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André Gomes

Quinta-feira, 26 Junho, 2008

BYE, BYE, DIRETOR

O musical 'Divina Elizeth' chega ao Rio hoje, no Sesc Ginástico, cercado de polêmica. Depois da estréia em São Paulo, onde cumpriu temporada, a produção resolveu assumir as rédeas de tudo: não comunicou ao diretor João Falcão que a temporada carioca fora agendada e mexeu no que ele havia feito. Assim, a peça que os cariocas vêem aqui está modificada em relação a que estreou. A diretora de produção Cinthya Graber dá sua explicação para o estranhíssimo episódio (imagina se a moda pega?):
"O João tem outros compromissos profissionais assumidos antes de marcarmos nossa vinda para o Rio. Ele pediu que o esperássemos, mas tinha prazos a cumprir e não podíamos esperá-lo por meses.Tivemos que fazer alterações no elenco e além disso queríamos (produção e elenco) fazer algumas alterações na concepção da peça. Para resolver as questões, criamos juntos a Pequena Companhia de Musicais e a direção, na temporada carioca, passou a ser coletiva. Me emociona ver o iluminador Aurélio de Simoni dar a sua visão da marcação de uma cena e também nosso contra-regra sair da coxia e dizer:'Posso dar minha opinião?'. O trabalho está lindo".

Domingo, 22 Junho, 2008

O TEATRO DA MODA E A MODA DE FICAR PELADO


Confesso que me diverti assistindo, toda noite, às edições do GNT Fashion direto do São Paulo Fashion Week. Confesso também que o que gira em torno do mundinho da moda acho chaaaato, vazio, qualquer nota, e que volta e meia fico me perguntando por que inventaram o conceito de desfile-espetáculo. Não bastam mais as roupas espetaculosas. Desfile hoje em dia em DJ, música ao vivo, muita encenação. Desfile hoje em dia é teatro. Daí para as propostas engajadas é um pulo. Ou o que dizer do Ronaldo Fraga e sua coleção contra a transposição do Rio São Francisco? Tá bom, havia até algumas roupas bonitas, mas colocar bacias de sal grosso na passarela e obrigar os modelos a desfilar com viseiras feitas de canudinhos de plástico (não dava pra ver a cara deles), sei não, é too much. É, teve um cara aí que ganhou pra isso, fez a 'beleza' do desfile. Por isso entenda a maquiagem que imitava escamas na boca, os cabelos enrolados pra dizer sei lá o que e as viseiras horríveis - "para beber o rio", disse o estilista.

A Cavalera, com Sommer, colocou três mulheres levitando em cena. E modelos desfilando com cabeças. De macaco, de galo, então tá. Roupas, em sua maioria, tão fantasiadas quanto as fantasias.
Teve também a Rosa Chá. Nada de política, nem de mundo mágico. Colocaram um modelo para tomar banho. O cara ficou pelado. O pessoal da grife garante que, diante da proposta, todos os modelos se ofereceram para se mostrar como vieram ao mundo - e gastar água (e o São Francisco, heim?) pra tomar banho no desfile. Será que, questionado, o modelo diria que não foi ele que ficou nu, mas o personagem? Ficou sem roupa pra vender moda praia. Tudo bem, virou moda: se a idéia também é protestar, basta tirar a roupa, subir na bicicleta e sair pedalando pelado na multidão. O último protesto aconteceu em Bruxelas - parece que mais de 50 cidades estão mobilizadas na idéia - e o objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância de se preservar o meio-ambiente. Usar bicicleta, tudo bem, não polui. Mas sem roupa pra que? Ora, porque tá na moda...

Sábado, 21 Junho, 2008

ESTRÉIA CONCORRIDA

WAGNER MOURA ENTRE OS OUTROS ATORES DO ELENCO/DIVULGAÇÃO
Foi bastante badalada a estréia de 'Hamlet', com Wagner Moura, em São Paulo. Marília Pêra classificou o espetáculo dirigido por Aderbal Freire-Filho como perfeito. Irere Ravache e Marília Gabriela, além de Zezé Polessa e Luana Piovani, também compareceram ao Teatro da FAAP. Até Fernando Meirelles esteve por lá. No elenco também estão Caio Junqueira, Tonico Pereira e Georgiana Góes.

Quinta-feira, 19 Junho, 2008

MAIS TONY


Voltando a falar do Tony, eis o 'South Pacific', que abocanhou sete prêmios. Foi o grande vencedor da noite de domingo e desperta o imaginário feminino com os personagens marinheiros.


'In The Heights' também causou sensação. A peça sobre famílias latinas que vivem em Manhattan foi eleita melhor musical. Lin-Manuel Miranda, o autor, tem apenas 28 anos e fez sua estréia na Broadway com o espetáculo. Tem mais: a montagem marca também sua estréia profissional. Isso é que é estréia em grande estilo.

BRASILEIRO VENCEDOR DO TONY FALA AO 'SUPERCÊNICO'

Paulo Szot está numa correria só desde que saiu vencedor da cerimônia do Tony Awards, domingo, em Nova Iorque. Tornou-se o primeiro brasileiro a ganhar o prêmio, o Oscar do teatro americano, e conta pra gente o que sentiu, fala de seus planos e do cotidiano em Nova Iorque. Estamos muito felizes por Paulo e, abaixo, ele mostra toda a empolgação de ser um brasileiro vencedor no competitivo mundo dos musicais de Nova Iorque. 'South Pacific', montagem que estrela, é um hit, com sessões esgotadas e performances arrebatadoras de Szot em canções como 'Some Enchanted Evening'. O prestígio de Szot está nas alturas, tanto que seu agente está tentando negociar sua estréia em alguma produção hollywoodiana.

Há quanto tempo está nos EUA e como surgiu a oportunidade de integrar o elenco de 'South Pacific'?
Cheguei no final de janeiro deste ano já para os ensaios. As audições foram no ano passado. Estava em Boston e meu agente me comunicou sobre esta oportunindade. Resolvi arriscar e fazer a audição. Eles gostaram... eu também.... aqui estou...

Começou quando no mundo erudito?
Em 1997, no Barbeiro de Sevilha em São Paulo. Desde então cantei no Rio, Manaus, BH, Porto Alegre...2003 foi minha estréia em Nova Iorque no New York City opera na Ópera Carmen de Bizet.
Em 2004 estreei na França , em Marselha, na ópera Eugene Onegin. Em 2007 na Espanha no Liceu de Barcelona e agora nos palcos da Broadway.

Como foi ouvir seu nome anunciado como grande vencedor do Tony? O que mudou em relação ao assédio desde então?
Impressionante...Nunca poderia imaginar que algo assim , desta grandeza, poderia acontecer na minha carreira. Ainda mais pela boca de Liza Minelli!! Só Nova Iorque mesmo para proporcionar esses momentos mágicos.

Você também tem sido elogiado pelo charme e pelo porte físico. É vaidoso? Se cuida? Que importância tem a aparência em seu cotidiano?
Gostaria de ter mais tempo para correr e malhar. Tento me manter saudável.

Como barítono, quais os cuidados que tem com a voz?
Descanso, tranquiliadade no dia-a-dia, concentração.... Tudo que no momento não tenho..hahaha. Mas a teoricamente é isso....

É conhecedor da obra de Rodgers e Hammerstein? Qual é seu musical preferido deles?
SOUTH PACIFIC! Também gosto muito de Carrousel.

Quais os próximos compromissos profissionais?
'South Pacific' até o final do ano e depois alguns compromissos que havia agendado na França, em Marselha e em Toulouse.

Que diferenças vê entre cantar numa ópera e num musical?
Os 8 shows por semana são a grande diferença. No musical o condicionamento físico para aguentar a maratona é essencial enquanto na ópera o descanso vocal é primordial. Na ópera temos pouco tempo para ensaiar e executar , geralmente sao 6 a 8 recitas por produção. No musical ....até agora já fiz mais de 150 recitas...

Como tem sido seu cotidiano em Nova Iorque? Gosta de viver aí?
Adoro Nova Iorque. Há de tudo. Apesar de ser uma selva de pedra. Existe uma organizaçao urbana que corresponde às minhas necessidades. Com 8 shows por semana nao tenho tempo de desfrutar da cidade. Meu lugar predileto é o Central Park, onde corro diariamente e admiro a natureza, passaros e é claro os esquilos....

Quarta-feira, 18 Junho, 2008

TUDO PRONTO PARA O HAMLET DE WAGNER MOURA

O ATOR EM FOTO DA REVISTA BRAVO
O Hamlet de Wagner Moura estréia sexta-feira em São Paulo no Teatro FAAP, onde fica em cartaz até setembro. Na entrevista coletiva que rolou por lá esta semana, ele deixou claro seu amor pelo personagem de Shakespeare. "É o maior e mais complexo personagem do teatro, e eu achava que antes dos 30 anos não estaria preparado para fazer, nem sei se realmente estou. Além disso, eu talvez alimentasse uma fantasia de ter a idade próxima do personagem. Mas eu tenho certeza de que o teatro não pede esse tipo de realismo", disse. Para os cariocas fãs que não puderem dar um pulinho em SP para ver o que ele e Aderbal Freire-Filho aprontaram, fica a dica: dia 4 de julho, às 22h45, o Multishow exibe um documentário que a mulher do Wagner, Sandra Delgado, fez sobre os ensaios. O Hamlet que toma conta da FAAP nada tem de sisudez: a idéia é fazê-lo contemporâneo

Sexta-feira , 13 Junho, 2008

RALPH FIENNES BRILHA NO WEST END LONDRINO

Quem anda sentindo falta de Ralph Fiennes no cinema e tem a felicidade de estar de férias na Europa por agora pode vê-lo ao vivo, no West End londrino, onde o ator está em cartaz com a O ATOR NA PEÇApeça 'God of Carnage' (Deus do Massacre). No elenco da montagem, que tem texto da francesa de origem iraniana Yasmina Reza, ele divide cena com Janet McTeer, Tamsin Greig e Ken Stott. A comédia dramática ganhou elogios da crítica inglesa e gira em torno de dois casais e seus filhos. Quando um deles agride o filho do outro, o conflito vem à tona numa discussão a respeito dos limites das relações atuais entre pais e filhos. Achou o nome da autora familiar? Vimos dela por aqui a excelente montagem de 'O Homem Inesperado', com o Paulo Goulart e a Nicette Bruno.

NOSSA LÍNGUA

Pra quem está interessado na cena teatral de países como Angola, Cabo Verde, Moçambique e Portugal e na brasileira também - fora do eixo Rio-São Paulo, o FESTLIP (Festival de Teatro da Língua Portuguesa) entra em seu segundo e último fim de semana. Vamos ao roteiro:

SEXTA, 13 de junho
Teatro Ginástico: Grupo Teatral do Centro Cultural Português do Mindelo / Cabo Verde, com o espetáculo “O doido e a morte”, às 19h.
Espaço Sesc Arena: Grupo da Garagem / Portugal, com o espetáculo “A hora do arco-íris”, às 21h.
Espaço Sesc Sala Multiuso: Grupo Gungu / Moçambique, com o espetáculo “Mulheres com H maiúsculo”, às 20h.

SÁBADO, 14 de junho
Teatro Ginástico: Grupo Henrique-Artes / Angola, com o espetáculo “Côncavo e Convexo”, às 19h.
Espaço Sesc Arena: Grupo de Curitiba / Brasil, com o espetáculo “Capitu”, às 21h.
Espaço Sesc Sala Multiuso: Grupo Etu-Lene / Angola, com o espetáculo “Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada”, às 20h.

DOMINGO, 15 de junho
Teatro Ginástico: Grupo Raiz di Polon / Cabo Verde, com os espetáculos “Duas sem três” e “Dom Quixote das Ilhas” às 19h.
Espaço Sesc Arena: Grupo Mutumbela Gogo / Moçambique, com o espetáculo “As filhas de Nora ”, às 19h30.
Espaço Sesc Sala Multiuso: Entrega Prêmio Revelação FESTLIP, às 22h.
 

Quarta-feira, 11 Junho, 2008

PODER ROSA

O TOC é um transtorno de ansiedade que leva as pessoas a terem comportamentos obsessivos. Luciana Vendramini sabe bem disso. Sofreu com a doença durante sete anos: no auge da crise, passava horas no banho. Depois de controlar 90% dos sintomas, mergulhou de cabeça no teatro experimental. Fez a peça ‘4.48 Psicose’, cujo tema central é suicídio. Emendou num projeto sobre matricídio. Ensaiava no papel de uma jovem que desejava a morte da mãe. Luciana, então, passou a sonhar que tinha que matar a mãe. Até que um dia, numa visita a Nova Iorque, ano passado, ela se encantou pelo rosa dos outdoors do musical ‘Legalmente Loira’. Pronto. Decidiu que ia sair da escuridão. Seria de novo loura, rosa, popular, sem preconceito.
Como? A atriz, que também vinha se dedicando a projetos com Antunes Filho, decidiu comprar os direitos do musical adaptado do filme de sucesso com Reese Whiterspoon, que virou febre desde sua estréia na Broadway. Viverá a loira do título, Elle Woods, em adaptação brasileira — a cargo de Charles Möeller e Claudio Botelho —, cujos testes para escolha do resto do elenco começam em setembro. “Amei o mundo rosa do musical, que vi seis vezes. Estou cansada de fazer peça em que tenho que sofrer, já tenho os meus problemas e tinha que ficar cutucando-os”. Luciana agora pensa pink, mas já foi dark. “Para a peça do matricídio, pesquisei sites em que meninas declaravam ‘eu odeio a minha mãe’. Cansei, me deprimiu. Você pode se deprimir na vida ou no trabalho: nos dois, não dá”, sentencia.
Luciana tem mais motivos para buscar as cores da dondoca estudante de direito que interpretará. “Acho que nesta peça me encontrei. Aceitei que sou loura mesmo e, como a Elle, odeio amiga que passa a perna na outra e acredito no amor”. O poder pink fez efeito. “Antes, eu queria ser velha, usar óculos, não queria ser loura e bonita. Minha mãe me chamava de Perpétua”, lembra. Pensou em preconceito? Acertou. Ela queria se livrar do estigma de loura burra. “Já quis me enfeiar demais, fazer cara de intelectual. Por que sabe como é, né? Bonita não pode cantar bem, dançar e fazer Antunes”. Luciana estuda canto diariamente. Sim, é ansiosa. “Afastei-me das novelas por achar que a TV só explora o close. Fui minha pior inimiga. Guardei o rosa e virei um urubu de preto”. Passou.
Passaram também outros tempos. “Eu era magrelinha no colégio e nerd. Demorei a entender que é bacana ser feminina. Admito: gosto do rosa sim, obrigada. Há meninas de hoje que fumam e se enchem de piercings para serem aceitas, fugir da imagem de patricinha. Serei a patricinha do bem — loura inteligente”, garante. A atriz — ex-paquita e duas vezes capa da ‘Playboy’ — faz as pazes com o espelho e com o caminho para o sucesso. ‘Legalmente Loira’, aqui, vai custar R$ 3 milhões. E ela diz que patrocinadores interessados não faltam. Tudo azul.

RELAÇÃO COM ROBERTO CARLOS
Além do musical, Luciana pretende tocar outro projeto. Com trocadilho: um livro sobre o TOC. “Vou lançá-lo pela editora Objetiva. Falar sobre tudo o que passei à procura de remédios. O TOC não tem a ver com pânico, é primo dele, e estilhaça a vida de uma pessoa.”. Foi por causa da doença, comum a ambos, que ela e o Rei Roberto Carlos se conheceram. Rumores de romance entre eles surgiram em 2005. Não houve um ‘affair’, garante Luciana, mas poderia haver. “Nada impedia que acontecesse. Não sou grilada com isso de diferença de idade, são só números”. A atriz tem carinho pelo cantor. “A gente se fala muito, ele me ensina a lidar com resquícios da doença com humor. É uma pessoa inteligente. Sabe que o buraco é mais embaixo”. Luciana conta que foi ele quem, um dia, ligou para ela, depois de ler uma reportagem na qual ela admitia sofrer com o transtorno. A partir de então, ela — hoje rosa — passou a ir aos shows do Rei — que implicava com o marrom — e visitar seu camarim. “Ele se tratou com minhas médicas. Fico feliz de ter ajudado, não só a ele como a outras pessoas”.
Aos 34 anos declarados, Luciana está solteira: “Não sei se estou aberta para uma relação agora”. Já esteve. Foi casada nove anos com o cantor Paulo Ricardo. Não sobrou nada. “Um casal só mantém a amizade após a separação se durante a relação ela existia. Não foi nosso caso. Casei novinha, passei minha puberdade com ele”. Página virada, que venha Ellen Woods. E que seja legal.
Matéria originalmente publicada no Caderno D de O DIA em 3/6/2008.

COMER, COMER...

Deu mesmo certo a idéia de unir gastronomia e teatro. Depois do sucesso de 'Mangiare' (em que as PEPITA E ZICOatrizes preparam pratos na hora, na Brasserie Rosário, e o público degusta), Pepita Rodrigues também investe no filão. Em 'Pepita - História com Tortilhas', ela cozinha e recebe convidados no Mistura Fina. Ontem, o convidado foi o ex-jogador Zico. Na platéia estavam Luana Piovani e o filho de Pepita, Dado Dolabella. 'Mangiare' rola nesta quarta e na outra, quando se despede.

MAIS UMA DE JOÃO FONSECA

Enquanto 'Um Certo Van Gogh' não chega ao eixo Rio-São Paulo (a peça excursionou por capitais nordestinas, numa espécie de test-drive cada vez mais comum na cena teatral), o diretor João Fonseca estréia nesta sexta mais um espetáculo no Rio. É 'O Santo e a Porca', de Ariano Suassuna, que chega ao Sesi com Ewerton de Castro como protagonista. O espetáculo celebra 40 anos de carreira do ator.
Quanto a 'Van Gogh', o elenco conta com Bruno Gagliasso, Marcelo Valle, Larissa Bracher e Pedro Garcia Netto. O texto é de Daniela Pereira de Carvalho. Em cena, o fracasso nos estudos convencionais e na vida amorosa, o alcoolismo, a depressão e o suicídio.
A genialidade de Vincent Van Gogh somente foi reconhecida após a sua morte. Em vida, o artista holandês, que passou fome e frio, viveu em barracos e conheceu a miséria. Vendeu apenas uma pintura, 'O Vinhedo Vermelho'. Em maio de 1990, uma de suas mais conhecidas obras, 'O Retrato de Dr. Gachet', pintado um século antes, justamente no ano de sua morte, foi comercializado por 82,5 milhões de dólares.
Vale lembrar que de montagens recentes de João Fonseca bem recebidas tivemos 'A Falecida' e o musical 'Gota D'água. João onipresente. Já a última peça de Daniela Pereira encenada, com Eduardo Moscovis como protagonista, deixou bastante a desejar. Que será de 'Um Certo Van Gogh', afinal?

Terça-feira, 10 Junho, 2008

TORCIDA PELO BRASILEIRO

Vale ficar na torcida por nosso Paulo Szot. O barítono brasileiro está concorrendo ao Tony - o Oscar do teatro nos Estados Unidos -, por seu desempenho no musical 'South Pacific'. Quem quiser votar pode acessar a página do The New York Times. Os elogios de quem viu por lá, da crítica especializada aos espectadores comuns, não vão só para a voz, a atuação. Szot tem conseguido comentários entusiasmados pelo porte de galã. Brasil bem na fita. A premiação acontece dia 15.

DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO...

Direto do túnel do tempo e das conversas de almoço com os colegas de trabalho nas últimas semanas, o nosso Homem de Ferro e Carrie Bradshaw, em foto do fundo do baú. Aqui, na redação, todo mundo curtiu a performance de Robert Downey Jr. em 'Homem de Ferro'. Nem todos aprovaram o fashion/filme de Parker. Os dois são longos, gostei de ambos, mas achei que 'Sex and The City' passa mais rápido e manda muito bem ao retratar o amadurecimento do quarteto de amigas. Num Roxy lotado, vi a platéia gritar, rir, chorar, surpreender-se. Uma comédia romântica como deve ser - com direito até a alusão a Cinderella no final. Bobinho, mas funciona. Sei não, mas perdoar como Carrie perdoa Big não é pra qualquer uma. Diz aqui uma amiga que com uma cobertura na Quinta Avenida e um closet daqueles esperando, o perdão chega fácil, fácil. É, pode ser.
Não deu pra resistir a esta foto com Downey e Sarah Jessica novinhos. É, o tempo passa, para alguns melhor que para outros. Não, ela não deu mesmo as caras na remontagem de 'Boeing Boeing' na Broadway como chegou a ser especulado. Com o sucesso do filme sobre a série, aliás, os planos de voltar ao teatro estão mesmo aposentados. Foi nele que tudo começou: Parker teve seu primeiro papel em 'The Innocents' em 1976, ainda atriz mirim. Com isso, sua família largou Nova Jersey (sim, ela é de lá) e a atriz foi escolhida para ser Annie na Broadway em 1979. Antes de se casar com Matthew Broderick, teve outros amores: Robert Downey Jr. e John F. Kennedy Jr.

Segunda-feira, 9 Junho, 2008

QUATRO CARREIRINHAS DE VOLTA

Os ventos sopram a favor dos musicais, então Wolf Maia aproveita para remontar 'Quatro Carreirinhas' por aqui. A partir de 17 de junho, na sala Fernanda Montenegro do Teatro Leblon, o diretor traz de volta o musical que já freqüentou os palcos cariocas há 12 anos. Inspirado no off-Broadway 'Forever Plaid', a nova montagem tem só uma troca no elenco original – Claudio Lins no lugar de Nelson Freitas. Ao lado dele estão Renato Rabelo, Cláudio Galvan, Carlos Leça e o contra-tenôr Fênix.

O texto de Flávio Marinho gira em torno de um grupo vocal que, ao chegar às portas do céu, é colocado à prova. Para garantir a entrada no paraíso, eles têm que cantar músicas marcantes de suas vidas durante uma hora. O repertório vai de Golden Boys a Jovem Guarda, de canções de musicais da Broadway a música política - entram até jingles e uma homenagem ao Queen.
Wolf, que tem no currículo de teatro musical montagens como 'Blue Jeans' e 'Relax, It's Sex', reestréia com o entusiasmo do público carioca pelo gênero em franca expansão: 'Beatles num Céu de Diamantes' cumpre temporada de sucesso no Leblon depois de estrear no Sesc Copa, 'Os Produtores' teve sua permanência no Vivo Rio esticada e 'A Noviça Rebelde' tem sessões de quarta a domingo.

Quinta-feira, 5 Junho, 2008

O ESPECTADOR CONTA A SUA HISTÓRIA

Adeptos do teatro experimental podem investir suas fichas hoje na peça 'Nu de Mim Mesmo'. É mais um trabalho da companhia Teatro Autônomo, que busca, ao longo de sua trajetória, investigar espaços cênicos diferenciados e fazer uso de uma espécie de dramaturgia fragmentada.

Os personagens, em geral, são marcados por um vazio existencial e, desta vez, o grupo preenche o tempo que tem disponível com histórias reais: os relatos dos espectadores são transformados em fábulas pelos atores. A platéia do teatro não é usada – público e elenco ficam ambos no palco. São permitidos apenas 40 espectadores por apresentação, sentados em cadeiras dispostas de modo a formar um retângulo. A ação se passa quase toda dentro desse retângulo. Do lado de fora dele há telões, usados não apenas para exibir projeções, mas também para promover a imersão do público no universo proposto. O roteiro e a direção são do Jefferson Miranda. Na foto deste post estão Miwa Yanagizawa e Otto Jr. Em cartaz no Teatro do Jockey. Rua Bartolomeu Mitre 1.110, Gávea (2540-9853). Qui e sex, às 20h30. Sáb, às 21h. R$ 10. 16 anos. 180 min. Até 21 de junho.

Segunda-feira, 2 Junho, 2008

'LEGALMENTE LOIRA' NO BRASIL: ENTREVISTA COM O DIRETOR

Nesta terça-feira, no Caderno D, Luciana Vendramini revela o que levou-a a comprar os direitos do musical 'Legalmente Loira'. Aqui no 'Supercênico' você fica por dentro do que pensa um dos diretores da versão nacional, Claudio Botelho, sobre o projeto.

Em cartaz com a adaptação brasileira de ‘A Noviça Rebelde’ no Teatro Oi Casa Grande, os diretores Charles Möeller e Claudio Botelho colhem os frutos do sucesso, com boa bilheteria, e já investem em outros trabalhos. Um deles é a montagem nacional de ‘Legalmente Loira’, com Luciana Vendramini no papel que no cinema foi vivido por Reese Whiterspoon. O filme de 2001, que ganhou até continuação e é um dos mais alugados no Brasil, tornou-se musical na Broadway ano passado. Virou febre em Nova Iorque, com espectadores copiando as alegres coreografias. Uma invasão rosa. Para entender os motivos de tanto frenesi, Moeller e Botelho viajam mês que vem para lá. Na agenda, pelo menos 10 musicais e, claro, o da estudante perua, que se veste de rosa dos pés à cabeça e tenta ser aceita como estudante de direito séria.
CENA DO MUSICAL 'LEGALMENTE LOIRA' NA BROADWAY
Claudio Botelho ainda nem se encontrou pessoalmente com Vendramini, que comprou os direitos do musical. Ela conhecia Charles Möeller e admirava à distância o talento do sócio dele nas versões das canções de vários espetáculos em cartaz em São Paulo, caso de ‘Miss Saigon’. O musical deve estar de pé dentro de um ano, como adianta Botelho. “Acho que é uma boa opção para o público jovem. O filme é ótimo, engraçado, e os personagens são interessantes por sua futilidade, sem serem chatos ou vazios totalmente”, avalia o diretor musical. Mas e quanto aos talentos de Luciana como cantora? “Não tenho a mínima idéia de como ela canta. Pode ser uma ótima cantora. Por enquanto, não posso avaliar”, diz.
Ele gostou do clima das canções criadas por Laurence O'Keefe e Nell Benjamin. “As músicas são bem jovens e engraçadas. ‘Blood in The Water’ é uma das mais bem construídas”, avalia. Ele vê com bons olhos a tendência da Broadway de apostar em sucessos pré-existentes. “Dá a chance a todos de verem grandes clássicos, como ‘Gipsy’ e ‘South Pacific’, por exemplo. Mas eles também apostas em novidades. Coisas bacanas, instigantes, caso de ‘In The Heights’ e ‘The Catered Affair’. Vou assistir e depois conto como foi”. Mesmo com ‘A Noviça Rebelde’ em cartaz e ‘Legalmente Loira’ confirmado, a dupla de ouro dos musicais não pensa em descanso. Para este ano, deve sair do forno ‘Avenue Q’, um musical sobre excluídos. E para o ano que vem, a montagem nacional de ‘Gipsy’, também dirigida por eles. Totia Meirelles e Adriana Garambone confirmadíssimas como protagonistas.

MEMÓRIA AFETIVA DE UM AMOR ESQUECIDO: NO OI FUTURO

Sexta-feira fui ver no Oi Futuro 'Memória Afetiva de um Amor Esquecido', peça inspirada no filme 'Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças', aquele em que o Jim Carrey descobre que sua ex-mulher, a Kate Winslet, apagou-o da memória e resolve pagar com a mesma moeda. Na montagem teatral da cia. Os Dezequilibrados, não é bem assim: o homem quer esquecer a namorada, mas ela não quer que ele delete as lembranças da relação a fim de não sofrer com a separação.
A EQUIPE DA BE HAPPY E O CASAL: HISTÓRIA SE PASSA NO PRÉDIO DO OI FUTURO/ FOTO DE DALTON VALÉRIO
A montagem, que explora os oito andares do prédio bacanérrimo do Oi Futuro, dialoga com o cinema - marca da trupe - e investiga os caminhos e descaminhos do amor. Afinal, qual a melhor forma de conduzir a sua história de amor? Será se entregando, sem medo da queda, ou investindo no equilíbrio entre amor e razão. Tá bom. Eu sei, não é todo mundo que curte filosofar sobre tais temas. Por isso mesmo, o espetáculo vai adiante: tem humor. Muito humor. Ele surge na figura de Judite, a surtada funcionária da empresa Be Happy, que promete tornar felizes as pessoas infelizes. Um trabalho surpreendente de Ângela Câmara, dificílimo, bem elaborado (a personagem vai utilizando todos os procedimentos estéticos disponíveis para 'melhorar' o visual, de silicone a botox nos lábios). Na dúvida sobre o que fazer no fim de semana, escolha sem medo este projeto. Está na cara dos atores o prazer de estar em cena e de dar o seu recado sobre todas as pertubações e prazeres do mundo atual. Direção de Ivan Sugahara e dramaturgia de Rosyane Trotta.