|
|
| |
 |
|
|
 |
Março, 2009 Fevereiro, 2009 Janeiro, 2009 Dezembro, 2008 Novembro, 2008 Outubro, 2008 Setembro, 2008 Agosto, 2008 Julho, 2008 Junho, 2008 Maio, 2008 Abril, 2008 Março, 2008 Fevereiro, 2008 Janeiro, 2008 Dezembro, 2007 Novembro, 2007 Outubro, 2007 Setembro, 2007 Agosto, 2007 Julho, 2007 Junho, 2007 Maio, 2007 Abril, 2007 Março, 2007 |
| |
 |
| André Gomes |
|
|
|
|
|
Fiquei devendo impressões sobre 'Falo Baixo, Senão eu Grito', que estreou quarta no Teatro Leblon. Do grupo de amigos lá encontrados - éramos 7 - apenas um não gostou, e outro achou mais ou menos. Confesso que no começo achei que odiaria. Enganei-me. O texto de Leilah Assumpção - encenado em 1969 com Marília Pêra e agora com Ana Beatriz Nogueira - é recheado de metáforas, propondo, assim, uma viagem particular de cada espectador. A minha foi de que permanecer parado no tempo é uma roubada e de que o medo do desconhecido enferruja a gente. Claro que a interpretação de Ana ajuda, e muito, no resultado final. O despertar da personagem - uma solteirona virgem e obcecada por memórias da infância - é conduzido por ela com força e humor bem dosado. Eriberto Leão, em cena com ela como o cara que invade sua casa, teve início artificial mas engrenou. Ponto para a dupla e para o diretor Paulo de Moraes.
Multidão de fotógrafos, celebridades por todos os lados e eis que avisto, em pé, no meio da platéia, Patrícia Pillar. Ela estava no Teatro Leblon ontem para assistir, como eu, à estréia da peça 'Fala Baixo, Senão eu Grito'. Não era o assunto. Mas agora é. O motivo é banal, gratuito, mas ainda assim, insisto. Patrícia é dessas mulheres que, lindas na juventude, souberam tirar proveito do tempo. Tem 43 anos e, hoje, talvez seja ainda mais bonita do que antes. Sem silicone, sem plástica, sem procura pela magreza excessiva, uma mulher de verdade. Ontem, seu sorriso largo, sincero, encheu o teatro de algo que não se vê hoje em dia: o bonito pelo simples. Pena que não estivesse em cena, pena que o teatro não seja a praia dela, mas, sem pena, dedico todos os elogios a ela. Se não ao teatro, volte logo, à TV ou ao cinema, rápido.

Lembra do nu com a mão no bolso? Pois é, tirar a roupa continua a dar dinheiro. Que o digam os produtores do espetáculo 'Naked Boys Singing', sucesso off-Broadway, no New World Stages. A idéia já viajou mundo afora - embora em Porto Rico tenha sido proibida (lá, era a salsa o ritmo predominante, imagine isso) - e agora rende frutos. Na Inglaterra, inventaram outra montagem, chamada 'Get Naked', já que o produtor local havia perdido a licença da original. Cara de pau, né? É basicamente a mesma coisa: homens peladões cantando e dançando. O Brasil também teve. A versão nacional de 'Naked Boys Singing' ficou em cartaz no Teatro Augusta em SP, em 2003. Será que algum produtor se anima a copiar a idéia inglesa? E o elenco, heim?
Malu Galli está de endereço novo. Ela não, a peça 'Diálogos com Molly Bloom', que depois de passar pelo CCBB chega ao simpático Teatro Solar de Botafogo. Cinco diretores conduzem a atriz neste monólogo de José Sanchis Sinisterra que buscou inspiração na personagem do romance 'Ulisses', de James Joyce.
Parece incrível, mas 'Fala Baixo, Senão Eu Grito' é o primeiro texto de autor nacional encenado por Ana Beatriz Nogueira. É ela que está nesta foto com o Eriberto Leão, e eles estarão em cena no Teatro Leblon a partir desta quarta, data da estréia para convidados. Em 1969, a montagem com Marília Pêra e Paulo Villaça lançou a então nova dramaturga Leilah Assumpção. Agora a direção é do Paulo de Moraes. Na trama, Eriberto faz um ladrão que invade o quarto da solteirona interpretada por Ana. Está dada a partida para um confronto surpreendente, tudo ambientado em cenário que reúne vários televisores antigos. Ana estava impecável em sua última incursão teatral, 'Leitor por Horas'. Vale a expectativa.
Domingo à tarde é dia de que? Responda tudo, menos que é dia de ficar em frente à TV vendo Faustão. Ontem, em vez do clássico cineminha, resolvi investir no apelo das três exposições que ocupam o MAM simultaneamente. Nem fui pela 'Tropicália', que eu já tinha visto durante as férias do ano passado, fui mais pela 'Grande Sertão: Veredas', pra ver o que Bia Lessa fez com a obra do Graciliano Ramos. Surpresa foi constatar, no fim da visitação, que o grande lance não estava nas mais badaladas, mas na do Ivan Cardoso. Chama-se 'Fotoivangrafias' e reúne farto material fotográfico feito pelo cineasta. É um barato. As imagens são ora sensuais, ora pornográficas, irreverentes, cruas e retratam personalidades como Hélio Oiticica (no clique acima), Tunga, Zé do Caixão, Zé Bonitinho, Raul Seixas, Rogéria, Scarlet Moon, Glauber Rocha e Jean Luc Godard.
 Ao todo são 200 retratos, em grandes formatos. A da Bia também vale, eu curti ser obrigado a prestar atenção nos escritos de nosso grande mestre: usei espelho pra ler frases na água, subi escadinha pra sacar o que formavam as palavras espalhadas no entulho e achei que tudo valia a pena. A 'Tropicália' tem muita perfumaria, aquelas coisas-conceito para poucos, mas bastante coisa boa também. Adorei ver o material de 'O Rei da Vela', com os desenhos do Eichbauer, e as inúmeras capas de discos antológicos de Gal, Caetano e Gil. Mas no tal penetrável que batiza a exposição, o incensado 'Tropicália', recusei-me a entrar. Se você o fizer, verá araras vivas. Agora eu pergunto: pra que? Vai saber... Ah, esqueci de dizer que no fim tudo acabou em cinema. Vi 'Santiago'. Um filme lindo e doloroso.
O fim de semana tá aí. Pra quem não viu ainda eu indico 'O Homem Vivo', com poemas musicados de Brecht. Singelo e bacana, ali no Centro Cultural Correios, preço bom, 20 reais. Os que gostam de saber o que rola fora do eixo Rio-SP podem conferir 'Por Elise', do grupo mineiro Espanca, no Teatro dos Quatro. Em cena, o que podemos chamar de paranóias do mundo moderno. Tem 'Sassaricando' agora mandando bem do outro lado da ponte, no Municipal de Niterói. Vale cada centavo do ingresso e Soraya Ravenle brilha, como de hábito. Bom fimde, e Vive la Fête na trilha, para animar os dois dias de folga!
Mais uma data de estréia. 'Os Produtores' chega à cena dia 15, no Tom Brasil, em São Paulo. No elenco principal estão Miguel Falabella, Vladimir Brichta e Juliana Paes. A montagem é exatamente a mesma apresentada mundo afora, só que aqui chama atenção a escolha atípica do elenco, que não é de atores-cantores. Se você não viu o filme com Mathew Broderick (ele mesmo, de 'Curtindo a vida adoidado' e marido da Sarah 'Carrie' Jessica Parker 'Sex and The City'), corra pra locadora. É hilário. Só a cena do diretor gay que é bajulado para aderir à montagem de 'Primavera para Hitler' já garante o bom humor por uma semana inteira.
Já tem data a estréia de 'As Centenárias': 6 de setembro, no simpático Teatro Poeira. A peça volta a reunir as donas do teatro, Andréa Beltrão e Marieta Severo, que estrearam o espaço há dois anos como a bergmaniana 'Sonata de Outono'. Era ótima, principalmente com o clima denso da metade pro fim, mas a dupla resolveu sair da atmosfera norueguesa direto para o Nordeste brasileiro. Elas vivem duas interioranas amigas carpideiras que passam a vida percorrendo velórios, chorando os mortos, ouvindo e contando histórias. O texto é do Newton Moreno, autor da premiada 'Agreste', que esteve em cartaz no mesmo Poeira. Cá entre nós, 'Agreste' foi celebrada por aí, mas era bastante pretensiosa e de difícil comunicação com a platéia. No dia em que vi, metade do pouco público que lá estava dormia. Nada que dê pistas sobre 'As Centenárias', criada para Marieta e Andréa e focada na irreverência, mesmo lidando com o tema da morte. O Poeira, que vai ganhar mais espaço graças à compra, pelas proprietárias, da oficina ao lado do teatro, é um dos teatros mais bacanas da cidade e vale a torcida para que sua nova montagem seja tão boa quanto a primeira. A direção, mais uma vez, é de Aderbal Freire-Filho.
Dica para quem quer ficar por dentro do clima do musical '7', da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, que estréia dia 1º no Teatro João Caetano. Ed Motta, responsável pelas canções do espetáculo, lançou em 2005 o disco 'Aystelum', que possui três músicas que estarão em '7'. Ed, Möeller e Botelho já tinham, antes do disco, o projeto de '7' em mente, mas nada definido. Então o compositor usou no cd parte do que havia criado para o musical. Isso pode ser ouvido no medley de três partes: 'Abertura', 'Na rua' e 'Canção em Torno Dele'. A expectativa para ver o novo trabalho da dupla de ouro dos musicais do Rio é grande, esse é o primeiro inteiramente autoral deles. No elenco um caldeirão que reúne Zezé Motta, Ida Gomes, Alessandra Maestrini, Eliana Pittman, Rogéria, Alessandra Verney, Gottsha, Marya Bravo, Tatiana Kohler. É um musical dark, que fala sobre inveja e tem inspiração na história da Branca de Neve. A protagonista, vivida por Maestrini, é uma mulher que perde o marido para uma vizinha, mais bonita que ela, recorre a uma cartomante e deve pagar sete prendas para ter o amado de volta. No decorrer de tudo, pinta um novo amor e um cruel compromisso relacionado à última prenda. Botelho, nosso maior versionista, curtiu a experiência de escrever letras de sua autoria: "Senti-me aliviado. É muito bom não estar amarrado em nada e poder criar livremente. Espero que o público goste". Está dado o recado, até o dia 1º e boa sorte à turma de ''7'.
A temporada teatral é de rico apelo visual. Graças, mais uma vez, a Hélio Eichbauer. Ele assina o melhor cenário em cartaz atualmente, para 'Um Dia, no Verão, no Teatro Nelson Rodrigues, e também a cenografia de 'Um Boêmio no Céu', em cartaz no Villa-Lobos. São dois trabalhos absolutamente diferentes. O primeiro recria uma ampla casa de praia, em ambientação clean e de espantoso realismo na criação do mar que surge por trás da janela e das portas giratórias laminadas. O segundo namora o Brasil em véus pintados de azul e verde, bandeirinhas de festejos juninos, móveis eclesiásticos, um altar e um banco.
Volto a falar de Bruce Weber, desta vez para lembrar que, além de integrar a exposição 'Brasil desFocos (o Olho de Fora), em cartaz no CCBB Rio, o trabalho do fotógrafo de moda e cineasta também tem vez em Sampa. Ele é homenageado pelo festival Iguatemi FilmeFashion, que acontece no shopping Iguatemi de sexta agora até o dia 30.
Ganha uma retrospectiva com sua produção em cinema e vídeo. Nunca é demais apreciar o fantástico trabalho fotográfico de Weber, responsável por campanhas para grifes como Calvin Klein e Abercrombie & Fitch, nos anos 1990, copiadas até hoje e lembradas pelo apelo homoerótico. A dobradinha de Bruce, no Rio e SP, faz bem aos olhos.
 Levei um amigo que nunca tinha visto José Mayer no teatro para a estréia de ‘Um Boêmio no Céu’, sexta-feira, no Teatro Villa-Lobos. Ele estava, portanto, acostumado a vê-lo nos tipos ‘cafas’ ou sedutores das novelas. Com meia hora de peça, eis que surge o comentário: “Ele é bom, né? Eu não sabia”. É sim. E sabiamente, escolheu faceta bem distante da explorada nos folhetins para sua nova incursão teatral. Mayer é um dos responsáveis pela sensação agradável que toma conta da gente ao sair do teatro, peça terminada, graças à voz doce e firme que empresta às canções do espetáculo de Catullo da Paixão Cearense, autor de ‘Luar do Sertão’, que consta no repertório. Uma semana antes da peça, revi Bethânia no Canecão e não pude deixar de pensar que ela adoraria ver o ator em cena. Por que? Ora, porque a montagem dirigida por Amir Haddad exala brasilidade, assim como o show ‘Dentro do Mar tem Rio’. Na porta de entrada para o céu, o boêmio vivido por Mayer conversa com São Pedro (um Antonio Pedro inspirado). Cabe ao diretor ótima definição da encenação: ‘É uma linguagem poética, popular, com ressonância no cordel”. Coisas do Brasil.
Texto do norueguês Jon Fosse, ‘Um Dia, no Verão’ chegou por aqui apoiado em comparações a dois mestres do teatro: Beckett, na óbvia alusão ao tema da espera de ‘Esperando Godot’, e Ibsen, autor de influência quase inescapável a Fosse por ter a mesma nacionalidade. Só que o texto — que na montagem nacional tem Renata Sorrah como protagonista — não faz bom uso das supostas influências. Se elas existem, foram esquecidas, já que o resultado é uma peça em parte monótona e com poucas pistas sobre a personalidade dos personagens.
 Para que fosse legitimada a espera da protagonista pelo marido desaparecido há mais de 20 anos, seria necessário que ele fosse merecedor de tanto apreço. Não é. O personagem, defendido sem brilho por Gabriel Braga Nunes, é apenas chato, vazio. O mesmo pode se dizer da mulher quando jovem (mais tarde, vivida por Sorrah): Sílvia Buarque, apagada, não esboça qualquer indício do motivo do descontentamento do casal. Se o amor acabou, se nunca existiu, quem é aquele par, cabe ao público supor. A repetição, exaustiva, da imagem da protagonista diante da janela à espera do marido, ou a perambular pela casa, prostrada, é situação de texto que merecia direção transformadora de tal conflito interno em ação dramática. Mas Monique Gardenberg conduz o elenco de forma burocrática, apostando em inexistente densidade do texto. Na contramão de tudo, na metade, a presença de Fernando Eiras. Seu papel é pequeno, mas a sagacidade do ator é tanta, que sua breve cena inicial já conquista o público, que ri, se envolve, sente que há vida na encenação. Surge então um conflito maior, com o marido desaparecido na tempestade e o prenúncio de desgraça. Eiras domina a cena e a grandiosidade do cenário se faz presente, com direito até a chuva. A casa de praia criada por Hélio Eichbauer é o mais belo trabalho cenográfico da temporada: há uma fachada interna e quatro portas giratórias laminadas que dão para uma varanda e janela de onde é possível ver o mar. Ele é projetado, mas parece real. Os figurinos de Rita Murtinho vestem as mulheres com sobriedade, a luz de Maneco Quinderé é tão elegante quando a trilha ‘cool’ e Renata Sorrah, mesmo sem personagem à sua altura, é presença agradável. No fim, a sensação de ter visto peça muito bem embalada, mas de pouco recheio.
Dez motivos para ver e rever 'Minha Mãe é uma Peça', em cartaz agora no Teatro dos Quatro. 1. Os tiques nervosos da personagem. 2. A relação dela com a vizinhança, com a tia velha, sua adesão ao orkut e os telefonemas surtadíssimos.
3. Revoltada com o tratamento dos filhos, ela quer bater perna na rua mas, coitada, não sabe o que fazer fora dos domínios de seu lar. 4. Quando finalmente sai, é pra conferir as ofertas do Ponto Frio. E supermercado, claro. 5. Sim, ela pede pra trazer pão. 6. Confunde a amiga gorda do filho, metida numa capa de chuva amarela, com um táxi. 7. Cansada da folga dos filhos, quer etiquetar os copos de casa, para lavar só o dela. 8. Não gosta da nora, tem outro filho que supõe gay, fã de 'Brokeback Mountain', e sabe que a filha não é bonita, mas ressalta: "É feia, mas faz spinning". 9. Figurino, direção e cenário, tudo como deve ser. 10. E Paulo Gustavo, sensacional, do início ao fim.
Quem conhece o trabalho de Fernando Eiras sabe que ele é um ator que faz toda a diferença. Fazia toda, em 'Ensaio.Hamlet', que já era ótima, mas com ele como Ofélia ficava sensacional. Volta a fazer agora em 'Um Dia, no Verão', que estreou ontem no Teatro Nelson Rodrigues. O texto do dramaturgo norueguês Jon Fosse é pura pretensão, chato mesmo, mas quando Eiras surge em cena tudo se ilumina e você passa a gostar, a sentir, a querer mais. Assim, como mágica. Ele torna real a ação imaginária, faz um tipo plausível, se sai bem do tom pseudo-poético do texto. A peça é chique, tem cenografia cool, chega a chover em cena, tudo lindo de se ver. Mas fica só na beleza mesmo. A crítica do espetáculo sai nesta terça-feira no Caderno D, de O DIA. Até lá!
 Um Teatro Municipal lotado aclamou mais uma estréia do Grupo Corpo na cidade ontem. De inédita havia ‘Breu’, coreografia com música de Lenine e inspiração na violência urbana. Figurinos e cenários em preto e branco, movimentos bruscos, intensos, tudo muito bonito e impactante, mas os maiores aplausos da noite não foram para o novo balé, e sim para ‘Sete ou Oito Peças para um Baile’, que abriu o programa duplo da noite. Multicolorida e brasileiríssima, a coreografia não era apresentada pelo grupo mineiro desde 1999 — sua criação foi em 1994 — e arrebatou a platéia graças à parte final, de movimentos extremamente vigorosos, e à envolvente trilha sonora assinada por Philip Glass e pelo grupo instrumental mineiro Uakti. No fim da apresentação, os aplausos eram tantos e tão emocionados que parecia mesmo ser aquela a peça inédita da noite. Já tendo contado com trilhas assinadas por Caetano Veloso, Arnaldo Antunes e Tom Zé, o Corpo foi feliz na escolha de Lenine como o compositor da vez. A música que fez para ‘Breu’ é forte e mistura gama variada de timbres, samplers e efeitos, evocando a tradicional brasilidade tão forte no trabalho do músico pernambucano. Na peça única de oito movimentos, são combinados o hard rock, o corne inglês, nosso frevo e até o som de um instrumento árabe de percussão.
Há muitos barulhinhos bacanas, estranhos, e é notável o preparo físico dos bailarinos, que se movem com os pulsos, cotovelos, joelhos, deslizando no chão, deitados. Estão ora curvados, de pé, num troca-troca acelerado, com quedas bruscas que, contudo, podem causar estranhamento para espectadores que preferem ver coreografias com desenhos mais convencionais. No fim, a certeza de que a excelência da companhia mineira permanece intacta: são corpos capazes de mostrar, na mesma noite, trabalhos absolutamente distintos, ambos de elaboração impecável.
Uma prova de que certos personagens são para uma só atriz, e pronto. Tieta, que inicialmente foi de Betty Faria na novela, caiu nas mãos de Sônia Braga no cinema. Agora, no teatro, será de Tânia Alves, num musical em São Paulo. Alguém discorda que o papel é de Betty e ninguém tasca?
Betty Faria defendeu o papel na TV, já madura, mas em forma, como provaram as cenas de praia com a canga esvoaçante. Sônia Braga, auge da beleza em 'Gabriela' e 'Dona Flor', não segurou a onda em 'Tieta'. Estava acima do peso e sem o tempero exigido pela personagem.
E Tânia Alves? Tudo bem, ela canta, é nordestina, tem trajetória artística diversificada, estaria legitimada portanto. Mas, sei não...será que Jorge Amado aprovaria? Da obra dele, já cometeram Guilia Gam como Dona Flor na TV, personagem de Sônia e que será dela pra sempre.
Quem está a fim de ir ao teatro hoje e não sabe que peça escolher deve apostar as fichas em 'Pão com Mortadela'. O espetáculo sobre a infância e adolescência do Bukowski voltou à cena, agora toda terça e quarta na simpática sala Tônia Carreio do Teatro Leblon. Direção ágil do João Fonseca e elenco entusiasmado, com destaque para o protagonista vivido por Sacha Bali. Até 12 de setembro.
Renata Sorrah, no post abaixo, não está sozinha nas estréias da semana. Bem acompanhada, disputa a atenção do público com José Mayer, que estréia sexta-feira no Teatro Villa-Lobos o musical ‘Um Boêmio no Céu’, do poeta e músico Catullo da Paixão Cearense. Dirigido por Amir Haddad, Mayer canta acompanhado de três músicos e interpreta o tal boêmio do título que, na porta do céu, tenta convencer São Pedro a lhe deixar entrar. No encontro, repassa a vida. Fosse Mayer a repassá-la, lembraria com orgulho de seu encontro teatral com Sorrah em ‘Mais Perto’, em 2000. Ela havia se deslumbrado com o texto que depois se tornaria filme e tratou de encená-lo por aqui. Fez o papel que foi de Julia Roberts em ‘Closer’, enquanto a Mayer coube o personagem de Clive Owen. A peça, encenada também no Villa-Lobos, tinha atmosfera cool, ousadia e clima já cinematográfico.
Renata Sorrah é dessas atrizes que despertam paixão ou reprovação. Há quem não goste do jeito peculiar de falar da atriz, um tanto inquieto e sussurrado. Pertenço ao grupo dos admiradores e todos a que a ele pertencem já têm programa para quinta-feira. É quando estréia 'Um Dia, no Verão', sua nova peça. Ela vive uma mulher atormentada pelo desaparecimento do marido (alguém aí lembrou de 'Sob a Areia'?) em texto do norueguês Jon Fosse. A peça foi também montada na Alemanha, Inglaterra, Finlândia, Suíça, França, Holanda e Islândia e a direção, por aqui, cabe a Monique Gardenberg. Silvia Buarque e Gabriel Braga Nunes também estão no elenco. Na Caixa Cultural RJ – Teatro Nelson Rodrigues.
Quem não viu tem nova chance. 'O Púcaro Búlgaro' está de volta ao Rio, agora no Laura Alvim. A reestréia da montagem dirigida por Aderbal Freire-Filho rola hoje. O Prêmio Eletrobrás elegeu-a melhor espetáculo do ano passado. A peça levou ainda melhor diretor e ator. Tudo merecidíssimo. A obra de Campos de Carvalho é teatralizada em ritmo alucinante.
Daniela Pereira de Carvalho, jovem dramaturga já premiada e conhecida pelos textos de peças como 'Renato Russo' e 'Não Existem Níveis Seguros Para o Consumo Destas Substâncias', serve agora a Eduardo Moscovis. Ele faz pré-estréia neste fim de semana no Municipal de Niterói do espetáculo 'Por Uma Vida 1 Pouco Menos Ordinária', peça que fala de culpa e toca no tema do porte de armas. No elenco, Liliana Castro, a atriz-fetiche da autora, e Gustavo Gasparini. A pré em Niterói tem ingressos a R$ 20 e fica até domingo.
 O fotógrafo americano Bruce Weber registrou esse momento em viagem ao Brasil. Ele, e muitos outros registros, integram exposição chamada ‘Brasil desFocos [o Olho de Fora]’, que mostra o olhar estrangeiro para o Brasil. São mais de 100 fotos, Andy Warhol entre elas, mas essa aí do casal vale por muitas. No CCBB até 16 de setembro. Vale a visita.
 Fernanda Montenegro vai voltar ao teatro, mas não para fazer teatro. Ela, que não estréia peça desde 2002 ('Alta Sociedade'), faz incursão pelo terreno da dança/teatro. Nossa grande dama vai participar de 'Mar de Gente', o primeiro espetáculo da Cia.TeatroDança Ivaldo Bertazzo, fundada em fevereiro de 2007. O tema central é o olhar do artista sobre a evolução do homem. Há na montagem cinco textos inéditos, criados a partir de uma pesquisa sobre a evolução da humanidade, da observação dos ensaios, de referências culturais, filosóficas e científicas. É aí que Fernandona entra: ela vai ler tais textos. O projeto ganha o Teatro Carlos Gomes a partir do dia 16. Tudo bem, a idéia é boa, mas já está na hora de Fernanda voltar ao palco de fato, não é?
Homem chora, sofre por amor. Na peça 'Veridiana e Eu', o jogo amoroso se faz presente na figura de sete homens que despertam numa ilha deserta e descobrem que todos amaram e foram desprezados pela mesma mulher. O enredo é do segundo espetáculo da Companhia de Teatro Íntimo, com texto de Tarcísio Lara Puiati e direção de Renato Farias, que estréia por aqui dia 10 no Teatro do Jockey. No Fringe 2006, Festival de Curitiba, o pessoal adorou. Sexta-feira saberemos por que. Já começam bem, pois a foto é ótima. E porque falar de amor é sempre bom.

Eis a foto de Bruce Gomlevsky como Macbeth. Ele está sendo dirigido por Moacir Chaves e a peça estréia dia 14 de agosto, às 21h, no Teatro Maria Clara Machado (Planetário). É a primeira incursão teatral do ator depois do sucesso do musical 'Renato Russo', em que viveu o saudoso líder da Legião Urbana. Para a seleção do resto do elenco, rolou uma oficina no Teatro Poeira durante três meses. Serão 14 atores em cena.
O fim de semana é das comédias, com nomes conhecidos da TV a serviço do riso. No Teatro dos Grandes Atores, ganha vida ‘Querido Mundo’, texto de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa que mostra um casal de vizinhos preso num conjugado na noite de Réveillon. No elenco estão os paulistas Maximiliana Reis e Jarbas Homem de Mello. No mesmo teatro está em cena ‘Alarme Falso’, peça em que Eri Johnson dá vida a dez personagens, todos suspeitos da morte de uma tal Dona Divina. Na Zona Sul o destaque é a reestréia de ‘Boom’, sucesso do diretor televisivo Jorge Fernando. Jorginho faz um paranormal que recebe os espíritos de uma dançarina francesa de cancã, de uma cantora lírica, de uma portuguesa louca por fados e de um sujeito que morreu enquanto dormia. É divertido, vale a sessão no Teatro das Artes.
Não, você não se enganou. A loura da foto é mesmo Juliana Paes. Ontem, o pessoal por trás do musical 'Os Produtores' liberou as primeiras fotos da atriz com a peruca loura que usará como a femme fatale Ulla. Não ficou legal, né? Escolheram por aqui uma atriz morena jambo para viver a personagem sueca (!) que foi de Uma Thurmam no cinema, e tiveram que tacar uma peruca nela. Sei não, talvez fosse o caso de bancar a morenice de Juliana, ora. Afinal, o que a personagem pede é sensualidade. Isso a brasileira tem, e de sobra. Quanto a saber cantar e dançar, bem, só quando o musical estrear em São Paulo saberemos...
Paulo Gustavo não tem do que reclamar. O monólogo que lhe trouxe fama e a possibilidade de ganhar a vida - e bem - como ator, volta à cena no Rio depois de temporada de sucesso em Niterói. Muita gente viu e adorou 'Minha Mãe é Uma Peça', em que ele faz uma mãe típica, mãezona mesmo, dedicada, implicante, totalmente inspirada em sua própria mãe. A reestréia da peça vai ser dia 9 no Teatro dos Quatro. A direção é do competente João Fonseca. Vale a sessão.
|
|
|