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André Gomes

Quinta-feira, 28 Junho, 2007

NOVAS INSANIDADES

Mesmo quem nunca viu os espetáculos da galera do Terça Insana ao vivo já se acabou de rir com eles em DVD ou mesmo no youtube, que armazena várias esquetes de sucesso com os humoristas. No sábado e domingo, o consagrado projeto de humor paulistano chega ao Canecão com seu novo espetáculo, ‘Ventilador de Alegria’. No elenco estão Grace Gianoukas e Roberto Camargo — fundadores do show de humor —, Agnes Zuliani, Guilherme Uzeda e Marco Luque.
Aline Dorel, a personagem viciada em Lexotan vivida por Gracie, está de volta à cena, bem como Betina Botox, garoto modernoso e cheio de atitude vivido por Camargo. Aquisição recente da trupe, Marco Luque acata na personificação de tipos como Mari Help, faxineira que dá expediente em três empregos e tem visão muito peculiar para a solução de problemas domésticos. Para os internautas, uma dica: ver e rever Luis Miranda no youtube como a socialite bêbada e deslumbrada Sheila e a líder comunitária de favela Dona Edith nunca é demais. Vida longa aos insanos do Terça!

Quarta-feira, 27 Junho, 2007

AMOR MADURO EM CENA

A comédia 'Há Um Homem na Minha Casa' estreou timidamente, mas emplacou: acaba de prorrogar temporada no Teatro Ipanema, onde fica até o dia 2 de setembro. O público alvo é o que mais vai ao teatro: as senhorinhas das vans, sim, senhor. Tudo porque a trama gira em torno do envolvimento entre dois idosos, vividos por Suely Franco e Bemvindo Sequeira. O encontro dos dois se dá quando ela se sente ameaçada pela presença de um estranho em casa e liga para o distrito policial. Mas a sinopse não é confiável: há uma surpresa no final que explica de fato a trama escrita por Chico Anysio e Elano de Paula sob direção de Rogério Fabiano. Outra peça indicadíssima à terceira idade é 'Um Barco Para o Sonho', que estréia nesta sexta no Maison de France, com Tônia Carrero e Mauro Mendonça vivendo uma história de amor maduro. Tônia, 84 anos, nem pensa em parar de trabalhar e cita o exemplo de longevidade de Dercy Gonçalves.

I GOOGLE MYSELF


Que Google virou verbo na linguagem popular, muita gente já sabe. Poucos sabem que foi parar também no teatro, servindo para nome de peça. O espetáculo se chama 'I Google Myself', acaba de estrear em Nova Iorque e revela um homem que descobre ser homônimo de um astro pornô - tudo a partir de uma pesquisa no Google, na qual ele digita seu próprio nome. Ok, como a peça se pretende um suspense algo trash, algo engraçado, reviravoltas marcam presença e denunciam que nada é muito o que parece. Na cola da mania de vasculhar a vida alheia que toma conta dos internautas mundo afora, o texto de Jason Schafer mistura sexo e violência. A foto que ilustra o post une os atores Nathan Blew, o tal astro pornô da trama, e Tim Cusack, seu entrevistador.

Terça-feira, 26 Junho, 2007

HEDDA GABLER: VILÃ OU VÍTIMA?

Atores e diretores têm um cacoete comum ao justificar a opção de montar peças escritas há muito CHRISTINE FERNANDES, MIRIAM FREELAND E EROM CORDEIRO Foto Daniela Dacorso tempo. No caso de ‘Hedda Gabler’, texto do século 19, do norueguês Henrik Ibsen, não foi diferente. Christine Fernandes, a protagonista, e o diretor Michel Bercovitch ressaltaram a atualidade da obra, avançando no discurso feminista de que as mulheres, ainda hoje, não estão em condições de igualdade com os homens nos jogos de poder da sociedade. Será? Antes que o leitor seja tomado pela preguiça diante do tema batido, um aviso: na encenação do fantástico texto de Ibsen em cartaz no Sesc Copacabana, não é isso que importa.
Há quem especule que Hedda é um alter-ego de Ibsen disfarçado em trajes femininos. Ela, como ele, queria libertar-se das convenções de uma sociedade repressora: recém-casada com um marido que não ama, faz o que pode para incendiar o cotidiano monótono a que está submetida. Seria má ou apenas vítima de si mesma? Na composição de Christine, salta aos olhos o caráter egocêntrico da personagem e sua total falta de generosidade. Sua Hedda é vilã, quase bruxa no lindo figurino preto de Marcelo Olinto, ora emoldurado por penhoir de mangas bufantes, mas acessível nas maldades. Neste sentido, é quase um Ripley de saias, ou Blanche Dubois, tivesse Blanche se casado. Digna de pena, não de censura.
Bercovitch divide a elegante direção com Floriano Peixoto com belas soluções cênicas, como o uso de quatro cortinas que, fechadas, explicitam o sufocamento de Hedda. A linda luz de Adriana Ortiz ajuda na condução dramática de um espetáculo que se mostra como um duelo: a riqueza de subtextos é grande, o que divide o elenco. Se Christine compõe uma Hedda firme e pouco vacilante, Erom Cordeiro parece não saber o que fazer de seu Eilert Lovborg – com isso a cena de confronto entre o ex-casal perde muito. No papel do marido, Otto Jr. faz bem o tipo inicialmente omisso. Miriam Freeland é outra que se destaca como a Sra. Elvsted, funcionando como contraponto a Hedda, que a inveja pela coragem, enquanto Carlos Gregório empresta humor – talvez um pouco acima da medida – ao juiz. Conselho antes de julgar Hedda: no lugar dela, pense no que seria capaz de fazer.

Sexta-feira , 22 Junho, 2007

TORNEIRAS E TUBOS COMO PROTAGONISTAS

É no mínimo curiosa a proposta da Companhia espanhola Tabola Rassa para encenar o espetáculo 'O Avarento'. Nesta adaptação do clássico de Molière, a água é o objeto da cobiça. Os protagonistas da comédia são torneiras, tubos e mangueiras, recipientes manipulados por dois atores que animam doze personagens. Dias 27 e 28 de junho, no Teatro do Jockey. Em tempos de temor pela escassez de água no planeta, a iniciativa é bem sacada. Resta saber se fica bem resolvido em cena.

CINDERELA REMIX

Cinderela foi parar no teatro adulto. Tudo culpa da peça 'Scabrunska', apresentada no Teatro Sesi desde ontem. O conto de fadas é transformado e encenado pelo diretor Luiz Furlanetto, do sucesso 'Trainspotting', que tantos atores talentosos revelou para os palcos cariocas. No elenco estão atores da Cia. Tragicômica de Teatro. O espetáculo traz mais inovações: o próprio elenco confeccionou o figurino criado por Claudio Tovar e a peça segue em maratona de apresentações durante 11 dias consecutivos, sem interrupção.

Quinta-feira, 21 Junho, 2007

EM DEBATE, O PAPEL FEMININO

Christine Fernandes estréia no Sesc Copa hoje no papel de Hedda Foto de Daniela Dacorso Gabler, clássica personagem de Ibsen, que vive casamento infeliz e deseja se libertar da atmosfera opressora a que é submetida. A direção cabe a Michel Bercovitch e Floriano Peixoto. Por e-mail, Christine comentou brevemente ao DIA sobre a personagem. "A Hedda lida com limites impostos pela sociedade patriarcal da época, no entanto, o tema é bem atual, pois todos, mulheres (ainda!) em especial, sofrem uma dificuldade maior de ocupação de espaços de poder dentro dessa sociedade. Essa peça fala de poder, de desejo de poder, da impossibilidade circunstancial dessa personagem de ter poder. É extremamente atual, já que a roda da 'fortuna' do mundo cada vez mais
globalizado e implacável nos empurra na busca desumana da obtenção desse objetivo. O poder é atemporal. É a roda que gira nossa sociedade." Está dado o recado.

ALGOZ E VÍTIMA

Diretor da comédia de sucesso 'Surto', Cláudio Handrey encara nova empreitada: ele estréia, dia 28, no Teatro Gláucio Gill, a peça 'Nunca Houve uma Mulher como Gilda'. Em cena, a relação entre dois desconhecidos (um seqüestrador e sua vítima). A montagem conta com os atores Luka Ribeiro e Helena Werneck. Aurélio de Simone assina a luz e José Dias, a cenografia.

Quarta-feira, 20 Junho, 2007

OPORTUNIDADE PARA NOVOS DRAMATURGOS

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro resolveu dispensar o registro dos textos a serem apresentados para o Projeto Seleção Brasil em Cena – Concurso de Dramaturgia de 2007. As inscrições estão abertas até 28 de junho. O regulamento do concurso bem como fichas de inscrição estão disponíveis no site da instituição (www.bb.com.br/cultura). O objetivo é fomentar a literatura dramática e o surgimento de novos dramaturgos, através de leituras de textos inéditos de autores brasileiros. Podem concorrer textos de brasileiros natos ou estrangeiros naturalizados. O primeiro lugar ganha R$ 5 mil e a encenação de seu texto pelo CCBB; o segundo R$ 3 mil e o terceiro R$ 1 mil. O projeto é bem bacana e devia inspirar iniciativas parecidas de outras instituições.

Terça-feira, 19 Junho, 2007

EM FAMÍLIA

Dirigida pelo neto Carlos Artur Thiré em peça traduzida pelo filho, Cécil Thiré, Tonia Carrero já tem TONIA CARRERO E MAURO MENDONÇA/ FOTO DE ANDRÉ WANDERLEYdata de estréia para sua nova produção: dia 29. A atriz estrela, ao lado de Mauro Mendonça, o espetáculo 'Um Barco Para o Sonho', de Alexei Arbuzov, no Maison de France. Tem mais. Na ocasião será inaugurada exposição com figurinos dela e fotos da carreira dele. Uma biograria de Mauro Mendonça também será lançada.

PETER PAN NA FOTO

FOTO DE PASCHOAL RODRIGUEZJá falei aqui sobre o musical 'Peter Pan - Todos Podemos Voar', mas agora ele volta ao blog pela foto, que acabou de chegar. Já dá pra ver como será a caracterização de Leonardo Miggiorin como o protagonista. A estréia será dia 27 de julho, no Credicard Hall, em São Paulo, e depois a peça deve seguir para o Rio. São seis dias por semana de ensaio, com cerca de sete horas diárias.

Segunda-feira, 18 Junho, 2007

NEDERLANDS DANS THEATER II RUMO À PERFEIÇÃO

Uma das companhias jovens mais respeitadas no mundo, o Nederlands Dans Theater II mostrou, sábado e domingo no Teatro Municipal do Rio, o motivo de tantos elogios. O elenco multiétnico da companhia holandesa ganhou palmas e gritos calorosos da platéia.
27'52'', coreografia de Jiri Kylián, foi a primeira apresentada e a mais aplaudida. Pudera. É tudo perfeito. A concepção, futurista, é executada ao som de música inspirada em dois temas de Gustav Mahler. A brasileira 'Sob a Pele' também fez sucesso, e o encerramento, com 'Spit', causou arrebatamento com música árabe/israelense, com bailarinos vestidos em figurinos que lhes davam a aparência de bonecos. No Rio acabou, mas em SP tem mais, dias 20 e 21 no Teatro Sérgio Cardoso. BH os recebe dia 23 no Palácio das Artes.

Sexta-feira , 15 Junho, 2007

BEM-AVENTURADO

Na madrugada insone, uma surpresa: a presença de Daniel Boaventura no Jô. O ator, um dos maisO ATOR COM AMANDA ACOSTA EM MY FAIR LADY atuantes na área dos musicais no Brasil, estava lá ontem para falar de seu papel em 'My Fair Lady', em cartaz em São Paulo. Jô o fez cantar, de clássico de Sinatra ('Lady is a Tramp') a imitações de Elvis Presley, passando pela linda 'Misty'. Bacana ver um ator como Daniel, com uma carreira sólida em musicais como 'Chicago', 'A Bela e a Fera', 'Victor ou Victoria' e 'Company', ter seu talento vocal explorado numa entrevista. Pena que, na Globo, ele esteja no ar em 'Malhação'. Merece bem mais. Cadê os produtores de elenco, desesperados à caça de protagonistas para as novas tramas, que não enxergam em Daniel nome de peso?
DANIEL BOAVENTURA EM FOTO DE FÁBIO GONÇALVESEm 'Camilla Baker', o ator mostrou que a comicidade é seu ponto forte. E ainda canta. Canta bem. No bate-papo, revelou que adora se maquiar. Eis nossa foto para comprovar: nos bastidores de 'Camilla', ano passado, flagramos o ator justamente caprichando no make-up antes de entrar em cena. Tomara que 'My Fair Lady' venha para o Rio e a gente possar ver como o ator se sai na pele do professor Higgins. Se não vier, o jeito é ver lá.

Quinta-feira, 14 Junho, 2007

BRINCANDO EM CIMA DAQUILO

Está marcada para 7 de julho a estréia da comédia 'Brincando em Cima Daquilo', com Débora DEBORA BLOCH EM FOTO DE CHRISTIAN GAUL PARA VOGUE RGBloch nos papéis que já foram de Marília Pêra em 1984. A peça do italiano Dario Fo e sua mulher, Franca Rame, trata do universo feminino, e integra projeto do produtor Eduardo Barata, que resolveu remontar 3 espetáculos já protagonizados por Marília. Além da comédia que estréia no Teatro dos Quatro, vêm por aí 'Fala Baixo Senão Eu Grito' (Ana Beatriz Nogueira fez a estréia nacional em Curitiba) e 'Doce Deleite'. A bela imagem com Débora, que ilusta esse post, nada tem a ver com teatro: a escolha, aleatória, se fez pela beleza do conteúdo, e é para desejar boa sorte à atriz.

Quarta-feira, 13 Junho, 2007

À PROCURA DE ULLA


Se você é loura, bonita e sabe dançar e cantar, pode se candidatar a um dos principais papéis da montagem brasileira do musical 'Os Produtores'. Com a saída de Danielle Winits do elenco, a personagem Ulla - vivida por Uma Thurman no cinema - ficou sem escalação. A partir do dia 26 serão iniciadas em São Paulo audições para a seleção de atores, cantores e bailarinos. Um dos mais famosos coreógrafos da Broadway, Chet Walker, responsável pela montagem de sucessos como 'Chicago' e 'Sweet Charity', vem ao Brasil junto com o diretor argentino Ricky Pashkus, o diretor musical e preparador vocal Gerardo Gadelin e a assistente de coreografia Bebe Labougle, para participar, ao lado de Miguel Falabella, da escolha do elenco, que já conta com o próprio Falabella e Wladimir Brichta. O musical, escrito por Mel Brooks e Thomas Meehan, estréia em setembro em SP. As audições acontecem entre os dias 26 de junho e 1º de julho, no palco do Teatro Procópio Ferreira. Os interessados em participar das audições deverão imprimir a ficha de inscrição disponível no site www.theproducersbrasil.com.br , anexar seu curriculum, duas fotos coloridas recentes, e enviar este material em um envelope com o título 'Audições – Os Produtores', até 15 de junho, para Chaim Produções Artísticas, Caixa Postal 11.535 – Rio de Janeiro – RJ – CEP 22020-970, ou no Teatro Procópio Ferreira, até o dia 18, entre 14h e 19h.

O ÚLTIMO VIRGEM CARIOCA

A galera da foto forma o elenco da peça 'O Último Virgem Carioca', primeiro texto de Felipe Adler, Foto de Sérgio Carvalho.de 22 anos, que também é protagonista do espetáculo. A montagem marca a estréia do ator Jandir Ferrari como diretor teatral e estréia hoje na Casa da Gávea. Um dos temas abordados na peça é a conscientização contra as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis). Larissa Queiroz, a Rita de 'Paraíso Tropical', integra o elenco. A história gira em torno do jovem Fred, de 20 anos, morador do Leblon, que é zombado pelos amigos por ser o único virgem da turma. A vontade de transar acaba fazendo com que ele crie fobia por DST. Imagina se a moda pega...

Terça-feira, 12 Junho, 2007

DESESPERADOS DE VOLTA

A comédia 'Desesperados' ganha reestréia com elenco renovado. Sob direção de Fernando Ceylão, o trio de atores Álamo Facó, Igor Paiva e Márcio Machado se desdobra em vários personagens, utilizando o crachazinho que você vê na foto para rápida identificação. A peça, ágil, com humor esperto e atual, tem grande momento na cena em que os três interpretam stripers que falam sobre o cotidiano de afazeres domésticos enquanto se desnudam. A partir do dia 15, no Teatro dos Grandes Atores.

Domingo, 10 Junho, 2007

COM VOCÊS, O COLETIVO IMPROVISO


O simpaticíssimo casal Mariana Lima e Enrique Diaz volta a atacar, desta vez com um projeto bastante ousado, em cartaz no Rio a partir desta terça no Teatro de Arena da Caixa Cultural. É o Coletivo Improviso, que reúne elenco de 14 artistas entre bailarinos, atores e músicos. O nome do espetáculo é 'Não olhe agora', costura de cenas improvisadas que tratam da relação entre o público e o privado, e já foi apresentada nas cidades francesas de Noisiel, Aurillac, Mulhouse, Paris, Marselha e Strasbourg, entre 2004 e 2005. Uma farra que conta com uma galera conhecidinha das montagens de Diaz, caso do talentoso Felipe Rocha. Diaz e Mariana continuam envolvidos em 'Gaivota - Tema Para um Conto Curto', baseado na obra de Tchekov, que agora vai pra Sampa. Quando a peça estreou no Rio, no Teatro Poeria, a sensação foi de que faltava mais amarração no contexto geral. Dizem que agora a idéia de desconstruir a obra do dramaturgo russo vingou. Boa sorte pra eles, que merecem.

PETER PAN ENSAIA

O elenco do musical 'Peter Pan – Todos Podemos Voar' já iniciou seus ensaios, no Teatro dos Arcos, em São Paulo. A nova produção da CIE Brasil, que estréia dia 27 de julho no Credicard Hall, tem como protagonista o ator Leonardo Miggiorin e conta com mais 27 atores. Montado LEONARDO MIGGIORINoriginalmente na Argentina, pelo diretor Ariel Del Mastro e pelo coreógrafo Gustavo Carrizo, o musical, repleto de efeitos especiais, ganhará adaptação brasileira, com referências musicais a Olodum e Marcelo D2. A primeira montagem de 'Peter Pan' ou 'O garoto que não queria crescer' aconteceu em Londres, em 1904. Desde então, tornou-se uma das peças mais apresentadas e adaptadas a partir de um conto infantil. 'Peter Pan' conta a história de um garoto que vive num mundo de fantasia, conhecido como a 'Terra do Nunca', onde a infância nunca termina.

Sexta-feira , 8 Junho, 2007

BELO E MALDITO

Dostoievski está entre nós desde ontem, dia da estréia de ‘Os Demônios’, no Teatro 2 do CCBB. Vale comemorar pois ter tal texto do celebrado dramaturgo russo — escrito em 1870 — na atual temporada carioca é um ganho. Estão lá temas como falta de fé e o poder da presença do mal no cotidiano social. Trocando em miúdos: o mal que podem fazer a nós no dia-a-dia a intriga, a fofoca, a inveja e a ambição desmedida. “Se Deus não existe, eu sou livre e tudo é permitido”, diz um dos personagens descrentes.
Dostoievski era católico e ataca tais preceitos no espetáculo com viés político cujo protagonista é Nicolas (Alessandro Brandão), jovem atormentado pela visão de demônios. No decorrer da peça você vai saber porque ele os vê. Verá também como a direção de Antônio Abujamra e Hugo Rodas envolve tudo com atmosfera soturna e lindíssima. As marcações de alguns personagens remetem a bruxaria, os belos figurinos ficam entre o preto e o marrom, luz e trilha sonora são outros pontos altos da encenação. Custa só R$ 10 e no sábado tem sessão extra às 16h. Vale a pena.

Quinta-feira, 7 Junho, 2007

BRINCANDO DE DEUS

foto de GUILHERME MAIADepois de Letícia Spiller, é a vez de Alinne Moraes brincar de ser Deus no palco. A bela faz sua estréia em teatro na peça 'Dhrama - O Incrível Diálogo entre Krishna e Arjuna', na qual interpreta Krishna (a encarnação de Deus). O espetáculo é inspirado nos ensinamentos de um dos maiores clássicos da espiritualidade, aBhagavad Gita, e leva a assinatura de João Falcão na direção. Em cena, o diálogo de Krishna com Arjuna (Osvaldo Mil), seu discípulo guerreiro, em pleno campo de batalha. Arjuna representa o papel de um ser em conflito sobre seus deveres, e recebe instruções de Krishna, que ajuda-o na ciência da auto-realização. Trata-se de um episódio célebre do épico indu 'Mahabharata', escrito entre três e cinco mil anos a.C. O espetáculo estréia dia 14 Espaço Sesc, em Copacabana e a foto deste post mostra a concentração de Alinne durante os ensaios. Falcão, que também a introduziu no cinema, parece ter gostado da experiência.

Quarta-feira, 6 Junho, 2007

BELEZA DE LEITURA

Não, não é desta vez que o leitor realizará seu sonho de subir ao altar com Mariana Ximenes. A foto ao lado é apenas um look noiva que a atriz topou fazer em ensaio recente. Sem o vestido, mas com figurino próprio, a atriz é uma das convidadas do ciclo de leituras ‘No Dorso da Pantera’, no qual são lidas peças do dramaturgo Hamilton Vaz Pereira, no Espaço Sesc, em Copacabana. Ela lê ‘Trate-me Leão’, domingo, com Patricya Travassos, Cauã Reymond e Maria Flor. De graça.

UMA CASA PORTUGUESA, COM CERTEZA

Baseado no livro 'Não se Fazem Mais Avós Como Antigamente', de Nana Pirez, a peça 'Avós, Mulheres e Couves Portuguesas' estréia dia 12 no Teatro Clara Nunes. A sempre competente Rita Elmôr está no elenco, junto com Suzana Saldanha e Thais Vaz. O espetáculo vai dos anos 30 aos anos 90 e foca na trajetória de uma imigrante portuguesa. O objetivo da montagem é mostrar parte da história do Brasil pela ótica feminina, principalmente da imigrante portuguesa.

'O HOMEM VIVO' AGORA NO LEBLON

O sucesso da primeira temporada, no Sesc Copa, rendeu ao espetáculo 'O Homem Vivo' casa nova. Orã Figueiredo e Camilla Amado reestréiam a peça com poemas de Bertolt Brecht no Teatro Leblon. Delicada e comovente, a montagem tem a seu favor a sabedoria dos textos de Brecht, o ótimo desempenho de Orã e as canções de grandes compositores como Schumann, Brahms e Kurt Weill executadas por João Carlos Assis Brasil.

Terça-feira, 5 Junho, 2007

ESPETÁCULO HIGH-TECH NO PALCO DO OI FUTURO

Olha que bacana a idéia de encenação da peça 'Essencial', que estréia sexta-feira no Oi Futuro. A ação rola em cinco locais simultaneamente:
O palco, em que um casal de atores representa uma peça inspirada em 'Quem tem medo de Virgínia Wolf?'; a coxia do teatro, local em que estes dois atores, com a ajuda de um contra-regra, se preparam, fazem trocas de figurino e negociam o resgate de sua filha; o cativeiro, onde se encontram a menina e seus seqüestradores; a rua, nas imediações da porta do teatro, em que seus pais estão trabalhando; dois eventos reais, um show musical e outra peça teatral que estejam em cartaz na mesma hora – de ambos serão mostrados trechos, dentro do espetáculo.
A peça será transmitida pela Internet em tempo real. Os espectadores do teatro vêem o que se passa no cativeiro, assim como os que estão no cativeiro vêem o que se passa no teatro, através de telões que são parte da própria cenografia. As imagens, captadas por seis câmeras, são editadas durante a encenação. O resultado editado poderá ser visto via Internet, em tempo real, em qualquer parte do mundo. A luz é outro diferencial: será feita por sistema conhecido como LEDs (Lighting Emmiting Diodes). No palco, nada de refletor tradicional. Tudo saiu da cabeça de Demetrio Nicolau, que assina texto e direção.

Segunda-feira, 4 Junho, 2007

GARRA E CRIATIVIDADE A SERVIÇO DE BUKOWSKI

Já tinha comentado aqui sobre a peça 'Pão com Mortadela', mas a crítica propriamente dita saiu somente hoje no Caderno D do Dia. Agora, também no 'Supercênico'.

Charles Bukowski foi um dos escritores taxados de maldito, dado o teor de sua obra, rica em descrições escatológicas, sem concessões morais e regada a bebida, sexo e brigas. Quis o destino que conquistasse reconhecimento só na maturidade. O Velho Maldito, como passou a ser conhecido, buscou sua inspiração nos becos sujos de Los Angeles, cidade para onde foi levado aos 3 anos pelos pais. É da infância e adolescência dele no final dos difíceis anos 20, época da quebra da bolsa americana, que trata ‘Pão com Mortadela’, espetáculo em cartaz na sala multiuso do Sesc Copacabana.SACHA BALI E LÍVIA DE BUENO
O autor alemão se apresenta sob o pseudônimo Henry Chinasky e sua interpretação cabe a Sacha Bali, que também assina a adaptação da obra junto com o diretor João Fonseca. O entusiasmo dos dois pelo projeto, de orçamento bem modesto, é o grande trunfo da montagem. Fonseca dirige seu elenco de seis atores com imensa criatividade, obtendo rendimento muito satisfatório do sexteto, que se divide em vários papéis. Na miscelânea, quem se destaca é o próprio Sacha, perfeito na composição de Henry em suas idades variadas até a juventude. O ator tem carisma, garra, boa voz e perfeito entendimento das proposições da encenação — pequeno manifesto anárquico contra a mesmice, a inércia e à ignorância.
A bela Lívia de Bueno é outra a se destacar como a mãe, no elenco que conta ainda com bons desempenhos de Aline Fanju, Gustavo Nunes, Rosanna Viegas e Jorge Lucas. Os atores quase não saem de cena — mesmo ausentes da ação, presenciam-na. No cenário, detalhe que faz a diferença: textos da peça estão escritos nas cortinas. A trilha sonora, com direito à deliciosa ‘Relax’, do Frankie Goes do Hollywood, em cena sexy, é outro ponto positivo deste espetáculo simples e emocionante.

UM BALDE DE ÁGUA FRIA

Por gostar imensamente da obra de Tchekov, tive altas expectativas em relação a 'Anton e Olga', peça escrita a partir da troca de cartas entre o dramaturgo russo e a atriz que se tornou sua mulher. A estréia do espetáculo, sexta, no Teatro de Arena da Caixa Cultural, foi um balde de água fria. Trata-se de uma montagem arrastada, com marcações de mau gosto e bastante prejudicada pelo fraco desempenho de Marina Henriques como Olga. Paulo Trajano até tenta melhorar a situação, mas mesmo sua composição como Tchekov, um pouquinho mais acertada, não é suficiente para salvar o espetáculo do constrangimento. Não há progressão dramática, não há conflito suficiente, não há força, é pena que toda a poesia do dramaturgo não se faça presente em cena.

Sexta-feira , 1 Junho, 2007

JACQUELINE LAURENCE FAZ MOLIÈRE

O fim de semana traz Molière de volta à cena no Rio, com a montagem de 'As Eruditas'. O espetáculo é encabeçado por Jacqueline Laurence, tem tradução de Millôr Fernandes e direção de José Henrique Moreira. A estréia acontece hoje no Villa-Lobos, em Copa. Vamos ao enredo: Henriqueta (Maria Macdowell) e Armanda (Emília Rey) são filhas de Filomena (Jacqueline Laurence) e Crisaldo (Roberto Lopes), um fidalgo da alta sociedade parisiense. Filomena deslumbra-se com o mundo das letras, a ponto de querer casar Henriqueta com Tremembó (João Camargo), um oportunista que, com seus versos, pretende ganhar a mão e o dote de uma das moças. Mas Henriqueta não se sensibiliza com as investidas: quer para noivo Cristóvão (Márcio Ricciardi), rapaz rejeitado por Armanda devido à simplicidade intelectual. A crítica aos valores da sociedade francesa se faz presente com o habitual humor do autor.

A POESIA DE CORA CORALINA DE VOLTA

A Casa de Cultura Laura Alvim recebe a peça 'Cora Coralina, Coração Encarnado', que volta de temporada em São Paulo, depois de ter estreado no Rio ano passado. O delicado espetáculo, de cenografia muito simples, traz sua força na poesia da escritora, que tornou-se conhecida somente na velhice. Sob direção de Orã Figueiredo, o espetáculo faz uso de vídeos com imagens de Cora, enquanto o trio de atrizes formado por Rita Elmor, Renata Roriz e Rafaela Amado dá vida aos 'causos' da escritora goiana. Teresa Seiblitz é atriz convidada da montagem que tem luz de Aurélio de Simoni e figurino de Raquel Iantas.