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André Gomes

Segunda-feira, 30 Abril, 2007

PRESTE ATENÇÃO

A partir desta terça, volta à cena uma peça bastante simpática que fez carreira ano passado: 'Eu NATALIA LAGE e elencoNunca Disse Que Prestava'. Inspirada em crônicas e contos das escritoras Adriana Falcão e Luciana Pessanha, a peça é dirigida com inventividade pelo ator Rodrigo Penna e trata do universo feminino com humor. Demora para engrenar, mas quando engrena, é entretenimento que leva a boas reflexões, apoiado por bom rendimento do elenco, que tem Natalia Lage no papel da noiva que, à beira do altar, entra em conflito sobre oficializar ou não a união. A cenografia de Marcus Figueirôa é outro ponto alto do espetáculo, que tem trilha bem atual composta por Dany Roland e Rodrigo Penna e uma música cedida por Adriana Calcanhotto. A montagem ocupa o Teatro Leblon, às terças e quartas, até dia 30.

FALABELLA FALA SOBRE OS PRODUTORES

Falando em Miguel Falabella, num breve papo, o ator/diretor revelou algumas coisas a respeito da montagem brasileira de 'Os Produtores', que ele protagonizará e dirigirá. "Estou trabalhando na tradução das letras. É difícil encontrar a rima correta, mas é um processo que me agrada muito", confidenciou, por telefone. Miguel viu o musical na Broadway (onde já não está mais em cartaz, desde o mês passado) e conta que a versão daqui terá que ser rigorosamente igual. "A farra é mesmo para os atores. Para dirigir, tem que seguir as indicações do original", argumentou. Com produção argentina, o musical de Mel Brooks exigirá dois meses de ensaio e terá Wladimir Brichta e Daniele Winits dividindo cena com Falabella. Serão 22 atores em cena e a estréia vai acontecer em São Paulo no segundo semestre. Só depois vem pro Vivo Rio.

Sexta-feira , 27 Abril, 2007

DIRETOR E ATOR

FALABELLA (À ESQ) COM O ELENCO DA PEÇA/ FOTO DE GABRIELA ANDRADEMiguel Falabella assumiu ontem o papel de Dom João VI no musical 'Império', escrito e dirigido por ele, que encerra temporada dia 13 no Carlos Gomes. O ator/diretor falou sobre todo o ti-ti-ti que envolveu o espetáculo - houve atraso no pagamento do elenco, verba não recebida etc. “Não me sinto derrotado por termos que interromper a peça. Nenhuma pancada me joga no chão, me joga é para cima”, disse Falabella, que está escrevendo episódios de 'Toma Lá Dá Cá', nova série da Globo.

ALMA CELEBRADA

"Não existe tradição sem traição, assim como não existiria traição sem tradição”, diz Clarice Niskier, citando pensamento do rabino Nilton Bonder. É ele que norteia 'A Alma Imoral', espetáculo que reúne trechos do livro homônimo do estudioso e tornou-se sucesso graças ao boca-a-boca do público. Em cartaz agora no horário nobre do Teatro Leblon, de quinta a domingo, a peça é uma adaptação da atriz para a obra do rabino, que se apóia em conceitos milenares sobre corpo e alma e ensinamentos cabalísticos. O resultado é: o público sai do teatro de alma lavada. CLARICE NISKIER
Os motivos para o êxito da encenação são muitos. Está claro que a atriz tem total entendimento do que quer dizer e o faz de forma a ensinar a platéia, que se encanta ora com parábolas repletas de ricas lições, ora com reflexões entre o certo e o errado, a obediência e a desobediência. O despojamento de Clarice é capaz de permitir a ela estar por vezes nua em cena, em passeio entre o erótico e o lírico. É uma composição econômica, emotiva, emoldurada por luz elegante de Aurélio de Simoni e figurino prático e eficaz de Kika Lopes. Amir Haddad assina a supervisão deste espetáculo essencial, que tem a transgressão como essência.
Esta crítica foi originalmente publicada no Caderno D do dia 14/10/2006. De lá para cá, Clarice já conquistou prêmios e indicações e o espetáculo não pára de atrair mais e mais público. Se você ainda não viu, aproveite o fim de semana para vê-lo.

U2 NA TEIA

Os ensaios para o musical 'Homem-Aranha' vão começar dia 2 de julho, mas a caça pelo ator que viverá Peter Parker na Broadway já é grande: os produtores querem alguém com boa voz para o pop-rock, já que caberá ao U2 assinar a trilha sonora do espetáculo. Bono Vox e sua banda também estão nos créditos da trilha do terceiro filme com o herói, que tem estréia mundial dia 4. BONO VOXO longa tem ainda música dos fantásticos rapazes do The Killers e do Yeah Yeah Yeahs. Uma curiosidade: um grupo de cientistas italianos acredita que em 10 anos será possível sair por aí dando uma de Homem-Aranha. Eles trabalham com material têxtil inspirado no lagarto gecko, que tem na pata alta aderência. Até aí, tudo bem. Só não conseguem saber como se soltar da superfície após a aderência. Então tá...

Quinta-feira, 26 Abril, 2007

PALCO PARA TALENTOS MÚLTIPLOS

JOÃO DONATOTá certo, a dica é atrasada, mas vale. Semana passada, a convite de um amigo, fui conferir o projeto quinzenal Multiplicidade, que rola no teatro do Oi Futuro, esse mesmo, antigo Telemar, ali no Flamengo. O convite foi: vamos ver o show do João Donato? Bem, não era só isso, era João mais o filho, Donatinho, e convidados músicos, cantores de ocasião, uma farra, jam session de primeira, desses eventos que fazem a noite valer a pena. Surpresa foi perceber que as cadeiras do teatro ficam de fora e dão lugar a almofadas e que um telão, com projeções hipnóticas de Belisário Franca, estava lá pra ajudar no clima intimista. Donatinho remixou ao vivo as músicas do pai, num encontro perfeito, que vai virar CD. Pode comprar, sem erro.

NO BANHEIRO

Sucesso absoluto desde sua estréia em janeiro, a comédia 'Toalete' se despede neste domingo do Teatro dos Grandes Atores, na Barra. No palco, intimidades que as mulheres contam no banheiro. Marcia Cabrita, Renato Wiemer, Catarina Abdala e Suzana Pires estão no elenco do espetáculo escrito por Walcyr Carrasco.

Quarta-feira, 25 Abril, 2007

A LOURA DA VEZ

Vai muito bem, obrigado, a carreira do musical 'Legally Blonde (Legalmente Loira)' na Broadway. A produção, adaptação do sucesso protagonizado por Reese Whitherspoon no cinema, tem sido elogiada em temporada de pré-estréias - a estréia oficial acontece neste domingo.
Quem faz o papel da garota que resolve estudar advocacia para mostrar ao namorado que existe vida inteligente por baixo de sua lourice é Laura Bell Bundy. O elenco do musical vai dar pinta nesta sexta-feira no programa 'The Today Show, da rede americana NBC. Para quem não se lembra de Laura, ela já participou da série 'Cold Case' e esteve em 'Dreamgirls'. Quem quiser saber mais sobre a moça pode acessar www.laurabellbundy.com.

DOCE CHARITY

O musical 'Sweet Charity extrapola os domínios do teatro e chega ao restaurante. O Forneria acaba de criar o drinque Sweet Charity, em homenagem ao musical que fica em cartaz no Rio de Janeiro até dia 13. O drinque, criado pelo barman da casa, é elaborado à base da vodca francesa Cîroc, um destilado de uvas, e leva morango, ameixa e cointreau. Custa R$ 18 e será servido no restaurante de Ipanema enquanto a peça estiver sendo apresentada no Vivo Rio.

GIANE CAUSA FRISSON EM PORTUGAL

DIVULGAÇÃOReynaldo Gianecchini fica em Portugal até dia 3 com a peça 'Sua Excelência, o Candidato', mas nada de passar incógnito por lá. O ator enfrenta maratona de entrevistas por conta do sucesso das novelas brasileiras na Terrinha. Mal chegou a Lisboa, semana passada, e já foi cercado por fotógrafos e jornalistas logo no aeroporto, coisa que enfrenta no Rio em maior escala nos últimos tempos desde que se separou de Marília Gabriela e passou a circular mais à noite. Na comédia que mostra na Europa, Giane é um jovem candidato a cargo público envolvido em trapaças. Logo, logo, o ator volta à TV. Ele é uma das estrelas da nova novela das sete, 'Os Sete Pecados'

Terça-feira, 24 Abril, 2007

FESTA PARA MARY POPPINS

Nem só de Tony vive o mercado de prêmios para teatro na Broadway. O musical 'Mary Poppins', sobre a babá britânica com poderes mágicos, liderou as indicações para o Outer Critics' Circle, um dos muitos eventos que antecedem a maior premiação teatral dos Estados Unidos. O anúncio aconteceu ontem e a produção de Cameron Mackintosh, que foi vista primeiro em Londres, recebeu 11 indicações, incluindo melhor musical da Broadway e melhor direção. Levaram indicações também a música e a atuação das estrelas Gavin Lee e Ashley Brown. Os vencedores serão anunciados em 24 de maio. O Outer Critics' Circle Award é uma espécie de prévia do Tony, que acontece em 10 de junho.

PEÇAS ENCERRAM TEMPORADA

MARIA CLARA GUEIROS E ALOÍSIO DE ABREUO fim de semana será de despedidas para peças de sucesso. Maria Clara Gueiros, do 'Zorra Total', sai de cena com a comédia 'Corações Encaixotados', em que divide o palco com Aloísio de Abreu. O espetáculo fica até domingo no Teatro dos Quatro e foca na vida de uma mulher enlouquecida com a mudança de casa. Já o elogiado monólogo 'A Descoberta das Américas', com Julio Adrião, encerra os trabalhos domingo no Teatro Leblon.

Segunda-feira, 23 Abril, 2007

CORAÇÃO ABERTO

Regina Duarte volta ao Rio com a peça 'Coração Bazar', dias 3 e 4 de maio, no Canecão. O espetáculo reestréia na cidade após ser visto por mais de 140 mil pessoas Brasil afora durante mais de dois anos. Abaixo, uma relembrada na crítica que fiz da encenação, quando estreou no Rio no Teatro Sesi, no Centro, em janeiro de 2005.

CORAÇÃO MEDIANO
Regina Duarte ocupa lugar cativo no imaginário afetivo do brasileiro. Foi namoradinha do Brasil, lançou moda na pele da viúva Porcina de 'Roque Santeiro', vendeu sanduíche na praia como a Raquel Aciolli de 'Vale Tudo', usou e abusou do romantismo interpretando as Helenas de Manoel Carlos. Natural esperar que, portanto, em seu primeiro monólogo teatral, o celebrado carisma da atriz aparecesse.
Estranho é perceber que, em 'Coração Bazar', ele não é capaz de alçar a peça à condição de bom entretenimento. Na reunião cênica de seus mais amados textos literários, Regina pretendia resultado ‘mágico, comovente, arrebatador’, segundo suas próprias palavras. Não conseguiu. O espetáculo dirigido por José Possi Neto começa muito mal, com a atriz surgindo em cena na pele de uma Feiticeira que entoa texto sem brilho de Cleise Mendes, salvo por pequeno trecho de Ferreira Gullar. O que salva 'Coração Bazar' do marasmo são pérolas de Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Vinicius de Moraes e Clarice Lispector. E Regina se sai bem no trecho em que se mostra dramaturga, número cômico de identificação na platéia, em que a atriz, com sagacidade impressionante, se desdobra em três personagens.
Regina, contudo, merece marcações melhores, menos sorrisos a todo instante, um enxugamento nos sotaques, trilha sonora sem pieguice. O figurino criado por Fábio Namatame ora acerta – como no número ao microfone –, ora erra, caso da Feiticeira. No fim, a sensação que se tem é de que foram muitas as boas intenções, algumas delas não alcançadas. O coração da atriz está ali, exposto. Pena que sua exibição não alcance a plenitude necessária

LORCA EM REESTRÉIA

Tantos elogios deram fôlego para que 'Federico García Lorca - Pequeno Poema Infinito' ganhasse nova temporada. A peça em que o ator José Mauro Brant vive o poeta espanhol reestréia, desta vez no Teatro Leblon, às 21h desta terça-feira. A direção é de Antonio Gilberto.


Quinta-feira, 19 Abril, 2007

CLAUDIA RAIA FALA DE 'SWEET CHARITY'

Quem lê o blog ‘Supercênico’ sabe que é nesta sexta a estréia de ‘Sweet Charity’. O musical, que CLAUDIA RAIA EM FOTO DE NATASHA PRADOfoi tema de matéria de capa da revista ‘Tudo de Bom’ do dia 15 e é tema de página do ‘Guia Show&Lazer’ desta semana, reúne Claudia Raia, Charles Möeller e Claudio Botelho em parceria inédita. Falei com os três sobre o espetáculo criado por Bob Fosse em 1966 e, abaixo, você fica por dentro de conteúdo inédito das entrevistas.

CLAUDIA RAIA
“Sou completamente diferente da Charity: ela é uma perdedora, sem glamour, nada sexualizada. Fiz laboratório com minha filha para alcançar a ingenuidade da personagem”, revelou a atriz, questionada sobre seu processo de composição. Claudia celebra 25 anos de carreira com o espetáculo e está feliz com o êxito dos musicais no Brasil. “Acho que alcançamos uma excelência na produção de musicais aqui: podemos pensar em criar os nossos, sem deixar de trazer os de fora. Lenine é um compositor que faria bela partitura”, avalia.
O corre-corre para viver a prostituta ingênua e sonhadora é intenso. “Canto 11 músicas, faço 10 coreografias e decorei 90 páginas de texto. Faço uma Charity mais inspirada na de Giulietta Masina no filme ‘Noites de Cabíria’, quase clownesca”, conta a atriz, que teve um incidente na estréia, em São Paulo. “Quando o elevador deu defeito, paramos 40 minutos e Claudio me perguntou se eu achava melhor não voltarmos. Eu disse que faria nem que fosse no meio da rua”.
Claudia Raia também sabe ser fã: “Adoro a Lisa Minelli e a mãe dela: ambas tinham força cênica impressionantes. Também acho a Madonna incrível. Vi um show dela em que fiquei chocada com o modo como controla tudo. Sou parecida nisso, interfiro em tudo”.

CHARLES MÖELLER
O diretor da peça pôde dar seus toques à montagem nacional. “Quis imprimir minha interpretação para o musical. Achava que não tinha sentido fazê-lo sem as coreografias do Bob Fosse, o maior coreógrafo do teatro musical de todos os tempos. Tem sexualidade, o lado promíscuo e dark. Fiz um final mais realista, com Charity derrotada, que gosto muito”, explica. Vale a pena viver de musicais no Brasil? “Hoje em dia o País entende que há mercado. Quando começamos, éramos vistos como malucos. Todos os nossos espetáculos se pagam e temos público fiel, graças a Deus”.
Möeller é só elogios ao coreógrafo do espetáculo. “É uma sorte termos o Alonso Barros. Ele é um dos maiores especialistas em Bob Fosse do mundo”.

CLAUDIO BOTELHO
“A grande vantagem de ‘Sweet Charity’ é que tem a música feliz de Cy Coleman, músico super ligado ao jazz, com as letras de Dorothy Fields, ganhadora do Oscar e do Toni. Nas traduções, quis trazer a graça e a sutileza das canções para nosso universo”, explica o responsável pelas versões para o português, que atualmente trabalha nas traduções do musical ‘Miss Saigon’.
“Sweet Charity marca a passagem dos musicais ingênuos que brilharam até o fim dos 60’s para a linguagem mais adulta dos 70’s. Por isso tem a mocinha ingênua, mas prostituta”, analisa Botelho, que finaliza com afago à sua protagonista. “Sou fã da Claudia há muitos anos. Estou feliz de trabalhar com ela. Posso dizer que, hoje em dia, já é uma cantora. Ela dá um banho na Christina Applegate, que fez Charity ano passado em Nova Iorque”.

MAIS UM SASSARICO

Dois jovens cantores de samba que fizeram sua estréia no teatro musical em 'Sassaricando', Alfredo (esq) e Pedro Paulo (dir) com o elenco de Sassaricando/foto de Leonardo AversaAlfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta lançam o disco 'Cachaça Dá Samba!', com canções populares que usam a tradicional bebida como tema. O show vai rolar na Modern Sound, terça-feira, às 19h. É de graça, mas reservas são necessárias. A dupla também volta à cena com o musical-sensação do verão. 'Sassaricando', composto por adoráveis marchinhas carnavalescas, reestréia no João Caetano, dia 4.

Quarta-feira, 18 Abril, 2007

CAUBY EM LIVRO

Chegou hoje à redação o livro 'Cauby! Cauby', que traz, na íntegra, o texto do espetáculo musical de Flávio Marinho protagonizado por Diogo Vilela. Editada pela Imago, a publicação tem 88 páginas e traz texto de apresentação do próprio autor, no qual ele lembra a partir de quando os musicais biográficos se tornaram um hit no Brasil e revela porque escolheu Cauby Peixoto como biografado. Quem não viu a peça e tiver a oportunidade de ler o livro verá que Marinho faz um retrato pouco amistoso da imprensa, representada no estagiário e no repórter tarimbado que entrevistam o cantor.

INTIMIDADE COMPARTILHADA

O sábado será de peça seguida de palestra sobre sexo na Sala Azul do Teatro dos Atores. Um psiquiatra, um psicólogo, um hipnoterapeuta e até a apresentadora do programa 'Zona Quente', do Sexy Hot, Carolyne Ferreira, debatem sobre temas sexuais após a peça 'É Tudo Gozação'. Dirigida por Xandy Britto, a montagem já foi vista por 10 mil pessoas e sempre recebe um ator convidado. O deste sábado é Charles Paraventi.

Terça-feira, 17 Abril, 2007

PARÓDIA DE VERDI DE VOLTA

Espetáculo que cumpriu temporada elogiada ano passado, 'A Força do Destino' volta à cena, desta O ELENCO DA PEÇAvez na Casa de Cultura Laura Alvim. Primeira adaptação de um romance de Nélida Piñon para o teatro, a peça é uma paródia da ópera 'La Forza del Destino', de Verdi, e conta a história do amor desastrado de Leonora (Carla Faour), filha do rico Marquês de Calatrava (Isaac Bardavid) e Dom Álvaro (Antonio Fragoso), um nobre de poucas posses. Ainda no elenco, Ana Velloso como Nélida Piñon e Thelmo Fernandes como Dom Carlos. A direção de Henrique Tavares é correta e a adaptação de Carla Faour é fluente: o espetáculo diverte mas, sem a música, o enredo mostra ser mais eficiente mesmo somente para uma ópera.

FALABELLA NO ELENCO DE 'IMPÉRIO'

Novas notícias do 'Império' de Falabella. O diretor interpretará Dom João no musical em cartaz no Carlos Gomes, a partir do dia 26 de abril. Ele fica até o fim da temporada, dia 13 de maio. Miguel substituirá Sandro Christopher, que sai de cena para ensaiar a ópera 'Chapéu de Palha de Florença', de Nino Rota, no Teatro Municipal de São Paulo. Dia 28, rola lançamento do CD de 'Império', no mesmo teatro no qual a peça está em cartaz.

Segunda-feira, 16 Abril, 2007

QUALQUER AMOR JÁ É UM POUQUINHO DE SAÚDE...

DÉBORA FALABELLA E ANGELO ANTÔNIO EM CENA
O sábado foi de estréia para convidados da peça 'O Continente Negro', no teatro da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo. O elenco formado por Ângelo Antônio, Débora Falabella e Yara de Novaes foi bastante aplaudido e recebeu amigos como Paulo Goulart e Nicete Bruno, Glória Menezes e Marieta Severo. Escrito pelo chileno Marco Antônio de La Parra, o espetáculo tem direção de Aderbal Freire Filho.
No enredo, histórias que se cruzam para falar das dificuldades nas relações amorosas de 12 personagens. Débora se identifica com o tema: "Hoje em dia está tudo mais solto, é mais difícil mesmo encontrarmos uma pessoa e ficarmos só com ela". Já Ângelo, ao falar sobre a peça, se saiu em algumas entrevistas com uma frase de Guimarães Rosa, que e é uma preciosidade: "Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura". Sábio poeta.

PAULO AUTRAN VOLTA À CENA

PAULO AUTRANPaulo Autran, que teve alta ontem do Hospital Sírio Libanês, onde estava internado desde quinta-feira, voltará a encenar 'O Avarento' no Teatro Cultura Artística dia 19. O espetáculo já foi visto por 92.643 espectadores em suas 28 semanas de temporada em São Paulo.

Domingo, 15 Abril, 2007

PRODUTORES QUEREM LIMITAR MEIA-ENTRADA NO TEATRO

Quinta-feira, membros da Associação dos Produtores de Teatro do Rio se reunirão com integrantes da Comissão de Educação e Cultura da Assembléia Legislativa do Rio para discutir assunto espinhoso: a redução, para o limite de 30%, do número de ingressos vendidos por meia-entrada para as peças. Ações para coibir fraudes nas carteiras de estudantes - tem muita gente por aí falsificando-as para se dar bem - também serão debatidas. O assunto é realmente polêmico: na peça 'Mademoiselle Chanel', por exemplo, mais de 90% do total de ingressos vendidos era pelo valor de meia, no Maison de France. Os produtores reclamam, sabe-se que jogam os preços para cima pensando já no que ganharão pela metade, e quem sai perdendo é o cidadão que não é estudante, tampouco maior de 65 anos...

PERTO DE UM FINAL FELIZ

ZEZÉ POLESSA/DIVULGAÇÃO
Que a fórmula do sucesso está nas comédias com forte identificação no público feminino não há dúvidas. Assim foi com 'Os Homens São de Marte e é Pra Lá Que Eu Vou' e assim é com 'Não Sou Feliz Mas Tenho Marido'.
A peça estrelada por Zezé Polessa emplaca mais uma temporada exitosa, agora no Teatro Clara Nunes, graças a um elemento que pode passar despercebido: trata-se de um texto feliz. Apesar de investir pesado contra a figura de um marido desatencioso e com todos os defeitos exacerbados do mundo masculino - paixão pelo futebol, prostração no sofá da sala diante da TV e amor incondicional ao carro - o espetáculo de Viviana Thorpe é otimista: nas entrelinhas, prega o amor à família e indica que o caminho ideal é ser fiel a si mesmo.
A personagem de Zezé, casada há 27 anos, é a síntese de inúmeras mulheres reclamonas e adoráveis com as quais convivemos diariamente. Na interpretação magistral da atriz, é mais: um espelho no qual a imagem bate e volta transformada. Impossível alguém com longa estrada amorosa dedicada a uma só pessoa não se emocionar com a peça, não rir, não pensar: por que tanto tempo assim? No final, a surpresa berra: o recomeço pode vir sem aviso prévio e, vindo, não deixar tanta mágoa ou arrependimento. Quanto ao amor, bem, que seja eterno enquanto dure.

A NUDEZ DO JARDINEIRO

JESSE METCALFE
Vai ter muita dona-de-casa desesperada com a notícia que anda circulando por aí: consta que Jesse Metcalfe, ator que interpreta o jardineiro da série 'Desperate Housewives', vai aparecer peladão no teatro. Metcalfe, 28 anos, que ganhou visibilidade na série ao ter um caso com a personagem de Eva Longoria, pode ser escolhido para substituir Daniel Radcliffe na peça 'Equus', em que o eterno Harry Potter aparece como veio ao mundo.
Isso deve acontecer quando o contrato de Radcliffe acabar, o que deve garantir tempo para Metcalfe se recuperar: ele está internado em uma clínica de reabilitação em Los Angeles para tratar problemas com alcoolismo. Equus estreou em Londres em fevereiro e conta a história de um menino perturbado, que cega um cavalo num ritual.

Sexta-feira , 13 Abril, 2007

SOB O DOMÍNIO DAS HQS

Não sou um entusiasta da ‘quadrinização’ que vem tomando conta do cinema e do teatro. Até agora faltou-me ânimo legítimo para ver ‘300’ e não acho Will Eisner a oitava maravilha do mundo. Ainda assim, saí da redação ontem com o compromisso de assistir a ‘Graphic’, espetáculo que utiliza justamente a linguagem das HQs para contar sua história.Rafaella Marques
A montagem da companhia teatral paranaense Vigor Mortis, recém-premiada no Festival de Curitiba, tem como ponto alto o visual: o cenário de Guilherme Sant’ana exibe um quadrado móvel que serve de base para uma loja e casas dos personagens. Trabalhos gráficos são feitos ao vivo durante a encenação que faz uso de projeções de fanzines. Luz e trilha sonora ajudam a passar o clima de cidade opressora onde se situa a ação.
A trama reúne três personagens que se expressam através de desenhos: Artie (leandrodanielcolombo, perfeito na composição do tipo nerd e loser que pensa em suicídio) é um desenhista frustrado, que trabalha desenvolvendo manuais de instruções de uma editora; Becca (Carolina Fauquemont) é executiva de finanças da mesma editora, embora tenha um passado como desenhista de fanzines; e Raf (Rafaella Marques) é uma artista de rua que trabalha com stencils. É sobre a luta dos três por uma vaga de desenhista que trata a peça em cartaz no CCBB, investindo pesado na parte final no Grand Guignol, gênero que utiliza o naturalismo e a violência explítica como elementos. Uma carnificina meio descontextualizada marca o fim do espetáculo escrito e dirigido por Paulo Biscaia Filho, que ainda assina sonoplastia e vídeos.
O problema é que tanto zelo na parte visual não se vê na dramaturgia, calcada na repetição dos temas e sem um conflito realmente forte que prenda a atenção do espectador. ‘Graphic’ é uma peça para os amantes das graphic novels e seu universo. Nos outros espectadores, a sensação mais forte que ficará é a da angústia de ver tipos tão asfixiantes em cena. Lembrei-me agora de ‘Avenida Dropsie’ e todo o seu arrebatamento visual, com fantásticas soluções cênicas e projeções. Era linda, mas também desestimulante na dramaturgia. Legal seria unir a estética dos quadrinhos a histórias mais estimulantes.

Quinta-feira, 12 Abril, 2007

O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO

Uma das grandes damas do teatro inglês, Vanessa Redgrave - que fez recente aparição na TV na VANESSA REDGRAVEpolêmica série 'Nip Tuck', está lotando o nova-iorquino Booth Theatre com o monólogo 'O Ano do Pensamento Mágico'. É a adaptação para os palcos do livro de Joan Didion, que relata as perdas da filha e do marido em espaço de tempo curto. Será que alguma atriz brasileira já está se movimentando para comprar os direitos da peça? Bom exercício imaginar quem ficaria bem no papel.

Quarta-feira, 11 Abril, 2007

MUSICAIS NO CINEMA E NA LIVRARIA

Vale comentar duas notícias curiosas sobre peças que avançam seus domínios para fora dos palcos: 'Império', o musical de Miguel Falabella que não vingou no Teatro Carlos Gomes - onde vem fazendo pouco público - vai virar filme. Caberá a Falabella - ex-gestor da rede municipal de teatros - dirigir e roteirizar o longa baseado na peça que deu o que falar graças ao salário atrasado dos atores e à prometida verba municipal não recebida pela produção. Será que o público que não foi ao teatro vai querer ir ao cinema? É esperar para ver. Outro musical, o divertido 'Cauby, Cauby!' vai virar livro. O lançamento da abra de Flávio Marinho será na Travessa dia 24. Ok, mas na peça, o que valia a pena eram os números musicais...

Terça-feira, 10 Abril, 2007

O PARAÍSO DOS 'SEM NOÇÃO'

O Supercênico pede licença ao teatro para falar de TV. Há um 'paraíso tropical' no ar que, ontem, finalmente, mostrou a que veio, curiosamente graças a um desfile de personagens 'sem noção'. Quem puxa a galeria deles é Hugo (Marcelo Laham), o riquinho obrigado a esconder da família o namorado uga-uga Felipe (Miguel Kelner). A forma que encontrou para abafar o caso foi marcar casamento com a interesseira Taís (Alessandra Negrini), para alívio dos pais, mineiríssimos, desconfiados e milionários. Ontem, quase colocou tudo a perder, ao abandonar os três para ir atrás do bonitão. Coube a Taís salvá-lo, arrumando desculpa esfarrapada: Felipe conversava ali com um alfaiate, que lhe faria o terno para o casamento dela, disse a noiva. E Hugo com isso? Ora, ele supervisionaria tudo. Teve jeito não. Huguinho não quis largar Felipão sozinho e Taís teve que amargar a imposição de perder a festa chique de Ana Luísa (a ótima Renée de Vielmond). A 'semnoçãozisse' do noivo gay saiu caro e ela ameaçou: ou vocês param com isso ou Felipe terá que voltar a usar sungão e rebolar no queijo! Grande Taís! ALESSANDRA NEGRINI/AG NEWS
Todos sabem que a Negrini má é muita má e linda, e a boa, boa demais e sem graça, tadinha. Paula ontem teve que amargar outro sem noção. Belisário (Hugo Carvana) alugou carro bacana para levá-la à festa mas não tinha grana para pagar. No mesmo edifício Copamar, a Dinorá de Isabela Garcia quebrou o pau com o marido porque ele não pôde ir ao jantar que ela ganhara no sorteio da rádio. Faltou por substituir o chefe, com pai enfartado, mas ela não quis saber. Rodou a baiana, sem noção, barraqueira e brega que é. É amiga de uma sem noção pobre que sonha ser rica: Beth Goulart. Ela estava ótima na peça 'Quartett' e ganhou personagem à altura. Na tal festa, sua personagem cercou meio mundo em busca de status. Morrer classe média, nem pensar.
ISABELA GARCIA/AG.NEWSNa tal noite desfilava, faceira, outra sem noção: Susaninha (Érika Mader) confidenciava à amiga (Patrícia Werneck) que estava doida para sair de lá e ir para a Lapa, ver os 'gatinhos de camisa de malha'. Smoking, para ela, 'faz com que todos os homens pareçam ter peitoral'. Ela não quer saber de decepções: na Lapa, bate o olho e sabe quem vale a pena. Alguém aí pensou em galinha?
De volta ao tema união gay, tudo bem que a idéia do casal vivido por Carlos Casagrande e Sergio Abreu é mostrar namorados sem estereótipo. O que não precisa ser sem sal. A participação de ambos soa quase como cota racial. Eles passeiam pela novela elegantes, de forma cool, vão a festas em casas de família (!), comem fritura vestidos de smoking e estão sempre rindo, como num comercial de margarina. Amigos gays? Nem pensar. São 'normais', até demais. Enquanto isso, os atores que interpretam o outro casal gay, mais afetado, têm mais chance de...brilhar. MARCELO LAHAM (CENTRO) NA PEÇA
Aliás, bom movito para falar de novo de teatro: o Laham está em cartaz com a peça 'Os Segredos Que Só os Homens Têm', no Teatro Vannucci. Em cena, o extremo oposto da novela: papo de macho. Tema 'mulherzinha' para o final: quem será que fez o penteado sem noção que tanto desfavoreceu Renée de Vielmond no capítulo de ontem? Pois é, e ela ainda terminou embalada por música da Ana Carolina...

Segunda-feira, 9 Abril, 2007

TROCA DE EXPERIÊNCIAS

Rola amanhã no Sesc Rio mais um etapa do projeto Novos Talentos 2007, troca de informações entre diretores experientes e autores e diretores iniciantes. Amir Hadad, Paulo Betti, Cristiane Jatahy e José Jofre vão se reunir com quatro novos talentos da direção e quatro escritores, para juntos, estruturarem a encenação dos textos inéditos. No fim do mês os elencos serão escolhidos e quem desenvolve o projeto é Roberto Bomtempo

HUMORISTAS REUNIDOS

Aproveitando a onda das peças com esquetes de humor, a peça 'Pout-PourRir não fez por menos: ROGÉRIA EM FOTO DE FÁBIO COSTAtratou de escalar atores com personagens bem recebidos em outras montagens e iniciou sua temporada no Teatro dos Quatro. A mistura tem dado certo e conta agora com participações especiais. Estão confirmados para as próximas quartas-feiras convidados como Rogéria (foto), Lucélia Santos e Patrícia Travassos.

SOPÃO MUSICAL

PEDRO PAULO EM FOTO DE GULA MELGARPedro Paulo Rangel volta a encenar o sucesso 'Soppa de Letra', desta vez no Teatro de Arena da Caixa Cultural, a partir de quinta-feira. No monólogo, PP - elogiado por sua participação em 'Amazônia' - faz uma costura cênica para 70 letras da música brasileira, recitando versos de compositores como Chico Buarque, Adoniran Barbosa e até MV Bill.

Sábado, 7 Abril, 2007

DE QUASE NOVIÇA A ENFERMEIRA SEXY


A minha, a sua, a nossa Scarlett Johansson, que ano que vem poderá ser vista pela terceira vez em filme de Woody Allen, no qual trabalhará ao lado dos espanhóis Penélope Cruz e Javier Bardem, promete causar frisson na Broadway. O ano de 2008 reserva para ela o papel principal do musical 'South Pacific', de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein, os mesmos do fenômeno 'A Noviça Rebelde'. O curioso é que ela chegou a ser cogitada para fazer Maria Von Trapp na atual versão londrina do célebre musical imortalizado no cinema por Julie Andrews, mas o papel acabou nas mãos de uma vencedora de reality show. Bom para os fãs: Nellie Forbush, de 'South Pacific', é uma enfermeira sexy, papel que cai como uma luva para Johansson – em 'Match Point', ela parecia capaz de seduzir até poste. Bartlett Sher será o diretor da montagem, que estréia em janeiro em Nova Iorque.

ADORÁVEL AVARENTO


Com a notícia de que 'O Avarento' não viria ao Rio, tratei de assistir ao espetáculo em São Paulo, no Teatro Cultura Artística. Quase 100 mil espectadores já foram atraídos pelo maior chamativo da encenação: o ator Paulo Autran, 84 anos, 90 peças no currículo. Digo que é ele o grande responsável pelo êxito da encenação porque o mesmo texto teve montagem recente com Jorge Dória no Brasil com grande sucesso. E porque o tão celebrado texto de Molière, cá entre nós, não me empolga tanto assim. Estão lá os personagens de fácil entendimento e todos os outros elementos já tão bem utilizados pela commedia dell'arte. A crítica social também se faz presente e há quem encontre em 'O Avarento' paralelos entre o olhar ferino do autor à sociedade burguesa de sua época e toda a sorte de mesquinharias nas quais estamos mergulhados hoje em dia. Ok, pode-se enxergar isso, mas o mais evidente é que, depois de tantas cópias, montar tal texto nos dias de hoje é correr o risco de déjá vu.

As trapalhadas de Harpagão (Autran), velho viúvo avarento que dá vida miserável aos filhos apesar de ter dinheiro, funcionam na encenação dirigida por Felipe Hirsch com frescor e sem maneirismos. Mas a exagerada repetição da idéia central do texto – a mesquinharia do velho e o que se pode fazer para driblá-la – pode cansar o espectador e fazer com que deseje logo o fim. A falta de surpresas é amenizada, contudo, pela fantástica composição de Autran para o papel. Menos histriônico do que Dória e Tonico Pereira (que já estrelaram 'O Avarento' nas mais recentes montagens nacionais), o ator faz um tipo absolutamente crível, asqueroso e odiável, de comunicação contagiante com a platéia. Tem elenco (com Gustavo Machado, Cláudia Missura, Luciano Schwab, Elias Andreato e Karin Rodrigues, entre outros) à altura, e está muito bem servido pelo cenário de Daniela Thomas, embora a luz de Beto Bruel apenas correta. Teatro bem realizado sem grandes riscos, para os amantes de Molière e, principalmente, aos admiradores do mestre Paulo Autran. Palmas para ele.

Quinta-feira, 5 Abril, 2007

FALADO E ESCRITO

foto de GUGA MELGARPedro Cardoso volta a interpretar o desempregado que fala sozinho em 'O Autofalante', a partir de hoje no Teatro das Artes. Em seu surto, o hilariante personagem passa a não suportar a própria companhia. O ator, que chega de temporada de sucesso de Portugal, lança em livro o texto da peça, coisa que já fizera, em edição bem cuidada, com 'Os Ignorantes'.

REPAGINADO

Feliz da vida, o 'Supercênico' inaugura novo visual, com vinheta que remete a palavras sobre o que importa por aqui: o teatro. Criação do designer Toni Azevedo. Valeu, Toni!

Quarta-feira, 4 Abril, 2007

DUAS VEZES VAN GOGH

Enquanto Carolina Kasting e Maurício Grecco seguem em temporada de 'adoração' a Van Gogh naBRUNO GAGLIASSO EM FOTO DE ISABELLA KASSOV peça 'Van Gogh - O Amarelo Aumenta Todos os Dias', no Teatro do Jockey até o fim do mês, eis que surge a notícia: Bruno Gagliasso também pretende se dedicar ao célebre pintor holandês nos palcos. Como? Interpretando-o na peça 'Um Certo Van Gogh' que deve estrear em São Paulo e depois seguir em temporada nacional. No ar como um bad boy na novela 'Paraíso Tropical', o ator parece mesmo disposto a arriscar-se...

IMPÉRIO NA BERLINDA

O ti-ti-ti no 'Império' de Miguel Falabella continua. Os atores, há dois meses sem receber salário, MIGUEL FALABELLA EM FOTO DE ISABELA KASSOVganharam uma data para o provável acerto de contas: dia 10, segundo a assessoria de imprensa da montagem. Seria bom mesmo que o pagamento ao talentoso elenco que conta com Stella Miranda e Claudia Netto fosse efetuado. Quanto ao autor/diretor, bem, Falabella pediu demissão do cargo de gestor da rede municipal de teatros, que ocupava desde 2003. Revelou que 'Império' não fatura nem R$ 500 por noite no Carlos Gomes e que, do dinheiro que a Prefeitura daria para pagar a orquestra, só recebeu R$ 46 mil. Segundo ele, foram captados R$ 250 mil pelo ISS, metade do que seria permitido e não foi liberado para a peça. Falabella garante ter dado R$ 100 mil do próprio bolso para viabilizar o musical e, no meio de todas as confusões de verba, nem o fim da temporada está acertado. Há quem diga que fica só até o fim do mês.

MEDÉIA REMIX

A ATRIZ JULIANA GALDINOMedéia, mítica personagem brilhantemente interpretada por Renata Sorrah em 2004, reaparece em terras cariocas. Estréia amanhã no Sesc Copacabana o espetáculo 'Traço - Observações Sobre Medéia', produção que celebra o sexto ano do Grupo Odradek. A peça fala de emoções primitivas, amor e desejo, tudo partindo de uma reinvenção do confronto entre Medéia e Jasão. Importante: os personagens da montagem vivem nos dias de hoje. No Teatro Maria Clara Machado, é uma ex-Medéia quem dá as caras. Juliana Galdino, que levou o Shell de melhor atriz em 2002 como a personagem de Eurípedes sob direção de Antunes Filho, estréia o monólogo 'Anátema' na sexta-feira. A proposta da encenação é a subversão. Como? Juliana vive uma serial killer, que fala de suas motivações. A peça vem de temporada em SP.

Terça-feira, 3 Abril, 2007

DON BANDERAS

Banderas durante pré-estréiaE então quando se menos espera, ele reaparece. Antonio Banderas, cujo último papel mais significativo foi em 'A Lenda de Zorro', além das dublagens para 'Shrek', vai dar expediente na Broadway, no início do ano que vem. Ele interpretará Don Juan num musical que marcará sua volta aos palcos nova-iorquinos após quatro anos. Johnny Depp já se apropriou do personagem no cinema em 1995, recém-passado dos 30 anos. Banderas tem 46 e, na babagem, mais de 10 anos de casamento com a loura plastificada Melanie Griffith. Será que ainda faz bonito como galã?

MÔNICA E LEONA EM SAMPA

LEONA CAVALLI/DIVULGAÇÃO José Paulo Cardeal Duas boas notícias para os paulistanos: após dois anos de sucesso no Rio, a comédia 'Os Homens São de Marte e é Pra Lá Que Eu Vou' estréia em Sampa, no Procópio Ferreira, dia 14. MONICA MARTELLI/DIVULGAÇÃOMônica Martelli dá um show como a trintona em busca do homem ideal e deve repetir em SP o êxito carioca. Um pouco antes, dia 10, Leona Cavalli (a inesquecível Blanche Dubois da montagem brasileira de 'Um Bonde Chamado Desejo', em 2002), lança por lá na livraria Vila Lorena o audiolivro 'Contos de Agora', em que lê textos de 21 autores contemporâneos brasileiros.

Segunda-feira, 2 Abril, 2007

UMA NOITE COM A DOCE CHARITY

Bye, bye, São Paulo, a doce Charity agora será dos cariocas. O domingo foi de despedida para Claudia Raia no programa do espetáculoClaudia Raia e seu elenco de 27 atores e bailarinos no Citibank Hall. Uma noite quente, de triunfo absoluto de um dos musicais mais bem produzidos da história do País. Visto por mais de 100 mil pessoas na capital paulistana, ‘Sweet Charity’ estréia no Vivo Rio dia 20 de abril. Estive na última noite em Sampa da adorável prostituta inspirada no felliniano ‘Noites de Cabíria’ e adianto o que acontece na montagem com versão brasileira de Claudio Botelho e direção de Charles Möeller, mais uma parceria de realização notável da dupla.
Fotos do programaO grande barato da encenação que tem luxuoso programa (como se pode conferir nas fotos) é a frenética coreografia original de Bob Fosse, que ganhou fantástica recriação de Alonso Barros, responsável por quatro números inéditos. Cada acorde da orquestra de 13 músicos é acompanhado de movimentos hipnóticos dos bailarinos da boate ao som das músicas de Cy Coleman. O charleston vira samba para a protagonista brilhar e o público, extasiado, pede mais. Jogo ganho também no luxuoso cenário, com direito a elevador, palco lateral para a orquestra e outro retratando uma ponte — réplica do Central Park.
Foto do programaClaudia Raia canta, encanta e mostra que sabe o que fazer com as enormes pernas que Deus lhe deu como a prostituta de bom coração. Marcelo Médici, como o desajeitado Oscar, faz rir, emociona, ganha aplausos em cena aberta. Acho que é hora de fechar as cortinas com a promessa de voltar a falar sobre Charity quando ela estiver por aqui.