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André Gomes

Sexta-feira , 30 Março, 2007

ODE AO POETA ESPANHOL

BRANT fez o roteiro com Antonio GilbertoO ator José Mauro Brant, elogiado durante a temporada de 'Aracy Cortes - A Rainha da Praça Tiradentes', começou semana passada novo projeto. Personifica o poeta espanhol Federico Garcia Lorca em espetáculo no Teatro de Arena da Caixa Cultural. O ingresso custa só R$ 10 e o roteiro da peça foi concebido a partir de entrevistas, poemas e canções de Lorca (1898-1936). A peça fica em cartaz só até dia 8.

TEATRO ENGAJADO NO GLÓRIA

FOTO DE LUIZ HENRIQUE SÁClássico de Oduvaldo Vianna Filho montado pela primeira vez em 1979 no então recém-inaugurado Villa-Lobos, 'Rasga Coração' volta aos palcos, desta vez no Glória. Há 28 anos, foi Raul Cortez quem interpretou o protagonista Manguary Pistolão, funcionário público e comunista militante, papel que cabe agora a Zécarlos Machado, do grupo Tapa. A peça, considerada um marco no teatro com engajamento político no País, é remontada sob direção de Dudu Sandroni.

Quinta-feira, 29 Março, 2007

QUEM INVENTOU O AMOR?

Fim de peça, bate-papo e eis que a taça de champanhe leva à óbvia constatação: para amar, basta querer. Parece banal, mas não é. O ardiloso texto de ‘Pequenos Crimes Conjugais’, do francês-sensação Eric-Emmanuel Schmitt, versa exatamente sobre o que está em jogo nas relações amorosas e como é fácil se sabotar. Questão presente: por que não ficar sozinho se junto há infelicidade? Resposta: medo da solidão, vaidade. Mais: será mesmo que tudo está uma droga?
Para o casal vivido por Maria Fernanda Cândido e Petrônio Gontijo, há uma chance de recomeço - ele teria perdido a memória e ela tentaria remodelá-lo. Mas nada é muito o que parece e as descobertas são parte do trunfo do impecável texto do autor, tão bom quanto seu ‘Variações Enigmáticas’, que esteve no mesmo Maison de France, em 2002. Schmitt vasculha as motivações do casal de ‘Pequenos Crimes’, junto há 15 anos, para se odiar, para se amar. No meio disso, o ciúme doentio dela, a fragilidade dele transformada em vaidade excessiva, a luta de ambos para que sejam de novo olhados como na primeira vez.
Maria Fernanda e Petrônio em foto de Rodrigo Trevisan/Ag. News
É um texto cru, que não acredita no amor comprado dos filmes com ‘happy end’ e aquela trilha jazzy ideal, mas no amor que se sustenta apesar dos obstáculos, primo distante da paixão de outrora. Sabedor disso, Petrônio Gontijo domina a cena como o marido em busca da verdade do casal: grita, sofre, sonha, desespera-se, contagia a platéia, num esforço mais evidente pelo pouco rendimento de Maria Fernanda. Falta-lhe projeção de voz, sagacidade e postura cênica menos dura. Coisas que o diretor Marco Aurélio podia tentar resolver. Do meio para o fim ela melhora consideravelmente, mas a má impressão já está estabelecida. Boas impressões ela passa de sobra no visual: deslumbrante num Armani preto de alcinhas.
Beleza que se vê também no cenário clean, composto por biblioteca com 5 mil livros espalhados na horizontal, e na trilha que une Michael Buble e Cássia Eller. Quem gosta de discutir a relação tem que ver. Quem não gosta também, para saber o que evitar. Renato Russo, numa música menor da Legião, mas repleta de boas intenções, já perguntou: Quem inventou o amor? Explica, por favor. Alguém aí se arrisca?

Quarta-feira, 28 Março, 2007

TEATRO A R$ 1,99

A peça Que História...O fim de semana é de teatro a R$ 1,99 em Nova Iguaçu. A peça 'Que História Espera Seu Fim lá Embaixo?' será apresentada nesta sexta-feira, com trama que gira em torno de condôminos assustados pela morte de um dos moradores, a partir de queda do 16º andar. No sábado é a vez de 'As Três Damas de Copacabana', com homens vivendo mulheres sonhadoras. No Espaço Cultural Sylvio Monteiro.

Terça-feira, 27 Março, 2007

ATORES DA NOVA VERSÃO DE 'GREASE' SÃO ESCOLHIDOS

TRAVOLTA E OLIVIA NEWTON-JOHNTRAVOLTA E OLIVIA EM 2002 A onda de remakes de musicais com elenco escolhido através de reality show faz nova vítima. No domingo, o programa da NBC que estreou em janeiro para escolher os protagonistas da nova versão de 'Grease' na Broadway chegou ao fim. Laura Osnes, 20 anos, foi escolhida para viver Sandy (papel que foi de Olivia Newton-John na clássica versão cinematográfica de 1978).
MAX E LAURA, novos atores de GreaseQuem fará Danny (que tanto êxito trouxe a John Travolta) é Max Crumm, 21 anos. O musical estréia em julho em Nova Iorque, já há fãs alvoroçados e, para eles, aqui vão fotos dos ganhadores do reality show, de Travolta e Olivia no filme e...bem, 24 anos depois, em um evento em 2002.

PROVA DE FOGO PARA A BELA

Maria Fernanda com Petrônio Gontijo na peça/ FOTO DE VANIA TOLEDONo ar em 'Paraíso Tropical' como Fabiana, amante do inescrupuloso personagem de Tony Ramos, Maria Fernanda Cândido estréia nesta quarta-feira para convidados e sexta para público a peça 'Pequenos Crimes Conjugais' no Maison de France. Faz uma pintora, mulher de um escritor que perdeu a memória. Na novela, sua performance não vem agradando a crítica televisiva. Resta saber se se sairá melhor no palco...

Segunda-feira, 26 Março, 2007

O TEATRO É POP

Duas iniciativas de popularização do teatro ganham corpo nos próximos dias. Uma é um projeto de formação de atores em Santa Cruz, com aulas gratuitas - a primeira delas dia 31. Outra tem sede em Niterói, que ganhará o Teatro Popular dia 5, assinado por Oscar Niemeyer. Fique por dentro:
a peça Inimigo do povo utilizou atores do Reperiferia/DIVULGAÇÃO
ESCOLA LIVRE DE TEATRO DE SANTA CRUZ
Em parceria com a prefeitura do Rio, o diretor teatral Marcus Vinicius Faustini inaugura a escola na Zona Oeste, com direito a curso profissionalizante gratuito, que oferece 14 vagas. Rolam também cursos livres, para 400 alunos. Moacir Chaves está entre os professores e a primeira turma já está fechada. Inscrições para os cursos livres podem ser feitas pelo 2224-2744. Faustini, que já toca o projeto de inclusão Reperiferia há algum tempo, tem utilizado participantes da iniciativa em peças recentes, caso de 'O Inimigo do Povo' (foto).
TEATRO POPULAR DE NITERÓI COM VISTA PARA A BAÍA
Com prédio assinado por Oscar Niemeyer, o Teatro Popular de Niterói será inaugurado dia 5. A obra tem palco reversível e duas bocas de cena. Para dentro, tem capacidade para 350 pessoas sentadas. Para fora, pode receber até 10 mil. A abertura terá programação comemorativa pelos 100 anos do arquiteto. Paredes laterais de vidro fumê permitem apreciar a Baía de Guanabara, a Ponte Rio-Niterói e o Centro do Rio.

Sábado, 24 Março, 2007

GERALD THOMAS E SUA PORRADA CONTRA A MEDIOCRIDADE

Sexta-feira chuvosa, rumo em direção ao Oi Futuro para ver as duas peças recém-estreadas de Gerald Thomas. Sozinho, sim: muitos amigos já tinham ingressos para outros dias, outros não estavam a fim de ver Gerald. Ok, é legítimo. Pois bem, aos amigos que não viram, corram para ver. Aos amantes de Gerald, garantam seu ingresso. Aos que o odeiam, permitam-se uma chance para mudar de idéia. A primeiro peça, 'Terra em Trânsito', é um trator de informações político-pop-intelecto-econômicas. Um achado. A segunda - um paralelo entre as grandes tragédias da humanidade e dramas familiares de Thomas, não desce fácil, em boa parte falta-lhe sentido, mas é impactante no visual e tem final dilacerante. Deu vontade de chegar em casa e, na janela, fumar um cigarro, beber uísque. Nem rola. Não fumo, uísque não tenho. Vamos ao que interessa a quem interessar possa, o que vale destacar nas duas peças:

FABIANA GUGLI/FOTO VILLY RIBEIRO

EM TERRA EM TRÂNSITO...
Fabiana Gugli é uma diva prestes a entrar em cena. Louca, doida do bem, enquanto cheira e alimenta um cisne judeu para ele virar patê de foie gras em Strasbourg, ouve no rádio um discurso bizarro de Paulo Francis. Ela fala de Harold Pinter, diz que devia ter engravidado de Mick Jagger, vocifera sobre a União Soviética e líderes políticos. Surta. Enxerga, no caos, o mundo real. Uma interpretação hipnótica, apoiada em belo trabalho cenográfico de Domingos Varela na criação do camarim e luz absurda de tão boa de Gerald. Dele são texto e direção e dele o resultado: a peça é uma porrada contra a mediocridade. E é simples, bacana.

EM RAINHA MENTIRA/QUEEN LIAR...
A morte da mãe de Thomas é uma resposta para o quebra-cabeça que é a encenação. O diretor/autor escreveu a peça dias antes de colocá-la no palco. Assim: boa parte dos textos tem a voz dele - os atores fazem mímica. Fabiana está de novo em cena, desta vez com outros atores. Thomas dá uma boa viajada, mas acerta ao falar de Holoucausto, ditaduras, dor e delírio. Os personagens empilham livros e está claro: de que importa isso num mundo analfabeto? Não sei se vi demais, mas achei esse Gerald das duas peças bem David Lynch. Para o bem.

Sexta-feira , 23 Março, 2007

A HORA E A VEZ DOS COADJUVANTES

Brichta e Claudio GabrielFui ver a estréia de 'A Hora e Vez de Augusto Matraga' ontem no Sesc Ginástico e saí impactado pelo visual do musical. O sertão mineiro se faz presente com luz fantástica e cenário de múltiplas funções. As 18 canções emprestam frescor à montagem que adapta um dos nove contos de 'Sagarana', de Guimarães Rosa. O protagonista de Wladimir Brichta - homem em conflito com suas escolhas na vida - entretanto, fica ofuscado pelos coadjuvantes, principalmente pelos ótimos Cláudio Grabriel e Marcelo Flores. Brichta não consegue dar força dramática ao papel. Quem não curte Guimarães Rosa pode achar a trama enfadonha. Mas atenção: é tudo tão bem cuidado que os tropeços na condução da história podem ser relevados. Vale o ingresso.

Calcanhotto faz cena

ADRIANA CALCANHOTTOAdriana Calcanhotto faz cena no evento Errática: Poema ao Vivo, em cartaz no CCBB a partir de terça-feira. Junto com o poeta Eucanaã Ferraz, a cantora faz leituras e performances, tudo misturado com vídeos, animações e trilhas-sonoras. Achou 'muderno', cool? Pois é, o evento pretende ser isso e mais: um espaço para a palavra escrita ganhar vida. Resta saber o que Adriana, tão delicada em suas composições musicais, preparou para o projeto. A cena, com ela, só tem a ganhar.

Quinta-feira, 22 Março, 2007

Truman Capote é rasta!

Beth Cole e Hoffman em cenaPhilip Seymour Hoffman, que faturou o Oscar de melhor ator ano passado por 'Capote', vem arrancando elogios por sua performance em 'Jack Goes Boating' (na tradução literal, Jack vai fazer passeio de barco), peça que acaba de estrear na Broadway. O ator é o protagonista, um motorista de limusines em Nova Iorque, obcecado por perfeição e fã do universo 'rasta'. Enquanto fuma maconha compulsivamente e se dedica a aulas de culinária e natação, é convencido por um casal de amigos a sair da solidão, topando encontrar uma moça cujo trabalho é embalsamar cadáveres. Acredite: a crítica de lá viu amor, lirismo, poesia e, claro, humor por baixo dos dreads do personagem. Deu vontade de ver.

Amor canibal

O canibalismo é a base das relações dos personagens de 'A Refeição', peça que faz estréia nacional no Festival de Curitiba.Quem dirige o texto de Newton Moreno é Denise Weinberg. São três histórias: na primeira, num quarto de hospital, um casal se surpreende com 'a potência afetiva' de sua relação, o que explode vontades reprimidas. Na segunda, um casal improvável, formado por executivo e mendigo na selva paulistana, inicia um jogo de sedução. A montagem se completa com o dilema de um antropólogo, que se vê acuado pelo pedido de um índio, seu objeto de estudo, que morre na frente do estudioso.

Eles só pensam naquilo

Manual Prático da mulher desesperada'Manual Prático da Mulher Desesperada', 'O Que as Mulheres Pensam Sobre Sexo', 'O Que os Homens Falam Quando as Mulheres vão ao Banheiro?', 'Por que os Homens Transam e as Mulheres Fazem Amor?'. Calma, você não está numa seção de livros engraçadinhos com foco na auto-ajuda. Tais títulos batizam peças que vão estar no Festival de Curitiba, que agita a capital paranaense a partir de hoje. 'Meu Tio é Tia' é outra a fazer uso de temas picantes, também presentes em 'O Último Gigolô'. Em 'Sou Ator mas não Sou Gay', um ator de primeira viagem é assediado por um diretor que lhe promete um papel. Opções leves, mas quem quer fugir dos temas mais profundos e experimentais.

Quarta-feira, 21 Março, 2007

Brichta solta a voz

Agenda rápida: amanhã tem estréia para convidados de peça com Wladimir Brichta, no Sesc Ginástico. Ele canta e toca violão em cena no espetáculo 'A Hora e Vez de Augusto Matraga’, adaptação do conto homônimo de Guimarães Rosa. A estréia para público é na sexta.

Salada servida em Niterói

foto de Márcio Cabral
Essa é pra galera de Niterói. Comédia de esquetes hilariantes com Luis Salém e Alexandra Richter, 'Salada' cumpre temporada até dia 25, de sexta a domingo, no Teatro da UFF. Salém manda bem como um afetado rapaz interiorano disposto a ingressar no mundo da moda, enquanto Alexandra ganha o público na pele de uma produtora de festas esnobe, capaz de sugerir aos ricos e ignorantes clientes decorar festas infantis sob o tema 'Apaporu', clássico quadro de Tarsila do Amaral. Já pensou se a moda pega?

A mulherada aprovou...

Zezé Polessa ia sair de cena com o monólogo 'Não Sou Feliz Mas Tenho Marido' neste domingo, mas o sucesso da segunda temporada foi tanto que a atriz continuará em cartaz. Fica no Teatro Clara Nunes até dia 27 de maio. O que não falta é espectadora se identificando com o título...

Terça-feira, 20 Março, 2007

PEÇA EM QUESTÃO: 'Campo de Provas'

Leonardo Franco, Guilhermina Guinle e Claudia Lira: marido, amante e mulherTexto inédito de Aimar Labaki dirigido por Gilberto Gawronski, 'Campo de Provas' foi uma boa escolha do casal Claudia Lira e Leonardo Franco para inaugurar seu teatro, o Solar de Botafogo. Ela é destaque no elenco como a mulher deixada de lado pelo marido (Franco), que se deixa envolver por um estranho jogo da amante, papel de Guilhermina Guinle (bonita e com impactante presença cênica apesar da personagem meio chata). O cara é obrigado a lhe dar provas de amor - uma delas é beijar um garoto de programa (Marcos Winter). A peça vai bem até que um discurso de cunho social surge em cena, com Winter fazendo um sem-teto de composição equivocada. O ator também não acerta o tom em seus outros personagens, soando demasiadamente exagerado em tudo. Cenário estiloso e luz bem marcada ajudam no saldo final positivo.

Diogo Vilela leva o Shell de melhor ator

Diogo Vilela como CaubyRealizada ontem na Casa França-Brasil, a 19º edição do Prêmio Shell de Teatro não teve surpresas nas principais categorias. Diogo Vilela faturou como melhor ator por 'Cauby, Cauby!', enquanto Clarice Niskier foi a melhor atriz por 'A Alma Imoral'. Boas escolhas. Quem faturou como melhor autor foi Domingos Oliveira por 'Largando o Escritório', enquanto Mauro Mendonça Filho levou na direção por 'Renato Russo'. O bem sacado cenário de 'Leitor por Horas' foi o vencedor (Christiane Jatahy e Marcelo Lipiani) e Claudio Tovar ganhou pelos inventivos figurinos de 'Império'.

A volta de Fantasia

Vencedora do American Idol estará em musical da BroadwayDa seção 'Por onde anda?', alguém aí sabe da Fantasia, que venceu o 'American Idol 2004'? Vai dar as caras agora em produção da Broadway, quem diria, no elenco do musical baseado em 'A Cor Púrpura', o livro que virou filme pelas mãos de Spielberg com Woophi Goldberg. Fará o papel de Celie, tem estréia marcada pro dia 10 de abril e segue temporada por seis meses. Tá bom, Fantasia é cafona sim, exagerada, mas voz, ela tem. Resta saber como se sairá no palco.

Segunda-feira, 19 Março, 2007

Curitiba é a capital do teatro

O Festival de Teatro de Curitiba começa quinta-feira. Ótimo motivo para visitar a cidade. São mais de 200 peças espalhadas em diferentes mostras, com destaque para 'Thom Pain - Lady Grey', novo fruto da parceria do ator Guilherme Weber com o diretor Felipe Hirsch. O texto concorreu ao Pulitzer 2005 e fala de frustrações e perdas. Várias peças cariocas participam do festival, entre elas a celebrada 'Besouro Cordão de Ouro'. Dois novos teatros se juntam aos espaços de exibição e já na quarta rola festa de abertura para convidados. A cidade vai ferver.
Guilherme Weber na peça

Um sassarico com Soraya

Soraya Ravenle e Eduardo Dussek no musical'Sassaricando' saiu de cena ontem no Sesc Ginástico mas já acertou sua volta. Será no João Caetano, em abril ou maio. Depois, segue para o Tom Brasil, em SP. Quem viu, sabe que um dos principais trunfos do maravilhoso musical de marchinhas carnavalescas é Soraya Ravenle - para mim, a maior atriz-cantora dos musicais brasileiros. Por e-mail, Soraya respondeu algumas perguntas e fez revelações. Confira:

"Fiquei emocionada com a recepção a meu trabalho, toda prosa e querendo cada vez mais estar no palco. Penso a longo prazo e me vejo como a Bibi, que passando dos 80 anos, não para de cantar e encantar."

Quantos musicais já fez? "Fiz 14 e integrei o Arranco, grupo vocal de samba, durante
5 anos. O samba está na minha alma".

Tem formação de ballet? "Sim. Fiz ballet desde pequena, passando pela ginástica olìmpica, circo. Às vezes encontro a personagem através do corpo".

Gostaria de ser só cantora? "Se pudesse fazer a carreira de cantora correr paralela à da atriz-cantora , seria perfeito. Gostaria de gravar um trabalho solo".

No seu ipod tem...."A obra completa de Chico Buarque!"

Cantoras preferidas: "Elis e Bethânia. Viscerais e autênticas".

Algum sonho profissional? "Encenar Gota D'água. Um grande papel para uma atriz-cantora mais
velha, o que é raro... por isso, posso fazer lá para os 50 anos.

Domingo, 18 Março, 2007

Indicados ao Prêmio Shell

A 19º edição do Prêmio Shell de Teatro acontece nesta segunda na Casa França-Brasil. A figurinista Kalma Murtinho será a grande homenageada. Clarice Niskier (foto) concorre por duas peças. Confira os indicados:

Autor (Domingos Oliveira, por 'Largando o Escritório'; Daniela Pereira de Carvalho, por 'Não Existem Níveis Seguros para Consumo destas Substâncias'; Weydson Barros Leal e Moncho Rodriguez, por 'Caetana'; Walter Daguerre, por 'Projeto K'.

Direção (Mauro Mendonça, por 'Renato Russo'; Miguel Vellinho, por 'Peer Gynt'; Cristiane Jatahy, por 'Leitor por Horas'; João Fonseca, por 'Escravas do Amor'.

Ator (Bruce Gomlevsky, por 'Renato Russo'; Diogo Vilela, por 'Cauby! Cauby!'; Gillray Coutinho, por 'O Púcaro Búlgaro'; Paulo Gustavo, por 'Minha mãe é uma peça'; Sebastião Vasconcelos, por 'Leitor por Horas'.

Atriz (Clarice Niskier, por 'A Alma Imoral' e 'Tudo Sobre Mulheres'; Helena Albergaria, por 'O Círculo de Giz Caucasiano'; Stella Miranda, por 'Império'; Lívia Falcão, por 'Caetana'; Zezé Polessa, por 'Não sou feliz, mas tenho marido'

FRASE EM CENA

"Acho que o ser humano deve ser crente ou procurar a fé, senão sua vida é um vazio, um vazio...Viver sem saber por que as cegonhas voam, por que nascem as crianças, por que há estrelas no céu... Ou você sabe por que está vivendo, ou tudo é tolice e nada importa."
De Macha, em "As Três Irmãs", de Tchekov. Em 1902, o papel dela foi dado a Olga Knipper, alemã recém-casada com o dramaturgo russo. Irina, Olga e Macha, as três irmãs do título, lutam contra a rotina vulgar e trivial que as cerca. Buscam algo nada fácil: o sentido da vida

Casamento gay na Big Apple

O casamento gay é tema da peça 'Some Men', que já tem pré-estréias rolando em Nova Iorque, no Second Stage Theatre. A comédia foca nas relações de homens gays nas mais diferentes faixas etárias, com direito a vários deles desfilando de toalhinhas em cenas mais quentes. O diretor Terrence McNally, premiado com o Toni, aproveita o alegre tema para passear por acontecimentos importantes do século passado. A estréia oficial é no dia 26. Quem estiver por lá e se interessar pelo assunto, bom proveito.
Liberação sexual é tema de espetáculo gay

Sábado, 17 Março, 2007

Centro cultural cheio de charme

Claudia Lira e Leonardo Franco no teatro, quando ela ainda estava grávida, antes da inauguração
Ontem à noite fui assistir a 'Campo de Provas' no Centro Cultural Solar de Botafogo, que inaugurou há pouco tempo. Surpresa! O casarão situado na Rua General Polidoro é, desde já, um dos espaços mais charmosos da cidade. Tem um agradabilíssimo café com balcão forrado por piso de ônibus, muitos espelhos, lounge, galeria de arte e cyber espaço. O casal Leonardo Franco e Claudia Lira (ambos na foto superior, quando ela ainda estava grávida), donos da casa, realizaram seu sonho do 'teatro próprio' com extremo bom gosto, convidando renomados arquitetos para assinar cada ambiente do casarão - dos banheiros ao camarim. Tomara que a iniciativa da dupla dê certo e inspire outras, afinal, ter um local tão bacana e todo voltado para a arte em tempos tão violentos no Rio é um agradável alento. Vida longa ao Solar!
O banheiro do teatro: decoração clean

Homenagem ao mestre dos palcos


Má notícia para a cena teatral carioca: ‘O Avarento’, que cumpre temporada de sucesso em São Paulo desde agosto do ano passado, não tem planos de vir para o Rio, segundo sua produção. É a 90ª peça encenada por Paulo Autran, nosso maior ator, que interpreta o pão-duro Harpagon no clássico de Molière, sob direção de Felipe Hirsch. Aos admiradores cariocas de Paulo que não quiserem ir ao Teatro Cultura Artística para vê-lo, resta prestigiar a estréia de ‘Pequenos Crimes Conjugais’: cabe ao ator a tradução do espetáculo escrito pelo francês Eric-Emmanuel Schmitt, a partir do dia 29 no Maison de France, com Maria Fernanda Cândido e Petrônio Gontijo. Quem achar pouco pode matar as saudades de Paulo Autran lendo curiosidades sobre o ator, listadas abaixo em uma pequena homenagem:

Paulo Autran nasceu no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 1922, mas vive em São Paulo desde criança.
É casado com a atriz Karin Rodrigues desde 1999, data de oficialização da união.
Curte montar quebras-cabeças.
Fumante inveterado, foi proibido de continuar com o vício após submeter-se a pontes de safena em 1983. Agüentou 9 meses e voltou a fumar.
Sua primeira peça profissional foi ‘Um Deus Dormiu Lá em Casa’, em 1949, com Tônia Carrero. Até então, era advogado.
Por causa de Tônia, Autran ficou duas décadas sem falar com Raul Cortez, que a destratara durante temporada de ‘Quem Tem Medo de Virginia Woolf?’, em 1978.
Tônia ocupou lugar no coração de Paulo, assim como Odete Lara. A relação com Karin começou nos anos 1970.
. Em 1963, durante a temporada de ‘My Fair Lady’, o ator sofreu um acidente automobilístico que o deixou na cama por 10 meses, imóvel.
. Paulo gostaria de ter interpretado Romeu, do clássico de Shakespeare.
Um dos mais íntimos amigos do ator foi Fábio Vilaboim, que conheceu na Faculdade de Direito. Eles dividiram apartamento em São Paulo até a morte de Vilaboim, em 1989.
Nem muito dinheiro é capaz de convencê-lo a voltar às novelas, das quais está longe desde ‘Sassaricando’, em 1987.
Para estrelar uma peça, Paulo ganha por mês entre R$ 25 e R$ 35 mil. Os produtores pagam e ainda lhe dão participação na bilheteria, de cerca de 25%.
Paulo Autran e Tônia Carrero em cena de 'Macbeth'
Autran se refere a Tônia como Mariinha. Foi ela quem o descobriu, num grupo de teatro amador.
Exigências no camarim: água, café e cinzeiros.
. Nunca fez análise.
Antes de entrar em cena, o ator gosta de tirar uma soneca.
Seus autores prediletos são Eça de Queiroz e Guimarães Rosa.
O ator não teve filhos.
. Acha que teatro é a arte do ator: cinema, a do diretor, e TV, a do anunciante.
. Paulo integrou o TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, criado em 1948. Depois, fez parte da Cia. Tônia-Celi-Autran.
. Paulo cozinha. Entre as receitas estão vatapá e picadinho de carne.
. Gosta de presentear Karin com presentes bem caros.
. Um de seus maiores sucessos recentes foi a excelente ‘Visitando o Sr. Green’, que estreou em 2000 e cumpriu várias temporadas.
. Foi criticado pela classe teatral ao convidar Adriane Galisteu para a peça ‘Dias das Mães’. Rebateu: "Ela foi a melhor coisa de ‘Deus Lhe Pague’".
. Paulo não tem medo da morte.
. O livro ‘Paulo Autran – Um Homem no Palco’, de Alberto Guzic, faz um apanhado dos 50 primeiros anos de carreira do ator, ricamente ilustrado com fotos.
. ‘Édipo Rei’, ‘Otelo’, 'Rei Lear' e ‘A Morte de Um Caixeiro Viajante’ foram alguns dos clássicos estrelados por ele.
. Considera ‘Terra Em Transe’, de Glauber Rocha, o mais importante filme no qual atuou.

Sexta-feira , 16 Março, 2007

A primeira vez a gente nunca esquece. Por isso, para a estréia de ‘Supercênico’, blog dedicado ao teatro, fui buscar na memória estréias inesquecíveis. Não foi difícil: lembrei-me de cara dos musicais de Charles Möeller e Claudio Botelho. Desde que vi ‘Cole Porter — Ele Nunca Disse Que Me Amava’, não perdi um. Deu vontade de dançar com o elenco de ‘Company’, cantar junto as músicas de ‘Cristal Bacharach’, estar ‘Lado a Lado com Sondheim’, rever ‘Ópera do Malandro’. Tamanha admiração é explicada por soma simples: teatro + música. Fã de musicais, estréio este blog com novidades que Botelho me adiantou por telefone. Como de costume, são muitas, todas cercadas de expectativa — dele e nossa.

Claudia Raia cercada por Charles Möeller e Claudio Botelho: 'Sweet Charity' vem para o Rio/ Divulgação: Tina Salles
‘SWEET CHARITY NO RIO’
A primeira novidade tem a ver com ‘Sweet Charity’. O musical estrelado por Claudia Raia finalmente deve estrear no Rio após temporada de seis meses em Sampa com casa de 1,3 mil lugares lotada. A produção negocia a vinda da peça para o Vivo Rio, em abril ou maio. O João Caetano não está descartado, mas teria que passar por reformas, já que o espetáculo conta com três elevadores. Dirigida por Möeller e Botelho, Claudia canta e dança na pele da doce prostituta Charity Hope Valentine no musical de Bob Fosse, ambientado na Nova Iorque dos anos 60. Anote aí o que esperar: glamour, charme e boa música.

ED MOTTA NO TEATRO
Outra notícia quente: projeto acalentado há três anos pela dupla, o musical ‘Sete’ sai do forno. “As músicas são do Ed Motta e as letras, minhas. O Charles criou a história”, adianta Botelho. E por que ‘Sete’? “O musical é uma alegoria em cima de Branca de Neve, só que urbana. Uma mulher abandonada busca uma feiticeira para reaver seu amor. Ela terá que cumprir sete prendas para recuperá-lo”, diz. Alessandra Maestrini, que arrasou em ‘Ópera do Malandro’, será a protagonista. A cartomante caberá a Zezé Motta. A peça estréia 7 de agosto no Sesi. Rogéria também estará no elenco.
“Estou bastante animado com a peça. Tem música quase operística, diferente do estilo pop do Ed. É dark, obscura, densa. O público vai se surpreender: para o bem ou para o mal”, avalia Claudio.

NOVIÇA BRASILEIRA
Atores-cantores, boa notícia. Serão realizados em maio os testes para todos os papéis da versão brasileira de ‘A Noviça Rebelde’, que leva a assinatura de Botelho. Até a protagonista — vivida por Julie Andrews no clássico de Hollywood —, garante o versionista, será escolhida por teste. A megaprodução vai reinaugurar o Teatro Casa Grande, ao lado do Shopping Leblon. O musical contará com orquestra de 12 músicos. Vale lembrar que para a recente montagem londrina, Scarlett Johansson foi sondada para o papel da noviça Maria — que acabou nas mãos da vencedora de um reality show que derrotou 6 mil oponentes. A produção do espetáculo ainda não divulgou o local das audições no Rio.