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André Gomes

Segunda-feira, 31 Março, 2008

O 'RESTA UM' DO JOGO

Qual mulher deseja ‘ficar para titia’? Quem pensa em passar a maturidade num asilo? Para a protagonista de ‘No Natal a Gente Vem Te Buscar’, não há escolhas, ela é o ‘resta um’ do jogo. A peça, escrita por Naum Alves de Souza em 1979 e estrelada um ano depois por Marieta Severo, ganha remontagem dirigida pelo próprio autor, numa prova de fogo que suscita pergunta indispensável. Será que o texto, celebrado na época, atravessou 30 anos capaz de provocar o
mesmo impacto?
CLAUDIA JIMENEZ
Sim e não. É correto afirmar que o enredo — que vasculha a crueldade das relações de uma família deformada em sua estrutura e com exercício cotidiano de infelicidade — dialoga com boa parte dos espectadores mais observadores das convenções sociais. Ali, sair de casa é a única condição para a felicidade. A Solteirona — personagem de Claudia Jimenez — fica encalhada em sua inércia diante da vida. Espera que seja escolhida, não escolhe. O grande problema de estabelecer laços de intimidade com tal personagem hoje em dia está no envelhecimento dos valores retratados pelo
texto — há uma família protestante, como a do autor, uma protagonista a léguas de alcançar ualquer conquista feminista e uma atmosfera empoeirada. Fica a sensação de que a Solteirona de hoje seria bem diferente daquela de tempos de censura extrema.
Outro problema do espetáculo está nas quebras de ritmo: a infância dos personagens ocupa tempo demais da encenação e os atores não convencem como crianças, em composição que mais se aproxima da loucura. Quando o pungente drama do medo da solidão da protagonista começa a se estabelecer, surge um corte. Ao retornar, já vem sem peso. No equilíbrio delicado entre humor e drama, o trabalho de Claudia é econômico e sensível. Quem também se sai bem é Analu Prestes.
Rodrigo Phavanello faz sua estréia teatral sem brilho e Ernani Moraes não encontra tons adequados para diferenciar seus personagens. Talvez o melhor caminho para a remontagem seria buscar um novo olhar para a questão principal, sobre como fugir de uma vida ordinária. O saldo final é mediano.

Domingo, 30 Março, 2008

CRUEL

Curitiba também viu antes que a gente 'Cruel', novo espetáculo da Cia. de dança Deborah Colker. Na montagem, Deborah flerta com a linguagem teatral, um flerte moderado, é bom que se diga, mas a idéia é apresentar rascunhos de histórias coreografadas. Parece interessante.

O ORDEM - OU DESORDEM - DAS COISAS

Eis o que nós aqui no Rio só veremos em maio: Drica Moraes no monólogo 'A Ordem do Mundo'. Ela apresentou-o em primeiro mão no Festival de Curitiba, que termina hoje. Em entrevista há alguns dias, contou-me sobre a peça: "Faço uma mulher que lê os jornais diariamente e acredita que pode dar sua opinião para tudo, organizar o mundo à sua maneira", conta. Deu para sacar que a personagem não é muito normal, um prato cheio para a atriz, que tirou do próprio bolso a grana para a montagem do espetáculo, cuja produção quem toca é o marido. Enquanto muitos atores reclamam de falta de incentivo do governo e pedem novas leis para captação, eis aí um belo exemplo. Lá em Curitiba, por exemplo, a peça mais aclamada foi uma produção bastante modesta, que custou apenas 6 mil reais. Foi 'Aqueles Dois', adaptação do conto do Caio Fernando Abreu. Tá bom, tem que haver incentivo, mas de que adianta ele acontecer, alguns produtores obterem quantias exorbitantes e os ingressos continuarem caros? Pior, em algumas peças turbinadas por grandes patrocínios, não se consegue enxergar isso em cena, nos cenários e figurinos. Preste atenção: a grana vai pra dois ou três iluminadores e cenógrafos badalados que freqüentam nove entre dez fichas técnicas de peso. E cobram alto. Aí fica difícil realmente não gastar muito, não é? O 'Bem Amado' do Nanini, por exemplo, só neste fim de semana fez temporada popular na Uerj, a 10 reais. Antes, cobrava 80 reais lá na Gávea. E tinha como generoso patrocinador um grande banco. Oitenta para ver uma peça que não era superprodução não pode.

Sábado, 29 Março, 2008

Festival de Curitiba: TEATRO PAIOL


Para aqueles que não conhecem, vejam como é lindo o Teatro Paiol.

Festival de Curitiba: LAÇOS DE FAMÍLIA

Quarta-feira à noite, um dia antes de me despedir da cobertura do Festival de Curitiba - que termina amanhã - fui assistir à montagem de 'Avental Todo Sujo de Ovo', um dos poucos espetáculos baianos que conseguiram chegar à capital paranaense. Produção e elenco tiveram que vender muito avental para viajar. Valeu a pena. A peça está na seleção do Fringe e tem predicado interessante: seu autor é Marcos Barbosa, jovem cearense conhecido no Rio pelo texto de 'Auto de Angicos', com Marcos Palmeira. Em 'Avental', Barbosa nos apresenta, com humor desconcertante, o drama de uma família que não tem notícias do filho há 20 anos. Quando ele reaparece, está modificado: virou travesti e ganha a vida dublando canções de Clara Nunes. Não é uma peça sobre a causa gay, mas um tratado sobre as relações familiares e convenções morais. A idéia é boa, fui ver justamente para conhecer um pouco mais do trabalho deste novo autor, já que a carência deles é grande. Chama atenção, contudo, o fato de mesmo que tenha um argumento com possibilidades dramáticas interessantes, o autor não resolva questões-chave: a cena do reencontro entre mãe (Christiane Veigga, em excelente trabalho corporal) e filho (Léo Passos) não é crível. Barbosa não quer julgar, mas não há mãe que passe por uma situação dessas e receba o filho como se nada tivesse acontecido. No retorno, ele revela seu novo nome: Indienne Dubois. Apesar dos percalços da encenação bastante humilde e do mau aproveitamento do personagem principal, que fica mais na caricatura, a montagem é digna e cativante. No final, tem sua melhor sacada, quando a aceitação da nova condição do filho é realmente colocada à prova.

'BEATLES' DE VOLTA AO RIO NO LEBLON E O NOVO CASA GRANDE

Grande sucesso deste verão, 'Beatles num Céu de Diamantes' vai voltar ao Rio, desta vez no Teatro do Leblon, a partir do dia 4. A montagem, levantada sem patrocínio e realizada com baixo orçamento, caiu nas graças do público - daqui e também do Festival de Curitiba. Dupla realizadora do espetáculo, Charles Möeller e Claudio Botelho seguem firmes nos ensaios da versão brasileira de 'A Noviça Rebelde', que vai inaugurar o Teatro Oi Casa Grande, em maio.

Preservando o mesmo endereço, na Avenida Afrânio de Melo Franco, no Leblon, a casa terá capacidade para receber espetáculos de grande porte. São três mil metros quadrados distribuídos em três andares. A capacidade é de 950 lugares divididos entre platéia e balcão. Estamos ansiosos com o resultado final das obras, afinal, a zona sul merece um teatro de qualidade que abrigue as grandes produções.

Quinta-feira, 27 Março, 2008

Festival de Curitiba: BLONDE AMBITION

Nem mesmo a sensualidade presente - com direito a nu feminino - em 'Hitchcock Blonde' impediu que o boca-a-boca em torno da encenação dirigida por Paulo Biscaia fosse desestimulante. No espetáculo com texto de Terry Johnson, um professor de cinema e sua aluna procuram obra inédita de Hitchcock, que estaria perdida. Isso acontece em 1999. Quarenta anos antes, vemos o cineasta e uma dublê de corpo durante as filmagens de 'Psicose'. Sedução, loucura e assassinato se misturam na trama encenada pela Cia Vigor Mortis, realizadora de 'Morgue Story' e 'Graphic'. O diálogo entre cinema e teatro, marca da trupe, continua. As duas apresentações rolaram no belo teatro Novelas Curitibanas.

Terça-feira, 25 Março, 2008

Festival de Curitiba: NELSON RODRIGUES AO SOM DE RADIOHEAD

A versão que a Cia. paulistana Os Satyros apresenta da clássica obra de Nelson Rodrigues acerta na utilização de recursos multimídia: há projeções em preto e branco, voz em off, uso de microfones e até trilha sonora com nomes de peso do rock internacional, como Radiohead. A canção é 'No Surprises', linda. Aqui, os três planos se intercalam: alucinação, realidade e memória. Se funciona? Sim, funciona, embora o elenco esteja aquém da exigência dos papéis. É o caso de Cléo de Páris como Alaíde, em composição equivocada, boba mesmo. Ivam Cabral, no papel de Pedro, é outro que erra: faz caretas demais e arregada os olhos a todo instante. Quem se salva é Nora Toledo como Lúcia.

A convidada especial Norma Bengell também é boa surpresa. Uma diva em cena, muito à vontade. Ela chorou anteontem quando tudo deu errado e a peça teve que ser interrompida por defeitos técnicos. Felizmente ontem tudo deu certo. Norma faz Madame Clessi, que interpretou na célebre montagem de Ziembinski em 1976. A peça explora o imaginário onírico, tem cenografia bem sacada, com uma estrutura coberta por lençóis brancos, numa alusão ao vestido de noiva do título. Direção de Rodolfo García Vásquez, que optou por tirar qualquer traço de carioquice da peça. Incomoda um pouco, até porque a atriz principal pronuncia 'casameinto'. Não dá, né?

Segunda-feira, 24 Março, 2008

Festival de Curitiba: ARMA APONTADA PARA O ELENCO DE 'O ABAJUR LILÁS'

Texto polêmico de Plínio Marcos, 'O Abajur Lilás', participante do Fringe, rendeu uma tremenda confusão no Festival de Curitiba durante a manhã de ontem. A peça, encenada na Casa Vermelha, no Largo da Ordem, começava do lado de fora. No dia de sua última apresentação, um feirante, policial militar aposentado, se irritou com os palavrões existentes no texto e ameaçou o elenco com uma arma. Os atores prestaram queixa no 1º Distrito Policial. Tiago de Barros Cardoso classificou o episódio como lamentável: "Foi uma enorme censura à nossa proposta de trabalho", disse o ator.
Boa parte dos profissionais que trabalham na feira de artesanato local criticaram os palavrões presentes do texto, principalmente porque havia crianças na rua. Até ontem, o intimidador ainda não havia sido identificado. Mesmo com o incidente, o Festival, através de sua assessoria de imprensa, garante que não vai criar mecanismos de censura às peças. O espetáculo é dia Cia. Independente de Teatro, de São Paulo e foca no cotidiano de três prostitutas.
CENA DA PEÇA DENTRO DO TEATRO DA CASA VERMELHA

Festival de Curitiba: CAIO FERNANDO APROVARIA

O ator Odilon Esteves, que vive o travesti Cíntia na minissérie 'Queridos Amigos', está naquele que, desde ontem, tem sido considerado o melhor espetáculo exibido no Festival de Curitiba até agora. 'Aqueles Dois', adaptação teatral de conto de Caio Fernando Abreu, narra com sensibilidade o despertar do amor entre dois funcionários de uma repartição pública. Os dois personagens são vividos por quatro atores, num trabalho que nasceu de um longo processo de criação, desde maio do ano passado. O resultado são marcações inteligentes, condução de ritmo narrativo surpreendente e trilha sonora impecável.
FOTO DE DIEGO PISANTE
No kit distribuído à imprensa, chama atenção um LP com boleros. Até a nudez dos quatro em cena, num momento emocionante da peça, é mostrada com delicadeza. Hoje batemos um papo bastante produtivo com o elenco. Eles falaram da memória afetiva de cada um aplicada na montagem, do instigante trabalho de atuar, dirigir e adaptar ao mesmo tempo e sobre o 'deserto de almas', que Caio cita no texto. É um texto que está ali pra nos lembrar de como é importante encontrar na vida um confidente, que fala a mesma língua que a gente. Tão bem orquestrado que a questão homoerótica nem fica em primeiro plano. Assistindo ao espetáculo, você se entrega ao boleros, às citações de filmes inesquecíveis e viaja no tempo. Há um segredo: intimidade. É o que se estabelece com a platéia. Não é pouco.
Amanhã, no Caderno D, comento mais sobre a encenação e revelo o que rendeu da conversa com o elenco. Além dele, estão envolvidos no trabalho Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Zé Walter Albinati (nos bastidores) e Rômulo Braga, revelação de 'Mutum'. Os mineiros estão com tudo.

Domingo, 23 Março, 2008

Festival de Curitiba: ALGUNS LEÕES FALAM

Este é o nome de uma das peças do Fringe, encenada pela Cia. Clara, de Minas Gerais. Hoje partimos cedinho para o trajeto de meia hora até o teatro. A peça começou às 12h. Texto e direção são de Anderson Anibal, que nos apresenta uma encenação delicada, com marcações inteligentes e economia visual. Anibal conta a história de três amigos, da infância até a vida adulta. Fala das dores do crescimento, das coisas que perdemos pelo caminho e, para mim, de apego. Vale a pena, pena que no fim o autor faça concessões na busca de um conflito que faça o espectador entender que crescer é aprender o erro, mentir, dissimular. O trio de atores formado por Camile Gracian, Cássio Machado e Daniel Carfa está bem, mas o saldo final é mediano. A gente acaba se envolvendo por que muita coisa que ali é dita e vivida nós mesmos já vivemos. Mas é só.

Festival de Curitiba: BEATLES COM A MULTIDÃO


Sem dúvida, até agora, as grandes estrelas do Festival de Curitiba foram os atores de 'Beatles Num Céu de Diamantes'. O musical, montagem carioca, atraiu uma multidão - mais de 4 mil pessoas - em suas duas apresentações no Guairão. O espetáculo passou por adaptações, já que no Sesc Copacabana seguia as marcações do formato arena. Mas não perdeu seu charme. Pelo contrário: aqui, adquiriu ares de superprodução, com a acústica impecável do teatro, a enorme boca de cena e um caprichado desenho de luz. Diretor do espetáculo, Claudio Botelho foi questionado na coletiva sobre os caminhos - ou descaminhos - do sucesso e houve quem o criticasse por admitir que gosta de usufruir do conforto que a carreira bem-sucedida lhe traz. Preconceito contra quem monta musicais e ganha dinheiro com isso, claro. Entre a crítica especializada aqui presente, houve quem encarasse 'Beatles' como montagem caça-níqueis, como show apenas, ou ainda como uma grande apresentação do 'American Idol'. Todas as opiniões devem ser respeitadas, tudo bem. Mas discordo, e outros tantos concordam comigo. O espetáculo nada mais é que uma revista musical simples e bastante eficiente na comunicação com a platéia, que se diverte, ri, emociona-se. Não há compromisso com a trajetória do quarteto de Liverpool, mas sim em apresentar as célebres músicas que eles criaram com verniz teatral e soluções cênicas enxutas. O público aprovou, com ampla participação em gritos de 'bravo!' e aplausos calorosos. Beatles no céu de Curitiba.

Sábado, 22 Março, 2008

Festival de Curitiba: 'VOLÚPIA' INVESTIGA OS CAMINHOS DO CORPO

'Volúpia' é o nome de uma das peças que mais têm causado polêmica aqui em Curitiba. Alguns adoram, outros odeiam. O caráter polêmico não pára por aí. A montagem da Cia. Carona, de Blumenau, é altamente provocativa na investigação do poder que o sexo tem na vida das pessoas. Entre os personagens está um casal que resolve se jogar na experimentação do sexo coletivo. Avançam tanto que a relação cotidiana fica sem sentido, na subserviência da mulher ao marido. Uma das cenas mais bacanas mostra a bestialização do sexo. Causa impacto também uma passagem que mostra um estupro, outra de masturbação, um romance gay. Dá até para captar referências a David Lynch em alguns momentos. A idéia não é fazer sentido, mas permitir que os sentidos do corpo ditem as regras. Claro, falando assim parece tudo bastante ordenado, mas não é bem assim. A encenação é pesada, incômoda, instiga ao voyeurismo e de certa forma leva à conclusão de que não se pode se entregar a todos os desejos da carne impunemente. Um trabalho ousado, que embora às vezes use a nudez de forma gratuita, alcança seus objetivos.

Sexta-feira , 21 Março, 2008

Festival de Curitiba: OS JAPAS SÃO HERÓIS

Nada de Jaspion ou outros heróis japoneses. Quem tem superpoderes mesmo é a galera da Cia. Condors. Ontem, dia de início da programação oficial de peças no Festival de Curitiba, o grupo formado por atores-bailarinos japoneses presenteou o público do Ópera de Arame com um espetáculo atual, empolgante e altamente provocativo. Em 'Júpiter: A Conquista da Galáxia', eles satirizam a cultura de seu país com humor desconcertante, interpretando tipos afetadíssimos - garantia de gargalhadas na platéia - e se entregando a performances incríveis.

Sim, na pele de astronautas vestidos com roupa rosa bebê, eles comem yaksoba de cabeça para baixo. Mais: aprenderam a falar português e disparam sua metralhadora crítica na direção de situações do Brasil atual, como o cartão-corporativo e o impasse diplomático Brasil-Espanha. O futebol também não escapa, com um dos japas vestido de Ronaldinho - com joelho machucado. A trilha, de rocks da melhor qualidade e pop atual, é outro ponto alto. Hoje os caras descansam e amanhã e domingo voltam ao Ópera de Arame, espaço fantástico.
Agora, na sala de imprensa, quem conversa com os jornalistas é o elenco de 'Beatles num Céu de Diamantes'. O diretor Claudio Botelho garante que o espetáculo que os curitibanos verão hoje é totalmente novo. Diferentemente do arena do Sesc Copa, o palco agora é italino. No Guairão, hoje e amanhã.

Terça-feira, 18 Março, 2008

TUDO PRONTO PARA O FESTIVAL DE CURITIBA

Maior evento dedicado ao teatro no País, o Festival de Curitiba inicia quarta-feira sua maratona cênica com números que impressionam: são cerca de 300 espetáculos, 181 mil ingressos colocados à venda e 29 peças gratuitas — nas ruas, praças e pontos turísticos da cidade —, para quem não tem dinheiro, mas apetite artístico. O cardápio, este ano, oferece sete estréias nacionais e novidades que o diretor do festival, Leandro Knopfholz, faz questão de anunciar:
“Pretendemos ser a vitrine do teatro nacional e não esquecer de outras formas de arte. Este ano daremos espaço para exposições e shows”, adianta. De 19 a 30 deste mês, a cidade ferve com o festival e atrai turistas. No Rio, é possível comprar ingressos no BarraShopping. Pela Internet, através do www.ingressorapido.com.br.
Companhias internacionais marcam presença. Nesta 17ª edição, um dos espetáculos mais aguardados é ‘Júpiter: A Conquista da Galáxia’. A apresentação da companhia japonesa Condors promete. Os bailarinos satirizam a cultura pop japonesa e se apresentam vestidos com o gakuran, uniforme escolar do Japão. Os ‘japas’ dão as caras nos dias 21, 22 e 23, no Ópera de Arame.
Na Mostra de Teatro Contemporâneo, um dos destaques é a estréia do monólogo ‘A Ordem do Mundo’, com Drica Moraes, dias 28 e 29. Os cariocas só o verão em maio e Drica está ansiosa por mostrá-lo em Curitiba. “O festival tem um intercâmbio bacana, com o encontro entre artistas. A possibilidade de estrearmos lá caiu como uma luva”, conta. Drica tirou do próprio bolso o dinheiro para produzir, ao lado do marido, o monólogo de Patrícia Melo dirigido por Aderbal Freire-Filho. Ela recebeu o texto por e-mail, quando estava morando em Londres.
“Faço uma mulher cujo trabalho é emitir opiniões sobre as notícias que lê nos jornais. Ela se julga capaz de ordenar o mundo. É uma comédia absurda, com uma personagem irônica”. Tão interessante que foi cogitada por Claudia Jimenez e Marília Gabriela.
A atriz fala com empolgação de Vânia, sua personagem na minissérie ‘Queridos Amigos’: “Ela não é boa ou má por ter escolhido uma vida de conforto. Vânia representa uma fatia de pessoas que têm os pés no chão. A série retrata os anos 80, da queda das utopias, quando o mundo se abriu para o capitalismo selvagem e veio dar na bagunça que vivemos hoje”, avalia. Quem acompanha a série deve ter percebido que, além do bom desempenho habitual, a atriz está mais bonita. Ela concorda. “Talvez seja o cabelo mais longo e o fato de não ser personagem de época”. Teatro e TV agradecem.

Sexta-feira , 14 Março, 2008

A TEMPESTADE

Durante a tempestade que caiu ontem no Rio, eu estava no Teatro Sesc Ginástico assistindo à estréia de 'Otelo', produção de Diogo Vilela, que também está no elenco e assina a direção. São 3 horas de peça. Sim, é muito tempo. E demora a passar. Tem intervalo, o segundo ato é melhor que o primeiro, mas o saldo final é bastante irregular. Há no elenco atuações inconcebíveis quando se fala em teatro profissional. Veja o caso de Desdêmona, figura-chave na trama, papel que coube à novata Marcella Rica. Olha, ela pode estar com toda a boa vontade do mundo, mas tem voz infantilizada, um tom chato, explicadinho e, sempre que aparece, a impressão que se tem é que ali está uma montagem de teatro infantil. Não há como poupar também a performance de Luciano Quirino como o personagem-título: o ator faz caretas, se joga no chão, vocifera e cai numa performance caricata. O próprio Diogo, na pele do ardiloso Iago, também não se salva. Sua composição está equivocada - tem mais humor que o necessário. A montagem, dirigida por Marcus Alvisi, tem seus méritos. O cenário de Ronald Teixeira possui elementos impactantes e luxuosos e a luz também tem bom uso. O mérito maior, claro, ainda está no texto com trama tão bem arquitetada por Shakespeare. Fala de inveja, da cegueira do ciúme, dos sentimentos ordinários. Um clássico. Mais um que o Ginástico recebe sem que a montagem esteja à altura do texto. Alguém aí se lembra da desastrosa 'Antonio e Cleópatra' com Maria Padilha? Melhor esquecer...

'SALMO 91': MAIS PALAVRAS DO QUE AÇÃO

De pé sobre um vaso sanitário, o travesti Veronique dubla a música ‘Índia’, sucesso na voz de Gal Costa. O público, às gargalhadas, percebe a inabilidade da personagem para acompanhar a letra da canção e o exagero ao copiar os trejeitos da cantora. É o pontapé inicial de um dos dez monólogos de ‘Salmo 91’, adaptação teatral do best-seller ‘Estação Carandiru’, de Drauzio Varella, que chega ao Rio após temporada em São Paulo.

A estréia, quarta-feira, no Teatro Poeira, evidenciou dado curioso acerca do impacto da obra — já adaptada para o cinema, TV e até para o rádio, na BBC de Londres — sobre o público: em cena, fazem mais sucesso as histórias que possuem humor extraído da desgraça dos presidiários. Autor da adaptação teatral, Dib Carneiro Neto misturou personagens do livro e mesclou capítulos, e o resultado é de impacto moderado na encenação conduzida por Gabriel Villela.
O diretor aposta na força da interpretação dos atores, com cenário, também criado por ele, bastante discreto — uma parede de cinco portas do presídio — e uso da luz igualmente de forma econômica. A força, portanto, está nas histórias, e do grupo de cinco atores, os que mais se beneficiam delas são Ando Camargo (que faz o hilário travesti Zizi Marli e o enfermeiro Edelso) e Rodolfo Vaz (o encarregado geral Bolacha e o tragicômico travesti Veronique, seu grande momento). No papel de Nego-Preto, Rodrigo Fregnan capta a emoção certa na abordagem da relação de pai e filho encarcerados, enquanto Pedro Moutinho explicita libido elevada na pele do machão Charuto. Pascoal da Conceição inicia e encerra a encenação como o sobrevivente do massacre na casa de detenção Dadá, que está ali para lembrar da dor de presenciar um dos episódios mais sangrentos da história do País, quando foram fuzilados (oficialmente) 111 detentos. O problema é que só mesmo a cena final traduz realmente a atmosfera de horror do cotidiano na prisão.
As resoluções cênicas são boas, como as bolas da mesa de bilhar na representação das mulheres de um dos detentos, e a trilha sonora, com direito a Elza Soares, é eficiente. ‘Salmo 91’ busca o retrato dos presidiários por outro ponto de vista, com o espectador como confidente. Palavras que se sobrepõem à ação.

Quinta-feira, 13 Março, 2008

ESTRÉIA CONCORRIDA

A estréia de 'Salmo 91', ontem, no Teatro Poeira, reuniu dezenas de atores, entre eles Luana Piovani e as donas do teatro, Marieta Severo e Andréa Beltrão. Quem também foi conferir a montagem baseada no livro 'Estação Carandiru', de Drauzio Varella, foi Renata Sorrah, além de Bianca Byinton e Luciana Braga, e Paulo Gustavo, do sucesso 'Minha Mãe é Uma Peça'. Dirigida por Gabriel Villela, 'Salmo 91' arrancou aplausos entusiasmados da platéia no final. Amanhã, no Caderno D, comento sobre a peça. Até lá.

Terça-feira, 11 Março, 2008

'7' E 'AS CENTENÁRIAS' PREMIADOS

Foram conhecidos ontem à noite os vencedores do Prêmio Shell de Teatro, em cerimônia que teve como grande homenageada Tonia Carrero. A comédia 'As Centenárias' faturou os prêmios mais importantes, entre eles, merecidamente, o de melhor atriz para Andréa Beltrão. A peça saiu premiada também pelo texto de Newton Moreno e o inventivo cenário de Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque - uma cortina de bonecos de pano serve com perfeição à encenação, ainda em cartaz no Teatro Poeira, sobre a trajetória de duas carpideiras no interior nordestino.
Recordista de indicações, o musical '7' levou DIVULGAÇÃOpra casa o prêmio de direção (Charles Möeller), figurino (Rita Murtinho) e iluminação (Paulo Cesar Medeiros), todos merecidíssimos, afinal, o espetáculo com canções de Ed Motta e letras de Claudio Botelho foi uma das mais agradáveis surpresas do ano. Edwin Luisi foi o melhor ator, por 'Eu Sou a Minha Própria Mulher'. A cerimônia aconteceu ontem na casa França-Brasil e os concorrentes foram produções que estrearam no Rio ano passado.

Segunda-feira, 10 Março, 2008

SURTADOS EM DOSE DUPLA

Os fãs do 'Surto' têm programa certo neste fim de semana. Dirigidos por João Falcão, os atores da Cia Os Surtados estréiam 'Mamãe Não Pode Saber' no Teatro Glória. Esta adorável comédia foi escrita em 1993, encenada no mesmo ano em Recife e montada em 2002 no Rio. A montagem carioca tinha Lázaro Ramos no papel da jovem Priscila, uma garota de 13 anos que sonha ser modelo. Alessandra Maestrini, que brilhou no papel principal no musical '7' e está no ar no sitcom 'Toma Lá, Dá Cá', também participava e roubava a cena. Agora cabe ao quinteto formado por Flávia Guedes, Rodrigo Fagundes, Thaís Lopes, Wendell Bendelack e Leonardo Miranda encarnar os 12 personagens criados por Falcão, que em São Paulo dirige Glória Menezes em 'Ensina-me a Viver'. A turma do 'Surto' promete fôlego de atleta: eles não vão largar o osso e encenam de quinta a domingo, às 18h, a comédia que lhes trouxe a fama no Teatro Miguel Falabella. Depois, partem para o Glória para apresentar 'Mamãe não Pode Saber', que começa às 21h30, de quinta a sábado. Aos domingos, o horário é 20h30. A partir desta sexta-feira.