Rio - A Volkswagen finalmente ousou e o resultado é um carro moderno, com ótima ergonomia e dirigibilidade e desempenho satisfatório nas duas versões de motorização. Mas o fato mais importante dessa informação é que o modelo em questão é o Gol, carro de entrada da marca que chega à quinta geração com atributos capazes de deixar ainda mais longe a concorrência, que não ultrapassa o líder de vendas do mercado há 21 anos.
Muito criticado pela ergonomia ruim e espaço interno risível, o Gol oferece na nova geração um ‘upgrade’ de encher os olhos. Como o motor deixou de ser longitudinal e agora é transversal, foi possível aumentar o habitáculo e a altura da coluna de direção em 29 mm. Isso, além de ampliar o espaço interno, permitiu corrigir dois erros gravíssimos das antigas gerações do Gol: o volante e pedais tortos para direita. No Gol G5, após o teste de 1.000 km permanecemos inteiros, algo inimaginável no G4, que cansava em menos de 2 horas. O espaço traseiro para as pernas também aumentou 44 mm.
Sob o capô, estão disponíveis as unidades de força 1.0 e 1.6 do Fox, mas com mudanças no filtro de ar, coletor de admissão, comando de válvulas e no coletor de escape e catalisador. Isso aumentou o torque em baixas rotações, fato aferido na estrada, onde as ultrapassagens foram facilitadas pela vontade do motor 1 litro Flex de 76 cv e pela força de sobra do propulsor 1.6 Flex de 104 cv — gerenciados pelo ótimo câmbio de cinco marchas do Polo. Aliás, com o 1.6 o modelo mostra um desempenho instigante e vai de zero a 100 km/h em 9,6 segundos e à máxima de 195 km/h. Mas essa boa performance cobra na hora do consumo: média regular de 7,4 km/l de álcool.
Contudo, o que já tínhamos perdido a esperança de ver, foi alcançado no Gol G5: o carro é divertido de dirigir. Feito sobre a plataforma do Polo e com a suspensão que equipará a nova geração do Polo e o compacto Up! na Europa, o novo Gol faz curvas como poucos — a Serra das Araras que o diga —, não sai de traseira ou aderna e assimila as falhas do piso sem passar vibrações demais para volante e bancos.
A atenção aos detalhes com o Gol G5 também surpreende. O acabamento foi estudado na Alemanha, as portas têm três níveis de abertura para não fechar nas pernas e ABS e airbag estão disponíveis como opcionais desde a versão mais básica e desvinculados de qualquer pacote. Essa última notícia mostra que até valeu a pena esperar pelos 3 anos de meio de desenvolvimento da nova geração do Gol. Já o preço do 1.0 básico permanece o mesmo: R$ 28.890. E vai subindo para R$ 29.825 no 1.0 Trend, R$ 32.290 no 1.6, R$ 33.235 no 1.6 Trend e R$ 36.420 no 1.6 Power, top de linha. Veja mais do novo Gol no sábado.
INIMIGO DOS AMIGOS DO ALHEIO
Um dos problemas mais graves do Volkswagen Gol sempre foi o preço do seguro, alto devido às fragilidades de segurança do modelo. Nessa nova geração, a Volkswagen fez um trabalho especial para tentar amenizar esse ponto negativo. As travas das portas foram encapsuladas, uma nova tranca no capô dificulta o arrombamento e as peças tiveram uma diminuição de preço de 15%. Com isso, testes no Centro de Experimentação e Segurança Viária, CESVI, colocaram o novo Gol em 2º lugar no índice de reparabilidade, dando ao carro, segundo a Volks, preços de seguro mais baixos que do Fiat Palio.