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| André Gomes |
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Charles Möeller e Claudio Botelho estão com a agenda lotada para este ano, mas tudo, tudo pode mudar a partir de um projeto de um musical brasileiro que, segundo Claudio me adiantou, tem que estrear este ano. O teor do projeto, ele garante, não pode revelar nem para a mãe ainda, mas dá algumas pistas: "Adianto que é um musical brasileiro, inédito, e que vai provocar filas descomunais nas portas de algum teatro do Rio, hehehe".  Tudo bem, a gente entende a necessidade de manter segredo, mas não custa especular: seria Carmen Miranda a figura central do enredo? Afinal, este ano se comemora o centenário da Pequena Notável. Bem, enquanto a revelação não surge, vamos à agenda da dupla. Dizem bye bye ao Rio os musicais Beatles num Céu de Diamantes (estréia dia 9 de março em SP), A Noviça Rebelde (dia 22, também em SP), e 7, O Musical (dia 15 de abril, também por lá). O Rio, se o projeto secreto não atrapalhar, deverá ver a estréia de 'Avenida Q' dia 5 de março no Clara Nunes, com Sabrina Korgutt no elenco. A data, a confirmar, de 'Despertar da Primavera', é 10 de agosto, no Carlos Gomes. O aguardado 'Gispy', com Totia Meirelles no papel que na Broadway é de Patti LuPone (que deve vir ao Brasil, para shows) tem apenas local confirmado: o Teatro Casa Grande.
Personagem por aqui interpretada recentemente por Christine Fernandes e Virgínia Cavendish, Hedda Gabler agora é de Mary-Louise Parker, no American Airlines Theater, em Nova York. A interpretação da atriz para a mulher sufocada pelos princípios de uma sociedade repressora e patriarcal no fim do século 19 está dividindo opiniões, bem como a montagem, que um crítico chegou a remeter ao filme baseado no romance de apelo teen 'Crepúsculo'. Bem, a boa notícia é que a trilha é de P J Harvey. A personagem de Ibsen - uma mulher à frente de seu tempo, com medo de ir atrás dos próprios desejos - continua a seduzir atrizes e diretores, mais de um século depois de sua criação. Não por acaso: é realmente fascinante.

O simpático projeto Cenas de um Ator chega à segunda temporada, no Centro Cultural Solar de Botafogo. Nele, veteranos do teatro, cinema e TV são entrevistados por atores da nova geração. O próximo encontro rola dia 2 de fevereiro, quando Mauro Mendonça fala sobre sua carreira a Emanuelle Araújo, que foi sua companheira de elenco em 'A Favorita'. Ela volta a entrevistar um medalhão no dia 9 de março, quando Francisco Cuoco fala de sua trajetória. Tonia Carrero é a convidada do dia 30 de março, com Leona Cavalli fazendo as vezes de entrevistadora. Para mais informações, basta ligar para o 2543-5411.
Eu não sei quanto a vocês, mas durante a posse de Barack Obama eu só conseguia pensar no que leva um homem a querer se tornar presidente dos Estados Unidos. Para ele, na atual conjuntura mundial, é, antes de tudo, um ato de coragem. O mundo inteiro assistiu à posse feliz por poder estar feliz e por acreditar que, a partir de agora, o grande chefe 'mundial' será alguém que sabe ouvir e não tem todas as respostas. Mas, sim, espera-se, procurará as melhores soluções, e pacíficas.
 Que Obama é pop, todo mundo sabe, mas seu carisma começa a atravessar fronteiras, rendendo frutos na área artística. Teddy Hayes, diretor teatral britânico, vai montar um musical intitulado 'Obama On My Mind' (Obama na Minha Mente), que estreará em março em Londres. No palco, uma mistura de rock, pop, gospel e jazz servirá para ilustrar, com humor, os bastidores de uma campanha do atual presidente dos Estados Unidos. Por enquanto, é apenas uma idéia pequena num teatro de pouca visilibidade. Mas imagina só se a moda pega e vai parar na Broadway...
O pessoal da peça-manifesto 'Os Ruivos - Uma história de excluídos na sociedade' está de casa nova. O Teatro Miguel Falabella, no Norte Shopping, abriga o espetáculo de humor até 1º de março, sempre às sextas e sábados, às 21h30h, e domingos, às 20h30. A peça dá voz aos nossos amigos de cabelos avermelhados que, cansados de sofrer com apelidos maldosos desde a mais tenra idade, resolveram colocar a boca no mundo. Entre outras reivindicações, está o pedido de criação de um protetor solar maior que 60 e direito a meia-entrada em dermatologistas. As divertidas fotos de divulgação dão idéia do que é o espetáculo.
Quando o Teatro Poeira inaugurou, em agosto de 2007, estive lá para entrevistar as donas da casa. Foi deste encontro que saiu a foto que ilustra este post, com Marieta Severo. De lá para cá, ela e a sócia, Andréa Beltrão, estrelaram duas peças no local - a segunda, 'As Centenárias', continua em cartaz, sucesso absoluto. Para os fãs, a boa notícia é que Marieta é a próxima convidada da série 'Depoimentos para Posteridade', do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro. O projeto promove encontros com grandes nomes da cena artística brasileira, que são entrevistados e passam a integrar acervo de mais de 900 depoimentos gravados no museu. As entrevistadoras da vez são Andréa Beltrão e a cineasta e presidente da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Carla Camuratti. Para quem ficou interessado em assistir a entrevista, vamos ao serviço. Sede do MIS da Praça XV: 22 de janeiro, nesta quinta-feira, às 13h30. Grátis. Informações: 2299-2816/ 2332-9520 (ramal 207).
Por essa ninguém esperava: a grande revelação de 'Maysa' não foi a protagonista, mas Matheus Solano, que vem conquistando o público como o sedutor Ronado Bôscoli. Sim, personagem cafajeste e, por isso mesmo, tão amado por tantas mulheres.
 A minissérie termina amanhã, mas não há motivos para que as telespectadoras sintam saudade. O ator está em cartaz com a peça '2 p/viagem', em que divide cena com Miguel Thiré em texto escrito por ambos ao lado de Jô Bilac. Nesta comédia, eles dão vida a 16 personagens para recriar uma série de acontecimentos em cadeia que culminam sempre em um incidente ocorrido numa Praça da Urca. A idéia é suscitar o debate: será que certas coisas têm mesmo que acontecer ou nós podemos evitar? Vamos ao serviço: Teatro Candido Mendes. Rua Joana Angélica 63, Ipanema (2267-7295). Até 18 de fevereiro. Terças e quartas, às 21h. R$ 30.
Quando 'Mademoiselle Chanel' finalmente estreou no Rio, em 2006, depois de ficar um ano e meio em São Paulo, não tive dúvidas em afirmar, no fim da crítica, que para Marília Pêra, ser chamada de diva é elogio econômico. Passados mais de dois anos, ela voltou aos palcos cariocas, inaugurando o Teatro do Fashion Mall, cercada de glórias, como prevê o título da peça em questão, 'Gloriosa'. A atriz fez uma sessão somente para convidados na segunda-feira, reunindo, na platéia, prefeito e governador do Rio e a classe teatral em peso. Todos seduzidos por sua incrível presença cênica, agora, e felizmente, a serviço do humor: sua composição para Florence Jenkins - a cantora lírica que desafinava e mesmo assim arrastava multidões a seus recitais -, é perfeita, seja na fala ligeiramente atrapalhada ou na forma de andar desengonçada. São hilariantes as cenas de confronto entre a cantora e sua empregada mexicana (Guida Vianna). Os números musicais, fabulosos, nem fazem mal aos ouvidos: Marília canta errado, propositalmente, e de forma irresistível, num tour de force bem trabalhoso - afinal, o resultado podia ser apenas caricato. Não é. Entre os acertos nos erros das canções, sobressaem principalmente 'Mein Herr Marquis' (Ária da Risada de Adele) e 'A Rainha da Noite' (da ópera A Flauta Mágica, de Mozart). E no fim, quando Florence retorna à cena para, enfim, presentear o público com o que seria sua voz correta, a emoção é garantida pela impactante interpretação de Marília na Ave Maria, de Bach/Gounod. No meio de tantas piadas certeiras - nem por isso reprováveis - do adorável texto do inglês Peter Quilter, há espaço para momentos delicados, seja na relação de Florence com o pianista vivido por Eduardo Galvão, seja na desconfiança de que, talvez, seja mesmo um despropósito cantar, como tantos detratores afirmavam. A direção de Charles Möeller e Claudio Botelho é redonda, sem firulas, cenários e figurinos, vistosos, e o resultado final, leve e encantador. Sexta-feira, no 'Guia Show & Lazer', falo mais. Até lá.

Chega de reclamar que não tem festa com música para dançar. Sábado, o Lounge 69 provou que é grande a fome de pista de dança dos notívagos cariocas: ficou lotado, do início ao fim, na primeira edição da festa I love pop. Foi um acontecimento, 'one night to remember', com corpos em movimento ao som de pura música pop, purinha, da boa. Sob o comando da galera do site GEMA TV, o agito por lá vai ser mensal e a proposta é que role sem preconceito: tem 70's, 80's, bandinhas do momento, hits atuais, 90's e até improváveis sucessos do axé - claro, um ou dois, pra dar aquele clima de não se sabe o que vem por aí. Até 'Tieta', aquela mesma, com Luiz Caldas, rolou na pistinha. Muita gente montada, mas pouco carão, o clima foi mesmo de jogação, com refrões cantados em coro e até chuva de papel picado. Confessions on a dance floor.
María Pêra estréia nesta sexta-feira o musical 'Gloriosa', em que encarna a mais desafinada das cantoras líricas americanas. O trabalho inaugura o Teatro Fashion Mall. Nesta entrevista, Marília fala sobre ele e muito mais. A estréia para convidados é na segunda. Até lá. Trabalhar com Möeller e Botelho foi idéia sua ou deles? Como surgiu a idéia e o que você diria do processo de trabalho de cada um? "Quando o Claudio e o Charles me convidaram para a peça, eu li e fui vendo as árias de ópera que eu precisaria cantar. Há muito tempo queria aprender com esses dois excelentes diretores. Eu acho que o encontro com o Charles e o Claudio era inevitável. Eu fiquei muito surpreendida com os dois. Claro que já tinha ouvido falar e tinha visto muitos espetáculos deles. Mas mesmo assim, eu não tinha ainda vivenciado a competência deles durante o processo dos ensaios. Além de muito talentosos, são muito delicados, objetivos, eles não tomam o tempo da equipe ou dos atores, vão direto ao ponto, sabem o que eles querem. Nunca vi, durante todo esse processo de ensaios, uma palavra gritada dos diretores. Por um lado é muito mais fácil trabalhar com duas pessoas tão talentosas. Mas também é mais difícil porque eu me exijo mais, fico achando que eles merecem meu melhor. Eu estudava muito pra chegar ao ensaio sabendo o que eu ia fazer, o que eu ia cantar, pelo menos tentando saber, porque tinha muita vontade de agradá-los, sinto o quanto eles gostam de mim, dos outros dois atores, Guida Vianna e Eduardo Galvão, como são gentis com a equipe e como sabem e conhecem a linguagem musical no palco do teatro. Então o nível de exigência é muito maior, porque não posso desapontá-los. Nem quero." 
Após o estrondoso sucesso de 'Chanel', o que a atraiu na figura de Florence Jenkins? "Eu decidi participar de 'Gloriosa' porque é um texto sobre uma mulher que existiu e que foi extraordinária: Florence Foster Jenkins. Outra cantora que me convidaram para interpretar. Mas essa, uma cantora completamente diferente de Carmen Miranda, Dalva de Oliveira ou Maria Callas, porque Florence cantava na forma errada, desrespeitando partituras, música e ritmo, e que, mesmo assim fez muito sucesso. Uma mulher que cantou muitas árias de ópera, que se expunha ao ridículo, sem ter idéia (só Deus sabe se isso é verdade) de que estava se expondo a tal ridículo. Uma mulher muito interessante, brilhante, apesar de seu extraordinário desajuste." O fato de ela não ser conhecida no Brasil intimidou-a? "É um texto que já fez muito sucesso em outros países, e que agora começa seu caminho no Brasil." Para você, qual a essência da alma desta mulher que desafiou as leis de seu tempo, lançando-se ao estrelato mesmo sem talento algum? O que ela queria, na verdade? "O Claudio e o Charles fizeram uma pesquisa muito boa sobre a vida de Florence. A gente fica sabendo que ela chegou a tocar piano muito bem, que chegou a cantar bem. Depois ela teve problemas de saúde, passou por um tratamento com mercúrio, ela perdeu os cabelos, ela perdeu também a sensibilidade auditiva, por isso ela não afinaria. Eu fico brincando com essa deficiência auditiva e vocal. Acho que há momentos muito engraçados. Mas sempre no final, na última parte, eu fico muito emocionada. De ver como ela vai entrando por um caminho, ela desconfia que desafina, que não tem ritmo, mas ela não tem certeza. Ela vai, vai, até chegar ao Carneguie Hall, quando uma crítica violenta acaba com ela, aí ela enfarta e morre em seguida. O conhecimento desse fato me deixa muito emocionada. Tenho pena principalmente porque ela não viveu o bastante para saber como a persistência e a paixão, de alguma forma, fizeram dela um grande sucesso mundial.Quando tenho a oportunidade de interpretar alguém que realmente viveu, acredito que o mistério da vida se torna menos impossível de ser decifrado. Quimeras... Além de Carmen, Dalva e Maria, Chanel, Sara e agora Florence levaram minha alma para outros lugares que eu não conhecia antes de me entregar a elas." Desaprender a cantar foi mais complicado que aprender? "Eu me considero uma cantora mediana. Mas nos outros musicais dos quais participei, a minha tentativa era de cantar direito. E agora o que os diretores exigem de mim é que eu cante mal, que eu cante bem mal. Esse é um bom diferencial. Um musical em que a atriz principal tem como obrigação cantar bem mal". Assim como Florence, há na TV e por conta dela, no teatro, dezenas de pessoas sem talento, em busca de fama e algum reconhecimento. Naturalmente, você já passou por elas. É muito aborrecido trabalhar ao lado de tais pessoas? Seria um desrespeito à profissão se proliferarem tantos 'artistas' deste nível nos últimos tempos? "Eu acho sempre difícil o ofício de interpretar, no drama ou na comédia. A minha profissão é uma profissão que exige paixão. É um pouco matemático, um pouco instintivo, e demanda muita abnegação. Você tem que saber somar, diminuir, multiplicar, dividir, repartir, ouvir, trocar, se deixar levar, entregar a Deus." 
Onde sua admirável verve cômica se faz presente em Florence? "O humor às vezes é mais matemático, como a música. A pausa é sempre fundamental, no drama ou na comédia. A pausa, a aceleração, o forte, são um pouco uma partitura. Talvez o drama seja uma partitura com efeitos aparentes mais delicados, mais lentos. Na comédia a coisa fica mais saltitante, mais alegre. Eu sempre penso em termos de partitura musical tanto no drama quanto na comédia. 'Gloriosa' é uma comédia musical hilariante, que conta o drama da vida de Florence Foster Jenkins, cantora que assassinava tragicamente todo o repertório lírico que ela tinha o desplante de cantar. Em 'Gloriosa', que canções lhe deram mais trabalho? " Eles queriam que eu cantasse as cinco árias de ópera de forma completamente desafinada e, no final do espetáculo, a 'Ave Maria de Gounod' direito, pelo menos o melhor que eu pudesse. Era o mês de setembro. Eu estava em São Paulo ainda acabando de dirigir 'Irma Vap' e dando uma olhadinha em 'Doce Deleite'. Procurei então o professor de canto Caio Ferraz, que mora em São Paulo, para começar a aprender as árias. Além de professor de canto, Caio também é cantor. Esteve comigo em 'Master Class', interpretando o pianista. Comecei os estudos com Caio e depois fiz várias aulas com Mirna Rubim, que é grande cantora e professora. Eu sempre estou fazendo aulas de canto e dança. Aqui no Rio trabalhei com Marcelo Rodolfo, que é ótimo professor de canto, mas não trabalha o canto lírico. Marcelo é mais mestre no canto popular, e eu precisava puxar a minha voz de novo para algo mais lírico, mais agudo, porque nossa adorada Florence era 'soprano collorattura'. Aqui no Rio, durante os ensaios, a Ester Elias (que foi discípula do Marcony, excelente professor de canto com quem também já tive o prazer de trabalhar) me deu algumas dicas fundamentais. Ester é substituta de Kiara Sasso no musical 'Noviça Rebelde', outra direção de Charles e Claudio. Ela é grande cantora e durante os ensaios me ajudou bastante a cantar o melhor que eu pudesse a 'Ave Maria de Gounod'. O texto é gostoso de dizer, porque é engraçado e romântico, cheio de tons harmônicos e dissonantes. Precisei aprender as músicas de maneira correta e depois desacertá-las. É um trabalho bem difícil de fazer, embora prazeroso. Ano passado, você roubou a cena em papel que não era principal. Acha que a TV brasileira está mais generosa com atores mais maduros, como acontece em 'A Favorita'? Ou é apenas um ciclo? "É diferente fazer comédia na TV e nos palcos. É diferente porque no palco você tem ou não tem a resposta imediata do público. Muitas vezes o público te diz 'Olha, aqui você não tinha percebido que isto que você estava dizendo é muito engraçado!' O público ri em um momento que você não imaginava que fosse divertido, o público te mostra isso, te mostra imediatamente.Na TV ou no cinema, até por causa da repetição, você não tem essa informação, você não conta com essa informação do público. Eu gosto de interpretar na TV ou no cinema, para a equipe técnica, para o diretor. Os diretores em geral, quando são bons diretores , são bons termômetros também, para dizer para o ator se ele está num bom caminho, 'Aqui foi engraçado, aqui me senti emocionado!' Na TV e no cinema eu tento perceber que tipo de sentimento aquilo que estou fazendo provoca nas pessoas que estão assistindo: os contra-regras, os câmeras, os diretores, em toda a equipe técnica. Sempre que um ator no cinema ou na TV está imbuído do seu personagem, está concentrado no que está fazendo, há alguma resposta de sensibilidade dos que estão em volta: o público com o qual a gente conta nesses momentos." Que hábito você tem antes de entrar em cena que costuma preservar. Marília, você se sente gloriosa? "Recebi, há meses, uma carta de uma fã que me recomendava um livro de um escritor brasileiro chamado Hermógenes, um professor, um mestre de ioga. Nessa carta ela me recomendou que eu comprasse um livro chamado Ioga Para Nervosos. Eu comprei e ele se transformou no meu livro de cabeceira. Eu recomendo esse livro e fico muito grata a essa fã que me escreveu essa carta. É tocante como fãs podem ser assim tão generosos. Estou aprendendo a meditar. Adquiri o hábito de, ao acordar, ficar quieta durante 20 minutos em posição de lótus ou sentada, repetindo o 'não movimento', o 'não pensamento' antes de dormir. A vida é bela e difícil, e é preciso exercitar a paciência, a tolerância, o hábito de ouvir o outro, de ouvir o seu próprio coração, o hábito de acalmar o sistema nervoso. Isso não quer dizer que eu esteja equilibrada, mas agora tenho a esperança de daqui a muitos anos chegar lá. Entrar em cena é uma grande exposição. É preciso ser confiante, despudorada e meio alienada. Como Florence. Estou tentando. Sempre estou tentando chegar aonde meus personagens chegaram."
É lembrança recorrente aqui na redação a célebre cena em que Claudio Cavalcanti, na pele de um professor universitário apaixonado por fazer sexo com frutas, come uma melancia, no filme 'Contos Eróticos'. Como se trata de uma cena forte, não ouso disponibilizá-la aqui, mas é fácil encontrá-la no youtube. Pois é, Claudio andou meio sumido mas resolveu ressurgir, e no teatro. O ator protagoniza, ao lado de Natália Lage, 'Quando se é Alguém', texto de Pirandello que estréia dia 13 no Teatro do Leblon. Este texto nunca havia sido montado no Brasil e estreou na Itália em 1933. A galera dos Fudidos Privilegiados também está no elenco. A peça é uma confissão íntima de um homem dividido entre o desejo erótico por uma jovem mulher e a sublimação desta pulsão em um casto amor paterno: assombrado pelo fantasma do incesto, o escritor sem nome acaba por rejeitar a jovem ninfeta Veroccia, matando Delago, imagem por ele inventada para ascender a uma nova vida, sempre ao lado da amada. Ela, jovem de 20 anos, ruiva, temperamental, a 'encarnação da juventude', fica inconformada pelo poeta sem nome declarar Delago uma mentira, e acusa o escritor de covardia. Direção e tradução são de Martha Ribeiro.
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