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André Gomes

Quinta-feira, 28 Agosto, 2008

CONCORRA A INGRESSOS PARA A PEÇA 'O SANTO E A PORCA'

Deu certíssimo a temporada de 'O Santo e a Porca' no Teatro Sesi. Tanto que o espetáculo dirigido por João Fonseca, que ficaria em cartaz somente até domingo, vai ganhar mais um mês em cena. A peça, celebrado texto de Ariano Suassuna, segue firme até o dia 28 de setembro. No elenco estão Ewerton de Castro (que comemora 40 anos de carreira), Armando Babaioff, Gláucia Rodrigues, Elcio Romar e Janaína Prado, entre outros atores. Escrita por Suassuna em 1957, 'O Santo e a Porca' tem cenário que recria um ambiente do interior nordestino.

A peça relata o casamento da filha de um avarento: o santo do título é Santo Antônio e a 'porca' é um cofrinho, símbolo do acúmulo de dinheiro e tão protetor quanto o santo. A avareza doentia de Euricão (Ewerton de Castro) acaba deixando-o pobre e solitário. Quem curte a obra de Suassuna e está sem dinheiro para o ingresso não precisa se preocupar: o 'Supercênico' vai sortear três ingressos duplos para o espetáculo do dia 7 de setembro. Basta deixar comentário com nome completo e automaticamente o leitor já estará concorrendo. Boa sorte. Vamos ao serviço: o Sesi fica na Rua Graça Aranha 1, Centro (2563-4163). Qui a sáb, às 19h30. R$ 30 (qui e sex) e R$ 40 (sáb e dom).

Quarta-feira, 27 Agosto, 2008

'MAMMA MIA': DOS PALCOS PARA AS TELAS DE CINEMA

Segunda-feira à noite, levei uma amiga - que não levava muita fé na escolha do filme - à pré-estréia de 'Mamma Mia', no Arteplex. Foi uma das primeiras exibições do filme aqui no Brasil - ele entra em circuito somente dia 12 de setembro. Para quem não sabe, o filme vem na cola do sucesso do musical, que fez carreira na Broadway e em outras capitais graças à fantástica idéia de enfileirar hits do quarteto sueco, apoiados num enredo divertido e cativante.
Foi só 'Dancing Queen' tomar conta da tela, com Meryl Strepp cantando e conduzindo um grupo de mulheres pelas vielas de uma ilha grega, para minha amiga se render. Eu também. Sim, o filme é adorável e capta o mesmo clima do musical. Na Broadway, terminadas as sessões, o elenco volta para cantar os sucessos que ficaram de fora na costura do enredo. Portanto, não saia do cinema quando os créditos começarem a aparecer: os atores retornam, devidamente paramentados com aqueles escandalosos figurinos dos 70s, para cantar o que ficou de fora.

Grupo que alcançou fama mundial em 1974 com o hit 'Waterloo', arrastando legiões de fãs, o Abba se separou cedo, em 1982, mas continua vivo na memória afetiva do público, tanto que vai ganhar um museu todinho dedicado à sua obra em Estocolmo ano que vem. A explicação para o êxito das canções é uma irresistível combinação de música para dançar, bem à moda setentista, com baladas até hoje cantadas em coro pelos fãs. No filme, chama atenção a interpretação de Streep para 'The Winner Takes it All'. Sim, ela está ali para falar para Pierce Brosnan que ele a abandonou e que não adianta querer seu amor de volta. 'O Vencedor Leva Tudo', ela canta, e a platéia reconhece nela ares de diva de ópera. Aos 59 anos muito bem vividos, a atriz americana prova porque possui o recorde de indicações ao Oscar, 14 vezes, duas delas levando a estatueta para casa.
O filme, espertíssimo, ataca em várias frentes: tem para as cinqüentonas, os adolescentes, os gays (o Colin Firth 'dando pinta' é hilário), em romances emoldurados por paisagens paradisíacas. 'Mamma Mia' é um filme solar, festivo, indicado para iniciados e não-iniciados no universo de Abba. Quem viu o musical no teatro, como eu, não se decepcionará e quem não viu terá surpresas garantidas. Está tudo lá, 'Gimme! Gimme! Gimme!', 'Chiquitita', 'Take a Chance on Me'...

Sexta-feira , 22 Agosto, 2008

TEATRO A PREÇOS POPULARES

A Cissa Guimarães, o Orã Figueiredo e o Pedro Brício posaram pra gente para esta foto, dispostos a convocar o público que anda sumido dos teatros a dar as caras. Eles estão em temporada com peças a preços populares, entre R$ 10 e R$ 30, o que já garante metade do entusiasmo. Neste fim de semana, além dos espetáculos em que o trio está em cartaz, rola também a reestréia do sucesso 'Renato Russo', musical estrelado por Bruce Gomlevsky. Vamos ao serviço das peças:

BECKETT COM SÉRGIO BRITTO: De Samuel Beckett. Direção: Isabel Cavalcanti. Sérgio Britto encena duas peças curtas do dramaturgo irlandês: a inédita 'Ato Sem Palavras 1', sobre homem sedento no deserto, e 'A Última Gravação de Krapp', em que um senhor passa em revista sua vida. Oi Futuro. Rua Dois de Dezembro 63, Flamengo (3131-3060). Sex a dom, às 19h30. R$ 15. 16 anos. 55 min. Até 28 de setembro. CINE-TEATRO LIMITE: De Pedro Brício. Direção: Pedro Brício e Sergio Módena. Com Rodrigo Pandolfo e elenco. Na comédia dramática, um comediógrafo desempregado escreve o roteiro de um filme. Teatro Municipal Glória. Rua do Russel 632 (2555-7262). Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h. De R$ 15 a R$ 30. 12 anos. 100 min. Até domingo. EU SOU MINHA PRÓPRIA MULHER: De Doug Wright. Direção: Herson Capri e Susana Garcia. Com Edwin Luisi. Com versatilidade, o ator vive célebre travesti alemão e mais 24 tipos. Casa de Cultura Laura Alvim. Avenida Vieira Souto 176, Ipanema (2332-2015). Qui a sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 20 (qui e sex) e R$ 30 (sáb e dom). 14 anos. 85 min. Até 28 de setembro. A FALTA QUE NOS MOVE: Concepção e direção: Christianne Jatahy. Com Pedro Brício e Felipe Rocha. Na peça-performance, os atores preparam um jantar enquanto conversam entre si e com o público. Casa França-Brasil. Rua Visconde de Itaboraí 78, Centro (2253-5366). Qui e dom, às 19h. Sex e sáb, às 20h. R$ 10. 16 anos. 90 min. Até 28 de setembro. MORRER OU NÃO: De Sergi Belbel. Direção: Delson Antunes. Com Thelma Reston, Daniel Aguiar e grande elenco. Em sete histórias com desfechos inesperados, atores encenam situações comuns do homem urbano do século 21. Centro Cultural Justiça Federal. Avenida Rio Branco 241, Centro (3261-2550). Qui a dom, às 19h. R$ 20. 14 anos. 90min. Até domingo. PELO AMOR DE DEUS, NÃO FALA ASSIM COMIGO!: De Maria Carmem Barbosa. Direção: Ivan Sugahara. Com Cissa Guimarães e Orã Figueiredo. Num futuro hipotético, em que a Terra é assolada por epidemias, desemprego em massa e fome, personagens tentam encontrar uma forma de sobreviver. Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020). Qua a sáb, às 19h30. Dom, às 17h e 19h30. R$ 10. 14 anos. 120 min. Até 31 de agosto. REALIDADE VIRTUAL: De Alan Arkin. Direção e interpretação: Claudio Mendes e Marianna Mac Niven. No drama, dois funcionários que não se conhecem são contratados para realizar uma missão que sequer sabem qual é. Centro Cultural Justiça Federal. Avenida Rio Branco 241, Centro (3261-2550). Ter e qua, às 19h. R$ 20. 16 anos. 60 min. Até 3 de setembro. RENATO RUSSO: De Daniela Pereira de Carvalho. Direção: Mauro Mendonça Filho. Com Bruce Gomlevsky. Monólogo relembra a trajetória do líder da Legião Urbana. Teatro João Caetano. Praça Tiradentes s/nº, Centro (2299-2141). Sex e sáb, às 19h30. Dom, às 18h30. R$ 20. 14 anos. 120 min. Até 19 de outubro.

Quarta-feira, 20 Agosto, 2008

RESIDÊNCIA PARA A PEÇA 'CORTE SECO'

A diretora Christiane Jatahy e a Cia. Vértice de Teatro vão iniciar o que chamam de processo colaborativo e residência no Teatro Poeira. Durante três meses, acontecerá por lá uma residência artística com atores, bailarinos, artistas plásticos, videomakers e autores, voltada para a pesquisa de linguagem e de materiais artísticos para o projeto. Os interessados devem mandar currículo e criar a partir de uma das frases abaixo um pequeno texto, imagem, vídeo, carta ou composição.

Seguem as frases:
- O mundo se tornou mais questionável, cada vez mais sentimos a estranheza do mundo
- Cada coisa está sendo influenciada ou se influenciando.
- Nós nunca olhamos a liberdade face a face.
- Toda mudança possui uma causa.
- Corte seco ainda sangra?

A proposta da peça dá seguimento à pesquisa iniciada com 'Conjugado' e com 'A Falta que nos Move' (em cartaz na Casa França-Brasil), outros trabalhos da companhia. Parece 'cabeça', e é. Mas tem funcionado. Os interessados devem enviar currículo e carta de intenção para Teatropoeira@teatropoeira.com.br. Ah, a notícia ruim é que a residência é paga e custa caro: R$ 450, mas pelo menos, é o valor total. O projeto vai rolar às terças, quintas e sextas, das 11h às 14h, com início dia 16 de setembro e término dia 16.

LET THE SUNSHINE IN...

Programa simpático para quem tem o privilégio de estar com passagens compradas para Nova Iorque é assistir à nova montagem de 'Hair' no Central Park. Ok, já se passaram 40 anos desde a estréia da primeira montagem, mas a mensagem pacifista de canções como 'The Age of Aquarius' parece soar mais necessária do que nunca. Boa parte das críticas americanas foram elogiosas ao espetáculo, com ênfase para o elenco, considerado muito bom, e perdões mesmo às passagens extremamente datadas. Diane Paulus ('The Donkey Show') conduz o elenco, que inclui Jonathan Groff ('Spring Awakening') e Will Swenson ('110 in the Shade').

Apresentada pela primeira vez em um grande teatro da Broadway no dia 29 de abril de 1968, a obra escrita por James Rado e Jerome Ragni sobre música de Galt MacDermot tinha nascido um ano antes, nas pequenas salas 'off-Broadway', como produção do Teatro Público. Considerada provocadora por incluir textos que abordam temas como homossexualidade, masturbação e drogas, 'Hair' tinha várias cenas com nus e se tornou bandeira dos 'hippies' e dos adversários da guerra do Vietnã. O musical conta a história de um grupo de jovens pacifistas que vive no East Village de Manhattan, protesta contra a guerra e pratica o amor livre. Algumas de suas músicas, como 'Let the Sunshine In' e 'The Age of Aquarius' ainda faziam parte em 2006 da lista das mais tocadas elaborada pela BBC. Em 1979, 'Hair' foi adaptada por Milos Forman para o cinema.

Segunda-feira, 18 Agosto, 2008

ESTAR PRONTO É TUDO

A grande peça em cartaz no momento não está no Rio, mas em São Paulo. Não por acaso, Wagner Moura está a toda hora em evidência, seja na TV ou nos cadernos culturais dos impressos. Seu 'Hamlet' é um sucesso e na cola dele voltam a habitar nossos pensamentos as frases maravilhosas deste clássico absoluto de Shakespeare. Todo mundo está careca de conhecer as mais citadas, caso de 'ser ou não ser, eis a questão' e 'há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia'. Mas há dezenas de outras, tão maravilhosas e instigantes quanto essas, que às vezes, numa leitura da peça, podem escapar de uma análise mais apurada. É o caso desta: "Se não for agora, será depois. Se não for depois, tem que ser agora. Se não for agora, será a qualquer hora. Estar pronto é tudo." Para muitos, esta frase pode soar pesadíssima, no claro contexto em que se encaixa, da certeza da morte. Mas ela se adequa a muitos outros. É simples: não adianta querer escapar, na vida, do que tem que acontecer. Neste sentido, o conselho é sábio: estar pronto é tudo. Há outras frases fantásticas que valem a lembrança. Bom proveito:

- Onde o prazer se exalta a dor se encolhe.
- Ser fiel a si: siga isso, como o dia à noite, que a ninguém será falso jamais.
- Um grande amor nos sustos se confirma.
- As coisas em si mesmas não são nem boas nem más, é o pensamento que as torna desse ou daquele jeito.
- A todos, teu ouvido; a voz, a poucos; ouve opiniões, mas forma juízo próprio.
- Aquilo que prometemos no calor da paixão, acalmada a paixão, é por nós abandonado.
- O resto é silêncio.

Domingo, 17 Agosto, 2008

BEAT GOES ON!

Neste fim de semana em que trabalhei, saindo da redação só de noite, restou zero de opção de programação cultural. Juro que pensei em ficar em casa para descansar e encarar o sábado e o domingo de plantão, mas sucumbi, e acabei fazendo o test-drive das duas festas mais bombadas do fim de semana, não por acaso indicadas em nossa última edição do 'Guia Show&Lazer'. Falo da Combo, no Lounge 69, na noite de sexta, e da Moo, nas Casas Franklin, no sabadão. É, a idéia de todos os envolvidos na balada - sim, eu gosto da expressão paulistana - era se jogar, mas a Combo deixou a desejar num quesito: já passada de duas da matina e nada da casa encher. Ficou no meio termo, e olha que o som tava ótimo, um eletrônico suingado, estiloso, moderno, cool, bem diferente do que tem se visto nas pistas cariocas. Eu até queria ficar, mas todos que estavam comigo resolveram partir. Teve jeito não. Mas eis que na noite seguinte havia a Moo. Incrível como ficou lotada, incrível a quantidade absurda de pessoas 'montadas' na pista, aquela galera descolada, da moda, preocupadíssima em combinar os acessórios, descombinando... A festa rolou legal, mas teve um problema realmente chato: estavam infernaIs as filas para comprar bebida, a ponto de um dos produtores se sentir na obrigação de distribuir alguns tíquetes de cerveja. Ora, você sai de casa para se divertir e é obrigado a mofar numa fila para comprar bebida, não dá. Todas as filas estavam incrivelmente desorganizadas, com público e atendentes estressados. Caótico. Tá, tudo bem, o clima da festa em si estava animado, mas não há quem resista a uma saga destas para saciar a sede.
Quero aproveitar que falo de noite e do fimde para comentar o programa que precedeu a Moo. Fui numa festa de aniversário do amigo de um amigo meu - é isso mesmo - e, logo na porta da casa do anfitrião (um apê adorável com vista linda para a Lagoa no Jardim Botânico), eis que me deparo com uma foto da Madonna. Cara, o aniversário era dela. Cinqüenta. Pois é, a festa era de um garoto que deixava de ser, chegava aos 30. Mas todo mundo lá parecia festejar a reinventora do pop. Na ótima pistinha improvisada, rolaram duas das melhores músicas do novo disco, 'Hard Candy'. Sempre achei que a minha preferida do CD era 'Beat Goes On', que eu coloco na categoria 'música para ser feliz'. Mas surpreendi-me: ali, na pistinha, a temperatura se elevou mesmo ao som de 'Heartbeat'. Difícil escolher entre elas. Na dúvida, fico com as duas. Ambas são músicas capazes de chutar a tristeza de lado, o cansaço, o desassossego. Ambas têm beat batizando seus títulos. E ambas convidam a dançar a noite inteira, se movimentar, sair do marasmo, numa lavagem cerebral adorável em tempos de tanta informação e cobrança de todos os lados. Se o stress tomar conta de você, vá por mim, entregue-se a estas batidas. Madonna merece o post e os parabéns, por ainda insistir, mais de 20 anos após 'Holiday' - outro hino à alegria - que 'there ain't no time to lose, It's time for you to celebrate'. E por continuar fazendo a gente feliz. Que os próximos aniversários dela sejam tão bons quanto o de sábado à noite.

GANHADORES DA PROMOÇÃO

Vamos aos contemplados na promoção de ingressos para a peça 'Realidade Virtual', para a sessão de terça-feira. Os vencedores são Juliana Silver, Thiago Bomilcar Braga e Fábio Fernandes. Ainda temos mais dois ingressos duplos para sortear.

Quinta-feira, 14 Agosto, 2008

GRAND' HOTEL E OUTRAS HISTÓRIAS

Paguei de fã na gravação do primeiro DVD solo de Paula Toller, terça-feira, no Teatro Oi Casa Grande. Explico: no meio do show, ela desceu do palco e convidou a platéia a se aproximar. Relutei, achei que era atitude para a garotada, mas fui vencido. Ora, se eu queria vê-la cantar de perto, em clima intimista, por que não? Por que não eu? Fui. Não me arrependo. O medley que ela fez juntando 'Saúde' (Rita Lee e Roberto de Carvalho), o refrão de 'Só Love' (Claudinho & Buchecha) e 'Nada por Mim' ficou perfeito, momento mágico num show que testou a paciência dos espectadores. Houve interrupções demoradas. Ela nem repetiu muitas músicas, mas fez pausas que se alongaram demais. Paula aproveitou pra entreter a platéia: entoou versos de 'Como uma Deusa' enquanto era maquiada e cantarolou pedaços de 'The Sound of Music', em alusão a 'Noviça Rebelde', que está em cartaz no mesmo teatro.
DIVULGAÇÃO/AG NEWS
Nada, contudo, se compara ao número que a musa do Kid Abelha fez ao piano, entoando 'Grand' Hotel'. Paula se sentou sobre o piano, linda, num vestido preto que, aliás, devia ter sido o figurino único do show. E fez uma versão mais lenta, ainda mais romântica, com notas alongadas, que evidenciavam o caráter pouco otimista da letra: 'Qual o segredo da felicidade? Será preciso ficar só pra se viver?'. Na época em que esta canção foi lançada, eu, ainda moleque, costumava me questionar sobre tal pergunta. Até hoje não sei a resposta. Mas ali no teatro, enquanto ela cantava, pensei no tal segredo, acho que não existe. A gente corre, corre, de um lado para o outro, busca contentamento, busca respostas, busca, se cansa de buscar, e então quer ser encontrado. Quando encontra, às vezes deixa de querer. E esquece que felicidade mesmo a gente só entende o que é depois que passa. Memória. O Kid está na minha memória afetiva, por isso fui ao show. Nem foi tão bacana quanto a estréia, ano passado, do show deste mesmo disco, 'SóNós', mas foi um reencontro. Só faltou ela cantar 'Tudo se Perdeu', pérola do disco que, depois do show, voltei a ouvir. Mas tudo bem, teve 'Um Primeiro Beijo', do CD, a mais deliciosamente adolescente - e por que não - atual, mesmo na vida adulta. Paula, linda e já há algum tempo passada dos 40, é a prova de que dá para brincar com o tempo. Que bom.

Quarta-feira, 13 Agosto, 2008

CONCORRA A INGRESSOS PARA A PEÇA 'REALIDADE VIRTUAL'

A exemplo do que já acontece com as companheiras de blog do 'Cinelândia' e 'Salto Agulha', vou inaugurar o 'post promoção'. Se você gosta de teatro e está a fim de faturar ingresso, sem pagar nada, participe. A promoção vale para a peça 'Realidade Virtual', em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal (Avenida Rio Branco 241, Centro, tel.: 3261 2550), todas as terças e quartas, às 19h. Os leitores do blog que entrarem com post deixando seus nomes vão concorrer a dois convites para a sessão da próxima terça-feira. Serão sorteados cinco ingressos duplos. Até o fim da semana, publico o resultado. Basta chegar na bilheteria do teatro com antecedência de meia hora para retirar os ingressos, ok? A peça segue em temporada até o dia 3 de setembro, mas a promoção será válida só para a sessão do dia 19. Espetáculo que foca no tema do mau uso do poder, 'Realidade Virtual' tem texto de Alan Arkin, ator americano conhecido entre nós por seus trabalhos pelo ótimo 'Pequena Miss Sunshine'.

Os personagens da peça são Canhoto e De Recha, que aguardam a chegada do material que lhes servirá na execução de uma 'missão'. Como o material não chega, De Recha, o superior, propõe a Canhoto que façam um ensaio da chegada do material e sua conferência. Esse jogo será levado às últimas consequências, com um final inevitável e aparentemente 'mortal'. Arkin nos mostra que jamais a realidade será mais verdadeira e estimulante do que a imaginação. No elenco estão Claudio Mendes e Marianna Mac Niven. O próprio Claudio tem mais detalhes sobre a encenação: "'Realidade Virtual' tem um texto surpreendente pelo inusitado da situação e pela forma como é apresentado. Fizemos uma opção pelo despojamento total de recursos cênicos, radicalizando ainda mais uma proposta do próprio Alan Arkin, assim abrimos mão de cenário (o palco da Justiça Federal está nu), nossas roupas são as do corpo, casuais, nossa iluminação não conta com refletores, são lâmpadas fluorescentes e de vapor de mercúrio, destas de postes de rua, enfim, focando a idéia de que o teatro está no jogo. O teatro do CCJF tem uma porta no fundo do palco que dé para a Rua México. Ao final do espetáculo, um terceiro ator, que é sempre um ator convidado, abre essa porta e a rua fica completamente aparente aos olhos do público, fazendo a realidade da rua invadir a cena de maneira inusitada". Está dado o recado. Boa sessão.

Segunda-feira, 11 Agosto, 2008

ESTRÉIA PROMISSORA

Não, ela não é a Deborah Secco e já se cansou da insistência no tema da semelhança física com a parceira de profissão. Fernanda de Freitas buscou um modo particular para superar o assunto: "Quando sentia que as pessoas estavam se voltando para isso, respirava fundo e pensava: 'trabalha que uma hora o reconhecimento de seu esforço vai chegar'". A boa notícia é que ele chegou e nem foi pela TV, na qual Fernanda fez novelas como 'Kubanacan' e 'Bang Bang'. Foi pelo teatro. A atriz acaba de estrear no Rio 'Ensina-me a Viver', sua primeira vez nos palcos. Faz três papéis e chuta para escanteio comparações com Deborah - a quem admira -, graças a desempenho surpreendente, capaz de arrancar elogios, na platéia, de veteranas como Rosamaria Murtinho. "Essa menina é muito boa", disse Rosamaria na estréia. A declaração veio no momento-chave de Fernanda na peça, quando surge na pele de Dora Alegria, atriz egocêntrica, capaz de tudo para estar em primeiro plano. "Adoro essa cena, mas nem é minha personagem preferida". Fernanda elege Nancy Mercury, secretária de fala miúda, meio caipira, como predileta. "Busquei na minha mãe, costureira, o jeito de falar. Quando pequena cantava com ela uma música com esse registro", revela. O trio de personagens compostos pela atriz tem ainda uma garota masculinizada, Silvia Gazela. "Optamos por fazê-la meio machona. Deu certo", diz, em referência à decisão que envolveu o diretor da peça, João Falcão.
João chegou à atriz através de indicações - de um dia para o outro, Fernanda, que nunca fizera teatro, estava na casa de Glória Menezes, fazendo leitura do espetáculo. "Glória virou modelo de atriz. Fiquei rouca e ela me ligou, preocupada, passando contatos de fonoaudióloga, uma fofa", conta. Aos 28 anos e namorando há dois o mestre em jiu-jítsu Felipe Simões, Fernanda mora só, na Barra, e começa a se preparar para novo papel na TV, na novela 'Negócio da China', de Miguel Falabella. "Viverei um triângulo amoroso com Thiago Fragoso e Juliana Didone", entrega.
Mais quente ainda é o filme 'Casa da Mãe Joana', que estréia mês que vem. A atriz interpreta uma baterista, filha do personagem de José Wilker. "Ela se envolve com o amigo do pai, papel do Paulo Betti", adianta. O lado sensual da atriz pára por aí: posar nua, nem pensar. "Já tive convites, mas não aceitei, não tenho cabeça pra encarar milhões de pessoas me vendo nua. Mas dei a maior força para Carol Castro, que é minha amiga, de churrasco em casa, para ela fazer, porque acho que vai ser uma guinada na carreira, algo positivo". A estréia carioca da peça foi mais difícil que a paulista. "Fiquei muito nervosa, porque o Rio é minha casa, onde estão meus amigos. Felizmente tudo deu certo".

EQUILÍBRO DELICADO ENTRE HUMOR E DRAMA
O enredo de 'Ensina-me a Viver' apresenta situação improvável: o despertar do amor entre uma senhora de quase 80 anos e um rapaz de 19. Mais que improvável, talvez impossível. Não na peça em cartaz no Teatro do Leblon, adaptação do filme de sucesso dos anos 70. Quando a aproximação da personagem defendida por Glória Menezes com o de Arlindo Lopes fica evidente, o espectador já está rendido, ciente de que nela está o espírito libertário nunca por ele alcançado. Maude funciona como agente transformador na vida de Harold. E - por que não? - na de muitos na platéia que podem estar, como ele, cultuando a infelicidade.
Ciente do poder da história que tem nas mãos, o diretor João Falcão vai no mesmo caminho de Maude: sua encenação é feliz, para cima, na evidente opção por divertir nas cenas em que Harold flerta com a morte, imprimindo a elas visual cinematográfico. O cenário de Sergio Marimba e os figurinos de Kika Lopes são também pontos altos da montagem, muito ajudada pelo brilho de Glória Menezes, que oferece composição delicada, às vezes sapeca até, para a personagem. Também no elenco, Ilana Kaplan compõe uma hilária mãe autoritária e Augusto Madeira mostra versatilidade ao se desdobrar em vários papéis. A trilha sonora, a cargo de Rodrigo Penna, é esperta, com direitos a hits do pop atual. As quase duas horas de duração passam rápido, graças ao ritmo ágil das marcações da peça, montagem de qualidade, que se equilibra com elegância entre momento de humor e emoção.

Sexta-feira , 8 Agosto, 2008

A VIDA COM JUDY GARLAND

Neste domingo rola o segundo capítulo, no GNT, da série sobre a vida de Judy Garland, uma das maiores estrelas de musicais que o cinema já teve. O programa está sendo exibido durante as férias do Manhattan Connection e é opção saborosíssima para quem se interessa por ícones do gênero: primeiro, porque revela os bastidores cruéis da indústria; segundo, porque a vida de Judy é um prato cheio. A série retrata a vida de glamour, solidão e dependência de drogas da atriz, estrela da Era de Ouro de Hollywood e mãe de outra diva, Liza Minnelli. Trata-se de uma produção da rede ABC de 2001, que já foi ao ar nos canais Telecine.

Estrelada por Judy Davis e com as presenças no elenco de Victor Garber (Eli Stone) e Hugh Laurie (House), a minissérie será exibida em quatro capítulos e ganhou cinco prêmios Emmy, incluindo o de Melhor Atriz para Davis, que também levou o Golden Globe por sua atuação. Escolhi esta foto em que Judy está bonita para ilustrar este post, já que ela sempre teve problemas com a aparência. Era um talento nato, mas longe de ser apreciada pela beleza, coisa que ficava para musas platinadas da época, caso de Lana Turner...

'LEGALMENTE LOIRA': A SAGA CONTINUA

A novela envolvendo o nome de Luciana Vendramini continua. Ela, que afirmou ter comprado os direitos do musical 'Legalmente Loira', sucesso na Broadway, para estrelá-lo no Brasil, entrou com pedido de registro da marca 'Legalmente Loira' no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A afirmação de que Luciana teria adquirido os direitos do musical foi contestada pelos produtores americanos mas, se ela obtiver o registro da marca, pode causar problemas para produtores brasileiros que um dia se interessem em realmente montar o musical aqui, com tudo legalizado, conforme explica o professor titular de propriedade intelectual da escola de direito da Fundação Getúlio Vargas, Ronaldo Lemos. "Se o registro da marca for para ela, outro produtor estaria impedido de usar o nome aqui, mesmo com os direitos comprados, pois o nome está registrado lá fora, não aqui no Brasil. Com isso, os detentores da marca original teriam que entrar com uma contestação". Segundo Lemos, pode parecer estranho que alguém solicite o registro de marca de produto de entretenimento já conhecido, caso do filme em questão que gerou o musical, mas não é incomum que seja aprovado. De qualquer forma, vale ressaltar: entrar com pedido de registro de marca nada tem a ver com obter direitos de montar o musical...

Quinta-feira, 7 Agosto, 2008

O QUE NOS MOVE


Anote aí na agenda: amanhã rola a estréia de 'A Falta que nos Move', espetáculo que reúne uma galera muito interessante, que volta e meia é notícia aqui no blog, caso do Felipe Rocha e do Pedro Brício. Eles participam, junto com Cristina Amadeo, Marina Viana, Kiko Mascarenhas e Stella Rabello, do que chamam de peça-performance. Bebem e preparam um jantar de verdade enquanto esperam uma pessoa, que ninguém sabe se virá. Tudo acontece no tempo real da ação.  Durante o preparo do jantar eles contam histórias para o público e buscam a interação. Com o passar do tempo, acabam revelando suas verdadeiras relações, trocando confidências com a platéia. Quem conduz a trupe é Christianne Jatahy. Estou curioso pra ver. A temporada será de quinta a domingo às 19h, e sextas e sábados às 20h, na Casa França-Brasil.

Quarta-feira, 6 Agosto, 2008

TEMPORADA POLÊMICA

Acabei nem repercutindo aqui as declarações do Sérgio Britto sobre a atual temporada teatral. Em entrevista à repórter Beatriz Mota, ele, que acaba de estrear espetáculo com textos de Beckett, disse ter assistido este ano a uns 20 espetáculos que seriam os piores de sua vida. Para muitos, parece exagero, mas sinceramente, por trás da declaração polêmica há uma grande verdade: não param de surgir montagens de acabamento duvidoso, textos precários e, pior, produtores que recorrem a clássicos, conseguem patrocínios de vulto e, quando estréiam, percebe-se que foi tempo perdido, basta lembrar o caso recente do 'Otelo' de Diogo Vilela. Sábado, durante um almoço, eu e um amigo comentávamos o óbvio quando se trata da eterna lenga lenga de parte da classe teatral em busca de mais leis de incentivo e patrocínios: de que adianta conseguir dinheiro público para montar uma peça e cobrar 70 reais de ingresso? É um assalto, é vergonhoso. Se o dinheiro usado é público, o público tem que poder ver as peças, e assim 10 reais, 20 no máximo, está de bom tamanho para o valor de tais ingressos. Voltando à qualidade das produções, questionada por Sérgio Britto, é só mais um impedimento para a formação de platéia. Há vários outros, um debate sem fim...

Segunda-feira, 4 Agosto, 2008

ODE À LIBERDADE

Foi concorridíssima a estréia do espetáculo 'Ensina-me a Viver', sábado, no Teatro Leblon. A classe teatral compareceu em peso para ver o desempenho de Glória Menezes no aclamado texto baseado em filme dos anos 70. Glória emociona e faz rir, com delicadeza, como Maude, a octagenária que desperta o amor de um rapaz de 19 anos, papel de Arlindo Lopes. O diretor João Falcão optou por injetar altas doses de humor à montagem, principalmente nas cenas em que três pretendentes do rapaz surgem em cena: Fernanda de Freitas está hilária nos três papéis. A encenação, rica em sensações, presta homenagem ao teatro ao situar o local onde mora Maude como um antigo depósito teatral. As quase duas horas de peça passam rápido na condução ágil que João imprime às marcações e, acredite, mesmo o espectador mais radical vai acreditar que, sim, é possível um amor nascer, mesmo com tamanha diferença de idade. Na verdade, nem é isso que importa, mas o caráter libertário do texto: Maude é uma mulher que vive a vida sem temer a opinião dos outros, disposta a se agradar, sempre passando longe das convenções. Uma montagem com personalidade que, embora não cause arrebatamento, conquista pelas sutilezas e pela aposta no lado lúdico.
Confesso que estava desconfiado em relação ao desempenho de Arlindo Lopes, que no musical sobre a vida de Cauby Peixoto impressionava, mas no sentido negativo, absurdamente caricato na pele de um jornalista iniciante. Desta vez, ele não compromete. Podia estar melhor, é verdade, mas serve à proposta do diretor, de carregar nas tintas em busca do riso. A trilha sonora do espetáculo, a cargo do Rodrigo Penna, é simpática, até Britney ele deu um jeito de inserir, e cenários e figurinos também são pontos altos.