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| André Gomes |
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Mais um personagem da MPB vira tema de musical. A vez é de Assis Valente (1908-1958), compositor cuja maior intérprete foi Carmen Miranda. A peça cria um encontro imaginário entre Assis Valente, Carmen Miranda e Madame Satã, em que os dois últimos conversam com o compositor nos instantes anteriores ao seu suicídio, na noite de março de 1958. No elenco estão Claudio Villela, Márciah Luna Cabral e Nill Marcondes. A direção é de Fábio Pillar (de 'Rádio Nacional'), com direção musical de Cristina Bhering. Todas as músicas do espetáculo são de Assis Valente e o texto é de Anamaria Nunes.
Confesso que durante muito tempo fui viciado nas entrevistas do Actor's Studio e numa tarde de sábado em frente à TV, maravilhei-me diante da imagem de Juliette Binoche. A produção foi a Paris entrevistá-la e ela, simpática e ainda linda, já na casa dos 40, respondeu com toda a atenção às perguntas da platéia de estudantes de teatro. Matei ali as saudades da atriz que eu descobri em 'A Insustentável Leveza do Ser' e que, por economia idiota, deixei de ver em 'Betrayal', na Broadway. Optei por um musical em vez da peça do Pinter durante uma viagem. Tolice. Passou. O que passa novamente pela cabeça é como Binoche atravessa o tempo com dignidade, algo fácil de se ver na capa da 'Playboy' francesa deste mês. É, ela posou nua. Sim, é uma foto de capa espetacular. Não, ela não está obcecada em parecer mais jovem, nem magra. Sua beleza madura hipnotiza as lentes de Marianne Rosenstiehl. Juliette afirma que tomou a decisão de fazer as fotos convencida pela jovem equipe da revista, que 'quer mudar a 'Playboy' como se quer mudar o mundo, falando dos corpos de forma diferente, devolvendo-lhes a alma. Nem precisava explicar.
Quando um ator se diverte em cena, metade do jogo está ganho. Marcos Breda sabe disso e, não por acaso, sai vencedor da partida disputada em ‘Farsa’, peça que integra um projeto encabeçado por ele: encenar, em dez anos, cinco vertentes da comédia ocidental. A montagem atual, em cartaz no Sesc Ginástico, reúne quatro textos curtos de grandes mestres do teatro mundial e é o terceiro espetáculo do projeto, que também tem à frente o diretor Luiz Arthur Nunes. Primeiro texto da montagem, ‘Os Faladores’, de ritmo vocal frenético, exibe um Cervantes bem encenado, em que se destaca Mario Borges como Roldão. Mas é com ‘O Urso’ que a encenação ganha fôlego: é delicioso observar a verve cômica de Tchekhov. O ‘vaudeville’ do autor russo, anterior a ‘A Gaivota’, sua primeira peça séria, se ocupa do embate entre uma viúva e um credor do finado marido — Bianca Byington, hilariante e perfeita na composição, e Sergio Marone, acertadamente furioso e repentinamente apaixonado. Entre uma e outra peça, adoráveis números musicais, para que seja efetuada a troca de cenário e figurinos. De ‘Molière’ vem ‘O Médico Saltador’, em que Breda, literalmente, deita e rola na pele do personagem-título, o criado Sganarelo. O trabalho do ator é de alegria contagiante, com riqueza de marcações e perfeito domínio do espaço cênico. Peça de Martins Pena, ‘Os Ciúmes de um Pedestre’ encerra ‘Farsa’ com uma paródia de vários gêneros teatrais, na qual se destacam Luciana Braga e Claudia Ohana. Luciana, aliás, também rouba a cena como a criada ofegante de ‘O Urso’. Maquiagem e figurinos criativos são outros pontos altos da montagem que homenageia este gênero teatral em que são bem-vindos o exagero, a exuberância, o entra-e-sai acelerado. No fim, sair do teatro com sorriso no rosto é quase inevitável. Sem farsa nenhuma.
Rolou ontem uma pré-estréia de ‘Bent’ para amigos e convidados na simpática sala Tonia Carrero do Teatro Leblon. Já acompanho o trabalho da dupla de protagonistas, Augusto Zacchi e Gustavo Rodrigues, há algum tempo, tinha visto o filme com o Clive Owen mas faltava ver o texto do Martin Sherman — grande sucesso na ocasião de seu lançamento na Broadway então com Richard Gere — no teatro. Bem dirigida por Luiz Furlanetto, a peça rendeu discussão pós-sessão, em torno de um possível tom panfletário, defendido por um amigo que assistiu-a comigo. Como ele, detesto enredos feitos para defender uma causa, mas não é o caso de ‘Bent’. Para falar do sofrimento de dois prisioneiros gays na Alemanha nazista — a mercê de todo tipo de insulto e provação física num campo de concentração — Sherman investe na premissa de que os homossexuais não são melhores ou piores que ninguém. A dupla da peça não é particularmente inteligente nem articulada, tampouco cheia das boas intenções. É comum. Como também é comum seu desejo de poder explicitar o desejo, como na cena em que se excitam se ouvindo, já que, em posição de sentido durante trabalho escravo, não podem se tocar. Tudo bem, tem o tal do triângulo rosa destinado aos gays no campo de concentração que Max reluta em usar — aí você sabe que isso vai mudar — mas trata-se de uma carta na manga do autor guardada para o desfecho. Não tem a ver com o orgulho gay tão defendido por aí nas paradas que mais parecem micaretas. É mais sutil. Conselho ao diretor do espetáculo: se tirar do final o off, esse sim panfletário, a peça só tem a ganhar. De resto, o jogo para a galera de ‘Bent’ já está ganho: uma montagem ousada, inquietante e esforçada. Afinal, carregar aquelas pedras de um lado para o outro como fazem Gustavo e Augusto não é mole não.
Depois de premiar os melhores do cinema e da TV, a revista 'Contigo' resolveu eleger os melhores do teatro. O 1º Prêmio Contigo de Teatro vai acontecer dia 5 de novembro na sede do Arquivo Nacional, no Rio, e há seis concorrentes em cada uma das dez categorias, entre elas Melhor Espetáculo Drama, Melhor Espetáculo Comédia, Melhor Espetáculo Musical Nacional e Melhor Espetáculo Musical em Versão Brasileira. Peças que fizeram sucesso por aqui, como 'Sassaricando', 'Sweet Charity', 'O Púcaro Búlgaro' e 'Cauby, Cauby!' estão na disputa, da qual participo como jurado. A iniciativa, ótima, é mais uma a dar maior visibilidade à carente cena teatral brasileira.
Pintora mexicana lembrada pela força de sua obra com cores fortes e auto-retratos, Frida Kahlo morreu aos 47 anos, depois de vida marcada pela dor: teve poliomielite na infância e passou por cirurgias graves após um acidente na adolescência. Sua biografia, além da riqueza da obra admirada mundialmente, possui tintas românticas na paixão pelo muralista Diego Rivera, mas ‘Frida’, peça em cartaz no Teatro Villa-Lobos, não dá a nenhum dos aspectos da trajetória da artista força dramática. O fraco texto de Meire Rioto opta por cenas narradas e não investe em diálogos instigantes. No papel da pintora, Rosamaria Murtinho tem empenho, mas mais idade do que o desejável e, mesmo na permissibilidade do teatro, a diferença atrapalha — ainda mais com o elenco jovem a acompanhá-la. O cenário não reflete a colorida atmosfera da artista e possui um telão que exibe, desnecessariamente, cena da visita da atriz ao México. Salvam-se os vistosos figurinos, a ótima trilha sonora e o empolgado elenco de apoio — assim como Zulma Mercadante como Frida jovem. Na direção, Caco Ciocler até tenta inovar, mas o resultado é de estranhamento.
Juro que fui ao Sesc Ginástico na chuvosa sexta-feira desanimado: na noite anterior, eu tinha assistido à estréia de ‘Frida’ no Villa-Lobos, e me decepcionado imensamente. Mas a peça do dia seguinte valeu a pena. ‘Farsa’ reúne quatro textos ligeiros (de Cervantes, Tchekhov, Molière e Martins Pena), numa homenagem ao gênero teatral em que são bem-vindos o histrionismo e o exagero. E tudo lá está tão bem-resolvido, que você sai do teatro com a sensação de que fizeram o dever de casa direitinho. A montagem faz parte de um projeto do Marcos Breda e do Luiz Arthur Nunes que, num período de dez anos, se aventuram em levar ao palco cinco diferentes vertentes da comédia ocidental. Do projeto, eu já tinha visto ‘Arlequim, Servidor de Dois Patrões’ — que tinha Camila Pitanga no elenco, peça adorável, com ritmo e ótimos figurinos. Mas em ‘Farsa’ a dupla se supera: a direção de Nunes oferece marcações inteligentes e os textos são entrecortados por números musicais divertidíssimos. Breda dá um show em ‘O Médico Saltador’ e Bianca Byington, com sua natural exuberância física, brilha em todas as suas aparições. E o elenco ainda conta com Luciana Braga, ótima, Claudia Ohana, divertida, e Mario Borges e Sergio Marone, igualmente competentes.
Autor da fantástica 'Visitando o Sr. Green', peça no Brasil estrelada pelo saudoso Paulo Autran, Jeff Baron manifestou seu pesar sobre a morte de nosso grande ator, de Nova York. "É com imensa tristeza que fui informado sobre o falecimento de Paulo Autran. Eu me sinto privilegiado por ter podido trabalhar nos últimos sete anos com esse legendário artista. Como tradutor de duas das minhas peças, diretor de uma delas e, o mais memorável, como a estrela da peça 'Visitando o Sr. Green', o talentoso, generoso e atencioso Paulo me sensibilizou e muito me ensinou. Vi vários grandes artistas em todo o mundo interpretarem o Sr. Green, contudo, foi com Paulo Autran que eu planejei realizar um filme baseado em minha peça. Estou bastante entristecido por isso não ser mais possível, mas nunca esquecerei o magnífico desempenho e o maravilhoso talento desse grande homem que foi Paulo Autran."
A foto é ousada, eu sei, mas é apenas uma entre as 35 que compõem a exposição 'Gatos e Sapatos'. Os fotografados são 35 modelos e 28 celebridades e a idéia da fotógrafa Paula Klien é brincar com a inversão de papéis. Através das lentes de Klien, os homens aparecem subjugados pelas mulheres. São servis - deles, as mulheres usam e abusam, num fetiche e tanto para o público feminino. Quem está 'maltratando' o modelo da foto abaixo é Adriane Galisteu. Gostou? Veja tudo nos dias 23 e 24 de outubro, das 10h às 20h, no IAB - Instituto dos Arquitetos do Brasil - Beco do Pinheiro 10, esquina da rua Dois de Dezembro, Flamengo. Entrada a R$ 10. A grana vai para a Casa dos Artistas.

Boa notícia que acaba de chegar: 'Bent' vai reestrear, no Teatro Leblon, dia 30 de outubro. Dirigidos por Luiz Furlanetto, os atores Augusto Zacchi e Gustavo Rodrigues voltam a interpretar os prisioneiros que vivem uma história de amor dentro de um campo de concentração. O texto de Martin Sherman, maravilhoso, foi protagonizado na Broadway por Richard Gere, em Londres por Ian McKellen e a versão brasileira do início dos anos 80 foi estrelada por José Mayer. A perseguição dos nazistas aos homossexuais também foi parar no cinema, em filme homônimo estrelado por Clive Owen. O longa tem até Mick Jagger na papel do transformista Greta e vale a sessão.
Mais sobre nosso saudoso Paulo Autran, em texto meu extraído da edição de sábado de 'O Dia'. Quando dava seus primeiros passos no teatro, Paulo Autran amargou a crítica de uma professora portuguesa, após ler uma cena: “Não foi ruim, mas não tens futuro no teatro. O máximo que conseguirás fazer será galanzuras, jovens enamorados”. Ela errou. Aquele que, nos anos 40, estava à sua frente, viria a se tornar o maior ator do teatro brasileiro: foram 90 peças em 85 anos de vida — da última delas, ‘O Avarento’, só se afastou pelos problemas de saúde que o levaram na sexta-feira. Queria estar no palco até o último momento. Quase ficou. Vaidoso, Autran costumava comentar com modéstia sobre o título de ‘maior ator do País’ sempre atribuído a ele, mas chegava a aceitá-lo: “Está falando com ele”, disse certa vez. A vocação para os palcos, o carioca criado em São Paulo aceitou depois de sete anos como advogado: sua estréia profissional foi ao lado daquela que se tornaria amiga da vida inteira, Tonia Carrero, em ‘Um Deus Dormiu Lá em Casa’, em 1949. Logo depois, a dupla integraria o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) por cinco anos, na seqüência fundando a companhia Tonia-Celi-Autran. Autran estreou como protagonista e não largou deles. Ainda espectador, suspirava por Dulcina e, com Cacilda Becker, encenou ao mesmo tempo duas ‘Antígonas’: a de Sófocles e uma versão moderna. De Shakespeare, fez cinco peças. Do drama à comédia, passou ainda pelos musicais, em ‘My Fair Lady’, de 1962, com Bibi Ferreira, e passeou pela obra de mestres como Ibsen, Brecht e Pinter. Dos nacionais, orgulhava-se de ‘Liberdade, Liberdade’, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes. Não gostava de fazer novelas: entre as raras, protagonizou uma das mais célebres cenas da TV brasileira, a do café da manhã com Fernanda Montenegro em ‘Guerra dos Sexos’. No cinema, fez ‘Terra em Transe’, clássico de Glauber Rocha. Em 1999, oficializou a união iniciada nos anos 70 com a atriz Karin Rodrigues. Não tinha medo da morte. Era corajoso ao comentar sobre a profissão: “O teatro é a arte do ator; cinema, a do diretor; TV, a do anunciante”. Não importava o veículo, sempre dignificava sua arte.
Quando este blog estreou, de cara homenageou nosso maior ator, Paulo Autran, que infelizmente se despediu hoje. Dos palcos, da vida. Mas sempre, sempre, estará no coração dos amantes do teatro. Fico feliz de ter podido assisti-lo em sua última peça, 'O Avarento', que não chegou a vir para o Rio, ficou só em SP. Republico aqui o conteúdo do post antigo, com curiosidades sobre o mestre. Saudades eternas dele, homem elegante, sofisticado, culto, único.
∙ Paulo Autran nasceu no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 1922, mas viveu em São Paulo desde criança. ∙ Casou-se com a atriz Karin Rodrigues em 1999. ∙ Curtia montar quebras-cabeças. ∙ Fumante inveterado, foi proibido de continuar com o vício após submeter-se a pontes de safena em 1983. Agüentou 9 meses e voltou a fumar. ∙ Sua primeira peça profissional foi ‘Um Deus Dormiu Lá em Casa’, em 1949, com Tônia Carrero. Até então, era advogado. ∙ Por causa de Tônia, Autran ficou duas décadas sem falar com Raul Cortez, que a destratara durante temporada de ‘Quem Tem Medo de Virginia Woolf?’, em 1978. ∙ Tônia ocupou lugar no coração de Paulo, assim como Odete Lara. A relação com Karin começou nos anos 1970. . Em 1963, durante a temporada de ‘My Fair Lady’, o ator sofreu um acidente automobilístico que o deixou na cama por 10 meses, imóvel. . Paulo gostaria de ter interpretado Romeu, do clássico de Shakespeare. ∙ Um dos mais íntimos amigos do ator foi Fábio Vilaboim, que conheceu na Faculdade de Direito. Eles dividiram apartamento em São Paulo até a morte de Vilaboim, em 1989. ∙ Nem muito dinheiro era capaz de convencê-lo a voltar às novelas, das quais estava longe desde ‘Sassaricando’, em 1987. ∙ Para estrelar uma peça, Paulo ganhava por mês entre R$ 25 e R$ 35 mil. Os produtores pagavam e ainda lhe davam participação na bilheteria, de cerca de 25%. ∙ Autran se referia a Tônia como Mariinha. Foi ela quem o descobriu, num grupo de teatro amador. ∙ Exigências no camarim: água, café e cinzeiros. . Nunca fez análise. ∙ Antes de entrar em cena, o ator gostava de tirar uma soneca. ∙ Seus autores prediletos eram Eça de Queiroz e Guimarães Rosa. ∙ O ator não teve filhos. . Achava que teatro é a arte do ator: cinema, a do diretor, e TV, a do anunciante. . Paulo integrou o TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, criado em 1948. Depois, fez parte da Cia. Tônia-Celi-Autran. . Paulo cozinhava. Entre as receitas estão vatapá e picadinho de carne. . Gostava de presentear Karin com presentes bem caros. . Um de seus maiores sucessos recentes foi a excelente ‘Visitando o Sr. Green’, que estreou em 2000 e cumpriu várias temporadas. . Foi criticado pela classe teatral ao convidar Adriane Galisteu para a peça ‘Dias das Mães’. Rebateu: "Ela foi a melhor coisa de ‘Deus Lhe Pague’". . Paulo não tinha medo da morte. . O livro ‘Paulo Autran – Um Homem no Palco’, de Alberto Guzic, faz um apanhado dos 50 primeiros anos de carreira do ator, ricamente ilustrado com fotos. . ‘Édipo Rei’, ‘Otelo’, 'Rei Lear' e ‘A Morte de Um Caixeiro Viajante’ foram alguns dos clássicos estrelados por ele. . Considerava ‘Terra Em Transe’, de Glauber Rocha, o mais importante filme no qual atuou.
Notícias fresquinhas sobre o próximo musical de Charles Möeller e Claudio Botelho. A Axion Produtores Associados já está recebendo currículos (com foto de corpo inteiro) para os testes de elenco. As audições são para atores/cantores com experiência em teatro musical e os testes serão de canto, atuação e dança. Os currículos devem ser enviados até 27 de outubro para anovicarebelde@axion.com.br. Vamos aos papéis e perfis desejados: MARIA: Soprano com vasta experiência como atriz e cantora, idade aproximada entre 25 e 35 anos. CAPITÃO VON TRAPP: Ator/cantor com vasta experiência, idade aproximada entre 40 e 50 anos. TIO MAX: Ator/cantor comediante com vasta experiência; idade aproximada entre 45 e 60 anos BARONESA ELSA SCHRAEDER: Atriz cantora mezzo-soprano ou soprano com vasta experiência. Idade aproximada entre 35 e 45 anos. MADRE SUPERIORA: Soprano com grande alcance e volume vocal; idade aproximada entre 40 e 60 anos FREIRAS: Sopranos e mezzo-sopranos com idades variadas. ROLF: Ator/cantor com idade aproximada de 17 anos, aparência germânica, experiência em dança. LIESL: Atriz/cantora com idade aproximada de 16 anos, experiência em dança. CRIANÇAS: meninos com idade aproximada de 11 e 14 anos, que tenham noções de canto e interpretação. Meninas com idade aproximada de 5, 7, 9 e 13 anos, que tenham noções de canto e interpretação.
Você, que não se contentou com a aparição-relâmpago de Mariana Ximenes em 'Paraíso Tropical', já pode se alegrar: está acertadíssimo o novo projeto da atriz. Ela, junto com Maria Padilha, vai estrelar e co-produzir 'Senhora dos Afogados', texto de Nelson Rodrigues que, junto com 'Álbum de Família', 'O Anjo Negro' e 'Dorotéia', compõe o núcleo de peças míticas de nosso mais célebre autor teatral. A peça marcou a estréia de Nathalia Timberg em 1954. No fim da apresentação, naquele ano, metade do público ovacionava o autor aos gritos de 'gênio', enquanto a outra metade criticava-o, chamando-o de 'tarado'. Tudo graças ao enredo: a família Drummond é assombrada pela morte das filhas por afogamento, por incesto e pelo assassinato de uma prostituta no passado, atribuído ao pai. A peça havia sido censurada em 1953 e foi Otto Lara Resende quem ajudou a liberá-la. O que Nelson disse sobre a manifestação contrária do público na estréia? "Burros!". A nova montagem vai ser do Grupo Oficina. Zé Celso dirigiu uma leitura em agosto, na qual Mariana fez o papel da filha.

Autor conhecido pelo sucesso de 'Novas Diretrizes em Tempos de Paz', Bosco Brasil pode ser apreciado em dose dupla no Rio: são dele as peças 'Cheiro de Chuva', em cartaz desde ontem no Maison de France, e 'Abelardo e Berilo', que estréia no Teatro Leblon nesta quinta. Sobre a primeira já comentei aqui, vamos à segunda: quem está no elenco é Marcos Pasquim. Ele divide cena com Leonardo Brício e André Mattos sob direção de Ricardo Kosovski - um dos atores preferidos das histórias de Domingos Oliveira. A trama fala de exploração à ignorância alheia: um coveiro se dá bem em cima de romeiros interessados na graça de um túmulo milagroso, o túmulo da Santinha. A idéia é fazer rir mas também estimular a reflexões sobre a fé. A temporada vai até 16 de dezembro.
Pra muita gente, elas são as duas maiores atrizes brasileiras vivas. Pois bem, Fernanda Montenegro e Marília Pêra estarão juntas amanhã, a partir das 20h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. O motivo do encontro é uma homenagem ao escritor Millôr Fernandes. A dupla, junto com Pedro Cardoso, fará leituras dramatizadas de textos inéditos do autor no lançamento de 'Contos Fabulosos' e 'Novas Fábulas Fabulosas', da Editora Desiderata, que chegam às livrarias reunidos numa caixa especial. Um dos livros possui contos inéditos e o outro contém fábulas – que se encontravam dispersas em livros e no site do escritor. As publicações têm 80 desenhos feitos por Angeli para os lançamentos.
Pra quem quer se agendar pro riocena, um roteiro das principais atrações: (BOD)-Y-STERIA Texto e direção: Márcio Pizarro. Com Andrea Pitta. Com música, dança e vídeo, a peça recria o ambiente dos cabarés europeus do ínicio do século XX. Sesc Ginástico. Amanhã e dom, às 20h. R$ 20. 70 min. 14 anos. BR-3 Texto e direção de Antônio Araújo. Com o Teatro da Vertigem. Encenado dentro de barca que atravessa a Baía de Guanabara, o inovador espetáculo fala da identidade brasileira. Ter a qui, às 20h. Às 18h30, um ônibus levará o público do Centro Cultural Ação da Cidadania até a Estação das Barcas. R$ 20. 160 min. 18 anos. CONTINUUM Texto, direção e interpretação de Roberto Ramos. O coreógrafo explora os limites do corpo dentro de uma estrutura semi-esférica que se movimenta em círculos. Espaço Sesc. Ter e qua, às 21h. R$ 12. 60 min. 12 anos. LOS MANSOS Da obra de Fiódor Dostoiévski. Direção: Alejandro Tantanian. Com Nahuel Pérez Biscayart e elenco. Reflexões a partir da obra do autor russo. Seg a qua, às 20h, no Mezanino do Espaço Sesc. R$ 12. 70 min. Livre. MY ARM (Meu Braço). Texto e direção: Tim Crouch. Com Tim Crouch e elenco. Na peça, são abordados temas como a arte contemporânea e a infância. Ter e qua, às 19h30, no Oi Futuro. R$ 10. 60 min. 16 anos. POR UMA VIDA UM POUCO MENOS ORDINÁRIA De Daniela Pereira de Carvalho. Direção: Gilberto Gawronski. Com Eduardo Moscovis. Homem sofre após atirar em desconhecido. Hoje e amanhã, às 21h30, no Mezanino do Espaço Sesc. R$ 12. 80 min. 14 anos. A QUEDA Da obra de Albert Camus. Direção de Mauro Zanatta e Marcelo Marchioro. Com Mauro Zanatta. Reflexão sobre questionamentos do homem moderno. Espaço Sesc. Amanhã e dom, às 19h30. R$ 12. 60 min. 18 anos. OS SERTÕES Sob a direção de Zé Celso, a trupe do Teatro Oficina Uzuna Uzona sobe ao palco do Centro Cultural Ação da Cidadania para encenar adaptação do clássico de Euclides da Cunha. A montagem, que tem 26 horas de duração, foi dividida em cinco módulos. Cada um retrata um trecho da trajetória do movimento liderado por Antônio Conselheiro no nordeste baiano, que, em 1893, deu origem à Guerra de Canudos. Elementos do livro, como a miscigenação do povo brasileiro e os estragos causados pela seca são revelados na peça. ‘O Homem Parte 2’: hoje, às 19h. ‘A Luta Parte 1’: amanhã, às 19h. ‘A Luta Parte 2’: dom, às 19h. ‘A Terra’: qua, às 19h. ‘O Homem Parte 1’: qui, às 19h. R$ 20. 18 anos. QUARTO INTERIOR (MOSTRA PORTUGUESA) Direção: André Braga e Cláudia Figueiredo. Com a Cia. Circolando. Sem palavras, a peça foca na solidão e intimidade reveladas dentro de um quarto. Hoje a dom, às 19h30, no Teatro 1 do CCBB. Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020). R$ 10. 65 min. 8 anos. STABAT MATER (MOSTRA PORTUGUESA) De Antonio Tarantino. Direção de Jorge Silva Melo. Com a Cia. Artistas Unidos. Numa igreja, mulher chora as mágoas enquanto espera por outra pessoa. Hoje a dom, às 19h, no Teatro 3 do CCBB. R$ 10. 90 min. Livre.
Duas festas na mesma noite e a dúvida: eleger uma ou enfrentar ambas? Optei por encontrar um amigo que estava na noite de encerramento do Festival do Rio, na tenda de Copa. Ficamos lá meia horinha, saímos eu, ele e outra amiga sem rumo, desestimulados pela roubada. Que tal a do riocena? A festa estava rolando na zona portuária, ligamos para galera que lá estava e...bingo! Diversão garantida. A abertura do festival internacional de teatro do Rio foi turbinada por show do Brasov, do grande Felipe Rocha, da Cia dos Atores. Entre temas instrumentais inspirados, espaço para clássicos rearrumados do Rei, como 'Cavalgada'. Da platéia, espectadoras encantadas; no entorno, uma instalação que enfeitava o espaço - atrás do Centro Cultural Ação da Cidadania - com peças de roupa, penduradas num imenso varal por toda parte. Houve quem se dedicasse a picotar papel e se misturar aos pedaços no chão, numa espécie de rocambole humano. E muita gente 'montada', claro, as informações visuais multicoloridas de sempre. Foi divertido. Começo do riocena com o pé direito.
Os figuraças da foto são Fábio de Castro, Thomas Stavros e Andréa Di Maio, atores de uma peça que fez barulho em São Paulo e chega ao Rio hoje, no Bar do Tom. No palco, amigos que têm uma reunião semanal para botar o papo em dia, mas os encontros são ameaçados quando segredos chegam para estremecer o trio. O nome da peça é 'Clube Privê', mas a sacanagem é só no título mesmo.
Fiquei da dúvida na hora de escolher a foto para ilustrar este post, no qual quero lembrar da exposição que vem por aí, com fotos da Marilyn Monroe. Havia oito opções, e em parte delas ela estava bem do jeito que sempre esteve, com seu ar sexy/ingênuo. Parei nesta. Não só porque a foto é bonita e porque nela Marilyn está muito bem vestida, mas porque há em seu olhar uma tristeza inquietante, como se soubesse que, em seis semanas, se despediria da vida, ainda tão jovem, aos 36 anos - quatro meses antes ela cantara o célebre 'happy birthday to you' para o presidente John Kennedy. O ensaio que ela fez para o fotógrafo americano Bert Stern em 1962 foi seu último. São 62 fotos que estarão em cartaz no MAM a partir de 9 de outubro, próxima terça, feitas originalmente para a Vogue. É um material precioso, com imagens do maior ícone de sensualidade que o cinema já teve, que merece ser visto.

Depois de cinco espetáculos dedicados à contação de histórias ao público infantil, a atriz Priscila Camargo resolveu fazer o mesmo, agora para o público adulto. Ela estreou ontem no Sesi a peça 'Contos da Terra dos Mil Povos', em que reúne contos e lendas da tradição oral de várias regiões do Brasil e também de outros povos do mundo. O fio condutor é o deslumbramento do ser humano diante da natureza e dos grandes mistérios da vida. Pra quem não lembra, a Priscila esteve em 'Paraíso Tropical', como a mãe da personagem de Juliana Didone.
A galera do '7 - O Musical' resolveu estabelecer um preço especial só pra os estudantes: R$ 10. Vale durante o mês de outubro. No João Caetano, quinta e sexta, às 19h30, sábado às 20h e domingo, às 18h.
Capriche no francês e fale 'Odeur de Pluie'. Agora tente 'Nouvelles Directives en Temps de Paix'. Ficou pomposo, né? Basta virar de cabeça para baixo a capinha que aparece ao lado para ler os títulos das peças de Bosco Brasil em francês. Recém-lançada na Bienal pela Imprensa Oficial de São Paulo e o Consulado Francês, a edição bilíngüe do livro 'Cheiro de Chuva' e 'Novas Diretrizes em Tempos de Paz', peça ganhadora do prêmio Shell-2002 de melhor texto, é bem cuidada e possibilita que o leitor fique por dentro do que vem por aí em breve: 'Cheiro de Chuva' estréia dia 9 no Maison de France, para temporada até 12 de dezembro. O próprio Bosco vai dirigar a peça, que tem no elenco Marcello Escorel e Tânia Costa. Ele é um homem que, preparando-se para a celebração de seus 25 anos de casamento, se descobre apaixonado por sua professora de dança de salão, papel de Tânia. A coreografia que ensaiam é justamente para as bodas de prata...
Tá aí um aperitivo de 'Os Sertões', a visão de Zé Celso para a saga de Euclides da Cunha, que estará em cartaz no riocenacontemporanea, no Centro Cultural da Ação da Cidadania. São 26 horas de peça, divididos em cinco partes, em dias distintos, claro.
Demorou, mas finalmente rolou espaço pra falarmos mais de 'As Centenárias' fora do blog - e agora novamente nele. Abaixo, a crítica do espetáculo, publicada hoje no Caderno D de O DIA. A imagem é do programa da peça. Para sua segunda peça no Teatro Poeira, Marieta Severo e Andréa Beltrão ganharam um texto inédito de Newton Moreno, autor de ‘Agreste’. Em ‘As Centenárias’, o dramaturgo conta a história da amizade entre duas comadres que vivem de chorar os mortos em funerais, por isso chamadas de carpideiras, e deixa claro que, desta forma, presta homenagem à longevidade da parceria da própria dupla que encena o espetáculo.  Não por acaso, está na cumplicidade entre as atrizes o grande trunfo da bem-cuidada encenação dirigida por Aderbal Freire-Filho, que reúne ainda outros predicados. Entre eles o inventivo cenário com uma cortina de bonecos de pano, utilizados como os vários mortos que são chorados pelas centenárias carpideiras durante a peça. Na maratona proposta pelo texto, as atrizes se dividem em vários papéis, além dos centrais, contracenando inclusive com bonecos que elas próprias manipulam. É notável o trabalho corporal da dupla e sua disposição para as aceleradas marcações do diretor, como também merece menção o acerto do sotaque nordestino especialmente criado por ambas. Elas optaram por um modo todo próprio de falar, meio cantado, que se inicialmente causa estranhamento, depois de os ouvidos se acostumarem se torna divertido. O humor, aliás, é utilizado com extrema sagacidade principalmente por Andréa Beltrão, que de tão à vontade que está em cena, torna crível cada tipo por ela personificado, com rico cardápio de vozes, intenções e gestos. Apesar de encontrar boas soluções narrativas — uma hora a dupla se admira com a luz elétrica, depois com a chegada do rádio, encarado por elas como um concorrente ao anunciar um funeral — o texto tem problemas de ritmo, ficando de certa forma mais superficial do que o necessário no tratamento, embora cômico, do tema da morte. O saldo final é positivo, com o triunfo de um teatro artesanal.
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