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André Gomes

Sábado, 27 Dezembro, 2008

RETROSPECTIVA

Com 2008 saindo de cena e a gente + uma vez com aquela sensação estranhíssima de que os anos passam cada vez + rápido, recordar um pouco do que rolou de melhor na cena teatral se faz necessário. Vamos lá, aceito sugestões:

- Peças curtas de Beckett no Oi Futuro: experimentação teatral em que tudo dava certo.

- Beatles num Céu de Diamantes: estreou em janeiro e segue em temporada durante 2009.

- Mamãe não Pode Saber: valeu a pena João Falcão ter remontado.

- A Noviça Rebelde: prova de que sabemos fazer produções de apuro técnico.

- Paulo Szot, primeiro brasileiro a ganhar o Tony. Os EUA reconhecem seu talento.

- Beckett revisitado por Sérgio Britto.

- Acabamos de perder Harold Pinter, um dos grandes, mas sua dramaturgia ganhou montagem carioca à altura, com 'Traição', no Solar de Botafogo.

- Opereta Carioca: musical carioquíssimo, com frescor, leveza e muito, muito samba no pé.

- Memória Afetiva de um Amor Esquecido: quem inventou o amor?

- A Ordem do Mundo: porque Drica Moraes deitou e rolou em cena.

E MAIS:

- Dona Flor e Seus Dois Maridos: montagem digna, que surpreendeu.

- Ensina-me a Viver: diferente do filme e com boas soluções cênicas.

MICOS DO ANO:

- O que foi o 'Otelo' de Diogo Vilela? Sem comentários.

- E o 'Dom Quixote' de Edson Celulari? Idem.

E AINDA:

- E o Hamlet de Wagner Moura? Acalmem-se, o Rio de Janeiro ainda verá. Tem muita, muita egotrip ali, mas também momentos memoráveis. É longo demais, acho que hoje em dia não há mal algum em passar a tesoura ali. E a proposta minimalista de cenário com a de interpretação 'over' do protagonista não se casam. 'Os Produtores' também se equilibrou entre erros e acertos.

Sexta-feira , 12 Dezembro, 2008

MÚSICA PARA OLHOS DE RESSACA

Com 'Capitu' no ar, todos querem saber quem são os caras que cantam a canção que a todo instante embala a microssérie. O nome da banda é Beirut, e a canção é do ano passado e se chama 'Elephant Gun'. No caldeirão de misturas do grupo, há referências como as fanfarras ciganas dos Bálcãs, música folk e pop independente, e influências de nomes como Jacques Brel, The Magnetic Fields, Smiths, Kocani Orkestar e Serge Gainsbourg. O americano Zach Condon é a voz. Ele é cantor e multi-instrumentista. Deixando de lado os bla-bla-blás, a música que eles fazem é sensorial, parece percorrer o limite entre sonho e realidade, como um desses sonhos bons que nos tomam de assalto e cuja sensação permanece o dia inteiro. O som do leste europeu já está no topo do hype há algum tempo e veio mesmo para ficar.


Eis 'Elephant Gun'



Outra: 'Postcards from Italy'

Quarta-feira, 10 Dezembro, 2008

TODAS AS FACES DE BINOCHE

Neste ano que termina, a França celebrou os 25 anos de carreira de Juliette Binoche, que nesta foto amplia todo e qualquer significado que possa ter a palavra beleza. Que seus encantos são muitos nós já sabemos, mas aos 44 anos, ela resolveu inovar: está em turnê como bailarina, pela primeira vez, no espetáculo de dança contemporânea 'In-I', do coreógrafo Akram Khan. Londres e Paris já o viram. Bruxelas, Roma, Montreal, Sydney, Tóquio, Pequim, Xangai e Nova York verão. Uma retrospectiva dos filmes de Juliette e uma exposição com 64 desenhos feitos pela atriz, entre auto-retratos e retratos de diretores com quem trabalhou, estão em exposição em Paris. Ela também escreve poemas. E, parece confirmado, vem para cá ano que vem pelo Ano da França no Brasil. Lá fora, gente chata andou questionando os múltiplos talentos de Binoche. Eis o que ela tem a dizer: "Não há barreiras nas formas de arte. Devemos testar nossos limites, nos reinventar. Atores acabam sentados esperando personagens. Temos que agir, tomar a vida pelas próprias mãos. Viver é assumir riscos". A gente sabe que, com ela, não corre riscos de não gostar. E pra voltar ao cinema, quem não viu vá correndo ver 'Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada'. Uma comédia romântica estrelada por ela e Steve Carell que, mesmo apoiada em alguns clichês do gênero, consegue ser absolutamente irresistível. Desses filmes pra ver, rever e pensar que a vida às vezes podia ser mais ficção, menos realidade. Happy end.

Terça-feira, 9 Dezembro, 2008

BRINCANDO EM CIMA DA COMÉDIA

Desde que Bibi Ferreia convocou-a para uma peça e o saudoso Paulo Autran, em seguida, para outra, Adriane Galisteu não teve dúvidas de que poderia, sim, ser atriz. E de teatro.
DIVULGAÇÃO RG VOGUE
A novidade agora é que a loura cumprirá temporada no Rio, onde estréia, dia 9 de janeiro, o espetáculo 'Um Casal Aberto, Ma Non Troppo', com produção de Eduardo Barata. O palco será o Teatro dos Quatro, onde, sob direção de Otavio Muller, a loura e Leandro Hassum vivem um casal em crise. O texto é de Franca Rame e Dario Fo, mesmos autores de 'Brincando Em Cima Daquilo', peça estrelada por Débora Bloch, que por vezes soava meio datada. Vamos ver o que será desta outra comédia...

Sexta-feira , 5 Dezembro, 2008

SÓ NOSSA

Dizer que a Paula Toller é linda, está linda, é lugar-comum. Aqui, ela está no seu lugar: cantando 'Nada Por Mim' durante o show de gravação do primeiro DVD da carreira, 'Só Nosso', que acabo de ver. A noite de gravação no Teatro Casa Grande foi cansativa para o público mas, no DVD, está tudo perfeito. 'Nada Por Mim' e seu recado definitivo sobre o amor que pede zelo, com ela cantando junto do público, em clima de luau; 'Grand' Hotel' ao piano, Paula sobre ele, evocando tantas outras louras que já fizeram tal número; e uma surpreendente versão de '1800 Colinas', agora balada roqueira, como resistir ao desabafo: 'Ó Deus eu preciso encontrar meu amor/ Pra matar a saudade que quer me matar...' No embalo de tal canção, Paula dá sossego aos nossos corações. E como bem falou uma figura conhecida no meio artístico durante o show de estréia: "Como é bom ver uma cantora bonita no meio de tantas horrorosas que existem na MPB hoje em dia". E mulher, pense bem. Mulher...

Quinta-feira, 4 Dezembro, 2008

"POR QUEM VOCÊ VIRARIA GAY?"

Com licença para ser monotemático, não há atualmente no show business um cara mais simpático - gente boa mesmo - do que o Hugh Jackman. Basta dar uma olhada nesta entrevista que ele deu para divulgar seu mais recente filme, 'Deception', por aqui intitulado 'A Lista - Você Está Live Hoje?', que estréia nesta sexta. Eu vi o filme. Não, não é bom, mas não é isso que importa. Acompanhe a entrevista até o final para vê-lo falando sobre o preconceito que sofreu quando disse em casa que queria aprender a dançar, antes da fama. E, principalmente, descubra o que ele responde à habitual pergunta final do programa 'Rove', sucesso na Austrália. O apresentador provoca: "Por quem você viraria gay?" e aproveita para se insinuar, para não perder a piada, já que o ator acaba de ser eleito o homem mais sexy do mundo. Jackman não foge da raia e responde, entrando no espírito da brincadeira: "George Clooney".

Ano que vem, todos vamos voltar a vê-lo na pele de Wolverine, o herói de 'X-Men' que o lançou ao estrelato. 'X-Men Origins: Wolverine' mostrará a origem do personagem. Para quem não conhece o outro lado do ator, que já levou para casa um Tony por sua performance como o cantor e compositor gay Peter Allen em 'The Boy From Oz', vale dar uma conferida no vídeo abaixo, impagável, de sua performance na cerimônia de entrega do prêmio, em 2004. Além de cantar bem e dançar com a desenvoltura que pede o personagem, ainda sacolegou ao lado de Sarah Jessica Parker, que retirou da platéia. Tanta desinibição e o apego ao papel na época lhe trouxeram, contudo, rumores que ele e a mulher têm que combater até hoje. Recentemente, ela disse que cansou de ouvir especulações maldosas a respeito do marido. Não dá ouvidos a elas. Sem cerimônia, o ator revelou uma curiosidade sobre o passado. "Não deveria contar isso. Mas, quando era jovem, chegava na balada gay às 2 horas da manhã, quando as mulheres já estavam bêbadas", disse Jackman. "A essa hora, estavam loucas por caras heterossexuais e cercada por gays. Eu era o pior tipo de homem: o urubu. Atacava todas com meus amigos". Olha, tudo bem, ele pode até ter feito isto, mas é bom que as garotas não enxerguem nisto regra e mudem seus hábitos noturnos. Discussões tolas à parte sobre a sexualidade de Jackman, fica a expectativa para saber como é 'Australia', o épico estrelado por ele e Nicole Kidman, que já está chegando ao Brasil...

Quarta-feira, 3 Dezembro, 2008

'A FORMA DAS COISAS' A R$ 2, SÓ ATÉ DOMINGO

Quem não tem grana para desembolsar para teatro não tem do que reclamar. A peça 'A Forma das Coisas' tem sessões a R$ 2 desta sexta-feira a domingo, data de encerramento da temporada. Com dramaturgia do incensado Neil LaBute, a peça discute o limite entre a arte e a satisfação pessoal do artista. Guilherme Leme assina a direção e Pedro Neschling, a co-direção. No elenco estão Carol Portes, Pedro Osório, Karla Dalvi e Andre Cursino. Em cena, um embate de poder entre um homem e uma mulher através das personagens de Pedro e Carol. Evelyn, uma estudante de artes plásticas, e Adam, um jovem vigia de um museu, depois de um inusitado encontro, iniciam namoro que transforma completamente a vida do rapaz. No Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema.

DIVA

E já que o assunto é divas, vamos ao que Beyoncé Knowles está aprontando. Disco novo na praça, ela está com este clipe aqui, da música 'Single Ladies'. Gostei da estética do clipe, preto e branco, aposta na coreografia, econômico, eficiente. Muita coxa, muita bunda, corpo superlativo, mas sem fazer como a Mariah na linha 'touch my body'. O vídeo exala sensualidade a cada enquadramento e bebe da fonte dos 70's: mulheres, morram de inveja. No CD tem muita porcaria, é bom avisar, afinal quem suporta a lacrimosa 'If I Were a Boy', outra das canções de trabalho? Bem, o álbum é duplo e ela funciona melhor quando quer fazer o povo dançar. Dito isto, vale lembrar que a moça está negociando para viver Mulher-Maravilha no cinema. Ela diz que já se encontrou com o pessoal da DC Comics e da Warner Bros. É, uma Mulher-Maravilha negra em tempos de presidente americano negro seria perfeito. Ela vai aparecer em breve nas telas como Etta James no filme 'Cadilac Records'. Também gravou este ano o thriller 'Obsessed'. E garante que qualquer hora ainda dá as caras num espetáculo na Broadway. É, a moça trabalha.


Terça-feira, 2 Dezembro, 2008

WHILE MY GUITAR GENTLY WEEPS

O ano está acabando e é tempo de olhar para trás: 'Beatles num Céu de Diamantes' estreou em janeiro e atravessou 2008 emendando uma temporada na outra e emocionando multidões. Mérito de Charles Möeller e Claudio Botelho, claro, e muito do elenco fabuloso que empresta a voz a canções do quarteto mais amado da música de todos os tempos. Eu sei, já falei muito aqui deste espetáculo, mas se você ainda não viu, corra pra ver, está no Teatro Leblon, e lá fica até fevereiro. Esta revista musical preciosa desperta na gente um tipo de emoção rara, misto de saudade e conforto, um contentamento de estar diante de algo que lhe é caro, quase como um afago na hora certa, aquele mesmo, das horas difíceis. Basta ouvir a grande Marya Bravo cantando 'While My Guitar Gently Weeps'. A filmagem é ruim, mas dê uma chance, vale a pena.

POBRE MENINA RICA

Admito: ontem eu vi no Sony o especial sobre Britney Spears. Desde que ela despencou dos mais altos degraus da fama rumo à degradação passei a achá-la personagem que resume com perfeição o way of life americano, em que competir e ter sucesso está na frente de tudo e todos. Ora, ela era caipira, foi artista infantil, teve que carregar a família nas costas, claro que não ia segurar a onda de ter o mundo a seus pés sem se deslumbrar. Mas o documentário está aí para provar que o tempo passou. Entre uma e outra cena calculada para emocionar, há um momento legítimo, quando ela fala que andava louca, dirigindo sem rumo pelas ruas de LA - sem rumo mesmo ou rumo a clubes onde tirava a roupa ou enchia a cara - pois não queria voltar para casa e não encontrar os filhos, levados pelo pai. Britney agora está bem. Controlada. Bem controlada. O pai conseguiu o direito de segurá-la sob rédea curta. Não parece feliz. Falando, parece uma menina, boba que só ela, coitada. É engraçado ver no filme Madonna oferecendo colo à moça e dizendo que, quando chegou a Nova York, aprontou muitas, todas mesmo, errou o quanto pôde, mas não havia fotógrafos de plantão para registrar seus erros. Madonna faz questão de jogar na cara dos espectadores: nesta vida, todo mundo erra. No programa exibido pelo Sony, Britney vai conferir na Broadway o 'In The Heights'. E gosta. Ela acaba de lançar seu sexto álbum, o já elogiado 'Circus'. Sim, sabe se cercar de bons produtores e fazer música descartável para dançar (que o diga a cliclete 'Womanizer'). Das boas. Pena que ainda recorra sem pudores a playbacks constrangedores como este de hoje no programa 'Good Morning America'. E que ainda esteja, apesar de já em forma, um tanto pesada na execução das coreografias. Titia Madonna, com seus 50 contra os recém-completados 27 de Brit, faz bem melhor.

A VOLTA DE LIZA À BROADWAY

Boa notícia para os ardorosos fãs de Liza Minnelli. Ela volta à Broadway nesta quarta-feira, no Palace Theatre, com o show Liza's At The Palace'. No espetáculo, ela alternará grandes sucessos da carreira com hits de outros artistas. O retorno da diva dos musicais americanos se dá após jejum de 10 anos e, aos 62 anos, ela garante: 'Nunca estive melhor em minha vida. Sinto-me livre, feliz. Mais calma e mais focada. E entendendo como sou inteligente", disse em entrevista recente. Sim, quem a acompanha sabe que ela já passou por poucas e boas, bem ao estilo de sua mãe, Judy Garland. Durante a temporada, o público poderá comprar a versão em estúdio do show.

MUITO TRABALHO PARA O HOMEM MAIS SEXY

Que o Hugh Jackman ganhou a eleição de homem mais sexy do mundo todo mundo já está sabendo há tempos. A novidade é que fãs poderão vê-lo ao vivo na Broadway: o ator confirmou que viverá o mágico Harry Houdini num musical com canções do eterno Oingo Boingo Danny Elfman, responsável pela trilha sonora de 'Homem-Aranha 2' e 'MIB - Homens de Preto'. Para quem não sabe, Jackman já levou para casa um Tony em 2004 por sua interpretação nos palcos do compositor Peter Allen no musical 'The Boy from Oz'. No cinema, já interpretou um mágico, no filme 'O Grande Truque'. Atenção, contudo, para quem for atraído pelo nome dele nos créditos do thriller 'A Lista', que estréia nesta sexta nos cinemas e tem ainda Ewan McGregor no elenco. O filme, que começa bem e até seduz com um enredo que vasculha os bastidores de um clube de sexo da alta sociedade, da metade para o fim desanda, e termina da pior forma possível, clichê e inverossímil, com Jackman na pele de um vilão da pior espécie. Resta saber como é o épico 'Australia', que reúne os dois mais saudados filhos da Australia: Nicole Kidman e o próprio Jackman...

Segunda-feira, 1 Dezembro, 2008

EGOTRIP

Eu não sei quanto a vocês, mas este olhar do Thiago Lacerda na foto de divulgação da peça que estreou sexta-feira no Sesc Pinheiros, em São Paulo, não me animou. Nem um pouco. Tampouco as fotos em que seu corpo aparece com desenhos insinuantes. Sim, ele interpreta Calígula, sob direção de Gabriel Villela, e ambos comemoram: o primeiro, dez anos de carreira; o segundo, 50 de vida. Villela cobriu Thiago de elogios quando confrontado sobre o motivo de tê-lo no papel, galã televisivo de atributos dramáticos pouco estimulantes. Igualmente balde de água fria foi ver o Wagner Moura em momento egotrip total, numa apresentação com sua banda naquele prêmio Moda Brasil. A proposta da banda, na linha do Vexame (quem se lembra?) é executar hits do cancioneiro brega. Mas eis que Wagner, no meio daquilo tudo, mandou uma versão de Creep, do Radiohead. Pra que? Por que? Será que ele achou que alguém teria algum prazer em ouvi-lo cantando Radiohead? Isso é que dá colocar alguém nas alturas, a pessoa perde o chão, literalmente. A propósito, aos fãs (eu incluído): as vendas para o show do Radiohead começam nesta sexta, na bilheteria 1 do Maracanãzinho. Ah, e eles estão na trilha de 'Inveja dos Anjos', do Armazém. Justamente com Creep...