
A microssérie 'A Pedra do Reino' foi discutida ontem em um seminário na PUC-Rio com a participação de Luiz Fernando Carvalho. A produção, baseada no livro de Ariano Suassuna, foi filmada no sertão da Paraíba e faz parte do projeto Quadrante, que nasceu do desejo do diretor de reencontrar o país, através da adaptação de obras literárias.
Num momento em que se discute muito a questão da qualidade da TV, Luiz Fernando afirmou que "o veículo é desperdiçado". "Poderia propor muitas outras coisas para oferecer à população um novo tipo de educação. Não acredito em Ibope e sim em comunicação. A dificuldade de produção é grande, pois se luta contra um modelo", criticou.
Conhecido por seu talento em adaptar obras para a TV ('Hoje é Dia de Maria') e para o cinema ('Lavoura Arcaica'), o diretor vai levar para a telinha toda a riqueza do universo literário de Suassuna, que completa 80 anos este ano. "A Pedra do Reino não é um romance. Não há par romântico, mas engana-se quem diz que faço apologia ao folclore e ao regionalismo. Simplesmente busco a cultura em sua fonte".
Na terça-feira, foi a vez do próprio escritor dar seu testemunho sobre a adaptacão. "Desde já posso dizer que será um trabalho exitoso. Se terá sucesso eu já não sei, pois trata-se de uma obra pesada e densa". Ao comparar com seu livro mais popular, 'O Auto da Compadecida', levado às telas por Guel Arraes, o escritor disse."O Auto foi um sucesso pela qualidade das histórias nas quais ele foi baseado. Não esperem encontrar os mesmos elementos".
Colaborou: Raphael Azevedo