Setembro, 2008
Agosto, 2008
Julho, 2008
Junho, 2008
Maio, 2008
Abril, 2008
Março, 2008
Fevereiro, 2008
Janeiro, 2008
Dezembro, 2007
Novembro, 2007
Outubro, 2007
Setembro, 2007
Agosto, 2007
Julho, 2007
Junho, 2007
Maio, 2007
Abril, 2007
Março, 2007
André Gomes
 

Domingo, 7 Setembro, 2008

MELHOR NA FORMA QUE NO CONTEÚDO

Foi simpática a estréia do Felipe Rocha no Sesc Copa, mas não muito além disso. O texto que ele escolheu para se arriscar em monólogo e pela primeira vez como autor teatral é embrionário: nele, interessa menos o conteúdo, mais a forma, e nela, se destaca o talento de Felipe como ator. Seu trabalho corporal é fantástico e, ciente de seu já comentado poder de conquista, ele joga o tempo todo com a platéia, nem tão disposto a ganhar, mas a seduzir. As limitações do texto, neste contexto, ficam em segundo plano: seu 'Ele Precisa Começar' não diz muito a que veio e, durante a encenação, até debocha de sua falta de rumo. Falando assim, parece não ter graça, soa pretensioso e só, mas tem. A cena em que o personagem - um cara de 35 anos disposto a escrever sua primeira peça - discute com o corretor ortográfico do computador é hilária. Também é saboroso o momento em que entra no carro com Fátima, a camareira do hotel em que está, rumo a um mundo sem rumo, de absurdos planejados. Eu não estou aqui para estragar a surpresa, mas uma pessoa da platéia é convidada a participar da peça. É um risco, mas tem seus benefícios. Tudo bem, não conto o desenrolar da história. A gente fica na torcida para que da próxima vez Felipe encontre um texto com mais estrutura dramática, com o famoso 'conflito'. Neste, o conflito até existe, mas mais na cabeça do espectador, que fica se perguntando onde é que ele está, onde aquilo tudo - ou aquele nada - vai dar. Felipe se salvou desta pois é talentoso, tem carisma de sobra e espertamente injetou humor à encenação. Se ficasse só apoiado na proposta do enredo, de tratar da elaboração do próprio enredo, ia ser chato demais. Que bom que não foi. Ah, vou entregar mais uma coisa: ele canta uma música que foi sucesso na voz da Bethânia: 'Mel', do Caetano e do Wally Salomão. Aquela mesma, dos versos ó abelha rainha, faz de mim...

Quarta-feira, 3 Setembro, 2008

ELE ESTÁ SÓ

O status de muso do (bom) teatro experimental da cidade Felipe Rocha já tem há tempos, graças às peças que fez com a galera da Cia. dos Atores. Ele também canta e toca trompete com os companheiros do Brasov. Agora, ele é o cara à frente de 'Ele Precisa Começar', espetáculo solo no qual divide a direção com o performer Alex Cassal. Os muitos 'eles' deste post são justificados pelas várias funções exercidas pelo rapaz, mas o grande lance é que Felipe agora está sozinho, dando a cara à tapa, encenando um texto de sua autoria.

O enredo parte da própria experiência do ator: ele está num quarto de hotel, não sabe o que fazer e decide escrever uma peça. No que vai dar, não sabe. Recorre a referências variadas, de filmes de ação dos anos 60 a dramas existenciais e comédias românticas. O ponto central mesmo é a necessidade de começar. Confesso que acho o tema interessante. Vamos ver se vai dar certo em cena. Para quem não lembra do que já viu com o rapaz, vamos lá: ele esteve ano passado em 'Gaivota: Tema Para um Conto Curto' e brilhou em 'Ensaio.Hamlet', fantástica desconstrução do clássico de Shakespeare conduzida por Enrique Diaz. Nesta, ficava nu em cena. A nudez da vez é mais sutil, no confessional enredo. Estréia sexta agora, na multiuso do Sesc Copa. Boa sessão.

Segunda-feira, 1 Setembro, 2008

A VIDA PASSA


Você olha para esta foto e pensa o que? Que o cara em questão está derrotado, né? Sim, ele está. O motivo de sua angústia é o que fazer de sua vida ordinária e, para piorar, ele tem que lidar com a perda de um amigo de infância. Com ela, recordações de um passado ingênuo, mas feliz, antes que tudo acabasse mal. Nela, a implacável reflexão sobre a única coisa sob a qual o ser humano não tem qualquer controle: o tempo. O filme se chama 'Reflexos da Inocência', o ator é o Daniel Craig, é um filme obrigatório mas daqui a pouco falo mais dele. Note agora a segunda foto.

Estas pessoas parecem estar felizes. Seis atores, reunidos à espera de um jantar que preparam. Se você for ver a peça, saberá que são apenas cinco. Se assisti-la também saberá que 'A Falta Que Nos Move' é um projeto especialíssimo, peça escrita a partir da vivência do elenco. Durante a confessional encenação, o espectador é apresentado a memórias, fotos, músicas, dores e delícias das vidas dos atores. E perceberá que, mais uma vez, a angústia maior é como lidar com o tempo. Escorregadio, ele passeia nas frases do texto de Tchekov dito por alguém do elenco. Incrível ser cúmplice de tal inspiração. Impossível não lembrar do que diz Olga em 'As Três Irmãs': esta noite envelheci 10 anos. O tempo é o mais caro dos temas de Tchekov. E é personagem tanto da peça, quanto do filme. Mero acaso estarem ambos no mesmo post. Ou não.


Para quem ficou a fim de ir ao cinema e ao teatro, mais detalhes: o filme tem trilha sonora deliciosa, anos 70, e os flashbacks of a fool do título original são absolutamente poéticos e encantadores. Claro, antes de uma tragédia mudar o destino do protagonista. Quanto à peça, está em cartaz na Casa França-Brasil, e no final você pode provar da comida preparada em cena. Não é sempre que a gente encontra por aí duas dicas tão valiosas, que unem diversão com reflexão. Para chorar, para rir, para sair do cinema e do teatro diferente. Melhor.

Quinta-feira, 28 Agosto, 2008

CONCORRA A INGRESSOS PARA A PEÇA 'O SANTO E A PORCA'

Deu certíssimo a temporada de 'O Santo e a Porca' no Teatro Sesi. Tanto que o espetáculo dirigido por João Fonseca, que ficaria em cartaz somente até domingo, vai ganhar mais um mês em cena. A peça, celebrado texto de Ariano Suassuna, segue firme até o dia 28 de setembro. No elenco estão Ewerton de Castro (que comemora 40 anos de carreira), Armando Babaioff, Gláucia Rodrigues, Elcio Romar e Janaína Prado, entre outros atores. Escrita por Suassuna em 1957, 'O Santo e a Porca' tem cenário que recria um ambiente do interior nordestino.

A peça relata o casamento da filha de um avarento: o santo do título é Santo Antônio e a 'porca' é um cofrinho, símbolo do acúmulo de dinheiro e tão protetor quanto o santo. A avareza doentia de Euricão (Ewerton de Castro) acaba deixando-o pobre e solitário. Quem curte a obra de Suassuna e está sem dinheiro para o ingresso não precisa se preocupar: o 'Supercênico' vai sortear três ingressos duplos para o espetáculo do dia 7 de setembro. Basta deixar comentário com nome completo e automaticamente o leitor já estará concorrendo. Boa sorte. Vamos ao serviço: o Sesi fica na Rua Graça Aranha 1, Centro (2563-4163). Qui a sáb, às 19h30. R$ 30 (qui e sex) e R$ 40 (sáb e dom).

Quarta-feira, 27 Agosto, 2008

'MAMMA MIA': DOS PALCOS PARA AS TELAS DE CINEMA

Segunda-feira à noite, levei uma amiga - que não levava muita fé na escolha do filme - à pré-estréia de 'Mamma Mia', no Arteplex. Foi uma das primeiras exibições do filme aqui no Brasil - ele entra em circuito somente dia 12 de setembro. Para quem não sabe, o filme vem na cola do sucesso do musical, que fez carreira na Broadway e em outras capitais graças à fantástica idéia de enfileirar hits do quarteto sueco, apoiados num enredo divertido e cativante.
Foi só 'Dancing Queen' tomar conta da tela, com Meryl Strepp cantando e conduzindo um grupo de mulheres pelas vielas de uma ilha grega, para minha amiga se render. Eu também. Sim, o filme é adorável e capta o mesmo clima do musical. Na Broadway, terminadas as sessões, o elenco volta para cantar os sucessos que ficaram de fora na costura do enredo. Portanto, não saia do cinema quando os créditos começarem a aparecer: os atores retornam, devidamente paramentados com aqueles escandalosos figurinos dos 70s, para cantar o que ficou de fora.

Grupo que alcançou fama mundial em 1974 com o hit 'Waterloo', arrastando legiões de fãs, o Abba se separou cedo, em 1982, mas continua vivo na memória afetiva do público, tanto que vai ganhar um museu todinho dedicado à sua obra em Estocolmo ano que vem. A explicação para o êxito das canções é uma irresistível combinação de música para dançar, bem à moda setentista, com baladas até hoje cantadas em coro pelos fãs. No filme, chama atenção a interpretação de Streep para 'The Winner Takes it All'. Sim, ela está ali para falar para Pierce Brosnan que ele a abandonou e que não adianta querer seu amor de volta. 'O Vencedor Leva Tudo', ela canta, e a platéia reconhece nela ares de diva de ópera. Aos 59 anos muito bem vividos, a atriz americana prova porque possui o recorde de indicações ao Oscar, 14 vezes, duas delas levando a estatueta para casa.
O filme, espertíssimo, ataca em várias frentes: tem para as cinqüentonas, os adolescentes, os gays (o Colin Firth 'dando pinta' é hilário), em romances emoldurados por paisagens paradisíacas. 'Mamma Mia' é um filme solar, festivo, indicado para iniciados e não-iniciados no universo de Abba. Quem viu o musical no teatro, como eu, não se decepcionará e quem não viu terá surpresas garantidas. Está tudo lá, 'Gimme! Gimme! Gimme!', 'Chiquitita', 'Take a Chance on Me'...

Sexta-feira , 22 Agosto, 2008

TEATRO A PREÇOS POPULARES

A Cissa Guimarães, o Orã Figueiredo e o Pedro Brício posaram pra gente para esta foto, dispostos a convocar o público que anda sumido dos teatros a dar as caras. Eles estão em temporada com peças a preços populares, entre R$ 10 e R$ 30, o que já garante metade do entusiasmo. Neste fim de semana, além dos espetáculos em que o trio está em cartaz, rola também a reestréia do sucesso 'Renato Russo', musical estrelado por Bruce Gomlevsky. Vamos ao serviço das peças:

BECKETT COM SÉRGIO BRITTO: De Samuel Beckett. Direção: Isabel Cavalcanti. Sérgio Britto encena duas peças curtas do dramaturgo irlandês: a inédita 'Ato Sem Palavras 1', sobre homem sedento no deserto, e 'A Última Gravação de Krapp', em que um senhor passa em revista sua vida. Oi Futuro. Rua Dois de Dezembro 63, Flamengo (3131-3060). Sex a dom, às 19h30. R$ 15. 16 anos. 55 min. Até 28 de setembro. CINE-TEATRO LIMITE: De Pedro Brício. Direção: Pedro Brício e Sergio Módena. Com Rodrigo Pandolfo e elenco. Na comédia dramática, um comediógrafo desempregado escreve o roteiro de um filme. Teatro Municipal Glória. Rua do Russel 632 (2555-7262). Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h. De R$ 15 a R$ 30. 12 anos. 100 min. Até domingo. EU SOU MINHA PRÓPRIA MULHER: De Doug Wright. Direção: Herson Capri e Susana Garcia. Com Edwin Luisi. Com versatilidade, o ator vive célebre travesti alemão e mais 24 tipos. Casa de Cultura Laura Alvim. Avenida Vieira Souto 176, Ipanema (2332-2015). Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 20 (qui e sex) e R$ 30 (sáb e dom). 14 anos. 85 min. Até 28 de setembro. A FALTA QUE NOS MOVE: Concepção e direção: Christianne Jatahy. Com Pedro Brício e Felipe Rocha. Na peça-performance, os atores preparam um jantar enquanto conversam entre si e com o público. Casa França-Brasil. Rua Visconde de Itaboraí 78, Centro (2253-5366). Qui e dom, às 19h. Sex e sáb, às 20h. R$ 10. 16 anos. 90 min. Até 28 de setembro. MORRER OU NÃO: De Sergi Belbel. Direção: Delson Antunes. Com Thelma Reston, Daniel Aguiar e grande elenco. Em sete histórias com desfechos inesperados, atores encenam situações comuns do homem urbano do século 21. Centro Cultural Justiça Federal. Avenida Rio Branco 241, Centro (3261-2550). Qui a dom, às 19h. R$ 20. 14 anos. 90min. Até domingo. PELO AMOR DE DEUS, NÃO FALA ASSIM COMIGO!: De Maria Carmem Barbosa. Direção: Ivan Sugahara. Com Cissa Guimarães e Orã Figueiredo. Num futuro hipotético, em que a Terra é assolada por epidemias, desemprego em massa e fome, personagens tentam encontrar uma forma de sobreviver. Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020). Qua a sáb, às 19h30. Dom, às 17h e 19h30. R$ 10. 14 anos. 120 min. Até 31 de agosto. REALIDADE VIRTUAL: De Alan Arkin. Direção e interpretação: Claudio Mendes e Marianna Mac Niven. No drama, dois funcionários que não se conhecem são contratados para realizar uma missão que sequer sabem qual é. Centro Cultural Justiça Federal. Avenida Rio Branco 241, Centro (3261-2550). Ter e qua, às 19h. R$ 20. 16 anos. 60 min. Até 3 de setembro. RENATO RUSSO: De Daniela Pereira de Carvalho. Direção: Mauro Mendonça Filho. Com Bruce Gomlevsky. Monólogo relembra a trajetória do líder da Legião Urbana. Teatro João Caetano. Praça Tiradentes s/nº, Centro (2299-2141). Sex e sáb, às 19h30. Dom, às 18h30. R$ 20. 14 anos. 120 min. Até 19 de outubro.

Quarta-feira, 20 Agosto, 2008

RESIDÊNCIA PARA A PEÇA 'CORTE SECO'

A diretora Christiane Jatahy e a Cia. Vértice de Teatro vão iniciar o que chamam de processo colaborativo e residência no Teatro Poeira. Durante três meses, acontecerá por lá uma residência artística com atores, bailarinos, artistas plásticos, videomakers e autores, voltada para a pesquisa de linguagem e de materiais artísticos para o projeto. Os interessados devem mandar currículo e criar a partir de uma das frases abaixo um pequeno texto, imagem, vídeo, carta ou composição.

Seguem as frases:
- O mundo se tornou mais questionável, cada vez mais sentimos a estranheza do mundo
- Cada coisa está sendo influenciada ou se influenciando.
- Nós nunca olhamos a liberdade face a face.
- Toda mudança possui uma causa.
- Corte seco ainda sangra?

A proposta da peça dá seguimento à pesquisa iniciada com 'Conjugado' e com 'A Falta que nos Move' (em cartaz na Casa França-Brasil), outros trabalhos da companhia. Parece 'cabeça', e é. Mas tem funcionado. Os interessados devem enviar currículo e carta de intenção para Teatropoeira@teatropoeira.com.br. Ah, a notícia ruim é que a residência é paga e custa caro: R$ 450, mas pelo menos, é o valor total. O projeto vai rolar às terças, quintas e sextas, das 11h às 14h, com início dia 16 de setembro e término dia 16.

LET THE SUNSHINE IN...

Programa simpático para quem tem o privilégio de estar com passagens compradas para Nova Iorque é assistir à nova montagem de 'Hair' no Central Park. Ok, já se passaram 40 anos desde a estréia da primeira montagem, mas a mensagem pacifista de canções como 'The Age of Aquarius' parece soar mais necessária do que nunca. Boa parte das críticas americanas foram elogiosas ao espetáculo, com ênfase para o elenco, considerado muito bom, e perdões mesmo às passagens extremamente datadas. Diane Paulus ('The Donkey Show') conduz o elenco, que inclui Jonathan Groff ('Spring Awakening') e Will Swenson ('110 in the Shade').

Apresentada pela primeira vez em um grande teatro da Broadway no dia 29 de abril de 1968, a obra escrita por James Rado e Jerome Ragni sobre música de Galt MacDermot tinha nascido um ano antes, nas pequenas salas 'off-Broadway', como produção do Teatro Público. Considerada provocadora por incluir textos que abordam temas como homossexualidade, masturbação e drogas, 'Hair' tinha várias cenas com nus e se tornou bandeira dos 'hippies' e dos adversários da guerra do Vietnã. O musical conta a história de um grupo de jovens pacifistas que vive no East Village de Manhattan, protesta contra a guerra e pratica o amor livre. Algumas de suas músicas, como 'Let the Sunshine In' e 'The Age of Aquarius' ainda faziam parte em 2006 da lista das mais tocadas elaborada pela BBC. Em 1979, 'Hair' foi adaptada por Milos Forman para o cinema.

Segunda-feira, 18 Agosto, 2008

ESTAR PRONTO É TUDO

A grande peça em cartaz no momento não está no Rio, mas em São Paulo. Não por acaso, Wagner Moura está a toda hora em evidência, seja na TV ou nos cadernos culturais dos impressos. Seu 'Hamlet' é um sucesso e na cola dele voltam a habitar nossos pensamentos as frases maravilhosas deste clássico absoluto de Shakespeare. Todo mundo está careca de conhecer as mais citadas, caso de 'ser ou não ser, eis a questão' e 'há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia'. Mas há dezenas de outras, tão maravilhosas e instigantes quanto essas, que às vezes, numa leitura da peça, podem escapar de uma análise mais apurada. É o caso desta: "Se não for agora, será depois. Se não for depois, tem que ser agora. Se não for agora, será a qualquer hora. Estar pronto é tudo." Para muitos, esta frase pode soar pesadíssima, no claro contexto em que se encaixa, da certeza da morte. Mas ela se adequa a muitos outros. É simples: não adianta querer escapar, na vida, do que tem que acontecer. Neste sentido, o conselho é sábio: estar pronto é tudo. Há outras frases fantásticas que valem a lembrança. Bom proveito:

- Onde o prazer se exalta a dor se encolhe.
- Ser fiel a si: siga isso, como o dia à noite, que a ninguém será falso jamais.
- Um grande amor nos sustos se confirma.
- As coisas em si mesmas não são nem boas nem más, é o pensamento que as torna desse ou daquele jeito.
- A todos, teu ouvido; a voz, a poucos; ouve opiniões, mas forma juízo próprio.
- Aquilo que prometemos no calor da paixão, acalmada a paixão, é por nós abandonado.
- O resto é silêncio.

Domingo, 17 Agosto, 2008

BEAT GOES ON!

Neste fim de semana em que trabalhei, saindo da redação só de noite, restou zero de opção de programação cultural. Juro que pensei em ficar em casa para descansar e encarar o sábado e o domingo de plantão, mas sucumbi, e acabei fazendo o test-drive das duas festas mais bombadas do fim de semana, não por acaso indicadas em nossa última edição do 'Guia Show&Lazer'. Falo da Combo, no Lounge 69, na noite de sexta, e da Moo, nas Casas Franklin, no sabadão. É, a idéia de todos os envolvidos na balada - sim, eu gosto da expressão paulistana - era se jogar, mas a Combo deixou a desejar num quesito: já passada de duas da matina e nada da casa encher. Ficou no meio termo, e olha que o som tava ótimo, um eletrônico suingado, estiloso, moderno, cool, bem diferente do que tem se visto nas pistas cariocas. Eu até queria ficar, mas todos que estavam comigo resolveram partir. Teve jeito não. Mas eis que na noite seguinte havia a Moo. Incrível como ficou lotada, incrível a quantidade absurda de pessoas 'montadas' na pista, aquela galera descolada, da moda, preocupadíssima em combinar os acessórios, descombinando... A festa rolou legal, mas teve um problema realmente chato: estavam infernaIs as filas para comprar bebida, a ponto de um dos produtores se sentir na obrigação de distribuir alguns tíquetes de cerveja. Ora, você sai de casa para se divertir e é obrigado a mofar numa fila para comprar bebida, não dá. Todas as filas estavam incrivelmente desorganizadas, com público e atendentes estressados. Caótico. Tá, tudo bem, o clima da festa em si estava animado, mas não há quem resista a uma saga destas para saciar a sede.
Quero aproveitar que falo de noite e do fimde para comentar o programa que precedeu a Moo. Fui numa festa de aniversário do amigo de um amigo meu - é isso mesmo - e, logo na porta da casa do anfitrião (um apê adorável com vista linda para a Lagoa no Jardim Botânico), eis que me deparo com uma foto da Madonna. Cara, o aniversário era dela. Cinqüenta. Pois é, a festa era de um garoto que deixava de ser, chegava aos 30. Mas todo mundo lá parecia festejar a reinventora do pop. Na ótima pistinha improvisada, rolaram duas das melhores músicas do novo disco, 'Hard Candy'. Sempre achei que a minha preferida do CD era 'Beat Goes On', que eu coloco na categoria 'música para ser feliz'. Mas surpreendi-me: ali, na pistinha, a temperatura se elevou mesmo ao som de 'Heartbeat'. Difícil escolher entre elas. Na dúvida, fico com as duas. Ambas são músicas capazes de chutar a tristeza de lado, o cansaço, o desassossego. Ambas têm beat batizando seus títulos. E ambas convidam a dançar a noite inteira, se movimentar, sair do marasmo, numa lavagem cerebral adorável em tempos de tanta informação e cobrança de todos os lados. Se o stress tomar conta de você, vá por mim, entregue-se a estas batidas. Madonna merece o post e os parabéns, por ainda insistir, mais de 20 anos após 'Holiday' - outro hino à alegria - que 'there ain't no time to lose, It's time for you to celebrate'. E por continuar fazendo a gente feliz. Que os próximos aniversários dela sejam tão bons quanto o de sábado à noite.

GANHADORES DA PROMOÇÃO

Vamos aos contemplados na promoção de ingressos para a peça 'Realidade Virtual', para a sessão de terça-feira. Os vencedores são Juliana Silver, Thiago Bomilcar Braga e Fábio Fernandes. Ainda temos mais dois ingressos duplos para sortear.

Quinta-feira, 14 Agosto, 2008

GRAND' HOTEL E OUTRAS HISTÓRIAS

Paguei de fã na gravação do primeiro DVD solo de Paula Toller, terça-feira, no Teatro Oi Casa Grande. Explico: no meio do show, ela desceu do palco e convidou a platéia a se aproximar. Relutei, achei que era atitude para a garotada, mas fui vencido. Ora, se eu queria vê-la cantar de perto, em clima intimista, por que não? Por que não eu? Fui. Não me arrependo. O medley que ela fez juntando 'Saúde' (Rita Lee e Roberto de Carvalho), o refrão de 'Só Love' (Claudinho & Buchecha) e 'Nada por Mim' ficou perfeito, momento mágico num show que testou a paciência dos espectadores. Houve interrupções demoradas. Ela nem repetiu muitas músicas, mas fez pausas que se alongaram demais. Paula aproveitou pra entreter a platéia: entoou versos de 'Como uma Deusa' enquanto era maquiada e cantarolou pedaços de 'The Sound of Music', em alusão a 'Noviça Rebelde', que está em cartaz no mesmo teatro.
DIVULGAÇÃO/AG NEWS
Nada, contudo, se compara ao número que a musa do Kid Abelha fez ao piano, entoando 'Grand' Hotel'. Paula se sentou sobre o piano, linda, num vestido preto que, aliás, devia ter sido o figurino único do show. E fez uma versão mais lenta, ainda mais romântica, com notas alongadas, que evidenciavam o caráter pouco otimista da letra: 'Qual o segredo da felicidade? Será preciso ficar só pra se viver?'. Na época em que esta canção foi lançada, eu, ainda moleque, costumava me questionar sobre tal pergunta. Até hoje não sei a resposta. Mas ali no teatro, enquanto ela cantava, pensei no tal segredo, acho que não existe. A gente corre, corre, de um lado para o outro, busca contentamento, busca respostas, busca, se cansa de buscar, e então quer ser encontrado. Quando encontra, às vezes deixa de querer. E esquece que felicidade mesmo a gente só entende o que é depois que passa. Memória. O Kid está na minha memória afetiva, por isso fui ao show. Nem foi tão bacana quanto a estréia, ano passado, do show deste mesmo disco, 'SóNós', mas foi um reencontro. Só faltou ela cantar 'Tudo se Perdeu', pérola do disco que, depois do show, voltei a ouvir. Mas tudo bem, teve 'Um Primeiro Beijo', do CD, a mais deliciosamente adolescente - e por que não - atual, mesmo na vida adulta. Paula, linda e já há algum tempo passada dos 40, é a prova de que dá para brincar com o tempo. Que bom.

Quarta-feira, 13 Agosto, 2008

CONCORRA A INGRESSOS PARA A PEÇA 'REALIDADE VIRTUAL'

A exemplo do que já acontece com as companheiras de blog do 'Cinelândia' e 'Salto Agulha', vou inaugurar o 'post promoção'. Se você gosta de teatro e está a fim de faturar ingresso, sem pagar nada, participe. A promoção vale para a peça 'Realidade Virtual', em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal (Avenida Rio Branco 241, Centro, tel.: 3261 2550), todas as terças e quartas, às 19h. Os leitores do blog que entrarem com post deixando seus nomes vão concorrer a dois convites para a sessão da próxima terça-feira. Serão sorteados cinco ingressos duplos. Até o fim da semana, publico o resultado. Basta chegar na bilheteria do teatro com antecedência de meia hora para retirar os ingressos, ok? A peça segue em temporada até o dia 3 de setembro, mas a promoção será válida só para a sessão do dia 19. Espetáculo que foca no tema do mau uso do poder, 'Realidade Virtual' tem texto de Alan Arkin, ator americano conhecido entre nós por seus trabalhos pelo ótimo 'Pequena Miss Sunshine'.

Os personagens da peça são Canhoto e De Recha, que aguardam a chegada do material que lhes servirá na execução de uma 'missão'. Como o material não chega, De Recha, o superior, propõe a Canhoto que façam um ensaio da chegada do material e sua conferência. Esse jogo será levado às últimas consequências, com um final inevitável e aparentemente 'mortal'. Arkin nos mostra que jamais a realidade será mais verdadeira e estimulante do que a imaginação. No elenco estão Claudio Mendes e Marianna Mac Niven. O próprio Claudio tem mais detalhes sobre a encenação: "'Realidade Virtual' tem um texto surpreendente pelo inusitado da situação e pela forma como é apresentado. Fizemos uma opção pelo despojamento total de recursos cênicos, radicalizando ainda mais uma proposta do próprio Alan Arkin, assim abrimos mão de cenário (o palco da Justiça Federal está nu), nossas roupas são as do corpo, casuais, nossa iluminação não conta com refletores, são lâmpadas fluorescentes e de vapor de mercúrio, destas de postes de rua, enfim, focando a idéia de que o teatro está no jogo. O teatro do CCJF tem uma porta no fundo do palco que dé para a Rua México. Ao final do espetáculo, um terceiro ator, que é sempre um ator convidado, abre essa porta e a rua fica completamente aparente aos olhos do público, fazendo a realidade da rua invadir a cena de maneira inusitada". Está dado o recado. Boa sessão.

Segunda-feira, 11 Agosto, 2008

ESTRÉIA PROMISSORA

Não, ela não é a Deborah Secco e já se cansou da insistência no tema da semelhança física com a parceira de profissão. Fernanda de Freitas buscou um modo particular para superar o assunto: "Quando sentia que as pessoas estavam se voltando para isso, respirava fundo e pensava: 'trabalha que uma hora o reconhecimento de seu esforço vai chegar'". A boa notícia é que ele chegou e nem foi pela TV, na qual Fernanda fez novelas como 'Kubanacan' e 'Bang Bang'. Foi pelo teatro. A atriz acaba de estrear no Rio 'Ensina-me a Viver', sua primeira vez nos palcos. Faz três papéis e chuta para escanteio comparações com Deborah - a quem admira -, graças a desempenho surpreendente, capaz de arrancar elogios, na platéia, de veteranas como Rosamaria Murtinho. "Essa menina é muito boa", disse Rosamaria na estréia. A declaração veio no momento-chave de Fernanda na peça, quando surge na pele de Dora Alegria, atriz egocêntrica, capaz de tudo para estar em primeiro plano. "Adoro essa cena, mas nem é minha personagem preferida". Fernanda elege Nancy Mercury, secretária de fala miúda, meio caipira, como predileta. "Busquei na minha mãe, costureira, o jeito de falar. Quando pequena cantava com ela uma música com esse registro", revela. O trio de personagens compostos pela atriz tem ainda uma garota masculinizada, Silvia Gazela. "Optamos por fazê-la meio machona. Deu certo", diz, em referência à decisão que envolveu o diretor da peça, João Falcão.
João chegou à atriz através de indicações - de um dia para o outro, Fernanda, que nunca fizera teatro, estava na casa de Glória Menezes, fazendo leitura do espetáculo. "Glória virou modelo de atriz. Fiquei rouca e ela me ligou, preocupada, passando contatos de fonoaudióloga, uma fofa", conta. Aos 28 anos e namorando há dois o mestre em jiu-jítsu Felipe Simões, Fernanda mora só, na Barra, e começa a se preparar para novo papel na TV, na novela 'Negócio da China', de Miguel Falabella. "Viverei um triângulo amoroso com Thiago Fragoso e Juliana Didone", entrega.
Mais quente ainda é o filme 'Casa da Mãe Joana', que estréia mês que vem. A atriz interpreta uma baterista, filha do personagem de José Wilker. "Ela se envolve com o amigo do pai, papel do Paulo Betti", adianta. O lado sensual da atriz pára por aí: posar nua, nem pensar. "Já tive convites, mas não aceitei, não tenho cabeça pra encarar milhões de pessoas me vendo nua. Mas dei a maior força para Carol Castro, que é minha amiga, de churrasco em casa, para ela fazer, porque acho que vai ser uma guinada na carreira, algo positivo". A estréia carioca da peça foi mais difícil que a paulista. "Fiquei muito nervosa, porque o Rio é minha casa, onde estão meus amigos. Felizmente tudo deu certo".

EQUILÍBRO DELICADO ENTRE HUMOR E DRAMA
O enredo de 'Ensina-me a Viver' apresenta situação improvável: o despertar do amor entre uma senhora de quase 80 anos e um rapaz de 19. Mais que improvável, talvez impossível. Não na peça em cartaz no Teatro do Leblon, adaptação do filme de sucesso dos anos 70. Quando a aproximação da personagem defendida por Glória Menezes com o de Arlindo Lopes fica evidente, o espectador já está rendido, ciente de que nela está o espírito libertário nunca por ele alcançado. Maude funciona como agente transformador na vida de Harold. E - por que não? - na de muitos na platéia que podem estar, como ele, cultuando a infelicidade.
Ciente do poder da história que tem nas mãos, o diretor João Falcão vai no mesmo caminho de Maude: sua encenação é feliz, para cima, na evidente opção por divertir nas cenas em que Harold flerta com a morte, imprimindo a elas visual cinematográfico. O cenário de Sergio Marimba e os figurinos de Kika Lopes são também pontos altos da montagem, muito ajudada pelo brilho de Glória Menezes, que oferece composição delicada, às vezes sapeca até, para a personagem. Também no elenco, Ilana Kaplan compõe uma hilária mãe autoritária e Augusto Madeira mostra versatilidade ao se desdobrar em vários papéis. A trilha sonora, a cargo de Rodrigo Penna, é esperta, com direitos a hits do pop atual. As quase duas horas de duração passam rápido, graças ao ritmo ágil das marcações da peça, montagem de qualidade, que se equilibra com elegância entre momento de humor e emoção.

Sexta-feira , 8 Agosto, 2008

A VIDA COM JUDY GARLAND

Neste domingo rola o segundo capítulo, no GNT, da série sobre a vida de Judy Garland, uma das maiores estrelas de musicais que o cinema já teve. O programa está sendo exibido durante as férias do Manhattan Connection e é opção saborosíssima para quem se interessa por ícones do gênero: primeiro, porque revela os bastidores cruéis da indústria; segundo, porque a vida de Judy é um prato cheio. A série retrata a vida de glamour, solidão e dependência de drogas da atriz, estrela da Era de Ouro de Hollywood e mãe de outra diva, Liza Minnelli. Trata-se de uma produção da rede ABC de 2001, que já foi ao ar nos canais Telecine.

Estrelada por Judy Davis e com as presenças no elenco de Victor Garber (Eli Stone) e Hugh Laurie (House), a minissérie será exibida em quatro capítulos e ganhou cinco prêmios Emmy, incluindo o de Melhor Atriz para Davis, que também levou o Golden Globe por sua atuação. Escolhi esta foto em que Judy está bonita para ilustrar este post, já que ela sempre teve problemas com a aparência. Era um talento nato, mas longe de ser apreciada pela beleza, coisa que ficava para musas platinadas da época, caso de Lana Turner...

'LEGALMENTE LOIRA': A SAGA CONTINUA

A novela envolvendo o nome de Luciana Vendramini continua. Ela, que afirmou ter comprado os direitos do musical 'Legalmente Loira', sucesso na Broadway, para estrelá-lo no Brasil, entrou com pedido de registro da marca 'Legalmente Loira' no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A afirmação de que Luciana teria adquirido os direitos do musical foi contestada pelos produtores americanos mas, se ela obtiver o registro da marca, pode causar problemas para produtores brasileiros que um dia se interessem em realmente montar o musical aqui, com tudo legalizado, conforme explica o professor titular de propriedade intelectual da escola de direito da Fundação Getúlio Vargas, Ronaldo Lemos. "Se o registro da marca for para ela, outro produtor estaria impedido de usar o nome aqui, mesmo com os direitos comprados, pois o nome está registrado lá fora, não aqui no Brasil. Com isso, os detentores da marca original teriam que entrar com uma contestação". Segundo Lemos, pode parecer estranho que alguém solicite o registro de marca de produto de entretenimento já conhecido, caso do filme em questão que gerou o musical, mas não é incomum que seja aprovado. De qualquer forma, vale ressaltar: entrar com pedido de registro de marca nada tem a ver com obter direitos de montar o musical...

Quinta-feira, 7 Agosto, 2008

O QUE NOS MOVE


Anote aí na agenda: amanhã rola a estréia de 'A Falta que nos Move', espetáculo que reúne uma galera muito interessante, que volta e meia é notícia aqui no blog, caso do Felipe Rocha e do Pedro Brício. Eles participam, junto com Cristina Amadeo, Marina Viana, Kiko Mascarenhas e Stella Rabello, do que chamam de peça-performance. Bebem e preparam um jantar de verdade enquanto esperam uma pessoa, que ninguém sabe se virá. Tudo acontece no tempo real da ação.  Durante o preparo do jantar eles contam histórias para o público e buscam a interação. Com o passar do tempo, acabam revelando suas verdadeiras relações, trocando confidências com a platéia. Quem conduz a trupe é Christianne Jatahy. Estou curioso pra ver. A temporada será de quinta a domingo às 19h, e sextas e sábados às 20h, na Casa França-Brasil.

Quarta-feira, 6 Agosto, 2008

TEMPORADA POLÊMICA

Acabei nem repercutindo aqui as declarações do Sérgio Britto sobre a atual temporada teatral. Em entrevista à repórter Beatriz Mota, ele, que acaba de estrear espetáculo com textos de Beckett, disse ter assistido este ano a uns 20 espetáculos que seriam os piores de sua vida. Para muitos, parece exagero, mas sinceramente, por trás da declaração polêmica há uma grande verdade: não param de surgir montagens de acabamento duvidoso, textos precários e, pior, produtores que recorrem a clássicos, conseguem patrocínios de vulto e, quando estréiam, percebe-se que foi tempo perdido, basta lembrar o caso recente do 'Otelo' de Diogo Vilela. Sábado, durante um almoço, eu e um amigo comentávamos o óbvio quando se trata da eterna lenga lenga de parte da classe teatral em busca de mais leis de incentivo e patrocínios: de que adianta conseguir dinheiro público para montar uma peça e cobrar 70 reais de ingresso? É um assalto, é vergonhoso. Se o dinheiro usado é público, o público tem que poder ver as peças, e assim 10 reais, 20 no máximo, está de bom tamanho para o valor de tais ingressos. Voltando à qualidade das produções, questionada por Sérgio Britto, é só mais um impedimento para a formação de platéia. Há vários outros, um debate sem fim...

Segunda-feira, 4 Agosto, 2008

ODE À LIBERDADE

Foi concorridíssima a estréia do espetáculo 'Ensina-me a Viver', sábado, no Teatro Leblon. A classe teatral compareceu em peso para ver o desempenho de Glória Menezes no aclamado texto baseado em filme dos anos 70. Glória emociona e faz rir, com delicadeza, como Maude, a octagenária que desperta o amor de um rapaz de 19 anos, papel de Arlindo Lopes. O diretor João Falcão optou por injetar altas doses de humor à montagem, principalmente nas cenas em que três pretendentes do rapaz surgem em cena: Fernanda de Freitas está hilária nos três papéis. A encenação, rica em sensações, presta homenagem ao teatro ao situar o local onde mora Maude como um antigo depósito teatral. As quase duas horas de peça passam rápido na condução ágil que João imprime às marcações e, acredite, mesmo o espectador mais radical vai acreditar que, sim, é possível um amor nascer, mesmo com tamanha diferença de idade. Na verdade, nem é isso que importa, mas o caráter libertário do texto: Maude é uma mulher que vive a vida sem temer a opinião dos outros, disposta a se agradar, sempre passando longe das convenções. Uma montagem com personalidade que, embora não cause arrebatamento, conquista pelas sutilezas e pela aposta no lado lúdico.
Confesso que estava desconfiado em relação ao desempenho de Arlindo Lopes, que no musical sobre a vida de Cauby Peixoto impressionava, mas no sentido negativo, absurdamente caricato na pele de um jornalista iniciante. Desta vez, ele não compromete. Podia estar melhor, é verdade, mas serve à proposta do diretor, de carregar nas tintas em busca do riso. A trilha sonora do espetáculo, a cargo do Rodrigo Penna, é simpática, até Britney ele deu um jeito de inserir, e cenários e figurinos também são pontos altos.

Quinta-feira, 31 Julho, 2008

CINCO ANOS DE IMPROVISO

São cinco anos de improviso, que serão comemorados nesta sexta no Vivo Rio. Depois de 13 temporadas de sucesso, o espetáculo 'Z.É. Zenas Emprovisadas' ganha nomes de peso entre os convidados. Alexandra Richter, Aloísio de Abreu, Antônio Fragoso, Bruno Mazzeo, Heloísa Perissé, Ingrid Guimarães, João Velho, Leandro Hassum, Luana Piovani, Marcius Melhem, Maria Clara Gueiros, Miguel Thiré e Nelson Freitas prometem aparecer. O show de aniversário terá duas horas de duração, com apresentação de Alexandre Régis e Fernando Caruso, Gregório Duvivier, Marcelo Adnet e Rafael Queiroga no elenco.

Quarta-feira, 30 Julho, 2008

FASCINATING RHYTHM

Não vai ser desta vez que vou conseguir ver o show do BR6 na Sala Baden Powell, pois vai rolar no sábado, dia da estréia de 'Ensina-me a Viver'. Nem conheço o trabalho do grupo, mas me desperta curiosidade, afinal, este show tem como base o repertório do último CD deles, 'Here to Stay – Gershwin & Jobim', lançado recentemente pela Biscoito Fino. Daqui, o grupo segue em outubro para a Europa, onde vai se apresentar em dois grandes festivais de música a cappella. No CD, estão lá 'They Can't Take That Away From Me' e 'Fascinating Rhythm', além de versões em inglês das jobinianas Águas de Março, Garota de Ipanema e Água de Beber. Sim, o disco é todo em inglês, mas há uma faixa bônus, 'Chovendo na Roseira', de Tom Jobim, que saiu apenas no CD brasileiro, que faz parte da trilha sonora da novela 'Ciranda de Pedra'.

A VOLTA DE 'BENT'

'Bent' voltou à cena e segue temporada bem popular, apenas 4 reais, no Teatro João Caetano. Vale reeditar a crítica do espetáculo, originalmente publicada ano passado.

Já acompanho o trabalho da dupla de protagonistas, Augusto Zacchi e Gustavo Rodrigues, há algum tempo, tinha visto o filme com o Clive Owen mas faltava ver o texto do Martin Sherman — grande sucesso na ocasião de seu lançamento na Broadway então com Richard Gere — no teatro. Bem dirigida por Luiz Furlanetto, a peça rendeu discussão pós-sessão, em torno de um possível tom panfletário, defendido por um amigo que assistiu-a comigo. Como ele, detesto enredos feitos para defender uma causa, mas não é o caso de ‘Bent’. Para falar do sofrimento de dois prisioneiros gays na Alemanha nazista — a mercê de todo tipo de insulto e provação física num campo de concentração — Sherman investe na premissa de que os homossexuais não são melhores ou piores que ninguém. A dupla da peça não é particularmente inteligente nem articulada, tampouco cheia das boas intenções. É comum. Como também é comum seu desejo de poder explicitar o desejo, como na cena em que se excitam se ouvindo, já que, em posição de sentido durante trabalho escravo, não podem se tocar. Tudo bem, tem o tal do triângulo rosa destinado aos gays no campo de concentração que Max reluta em usar — aí você sabe que isso vai mudar — mas trata-se de uma carta na manga do autor guardada para o desfecho. Não tem a ver com o orgulho gay tão defendido por aí nas paradas que mais parecem micaretas. É mais sutil. Conselho ao diretor do espetáculo: se tirar do final o off, esse sim panfletário, a peça só tem a ganhar. De resto, o jogo para a galera de ‘Bent’ já está ganho: uma montagem ousada, inquietante e esforçada. Afinal, carregar aquelas pedras de um lado para o outro como fazem Gustavo e Augusto não é mole não.

PELADOS, PELADOS...

A galera que curte o Terça Insana pode se agendar: dias 9 e 10 eles voltam ao Rio, para apresentações no Canecão. O projeto, que aposta em humor de qualidade, emplaca seu sétimo ano, sem sinal de cansaço. A nova turnê nacional é intitulada 'Terça Insana - Fora da Lei' e os atores resolveram fazer esta foto, assim, como vieram ao mundo, para entrar no clima 'pouca roupa' do carioca. Grace Gianoukas, sempre hilária, segue firme no elenco, desta vez na pele de uma adolescente e da Advogada do Diabo. Há também uma personagem intitulada Mal Amada, papel de Agnes Zuliani. Marco Luque faz um motoboy e Roberto Camargo personifica o Cigano Igor Magal, que o próprio ator define: "É de uma tribo de ciganos pigmeus, canta 'Sandra Rosa Madalena' e conta histórias de amor".

Terça-feira, 29 Julho, 2008

PROMESSA NÃO CUMPRIDA

Pois é, estão me cobrando as tais provas prometidas por Luciana Vendramini de que teria adquirido os direitos do musical 'Legalmente Loira'. Como eu já imaginava, ela agora não responde. Sumiu. Havia prometido para ontem enviar documentos que comprovassem os direiros adquiridos, e nada. Diante do pronunciamento do diretor Claudio Botelho, que não está gostando nada de ver seu nome envolvido na história, e do diretor de licenças internacionais da MTI, Richard Salfas, tendo a concordar com ambos. Sem provas, sem que os americanos sequer tenham ouvido falar dela, Luciana não tem como ter razão...

Sábado, 26 Julho, 2008

LOURA LEGAL OU ILEGAL?

Luciana Vendramini jura que é ‘legalmente loira’, mas desde que começaram a pipocar na Internet notas que acusavam a atriz de não ter os direitos para montar o musical no Brasil — como afirmou para O DIA em junho —, sua versão vem perdendo cada vez mais credibilidade. Se de um lado a atriz promete para segunda-feira os documentos que provam a compra dos direitos do musical da Broadway — que seria estrelado por ela em São Paulo ano que vem —, de outro os diretores convidados por ela para a montagem, Claudio Botelho e Charles Möeller, começam a desconfiar do projeto.
Botelho conta que esteve em Nova Iorque com Richard Salfas, diretor de licenças internacionais da MTI — Music Theatre International, agência reguladora de licenciamentos nos Estados Unidos —, que garantiu que não há nenhuma atriz brasileira com tais direitos de estrelar por aqui o musical ‘Legalmente Loira’, baseado no filme de sucesso com Reese Witherspoon. “O chato desta história é que Luciana está usando nosso nome. Não temos contrato assinado, ela nos convidou por telefone, em maio, mas desapareceu”, conta Botelho, que viu a montagem nova-iorquina mês passado e acha que não há o que mexer nela. “Não tem nada que artisticamente a gente possa acrescentar. Eu traduziria a música com muito prazer, mas para isso ela precisa ter os direitos”, continua Claudio, que desanimou da idéia de dirigir o musical, se o projeto vingar. Ele relata detalhes estranhos envolvendo a conduta recente da atriz: “Outro dia um diretor me ligou dizendo que tinha visto Luciana, na academia, convidando todo mundo para testes de elenco com a gente para o musical semana que vem. E a gente sem saber de nada”, relata Botelho.
De Nova Iorque, por e-mail a O DIA, Richard Salfas dá o que parece ser o ponto final sobre o assunto, que começa a adquirir contornos do célebre episódio envolvendo a atriz Ísis de Oliveira e seu ‘imaginado’ affair com George Clooney. “Ninguém no Brasil tem tais direitos. Tenho confirmação dos produtores de ‘Legally Blonde’ que não há sequer promessa de venda de tais direitos para a Senhorita Vendramini, bem como contrato nenhum assinado. Ninguém envolvido com o musical sequer ouviu falar dela”, sentencia o diretor de licenças internacionais.
Mesmo diante de tal pronunciamento, Vendramini insiste: “Reuni-me com meus advogados e provarei que possuo tais direitos. Segunda-feira, mostrarei todos os documentos necessários para isso”, garante a atriz, que já freqüentou o noticiário por admitir ter sofrido de TOC, transtorno de ansiedade que leva as pessoas a terem comportamentos obsessivos. Ela se diz vítima de perseguição e ameaçou de processo quem acusá-la de mentir. Resta provar se, além de loura, é legal (matéria publicada hoje no Caderno D).

Quinta-feira, 24 Julho, 2008

MÖELLER E BOTELHO E SEU GIRO PELA BROADWAY

Acabei esquecendo de publicar no blog este texto que Charles Möeller e Claudio Botelho me enviaram quando eu pedi que contassem sobre sua mais recente viagem à Broadway. De tempos em tempos, a dupla dá um pulo em Nova York para ver os musicais do momento e reciclar as idéias. O texto abaixo serviu de base para uma matéria que publicamos há alguns domingos na revista TDB. Agora segue, na íntegra. Gostei especialmente das observações sobre ‘South Pacific’ e ‘In The Heights’, que infelizmente não consegui ver em abril, quando estive lá, e sobre ‘Gipsy’: é isso mesmo, a montagem é pobre, nem sei se é intencional, para que a estrela seja a música e a ótima história. Sustenta-se mesmo pela força de Patty Lupone, fantástica em cena. A espera por ‘Billy Elliot’ é mais que válida. Como a dupla lembra, chega em outubro a Nova York. Assisti-o em Londres e até hoje, acho que foi o melhor musical que vi.

UM GIRO PELA BROADWAY, por Charles Möeller e Claudio Botelho

Havia um tempo em que a Broadway alimentava Hollywood de musicais. Quase todos os grandes títulos do cinema cantado vinham de adaptações do teatro musical, mesmo que muito livremente inspiradas como o clássico ‘O Mágico de Oz’, cuja versão das telas pouco guardava da primeira montagem teatral da história, ou ainda adaptações bastante fiéis aos originais do palco, como ‘West Side Story’, ‘Um Violinista no Telhado’, ‘Hello Dolly’, entre outros. Esse modelo prevaleceu até o final dos anos 60, que coincide com o início do fim para os grandes musicais do cinema.
É fato que a Broadway vive ciclos artísticos, como de resto qualquer mercado teatral do mundo. Os anos 80 foram claramente anos da “invasão inglesa” nos palcos de Nova York, quando sucessos importados de Londres como ‘O Fantasma da Ópera’, ‘Miss Saigon’, ‘Les Miserables’, ‘Cats’, entre outros titulos de gosto duvidoso mas de enorme apelo nas bilheterias, tomaram de assalto as listas de sucessos, sendo que alguns permanecem em cartaz até hoje. Já pelo meio dos anos 90, uma onda de revivals (remontagens geralmente repaginadas) veio recuperar a honra do musical americano ‘de raiz’, se é que se pode chamar assim a retomada das obras de grandes compositores que praticamente inventaram o gênero, como os irmãos Gershwin (‘Crazy for You’), Cole Porter (‘Kiss me Kate’), Jerome Kern (‘Show Boat’) e a dupla mais recente Kander & Ebb (‘Chicago’).
Esta atenção dedicada aos grandes clássicos continua firme até o momento, sendo que há sempre duas ou três remontagens de muita qualidade em cartaz. Mas um fenômeno interessante vem sendo observado desde meados dos dos anos 2000: a transposição de filmes para o palco. O caso mais emblemático é ‘The Producers’,adaptação musical de Mel Brooks do filme que ele mesmo dirigiu nos anos 70. O mesmo se dá com os desenhos da Disney que ganham versões ao vivo para o teatro, como ‘A Bela e a Fera’, ‘O Rei Leão’, ‘Tarzã’, ‘Mary Poppins’ e o recente ‘A Pequena Sereia’.
Outro exemplo é ‘Hairspray’, uma fantástica adaptação do fillme trash de John Waters, que já está no quarto ano em cartaz. E não esquecer ainda de ‘Spamalot’, musical hilário baseado no filme do Monty Python que é um sucesso.
A temporada atual está assim, dividida entre grandes revivals e novos espetáculos baseados em filmes. Entre os primeiros, o que mais chama a atenção é uma deslumbrante produção de ‘South Pacific’, primeira remontagem deste clássico dos anos 50 da dupla Rodgers & Hammerstein. Tudo no espetáculo é um acerto. A começar pela orquestra brilhante que é aplaudida em cena aberta (coisa rara na Broadway), passando pelos cenários suntuosos e de extremo bom gosto, uma iluminação cinematográfica e, acima de tudo, uma sonorização que muda o conceito de som da Broadway: o som das vozes parece sair realmente da boca dos cantores e não das caixas de som, tudo soa natural como se estivéssemos assistindo a um concerto acústico. O elenco só tem feras, jovens e maduros talentos do teatro musical, mas o mais gratificante é que a grande estrela é ninguém menos que o brasileiro Paulo Szot, barítono com grande experiência em óperas, que acaba de receber o prêmio Tony (o Oscar dos musicais) por sua atuação neste espetáculo. Paulo dá um show e é emocionante vê-lo aplaudido de pé e ovacionado por uma platéia lotada de americanos e cidadãos do mundo. Isso sim é “fazer sucesso lá fora” (bem diferente de outros exemplos que se vendem entre nós como bem-sucedidos nos Estados Unidos, mas que geralmente se apresentam para colônias de brasileiros e, no máximo, para latinos).
A outra remontagem que vale a pena atualmente é ‘Gypsy’, musical com canções de Jule Styne e Stephen Sondheim (aqui apenas letrista), considerado um dos maiores clássicos de todos os tempos, que tem no elenco seu grande trunfo. A diva Patty Lupone tem uma interpretação arrebatadora, eletrizante, que vai do cômico ao dramático em segundos, além de ser uma das vozes mais capazes da Broadway. Só Lupone já valeria os 111 dólares do ingresso, mas seus coadjuvantes Laura Benanti e Boyd Gaines estão na mesma altura da protagonista, tanto que os três receberam prêmios Tony por suas atuações. A montagem é dirigida pelo autor do texto, o nonagenário Artur Laurents, uma lenda vida da Broadway, que já dirigiu várias versões do espetáculo antes. Desta vez vemos no palco uma espécie de concerto animado, com a orquestra em cena e cenários quase improvisados. Fica a pergunta: se não fosse o brilho dos atores, o que seria deste revival meio ‘pobre’ de ‘Gypsy’? Ao mesmo tempo, não será exatamente esta a intenção de Laurents — apagar os contornos para que apenas o que está dentro da moldura tenha mais brilho?
Deixando de lado as remontagens, o que há de novo? Algumas adaptações de filmes, como o tedioso e nada emplogante ‘A Catered Affair’, que apesar de ter ótimos trabalhos do casal protagonista, já naufragou e sairá de cartaz nos próximos dias; ‘Legally Blonde’, bobagem juvenil que é muito bem dirigida e coreografada, com cenários lindos, mas só interessa a adolescentes e fãs do filme, o que não é pouca gente; ‘Cry Baby’, outra tentativa de adapatção de mais um filme trash de John Waters, sendo que essa não durou nem dois meses em cartaz; ‘Xanadu’, uma divertida adaptação do filme, com elenco de primeira e coreografias debochadamente inspiradas; e finalmente ‘Young Frankenstein’, superprodução baseada no filme de Mel Brooks, com canções do próprio, que é muito bem dirigida e coreografada por Susan Stroman (a mesma de ‘The Producers’), tem um elenco sensacional, mas infelizmente não foi bem recebida pela crítica. Uma injustiça, já que o espetáculo é excelente.
De resto, bobagens como ‘A Pequena Sereia’; uma remontagem (mais uma) de ‘Grease’; e um musical para quem gosta de música eletrônica (ou seja, quem não gosta de música), ‘Passing Strange’, que tem como autor e protagonista um tal de Stew, talvez um dos sujeitos mais chatos e pretensiosos em cartaz no momento.
Mas a bola da vez este ano é mesmo ‘In The Heights’, musical que arrebatou o Tony de melhor espetáculo do ano e também o prêmio de melhor score. É um musical de latinos e sobre latinos. Uma comunidade num bairro pobre de Nova York falando de suas vidas, esperanças, dificuldades, sonhos. Um lugar tão perto fisicamente, mas tão longe do sonho americano... Dá para entender que, além dos retratados na montagem, o espetáculo venha despertando interesse geral desde que chegou de uma temporada na off-Broadway. O ritmo das canções é irrestistível: salsa; merengue, calypso, hip hop. É um mix de ‘West Side Story’ e ‘Rent’, de estrutura simples, um enredo às vezes óbvio e piegas, mas funcional. Cenario único, luz bem acabada e coreografias eletrizantes, é o musical mais falado do momento e deve ter vida longa. Com sotaque portoriquento, dominicano, cubano, negro, a música é mais interessante que a do próprio ‘Rent’, que está há dez anos em cartaz na Broadway, mas nunca conseguiu emplacar como sucesso em nenhum outro lugar do mundo.
No mais, é esperar a estréia de ‘Billy Elliot’, sem dúvida o melhor musical em cartaz em Londres, outra brilhate adaptação de um filme para os palcos, que chega à Broadway em outubro e certamente irá emocionar e divertir multidões com sua história tocante e as excelentes canções de Elton John, que aqui parece ter finalmente “aprendido” a escrever música de teatro.

Quarta-feira, 23 Julho, 2008

CONCORRENTES AO SHELL

As indicações do Prêmio Shell de Teatro, divulgadas esta semana, estão especialíssimas. A exemplo do que aconteceu no Eletrobrás, do qual fiz parte do juri, Charles Möeller e Claudio Botelho foram indicados numa categoria especial, 'pela expressiva contribuição dada ao gênero musical no cenário carioca'. Fica a torcida para que, desta vez, eles ganhem. Eles estão realmente bem na fita, afinal, 'A Noviça Rebelde', sua mais recente empreitada, recebeu quatro indicações do Shell, que avaliou as peças do primeiro semestre. Cenário, figurino e produção (categoria especial) estão entre elas, e há uma surpresa: Fernando Eiras entrou como melhor ator. Ele é coadjuvante na peça, cujo protagonista é Herson Capri. Mas, para variar, Eiras dá rasteira e acabou indicado a ator. Adorei também as indicações de Drica Moraes e Cristina Flores a melhor atriz. À primeira, já me derramei em elogios aqui no blog. A segunda também está no páreo de forma mais que merecida. Mais Möeller e Botelho: 'Beatles num Céu de Diamantes' concorre a iluminação e música, pelos arranjos. O céu é o limite....

Vamos à lista dos indicados:

Autor
Carla Faour, por "A Arte de Escutar"

Diretor
João Fonseca, por "A Falecida"
Ivan Sugahara, por "Memória Afetiva de um Amor Esquecido"
Pedro Vasconcelos, por "Dona Flor e seus Dois Maridos"

Ator
Fernando Eiras, por "A Noviça Rebelde"
Marcelo Faria, por "Dona Flor e seus Dois Maridos"

Atriz
Cristina Flores, por "Memória Afetiva de um Amor Esquecido"
Drica Moraes, por "A Ordem do Mundo"

Cenário
Daniela Thomas, por "Não Sobre o Amor"
Rogério Falcão, por "A Noviça Rebelde"

Figurino
Inês Salgado, por "O Jardim das Cerejeiras"
Rita Murtinho, por "A Noviça Rebelde"

Iluminação
Beto Bruel, por "Não Sobre o Amor"
Paulo César Medeiros, por "Beatles num Céu de Diamantes"
Renato Machado, por "Nu de mim mesmo"

Música
Delia Fisher e Jules Vandystadt, pelos arranjos (vocal e instrumental) de "Beatles num Céu de Diamantes"
Marcelo Alonso Neves, pela direção musical e arranjos de "O Homem da Cabeça de Papelão"
Tato Taborda, por "O Jardim das Cerejeiras"

Categoria especial
Adriano e Fernando Guimarães, pela concepção e realização do projeto "Resta Pouco a Dizer"
Aniela Jordan, Beatriz Secchin Braga e Monica Athayde Lopes, pela produção de "A Noviça Rebelde"
Charles Möeller e Claudio Botelho, pela expressiva contribuição ao gênero musical no cenário

Terça-feira, 22 Julho, 2008

GLÓRIA ENSINA A VIVER

Glória Menezes vai estrear por aqui 'Ensina-me a Viver'. Será dia 2, no Teatro do Leblon, depois de temporada em São Paulo. A adaptação teatral do filme 'Harold and Maude' foca na relação entre os personagens: ele, 'um senhor de quase vinte anos', obcecado pela morte; ela, uma 'menina de quase oitenta anos', apaixonada pela vida. Sim, um dos temas do espetáculo é a morte, 'a única certeza que se tem na vida'. Durante as entrevistas que Glória deu em SP para divulgar o espetáculo na época da estréia por lá, ela falou sobre isso. "Eu estou com 73 anos e não penso nisso, meu temperamento não me deixa me preocupar com isso. Se eu tiver que embarcar, não vou nem perceber", brincou. Na montagem dirigida por João Falcão, 13 personagens são levados à cena por nove atores. A expectativa para a estréia carioca é grande, afinal, ela não veio para o Rio com 'Ricardo III'. Sua última aparição em palco carioca foi com 'Jornada de um Poema', aquela peça em que raspou a cabeça para viver uma mulher de meia idade que descobre ter câncer. Seu desempenho era soberbo e o texto do espetáculo especialmente doloroso para espectadores que já perderam pessoas queridas. Glória está no ar em 'A Favorita', aliás, finalmente, uma boa novela das nove.

DERCY E O TEMPO

Estava fora do País quando Dercy morreu, no fim de semana. Cheguei ontem de viagem e confesso que, mesmo que seja mais que esperado que uma pessoa de mais de 100 anos se vá, a morte de Dercy me comoveu. De alguma forma, ela desafiava a finitude com sua energia e a vontade de passar dos 100. Construiu seu túmulo na cidade-natal, mas não parecia disposta a estar lá. Desconfio das pessoas que têm respostas para o sentido da vida. Mais: das que dizem saber o que nos espera depois daqui. Dercy não tinha respostas, seu negócio era desafiar o tempo, fosse com as pernas para cima ou a vaidade na peruca que imaginava bem colocada, a maquiagem carregada, os anéis, os vestidos. Dercy se cuidava, tinha vitalidade, era diva. Tudo bem, a gente podia não curtir os palavrões, o escracho, mas deixa pra lá, ela era maior que isso.DERCY GONÇALVES NOS ANOS 60
Basta vasculhar sua biografia. Foi bilheteira de cinema, onde escandalizada a cidade ao pintar o rosto como o das atrizes que via na tela, e dançou para alegrar hóspedes de um hotel. Na adolescência, amou um rapaz, mas a família dele proibiu o namoro, já que ela era jogada na vida, sem mãe, que abandonara a família. Só depois soube o que era o sexo, com o primeiro homem. Detestou, pensou que ele a tinha ferido. Sempre disse que era pelo rapaz dos primeiros anos que derramara lágrimas. As de amor. Deu um jeito de chutar a dor da vida pobre e sofrida através do humor. Esse que a gente está careca de conhecer. Fazia palhaçadas mesmo, imitava astros da música, estrelou um programa de sucesso na Globo nos anos 60 em que desafiava os convidados. Foi estrela das comédias da praça Tiradentes e das revistas musicais do Cassino da Urca. Só de filmes, foram 37. Mais madura, fez do palavrão seu carro-chefe. Sua filha, na televisão durante o velório, disse que a mãe já estava no lucro há algum tempo, desde que passara dos 100. Não foi vencida, foi embora sem sofrimento, em paz. E a imagem que fica é de alegria. Melhor, não há.

Sexta-feira , 11 Julho, 2008

ILEGAL OU LEGAL?

A confusão sobre a compra dos direitos do musical 'Legalmente Loira' por Luciana Vendramini parece que veio para ficar. Desta vez, quem mostra preocupação são os diretores convidados por ela para dirigir o musical no Brasil, Claudio Botelho e Charles Möeller. Na volta de recente viagem a Nova Iorque, Botelho conta que se reuniu com Richard Salfas, diretor de licenças internacionais da MTI (Music Theatre International). Eis o que diz Botelho: "Fiquei surpreso quando ele me disse que não havia nenhum licença para o Brasil. Nunca ouvira falar em Vendramini nenhuma".
É bom lembrar que Botelho e Vendramini não se conhecem pessoalmente, seu contato foi feito por telefone. A atriz diz ter provado ao site que acusou-a de não ter os direitos para montar o musical no Brasil que comprou tais direitos. O site se retratou, mas em comunicado, por email, Salfas diz o contrário. Hoje, eu mesmo voltei a procurar Luciana para que ela nos enviasse documentos que comprovem a compra. Nada. Ela simplesmente não respondeu aos apelos por email e não foi encontrada por telefone.
Quem lançou toda esta polêmica foi um rapaz Charles Fouquet (que tem como hobby publicar textos e críticas sobre espetáculos na Internet), que por conta própria foi investigar se a atriz possuía ou não o direito de montar 'Legalmente Loira' por aqui. Botelho continua: "Mas pra que tudo isso? Eu que seria o maior interessado em desvendar o caso, deixei quieto. É tão simples entender que ninguém montará um musical com esta expressão se não tiver uma licença. Espero que Vendramini possa reverter isso". Bem, a gente continua na torcida para que a verdade apareça, seja qual for...

Quinta-feira, 10 Julho, 2008

LOIRA, LEGALMENTE...

Depois que um site publicou que Luciana Vendramini não possuía os direitos do musical 'Legalmente Loira', que ela estreará em São Paulo ano que vem sob direção de Charles Möeller e Claudio Botelho, a notícia se espalhou como um foguete pela Internet. Muita gente acreditou, mas era mentira. A atriz possui os direitos da peça, comprou-os, conforme antecipara em entrevista publicada aqui e agora está muito desconfiada dos boatos que espalharam a seu respeito, que acusam-na de mentirosa. Com a palavra, a própria: "Pois é, não estou trabalhando 100% do meu tempo na produção pra site falar isso de mim. Eu desconfio que duas pessoas possam ter inventado essa história, tem gente que tem ciúmes e tenta destruir o trabalho do outro, mas sem problemas, eu não vou deixar ninguém falar isso em vão. Está tudo sendo feito com tanto capricho e honestidade que não tem sentido essas coisas acontecerem".

Segunda-feira, 7 Julho, 2008

KAFKA POR TUCA

Tuca Andrada avisa que 'O Processo' entra em suas últimas semanas no Maison de France. Baseado no clássico romance de Franz Kafka, o espetáculo tem Tuca no papel de Josef K, homem desamparo diante da inflexibilidade de um sistema absoluto - a idéia da montagem é acentuar o humor a partir das situações absurdas propostas. Vamos ao enredo: um alto funcionário de um banco, ao acordar, em seu aniversário de 30 anos, está detido sem motivo aparente. Durante um ano, procura compreender os motivos de sua detenção, mas suas buscas não encontram respostas.
Considerado um dos maiores clássicos de todos os tempos, a obra foi iniciada por Kafka em 1914 e abandonada em 1915, em período de grande depressão do autor. O texto que jamais seria concluído teve sua publicação póstuma em 1925 e tornou-se uma referência obrigatória na literatura e em diversos campos do conhecimento. No romance, escrito em momento de grande desilusão, o artista por certo previa o que de muito ruim ainda estava por vir no século XX.
Inédita, a adaptação é de autoria do diretor José Henrique, baseada na tradução de Modesto Carone e está em cartaz de quinta a domingo, até 27 de julho. No palco, os atores Sílvia Monte, Roberto Lobo, Antonio Alves, Gustavo Ottoni, Letícia Guimarães, Paula Valente, Rogério Freitas e Suzana Abranches vivem mais de 50 personagens dis