantar dali para frente, mas certamente seria uma das últimas vezes que eu o veria na Avenida. E assim foi. Todos sabemos o quanto o samba-enredo pesa em um desfile, o quanto ele é importante nessa luta valente do samba e de afirmação na cultura brasileira. Agora o samba está ferido. Os cantores da escolas farão muito bem seu trabalho. A questão é outra. Jamelão transcendeu seu corpo, sua raça, transcendeu o desfile e o carnaval. Jamelão é muito mais do que isso. Jamelão é a voz do samba. Cada carnaval, cada samba-enredo, é como se fosse uma esquina, um pedaço da estrada. O samba é muito mais. O samba é a marca de um povo. O samba é a nossa cara, nossa auto-estima, nosso orgulho. Foi através dele que nós mestiços, antes desprezados e humilhados, passamos a ter voz, passamos a ter identidade. Nessa trajetória contamos com muitos heróis, nós sabemos muito bem disso. Jamelão é muito mais que uma esquina e que um pedaço de estrada. Jamelão é um ponto na história. A poucos homens é dado a chance de exercer um papel na história de seu povo. Eu não choro por Jamelão, prefiro me orgulhar sempre dele.
|
|
|
|||||||||||||||||||||||||||
|