Estive ontem no seminário 'Literatura e televisão: do folhetim à novela' na Academia Brasileira de Letras, de onde assisti Beatriz Segall questionar a qualidade dos autores brasileiros. Em seu discurso a atriz condenou o excesso de violência e imoralidade nos folhetins, alfinetando sua própria emissora (Record), que exibe atualmente 'Vidas Opostas'.
"Hoje em dia não temos bons autores. Temos o Gilberto Braga, por exemplo, que tem cenas com começo, meio e fim, embora sua trama esteja mais ou menos", disse a veterana, referindo-se à novela 'Paraíso Tropical'. Sobrou bronca até para Janete Clair, considerada um ícone da teledramaturgia brasileira. "Na época, eu ficava revoltada da forma primária que ela escrevia. Hoje reconheço que ela é um gênio pois conseguia convencer o público de suas loucuras".
Concordo com Beatriz Segall que hoje a telenovela se tornou um trabalho com fins comerciais, o que tem gerado a queda de qualidade na busca pela audiência. Ignorar no entanto nomes como Manoel Carlos, Benedito Ruy Barbosa e Agnaldo Silva me soa como arrogância.