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| André Gomes |
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A temporada teatral carioca será aquecida semana que vem pela estréia de Bruno Gagliasso e seu 'Um Certo Van Gogh', sob direção de João Fonseca (a sessão para convidados é na terça, no dia seguinte para público, no Teatro do Leblon) e por 'Hotel Lancaster', que ocupa a sala Multiuso do Espaço Sesc na quarta.
 Enquanto o primeiro espetáculo tem a seu favor a grande visibilidade do galã global, o segundo tem elenco pouco conhecido do grande público, mas recebeu boas críticas durante longa temporada paulistana. O texto, de Mario Bortolotto, situa os personagens num quarto de hotel barato, centro do tráfico paulistano, na noite de Réveillon, por onde passam traficantes e viciados. Solidão, desespero e crueldade são alguns dos temas do espetáculo.
Para quem não leu no impresso, no Caderno D, a repercussão da estréia de Luana Piovani. 
Dado Dolabella garante: "O texto é tão maravilhoso que a nudez fica em segundo plano. Fiquei vidrado na história. Chega um momento em que você esquece do peito. Não é uma exposição gratuita". Os seios em questão são da namorada do ator, Luana Piovani, que estreou seu primeiro monólogo, 'Pássaro da Noite', quarta-feira, no Teatro do Leblon. Dado estava lá e, como outros convidados, viu a atriz se despir parcialmente em cena, com transparências reveladoras. Não é novidade para ele. Talvez esquecendo de que é para o público, o ator acredita que ninguém irá ao teatro apreciar o que a 'Playboy' nunca conseguiu estampar em suas páginas. Não, Luana garante que não está em negociação com a revista, mas em cena, faz muito mais do que tirar a roupa. Despe-se dos pudores. Provocante, sua personagem passeia a mão pelo sexo na lingerie aparente, garantindo que a peça está umedecida. Mais: descreve o tamanho do membro de um dos parceiros, Alfredo, avantajado. Para ela, o que interessa mesmo no homem é o 'falo'. Um de seus parceiros era cego, ela revela. Manipulou-o e fez sexo oral nele no elevador. Depois do expediente, sexta-feira, às 18h, diz Luana na pele da secretária perdida num fim de noite, ela entra no banheiro. Em instantes, está diante de uma carreira. Sim, cocaína. "Nariz é para cheirar, garganta é para sorver", sentencia. Nada disso é páreo para outra revelação do texto de José Antonio de Souza: quando criança, ela tinha a mania de levar o dedo a determinada parte do corpo e cheirá-lo. Em cena, de frente para a platéia, leva a mão até as nádegas, por dentro da lingerie, traz o dedo ao nariz e propõe que todos deveriam sentir os aromas íntimos uns dos outros antes de iniciar uma conversa. Erotismo, nudez e, claro, no fim do espetáculo, colegas de profissão que estavam na platéia saudaram o desprendimento da atriz e comentaram os seios à mostra em tempos de manifesto contra a nudez liderado pelo ator Pedro Cardoso. "Luana está deslumbrante, não é apelação. Ela deu a cara a tapa e não levou tapa nenhum", avaliou o ator Claudio Heinrich. "Adorei, na arte não há barreiras, é proibido proibir", disse Emílio Orciollo Netto. Já Marco Antônio Gimenez conta que se identificou com o texto. "Ele aborda temas do cotidiano de muitos jovens hoje em dia, como a doideira dela e a tomada de consciência. O nu não me chamou atenção, Luana está de peito aberto", avalia. Diretor da peça e responsável por apresentar a personagem à atriz, Marcus Alvisi vai mais longe. "Ela é uma mulher no limite da vida. Quando há substância, tudo se justifica: até 'cagar' em cena pode". Cabe à própria Luana a palavra final. "Está no contexto. Não é um striptease da Luana. Faço porque cabe, quero, posso. A personagem vai se revelando". Como ela, desta vez, Luana mais do que nunca. À PROCURA DAS ASAS DO DESEJO A febre de monólogos no teatro nacional só é justificada pelos custos reduzidos de produção, que possibilitam ganhos maiores. Não é todo ator que segura a responsabilidade de entreter a platéia sozinho. No caso de Luana, além de estar só em cena por uma hora, não há cenário. É necessário, portanto, que a platéia encontre um texto que queira acompanhar, com interesse, até o fim. Não é o que acontece com o escrito por José Antonio de Souza. As citações sexuais soam por vezes apelativas, como se o autor quisesse se apoiar em escritores que souberam fazer uso do erotismo - caso de Hilda Hilst -, sem possuir, contudo, a habilidade deles. Diante do material, Marcus Alvisi conduz Luana num equilíbrio delicado entre fragilidade e força, e a atriz se sai bem, ainda mais se levarmos em conta que o texto faz uso de uma linguagem poética ora baseada em rimas, ora em frases de suposto impacto como "E toda véspera é renascimento neste corpo de mulher". Falta ao pássaro em questão as verdadeiras asas do desejo. Quem sabe numa próxima ocasião a atriz acerte na procura do que dizer.
Ontem saí da redação para a estréia da peça da Luana Piovani no Teatro do Leblon meio desacreditado. Tinha lido o texto de apresentação do espetáculo, de autoria no autor, José Antonio de Souza, no programa da montagem. Suas argumentações eram fracas, não entusiasmavam ninguém a ir ao teatro. Não me surpreendi. O texto, de pouca dramaticidade, não tem conflito, e busca em citações de práticas sexuais e de intimidade uma muleta para maquiar suas deficiências. Só mesmo a nudez parcial de Piovani em cena será capaz de atrair - e manter - público no teatro. Não dá para entender o motivo de tanta paixão dela pela história. Não há cenário. O figurino, de transparências, explicita as curvas do corpo da atriz. A direção de Marcus Alvisi faz o que pode para injetar ânimo à encenação. Não consegue. Há um desnecessário acento poético no texto, que por isso mesmo não decola. Quando a personagem - uma secretária usuária de cocaína e despudorada sexualmente - fala 'Eu sempre desejei violinos quando explodisse o meu primeiro amor', não há qualquer sinal de romantismo anterior para que a platéia se apegue àquele devaneio amoroso. No fim, diante das palmas do público formado por amigos, Luana chorou, fez discurso emocionado e falou maravilhas do projeto. Do lado de fora do teatro, colegas de profissão elogiaram o desprendimento da atriz. Tanto esforço, tanta dedicação, para que, se o que é dito soa despropositado, gratuito? E olha que, diante do desafio de encarar um monólogo, Luana até se sai bem, é segura, tem nuances interpretativas e mostra fragilidade e força bem dosadas. Tomara que, da próxima vez, escolha melhor seu projeto. Amanhã volto a falar mais sobre a peça. Bem mais...
A partir do dia 30, o projeto Escolas dos Mestres reunirá na biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro grandes nomes do teatro brasileiro, que vão revelar ao público os principais momentos de sua formação profissional numa época em que não havia tantas escolas de teatro, como há hoje em dia. Em cinco encontros que acontecem sempre às quintas-feiras às 18h30, nomes como Laura Cardoso, Irene Ravache, Marco Nanini, Sergio Britto, Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg, Ítalo Rossi e Barbara Heliodora responderão a perguntas de entrevistadores, entre eles, estudantes que participaram da Mostra Estudantil de Teatro deste ano. Uma platéia de 200 espectadores vai presenciar os encontros, que terão entrada franca. Vamos à agenda: 
30/10 - IRENE RAVACHE e o contato com Dulcina no Conservatório de Teatro, com os grandes diretores e com a fonoaudióloga Glorinha Beutenmuller / 06/11 - MARCO NANINI e o conservatório de teatro e as influências de Dercy, Eva Todor, Afonso Stuart / 13/11 - SÉRGIO BRITTO, FERNANDA MONTENEGRO, NATHALIA TIMBERG E ÍTALO ROSSI e o Grande Teatro Tupi / 19/11 - LAURA CARDOSO e a formação do rádio, da TV TUPI, e de Antunes Filho / 27/11 - BARBARA HELIODORA e a visão crítica-histórica da formação de ator.
Lembra do filme 'Como Eliminar Seu Chefe', aquele em que um trio de funcionárias se une para tramar vingança contra o chefe machista? Estará em palco da Broadway no ano que vem, com estréia prevista para 23 de abril. Caberá às atrizes Allison Janney, Stepahnie J. Block e Megan Hilty representar o inesquecível trio vivido no cinema em 1980 por Lily Tomlin, Dolly Parton e Jane Fonda. Dolly, famosa pelos seios volumosos, hoje aos 62 anos, fez questão de posar com Megan, que viverá o papel que foi dela, agora no palco. O título original do filme é o do musical, que tem canções com a trilha original de Parton e mais 20 músicas. 'Nine to Five - The Musical' estreou mês passado em Los Angeles.
A temporada de prêmios de teatro está realmente aquecida. O próximo deles será o Prêmio Contigo de Teatro, cuja cerimônia de premiação será no dia 10 de novembro, no Arquivo Nacional, no Rio. Diferentemente de outros prêmios, o da Contigo reúne espetáculos do Rio e de SP. Estão na disputa peças que estiveram em cartaz entre julho de 2007 e junho de 2008. Vamos aos indicados: MELHOR ATOR Edson Celulari, por Dom Quixote de Lugar Nenhum Eduardo Moscovis, por Por uma Vida um Pouco Menos Ordinária Fernando Eiras, por A Noviça Rebelde Marco Nanini, por O Bem-Amado Thelmo Fernandes, por Gota d'Água Wagner Moura, por Hamlet MELHOR ATRIZ Andréa Beltrão, por As Centenárias Glória Menezes, por Ensina-Me a Viver Izabella Bicalho, por Gota d'Água Kiara Sasso, por A Noviça Rebelde Louise Cardoso, por Mãe Coragem e Seus Filhos Marieta Severo, por As Centenárias MELHOR ESPETÁCULO DRAMA Dom Quixote de Lugar Nenhum, de Ruy Guerra - Direção de Ernesto Piccolo Hamlet, de William Shakespeare - Direção de Aderbal Freire-Filho Mãe Coragem e Seus Filhos, de Bertolt Brecht - Direção de Paulo de Moraes Pequenos Milagres, do Grupo Galpão - Direção de Paulo de Moraes Por uma Vida um Pouco Menos Ordinária, de Daniela Pereira de Carvalho - Direção de Gilberto Gawronski Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues - Direção de Antunes Filho MELHOR ESPETÁCULO COMÉDIA Amargo Siciliano, de Luigi Pirandello - Direção de Eduardo Tolentino As Centenárias, de Newton Moreno - Direção de Aderbal Freire-Filho Farsa, com textos de Cervantes, Martins Pena, Molière e Tchekhov. Direção de Luiz Arthur Nunes A Festa de Abigaiu, de Mike Leigh - Direção de Mauro Baptista Vedia O Homem Inesperado, de Yasmina Reza - Direção de Emílio de Mello Metegol, da Intrépida Trupe - Direção de Cláudio Baltar e Renato Linhares MELHOR ESPETÁCULO MUSICAL NACIONAL Aquarelas do Ary, de Marcos França com o Núcleo Informal de Teatro - Direção de Joana Lebreiro Beatles num Céu de Diamantes, de Charles Möeller e Cláudio Botelho Gota d'Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes - Direção de João Fonseca Um Homem Célebre, baseado em texto de Machado de Assis - Direção de Pedro Paulo Rangel Machado a 3 X 4, de Luiz Paulo Corrêa e Castro - Direção de Guti Fraga e Fátima Domingues Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues - Adaptação e direção de Zé Henrique de Paula MELHOR ESPETÁCULO MUSICAL EM VERSÃO BRASILEIRA O Baile, de Jean-Claude Penchenat - Adaptação de Valderez Cardoso Gomes - Direção de José Possi Neto A Noviça Rebelde, de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein - Direção de Claudio Botelho e Charles Möeller Os Produtores, de Mel Brooks e Thomas Meehan - Direção de Miguel Falabella West Side Story, de Arthur Laurents - Direção de Jorge Takla MELHOR AUTOR Carla Faour, por A Arte de Escutar Daniela Pereira de Carvalho, por Por uma Vida um Pouco Menos Ordinária Michel Melamed, por Homemúsica Newton Moreno, por As Centenárias Sérgio Roveri, por A Coleira de Bóris Silvia Gomez, por O Céu Cinco Minutos Antes da Tempestade MELHOR DIREÇÃO Aderbal Freire-Filho, por Hamlet Dudu Sandroni, por Rasga Coração Eduardo Tolentino e Sandra Corveloni, por Amargo Siciliano Felipe Hirsch, por Não sobre o Amor João Fonseca, por Gota d'Água Paulo de Moraes, por Pequenos Milagres MELHOR CENÁRIO Carla Berri e Paulo de Moraes, por Pequenos Milagres Daniela Thomas, por Não sobre o Amor Gilberto Gawronski, por Por uma Vida um Pouco Menos Ordinária Gringo Cardia, por O Bem-Amado Hélio Eichbauer, por Um Dia, no Verão Chris Aizner e Pedro Ivo Pisano, por Closer FIGURINO Fábio Namatame, por West Side Story J.C. Serroni, por Dom Quixote de Lugar Nenhum Kika Lopes, por Ensina-Me a Viver Marcelo Pies, por Hamlet Rita Murtinho, por Mãe Coragem e Seus Filhos Rosângela Ribeiro, por Senhora dos Afogados
Quem acompanha este blog sabe que sou fã de musicais. O Rio também é fã, basta ver como eles foram agraciados em várias categorias no Prêmio da APTR, entregue ontem no Teatro Leblon. Pois além do '7', da 'Opereta Carioca', da 'Noviça', o temos agora nesta temporada também no cinema, e charmosíssimo, no filme 'Canções de Amor'. Se você ainda não viu, vá correndo ver. Há vários motivos, listemos alguns, quem souber mais, que não se acanhe e nos avise.
 1. Ludivine Sagnier mais sexy do que nunca, e libertária. 2. Louis Garrel, sexy como de hábito. 3. Chiara Mastroianni, um espanto perceber nela com perfeição a união harmônica dos traços do pai e da mãe, célebres e irresistivelmente lindos, Deneuve e Mastroianni. 4. As canções de amor, cantadas em francês. Falta chegar ao DVD pra gente ver em casa com vinho. 5. Grégoire Leprince-Ringuet: o amor para ele é tentativa, tentativa e acerto. 6. A dor ali retratada, e o recomeço. 7. Uma família que se ama e se quer bem. 8. Personagens com conflitos que a gente reconhece em nós, verdadeiros. 9. As luzes da cidade. 10. Paris.
Foram conhecidos ontem os vencedores da segunda edição do Prêmio APTR de Teatro. A APTR é a Associação dos Produtores de Teatro do Rio e, por estímulo e orgulho à jovem associação, a classe artística compareceu em peso ao Teatro Leblon. Além dos indicados nas 11 categorias e ao homenageado especial (Sergio Britto, num discurso lindo e emocionado), subiram ao palco para entregar alguns dos prêmios Marília Pêra, Nathalia Timberg, Miguel Falabella e outros grandes nomes da cena teatral brasileira, muito bem apresentados pelo texto esperto de Flavio Marinho. 
A apresentação, a cargo de Renata Sorrah (sempre elegante e esbanjando charme) e Marco Nanini (com o bom humor habitual) foi outro dos pontos altos da cerimônia, que consagrou o trabalho de Charles Möeller e Claudio Botelho, saudados como a dupla dinânima dos musicais nacionais. Eles saíram de lá festejados por '7 - O Musical', que levou direção, autoria e figurino, e receberam ainda o prêmio da Categoria Especial, pelo trabalho que vêm desempenhando há mais de uma década na área do teatro musical em suas mais variadas vertentes. Dirigido por Botelho, outro musical, 'Sassaricando', faturou na categoria Melhor Produção. Apesar de um pequeno deslize no texto da premiação, vale lembrar que este musical de Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo tem somente cenário de Möeller, que desta vez não dividiu a direção com o habitual parceiro. Não houve surpresas nas categorias Melhor Ator e Atriz: Edwin Luisi e Andréa Beltrão foram agraciados com o prêmio: ele foi recebê-lo, declarou seu voto a Fernando Gabeira para prefeito e ainda faturou uma passagem para Nova Iorque (dois vencedores foram sorteados e o segundo foi o mais citado e grande sortudo da noite, Charles Möeller!). Andréa foi representada por Marieta Severo, já que estava em gravação em São Paulo, segundo a colega de elenco de 'As Centenárias' (Edwin levou por 'Eu Sou Minha Própria Mulher'). Houve surpresa, contudo, na premiação de Melhor Atriz em Papel Coadjuvante: em vez de Ida Gomes, que concorria por '7', quem levou foi Kelzy Ecard, por 'Rasga Coração'. O de Melhor Ator em Papel Coadjuvante foi para Thelmo Fernandes, por 'Gota D'Água', que fez um dos discursos mais simpáticos e emocionados da noite. Paulo César Medeiros foi o vencedor no quesito Iluminação, por vários trabalhos realizados em 2007, enquanto Nello Marese faturou na categoria Cenografia, por 'Gota D'Água' e 'Auto de Angicos'. Foi uma noite iluminada para o teatro carioca e este blog faz questão de render homenagem especial à queridíssima Ida Gomes que, numa disputa acirrada, pode não ter levado o prêmio de ontem, mas é uma vencedora nata: basta ver o encantamento que produz em '7' e relembrar sua trajetória. Eduardo Barata, presidente da APTR, subiu para entregar o último prêmio da noite e já anunciou o do ano que vem, com ou sem patrocínio, como o deste ano. A cerimônia, garante ele, acontecerá em maio. Como integrante do juri e, portanto, participante da premiação, torço para que tudo dê certo, como aliás, torce a classe teatral. Os prêmios estão aí para acariciar nossos talentosos profissionais, dar visibilidade à produção teatral e lembrar que estar entre os indicados já é uma lembrança e tanto. Até o ano que vem.
Chegou a vez de Rosane Gofman estrelar uma das promoções teatrais de nosso blog. A atriz está em cartaz, na sala Tonia Carrero do Teatro Leblon, com a peça 'Amor Perfeito'. O texto de Denise Crispun interpretado por Rosane, que está completando 35 anos de carreira, tem direção de Beto Brown, e foca num tema de conhecimento de todos: o amor de mãe, aquele mesmo, desmesurado, intenso.
 "Tenho três filhos e muitas vezes chego a ser chata com isso. Reconheço que não deve ser muito fácil ser meu filho. Não sou careta, mas sou pegajosa", confessa a atriz, que se desdobra em todos os papéis da encenação. Quem quiser assistir ao espetáculo de graça deve deixar seu nome e e-mail entre os comentários. Duas pessoas serão contempladas com dois ingressos para a sessão de domingo. O resultado sai amanhã.
A galera do Movimento Vermelho, já comentado aqui no blog, já tem foto. Pra quem não se lembra, trata-se da idéia que rendeu a peça 'Os Excluídos', que estará em cartaz a partir do dia 30 de outubro no Espaço Sérgio Porto, no Humaitá.
 O espetáculo é estrelado por ruivos, que falam das dores e delícias de ser ruivo neste país moreno em que vivemos. Entre os apelidos que recebem e são comentados na peça estão Ferrugem, Fanta e Cenourinha. Quem quiser contribuir com informações para o movimento pode acessar o blog osexcluidos2008.blogspot.com ou enviar e-mail para osexcluidos2008@gmail.com
Eu estava na segunda cadeira da fila E e acreditava estar protegido de qualquer interação entre elenco e público durante a encenação do musical 'Opereta Carioca'. Enganei-me. Lá pelas tantas, Soraya Ravenle, diante da recusa de um dos espectadores para ser seu par numa dança, resolveu me fazer o mesmo convite. Tive vontade de me esconder debaixo da cadeira, mas a única solução foi dar a desculpa clássica: "Eu não sei dançar". E não sei mesmo, não samba, definitivamente não o meu forte. Isso rolou na noite de quinta-feira, no Teatro Maison de France, e hoje cheguei à redação e me deparei com um e-mail fofo de Soraya, se desculpando e dizendo que não sabia que eu era eu, que estava ali para escrever sobre o espetáculo, e que, diante disso, tal convite não seria oportuno. Bobagem, quem está na chuva é pra se molhar. E a sensação na saída de 'Opereta Carioca' não podia ser melhor: a montagem criada por Gustavo Gasparani sob direção de João Fonseca faz uma deliciosa costura de sambas clássicos para contar a igualmente saborosa relação do Malandro (Gasparani) com a Cabrocha (Soraya). É um musical brasileiríssimo, carioquíssimo, com cenário simples, mas bastante eficiente, que remete a uma laje que serve como passarela para o casal discutir e se amar. Há uma cena linda, em que eles coreografam, no ritmo ditado pelos músicos, sua noite de amor, após o casamento. Gasparani mostra total desenvoltura na pele do malandro e Soraya, mais uma vez, mostra porque é uma diva dos musicais brasileiros, com domínio perfeito do papel, desenvoltura e interpretações leves e emocionadas. Vale, e muito, o ingresso.
Ouvi outro dia 'Oracular Spectacular', do MGMT, que vem pro Tim, e pensei, putz, tá aí um disco que tem frescor, soa novo, apesar de se apoiar em sons do passado. O álbum tem uma sonoridade electro-rock baseada no retrô, no pop psicodélico e na dance music, e me fez companhia junto com as canções irresistíveis do Ting Tings, que eu havia conhecido dias antes. Pra minha surpresa, junto com as novidades de lá, uma daqui chegou igualmente inspirada: o disco novo do Skank. As bandas de rock brasileiras que surgem não prestam, a gente sabe (saudade do Los Hermanos), e o Skank consegue se manter com dignidade. No CD batizado de Estandarte (referência a trecho da dançante faixa 3, 'Chão'), não há como resistir a 'Ainda Gosto Dela' (... eu ainda gosto dela/ mas ela já não gosta tanto assim/ a porta ainda está aberta/ mas da janela já não entra luz/ e eu ainda penso nela/ mas ela já não pensa mais em mim/ eu vou deixar a porta aberta/ pra que ela entre e traga a sua luz). É uma segunda faixa que mostra as intenções do disco, de falar de amor e desamor, proporcionar prazer e senti-lo, mas para cima, com a alegria habitual da banda. Gosto particularmente da faixa 8, 'Sutilmente', um hino à relação baseada no companheirismo. Basta passar os olhos pela letra: "e quando eu estiver triste/ simplesmente me abrace/ quando eu estiver louco/ subitamente se afaste/ quando eu estiver fogo/ suavemente se encaixe/ e quando eu estiver bobo/ sutilmente disfarce/ mas quando eu estiver morto/ suplico que não me mate não/ dentro de ti/ mesmo que o mundo acabe enfim dentro de tudo que cabe em ti". Guitarras pesadas, adoráveis levadas eletrônicas e timbres clássicos dão o tom do disco, que vale a audição e mostram que dá para fazer música pop de qualidade. Bom recado para as porcarias adolescentes que ganham prêmios da MTV e invadem as rádios a todo instante.
Conheci Pedro Monteiro sem saber que ele era ator e estava montando um espetáculo divertidamente inspirado em sua vida, sem patrocínio, mas com ânimo, que é o que interessa e faz a gente seguir em frente. Pedro é ruivo e resolveu escalar pessoas com os cabelos vermelhos como os dele para contar situações curiosas que revelam a segregação - ou não - a que são submetidos os ruivos em nosso Brasil moreno. A idéia vai render o espetáculo 'Os Excluídos', que estréia dia 30 de outubro, no Espaço Sérgio Porto. Com a palavra, o próprio idealizador do projeto: "Sou um excluído. Não sou negro, não sou índio, não sou oriental. Mas ser ruivo nesse país é motivo de chacota, segregação. Por que não há um candidato ruivo nessas eleições? É cota pra negro, reserva pra índio, cadê a cota dos ruivos? Você sabia que estudos indicam que o ruivo é uma espécie em extinção prevista para sumir do planeta até 2060? Que ser ruivo é ser visto como gringo que não sabe sambar, desde criancinha atormentada por apelidos como Ferrugem, cenourinha ou arroto de Fanta? Foi pensando nestas questões que estamos lançando o Movimento Vermelho, que, através das artes, pretende denunciar a exclusão social das pessoas ruivas. Aqueles que desejarem poderão gravar depoimentos para serem incluídos num documentário e no grande arcabouço de histórias, imagens e sensíveis relatos que darão forma à peça 'Os Excluídos', que estréia dia 30 de outubro, no Espaço Sérgio Porto. Os ruivos participantes receberão ingressos para a peça. Para participar, entre no blog osexcluidos2008.blogspot.com. Ou envie e-mail para osexcluidos2008@gmail.com"
Para os fãs de Alessandra Maestrini: dia 17, às 21:07h, passa no Canal Brasil um curta estrelado por ela: 'O Labirinto' narra a história de uma mulher seqüestrada e torturada por uma maníaco obsessivo, que se vê presa a uma trama que mistura presente, passado e futuro. Na TV, a musa dos musicais teatrais cariocas segue firme como a empregada Bozena de 'Toma Lá, Dá Cá'. As pesquisas apontam que ela é a personagem mais popular da série, merecidamente. Alessandra, que está gravando um CD, tem uma das vozes mais incríveis da cena teatral e quem não teve oportunidade de vê-la nos palcos deve ir correndo para conferir seu desempenho excepcional no '7', em cartaz no Carlos Gomes. A temporada é popular, com ingressos a R$ 30 e as canções do celebrado musical são de Ed Motta, com letras feitas por Claudio Botelho.
Tem um tempão que eu queria falar aqui do 'Ensaio sobre a Cegueira' mas faltava oportunidade. Ela chegou. Hoje, vi a entrevista que o Fernando Meirelles concedeu a Marília Gabriela no GNT. Foi um bate-papo tranqüilo e bastante sincero, no qual o diretor expôs suas inseguranças mas, principalmente, mostrou-se absolutamente seguro. Sim, a pessoa segura de fato é a que sabe que não tem a obrigação de saber de tudo, que pode aprender. Nos últimos anos, Meirelles mostrou que aprendeu a ser um grande contador de histórias. Ele está dirigindo 'Som e Fúria', na Globo, baseada na série canadense 'Slings and Arrows', que mostra os bastidores de uma companhia de teatro que encena peças de Shakespeare. É um projeto bastante interessante, que mostra a capacidade do diretor de fazer boas escolhas. Quando ele resolveu adaptar o romance de sucesso de Saramago para o cinema, tinha consciência de que corria perigo. Sofreu um pouco em Cannes com a recepção de parte da crítica para o filme, então exibido com boa parte da narração do Danny Glover, depois retirada. Depois, deixou de sofrer. Sabia que tinha feito uma grande obra.
 Não há como sair do cinema sem pensar em como a humanidade está mergulhada no caos, no egoísmo extremo, num cotidiano em que não existe espaço para a solidariedade (no filme, essencialmente feminina), para olhar o outro, enxergar. A história é sábia por explicitar, na figura da Mulher do Médico (Julianne Moore, em estado de graça), que não há nada pior do que enxergar a miséria na qual estamos mergulhados, quando os outros não podem vê-la. E que os ignorantes, por isso mesmo, muitas vezes, são mais felizes. Há inúmeras cenas impactantes, mas gosto especialmente do momento em que a personagem de Julianne flagra o marido tendo relação com outra cega condenada à quarentena imposta pelo governo. Ela não condena a situação. Sabe que o marido, fragilizado e cego enquanto ela pode enxergar, precisa encontrar afeto em alguém que passa pela mesma situação que ele. Igual. Pela lente de Meirelles, quando os personagens de Mark Rufallo e Alice Braga se tocam, fica claro que, ali, há cumplicidade, aconchego, um momento de prazer e contentamento naquele cenário de dor extrema e desesperança no qual se encontram. Nada, contudo, é mais impactante do que o ataque sofrido pela Mulher do Médico na saída do supermercado. Selvageria em estado bruto. E quem de nós é capaz de dizer que, diante da fome e tantas privações, não seria capa de fazer o mesmo? Incrível é perceber que Meirelles, um cineasta conectado com seu tempo e com os temas universais, continua simples e nem um pouco deslumbrado. E que nenhuma outra atriz poderia fazer o papel que acabou nas mãos de Julianne. Resta esperar, com ansiedade, para saber o que ele fará com Shakespeare na TV.
Demorou, mas está confirmadíssima a realização do Prêmio APTR de Teatro. Ano passado, a Associação dos Produtores de Teatro teve o patrocínio da Eletrobrás para a realização do primeiro prêmio. O segundo chega sem patrocínio, mas com os mesmos jurados do ano anterior. Participo do júri ao lado de Barbara Heliodora, Macksen Luiz, Lionel Fischer, Debora Ghivelder, Tânia Brandão e Mauro Ferreira, e a cerimônia de premiação será realizada dia 20, às 20h30, no Teatro Leblon. Sim, já estamos em outubro, mas os premiados são espetáculos que cumpriram temporada em 2007: a APTR promete que, para o ano que vem, os premiados de 2008 sejam conhecidos bem mais cedo. '7 - O Musical' teve o maior número de indicações: um total de sete, enquanto 'As Centenárias' concorre em cinco categorias.  Os dois espetáculos continuam em cartaz, para quem ainda não teve oportunidade de vê-los. O homenageado será Sergio Britto. Na categoria melhor atriz as indicadas são Andréa Beltrão ('As Centenárias'), Izabella Bicalho (Gota D'Água), Inez Viana ('A Mulher que Escreveu a Bíblia') e Cláudia Raia ('Sweet Charity'). A melhor ator os concorrentes são Edwin Luisi ('Eu sou minha própria mulher'), Zecarlos Machado ('Rasga Coração') e Marcelo Escorel ('Cheiro de Chuva'). Os indicados na categoria melhor produção são 'Sassaricando', 'Sete', 'Gota D'Água' e 'As Centenárias'.
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