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| André Gomes |
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"O coração tem razões que a própria razão desconhece”, diz Medéia, personagem-título da tragédia de Eurípides, inspiradora de Joana, protagonista do musical ‘Gota d’Água’. Já se passaram 32 anos desde que Bibi Ferreira brilhou na estréia da peça de Chico Buarque e Paulo Pontes, mas somente agora a dor da amarga heroína abandonada pelo marido ambicioso volta a ganhar as tintas necessárias. Quem conduz a cena da montagem atual de um dos mais festejados musicais brasileiros é João Fonseca, que teve a liberdade de incluir duas canções inexistentes no original: ‘Partido Alto’ (1972) e ‘O Que Será — À Flor da Pele’ (1976). Conduzir é a palavra perfeita para Fonseca: seu elenco, encabeçado por uma eletrizante Izabella Bicalho como Joana, se atira com fervor às marcações muito bem adequadas ao cenário funcional de Nello Marrese. O uso de praticáveis de madeira que adquirem formas variadas é um grande acerto, assim como a inclusão de um DJ que dá acento pop à banda que executa as músicas ao vivo. Considerações técnicas à parte, vale o aviso: essa montagem de ‘Gota d’Água’ emociona, é quente e atrai, na platéia, a identificação de quem já sofreu das dores de amor. No elenco, um extravagante Thelmo Fernandes diverte nos números musicais na pele de Creonte, dono do conjunto imobiliário onde mora Joana — ele quer expulsá-la para que sua filha possa viver em paz com Jasão (Lucci Ferreira, sedutor na medida). A sede de vingança de Joana contra o ex-marido é catártica, e é com a mesma fúria que Izabella interpreta parte das canções. É dolorido, bonito de se ver e ouvir, até o desfecho da festa. A gota d’água.
A proposta era: cinco monólogos curtinhos, sobre sociopatias contemporâneas. Mas o resultado...ai ai ai. Fernando Ceylão não conseguiu criar nenhum texto que justifique a montagem, intitulada 'Você Está Aqui'. Quando quer fazer graça, não consegue, quando flerta com o experimentalismo, é pior, beira o constrangedor. O monólogo com Paulo César Pereio não diz a que veio, é um rascunho tosco sobre relação pai e filho, que vai do nada a lugar nenhum. As gêmeas Michelle e Giselle Batista até que são boas, mas o texto a que servem é pura pretensão, e inconsistente. De todos, o pior é o com Remo Trajano, que abre os trabalhos. Tão ruim que dá vontade de sair correndo do teatro. Há, contudo, dois que conseguem ter poucos, mas razoáveis momentos: são os com Gianne Albertoni - linda num microvestido e exibindo pernas esculturais - e Luisa Michelleti. A top fala de compulsão por comida, enquanto Luisa encarna apresentadora que conta ao vivo como matou um cara. É chato falar isso, mas nada que justifique a ida ao (desconfortável e quente) Teatro Candido Mendes. O nome da peça é 'Você Está Aqui', mas a impressão que dá é que ninguém está lá. De boas idéias o mundo está cheio. O difícil é executá-las. E olha que a ficha técnica do espetáculo é hypada, com direito a Kassin, Felipe Veloso, Cande Salles... Ficou só no hype mesmo.
O tempo passa, o tempo voa, e com ele volta a campanha Teatro Para Todos. Ela mesma, que disponibiliza ingressos para boa parte das peças em cartaz na cidade a preços bem mais acessíveis. O projeto chega ao quinto ano investindo em novos postos de venda de ingressos. Além do quiosque fixo na Cinelândia e dos quiosques que passam por diversos bairros da cidade, unidades da Lojas Americanas de Ipanema, Centro, Barra e Rio Sul também venderão tickets. Vale a pena. Os valores variam entre R$ 5 e R$ 25. São 65 mil ingressos disponíveis e 58 espetáculos participantes. O projeto começa sexta-feira e dura um mês. Fenômeno de bilheteria, ‘Cada um com Seus Pobrema’ participa, com ingresso a R$ 20 nos postos de venda. ‘Farsa’ disponibiliza entrada no valor de R$ 10, mesmo preço de ‘Gota D’Água’, remontagem do musical de Chico Buarque. Por esse valor é possível assistir também a ‘O Manifesto’, em que Eva Wilma e Othon Bastos emocionam na pele de um casal em confronto. A hilariante ‘Minha Mãe é uma Peça’ também participa, disponibilizando ingressos entre R$ 15 e R$ 20. É correr para garantir o seu. Sexta-feira, no ‘Guia Show&Lazer’, a gente dá a lista dos quiosques volantes da primeira semana do projeto e lista as principais peças. Até lá.
Quem está nesta foto é Marcela Moura, que a partir do dia 27 estrela no Oi Futuro um espetáculo que leva meu nome. 'ANDRé' é criação do francês Philippe Minyana e parte de uma situação simples vivida por uma mulher para abordar questões essenciais da vida, entre elas o impulso amoroso, o medo da morte e a angústia da solidão. Tudo começa quando a personagem vê da janela de sua casa as costas nuas de um estrangeiro. A partir de então, ela se transforma, revelando uma tragédia íntima - os segredos, claro, serão revelados somente para os espectadores. A peça tem direção de Christiane Jatahy, cenografia de Marcelo Lipiani em parceria com a diretora, figurino de Angèle Fróes, vídeo de Batman Zavareze e Fábio Ghivelder, iluminação de Tomás Ribas e trilha sonora de Lucas Macier e Rodrigo Marçal, da Arp.X. Além de tantos nomes bacanas envolvidos, há outro incentivo: o ingresso no Oi, teatro simpático, custa R$ 10.
Produtores da comédia 'Pout-PourRir' vão realizar testes para escolher atores para novos quadros. Para participar do teste, é indispensável ser ator/atriz profissional, ser especializado em humor e ter um ou mais solos cômicos prontos para mostrar. Os interessados deverão entrar em contato através do e-mail poutpourrir@globo.com, deixando telefones para contato e idade, falando sobre o solo que será mostrado ou sobre sua experiência profissional. Fotos e vídeos também serão bem-vindos. A direção analisará os e-mails e a produção entrará em contato com os escolhidos para informar o dia, horário e local do teste.
Momento de pura banalidade: Rihanna, a cantora que convoca seu amado para ficar debaixo do guarda-chuva no hit 'Umbrella' (aquele do ê ê ê), quer expandir seus limites artísticos. Ela anunciou que pretende atuar, está aberta a convites, mas enquanto eles não surgem vai levando a vida entre um show e outro, como o que rendeu a foto ao lado, durante apresentação na Suíça. Podia ter caprichado mais no figurino, né? A 'ameaça' de atuação não é a única novidade na vida da cantora: ela está namorando o ator Josh Hartnett ('Sin City' e 'Pearl Harbor'). Sabe em quem ela se inspira para a carreira artística sem limitações? Madonna. É bom lembrá-la que, como atriz, a mãe de Lourdes Maria sempre foi ótima cantora e que Beyoncé também ainda não mostrou a que veio atuando...
Quem deu uma passada de olhos neste blog quando a peça 'Pão com Mortadela' estreou deve lembrar do post que saudava Sacha Bali como promessa para a TV. Sacha fez o alter-ego de Bukowski no espetáculo, que recria a infância e adolescência do autor, e até domingo estava em cartaz na Casa da Gávea, após temporada de sucesso em alguns teatros cariocas. Agora, a aposta de 'Supercênico' vingou: Bali aparecerá em 'Caminhos do Coração', novela da Record que bem obtendo ótimos índices de audiência no Rio, conforme informou o repórter Fábio Dobbs em matéria hoje no Caderno D do Dia. Ele vai ser um mutante do mal e as primeiras cenas foram gravadas numa ilha em Angra dos Reis. Metamorfo é uma espécie de camaleão e terá o poder de se transformar em outras pessoas e até ficar invisível. “Tenho visto ‘X Men’ para captar esse mundo da fantasia”, contou Sacha ao Dobbs, revelando que quando criança brincava com lagartixas. “Adorava cortar o rabo delas e jogá-las de um lado para outro. Nunca tive nojo. Tenho problemas é com insetos, por causa da alergia”, afirmou o ator. Boa sorte, Sacha.
Já tem data de estréia o musical 'Tieta do Agreste': será dia 16, em Sampa, no Teatro Shopping Frei Caneca. Dirigida por Christina Trevisan, Tânia Alves interpreta a célebre personagem de Jorge Amado - na TV vivida por Betty Faria, no cinema por Sônia Braga. No elenco estão ainda Emmanuele Araújo, ex-banda Eva, e Cacau Mello. Estranhou a foto? A peruca loura, estilo Susana Vieira na novela das oito, integra a cena da volta da personagem à cidade de origem. Em boa parte da encenação, Tânia estará morena. Ainda bem.
Enquanto muitas peças estão sendo obrigadas a abaixar os preços para atrair público - caso de 'Frida' e 'O Manifesto', 'Auto de Angicos' tem lotado o Sesc Copacabana. Não só pelos acessíveis preços praticados pelo Sesc (R$ 12, inteira), mas pela qualidade da montagem dirigida por Amir Haddad. É uma encenação simples e eficiente para as últimas horas da vida de Lampião e Maria Bonita, interpretados por Marcos Palmeira e Adriana Esteves. O texto do cearense Marcos Barbosa não faz jus aos personagens, mas tem o mérito de mostrá-los de forma amena; a idéia é humanizá-los e não repetir os clichês do cangaço. Assim, percebe-se a força do amor dos dois e a existência de pouca censura de ambos diante dos crimes cometidos por seu bando - estavam mergulhados no banditismo, com fama nacional graças às reportagens dos jornais. A dupla de atores possui sintonia cênica e segurança dos objetivos da encenação, embora Adriana, apesar de competente, passe um pouco da medida nas tiradas de humor. É verdade que a platéia, talvez acostumada com sua personagem em 'Toma Lá, Dá Cá', já chega ao teatro influenciada, e por isso ri de cenas sérias. Atrapalha um pouco, sim, mas não chega a comprometer o resultado final. 'Auto de Angicos' vale a ida ao teatro.
Uma noite agradável não adianta planejar, ela acontece, e pronto. A caminho do CCBB ontem, ela ainda não havia se anunciado: trânsito caótico e mais de duas horas de ópera pela frente depois de uma semana pouco estimulante. Cansaço, vontade de ir para casa? Sim, mas o convite era irrecusável, pois além de diretor do espetáculo, André Heller é um amigo querido e sempre muito competente. Natural que o saldo tenha sido positivo ao final da apresentação de ‘3 Óperas em um Ato’, sua nova empreitada no Brasil. André juntou no mesmo espetáculo três óperas de câmara nunca montadas na América Latina. A última delas, ‘O Diário do Desaparecido’, ele há havia montado com êxito no Royal Opera House, em Londres. É linda, soturna e possui belíssima música de Léo Janácek a embalar a paixão de um jovem por uma cigana. Antes dela, ‘Uma Educação Incompleta’, de Emmanuel Chabrier, diverte a partir da inabilidade de um noivo para satisfazer a noiva na noite de núpcias. Na primeira, ‘Savitri’, de Gustav Holst, Heller radicaliza: é ópera de calça jeans, no figurino da soprano lituana Liora Grodnikaite. Além do projeto ser muito bem sacado, não pesa no bolso: o ingresso custa R$ 10. O programa já estava vitorioso quando decidimos, eu e Gustavo, o amigo com quem vi o espetáculo, esticar para jantar. A nós se juntou parte do elenco, além do próprio diretor. Liora, e seu 1,82m e cabelos cor de fogo, fala o português da cordialidade: oi, tudo bem? Pouco além disso. Tímida, mas simpaticíssima, também superlativo é seu talento: vai fazer ‘Édipo Rei’. É linda, mas não parece animada com os rapazes brasileiros. Não quer ficar. Pensa em compromisso. Já viu que, aqui, não é o caso. Perdem os homens, ora. Com ela estava Leonardo Neiva. Ele é de Brasília, já fez ‘Les Misérables’ e, com senso de humor apuradíssimo, foi a diversão da mesa. Barítono, dá um show em ‘Uma Educação Incompleta’. Quando brincamos, dizendo que seu primeiro personagem, a Morte, ‘dava pinta’, ele não se abalou e melhorou a piada. Entre um comentário e outro sobre as três óperas, a certeza de que ali estava um elenco feliz com o que faz. Faltaram à mesa Carolina Faria e Marcos Paulo, outros do elenco afinadíssimo da montagem. Ele é um fenômeno, tenor com T maiúsculo. Ela rouba a cena como a ‘noiva nervosa’ da segunda ópera. A todos, resta desejar uma temporada divertida e com casa cheia. Anote aí: Teatro I do CCBB, de quarta a sábado, às 19h30, domingo, às 18h30. R$ 10. Até 2 de dezembro.
A galera animadíssima da foto abaixo pertence ao elenco do espetáculo 'O Poeta é Gente?', que cumpre horário alternativo, sextas e sábados, à meia-noite, no Teatro Ipanema. A peça questiona o que é real e o que é imaginário a partir da história de um escritor que confunde seus personagens com pessoas que passaram por sua vida.
Para os fãs do experimental, a galera do Coletivo Líquida Ação, que reúne artistas de diversas áreas, ataca até 16 de dezembro na Casa da Glória. Depois de fazer intervenções urbanas em locais como o Chafariz do Largo do Machado e do Mestre Valentin na Praça 15, a trupe atua agora na piscina do casarão. Vamos à lista: Teatro (Ana Lima, Diogo Benjamin, Eloísa Brantes, Juliana Sansana, Raoni Garcia) / Dança (Guto Macedo, Luciana Franco) / Artes Plásticas e Visuais / Alexandre Vogler, Antonio Bokel), Vídeo e Fotografia (Carlos Borges, Viviane Rangel), Moda (Débora Niemeyer, Flávia Monteiro, Jéssica Barbosa) e Música (Pedro Moraes). Sábados e domingos, às 18h30.
 Rolou ontem no Arquivo Nacional a cerimônia do 1º Prêmio Contigo de Teatro, com algum atraso, mas alto astral, graças à apresentação inspirada de Fernanda Torres e Lília Cabral. Entre os muitos encontros dos atores, um merece atenção especial: o que provocou o beijaço de Dercy Gonçalves em Bibi Ferreira, eleita melhor atriz da noite, segundo votação do juri. Eis a relação dos premiados:
1) Melhor Espetáculo Drama – Segundo Voto do Júri A Pedra do Reino, baseado em texto de Ariano Suassuna. Direção de Antunes Filho 2) Melhor Espetáculo Drama – Segundo Voto Popular A Pedra do Reino, baseado em texto de Ariano Suassuna. Direção de Antunes Filho 3) Melhor Espetáculo Comédia – Segundo voto do júri O Púcaro Búlgaro, de Campos de Carvalho. Direção de Aderbal Freire-Filho 4) Melhor Espetáculo Comédia – Segundo voto popular O avarento, direção de Felipe Hirsch 5) Melhor Espetáculo Musical Nacional - Sassaricando, de Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral. Direção de Cláudio Botelho 6) Melhor Espetáculo Musical em versão brasileira - My Fair Lady, versão de Cláudio Botelho. Direção de Jorge Takla 7) Melhor Autor - Newton Moreno, por Vemvai – O Caminho dos Mortos 8) Melhor Direção - Antunes Filho, por A Pedra do Reino 9) Melhor Ator – Segundo o voto do júri Edwin Luisi, por Eu Sou Minha Própria Mulher 10) Melhor Ator – Segundo o voto popular Lázaro Ramos, por O Método Gronholm 11) Melhor Atriz – Segundo o voto do júri Bibi Ferreira, por Às Favas com os Escrúpulos 12) Melhor Atriz – Segundo o voto popular Amanda Acosta, por My Fair Lady 13) Melhor Cenário - Simone Mina, por Vemvai – O Caminho dos Mortos 14) Melhor Figurino - Eliana Liu, Verônica Julian e Daniela Thomas, por O Avarento
Wagner Moura e Fernanda Machado curtem o doce sabor do sucesso de 'Tropa de Elite' mas, nos planos da ex-dupla de 'Paraíso Tropical' para o ano que vem, o teatro também dá as cartas. Ele, que já anunciara seu desejo de encarnar um dos mais emblemáticos personagens de Shakespeare, vai mesmo protagonizar uma versão de 'Hamlet' ano que vem, sob direção de Aderbal Freire-Filho. A idéia do ator e do diretor é fazer um Hamlet popular. Será que dá? Bem, o de Enrique Diaz foi desconstruído: 'Ensaio.Hamlet', sensacional, era mais de sensações visuais do que propriamente de atenção ao texto, ali fragmentado. Quanto a Fernanda, seu projeto atende pelo nome de 'Brilho Oculto', espetáculo que fará ao lado de Christiane Torloni. É uma adaptação de Renato Borghi para 'O Lobo de Rayban', encenada por Raul Cortez.
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