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André Gomes

Sexta-feira , 30 Maio, 2008

A PREFERIDA DO CAPITÃO

Essa é para os fãs da 'Noviça Rebelde'. Está chegando ao Brasil a cerveja super premium Edelweiss Snowfresh. Produzida com grãos selecionados e de alta qualidade, e água proveniente de fonte própria dos Alpes suíços-austríacos, esta cerveja é enriquecida com aroma de ervas alpinas. A Edelweiss é uma cerveja não-filtrada, com uma bela e natural cor âmbar. Ela nasceu na cervejaria Hofbraü Kaltenhausen, localizada na Áustria. É uma das mais antigas do país, fundada em 1475. São mais de 530 anos de tradição em produção de cerveja. Quem curte o musical em cartaz no Teatro Oi Casa Grande sabe que Edelweiss é o nome de uma das principais canções do espetáculo. Ela é interpretada pelo capitão, papel que na montagem brasileira cabe a Herson Capri. Será que o Herson já experimentou a cerveja? Bem, vale avisar: sua espuma é densa, consistente e estável. O sabor tem um certo amargor, nada demasiado. Quem vai distribuir a cerveja por aqui é a ImportBeer, importadora e distribuidora de cervejas especiais.

Sábado, 24 Maio, 2008

'GIPSY': O MUSICAL EM NOVA YORK E COMO SERÁ O DAQUI

Patti LuPone é um arraso, como mostra esta foto, com sua performance arrebatadora em 'Gipsy'. O revival do musical de Arthur Laurents é um dos hits da Broadway este ano. Durante as férias, fui conferir os motivos, já que não vai demorar muito para vermos uma montagem brasileira, dirigida por Claudio Botelho e Charles Möeller. Por sugestão do próprio Claudio resolvi assistir à montagem PATTY LUPNEatual, em Nova Iorque. Com música de Jule Styne e letras de Sondheim, o espetáculo tem como personagem principal Rose, uma agressiva mãe que sonha levar a filha ao estrelato. A personagem é real, foi mãe da stripper Gypsy Rose Lee. A história já foi filme com Bette Midler e enfileira clássicos como 'Some People'. 'Rose's Turn', que embala o número final, é incendiária: LuPone - a eterna Evita - prova por que é uma diva: está visceral, entregue, fenomenal. O segunto ato é bem melhor que o primeiro. Confesso: não gosto das apresentações iniciais do show de talentos infantil. Até onde sei, temos os nomes das nossas protagonistas confirmadíssimos: caberá a ótima Totia Meirelles o papel de Mama Rose e a Adriana Garambone o de Gipsy Rose Lee, que na vida real se tornou uma das mais famosas referências em strip-tease nos Estados Unidos.
A peça é baseada numa biografia da stripper e centrada no relacionamento entre Gipsy (que morreu em 1970) e sua mãe, que massacra a filha a vida inteira, querendo que ela se torne uma estrela. Não há gratuidade em cena, nem nudez, só insinuações. Confesso que, ao assistir ao musical na Broadway e pensar em quem poderia defendê-lo aqui, imaginei Soraya Ravenle no papel da mãe. Lembrei de Totia ao ver 'Mamma Mia', achei que seria a escolha ideal para viver a protagonista do musical com canções do Abba, caso um dia o tivéssemos aqui - tudo bem, eu sei que não dá pra traduzir os hits do Abba. No fim das contas, tanto faz, Totia é capaz de defender brilhantemente qualquer um dos excelentes papéis.

TEATRO A R$ 1 NESTE DOMINGO

O musical 'Gota D'água' se despede do Rio amanhã no Carlos Gomes, com sessão popular, pelo Domingo é Dia de Teatro a R$ 1. Outras peças a apenas R$ 1 neste domingo são 'Zapeando', no Glória, e 'Ovo Frito', no Planetário da Gávea.

OS SUBSTITUTOS

A encenação de "A Noviça Rebelde' é uma maratona e a produção está preparada para isso. Para o numeroso elenco infantil, há uma média de três atores mirins defendendo cada personagem. Sim, existe um revezamento. Na pré-estréia, fez sucesso o Kurt de Hugo Carvalho, que é a cara do Harry Potter, mas não é sempre que você vai encontrá-lo por lá. Também interpretam tal personagem os atores Gabriel Lara e Daniel Rocha. A gracinha Gretl também tem três caras: Thayani Campos, Sofia Viamonte e Karim Medeiros. Aqueles que substituem os protagonistas - uma tarefa e tanto -, caso Herson Capri e Kiara Sasso não possam se apresentar, são Rica Barros e Ester Elias. Ela brilhou em 'Cristal Bacharach'. Ele, em 'Sweet Charity'.

Sexta-feira , 23 Maio, 2008

'NOVIÇA REBELDE': ESTRÉIA EM GRANDE ESTILO

Abaixo, a crítica do musical 'A Noviça Rebelde', publicada nesta quinta-feira no Caderno D.

Terça-feira, inauguração do Teatro Oi Casa Grande, pré-estréia de ‘A Noviça Rebelde’. Na platéia, uma menina de quatro anos cantarola, entusiasmada, os versos das canções. É a prova viva de que o musical de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein não envelheceu. Segue intacto na memória de pais que o apresentam aos filhos na célebre versão cinematográfica de 1965, com Julie Andrews. A que vemos na montagem brasileira que estréia hoje para público é fiel ao original da Broadway, de 1959.

Dirigida por Charles Möeller com letras traduzidas por Claudio Botelho, nossa noviça tem o frescor, portanto, de apresentar canções e situações que não entraram no filme. Tudo emoldurado pelos cenários magníficos de Rogério Falcão, que recriam as montanhas austríacas, a propriedade dos Von Trapp e a igreja de onde Maria parte para cuidar dos sete filhos do capitão. Möeller e Botelho embarcaram na aventura de encenar o mais popular musical de todos os tempos cientes dos desafios. O obstáculo das traduções das canções foi superado com louvor: as versões de Botelho são fluentes e casam com a sonoridade das originais, que o digam ‘Do-Ré-Mi’ e ‘So Long, Adeus’. A cantá-las, o elenco infantil é um dos trunfos do musical. A caçula, Thayani Campos, rouba todas as cenas e Hugo Carvalho faz um Kurt impagável.

A dupla acertou ao escalar Kiara Sasso como protagonista. Sua voz, impecável, segura a missão de estar presente em quase todas as músicas. Mirna Rubim, como a madre superiora, tem performance vocal arrebatadora em números como ‘Sobe a Montanha’ (‘Climb Ev’ry Mountain’). Herson Capri, por sua vez, está ótimo na sisuda figura do Capitão que com o tempo deixa o coração amolecer, mas sua limitação vocal é um revés. As figuras do excêntrico Max e da baronesa são responsáveis por cenas divertinas, graças à sintonia entre Solange Badim e Fernando Eiras. Bruno Miguel, como Rolf, brilha em ‘Dezesseis e Dezessete’. Os figurinos de Rita Murtinho vestem os personagem com adequação e a luz de Paulo César Medeiros é elegante. A montagem só tem a crescer com a temporada — entre as conquistas, um pouco mais de emoção aliada à já elogiada técnica seria desejável. Programa indicado à toda a família, esta montagem de ‘A Noviça Rebelde’ é a prova irrefutável da excelência alcançada por nossas produções no gênero.

Quinta-feira, 22 Maio, 2008

ALESSANDRA MAESTRINI GRAVA CD

Na pré-estréia de ‘A Noviça Rebelde’, terça-feira, no Teatro Oi Casa Grande, Alessandra Maestrini revelou que gravou um CD. Ela, que arrasou ano passado como protagonista de ‘7 — O Musical’ e incendiava a platéia como a Lúcia de ‘Ópera do Malandro’, adiantou detalhes de sua incursão no mercado fonográfico. “Vai ser um CD de bossa nova eletrônica”. O nome do disco será ‘Drama & Jazz’, feito em parceria com o diretor musical Alexandre Elias. O midas Nelson Motta, que esteve por trás da recente ascensão de Fernanda Takai na carreira solo, ouviu o CD de Alessandra e aprovou-o. Duas das músicas ele colocou pra tocar em seu programa de rádio, o Sintonia Fina. Tá certo, estamos curiosíssimos para ouvir, mas o trabalho ainda não tem gravadora. A gente fica na torcida para que alguma se interesse pelo trabalho, para que o grande público, que a conhece do humorístico ‘Toma Lá, Dá Cá’, saiba como Maestrini - que surgiu com 'As Malvadas', de Möeller e Botelho, canta divinamente bem.

Quarta-feira, 21 Maio, 2008

A ESTRÉIA DA NOVIÇA BRASILEIRA

Esta foto mostra o elenco de 'A Noviça Rebelde' recebendo os aplausos do público que lotou a pré-estréia do musical na noite de ontem, no Oi Casa Grande. A montagem, de 9,8 milhões de reais, empolgou a platéia com cenários luxuosos, que recriam com perfeição as famosas montanhas
austríacas tão lembradas do filme de 1965 com Julie Andrews. Kiara Sasso, a noviça brasileira, está impecável na interpretação das canções, todas, sem exceção, muito bem traduzidas para o português por Claudio Botelho. Herson Capri é o próprio capitão, mas infelizmente não canta e joga para escanteio músicas como 'Edelweiss'. Na direção, Charles Möeller conduz a turma com agilidade e as crianças, adoráveis, são um dos trunfos da encenação. Quem é fã do filme vai saborear as diferenças entre ele e a peça, montada a partir do original da Broadway de 1959. Com o decorrer da temporada, acho que a montagem só tem a ganhar: a parte técnica está perfeita, talvez falte um pouco de emoção na interpretação de algumas canções. Só quem toma realmente de assalto o teatro com seu vozeirão é Mirna Rubim, no papel da madre superiora - a própria Kiara, embora afinadíssima, é mais comedida. 'Do-ré-mi' ficou uma graça e 'So Long, Adeus', adorável. Solange Badim e Fernando Eiras, nos papéis de Max e a baronesa, tiram proveito máximo de suas cenas. Fazem rir, estão em ótima sintonia. Surpreendente também é a performance vocal de Bruno Miguel como Rolf. Eu, que particularmente gosto de 'Sixteen Going Seventeen', adorei-o em 'Dezesseis e Dezessete'. O Rio ganha um musical de altíssima qualidade e um teatro realmente bonito, confortável e bem equipado. A crítica formal do espetáculo sai nesta quinta no Caderno D.

Segunda-feira, 19 Maio, 2008

FAMÍLIA VON TRAPP

Está chegando a hora. A montagem brasileira de 'A Noviça Rebelde' tem estréia para convidados amanhã, inaugurando o Teatro Oi Casa Grande. Enquanto a gente espera, vale recordar sobre a origem de um dos musicais de maior sucesso de todos os tempos, desde sua estréia na IMAGEM DO DOCUMENTO DE NATURALIZAÇÃO DE MARIA VON TRAPP
Broadway, em 1959. Muita gente não sabe, mas a Família Von Trapp realmente existiu. Foi o livro escrito por Maria que inspirou o musical. Maria e o comandante naval Georg Von Trapp casaram-se em 1927. Em 1935, ele perdeu sua fortuna e foi para sobreviver que a família começou a cantar profissionalmente. Depois de se apresentarem num festival de música, o sucesso fez com que começassem a cantar em turnês pelo país. Veio a anexação da Áustria pela Alemanha nazista em 1938 e o anti-nazista George fugiu com a família para a Itália e de lá para os Estados Unidos. Quem viu o filme de 1965 com Julie Andrews também ficou sem saber, mas além das sete crianças do primeiro casamento de Georg, vieram mais três, da união com Maria. A superprodução que tem pré-estréia amanhã no Rio tem Kiara Sasso no papel de Maria e Herson Capri como o capitão. O valor da montagem é de quase 10 milhões de reais e por trás dela estão Charles Möeller e Claudio Botelho.

Sexta-feira , 16 Maio, 2008

COM ELA, ESTAMOS BEM ACOMPANHADOS

Você reconhece uma grande atriz quando ela faz um monólogo e ele não parece monólogo. Sim, por que, cá entre nós, ficar sozinho em cena é para poucos, né? Nos últimos tempos, desde que Fernanda Torres fez o que parecia ser impossível em ‘A Casa dos Budas Ditosos’ (ficar duas horas sentada e manter o público hipnotizado) e Zezé Polessa monololizou as atenções com o hit ‘Não Sou Feliz Mas Tenho Marido’, parecia meio difícil alguém alcançar êxito semelhante. Parecia.
Ontem, finalmente fui ver Drica Moraes e seu ‘A Ordem do Mundo’, texto da Patricia Mello. Drica é uma das atrizes prediletas de muita gente. Minha também. Ela tem a qualidade rara de tornar fabuloso o que às vezes é um texto banal. E não tem vergonha de se entortar, fazer careta, ficar feia, bonita, nada. Por isso mesmo, o monólogo em cartaz no Teatro Clara Nunes, na Gávea, parece irresistível. O bom texto vasculha a atual condição feminina a partir da história de uma mulher cuja profissão é emitir opiniões sobre as notícias dos jornais. Uma pesquisadora. Séria, ponderada. Não. Mulherzinha, mãe dedicada. Não, mulherona, no salto alto vermelho. Não, encalhada, à espera do telefonema do cara que não liga. Várias. Uma. E por que tantas e só uma? Por que é Drica que está em cena, experimentando sotaques, trejeitos, dores e delícias de uma comédia absurda. É ela quem dá o toque especialmente divertido em passagens não necessariamente tão engraçadas, que crescem em sua mão. Quem a conduz neste balé absurdo da mulher moderna é Aderbal Freire-Filho. O cenário de Fernando Mello da Costa, com pilhas de jornais, televisores e uma escada de ferro em caracol, é outro ponto alto. Drica está nas alturas. Agora só falta o público perceber isso. Na sessão desta quinta-feira, havia poucos pagantes. Algo em torno de 30 pessoas no teatro. O horário é meio ingrato diante do caos do trânsito: 19h30 de quinta a sábado e 19h aos domingos, em plena Gávea. Mas vale a pena. Sei não, mas acho que não é peça para o Shopping da Gávea, que atrai público consumidor de blockbusters. Tem mais o perfil de um Teatro Poeira, por exemplo. Fica a sugestão e a torcida para que até 30 de junho o público descubra ‘A Ordem do Mundo’. Ah, o telefone do teatro é o 2274-9696.

Quinta-feira, 15 Maio, 2008

VISITA À CASA DA NOVIÇA

Por uma incrível coincidência, chegam notícias quentíssimas sobre 'A Noviça Rebelde' justamente quanto a montagem brasileira do musical está prestes de estrear no Oi Casa Grande. A casa onde morou a verdadeira família von Trapp vai virar hotel. O Villa Trapp, cercado por um parque nos arredores de Salzburgo, na Áustria, será aberto ao público em julho. Por uma diária de cerca de 100 euros (algo em torno de R$ 257), os hóspedes poderão dormir nos quartos anteriormente ocupados pelos membros da família. Diferentemente das datas destacadas no longa-metragem de 1965 com Julie Andrews como protagonistas, a família viveu de 1923 até 1938 na casa, quando fugiu da ocupação nazista da Áustria. Os idealizadores do projeto não pretendem fazer alterações na estrutura da construção, somente reparos necessários, como pintura. De acordo com o escritório de turismo local, os fãs do filme representam 40% dos visitantes que passam pelo menos uma noite em Salzburgo. Voltemos ao Rio: a montagem brasileira, aguardadíssima, estréia dia 22 no Leblon, reinaugurando o Teatro Casa Grande, com capacidade quase mil pessoas. A dupla Charles Möeller e Claudio Botelho está à frente da montagem, que será estrelada por Kiara Sasso e Herson Capri. O sempre ótimo Fernando Eiras também está no elenco. Já andei dando uma escutada no CD com as canções do espetáculo e as versões são adoráveis, bastante fluentes.

Quarta-feira, 14 Maio, 2008

E ELA QUERIA SER ATRIZ DE TEATRO LOCAL...

Eu não sei quanto a você, caro leitor, mas Julianne Moore é, para mim, uma das atrizes mais bonitas do cinema. De todos os tempos. Passou já há um tempinho dos 40 e continua linda, prova disso são estas fotos recentes, tiradas durante sua passagem pelo tapete vermelho do Festival de Cannes, onde foi exibido o filme de Fernando Meirelles do qual participa: 'Blindness', adaptação do livro 'Ensaio Sobre a Cegueira', do Saramago.
Eu queria separar uma foto, mas não resisti. Peguei logo várias. Sorte nossa que ela foi parar no cinema. Numa entrevista recente para a revista Harper's Bazaar, ela contou que sonhava ser atriz local, integrante de uma companhia de teatro. Claro que eu adoraria vê-la no teatro, mas depois de famosa houve uma chance apenas, em 2006, na Broadway. Passou. Então a gente se contenta em vê-la no cinema. Repare bem como a Alice Braga, com toda sua juventude, não consegue escapar de ser ofuscada por Moore, que na Harper's estrelou um ensaio fotográfico no qual recria mulheres de pinturas clássicas. E o que dizer destes óculos escuros sensacionais?
Julianne, dá um tempinho no cinema e faz teatro pra gente tentar te ver ao vivo, vai? Ah, quanto ao filme, a recepção da crítica em Cannes foi mediana, em alguns casos até mesmo fria. Pena.

MAMMA MIA!

É incrível, mas tem muita gente por aí que só voltou a dar valor ao Abba depois do sampler de 'Gimme Gimme Gimme' presente em 'Hung Up', da Madonna. Tá bom, eles também não são da minha época, mas estou familiarizado à sua música sei lá, faz muito tempo. Não dá pra resistir a 'Dancing Queen' ou 'The Winner Takes It All', só para citar alguns clássicos. Talvez por isso, pelo poder que sua música tem de atravessar gerações, 'Mamma Mia' se tornou um hit desde sua estréia na Broadway, em 2001. Desde então, o musical com canções do quarteto sueco ganhou montagem em outros países e não saiu de cena. Nestas férias, finalmente, fui ver a montagem nova-iorquina. A estrutura da história é bastante simples, com uma jovem, prestes a se casar, à procura do pai que desconhece. Na dúvida entre três, convida-os para a festa de casamento, para desespero da mãe. As canções são costuradas à trama de forma deliciosa e os figurinos, em parte das cenas, remetem aos multicoloridos trajes usados pelo quarteto nos anos 70. Na platéia do Winter Garden Theater, espectadores de todas as idades cantavam junto. No fim, quando você pensa que tudo acabou, o elenco volta pra cantar alguns sucessos que não se encaixaram às cenas. O teatro vira pista de dança. Claro, os produtores não seriam bobos de deixar hits de fora. Espertamente, a história de Catherine Johnson contempla a todas as faixas etárias: as coreografias do noivo saradíssimo com seus amigos, todos em roupas de mergulho, enchem os olhos do jovem público feminino. As do trio formado pela mãe e duas amigas quarentonas, divertem os espectadores adultos - uma delas é loura sensual ao estilo da Samantha de 'Sex and The City'. E no meio de tantos hits, como 'Knowing Me, Knowing You' e 'S.O.S', me peguei pensando numa montagem brasileira. Tá bom, traduzir as músicas, nem pensar. Mas elas são tão conhecidas que mantê-las no original não seria mal algum. Para o papel da mãe, Totia Meirelles seria boa opção. Será que ela gosta do Abba? A prova de que 'Mamma Mia!' é mesmo um hit estará logo logo nos cinemas. Já está prontinho o filme baseado no musical, com Meryl Strepp no papel da mãe, Donna. O elenco gravou na Grécia e é lá que falarão sobre o filme em entrevista marcada para junho. Deve chegar por aqui em agosto.

Segunda-feira, 12 Maio, 2008

DISCO NOVO

Disco novo é como novo amor. Você se apaixona, ouve várias vezes, sem cansaço. Depois, ouve menos, ainda amante das canções. Passa um tempo e você ouve de vez em quando, não mais apaixonado, amor antigo a esta altura. Não sei por que voltei da viagem de férias pensando nisso. Nos dias de descanso, meu mp3 enjoou de executar Madonna, contaminado pelas batidas de 'Beat Goes On' e 'She's not Me'. Chegando em casa, o primeiro disco que ouvi foi o da versão brasileira de 'Noviça Rebelde', do Charles Möeller e Claudio Botelho. Adorei. As versões são lindas e, a julgar pelo disco, o musical, que estréia dia 22 no Oi Casa Grande, vai ser um hit. CALCANHOTTO EM FOTO DE JOÃO LAET.
Nem Madonna nem a noviça me provocaram efeito semelhante ao novo CD de Adriana Calcanhotto, contudo. Com Adriana, foi paixão. A ponto de eu tomar decisão atípica: não o ouvi muito até hoje, pra economizar. Explico: se ouvir demais, abandonarei-o mais rápido. Não quero. Quero a sensação da paixão. Ainda. Por mais tempo. Hoje passeio pela voz dela nos versos de 'Mulher sem Razão' com a mesma felicidade de um menino que vê o mar pela primeira vez. Cazuza se afogaria nestes mares, dizendo 'me confessa que gostou/ do meu papo bom/ do meu jeito são/ do meu sarro, do meu som/ dos meus toques pra você mudar. Música pra ouvir no fim da tarde de sábado, nestes dias de 'inverninho' carioca, no anúncio de um fim de semana ameno, quente nas intenções. Quando ela pergunta, 'a uma hora dessas, por onde estará seu pensamento?', nos versos da segunda canção - "onde longe Londres Lisboa
ou na minha cama?", elas, as intenções, ficam mais claras. Nos versos de 'Três', que regravou da Marina, claríssimas. Hino do amor a três, 'Três' encontra na voz de Calcanhotto a delicadeza que faz de tal proposição, possibilidade. 'Maré'.

O DOCE DELEITE DE GIANE

Depois das férias, nosso blog está de volta, com esta entrevista que fiz com Reynaldo Gianecchini, tema da capa do Caderno D de hoje. Ele está em 'Doce Deleite', ao lado de Camila Morgado, sob direção de Marília Pêra. O espetáculo tem altos e baixos, em esquetes de humor bastante simples e popular, mas o saldo final é positivo. É, antes de tudo, uma bonita homenagem à arte do teatro.

SEM MEDO DE OUSAR
Giane está nu. Calma, leitor, Reynaldo Gianecchini se despe sim, mas não literalmente, na peça ‘Doce Deleite’, que acaba de estrear no Teatro dos Quatro. Deixa para trás a imagem de maior galã da TV para se aventurar por caminhos bem mais vertiginosos. Não só cantar e dançar, mas interpretar uma mulher. Na estréia do espetáculo, o público se rasgou de rir ao vê-lo — peruca loura platinada, vestido xadrez azul e blusa com ‘seios’ turbinados — ensinar a arte de se tomar sorvete. Para extrair o máximo prazer, ensina sua personagem Mariângela, não importa que o sorvete seja grande ou pequeno. E não vale desperdiçar nenhuma gota.
Não é qualquer ator que topa se expor a cenas como essa, mas Giane revela, pouco antes de entrar em cena e com a simpatia habitual, que nem pensou em desistir dela. “Tive que deixar toda a vergonha de lado e pensar que estava ali dando aula de como tomar sorvete para criancinhas. Afinal, a maldade está mesmo na cabeça das pessoas, né?”, questiona.
Em ‘Doce Deleite’, o ator não só encara a piada de forte conotação sexual, mas vai além na receita para quem não tem medo de ousar: aceita que a colega de elenco Camila Morgado se refira a ele como o modelo que fez fama como ator a partir da ex-mulher, jornalista célebre (Marília Gabriela), e lembre com desdém de sua cidade de origem, Birigüi. “Nosso objetivo ao topar estas provocações é não nos levarmos a sério, tirarmos sarro mesmo um do outro. Assim, nada melhor do que brincar com nossas trajetórias. Claro, sempre no limite do bom gosto”, observa Gianecchini.
Sua exposição maior está num dos figurinos, contudo. De malha de balé, surge em cena com cada detalhe do corpo em evidência, alvo de mais um doce comentário da colega. “Tô sabendo que o público feminino escolhe na bilheteria os lugares que ficam do lado do seu camarim só para reparar nos seus volumes”, dispara Camila.
A dupla troca de roupa em cena e a platéia vê os camarins. Há quem queira ver muito mais, é claro, e Giane encara tudo com bom humor: “Camila brincou muito durante os ensaios dizendo que com a malha eu ficava com o bumbum à mostra, que parecia que eu estava pelado”, entrega. Em Niterói, revela ele, uma espectadora tentou comprar ingresso do lado dele. Mas o namorado precavido não deixou.

HOMENAGEM À ARTE DO TEATRO
Doce Deleite’ é uma bonita homenagem à arte do fazer teatral. Mais: busca um tipo de humor sem vergonha do exagero, às claras, pelo simples deleite da risada mesmo. A peça escrita por Alcione Araújo (originalmente montada no início dos anos 80 com Marco Nanini e Marília Pêra), ganhou novos esquetes e intérpretes. Cabe agora a Reynaldo Gianecchini e Camila Morgado a árdua tarefa de interpretar vários tipos, cantar e dançar. O ATOR COMO MARIANGELA
Nem todos as cenas funcionam, mas há momentos infalíveis, como as trapalhadas da bilheteira vivida por Camila, o sexo do casal octagenário e as provocações sobre vida pessoal. Se de um lado Camila cutuca-o lembrando do passado dele de modelo e da fama através de Marília Gabriela, do outro, Giane faz com que ela não se esqueça das origens no teatro denso, enfumaçado e da frase “Eu estou grávida de Luiz Carlos Prestes”. As tiradas servem como passagem de um esquete a outro e funcionam na relação de intimidade que se estabelece entre platéia e intérpretes.
A dupla de atores tem o mérito de procurar registro próprio para os personagens antes defendidos por Nanini e Marília, atores consagrados e de ‘timing’ cômico inquestionável. Camila brilha na composição da bilheteira Godelívia — que parece uma boneca de pano, no bem sacado figurino de Kalma Murtinho — e da atriz pedante que ensina seu ofício. Giane alcança o tom certo no complicado papel feminino — de humor sexual em estado bruto — e como o velhinho à procura de noite quente com a companheira octagenária. O número da ópera, contudo, tem estrutura cênica confusa. Mesmo com altos e baixos do texto e trilha sonora pouco inspirada, a peça possui condução ágil e diverte.