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| André Gomes |
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Acabo de chegar em casa depois da estréia de 'Inveja dos Anjos'. Havia expectativa diante do novo trabalho do Armazém na Fundição Progresso, mas, terminada a apresentação, a sensação é de certa frustração. Não que o espetáculo seja ruim, há bons momentos e belas imagens, mas a narrativa, fragmentada, não decola: fica difícil estabelecer uma relação de intimidade com os dramas dos personagens que passeiam pelo trecho de ferrovia que corta todo o espaço da encenação. É um cenário bem interessante, a emprego de uma montagem que parece, a todo instante, à procura do que realmente quer dizer. 'Inveja dos Anjos' ficou no meio do caminho, seja ao demonstrar a relação de pai e filha recém-surgida; mãe e filha ressentida; mulher e homem que abandonou-a e ressurge após 15 anos. Todas as histórias acabam como rascunhos do que poderiam ser. O trabalho dos atores é bom, há muita, muita música americana a serviço da trama, mas acho que vai ficar para a próxima um Armazém à altura do Armazém. Do elenco se destacam Ricardo Martins, Thales Coutinho e Patrícia Selonk. A luz é outro ponto alto.
O pessoal da Armazém Cia. de Teatro está de volta ao caminho do trabalho autoral com 'Inveja dos Anjos', espetáculo que estréia nesta quinta na Fundição Progresso, depois de mergulhar na obra de Bertolt Brecht (Mãe Coragem e seus Filhos) e Nelson Rodrigues (Toda Nudez será Castigada). O ponto de partida para a peça foi uma imagem dos trilhos de um trem.
 O diretor e autor Paulo de Moraes guarda-a desde a infância no interior paranaense, quando assistia ao vaivém dos vagões e das pessoas na estação da cidade onde nasceu. Os trilhos são o lugar do entroncamento imaginário nas histórias a que ele e Maurício Arruda deram asas. Um carteiro, Eleazar, interfere nos rumos dos acontecimentos da cidade onde trabalha. É por meio dele que acessamos os núcleos do pai e da filha, Tomás e Natália; da mãe e da filha, Luísa e Branca; e de um casal, Rocco e Cecília. Cada qual atravessa uma crise precipitada por mortes ou nascimentos de fato ou simbólicos. A companhia chega aos 21 anos e a temporada vai até 21 de dezembro.
A imagem refletida no espelho pode sugerir que Emma (Isabella Parkinson) busque nela reconhecimento. De nada adiantará. No jogo proposto pelo texto de Harold Pinter em 'Traição', não há espaço para certezas absolutas. O trio de personagens que serve à encenação - muito bem dirigida, aliás, por Ary Coslov no simpático Teatro Solar de Botafogo - tenta se equilibrar, em vão, numa gangorra emocional situada naquele terreno escorregadio das mentiras cotidianas que todos bem conhecemos. A traição do título, portanto, não é mostrada da forma como estamos habituados a ver na ficção. Na figura do marido consciente (Leonardo Franco, excelente, irônico na medida) talvez esteja a chave para as intenções de Pinter com o texto. E a peça ainda tem o sempre competente Isio Ghelman na pele do amante. O cenário funcional de Marcos Flaksman é outro ponto alto deste bom espetáculo, econômico e sem firulas.
Ok, o blog ficou parado um tempo, mas vamos lá, novidades na área, mais especificamente no Oi Futuro, que abriga, desde terça-feira, um projeto bastante interessante. Até domingo rola por lá, sempre a partir das 19h30 e de graça, um ciclo de leituras em homenagem ao dramaturgo Zé Vicente, que sofreu censura durante a ditadura militar no Brasil. Permeada por assuntos como religião, homossexualismo e drogas, sua obra possui personagens mergulhados em densos conflitos psicológicos e, para as leituras, foram convidados vários atores, entre rostos conhecidos da TV e do teatro. Haverá distribuição de senhas 30 minutos antes. O simpático espaço do Oi Futuro fica na Rua 2 de Dezembro 63, Flamengo. Vamos à agenda e bom proveito: Santidade (20/11, quinta-feira) Direção: Mario Bortolotto Com Haroldo Ferrari e Fransérgio Carlos O Assalto (21/11, sexta-feira) Direção: Christiane Jatahy Com Eduardo Moscovis Hoje é Dia de Rock (22/11, sábado) Direção: João Fonseca Com Louise Cardoso, Pedro Garcia Neto, Larissa Bracher, Bruno Gagliasso, Nathalia Rodrigues, Janaina Prado, Armando Babaioff, Glaucia Rodrigues, Ivone Hoffman, Nildo Parente e Claudio Lins Virtuose (23/11, domingo) Direção: Cesar Augusto Com Guilherme Leme, Xuxa Lopes, Zulma Mercadante, Natalia Lage e Cia dos Atores
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