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| André Gomes |
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Notícias fresquinhas de Zé Celso Martinez Corrêa e Antunes Filho. Os dois grandes diretores vão participar da 14ª edição do Porto Alegre em Cena, festival que vai receber, em setembro, mais de 60 espetáculos, do Brasil e do mundo. Zé Celso vai dar as caras também como ator. É ele que aparece aí no centro desta bela foto, da peça 'Santidade'. O festival promete trazer movimentação e alegria à capital gaúcha, bastante abalada desde o trágico acidente com o avião da TAM que partiu de lá rumo a São Paulo e terminou na morte de todos os ocupantes. Já Antunes vai mostrar por lá 'A Pedra do Reino' que, ooooops, chega ao Rio antes. O espetáculo construído a partir de obras de Ariano Suassuna inaugura novas instalações no Sesc Tijuca no dia 10 de agosto. Tem mais. Antes, rola 'Prêt-à-Porter 8 e 9' nos dias 7 e 8 e depois nos dias 14 e 15 de agosto no Espaço Sesc de Copa. Bom proveito.

Há tantos anos voltada para a televisão e com alguns filmes no currículo, Taís Araújo resolveu se dedicar com afinco ao teatro. Depois de estrelar o provocativo espetáculo 'O Método Grönholm', em São Paulo (no cinema a história foi dirigida por Marcelo Piñero), a bela encena, também em Sampa, a peça 'Os Solidores'. De sexta a domingo, ela atua no primeiro espetáculo, no Teatro das Artes. Sexta e sábado, à meia noite, em 'Os Solidores', no Espaço dos Parlapatões. O texto da montagem passeia por Jung, Freud e Rilke para falar de amor, tudo arquitetado pelo autor, Andre Fusko, que narra a busca de um casal pelo amor verdadeiro. Pré-estréia dia 3, com estréia marcada para o dia seguinte.
Falta pouco para Denise Stoklos completar 40 anos de carreira. Ela, contudo, nem pensa em cansaço: estréia no Oi Futuro duas peças simultaneamente: uma adulta, outra infanto-juvenil. Em 'Denise Stoklos em Teatro para Crianças', pela primeira vez experimenta o terreno cênico infantil. É meio que uma 'tradução' de parte de seu repertório para linguagem compreensível às crianças. Já em 'Cantadas', sob direção geral de Hugo Rodas e Antônio Abujamra (sim, eles mais uma vez!), Denise revê três décadas de teatro, quando criou uma série de performances solo dentro de um estilo que chamou de 'teatro essencial', baseado no encontro do corpo e da voz, se debruçando sobre temas sócio-políticos. O infantil rola aos sábados e domingos, às 16h, com ingressos a R$ 5. O adulto, de sexta a domingo, às 19h30, a R$ 10.
“Devo te comparar a um dia de verão?”, caprichou Shakespeare no galanteio a Anne Hathaway. “Não, obrigada !”, respondeu ela. A citação do célebre soneto integra o romance ‘Mrs. Shakespeare – The Complete Works’ (de 1993), do escritor, poeta e crítico londrino Robert Nye, que chega ao Rio adaptado para o teatro sob direção de Emílio Di Biasi. A estréia acontece hoje no CCBB e a montagem já passou por São Paulo. Por aqui, fica até 9 de setembro. No enredo, sete anos após a morte de seu marido, já um poeta e autor teatral relativamente famoso, Hathaway decide contar o que aconteceu entre ambos na semana de abril de 1594, em que ele completava 30 anos, e a trouxe de Stratford-upon-Avon, onde ela vivia, para comemorar a data em seu quarto sobre uma peixaria em Londres. A montagem brasileira tem diferença crucial para o original: aqui, duas atrizes interpretam a personagem-título. Selma Egrei e Maria Manoella montam quadro curioso sobre a relação do casal. Marido e mulher, como revela o diálogo inicial, eram bem diferentes, e a graça toda do relato de Madame Shakespeare está bem aí. De quarta a domingo, às 19h, com ingressos a R$ 10.
Quem conhece Hugh Jackman só pelo físico que exibe como Wolverine em 'X-Men' pode em breve descobrir talentos dele não muito difundidos por aqui. O ator já brilhou no musical 'The Boy From Oz', no qual interpretou o cantor e compositor gay Peter Allen, e é um dos nomes cotados para uma possível adaptação do megasucesso 'Brokeback Mountain' para a Broadway. Não se sabe se vai se a história vai virar musical ou peça, mas vale apostar: com Jackman no elenco, é barbada que haja música em cena. Ele é desses atores completos que o cinema insiste em enquadrar. Já fez um ou outro filme mais denso, mas estrelou porcarias de ação como 'Van Helsing' e comédias românticas tolas. Seria ótima escolha para um dos caubóis gays de 'Brokeback'. Outro cotado é James Marsden. Tudo bem, de nome você pode não conhecer, mas ele fez o namorado da Lois no mais recente 'Superman', foi Corny Collins em 'Hairspray' e Ciclope em 'X-Men'. A combinação dos dois astros de Hollywood tem tudo para ser explosiva.
Depois de fazer sucesso como Renato Russo no musical sobre a trajetória do saudoso líder da Legião Urbana, Bruce Gomlevsky mergulha na obra de Shakespeare. Será dele o papel principal de 'Macbeth'. A peça, que fala de ambição desmedida para a conquista do poder, estréia dia 14 no Teatro Maria Clara Machado, sob direção de Moacir Chaves. Marília Gabriela encenou em janeiro no Rio texto que pegava um pedaço da obra. Era 'Senhora Macbeth', em que vivia a mulher de Macbeth. Abujamra e Hugo Rodas fizeram com ela um belo trabalho. É esperar para ver o que acontece com a dobradinha Bruce/Moacir.
Conselho ao leitor: se você acha que o programa no qual está embarcando é uma furada, nada de convidar um amigo. Vá só, caso seja realmente necessário ir. Aprendi tal lição ontem, já nos minutos iniciais da peça ‘Isadora Duncan — É Dançando que a Gente se Aprende’. O texto, de Aguinaldo Silva, já foi encenado nos anos 80 e pretende ter como figura central a célebre bailarina que entrou para a história como referência na dança moderna. Coitada de Isadora, não merece. O texto é ruim, tem um fiapo de história sobre ela, relata um encontro entre a artista e nosso Oswald de Andrade e retrata o poeta de forma grotesca. O enredo mostra uma peça dentro da peça, na qual Letícia Spiller é uma atriz que interpreta a bailarina. Exagerei, não é bem interpretação, mas uma seqüência de equívocos: será que o tom da peça dentro da peça é propositalmente ‘over’? Se é, cai na caricatura, fica bizarro. O resultado é que esta é, desde já, a peça mais cafona da temporada. Cafona mesmo, com todas as letras. Aguinaldo tenta fazer um discurso feminista simplório, ineficaz, soa como peça de colégio ou de praça de alimentação de shopping, didática, dramaturgia pobre, cheia de tentativas frustradas de mostrar ao público o quanto Isadora foi uma mulher à frente de seu tempo. Pela encenação, a célebre bailarina fica mais parecendo uma louca inconseqüente que curtia dançar seminua — no Brasil, nua na cascatinha!, situa o espetáculo. A iluminação, absurdamente equivocada, causa constrangimento nos momentos em que Letícia dança, daquele jeito, querendo ser intensa. O resto do elenco (Oscar Magrini, Anselmo Vasconcelos, Laura Proença e Marly Bueno) não ajuda — estão todos igualmente descalços em caminho de pedras. A culpa é de Aguinaldo, claro (que no programa do espetáculo, que possui erros feios de português, compara a bailarina a Michael Jackson), mas também da direção de Bibi Ferreira e Paulo Afonso de Lima. Bibi, como grande dama do teatro, não pode continuar a se aliar a coisas tão pequenas. A peça que apresentam no Teatro Vannucci desrespeita público e personagens reais envolvidos. Se alguém gostar, por favor, diga os motivos. Essa dança eu não consegui acompanhar.
Thereza Piffer, atriz que se tornou conhecida por ter integrado o elenco da peça 'A Partilha', andava sumida, mas ontem pintou no Jô com uma novidade quente. Ela tem tocado em São Paulo um projeto que reúne 20 pessoas por sessão, todas vendadas, todas dispostas a ouvir textos de grandes autores da dramaturgia mundial, assim, sem ver nadinha. É um barato. Rolou demonstração, com uma das atrizes lendo Borges para o apresentador e fazendo-o entrar no clima com música suave, odores, toques e temperaturas. As pessoas, diz Thereza, estão entusiasmadas pelo projeto porque se sentem acariciadas, olhadas, tocadas. Algumas choram, outras tentam beijar os atores (!), delírio coletivo explicado pelo corre-corre opressivo a que estamos submetidos no dia-a-dia. Outra atriz leu para uma moça da platéia o lindo texto abaixo, da Marina Colasanti, que fala por si só. Vale relembrá-lo: Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida.Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Hugo Rodas não pára: depois de mostrar por aqui seu trabalho nas peças 'Senhora Macbeth' e 'Os Demônios', o diretor uruguaio-brasiliense Hugo Rodas estréia dia 27 no Centro Cultural da Justiça Federal o espetáculo 'Adubo ou a Sutil Arte de Escoar Pelo Ralo'. A montagem reflete, com filosofia e humor, sobre a morte e o morrer através do pensamento de filósofos, gurus, poetas, escritores e dramaturgos.
Correu por aí o boato de que o galã (?) Orlando Bloom ficaria peladão em sua estréia teatral no espetáculo ‘In Celebration’, em Londres. Ele, que tanto sucesso fez em ‘Piratas do Caribe’, negou, disse que não tinha clima pra isso na montagem — drama sobre três irmãos que vivem maus momentos no aniversário de 40 anos de casamento dos pais —, mas mesmo assim as fãs lotaram as sessões desde as pré-estréias, no início do mês. Foram praticamente as mesmas que deliraram diante da nudez de Daniel Radcliffe na peça ‘Equus’. Muito barulho por pouco. Nem vestido, tampouco nu, Bloom merece tanto frenesi da audiência.
A Glória ganhou novo espaço cultural: uma casa localizada na Conde Lages 27, batizada de Espaço 27. É lá que, desde sábado, rola a esquete 'As Puta da Sarjeta' (assim mesmo, no singular), que integra o evento Putas Lounge. A casa foi transformada em centro cultural pelos bisnetos do Oscar Niemeyer, Paulo e Paul. O local já foi bordel e pretende se transformar no novo espaço cult da cidade. Tomara que dê certo. A encenação é de autorria de Biá Napolitani. Até distribuição de camisinhas vai rolar por lá...
Saíram os indicados à 20ª edição do Prêmio Shell de Teatro, referente às peças do primeiro semestre. Os espetáculos 'Besouro Cordão de Ouro' e 'Sassaricando' receberam o maior número de indicações - o primeiro concorrendo na direção, cenário e música; o segundo, por figurino, iluminação e música. A melhor ator concorrem Cadu Fávero, Edwin Luisi e José Mauro Brant. As indicadas a melhor atriz são Camila Amado e Dani Barros.
Depois do estrondoso sucesso com a vilã Marta, de 'Páginas da Vida', Lília Cabral não quer saber de apostar no desconhecido, ao menos no teatro. Ela vai reestrear a comédia 'Divã', que já foi assistida por 150 mil pessoas, em mais de 200 apresentações. Na peça, Lília é Mercedes, quarentona casada, dois filhos, com a vida estabilizada, que resolve procurar um analista. A partir disso, muita coisa muda - na vida dela e na do público feminino, que se identifica com questões apresentadas no texto. De volta dia 27 no Teatro Vanucci, Shopping da Gávea. Completam o elenco os atores Marcelo Valle e Alexandra Richter.
O musical 'Renato Russo', em que Bruce Gomlevsky interpreta o saudoso líder da Legião Urbana, encerra temporada no domingo no Teatro Vannucci. O espetáculo fez sucesso. Na estréia nos Correios, ano passado, cá entre nós, não curti: apesar de ser notório o esforço do ator na perfeita composição gestual de Russo, ele mandava mal ao desafinar feio em algumas músicas. Passada a estréia, o próprio Bruce disse ter vivido maus momentos naquele dia, tendo perdido a voz. Não voltei pra conferir - havia música demais e, não tendo curtido a parte musical, meio que não fazia sentido. Mas o sucesso está aí para mostrar que muitos fãs legionários aprovaram. Para quem não viu, o chamado final está dado. Vale pela lembrança de Renato, nosso poeta maior do rock.
Ela já integrou o grupo Rouge, aquele formado no programa 'Popstars', do SBT, e do hit infame 'Ragatanga'. Sucesso turbinado pelo inacreditável refrão 'Aserehe ra de re/ De hebe tu de hebere seibiunouba mahabi/ An de bugui an de buididipi'. Mas o tempo passa e, para Patrícia Lissah Martins, ele foi generoso. A moça ganhou o papel de protagonista da superprodução 'Miss Saigon', que estréia amanhã no Teatro Abril, em São Paulo. Na montagem brasileira para o musical da Broadway, a cantora interpreta a vietnamita Kim, que vive uma história de amor com o soldado americano Chris (Nando Prado). A aparência mestiça ajudou, ok, mas a moça foi bem nos testes realizados em novembro do ano passado. As letras das canções do espetáculo levam a assinatura de Claudio Botelho, que tirou ainda Sabrina Korgut do elenco de 'Sassaricando' direto para o de 'Miss Saigon'. Calcula-se que o musical já tenha sido visto por cerca de 33 milhões de espectadores nos 25 países nos quais se apresentou. Agora é a vez do Brasil. Boa sorte pra eles.
O espetáculo 'O Avarento' encerrou temporada, para que o ator Paulo Autran possa dar continuidade ao tratamento de saúde a que vem se submetendo, devido a problemas cardíacos. Nonagésima peça do ator, a montagem foi assistida por 120 mil pessoas e ficou dez meses no Teatro Cultura Artística, em São Paulo. Os espectadores que já tiverem adquirido ingressos poderão receber o valor de volta na bilheteria do teatro.
Pra quem não leu, a crítica do espetáculo 'Brincando em cima Daquilo', publicada segunda no Caderno D do Dia. Quando Marília Pêra estrelou ‘Brincando em Cima Daquilo’, em 1984, dar voz às mulheres — boa parte delas ainda sufocadas por casamentos sem diálogo — era, mais que necessário, uma jogada de mestre. Pouco tempo antes Regina Duarte já o fizera com grande sucesso em ‘Malu Mulher’. Passados mais de 20 anos, o discurso feminino ganha a voz de Debora Bloch, que encena desde sábado, no Teatro dos Quatro, o monólogo dos italianos Dario Fo e Franca Rame. Hoje, é impossível não ter sensação de déjà vu diante dos temas propostos, mas a encenação se sobrepõe a teores por vezes datados do texto ao estabelecer jogo de intimidade com a platéia. A idéia se faz presente logo de cara, quando Debora surge no saguão do teatro para receber o público. Dentro, canta e dança na platéia ao som de sucessos populares, com Alcione entoando ‘Não Deixe o Samba Morrer’. A atmosfera quente, contudo, esfria num primeiro monólogo pouco inspirado, mas a brincadeira engrena com os percalços da mulher infiel trancada em casa pelo marido e chega ao ápice num engraçadíssimo número de platéia. É quando o celebrado ‘timing’ de comédia da atriz surge, sem medo de buscar o riso, e seus predicados se fazem notar: Debora passeia pelas personagens com notória alegria, emprestando a dramaticidade ideal quando a máscara do humor deve cair. Canta, dança funk, ri, chora, entrega-se por inteiro num espetáculo cru, feito para a atriz brilhar. Cenário econômico, composto por caixas de som e cordas divisórias, e figurino ora básico, ora kitsch, são outros pontos da ousada montagem dirigida por Otávio Muller e supervisionada por Amir Haddad. Uma brincadeira gostosa de se ver.
Fãs de Madonna e do Blondie, tremei. O primeiro filme estrelado pela mãe de Lourdes Maria vai virar musical no West End londrino, e com músicas da banda liderada por Debbie Harry nos anos 70. O musical terá direito a canção inédita feita por Debbie, intitulada 'Moment of Truth', mas sucessos estarão presentes, caso de 'Heart of Glass', 'Atomic' e 'One Way or Another'. 'Procura-se Susan Desesperadamente' estreou em 1985 e muitos fãs acham que é até hoje a melhor incursão de Madonna pelo cinema. Quem fará o papel que foi de Madonna será a inglesa Emma Williams, 24 anos. A direção será do americano Peter Michael Marino. Debbie, 62 anos, disse ser emocionante participar de um musical no qual a história bate perfeitamente com as letras. Ela espera que a coisa toda emplaque e que acabe na Broadway. Nós também.

 É assim, despojada e com água na garrafa de Coca-Cola, que Debora Bloch recebe seu público do lado de fora do Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea.
Quem esteve sábado no Teatro dos Quatro para ver a estréia de 'Brincando em Cima Daquilo' se surpreendeu logo de cara. Debora Bloch recebeu o público do lado de fora, deu beijos e abraços calorosos e, já dentro, sambou ao som de Alcione e Zeca Pagodinho. Uma farra. Nada de quarta parede, era a proposta. Em cena, com pouca roupa, surpreendeu pela impecável forma física - dá pra notar que ela malha e está certíssima em fazê-lo -, com pernas bem torneadas e curvas à mostra no momento 'cachorra', no qual desce até o chão no funkadão. No número de platéia, o tom foi de escracho: deitou-se por cima de um casal, tentou extrair grito do pobre homem da relação, falou sobre sexo e o tempo ideal do ato, enfim, arrancou gargalhadas entusiasmadas. Por enquanto é isso, tá? A crítica do espetáculo você lê amanhã na página 3 do Caderno D do Dia. Antes vale a despedia com a letra de 'Cama e Mesa', essa canção 'sen-sa-cio-nal' do Roberto que está na trilha do espetáculo. Bom proveito: Eu quero ser sua canção, eu quero ser seu tom Me esfregar na sua boca, ser o seu batom O sabonete que te alisa embaixo do chuveiro A toalha que desliza no seu corpo inteiro Eu quero ser seu travesseiro e ter a noite inteira Pra te beijar durante o tempo que você dormir Eu quero ser o sol que entra no seu quarto adentro Te acordar devagarinho, te fazer sorrir Quero estar na maciez do toque dos seus dedos E entrar na intimidade desses seus segredos Quero ser a coisa boa, liberada ou proibida Tudo em sua vida Eu quero que você me dê o que você quiser Quero te dar tudo que um homem dá pra uma mulher E além de todo esse carinho que você me faz Fico imaginando coisas, quero sempre mais Você é o doce que eu mais gosto Meu café completo, a bebida preferida e o prato predileto Eu como e bebo do melhor e não tenho hora certa De manhã, de tarde, à noite, não faço dieta Esse amor que alimenta minha fantasia É meu sonho, minha festa, é minha alegria A comida mais gostosa, o perfume e a bebida Tudo em minha vida Todo homem que sabe o que quer Sabe dar e querer da mulher O melhor e fazer desse amor O que come, o que bebe, o que dá e recebe Mas o homem que sabe o que quer E se apaixona por uma mulher Ele faz desse amor sua vida A comida, a bebida, na justa medida O homem que sabe o que quer Sabe dar e querer da mulher O melhor e fazer desse amor O que come, o que bebe, o que dá e recebe Mas o homem que sabe o que quer Sabe dar e querer da mulher O melhor e fazer desse amor O que come, o que bebe, o que dá e recebe Mas o homem que sabe o que quer E se apaixona por uma mulher Ele faz desse amor sua vida A comida, a bebida, na justa medida
Como vi e gostei da versão nacional de 'Monólogos da Vagina', resolvi conferir o DVD do espetáculo original, que estreou no circuito off-Broadway em 1996. A Warner coloca nas lojas o DVD que mostra o trabalho de Eve Ensler, criadora dos textos que focam na intimidade feminina. Surpresa é perceber que ela é chatinha e que os monólogos aqui foram bem melhores. Mas o disco pode agradar ao público feminino, com depoimentos de mulheres de todas as idades falando de seu sexo, como lidam com ele e como o mundo o vê. De depilação a orgasmo e redescoberta do prazer perdido, tudo está lá.
Quem gosta da Malu Galli, que tantos trabalhos bacanas fez com a Cia. dos Atores (lembra de 'Ensaio.Hamlet'?), tem motivos para comemorar. Ela está perto de estrear o monólogo 'Diálogos com Molly Bloom'. O texto é do José Sanchis Sinisterra, dramaturgo espanhol já montado no Brasil recentemente, no ótimo 'Leitor por Horas', com Ana Beatriz Nogueira. Em 'Molly', a inspiração vem da personagem de 'Ulisses', de James Joyce, e Malu é conduzida por cinco diretores: Andrea Beltrão, Cristina Moura, Christiane Jatahy, Gilberto Gawronski e pelo próprio Sinisterra. A partir de 11 de julho no Teatro III do CCBB. No cinema, ela esteve em 'Achados e Perdidos'.
Meus amigos não gostam, eu sim. Não tem como não me declarar então diante de um segundo solo de Paula Toller. Ouvi-la tem gosto de primeiro beijo, idades boas de depois da infância. Vontade de ser feliz pelo simples. O novo ali no velho, música boa pra ouvir no escuro, tantos versos de amor, calmaria. Termina lindo com versos de Kevin Johansen - 'And I seen to break like glass, I break just like that' - mas lá pelo meio se mostra no melhor, em 'Tudo se Perdeu', em que diz: 'Caio com Maysa na fossa em francês/ Ninguém mais agüenta drum'n bossa em inglês/ Vê se se toca que amanhã é 23/ Meu Deus, olha o que vc me fez/ Olha o q me aconteceu/ Tudo se perdeu/ Tudo desandou/ Agora não vai mais emendar/ O q se quebrou/ Tudo se perdeu/ Agora não vai mais emendar/ O q se quebrou/ Agora n vou mais te encontrar/ Tudo se acabou. # Ah, o nome do disco: sónós.
Giro rápido pelas estréias teatrais do fim de semana: # Amanhã é dia de ver Débora Bloch no Teatro dos Quatro. Ela estrela o monólogo 'Brincando em cima Daquilo', sucessão dos anos 80, então com Marília Pêra. Em cena, Débora samba, dança funk e canta música de Roberto Carlos. # Hoje rola estréia de 'Dá uma Entradinha só Para Você Sacar Como Esse Homem me Ama', no Teatro Sesi. Dois textos sobre os conflitos entre homem e mulher. Com Juliana Teixeira, Marcelo Escorel e Renato Reston. # No Oi Futuro, a Cia. Theatro XVIII comemora 10 anos encenando a peça 'Esse Glauber'. A trama foca em dois cordeiros que trabalham no Carnaval de Salvador. Pra quem não sabe, são as pessoas que seguram as cordas de isolamento dos trios elétricos, aquelas pra separar os pagantes dos não-pagantes. O Carnaval baiano segrega, estive lá e vi. A população pobre rala, sofre, enquanto a elite brinca com segurança. # Pra escapar de teatro um pouquinho, dica sonora. O CD novo do Maroon 5 é surpreendentemente bom. Chama-se 'It Won't be Soon Before Long'. É ultradançante, flerta bem com o soul, música pra ser feliz. # Sábado verei a peça da Débora. Boa dica pro dia seguinte, pela manhã, é o delicioso café da manhã da Casa da Táta, na Gávea. # Bom fim de semana.
Nada contra Juliana Paes, mas algo contra sua escolha para viver o papel de Ulla na montagem brasileira do musical ‘Os Produtores’. O papel da loura voluptuosa foi cair nas mãos da morena-jambo-brasileiríssima depois que Daniele Winits teve que sair, por ter engravidado. Será que Juliana canta e dança? Terá que aprender, dá tempo? Ih, são tantas questões. Vale lembrar que no filme quem encarnava a personagem era a loura Uma Thurman e que Winits, a primeira escolha, já tem currículo razoável na área dos musicais. Juliana foi escolha óbvia para atrair público, num elenco que já tem Miguel Falabella e Wladimir Brichta. O tarimbado Sandro Cristopher é opção acertada para interpretar o espalhafatoso diretor gay Roger de Bries. Agora é ver no que vai dar a mistura. Os ingressos começam a ser vendidos na segunda quinzena de julho, no Tom Brasil, em Sampa. A direção caberá ao próprio Falabella e a montagem conta com 24 personagens, 11 músicos e 35 técnicos, 400 figurinos, 11 cenários que se revezam em 25 trocas e 220 mudanças de luz. Ao todo 100 pessoas atuarão diariamente na equipe da produção. A história já esteve no cinema em 1968 e 2005.
Jô Soares recebeu ontem eu seu programa o elenco do musical-sensação do Rio, 'Sassaricando', que estréia amanhã em São Paulo. Todo mundo já sacou que Jô só entrevista hoje em dia ligadíssimo no que recebe da produção - uma pré-entrevista. É a partir dela que vai fazendo perguntas aleatórias, tipo conta isso, fala daquilo. Chato, né? Pra piorar, o apresentador mandou mal ao errar o nome de Soraya Ravenle. Agiu como se nunca tivesse ouvido falar dela. Justo ela, maior atriz dos musicais brasileiros. Que feio. A badalação em torno de 'Sassaricando' no Rio foi enorme, não dava para, ao receber o elenco do musical de marchinhas no programa, Jô derrapar assim. Na mesma noite, Christine Fernandes apareceu falando de 'Hedda Gabler'. E, felizmente, não falou da condição feminina, nem bla-bla-blá algum em torno da atualidade da peça. Que bom. A entrevista foi bacana e a atriz, bem em cena, merece que o público a prestigie. Tá lá no Sesc Copa. Aproveite.
Tem tempo que quero comentar aqui sobre Alessandra Negrini e acabo esquecendo. Em 'Paraíso Tropical', só se fala na Camila Pitanga, ok, é justíssimo, Camila dá show a cada capítulo, mas encarar a ralação de fazer duas protagonistas ao mesmo tempo não é mole, não. A gêmea boa é chata? Sim, bastante, mas qual heroína de Gilberto Braga não é? Negrini faz a boazinha com dignidade, tadinha, e arrebenta quando aparece como Taís - selvagem, sexy, fatal. Pude vê-la no teatro no espetáculo 'Credores', de Strindberg, e tudo estava lá: uma beleza ainda mais impressionante ao vivo e o talento que a fez ser reconhecida nacionalmente em 'Engraçadinha'. Taís e Paula nem parecem ser interpretadas pela mesma atriz, tudo nelas é diferente. Em entrevista já com a novela no ar, a atriz comentou sobre preferir uma ou outra: "A mocinha é sempre mais difícil, é vítima. A vilã conduz a ação, é mais fácil. Mas me sinto preenchida quando faço uma cena emotiva de Paula". Alguém discorda? Sei não, acho que ela mesma nem curte fazer a mocinha, mas faz o que pode para compor o mundo encantado de doçura e generosidade incondicional da personagem. Já Taís é puro roquenrol.
Peça-sensação do ano passado durante temporada no Teatro Poeira, 'O Púcaro Búlgaro' vai dar as caras neste fim de semana em Caxias, no Teatro Raul Cortez. A maravilhosa obra de Campos de Carvalho orquestrada genialmente por Aderbal Freire-Filho fica por lá até dia 22. Em cena, uma inusitada expedição a Bulgária com o intuito de descobrir se o país existe ou não, o que coloca em pauta, indiretamente, o conceito de real. Não se espante pela sinopse 'cabeça': o espetáculo é divertidíssimo, tem ritmo alucinante e é programa mais que indicado à toda a família. No elenco estão Ana Barroso, Augusto Madeira, Gillray Coutinho, Isio Ghelman e Candido Damm. A peça levou os prêmios de melhor espetáculo, melhor diretor e melhor ator no Prêmio Eletrobrás 2006. Como integrante do juri, fiquei feliz com o resultado e recomendo ao público da Baixada. Bom proveito.
Quem curte o ator Nelson Freitas no humorístico 'Zorra Total' pode vê-lo ao vivo a partir de amanhã no Bar do Tom. Sob direção de Chico Anysio, o ator estréia em formato 'Stand-Up Comedy', fazendo piada a partir de temas como casamento, infidelidade e auto-estima. Nelson encarna em cena bêbados, gays e caipiras. Acompanhado do violinista Mario Eugênio, o ator ainda vai atacar de cantor. No repertório, músicas de Pixinguinha, Cartola, Baden Powell, Villa-Lobos, Luiz Gonzaga e Vinicius de Moraes. Na TV, o ator é sucesso como Leozinho, o Corno, integrante de quadro campeão de audiência do Zorra.
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