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| André Gomes |
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Cássio Scapin e Marcelo Médici são os novos rostos a serviço de 'O Mistério de Irma Vap', comédia com a qual Ney Latorraca e Marco Nanini ficaram em cartaz durante mais de 10 anos. A peça acaba de estrear em São Paulo, no Teatro Shopping Frei Caneca. Sob direção de Marília Pêra (que também esteve à frente da montagem original), eles dão vida aos hilariantes tipos do espetáculo do norte-americano Charles Ludlam (1943-1987). A trama acompanha a difícil adaptação de Lady Enid à vida no castelo do novo marido, Lord Edgard, nos confins da Inglaterra. Lá, é perseguida pelo fantasma da primeira mulher dele e atazanada por uma governanta sinistra. No palco, o entra-e-sai por três portas e as mudanças alucinadas de figurino são necessárias graças ao reduzido elenco, que tem que dar conta de oito personagens. Médici, que fez sucesso estrondoso na mesma seara do humor com 'Cada um Com Seus Pobrema', tem dito por aí que não teme as comparações com a montagem estrelada por Ney e Nanini. O espetáculo deve cumprir temporada em SP até dezembro. Fica a torcida para que chegue ao Rio no já tradicional janeiro concorridísimo de estréias nos palcos. Para, além de nos fazer rir, tirar a péssima impressão que deixou o filme inspirado na peça.
 Esta foto é dos rapazes do Justice, dupla eletrônica francesa que se apresenta nesta sexta no Rio no Circo Voador. O show promete.
 Esta, também incrível, é do livro que será publicado com imagens dos órfãos africanos retratados no documentário 'Eu Sou Porque Nós Somos', roteirizado, narrado e produzido por Madonna, que passa no Festival do Rio neste fim de semana.
 Agora, a galera do 'Brothers & Sisters' durante entrevista. O primeiro episódio da segunda temporada, exibido ontem, foi sensacional, com o drama do irmão que serve no Iraque, o aniversário de Kitty, a desilusão amorosa de Kevin e o sensacional desempenho de Sally Field. Só a cena do embate entre os irmãos no restaurante valeu o episódio inteiro.
 Por fim, esta imagem do elenco de 'Às Favas com os Escrúpulos', que traz finalmente Bibi Ferreira a palco carioca com o sucesso paulistano. O desempenho dela como a mulher traída pelo marido, que resolve falar verdades enquanto está de pileque, é o que motiva a ida ao espetáculo, em cartaz no Teatro Clara Nunes.
Os ingressos para os musicais 'A Noviça Rebelde', 'Beatles num Céu de Diamantes' e '7', em cartaz simultaneamente no Rio de Janeiro ('7' reestréia sábado no Teatro Carlos Gomes) poderão ser comprados através de um sistema inédito de combo. O ingresso especial, que pode ser adquirido no Ticketronic pelo telefone 3344 5500 e vale para os três musicais, custa R$ 160. Será que a moda vai pegar?
Sábado, quando o musical '7' voltar à cena para temporada popular no Teatro Carlos Gomes (R$ 30 e R$ 1 neste domingo), os diretores Charles Möeller e Claudio Botelho alcançarão um recorde antes impensável: terão três musicais em cartaz no Rio. A dupla por trás dos sucessos 'Beatles num Céu de Diamantes' (há nove meses em cartaz, mais de 150 apresentações) e 'A Noviça Rebelde' (há cinco meses em cena) é a prova de que o carioca tomou gosto pelo gênero e pode brigar de igual para igual com os paulistas - que costumam sediar franquias de superproduções - pelo título de capital brasileira dos musicais. Pelo menos por enquanto, o Rio sai na frente, repleto de novidades para o ano que vem. Entre elas está 'Gloriosa, A Vida de Florence Foster', que terá Marília Pêra no papel-título, daquela que foi considerada a pior cantora de ópera do mundo. Caberá aos onipresentes Möeller e Botelho dirigir a atriz nesta comédia musical, mas 2009 para eles terá ainda muito mais trabalho: "'Gloriosa estréia em janeiro, inaugurando o teatro do Fashion Mall. Em março, é a vez de 'Avenida Q', musical da Broadway vencedor do Tony em 2004, que faremos no Carlos Gomes", adianta Botelho. "Em junho, estrearemos 'Spring Awakening' (O Despertar da Primavera), enorme sucesso na Broadway atualmente. Será a primeira montagem sul-americana dele, com teatro ainda a confirmar", continua. Tem mais: "Em setembro, será a vez do grande clássico 'Gipsy', um dos mais geniais de todos os tempos, com Totia Meirelles e Adriana Garambone, no Teatro Oi Casa Grande". São Paulo, atualmente em cartaz com 'Tom & Vinicius', 'Os Produtores' (em reestréia) e 'Miss Saigon' (que segue até dezembro, contabilizando um ano e meio em cena), deve receber uma montagem argentina de 'Cabaret', com elenco nacional e, mais uma vez, 'A Bela e a Fera'. A capital paulistana, que já acolheu franquias concorridíssimas como 'O Fantasma da Ópera', tem vocação para as superproduções, mas pouca criatividade, na opinião de Botelho, que com seu parceiro alcançou um padrão de excelência nem sempre visto em outras produções cariocas: "São Paulo tem tido produções mais bem cuidadas que as do Rio, que sofre por apresentar espetáculos semi-amadores, com pouco compromisso com a qualidade técnica. Por outro lado, os poucos musicais genuinamente autorais do País nasceram no Rio, são obras de artistas cariocas. São Paulo não criou nada, apenas copiou, e muito bem". Para o diretor musical, o público deve ficar atento: "Tenho visto biografias bizarras, de gente viva, gente que mal esfriou do caixão, para vender ingressos a clube de senhoras que precisam ouvir o que já conhecem. Viva as senhoras, abaixo os piratas", dispara Botelho que, sem cerimônia, elege as cinco divas atuais dos musicais brasileiros: "Alessandra Maestrini, Kiara Sasso, Totia Meirelles, Marya Bravo e Soraya Ravenle". Soraya, que ano passado estrelou o fenômeno 'Sassaricando', volta à cena no Rio. 'Opereta Carioca' estréia sexta-feira no Maison de France. É o 19º musical da atriz. "Todos os musicais que fiz foram brasileiros. Tenho orgulho deste percurso, pois a nossa música é genial. Sou um exemplo fiel do musical carioca, que é mais autoral", diz a atriz-cantora, que dividirá cena com Gustavo Gasparani sob direção de João Fonseca (em cartaz com o elogiado 'Gota D'Água'). Eles formam um casal cuja história é contada através de sambas. Os textos são tirados de letras de músicas de Paulinho da Viola. Mais carioca, impossível. Em cartaz com o monólogo musical 'Caidaça', Stella Miranda comemora o 'boom' dos musicais e analisa as diferenças entre Rio e São Paulo: "Meu projeto custou em torno de R$ 200 mil e foi bancado pelo Oi Futuro, orçamento modesto comparado aos números de São Paulo, o estado mais rico do Brasil e, por isso, de produções espetaculares. Aqui, a 'Noviça' teve orçamento de Broadway (R$ 9 milhões), graças a Deus, para contrabalançar. Mas nossa realidade é de valores de terceiríssimo mundo em comparação às grandes produções paulistas", diz a atriz, sucesso na TV com 'Toma Lá, Dá Cá'. No teatro, ela entoa músicas de Tom Waitts e Amy Winehouse. Diretor de 'Miss Saigon' (que custou R$ 24 milhões), o americano Fred Hanson explica o porquê dos valores astronômicos de São Paulo. "Os musicais importados são mais caros de produzir, especialmente cenários, som e iluminação. Os paulistas têm mais dinheiro para pagar pelos altos valores dos ingressos destas montagens", acredita. Estrela de 'Beatles num Céu de Diamantes', Gottsha lembra que o público de São Paulo vem também do interior do estado e outras capitais. "Eles compram e reproduzem, na maioria das vezes, na íntegra, os musicais de fora. Nossas produções são autênticas, autorais, mais ousadas. O que mais ouvimos ao final de 'Beatles' é: vocês me fizeram sair feliz daqui. Conquistamos nosso objetivo, de proliferar amor, como já diziam os Beatles, 'All you need is love'..."
Charles Möeller e Claudio Botelho prometem para março a estréia do musical 'Avenida Q', no Teatro Carlos Gomes. Eles terão muito trabalho ano que vem (nada menos que quatro montagens de musicais confirmadas), e a partir desta sexta estarão com três espetáculos em cartaz simultaneamente na cidade ('Beatles num Céu de Diamantes', 'A Noviça Rebelde' e '7', em reestréia, com parte do elenco renovada).
 Para quem não conhece a história do 'Avenida Q' e está estranhando a foto que reúne atores e bonecos, aí vai: o musical mistura atores e bonecos, e suas letras falam do mundo gay, lembram o racismo, os jovens sem emprego e explicitam astros fracassados. Os próprios títulos das canções já entregam o caráter irreverente da montagem, com personagens moradores da tal avenida: 'Se você fosse gay' e 'Internet é para pornografia' são algumas das músicas. A bem-humorada avenida venceu o Tony de melhor musical em 2004. Entre os tipos de carne-e-osso, há um comediante desempregado e sua noiva, um viciado em pornografia e um sujeito de bom coração. Até março.
Esta foto é de um ensaio de nudez que Madonna fez aos 21 anos. Pesquisando na Internet, o leitor encontrará outras tantas, bem mais provocantes, que mostram como o tempo, e as cirurgias plásticas, foram capazes de modificá-la (notará também que o desenho da barriguinha seca já existia, não é obra só da malhação). Todo mundo que acompanha a carreira de Madonna sabe que seu sonho sempre foi ser reconhecida como atriz.
 Até teatro ela fez: Marco, meu amigo, teve oportunidade de vê-la em 'Up for Grabs' em palco londrino, e confirmou o que muita gente acha: que ela como atriz é ótima cantora (tudo bem, a gente sabe que voz ela não tem, mas sabe fazer música pop). Ultimamente, parece que Madonna deixou de lado a 'carreira' de atriz, mas neste Festival do Rio, poderemos ver o que fez em sua estréia por trás das câmeras. A mostra exibirá 'Filfh and Wisdom', seu primeiro filme como diretora. Dela também poderemos ver o documentário 'I Am Because We Are', sobre os órfãos da Aids no Malauí. Madonna é responsável pela produção e roteiro do filme, que ainda tem sua narração. Ah, também vem o novo do Guy Ritchie, marido da Madonna, 'RocknRolla', mais um filme com personagens esquisitões. O Festival começa na sexta e mobilizará a cidade em torno do cinema até o dia 9. Nesse meio tempo, vai rolar nos palcos a estréia de 'Às Favas com os Escrúpulos', peça estrelada pela Bibi Ferreira, que finalmente chega ao Rio. E também a volta do musical '7' a preços populares no Carlos Gomes. Ah, voltando a Madonna, foram disponibilizados novos ingressos para o show do dia 15, tickets que foram devolvidos.
Eu não sei quanto a vocês, mas eu adoro 'Brothers & Sisters' e estou ansioso para o início da segunda temporada. O término da primeira foi incrível e ontem foi exibido no Universal um especial saboroso intitulado 'Álbum de Família', em que os atores falavam de seus personagens. Para quem não está familiarizado com o clã dos Walker, vale a pena ficar em casa domingo para assistir à maratona que o canal exibe, das 14h às 21h, com os seis últimos episódios em seqüência da primeira temporada. A maratona é um aquecimento para a estréia da segunda temporada de 'Brothers & Sisters' no dia 24 de setembro, às 23h. O grande barato da série é que não há caretice, o roteiro é verossímil, há dramas familiares e casinhos aqui, ali, ora surpreendentes, ora óbvios, bem como tem que ser. E o dramalhão, quando surge, é bem pontuado, nada mexicano. A Sally Field com o professor vivido por Peter Coyote, por exemplo, foi divertidíssimo. As desventuras amorosas do filho gay, Kevin (Matthew Rhys), também foram bem sacadas. A série é atual, fala para o público de hoje, mas não é modernosa. Apresenta o que é - ou pode ser, dependendo de onde se vive - a nova família. E, cá, entre nós - agora eu, confessando as limitações de uma família pequena -, que bacana que deve ser pertencer a um grupo tão grande e, digamos, tão caloroso. 'Brothers & Sisters' é isso, uma série que acolhe, aquece a gente. Quase um chá quente antes de dormir. Depois dela, dorme-se bem. Na maratona, os fãs da série poderão rever Kitty (Calista Flockhart) tentando aproximar Kevin do irmão gay do senador McCallister (Rob Lowe) e ficar por dentro da crise no casamento de Sarah (Rachel Griffiths) e Joe (John Pyper-Ferguson). A conturbada festa de noivado de Kitty e McCallister e a triste despedida de Justin antes de partir para o Afeganistão são outros temas em destaque. Por falar no Justin, este post é ilustrado pelo intérprete dele, Dave Annable, que está fazendo enorme sucesso, e pela competente Emily VanCamp, que faz sua irmã bastarda. Informações rápidas a respeito do rapaz: para beber, Johnny Walker Black on the rocks; não mais que 50 dólares para cortar o cabelo; o jeans é Diesel. Pra terminar: o cara é fã do Mel Brooks e acabou de fazer 29 anos. Quanto a Emily, ela esteve em 'Everwood', é canadense e tem apenas 22 anos.
Nossa querida Soraya Ravenle estréia dia 27 no Maison de France mais um musical, brasileiríssimo, como ela mesma tem orgulho de anunciar. "É o 19º musical de que participo e todos foram nacionais. Não foi proposital, mas demonstra a importância da música brasileira na minha vida", diz Soraya, por e-mail. Intitudada 'Opereta Carioca', a montagem tem ainda no elenco Gustavo Gasparani, que forma com Soraya um casal cuja história é contada através de sambas. Uma preciosidade: os pequenos textos falados são retirados de canções de Paulinho da Viola. A direção é de João Fonseca (de 'Gota D'Água', aliás, musical que Soraya sonha estrelar, como já confidenciou bem no início deste blog). Quem viu Soraya em montagens como 'Ópera do Malandro' e 'Sassaricando' sabe que ela faz toda a diferença num elenco. Fica a expectativa para ver como ela se sairá nesta nova produção. Boa sorte, Soraya.
Não tem jeito: quando você tem expectativa em relação a alguma coisa, as chances de frustração são enormes. Foi mais ou menos assim no fim de semana es-pe-ta-cu-lar na companhia de três amigos incríveis em São Paulo. Nossa idéia era curtir a balada (mil vezes melhor do que a carioca, que inveja, que o diga o Vegas de sexta), comer bem, fazer compras e, claro, aproveitar para ver o 'Hamlet' do Wagner Moura. Sim, eu sei, o 'Hamlet' do Aderbal também. Foi no sábado à noite, no Teatro da Faap, todos ansiosos diante de tantos elogios recebidos pela montagem mas, passadas três horas e meia depois (15 minutinhos de intervalo, outros quase 15 de atraso), a opinião geral foi que este Hamlet é 'o melhor bolo de chocolate do mundo'.
 Calma, eu explico. No sábado à tarde, antes da peça, fomos por idéia do Gustavo à confeitaria O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, para conferir se o tal bolo é mesmo aquilo tudo que promete. A casa, original de Portugal, serve o bolo de chocolate em apenas duas versões: amargo, com 70% de cacau, e tradicional, com 53%. A receita, que tem mais de 20 anos, tem em sua composição musse de chocolate e a curiosidade é que não vai farinha. Éramos quatro, pedimos duas fatias, para dividir, pois o almoço havia sido farto. Curioso é que ninguém sentiu vontade de comer mais. O bolo é gostosinho, meio musse, meio bolo, doce na medida, mas é só, nem de perto parece 'o melhor bolo de chocolate do mundo'. Claro que ninguém vai fazer esta pesquisa desnecessária e impossível mundo afora mas, cá entre nós, já fui mais feliz com outras receitas. Natural que, no fim da tragédia de Shakespeare, fizéssemos a analogia infame: 'Hamlet' é o 'melhor bolo de chocolate do mundo'. Todos nós adoramos o texto - não tem como não gostar - somos admiradores dos trabalhos do Wagner Moura e sabemos do talento de Aderbal Freire-Filho. Mas os predicados todos da ficha técnica não salvam a sensação final de que muita coisa ali podia ser perfeitamente cortada, apesar da tradução fluente e bem adaptada aos dias de hoje. Há algumas cenas jogadas fora, confusas na proposta minimalista de 'peça sem cenário' - quem não conhece a história pode ficar 'vendido' em como é retratada a aparição do fantasma do pai, por exemplo. A proposta minimalista não segue a linha interpretativa do protagonista: sim, Wagner Moura está por vezes 'over', faz demais. Todo mundo já sabe que ele é bom pra caramba, nem precisava. Nos momentos em que faz menos, é brilhante, como quando joga para o público, se aproximando da platéia para com ela dividir as dúvidas e certezas de seu personagem. Hamlet, quem leu sabe muito bem, é fantástico porque é a manifestação da consciência, um atormentado por levar consigo a desesperança num mundo melhor: ele sabe que não há solução, que o mundo é vil, e que o fim está próximo. A composição de Wagner Moura para o personagem é realmente complexa e apaixonante, mas por vezes visceral demais. Há pontuais inserções de humor desnecessárias também, como os gritinhos histéricos de Hamlet, bastante duvidosos, aliás. O uso da câmera que ao vivo registra algumas das cenas, apesar de recurso batido, é perfeito. Os figurinos modernos - que muitas vezes parecem ter saído da última coleção da Osklen - até funcionam, e a trilha sonora pontua bem o espetáculo. Antes de tudo, é bom avisar: é uma peça que você deve ver bem descansado e ciente de que, dividida ali em dois atos, é de realização bem melhor no primeiro que no segundo. Como o bolo de chocolate, foi bastante boa de saborear, mas no fim estava um pouco enjoativa. O saldo final é positivo, mas todo o 'hype' que envolveu o espetáculo pode acabar prejudicando-o. Resta saber como será a temporada carioca, no início do ano que vem. O trabalho da equipe toda envolvida na montagem - é perceptível - é bastante sério, e só nos resta dar força e parabenizar. Mesmo lembrando dos excessos...
Atenção: a ganhadora da promoção do musical 'A Noviça Rebelde' foi Vânia da Silva Monteiro. Vânia, os ingressos valem para a sessão de 20h30 de sábado. Basta chegar 30 minutos antes ao Teatro Oi Casa Grande, dirigir-se à bilheteria e dizer que seu nome está na lista da produção.
 Se a última temporada dos palcos de Nova Iorque foi das mulheres - o brilho de Patti Lupone em 'Gipsy' não deixa dúvidas - a nova temporada será dos homens. Dois espetáculos londrinos vão fazer suas estréias na Broadway: Daniel Radcliffe, conhecido por interpretar o bruxinho Harry Potter no cinema, encara a difícil missão de protagonizar 'Equus', que estréia dia 25 de setembro no Broadhurst Theater. Para quem não é familiarizado com a história (que foi parar nos cinemas em 1977), vale lembrar que o polêmico texto de Peter Shaffer tem como personagens um jovem que possui fascínio sexual por cavalos, papel de Radcliffe, e o psiquiatra que tenta tratá-lo.  Mais leve mas não menos denso e encantador é 'Billy Elliot', que após carreira vitoriosa em Londres chega a Broadway em 13 de novembro. O garoto Trent Kowalik, na foto acima, é um dos escolhidos para encarnar o papel do menino que desafia o preconceito familiar ao decidir se dedicar à dança. Tive a oportunidade de ver a montagem londrina - há mais de três anos em cartaz - e não há outro conselho a ser dado: se for à capital inglesa ou a Nova Iorque, não deixe de adquirir seus ingressos. O musical faz com maestria a passagem da história das telas de cinema para o palco, com ótima música de Elton John e coreografias inspiradíssimas. A cenografia também dá show, com o quarto móvel de Billy que, aos olhos do público, chega a voar. Também em novembro, no dia 17, chega aos palcos uma nova produção de 'American Buffalo', com Haley Joel Osment - o garotinho do 'Sexto Sentido', no elenco.
Nossa adorável noviça rebelde pode ser sua, caro leitor do blog, sem pagamento de ingresso. A partir de agora está dada a largada para a promoção que premiará um leitor do blog Supercênico com dois ingressos para a sessão das 20h30 deste sábado do musical, em cartaz no Teatro Oi Casa Grande. Quem postar respondendo à pergunta 'Qual o nome da personagem principal da peça?', no cinema vivida por Julie Andrews e na montagem nacional por Kiara Sasso, estará automaticamente concorrendo ao sorteiro. O resultado sai na sexta. Dirigido por Charles Möeller com letras traduzidas por Claudio Botelho, o musical segue em temporada até o Carnaval e depois vai para São Paulo. Abaixo, um trechinho breve da crítica publicada na época da estréia do estetáculo:
 "... Nossa noviça tem o frescor, portanto, de apresentar canções e situações que não entraram no filme. Tudo emoldurado pelos cenários magníficos de Rogério Falcão, que recriam as montanhas austríacas, a propriedade dos Von Trapp e a igreja de onde Maria parte para cuidar dos sete filhos do capitão. Möeller e Botelho embarcaram na aventura de encenar o mais popular musical de todos os tempos cientes dos desafios. O obstáculo das traduções das canções foi superado com louvor: as versões de Botelho são fluentes e casam com a sonoridade das originais, que o digam 'Do-Ré-Mi' e 'So Long, Adeus'. A cantá-las, o elenco infantil é um dos trunfos do musical. A caçula, Thayani Campos, rouba todas as cenas e Hugo Carvalho faz um Kurt impagável. A dupla acertou ao escalar Kiara Sasso como protagonista. Sua voz, impecável, segura a missão de estar presente em quase todas as músicas. Mirna Rubim, como a madre superiora, tem performance vocal arrebatadora em números como 'Sobe a Montanha' ('Climb Ev'ry Mountain')..."
 Numa coisa Maria Padilha já saiu na frente: a foto de divulgação de sua peça, 'Cordélia Brasil', vende bem o espetáculo. O texto, de Antonio Bivar, ganha nova versão, dirigida por Gilberto Gawronski, 40 anos após a célebre montagem com Norma Bengell no papel-título. Cordélia Brasil (Maria Padilha) é uma mulher que, para sustentar o homem que ama, Leônidas (Cadu Fávero), que sonha ser escritor de histórias em quadrinhos, começa a se prostituir. Ela traz para casa um jovem cliente de 16 anos, Rico (George Sauma), que acaba morando com eles. O desfecho do triângulo amoroso, contudo, não é nada otimista. Em 1968, a montagem foi proibida pelos censores. Estréia sexta, no simpático Teatro de Arena do Espaço Sesc.
Foi simpática a estréia do Felipe Rocha no Sesc Copa, mas não muito além disso. O texto que ele escolheu para se arriscar em monólogo e pela primeira vez como autor teatral é embrionário: nele, interessa menos o conteúdo, mais a forma, e nela, se destaca o talento de Felipe como ator. Seu trabalho corporal é fantástico e, ciente de seu já comentado poder de conquista, ele joga o tempo todo com a platéia, nem tão disposto a ganhar, mas a seduzir. As limitações do texto, neste contexto, ficam em segundo plano: seu 'Ele Precisa Começar' não diz muito a que veio e, durante a encenação, até debocha de sua falta de rumo. Falando assim, parece não ter graça, soa pretensioso e só, mas tem. A cena em que o personagem - um cara de 35 anos disposto a escrever sua primeira peça - discute com o corretor ortográfico do computador é hilária. Também é saboroso o momento em que entra no carro com Fátima, a camareira do hotel em que está, rumo a um mundo sem rumo, de absurdos planejados. Eu não estou aqui para estragar a surpresa, mas uma pessoa da platéia é convidada a participar da peça. É um risco, mas tem seus benefícios. Tudo bem, não conto o desenrolar da história. A gente fica na torcida para que da próxima vez Felipe encontre um texto com mais estrutura dramática, com o famoso 'conflito'. Neste, o conflito até existe, mas mais na cabeça do espectador, que fica se perguntando onde é que ele está, onde aquilo tudo - ou aquele nada - vai dar. Felipe se salvou desta pois é talentoso, tem carisma de sobra e espertamente injetou humor à encenação. Se ficasse só apoiado na proposta do enredo, de tratar da elaboração do próprio enredo, ia ser chato demais. Que bom que não foi. Ah, vou entregar mais uma coisa: ele canta uma música que foi sucesso na voz da Bethânia: 'Mel', do Caetano e do Wally Salomão. Aquela mesma, dos versos ó abelha rainha, faz de mim...
O status de muso do (bom) teatro experimental da cidade Felipe Rocha já tem há tempos, graças às peças que fez com a galera da Cia. dos Atores. Ele também canta e toca trompete com os companheiros do Brasov. Agora, ele é o cara à frente de 'Ele Precisa Começar', espetáculo solo no qual divide a direção com o performer Alex Cassal. Os muitos 'eles' deste post são justificados pelas várias funções exercidas pelo rapaz, mas o grande lance é que Felipe agora está sozinho, dando a cara à tapa, encenando um texto de sua autoria.
 O enredo parte da própria experiência do ator: ele está num quarto de hotel, não sabe o que fazer e decide escrever uma peça. No que vai dar, não sabe. Recorre a referências variadas, de filmes de ação dos anos 60 a dramas existenciais e comédias românticas. O ponto central mesmo é a necessidade de começar. Confesso que acho o tema interessante. Vamos ver se vai dar certo em cena. Para quem não lembra do que já viu com o rapaz, vamos lá: ele esteve ano passado em 'Gaivota: Tema Para um Conto Curto' e brilhou em 'Ensaio.Hamlet', fantástica desconstrução do clássico de Shakespeare conduzida por Enrique Diaz. Nesta, ficava nu em cena. A nudez da vez é mais sutil, no confessional enredo. Estréia sexta agora, na multiuso do Sesc Copa. Boa sessão.
 Você olha para esta foto e pensa o que? Que o cara em questão está derrotado, né? Sim, ele está. O motivo de sua angústia é o que fazer de sua vida ordinária e, para piorar, ele tem que lidar com a perda de um amigo de infância. Com ela, recordações de um passado ingênuo, mas feliz, antes que tudo acabasse mal. Nela, a implacável reflexão sobre a única coisa sob a qual o ser humano não tem qualquer controle: o tempo. O filme se chama 'Reflexos da Inocência', o ator é o Daniel Craig, é um filme obrigatório mas daqui a pouco falo mais dele. Note agora a segunda foto.
 Estas pessoas parecem estar felizes. Seis atores, reunidos à espera de um jantar que preparam. Se você for ver a peça, saberá que são apenas cinco. Se assisti-la também saberá que 'A Falta Que Nos Move' é um projeto especialíssimo, peça escrita a partir da vivência do elenco. Durante a confessional encenação, o espectador é apresentado a memórias, fotos, músicas, dores e delícias das vidas dos atores. E perceberá que, mais uma vez, a angústia maior é como lidar com o tempo. Escorregadio, ele passeia nas frases do texto de Tchekov dito por alguém do elenco. Incrível ser cúmplice de tal inspiração. Impossível não lembrar do que diz Olga em 'As Três Irmãs': esta noite envelheci 10 anos. O tempo é o mais caro dos temas de Tchekov. E é personagem tanto da peça, quanto do filme. Mero acaso estarem ambos no mesmo post. Ou não.
Para quem ficou a fim de ir ao cinema e ao teatro, mais detalhes: o filme tem trilha sonora deliciosa, anos 70, e os flashbacks of a fool do título original são absolutamente poéticos e encantadores. Claro, antes de uma tragédia mudar o destino do protagonista. Quanto à peça, está em cartaz na Casa França-Brasil, e no final você pode provar da comida preparada em cena. Não é sempre que a gente encontra por aí duas dicas tão valiosas, que unem diversão com reflexão. Para chorar, para rir, para sair do cinema e do teatro diferente. Melhor.
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