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| André Gomes |
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Que o Marcelo Médici está subaproveitado na novela 'Sete Pecados', todo mundo sabe. A novidade é que quem nunca teve oportunidade de conhecer seu talento ao vivo poderá fazê-lo a partir de sexta, quando o ator comemora 300 apresentações da comédia 'Cada um Com Seus Pobrema' no Teatro Leblon. A nova temporada da peça que o tornou célebre é de seis semanas, e o ator já tem engatilhado projeto novo: vai estrelar nova versão de 'O Mistério de Irma Vap' no palco, ao lado de Cássio Scapin, dirigido por Marília Pêra, que esteve por trás da primeira versão da peça, com Marco Nanini e Ney Latorraca - os dois se apresentaram durante 12 anos com o espetáculo, que depois rendeu um filme bem mais ou menos. Boa sorte pro Médici, que estava impagável em 'Sweet Charity' e ainda cantava bem.
Tardiamente, eu sei, quero comentar aqui sobre o show da Madeleine Peyroux no Rio. Sabe aqueles amores à distância que, quando aproximados, não dão certo? Pois é. Foi a sensação que tive ao sair do Municipal, na noite de quarta. Adoro os CDs dela, nunca impliquei nem mesmo com o modo de cantar que para muitos é imitação de Billie Holiday, mas ouvi-la ao vivo é absolutamente diferente do que apreciá-la em CD. O Municipal, grande demais para um show intimista de jazz e folk, contribuiu para a frustração. Mas Madeleine também: apesar de simpática, é tímida demais, não sabe o que fazer com as mãos, é desajeitada, tadinha. Houve grandes momentos, valeu a pena, mas, cá entre nós, a paixão acabou. Vou ter que fazer as pazes com ela a sós, em disco. Bem melhor.
A ótima foto ao lado ilustra o convite do espetáculo 'Ensaios de Mulheres', que estréia hoje, em plena noite do 'quem matou Taís' na TV. O cara vestido de mulher é um dos Atores de Laura que, sob a direção de Daniel Herz, encenam esta adaptação contemporânea da peça 'L’orchestre', de Jean Anouilh, sobre os bastidores de uma decadente orquestra feminina, interpretada por homens. No palco, Anderson Mello, Charles Fricks, Felipe Mônaco, Leandro Castilho, Luiz André Alvim e Paulo Hamilton vivem as violinistas. O único papel masculino, o pianista Osvaldo, é vivido por Marcio Fonseca. A histérica, a virgem, a casada e a amante são algumas das personagens da montagem, mas a intenção não é rotular a mulher, mas apresentá-la sob a ótica masculina. No Teatro Laura Alvim, de hoje a 25 de novembro.
A Cia Dani Lima ataca em frentes variadas a partir desta sexta, dando um gás na trilogia ‘Vida Real em 3 Capítulos’. A idéia é composta de três obras: uma performance solo, o espetáculo ‘Manual de Instruções’ e a instalação ‘Eu é um Outro’. A instalação já rola amanhã, na minigaleria da Caixa Cultural do Rio — é ela que fecha a trilogia, cujas primeiras duas partes estrearam ano passado. A cena se dá com a contribuição do artista plástico João Modé, com a interação do espectador a partir de fotos, desenhos, escritos e áudios. Diferente também é a performance solo (6, 13 e 20 de outubro — às 14h, 15h, 16h e 17h, também na Caixa): um só espectador e um só bailarino conviverão por 50 minutos, em espaço fechado, num jogo de intimidade e memória. Parece arriscado? A idéia é essa.
Você, caro leitor antenado na programação cultural carioca, já deve estar careca de saber que tá chegando a hora do riocenacontemporanea, festival internacional de artes cênicas do Rio. Sim, o festival do Rio e seus mais de 300 filmes nem acabou, as listas de filmes dos cinéfilos mal foram fechadas, e eis que o riocena já chega anunciando para o dia 5 sua estréia. Vamos aos números: 70 atrações, dez dias de festival, peças na rua, nos Sescs, no Oi Futuro, CCBB, Centro Cultural da Ação da Cidadania etc etc etc. Tem muita coisa pra falar e ver, mas vale adiantar algo. OS SERTÕES A peça dirigida pelo Zé Celso transporta para os palcos a saga de Euclides da Cunha. Dividida em cinco partes, tem 26 horas de duração. É, é isso mesmo: 26 horas. BR-3 A Baía de Guanabara é o palco da montagem. O público assiste-a de uma balsa, que percorre 15 pontos entre a Ponte Rio-Niterói e a Ilha do Fundão. Teatro flutuante. POR UMA VIDA UM POUCO MENOS ORDINÁRIA Depois de Niterói, é a vez de Eduardo Moscovis mostrar sua peça no Rio, em pré-estréia. Dele não, da Daniela Pereira de Carvalho, mas protagonizada por Du. Em cena, o debate sobre o porte de armas. A gente vai falando mais do riocena, do Cabáré... até lá.
Duque de Caxias vai receber no fim de semana a peça 'Virgolino Ferreira e Maria de Déa - Auto de Angicos', em que Marcos Palmeira e Adriana Esteves interpretam Lampião e Maria Bonita. O espetáculo de Marcos Barbosa tem direção de Amir Haddad e recria os últimos momentos da vida do célebre casal, na Grota do Angicos, na manhã de 28 de julho de 1938. No Teatro Raul Cortez, de sexta a domingo. Haddad explica o que o público encontrará em cena: "Vamos encontrar Lampião sem cartucheira, sem a bota, sem o chapéu, fazendo o café da manhã para si e para sua companheira, discutindo as questões que assolam sua vida, como deixar o cangaço, ou não, enfrentar a violência, entender até mesmo da onde vem essa violência."
Dorothy desembarca no Rio neste e no outro fim de semana com seus amigos, o Espantalho, o Leão e o Homem de Lata. O local é o Vivo Rio e o espetáculo é o musical 'O Mágico de Oz'. Em cartaz desde 2003, a montagem já foi vista por quase 1,5 milhão de espectadores em nove cidades brasileiras e também na Argentina, Chile e Peru. O musical tem os diálogos e as músicas cantadas em português - tudo adaptado por Claudio Botelho. São 200 profissionais envolvidos, entre eles 40 atores e músicos. Mais números: 180 figurinos, 35 trocas de cenários e 28 toneladas de equipamentos. A direção é de Billy Bond. Marco do cinema, 'O Mágico de Oz' foi considerado o melhor filme familiar de todos os tempos pelo American Film Institute.
Quem está a fim de uma oportunidade para ingressar no teatro pode tentar a sorte dia 30, na Casa da Glória (Ladeira da Glória 98) a partir das 13. É lá que a Cia. de Atores Duplô seleciona atores e atrizes para a reestréia do espetáculo 'DeFlora-te'. Os candidatos, que farão monólogo de dois minutos, devem levar currículo com foto. Escrito por Gabriela Linhares, o espetáculo é inspirado em 'O Balcão', do querido e maldito Jean Genet. A página da companhia é a www.atoresduplo.com.br
Gostou da foto? Quer levar para viagem? Calma, que tudo se ajeita. Mateus Solano e Miguel Thiré escolheram para título de sua peça o sugestivo nome de 'Dois p/viagem'. O espetáculo, em cartaz toda quarta e quinta na Casa da Gávea, mostra a dupla tentando apresentar uma comédia ao público. Eles estão presos em uma espécie de feitiço que faz com que o tempo volte cada vez que chegam na mesma imagem de uma mulher vestida de azul, sentada no banco de uma praça. Neto de Tônia Carrero, Miguel fez questão de usar a avó famosa em cena, em participação especialíssima, em vídeo. Ah, a temporada vai até 1º de novembro.
Fim de semana de teatro gratuito no Sesc Tijuca, com as peças 'Vão Paraíso' (sexta) e 'Amigo é pra Essas Coisas' (sábado). A primeira tem autoria de Walter Daguerre e direção de Adressa Koetz e aborda a realidade de um casal de meia-idade dividido entre o paraíso possível e o impossível. Já a segunda, de Vitor Hugo Marques, tem direção de Daniel Dias da Silva e fala de amor, pelo ponto de vista masculino. Às 20h, na Rua Barão de Mesquita 539 (3238-2133).
Quem curtiu o especial 'Por Toda a Minha Vida' sobre Renato Russo pode voltar a matar as saudades do eterno ídolo da Legião Urbana. O musical 'Renato Russo' volta à cena, desta vez no Municipal de Niterói, de sexta a domingo. Bruce Gomlevsky interpreta o cantor e executa, com acompanhamento de banda ao vivo, alguns dos principais sucessos da banda, como 'Pais e Filhos'. Foi por causa do sucesso da peça que ele foi convidado a protagonizar o especial da Globo. Não que o musical de Daniela Pereira de Carvalho seja uma maravilha: tem seus méritos, mas dramaturgicamente é superficial, e Bruce, embora esteja fisicamente bastante parecido com Russo, alterna bons e maus momentos na parte musical. Só que os legionários fizeram o sucesso da montagem. Agora é a vez da galera de Niterói reviver os áureos tempos da Legião. Não foi tempo perdido.
Os 50 anos da estréia do musical 'West Side Story' serão comemorados com um bate-papo com fãs e profissionais ligados ao gênero, dia 26, com entrada franca, no Sesc Copa. Estarão presentes Flavio Marinho, Claudio Botelho, Charles Möeller e a bailarina Ana Botafogo. O filme será exibido às 18h e o debate rola a partir das 20h30. O musical de Arthur Laurents, Leonard Bernstein e Stephen Sondheim, com direção e coreografias de Jerome Robbins, é considerado um marco na história do gênero. A estréia, depois de um mês de ensaios abertos fora de Nova Iorque, aconteceu dia 26 de setembro de 1957, no Winter Garden Theatre. Fãs confessos de Sondheim, Möeller e Botelho montaram há dois anos 'Lado a Lado com Sondheim', adorável musical com canções do compositor, que estreou no CCBB Rio. A mediação do debate será de Artur Xexéo. Para quem não conhece a história: o cenário é o Upper West Side de Manhattan, onde há rivalidade entre duas gangues – porto-riquenhos e brancos. O protagonista, Tony, que pertence à gangue branca, se apaixona por Maria, irmã do líder da gangue dos porto-riquenhos. A música sofisticada, o tema trágico com foco nas questões sociais e as coreografias elaboradas de Jerome Robbins foram um marco no teatro musical. A trilha de Bernstein popularizou-se em canções como 'Something's Coming' e 'America'.
Ainda não consegui ver o 'Anticlássico' da Alessandra Colasanti, que enfeita essa bela foto de divulgação do espetáculo, mas pelo visto as coisas pra ela - ex-parceira de Michel Melamed nos merecidamente bem-sucedidos 'Regurgitofagia' e 'Dinheiro Grátis' - vão muito bem, obrigado. Sua peça vai ganhar sessões extras, neste sábado e domingo, às 17h, lá no Sesc Copa. A montagem é uma sátira em forma de falsa palestra, na qual a Bailarina de Vermelho, sua personagem, fala sobre o enigma vazio. Trata-se de uma crítica aos especialistas em tudo que nada sabem e, como de costume, Colasanti faz uma reflexão sobre cultura e linguagem.

 Anote aí na agenda, porque essa merece. 'Ensaio.Hamlet' já tem data para voltar. Vai ser dia 24, em temporada até 3 de outubro, no espaço da Cia. dos Atores, na Lapa, de segunda a quarta, às 20h. Nesta desconstrução para o clássico de Shakespeare, tudo funciona com perfeição, numa encenação de rico apelo visual e fantástico rendimento do elenco. Bel Garcia, César Augusto, Emílio de Mello, Felipe Rocha, Malu Galli e Marcelo Olinto são dirigidos por Enrique Diaz. É a Cia. dos Atores em seu melhor momento. Vale lembrar que, pra parte deles, será uma maratona, já que a galera terá que se dividir entre 'O Bem Amado' e seu Hamlet moderno (e Malu com seu 'Diálogos com Molly Bloom' no Solar). Sem stress, já que é tudo por uma ótima causa.
O pessoal da Cia. de Atores Invisíveis, fundada em 2004 e que vem batalhando seu espaço no circuito, vai reestrear nesta quarta, na Fundição Progresso, a peça 'Expectantes'. O tema é a expectativa e pelo palco passeiam personagens como um palhaço, uma noiva, uma cigana, um travesti e um carteiro que se encontram na fila de um parque de diversões.
Em cartaz no Sesc Ginástico, ‘Pequenos Milagres’, montagem que celebra os 25 anos de uma das companhias teatrais mais importantes do País — o Grupo Galpão — é exemplo de peça que se impõe pela força da encenação. Quatro textos, do total de 600 histórias enviadas por cartas e e-mails, ganharam tratamento dramatúrgico, todos com a intenção de evidenciar o homem comum, e não o herói. Das tramas, há duas boas, uma ruim e outra mediana, mas em todas a compreensão do espaço cênico, explorado a partir do excepcional cenário, obra do diretor Paulo de Moraes em parceria com Carla Berri. Paulo brilha na direção dos tarimbados atores da companhia e na criação das imagens apresentadas a partir de um armário em madeira e ferro (com 5 metros de altura e 8 de largura), que forma paredão de oito pequenos cenários. Está em ‘Cabeça de Cachorro’, sobre menino enviado pela família a São Paulo com a missão de entregar a tal cabeça do animal para exame, a trama mais simpática. Antonio Edson encarna o personagem de 11 anos com graça, demonstrando delicado estudo sobre o universo infantil, num elenco em que se destaca ainda Inês Peixoto, protagonista de ‘O Vestido’. Paulo André também exibe sua versatilidade e divide as atenções com Eduardo Moreira e Lydia Del Picchia, comoventes como marido e mulher em ‘Casal Náufrago’, a melhor história. A requintada iluminação, de inspiração cinematográfica, é outro ponto alto deste espetáculo de impacto visual.
Quando as primeiras notícias sobre uma nova montagem de ‘O Bem Amado’ no teatro começaram a pipocar, chamaram atenção os nomes envolvidos : Marco Nanini como protagonista, em encontro inédito com um dos mais celebrados grupos teatrais da atualidade, a Cia dos Atores. Direção de Enrique Diaz, adaptação de Guel Arraes e Claudio Paiva e expectativa para saber o que tal equipe faria com o primoroso texto de Dias Gomes, que na TV teve carreira brilhante, em novela e série com Paulo Gracindo à frente do elenco.
 Resposta à pergunta lançada: fez o burocrático, com verniz modernoso nem sempre satisfatório. A ambientação cênica de Gringo Cardia — com quatro visuais diferentes assumidos durante a peça — até começa bem, com a imagem de Odorico Paraguaçu repetida à exaustão em painéis ao fundo enquanto o público acompanha um showmício e é incentivado a se manifestar. Mas logo perde a força, por deixar os personagens à deriva: há um ou outro elemento cênico à disposição, como a mesa e a cadeira do prefeito, em cenas com marcações nem sempre bem-resolvidas. A iluminação de Maneco Quinderé é de poucas nuances, restando aos inspirados figurinos de Antônio Guedes — em clima retrô para as irmãs Cajazeiras e nas cores da bandeira para o protagonista — a adequação à proposta de uma Sucupira pop e provocante. A trilha sonora do DJ Dolores, embora sirva ao enredo, também tem execução demasiada. Cabe ao elenco se esforçar na difícil missão de incorporar personagens que ainda estão na memória afetiva da platéia. Marco Nanini compõe um Odorico perfeito na condução das trucagens do político demagogo, que precisa que alguém da cidade morra para que possa inaugurar o cemitério. Joga com a platéia sem excessos e brilha na cena de assédio ao trio de irmãs. Já o Dirceu Borboleta de Marcelo Olinto é bela homenagem ao de Emiliano Queiroz, o que não se pode dizer do Zeca Diabo de Gustavo Gasparani, totalmente apagado. Mesmo aquém do esperado, ‘O Bem Amado’ atual diverte. Afinal, o texto, ainda hoje, se mantém crítica bem elaborada à forma de se fazer política no Brasil. Crítica publicada originalmente no Caderno D do Dia nesta sexta, 14/9.
Tem teatro novo na cidade. É a sede da Cia dos Atores, que, além de espaço para ensaio, pesquisa e oficinas, passa a ter programação fixa. Neste fim de semana, tem 'A leitura cênica de História de Amor (últimos capítulos)', de Jean-Luc Lagarce, com o pessoal do Teatro da Vertigem, de São Paulo. Tem mais boa notícia: o próprio pessoal da Cia dos Atores vai voltar a apresentar por lá 'Ensaio.Hamlet', considerada por muitos sua melhor peça. De fato, é imperdível. As apresentações serão no fim do mês. O espaço fica na Rua Manoel Carneiro 10 e 12, Lapa (2242-4176).
Decepção é a palavra. Ela sintetiza com perfeição a reação ao espetáculo de Michel Melamed, que estreou ontem no CCBB, e encerra a trilogia iniciada com ‘Regurgitofagia’ e seguida por ‘Dinheiro Grátis’. Tem quem não curta o Michel, mas sempre gostei dele, por seu espírito contestador, aliado à sagacidade nata de um cara que sabe ocupar seu espaço no contexto artístico brasileiro. Sempre achei ele necessário. Mas ‘Homemúsica’, título do espetáculo que acaba de iniciar temporada, nada tem de super, como supunha, em comentário anterior e na alusão à figura do Super-Homem que tudo pode. Michel podia, deixou de poder. A montagem atual parece ter sido concebida para que ele pudesse cantar, e só. A trama, ou fiapo dela, está ali por acaso. E as músicas que ele canta nada têm a ver com o que antes ou depois é dito. Sim, é chato. Muito chato. Extremamente pretensioso e inconsistente. Uma overdose de conceitos mal-relacionados, que antes, em ‘Dinheiro Grátis’, relacionavam-se com perfeição. O blablablá de Homem Helicóptero, que emite sons de instrumentos a partir de partes do seu corpo, é narrado por ele, também protagonista, numa egotrip que pretende mostrar os percalços de sua própria criação artística. Ora, fica claro que ele tentou inventar algo, à exaustão, mas não conseguiu. Um ou outro momento bom, nada além disso.
A galera do Surto pede pra avisar, então aí vai: é hoje o dia da comemoração dos quatro anos de sucesso do espetáculo de humor com os atores Rodrigo Fagundes, Taís Lopes, Flávia Guedes e Wendell Bendelack. A comédia de esquetes já rodou vários teatros e celebra a longevidade esta noite no Canecão, a partir das 21h30. Vistos por mais de 500 mil pessoas, os surtados iniciam turnê nacional, com primeira parada em Juiz de Fora. É a vez dos mineiros se divertiram com a trupe.
 Os fãs de Michel Melamed já sabem, mas quem não sabe pode anotar na agenda: está marcada para amanhã a estréia do novo espetáculo do apresentador/muso/poeta/ator. Chama-se 'Homemúsica' o nome da peça que encerra a Trilogia Brasileira, iniciada por Melamed com o sucesso 'Regurgitofagia' e seguida por 'Dinheiro Grátis'. Sim, é mais um monólogo e, claro, repleto de adoráveis estranhezas. Desta vez, o cara interpreta Helicóptero, um jovem brasileiro com o dom de emitir o som de um instrumento musical em cada parte de seu corpo. Se for tão bom quanto foi 'Dinheiro Grátis', vale cada centavo do ingresso que, no caso do CCBB, é 'baratim baratim': só R$ 10. Vale encerrar o post com frase de Verlaine que enfeita o release do espetáculo: “Antes de tudo, a Música (...) E todo o resto é literatura.”
Tem uma reclamação constante de quem vai sempre a teatro que finalmente lembro de explicitar aqui. O que são aquelas poltronas do Teatro Leblon, das salas Marília Pêra e Fernanda Montenegro? É um aperto tremendo, o espectador se sente numa gaiola, distância mínima entre uma fileira e outra. Pior é que o aluguel do teatro é caríssimo, os produtores vivem reclamando. O oposto se observa no Sesc Ginástico e no Maison de France, onde o conforto dos assentos é ponto alto. Já está mais do que na hora de investir também na qualidade das instalações a fim de atrair quem não vai ao teatro.
A notícia é: Dercy Gonçalves terá sua trajetória retratada em peça. Até aí, tudo bem. Mas nossa atriz centenária será interpretada por Fafy Siqueira, que batizou o espetáculo de 'Dercy por Fafy'. Tinha necessidade? O nome da atriz no título cheira a egotrip. Quem vai dirigi-la é Marília Pêra.
A semana passada foi de maratona teatral. Quarta, quinta e sexta, direto, uma estréia atrás da outra, saldo positivo, mas algum desapontamento também. Para dinamizar, melhor um breve comentário de cada uma das peças assistidas, antes de publicar os textos com observações maiores. Vamos lá: Pequenos Milagres O Grupo Galpão prova porque é um dos mais respeitados do País e o diretor Paulo de Moraes volta a reafirmar o talento de ótimo encenador que está sempre em busca do novo. O grande trunfo da montagem em cartaz no Sesc Ginástico é a cenografia, com armário em madeira e ferro (com 5 metros de altura e 8 de largura), que forma um paredão de oito pequenos cenários compartilhados. Com a ajuda dele são contadas quatro histórias, selecionadas por e-mail ou cartas. Começa mal, com a pior história contada inteira, mas logo engrena. Luz cinematográfica, elenco fantástico e marcações inteligentíssimas. ‘Casal Náufrago’ é o melhor dos textos. As Centenárias O texto de Newton Moreno criado especialmente para Andréa Beltrão e Marieta Serevo para encenação no Teatro Poeira não é essa Coca-Cola toda. Fica muito baseado numa idéia só, embora tenha ótimas sacadas, no espanto da dupla de carpideiras diante dos avanços tecnológicos, por exemplo. No começo, estranhar o sotaque das personagens é quase inevitável. Depois, você se acostuma. Andréa tem aproveitamento total de todos os personagens que defende, está excepcionalmente à vontade nos papéis. Já Marieta passeia por altos e baixos, embora seu saldo seja também positivo. As atrizes oferecem um rico trabalho gestual e de composição física, realmente louvável. Uma cortina de bonecos é o principal elemento do cenário e ótima idéia, já que são eles os mortos que, durante a encenação, serão ‘chorados’ pela dupla de carpideiras. Eu gostei, mas vai ter quem ache arrastado, isso vai. O Bem Amado Enrique Diaz é um diretor de imaginação farta, mas sua condução para a peça de Dias Gomes é um tanto tímida. O cenário de Gringo Cardia, composto por painéis que se transformam de acordo com as cenas, é até bacana, mas básico demais — faltou a grande sacada. O palco fica por vezes muito nu, a luz é de poucas variações, e cabe a Marco Nanini fazer com que o excelente texto vingue em cena. Se vinga? Claro. Nanini dá o show habitual, mas quando se fala da Cia. dos Atores, a gente sempre espera mais. O Zeca Diabo (Gustavo Gasparini) atual é fraquinho, já o Dirceu Borboleta de Marcelo Olinto é uma homenagem e tanto ao de Emiliano Queiroz, intérprete da TV. A cena mais divertida é a do assédio de Odorico às irmãs Cajazeiras. Em cartaz no Teatro das Artes.
Saiu sexta no Caderno D a crítica do espetáculo 'O Manifesto', que agora chega ao blog. Está na capa do belo programa que apresenta o espetáculo ‘O Manifesto’: as maiores batalhas são travadas entre quatro paredes. Quem defende a tese é o dramaturgo inglês Brian Clark, que teve sua peça montada nas principais capitais do mundo e pela segunda vez — a primeira foi em 1987 — a tem encenada no Brasil. O texto, que falava sobre a bomba de Hiroshima na Segunda Guerra Mundial, foi adaptado: hoje ouve-se sobre a morte de Saddam Husseim e a invasão ao Iraque. Com linguagem crua e muita sagacidade, Clark utiliza o casamento como metáfora para discutir os grandes conflitos mundiais. O resultado não poderia ser melhor: tanto o universo particular dos personagens como o compromisso com o coletivo são abordados com maestria. Veja o caso de Margareth, personagem vivida por Eva Wilma com extrema sensibilidade: ela é a mulher progressista de um general linha-dura, defendido por Othon Bastos com perfeição. Quando a notícia de que assinou um manifesto pacifista vem à tona, o mundo do marido desaba. A briga avança e ela resolve revelar que a doença que tem é mais grave que ele imagina. Ele, então, desenterra segredos num acerto de contas duro no qual sua máscara de ‘correção’ desaba. Edward utiliza o que há de pior para ofendê-la: a própria doença dela, por ele entendida como punição ao adultério. O casal, contudo, está aprendendo a sobreviver nas diferenças, tanto na visão que têm da relação como na da guerra. À guerra particular, ela sobreviveu na possibilidade de amar outro, enquanto o marido vivia o gozo no front. Para a guerra mundial, buscou conforto no enfrentamento a seus líderes. A grande lição do texto está na proposição da tolerância e no estímulo ao cultivo do individual, mesmo na vida a dois. Eva, em estado de graça, e Othon, dosando fraqueza e força na mesma medida, oferecem à platéia o teatro como agente transformador. Na missão, são muito bem conduzidos pela direção de Flávio Marinho e estão igualmente bem servidos no elegante cenário que recria a sala do casal, de Edward Monteiro, e nos sóbrios figurinos de Walter Rodrigues. Teatro de rara qualidade.
Segunda-feira publicamos um perfil com o Claudio Botelho no jornal, no qual ele falava sobre os próximos projetos, depois de '7'. Ele adiantou que 'A Noviça Rebelde', próximo musical seu em parceria com Charles Möeller, terá audições para escolha de elenco mês que vem. Maria, a protagonista, poderá ser escolhida nesses testes. Se você leu, já está careca de saber, mas tem mais coisa. O patrocínio do Bradesco vai disponibilizar 2,5 milhões de reais para a montagem. "Confiamos que vai aparecer uma Maria nos testes", diz Botelho. "Fizeram uma montagem desastrosa há uns 10 anos no Rio. Não pode". É o musical mais popular de Rodgers e Hammerstein, e não é o único novo projeto de Möeller e Botelho. "Também para o ano que vem queremos fazer um musical com canções do Milton Nascimento". Algumas das canções já estiveram num balé do Grupo Corpo. O resto, é inédito.
No corre-corre da redação, esqueci de mencionar que, entre as estréias especialíssimas da semana, além de Nanini, Marieta e Andréa Beltrão, temos o Grupo Galpão.
 A companhia mineira celebra 25 anos de carreira apresentando 'Pequenos Milagres'. A idéia da montagem começou em 2006 com a campanha 'Conte sua História', idealizada pelo diretor Paulo de Moraes. A companhia se dispôs a receber histórias enviadas por anônimos. Chegaram 600, entre cartas e e-mails. Os conteúdos deviam apresentar pequenos milagres cotidianos. Atores do grupo, diretor e o dramaturgo Maurício Arruda Mendonça selecionaram as 50 que mais representavam o cotidiano do homem do povo e o sonho de pessoas comuns. Tal seleção foi diminuída pra quatro histórias, as que compõem o espetáculo que o carioca verá a partir de amanhã no Sesc Ginástico. Eis os títulos: 'Cabeça de Cachorro', 'O Pracinha da FEB', 'O Vestido' e 'Casal Náufrago'. Gostei da idéia, espero gostar da peça.
E quanto ao '7', heim, o que vocês acharam? A crítica publicada ontem no Caderno D do Dia segue abaixo. Com a estréia de ‘7 — O Musical’, no fim de semana no João Caetano, o teatro musical brasileiro chegou à maioridade. Os pais — Charles Möeller e Claudio Botelho — o vinham criando com afinco e mais reconhecimento desde o sucesso de ‘Cole Porter — Ele Nunca Disse Que Me Amava’, mas agora, na estréia da 15ª produção em parceria, apresentam ao público seu projeto mais ambicioso, por ser 100% autoral. Se antes a dupla se debruçava sobre a obra de grandes mestres do teatro musical mundial, desta vez partem do nada: as elegantes canções de ‘7’, boa parte delas em clima quase operístico, foram criadas por Ed Motta para a montagem. É teatro musical em estado bruto, com canções que servem à narrativa com perfeição — as letras de Claudio Botelho, diretor musical do espetáculo ao lado de Ed, emocionam, divertem, mas estão ali para contar uma história. O que é contado, por sinal, revela a facilidade que Möeller, o autor e diretor da trama inspirada na fábula de Branca de Neve, tem em unir conteúdo e leveza. O elenco canta a inveja, o desamor, o destino, caminhando rumo a fim apoteótico, que sentencia: seguir em frente é melhor do que olhar para trás. Causa impacto o belíssimo cenário soturno de Rogério Falcão que recria um bosque, apresenta duas sacadas e alude à paisagem dos Arcos da Lapa. O glamour se faz presente nas escadas com degraus iluminados — a cena em que Clara (a bela Tatiana Köhler, uma grata surpresa) desce escoltada por homens que seguram candelabros é de impacto visual impressionante. Há ainda em cena um imenso e bonito relógio — a peça se passa em duas épocas distintas, num truque que serve à amarração final do instigante enredo.
 No palco, o clima é de urgência nas dores de Amélia (Alessandra Maestrini, fantástica), que tenta trazer seu amado de volta e deve pagar sete prendas para reconquistá-lo. No duelo de vozes em que é a protagonista, há espaço ainda para o brilho de outra Alessandra, a Verney (a dupla alcança o auge em ‘Ele Vai Voltar’), que, em idéia divertida, chega a cantar dentro de uma espécie de túmulo de gelo, cercada pelos rapazes do elenco, na referência aos anões da fábula dos irmãos Grimm. Ainda na parte musical, Maestrini emociona com sua interpretação para ‘Olha Pra Mim’, uma das canções com potencial para ultrapassar os limites do teatro musical. Rogéria, Gottsha e Maria Bravo divertem, Zezé Motta impõe força à sua feiticeira, Eliana Pittman faz bom uso da voz nas duas canções a que tem direito e Ida Gomes, a narradora, triunfa, comovendo num elenco feminino irretocável. O masculino, embora esforçado, tem altos e baixos — houve problemas no som —, e talvez fosse bom inserir maior quantidade de números coreografados. Perucas, figurinos luxuosos criados por Rita Murtinho e maquiagens fantasmagóricas enfeitam ‘7’ de hipnótico clima dark. Enfeitiçante, grandioso e surpreendente, um musical para a posteridade.
Havia feito breve comentário aqui sobre 'Um Boêmio no Céu'. Agora, vamos aos detalhes. Catullo da Paixão Cearense é tido como o poeta e músico que melhor cantou o sertão nordestino. Mesmo assim, muita gente nunca soube de sua importância. Mas ouviu suas canções. É dele a autoria de ‘Luar do Sertão’ e também do espetáculo ‘Um Boêmio no Céu’, que só agora, 62 anos após ter sido escrito, ganha encenação, no Teatro Villa-Lobos. Em cena, José Mayer encarna o adorável boêmio do título, canta repertório formado por 10 músicas de Catullo, além de outra especialmente composta para a montagem. O resultado é uma declaração de amor a um Brasil regionalista. A força da montagem está concentrada no texto feito em versos, no cenário de Helio Eichbauer que apresenta um coreto com trio de músicos, véus azuis e verdes e bandeirinhas juninas e, muito, no carisma que Mayer empresta ao protagonista, trovador boêmio que pede a entrada no céu a São Pedro (Antônio Pedro). A voz do ator reúne docilidade e firmeza na interpretação de canções que evocam um Brasil ingênuo, e o ele tem em Antônio Pedro parceiro à altura, numa dobradinha que rende boas risadas. A direção de Amir Haddad situa a ação na frente do palco — talvez temendo a grandiosidade do teatro em questão para um espetáculo em que o requinte está na simplicidade — e acerta na condução da história, embora seja necessário prestar atenção na dicção de Aramis Trindade para Santo Onofre. Os figurinos de Biza Vianna são mais um acerto da peça que, mesmo com um ou outro problema de ritmo, conquista por subverter a ordem, humanizando os deuses e divinizando os homens.
Quem estava planejando ver 'As Centenárias' e já sabia o preço do ingresso pode tratar de tirar mais dinheiro da carteira. A peça nem estreou - a estréia pra convidados é na quinta - e já aumentou seus valores. De R$ 50, às quintas, sextas e domingos, passou pra R$ 60. No sábado, o valor foi de R$ 60 pra R$ 70. Tudo bem, a gente torce pelo espaço adorável de Andréa Beltrão e Marieta Severo que deu uma revitalizada na São João Batista, em Botafogo, mas a peça tem patrocínio de um dos maiores brancos privados do País. Aumentar valor depois de divulgado o preço fica chato, né?
A semana que começa é de estréia para Marieta Severo, Andréa Beltrão e Marco Nanini. Nada a ver com 'A Grande Família'. As duas primeiras estarão no Poeira a partir de quinta com 'As Centenárias'. Já Lineu vira Odorico Paraguaçu. Nanini estrela 'O Bem-Amado', estréia de sexta no Teatro das Artes, na Gávea. Temporada concorridíssima, agitada, todos trocando opiniões e querendo mais, como deve ser. Os deuses do teatro agradecem.
Continuando a falar de '7', essa foto foi tirada pelo Marcio Mercante, craque aqui do jornal, durante os ensaios. É um momento mais relaxado das atrizes, no qual vemos, à frente, as Alessandras Maestrini e Verney ao lado de Zezé Motta. Atrás está a queridíssima Ida Gomes, e Eliana Pittman. Olha, a Alessandra Maestrini, se não existisse, tinha que ser inventada. Como canta essa menina.. e esse visual, com os cabelos avermelhados? Lindo. Eu já havia me apaixonado pelo trabalho dela em 'Ópera do Malandro' (até hoje me lembro do dueto com Soraya Ravenle em 'O Meu Amor'), mas agora, em '7', ela se supera. Alessandra, você vale por sete.

Em noite de frisson e grande expectativa, o João Caetano foi tomado pela estréia de ‘7 — O Musical’. Foi um fim de semana com clima de Broadway no Rio. Tudo bem, eu sei que a Praça Tiradentes é um horror, que apenas um bar precário no teatro atende os espectadores sedentos no intervalo, mas assistindo à nova produção de Charles Möeller e Claudio Botelho se esquece de tudo. As músicas do Ed Motta são lindas, o clima é de ópera, suspense no ar, elenco fabuloso, vontade de fazer bonito, orgulho de quem vê. Palmas calorosas para todos os envolvidos e licença para falar especialmente de duas: a novata e a veterana. Amanhã, no Caderno D do Dia, eu comento sobre todo o resto, na crítica formal do espetáculo. Até lá.
Ida Gomes, no papel da narradora da trama, dignifica toda a classe artística graças à felicidade que demonstra por estar em cena. A voz, poderosa, nos embala pelos caminhos da fábula desconstruída de Branca de Neve e ela exala encantamento. É peça-chave no enredo e dá vontade de, terminada a peça, ir ao camarim cumprimentá-la e dizer como é bom ver alguém, na maturidade, tão satisfeita com o que faz. Tatiana Köhler, a novata que contracena o tempo todo com Ida, é uma grata surpresa: bonita e de voz doce e bastante afinada, promete surpreender em novas produções e faz dobradinha perfeita com a veterana. É dela o momento visualmente mais impactante da encenação, quando se descobre bela — a despeito da perseguição da madastra — e desce as escadarias cercada por homens que seguram candelabros.
Para quem ficou curioso em saber mais a respeito do dramaturgo inglês Brian Clark (em cartaz no Rio com 'O Manifesto'). Kim Catrall, famosa por ter vivido a Samantha de 'Sex and The City', fez bastante sucesso atuando num texto dele. Trata-se de 'De Quem é a Vida Afinal?'. Ela fez o papel de uma escultora que lutava pelo direito de morrer depois de ficar tetraplégica em um acidente de carro. Isso foi em 2005, o espetáculo era remontagem da peça que estreou na Broadway, em Nova Iorque, com Mary Tyler Moore, em 1979. Kim, conhecida por explorar fartamente o bem delineado corpo na série sobre as quatro solteiras nova-iorquinas, atuava no espetáculo somente do pescoço para cima. Ponto para ela. Catrall andou desdenhando da possibilidade de estrelar a versão para os cinemas da série de sucesso com Sarah Jessica Parker, mas voltou atrás. Está previsto para o ano que vem o lançamento do longa-metragem. Já estava na hora, né?
E então Eva, em papel que remete à essência feminina. A mulher, mais forte que o homem e inteligente o suficiente para não demonstrar isso ao parceiro autoritário de 50 anos. Falar da estréia de 'O Manifesto' ontem, no Maison de France, é falar de Eva Wilma em estado de graça. O espetáculo, também estrelado por Othon Bastos em igual momento de grandeza, se apropria de contexto político como pano de fundo para falar de um delicado equilíbrio. Quem está na gangorra é o casal. Ela anuncia a finitude próxima, ele tenta aprender a lidar com a situação inédita, ambos se confrontam. Acusações cruas, pesadas, plausíveis. O texto de Brian Clark é, sim, um manifesto, que empresta título à peça. Manifesto ao respeito ao individual e ao coletivo. Na vida a dois e dos dois com o mundo. Teatro como agente transformador.
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