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André Gomes

Quinta-feira, 31 Maio, 2007

VALORES DE LIZA

Vejam os preços salgadíssimos para o show de Liza Minelli no Citibank Hall. Os camarotes saem a R$ 500, mesmo preço das mesas do setor vip e do setor palco. As do setor especial saem a R$ 400. O valor mais barato é da mesa lateral, a R$ 250. Acompanhada de 17 músicos, Liza - queridíssima entre o público gay de meia-idade - vai misturar sucessos da Broadway no show. Aos 61 anos, a diva americana nem pensa em passar imagem de ultrapassada. Já andou declarando que curte o som do Maroon 5. Pô, Liza, tem coisa bem melhor por aí, vai...

HORA DE LEVANTAR POEIRA

Logo, logo, o charmoso Teatro Poeira voltará a ter suas proprietárias em cena. Marieta Severo e Andréa Beltrão, que nesta foto posam nas cadeiras do espaço, na ocasião de sua inauguração, há quase dois anos, ensaiam a peça 'As Centenárias', de Milton Moreno. O espetáculo de estréia de ambas no Poeira foi 'Sonata de Outuno', de Bergman, sob direção de Aderbal Freire-Filho.

BAIXIO É BESTEIRA

Depois de assistir ontem ao tão falado novo filme de Cláudio Assis, diretor do merecidamente aclamado 'Amarelo Manga', fica impossível resistir ao apelo de comentá-lo: 'Baixio das Bestas' é um filme besta. E baixo, com cenas de sexo gratuitas, filmadas precariamente. Panfletário e inconsistente, sofre de roteiro pobre e masturbação intelectual, como na cena em que Matheus Nachtergaele olha para a câmera e diz que 'no cinema, a gente pode tudo'. Besta, e só.

Terça-feira, 29 Maio, 2007

OS DEMÔNIOS DE ABU E DOSTOIEVSKI

Depois da parceria de sucesso no instigante 'A Senhora Macbeth', com Marília Gabriela, Antonio Abujamra e Hugo Rodas voltam a trabalhar juntos, agora na peça 'Os Demônios', clássico de Dostoievski. O espetáculo estréia dia 7 no Teatro 2 do CCBB-Rio reunindo 21 atores. Apontado como 'o romance da crise', 'Os Demônios' é inspirado em fatos reais: a tentativa fracassada de revolução, liderada pelo jovem Nietchaiev e pelo anarquista Bakunin, em 1869. O texto mistura diálogos políticos e questionamentos místicos e enxerga na falta de fé e de preceitos morais a presença do mal na sociedade. Para Dostoievski, um homem descrente não vê limites. "Se Deus não existe, eu sou livre e tudo é permitido", diz o autor através do personagem Kirilov.

O NOME DELE É SACHA

O rapaz aí da foto, cercado por mulheres, é Sacha Bali. Seu talento pode ser conferido desde sexta-feira na sala multiuso do Sesc Copa, onde protagoniza o espetáculo 'Pão com Mortadela'. Sim, ele faz um alter-ego do Bukowski, autor do texto. Em cena, a infância e adolescência do escritor maldito, bem na época da recessão pós-1929 nos Estados Unidos. O espetáculo, com ingresso a apenas R$ 6, é ágil, dinâmico, divertido, e leva a assinatura de João Fonseca na direção. Bali, além de atuar, é o responsável pela adaptação da peça com João. Produtores de elenco televisivos que estão à caça de talentos no teatro, prestem atenção no rapaz: ele tem carisma, voz e ótimo domínio cênico.

Sexta-feira , 25 Maio, 2007

QUEM VOTA É O PÚBLICO

O ELENCO DA PEÇAO teatro se reinventa em São Paulo, pegando carona na onda interativa. No musical 'Garota Glamour', que estreou quinta-feira no Teatro Nair Bello, o diretor Wolf Maya faz uma homenagem à TV dos anos 60 com a ajuda do público. A montagem mostra um concurso de talentos, onde belas jovens exibem suas aptidões artísticas e recebem votos da platéia e dos telespectadores. No fim, uma delas leva o prêmio Garota Glamour do ano. O bacana é que quem vota é o próprio público da peça. O teatro, recém-aberto, ganhou o nome da saudosa Nair Bello por intermédio de Wolf.


NADA DE DESPEDIDAS

Os produtores teatrais podem reclamar, mas a longevidade de algumas peças mostra que o público, quando o boca-a-boca é positivo, comparece. Duas peças resolveram prorrogar suas temporadas e outra vai voltar à cena. O monólogo 'Não Sou Feliz Mas Tenho Marido' ganha, merecidamente, uma esticadinha até 29 de julho no Teatro Clara Nunes - Zezé Polessa está podendo. Já o musical-sensação 'Sassaricando' continuará a alegrar a platéia do João Caetano com suas marchinhas até 24 de junho. Palmas para eles. Mas e quanto a qual volta? Bem, acredite se quiser, 'Império' reestreará no Carlos Gomes no dia 7, depois de sobreviver a problemas na folha de pagamento, no patrocínio e até com a comentada participação de Miguel Falabella fazendo piada sobre o projeto Domingo é Dia de Teatro a R$ 1 em cena. O Império contra-ataca...

Quinta-feira, 24 Maio, 2007

ELA NEM PENSA EM FALAR MAL DA ROTINA...

Há cinco anos em cartaz com o monólogo 'Parem de Falar Mal da Rotina', Elisa Lucinda nem pensa em aposentá-lo. A atriz leva-o na babagem de sua viagem à Europa, onde mostra suas poesias, retiradas dos livros 'O Semelhante', 'Eu te amo e suas estréias' e 'A Fúria da Beleza'. Dia 28, se apresenta em Barcelona. Dia 4, faz recitais na Holanda. A estréia em Lisboa está marcada para o dia 13 e a cidade do Porto a recebe dia 29. No monólogo, Elisa lança olhar bem-humorado e sincero sobre a rotina e a poesia nela contida. Ela interpreta 57 personagens. A julgar pela longevidade da montagem, ela, é claro, nem pensa em falar mal da rotina...

Quarta-feira, 23 Maio, 2007

'MISS SAIGON' ESTRÉIA EM JULHO EM SÃO PAULO

Já tem data de estréia em São Paulo a superprodução 'Miss Saigon': será dia 12 de julho, no Teatro Abril. O musical, baseado em história real, já foi encenado em 12 línguas e visto por mais de 33 milhões de pessoas em 25 países. Inspirado na ópera 'Madame Butterfly', a história de amor impossível de Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg é dos mesmos produtores de 'Cats', 'Les Misérables' e 'O Fantasma da Ópera'. O cenário vai recriar as ruas de Vietnã e Bangcoc. O fantástico vôo final do helicóptero do teto da embaixada americana será conseguido através de um espetacular efeito visual. Claudio Botelho, conforme adiantou no post inaugural deste blog, assina as versões das canções para o português. As fotos da montagem brasileira ainda não estão liberadas. Essa que vocês vêem é da produção americana de 2002, com o encontro entre o militar americano e a jovem asiática.

CARTAS DE AMOR

As cartas trocadas entre Anton TchekovTchekov e Olga em foto de 1901 e a atriz Olga Knipper vão virar peça, pelas mãos do autor e diretor David Herman. 'Anton & Olga' estréia dia 1º, no Teatro de Arena da Caixa Cultural. Paulo Trajano e Marina Henriques dão vida ao casal protagonista de uma história de amor vivida entre 1899 e 1904. A relação, de muitas idas e vindas, foi curiosa: o casal pouco se viu durante esses seis anos. Ele, sofrendo com a tuberculose, precisava viver no clima ameno de Yalta. Ela, requisitada atriz do Teatro de Arte de Moscou, tinha trabalho de sobra na companhia e, encorajada por ele, pouco se afastava dos compromissos cênicos. Vale a expectativa alta: as cartas trocadas entre o casal eram lindas, assim como as peças do grande dramaturgo russo.

Segunda-feira, 21 Maio, 2007

BECKETT E OS JOGOS DE PODER

Um sábado chuvoso tornou o mezanino do Espaço Sesc grande para o pouco público que enfrentou o mau tempo rumo ao teatro a fim de ver a peça ‘Fim de Partida’, que havia estreado um dia antes. Na platéia, Marília Pêra assistiu, atenta, à montagem muito bem dirigido por Pedro Brício para o texto de Samuel Beckett.ISABEL CAVALCANTI E GUIDA VIANNA
Definida pelo próprio autor como uma comitragédia, a peça se passa num bunker, abrigo de um mundo em destruição, onde dois personagens se enfrentam verbalmente num caótico jogo de poder. Guida Vianna, ótima, é o senhor que faz o servo vivido com humor por Isabel Cavalcanti sofrer o pão que o Diabo amassou. É inevitável assistir ao espetáculo e não refletir sobre as próprias relações de poder nas quais estamos mergulhados, afundados mesmo, sem perceber. A luz da peça, do Tomás Ribas, contorna a montagem de algum suspense e o texto, delirante e de certa forma hermético, não é para todos os públicos. Mesmo assim, ‘Fim de Partida’ alcança seus fins pairando sobre temas como a solidão e a impotência humanas.

Quarta-feira, 16 Maio, 2007

MARATONA TEATRAL NOS 10 ANOS

PEÇA VIDA, O FILMEA companhia Os Dezequilibrados celebra seus 10 anos. A trupe do diretor Ivan Sugahara enfrenta a maratona de apresentar três peças simultaneamente a partir do dia 18. Às sextas, o espetáculo em cartaz será 'Vida, O Filme'. Aos sábados, 'Últimos Remorsos Antes do Esquecimento'. Nos domingos a atração é 'Combinado'. Sempre no Teatro do Jockey, até 1º de julho.

INSTANTÂNEOS DE FELICIDADE

FOTO DE ROBERT DOISNEAUAnote aí na agenda, porque vale a pena. O CCBB, citado freqüentemente por aqui graças às concorridas estréias de espetáculos teatrais, ganha motivo extra para visitação: a partir de terça-feira, o prédio da Primeiro de Março passa a sediar nova edição do Fotorio. Este ano, a grande atração é a mostra 'Instantâneos de Felicidade', com imagens flagradas por renomados fotógrafos mundo afora, entre eles Robert Doisneau e Cartier-Bresson.

Terça-feira, 15 Maio, 2007

RECEITA DO SUCESSO

Que tal provar receitas feitas no palco? A proposta é da peça 'Mangiare', que estréia hoje no Teatro Maria Clara Machado, onde cumpre temporada às terças e quartas. O grupo Pedras de Teatro investiga o universo da comida sob direção Fabianna de Mello e Sousa, recém-chegada de uma temporada de oito anos no Théâtre du Soleil, de Arianne Mnouschkine.'Mangiare' será dividido em menus, como em um cardápio. No elenco estão Ana Paula Secco, Georgiana Góes e Marina Bezze. As moças preparam salada e nhoque de inhame, além de sobremesa. Aos glutões, um aviso: não vá pensando que é pra encher a barriga: a proposta é de degustação. Bom apetite.

Segunda-feira, 14 Maio, 2007

Versatilidade para um texto com costura matemática

Encarar a maratona de fazer 25 personagens num monólogo é uma faca de dois gumes: por um lado, pode-se colher os louros pelo árduo trabalho de composição; por outro, tamanho esforço pode parecer exercício narcísico. É entre essas duas extremidades que se situam as interpretações de Edwin Luisi na peça ‘Eu Sou Minha Própria Mulher’, desde quinta-feira no Teatro Leblon.
EDWIN LUISIO ator enfrenta com sagacidade a árdua tarefa de viver o travesti Charlotte Von Mahlsdorf (que faz com forte sotaque alemão) e outros 24 tipos que passaram por sua vida. As mudanças de personagens são pontuadas pela ótima iluminação e por singelas manipulações no figurino preto — com uma saia que vira calça. Mas o que torna Edwin ora a tia do travesti, ora seu pai, ora o autor e narrador da peça e, na maior parte do tempo, Charlotte, são sugestões de olhares, postura corporal e voz, num trabalho alucinado, rico e que merece todos os reconhecimentos.
Há, contudo, alguns deslizes do ator que poderiam ser limpos pela direção de Herson Capri e Susana Garcia. Embora a condução da dupla de diretores para a trama do travesti que desafiou o nazismo e o comunismo seja elegante, há exageros na personificação de alguns tipos — como o amante vesgo e um tanto abobado da protagonista — que podem ser retirados. Por vezes, Edwin busca o riso fácil: se fizesse menos, talvez o espetáculo ganhasse em densidade dramática.
Festejado por prêmios como o Tony e o Pulitzer, o texto de Doug Wright que fez carreira no circuito off e on da Broadway ganha montagem carioca que respeita as credenciais: Edwin tem a versatilidade necessária ao espantoso jogo cênico proposto, e o cenário, com duas mesas, cadeira e vitrines com peças que recriam o acervo do museu de Charlotte, de objetos e móveis do século 19, é simples e eficiente. O saldo final é positivo: a peça é um ligeiro painel político da Europa do século 20 a partir da história do homem que viveu como mulher, seguindo ‘códigos de ética de sobrevivência’ próprios durante o comunismo.

Sábado, 12 Maio, 2007

APÓS INTERNAÇÃO, EVA WILMA VOLTA AO PALCO

EVA WILMA/DIVULGAÇÃODepois de Paulo Autran, foi a vez de Eva Wilma, 73 anos, dar um pequeno susto, com sua internação no Hospital Israelita Albert Einstein na quarta-feira, devido a uma arritmia cardíaca. A boa notícia veio rápido: Eva está bem, teve alta e estréia hoje no teatro Renaissance, em São Paulo, a peça 'O Manifesto'. Encenada na década de 80 por José Possi Neto, com Beatriz Segall e Cláudio Corrêa e Castro, a montagem da peça do inglês Brian Clark tem Flávio Marinho como diretor e tradutor. No elenco atual estão Eva Wilma e Othon Bastos. Eles vivem um casal da alta roda inglesa: Edward, um general-de-brigada amante da disciplina; e Margareth, senhora progressista que assina um manifesto de repúdio à guerra no Iraque.

BELO ESPETÁCULO SOBRE A PERECIBILIDADE DO AMOR

O ano é 2100. Rapaz olha para moça e conta que ouviu dizer que o tempo não existe. “É bonito, mas não é verdade”, diz ela. “Porque o tempo existe sim, e me devora, mesmo sem eu saber”. A cena protagonizada por um Miramar (Diogo Salles) e uma Cyclone (Luiza Mariani) futuristas é apenas uma entre dezenas de outras emolduradas por pensamentos instigantes na peça ‘O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo’, espetáculo carioca que chega hoje a São Paulo, onde estréia no Sesc Avenida Paulista.
Os atrativos do espetáculo dirigido por Jefferson Miranda são muitos. A começar pelo nome da peça, mesmo título de livro de Oswald de Andrade. Na efervescência cultural que antecedeu a Semana de Arte Moderna de 1922, o escritor colocou no papel memórias da garçonnière que mantinha em São Paulo. O diário, de criação coletiva, foi batizado com o exótico nome e tem como ponto central o amor entre a jovem normalista Maria de Lourdes Castro Pontes e Oswald, na obra identificados com codinomes de Cyclone e Miramar. O diretor Jefferson Miranda e a roteirista Nina Crintzs construíram uma narrativa em três tempos para falar da perecibilidade do amor.
Em 1918, Cyclone ressurge para Miramar, mas sua partida já é anunciada. Em 2006, um casal em meio à partilha de bens encontra fotos e anotações sobre a vida amorosa dos amantes do século anterior. Já em 2100, o primeiro casal, agora futurista, tenta se entender num tempo em que memória emocional se perde dia-a-dia.
Defendendo o primeiro e o último casal, Diogo Salles e Luiza Mariani (na foto) têm empatia — com destaque para a atriz, que cativa e seduz a cada nova aparição em composição esmerada. O tom interpretativo naturalista serve ao espetáculo mas é de uso por vezes exagerado. O belíssimo cenário assinado por Flávio Graff tem como ponto alto uma cerejeira em flor. Com figurinos inspirados, trilha sonora agradável e bom uso da luz, ‘O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo’ é experiência teatral rica e atmosférica.

ETERNAMENTE 'CÓCEGAS'

INGRID E HELOÍSA NA PEÇASugestão para Ingrid Guimarães e Heloisa Perissé: já está na hora de acionar o prazo de validade. A divertida dupla de comediantes encena mais uma vez a peça 'Cócegas', desta vez no Canecão, hoje e amanhã, e agora comemorando seis anos da montagem de estrondoso sucesso. Tudo bem, 'Cócegas' fez Ingrid e Heloísa, deu-lhes fama e dinheiro, mas acho que está na hora de elas largarem o osso. As atrizes contabilizam público de 2 milhões de pessoas para a peça de esquetes. Vi quando começou timidamente ali no Candido Mendes, teatro pé-quente. É um espetáculo de humor fácil e inteligente, com tipos bem construídos, como a mulher que fala demais e não tem respostas do marido ou as célebres amigas 'cachorronas' da noite. Mas onde estão as novas idéias da moças, ora? Na TV também não estão, já que o 'Sob Nova Direção', embora simpático, já teve dias melhores. Que venham as peças inéditas!

SOL, SANGUE E SONHO COM SUASSUNA

GUSTAVO FALCÃO/DIVULGAÇÃOA bonita foto ao lado é do ator Gustavo Falcão na peça 'Ariano', em cartaz no CCBB desde quinta-feira. O espetáculo foca na trajetória do escritor paraibano Ariano Suassuna através de importantes personagens de suas obras. O texto é de Gustavo Paso e Astier Basílio e a direção fica a cargo do primeiro. No elenco, 14 atores da Cia Epigenia Arte Contemporânea.
A peça segue o mesmo conceito estrutural da Divina Comédia, de Dante: está dividida em Sol (Inferno), Sangue (Purgatório) e Sonho (Paraíso), estágios que Ariano tem que ultrapassar para voltar à fazendo de Acauã. Gustavo, que esteve tão bem no injustiçado 'A Máquina', de João Falcão, integrou o elenco meio de última hora substituindo Jackson Antunes, primeiramente escalado.

MONÓLOGO ENTRE AMIGOS

MAITÊ E EDWIN/AG.NEWSEdwin Luisi recebeu o carinho de amigos como Maitê Proença na estréia de seu monólogo, 'Eu Sou Minha Própria Mulher', quinta-feira, no Teatro Leblon. Além dela, estiveram por lá Silvia Pfeiffer, Lucinha Lins, Paulo César Grande, Claudio Botelho, Charles Möeller e três famosos travestis: Rudy, Jane di Castro e Rogéria. O presença do trio não era casual, já que a peça tem como protagonista Charlotte, homem que viveu como mulher na Alemanha e enfrentou o nazismo e o comunismo. Com figurino único, ele interpreta o travesti e outros 24 personagens. Faz os alemães com forte sotaque, o que causa estranhamento inicial mas depois serve à cena, e compõe os americanos em português mesmo. Impressiona a fantástica versatilidade do ator, que só peca pelo exagero, compondo alguns tipos de forma a obter riso fácil. A peça foi sucesso na Broadway e estréia por aqui sem patrocínio. Edwin comprou seus direitos a dois anos e foi ovacionado após a estréia. A crítica completa do espetáculo estará segunda-feira no Caderno D e, logo após, aqui no Supercênico. Até lá.

Quinta-feira, 10 Maio, 2007

PARA NÃO PERDER A RAZÃO

FOTO DE EMMANUELLE BERNARDUm projeto que parece bastante simpático e instigante toma conta da Casa da Gávea. É a peça 'A Arte de Ter Razão', livremente inspirada na obra homônima do filósofo Arthur Schopenhauer. A obra, em si, é provocativa por princípio, ao apresentar a razão como resultado de artifícios: ela estaria do lado de quem tem maiores recursos de argumentação. Em dias de competitividade absurda, tal montagem teatral deve despertar bastante interesse. No livro, Schopenhauer apresenta 38 estratagemas aos quais se pode obter para ter razão. Defendendo tais idéias no palco estão Helena Varvaki, Isaac Bernat e Thais Tedesco, sob direção de Vitor Lemos, com texto de Manoel Prazeres. O livro que inspira a peça está disponível pela editora Martins Fontes em edição de bolso.

O VELHO PAPO DO UNIVERSO FEMININO

De uns tempos para cá, a frase ‘sobre o universo feminino’, quando utilizada para explicar do que se trata uma peça ou filme, causa-me certa desconfiança. Foi um pouco assim que, sexta-feira, estive no Teatro Maria Clara Machado para a estréia do espetáculo ‘Anjos Urbanos’. No fim da sessão, a sensação de que vale a pena desconfiar um pouco de tais enredos.
O texto de Rosane Svartman coloca em cena duas amigas de longa data, num reencontro para acerto de contas que pretende refletir sobre as frustrações de quem passou dos 30 sem vencer na vida. O recheio quer ser engraçado e utiliza situações como a dor de uma delas por não ter sido chacrete (?) ou atriz. Acaba ficando deslocado, não tão engraçado, tampouco profundo. Há, contudo, algumas piadas boas, muitas delas apoiadas na interpretação acertadamente ‘over’ que Anna Markum dá a sua personagem perua. Já Juliana Martins acaba meio apagada, coisa que a direção burocrática de Isabel Diegues — que coloca as duas o tempo todo em torno do sofá — não ajuda.
A peça, que começa mal, engrena e tem boa virada quando a dupla percebe que vai morrer e desacelera — finalmente deixando cair suas máscaras —, teria melhor rendimento se fosse assumidamente uma comédia sem compromisso de ter conteúdo. As reflexões a que se propõe são boas, mas a contrução delas, no texto, é bastante simplória. O saldo final é mediano, com nada de novo colocado no tema ‘solteiras trintonas em busca de um sentido na vida’. Diversão ligeira.

Quarta-feira, 9 Maio, 2007

A 14ª edição do festival de teatro Porto Alegre em Cena, que será realizada entre 10 e 30 de setembro, vai contar com a participação de Regina Duarte. A atriz apresentará o REGINA DUARTE EM CORAÇÃO BAZARespetáculo 'Coração Bazar' do dia 12 ao dia 15 por lá, no Theatro São Pedro. O festival terá ainda Antunes Filho, que leva a peça 'A Pedra do Reino'. 'Les Éphémères', de Ariane Mnouchkine, é uma das montagens mais aguardadas do evento. O espetáculo do Théâtre du Soleil, importante companhia de teatro francesa, tem no elenco Juliana Carneiro da Cunha. O Théâtre du Soleil chega ao Brasil com 70 membros e 11 contêineres de equipamento.

O sucesso de 'Soppa de Letra', com Pedro Paulo Rangel, continua a render frutos. A peça, que terminaria domingo passado, foi prorrogada na Caixa Cultural, onde fica até dia 27.

Terça-feira, 8 Maio, 2007

CRÍTICA AMERICANA PREMIA O DRAMA 'THE COAST OF UTOPIA'

A PEÇA THE COAST OF UTOPIAForam anunciados ontem os vencedores do The New York Drama Critics' Circle. A grande vencedora da crítica americana foi a peça 'The Coast of Utopia' (A Costa da Utopia), um dos espetáculos mais badalados desta temporada na Broadway. A trilogia de Tom Stoppard segue um grupo de intelectuais, jornalistas, críticos, filósofos e poetas russos que, na metade do século 19, buscam a liberdade, tentando derrubar o czar. A montagem faz sucesso apesar de sua peculiariedade: as três peças da trilogia estão sendo encenadas ao mesmo tempo, em dias alternados. Apesar disso, o público vai e volta para ver as outras duas partes, sem reclamar. Nas montagens sobre os pioneiros do socialismo e do comunismo, o personagem central da trama é o russo Alexander Herzen, exilado na Inglaterra durante muitos anos. O ator Ethan Hawke, conhecido mundialmente por filmes de sucesso em Hollywood, está no elenco.

O ELENCO FEMININO DA PEÇA/DIVULGAÇÃOSucesso no Rio, a peça 'Escravas do Amor' segue para o Teatro Municipal de Niterói no fim de semana, de sexta a domingo. As histórias folhetinescas de Nelson Rodrigues são encenadas pelos Fodidos Privilegiados com participação de Sergio Marone e Juliana Barone. Adaptação e direção estão a cargo de João Fonseca. Ambientado na década de 40, o espetáculo narra a misteriosa morte de um rapaz no momento em que ele pede a mão de uma jovem em noivado. A hipótese de suicídio é cogitada, mas uma revelação bombástica muda o rumo das investigações.

Segunda-feira, 7 Maio, 2007

AS MULHERES DE EDWIN

Sim, esse é Edwin Luisi, caracterizado para sua nova peça, 'Eu Sou Minha Própria Mulher'. A EDWIN LUISE COMO O TRAVESTI CHARLOTTE EM FOTO DE DIVULGAÇÃOestréia será quinta-feira no Teatro Leblon e o ator interpreta nada menos que 25 tipos, todos orbitando o universo de Charlotte Von Mahlsdorf, travesti que protagoniza o espetáculo. A personagem realmente existiu, enfrentou o nazismo e passou pelo comunismo mantendo em funcionamento um cabaré gay. A peça foi sucesso recente na Broadway e faturou vários prêmios. Não é a primeira vez que Edwin se traveste: em 'Tango Bolero e Cha Cha Cha', peça de 2000, o ator interpretou o transexual Lana Lee, e deu show à parte

A noite pede um pouco mais de Brecht, digo isso ao lembrar ainda de trecho do espetáculo O Homem Vivo: 'Duas almas moram no teu peito humano/ nas entranhas tuas/ Evita o insano/ esforço da escolha/ precisas das duas/ Pra ser um, amigo/ deves ter contigo/ conflito incessante/ um lado elevado, bonito, elegante/ o outro, enfezado/ e sujo, aos molambos.BERTOLD BRECHT Tal passagem de Brecht alude a um trecho do Fausto, de Goethe, e diz respeito à coexistência de duas almas em nosso peito. Em resumo: não podemos renunciar a nosso lado 'baixo', tampouco podemos ficar apenas com o lado 'elevado'. Precisamos dos dois. Brecht sabia das coisas...

MINUTOS DE SABEDORIA

CAMILLA AMADO E ORÃ FIGUEIREDOAnote aí, pois vale a aposta: em cartaz desde sexta-feira no Sesc Copacabana, a peça 'O Homem Vivo' tem tudo para ser a nova 'A Alma Imoral'. O espetáculo reúne poemas de Bertolt Brecht, ditos por Camilla Amado e Orã Figueiredo com o luxuoso acompanhamento de João Carlos Assis Brasil ao piano. Ele executa obras de Schumann, Brahms, Kurt Weill e outros compositores, numa atmosfera mágica em que os textos de Brecht costuram ensinamentos e levam a reflexões sobre a vida. É poético, instigante e muito bem conduzido pela direção de Delson Antunes. É pena que Camilla, ao menos no sábado, não tenha mostrado total segurança do brilhante texto, esquecendo algumas falas e mostrando problemas na voz. Fica a torcida para que os tropeços sejam superados, já que o belo espetáculo tem em Orã um porta-voz magnífico do pensamento brechtiano. A dupla de atores brilha num trabalho delicado e comovente.

Quinta-feira, 3 Maio, 2007

TEMPORADA DE MARCHINHAS NO JOÃO CAETANO

Yes, nós temos banana. E temos as marchinhas. Depois de bem-sucedida temporada no Sesi, onde estreou em janeiro, o musical ‘Sassaricando — e o Rio Inventou a Marchinha’ ocupa hoje o Teatro João Caetano. O espetáculo, que reúne cerca de 100 marchinhas selecionadas a partir de rica pesquisa feita pelo jornalista Sérgio Cabral e a historiadora Rosa Maria Araújo, teve noites apoteóticas em sua primeira temporada, com público cantando junto, o que levou-o à condição de peça do verão.
O ELENCO DE SEIS-ATORES CANTORESOs motivos para tal êxito são muitos. Cabral e Rosa Maria dividiram a montagem em 10 blocos, nos quais passeiam marchinhas que dialogam entre si, contando histórias que remetem ao comportamento social e político do Rio de Janeiro dos anos 1920 aos 70. Quem dá verniz dramático aos números é o diretor Claudio Botelho, emprestando à encenação atmosfera sofisticada que foge do clichê ‘dedinhos para cima’.
O diretor musical Luis Filipe de Lima recriou os arranjos num trabalho delicado, que mantém o espírito original de canções como ‘Chiquita Bacana’ e ‘Maria Sapatão’. ‘Alá-la-ô’ recebe hilária introdução falada por Juliana Diniz, seguida por ‘Tomara Que Chova’, com guardas-chuva que emprestam graciosidade às fantásticas coreografias de Renato Vieira.
O belo cenário que remete a um baile ‘art-déco’, de Charles Möeller, os vistosos figurinos de Marcelo Marques e a banda de sete músicos são outros pontos altos. Luxo que se observa também no elenco, no qual Soraya Ravenle prova que é a maior atriz-cantora dos musicais brasileiros. Sabrina Korgut brilha na interpretação de ‘Marcha da Quarta-Feira de Cinzas’ e o elenco masculino exala humor, nas gaiatas performances do ótimo Eduardo Dussek e de duas revelações do samba carioca: Pedro Paulo Malta e Alfredo Del-Penho, ambos muito à vontade em cena. Festa para olhos e ouvidos, ‘Sassaricando’ é um balanço alegre e comovente de um Rio mais feliz.

Quarta-feira, 2 Maio, 2007

CAPITALISMO SELVAGEM

Filme elogiado dirigido por Marcelo Piñeyro, 'O Que Você Faria?' ganha os palcos paulistanos, desta vez sob o título 'O Método Grönholm'. A peça espanhola reúne quatro candidatos a um cargo numa multinacional. Eles se submetem a avaliações cruéis, num esquema de competitividade absurda. Taís Araújo e Lázaro Ramos estão no elenco, pela primeira vez juntos no palco, e dividem cena com Edmilson Barros e Angelo Paes Leme. No cinema, o texto do catalão Jordi Galcerán foi estrelado pelo galã Eduardo Noriega. Taís fez questão de estrelar a montagem brasileira pois ressentia-se da ausência de papéis de executivas para negras. No Teatro das Artes paulistano.


TEATRO NO CINEMA

O ELENCO DA PEÇATeatro no cinema. Esta é a proposta da peça 'Comédia em Pé', que ocupa a sala 17 do UCI New York City Center a partir de sexta-feira. Cláudio Torres Gonzaga, Paulo Carvalho, Fábio Porchat e Fernando Caruso (ambos do 'Zorra Total') interpretam textos próprios com piadas baseadas em situações do cotidiano. Antes das sessões, rola improviso com banda de jazz e um bar venderá chope para o público. 'Comédia em Pé' segue o formato do pocket show 'Stand Up Comedy'.

DEU BRANCO

Miguel Falabella esqueceu o texto na peça 'Império' domingo e não teve dúvidas: colocou um caco em cena, dizendo que já que era dia de sessão a R$ 1, não havia problema. O valor baixo, segundo a piada dele, não o obrigava a decorar o texto do personagem recém-assumido, Dom João VI. O público riu, mas não teve graça. O texto é do próprio Falabella e fazer chacota com o projeto Domingo é Dia de Teatro a R$ 1, com o público consumidor do projeto presente, foi mancada. Esquecer o texto é absolutamente normal e cabe ao artista lidar com isso da melhor forma. Na estréia de 'Sweet Charity' no Vivo Rio, por exemplo, Claudia Raia esqueceu parte de uma letra, no número da cartola, e os espectadores nem repararam. O profissionalismo dela dá resultados: a partir deste sábado, o musical ganha sessão extra aos sábados, às 17h, devido ao sucesso. Palmas para ela.

Terça-feira, 1 Maio, 2007

PRETA ENTRE GIANE, PEÇA E NOVELA...

A sempre polêmica Preta Gil, que estará na novela 'Caminhos do Coração', da Record, aproveitará as gravações no Rio para trazer à cidade mês que vem o espetáculo 'Um Homem Chamado Lee'. No musical, ela entoa 16 músicas de Rita Lee e interpreta um travesti. Dirigida por Rodrigo Pitta (o mesmo de 'Casas de Cazuza'), a peça fez sucesso em Sampa graças ao enredo provocativo: o travesti seqüestra a roqueira e a mantém em cativeiro, com o objetivo de tomar o lugar da cantora. Em seu blog, Preta aproveitou o feriado para falar sobre sua 'relação' com Reynaldo Gianecchini - há quem acredite em namoro.GIANECCHINI E PRETA GIL EM FOTO DE MARÇO DE 2007
"Em relação à minha vida pessoal, eu digo com muita, mas muita felicidade, que estou solteira, e que não comento minha relação com Giane, pois acredito que seja um assunto nosso. Giane não é um trófeu que queira colocar na minha pratileira e sim um grande amigo que ganhei, o que vivemos é da nossa intimidade. Para mim o mais importante é tê-lo como um grande amigo, parceiro pra todas as horas", disse. Voltando à peça, a estréia está prevista para o Teatro das Artes.

NOSSA SENHORA DO TEATRO

A grande dama do teatro brasileiro, que anda sumida dos palcos - nos últimos anos bem mais DIVULGAÇÃOdedicada ao cinema - dá nome a um projeto popular de artes cênicas. A Oficina Escola Nossa Senhora do Teatro Fernanda Montenegro oferece 120 vagas gratuitas para aulas de teatro na Central do Brasil. A direção é de Ricardo Andrade e mais informações podem ser obtidas no www.nossasenhoradoteatro.com ou pelo telefone 3773-8375.

AMOR ANIMAL

Sucesso da Broadway, a comédia 'A Cabra ou Quem é Sylvia?', de Edward Albee, vai ganhar O FILME ANIMALADAmontagem nacional dirigida e adaptada por Jô Soares. No papel do homem que se apaixona por uma cabra deve estar José Wilker. Aos curiosos, a lembrança de que a relação 'amorosa' entre homem e animal já foi tema de filme recente. Em 2001, veio do cinema argentino a pérola 'Animalada', em que o excelente Carlos Roffé cai de amores por sua ovelha.