Recebi ontem o material de imprensa de 'Negócio da China' com um pingue-pongue do autor Miguel Falabella. Resolvi republicar aqui no blog. A novela substitui 'Ciranda de Pedra' na faixa das 18h a partir de 06 de outubro.
O que o inspirou a escrever 'Negócio da China'?
Miguel Falabella: Estava em Lisboa e pude observar as comunidades lusófonas que estavam na cidade. Depois, assisti num programa de TV a uma discussão sobre garantir às crianças geradas por inseminação artificial o direito de saber quem são seus verdadeiros pais e esse assunto, com o qual concordo, ficou guardado na minha cabeça. Como sou muito preocupado com o intercâmbio cultural, por meio da língua, entre Brasil e Portugal, pensei em juntar esses dois universos numa única história. Além disso, eu também incluí a discussão sobre as relações emocionais entre as pessoas que, apesar de envolver amor, são tortuosas.
Por que decidiu trazer atores portugueses para a trama?
Miguel Falabella: Além de dar mais autenticidade à novela, penso que devemos ter um intercâmbio maior com Portugal. Precisamos trabalhar lá e cá, porque enriquecerá todo mundo. Eu adoro a nossa língua, que é bonita e forte.
O que o público pode esperar da novela?
Miguel Falabella: Estou escrevendo uma novela ágil, leve e colorida, com muita ação e romance. Não será tão irreverente quanto seria se fosse para a faixa das 19h. Estou mesclando aventura e amor. O público das seis é bastante variado e haverá tramas para o gosto de todo mundo. O importante é ter uma boa história.
Como será a trama que envolve o casal romântico Heitor (Fabio Assunção) e Lívia (Grazi Massafera)?
Miguel Falabella: A trama vai falar sobre relacionamentos complicados que, na maioria das vezes, envolvem muito amor. Há pessoas que seriam mais felizes se vivessem separadas, mas não conseguem. Heitor é um homem extremamente apaixonado e que sabe que quer viver ao lado de Lívia. Mas é um menino que ainda não se tornou homem por conta da relação com a mãe. A trajetória de Heitor se transforma a partir da presença de Lívia, que é uma mulher batalhadora. É uma personagem muito positiva, disposta a retomar sua vida logo que chega de Portugal e que vai tentar viver novamente com o pai de seu filho.
E sobre a relação entre mocinhos e vilões, o que ela terá de especial?
Miguel Falabella: Todos serão vilões e todos serão heróis. Ninguém é apenas vilão ou apenas herói. É claro que, assim como nós, os personagens preferem ser bons. Mas, em algum momento da vida, todo mundo acaba sendo "mal" para alguém; e nas relações íntimas, as pessoas assumem esses papéis. Se pensarmos nas mães de Heitor e Lívia, Luli Maria (Eliana Rocha) e Suzete (Yoná Magalhães), respectivamente, percebemos que elas são vilãs para seus filhos. Ambas são contra este amor e infernizam a vida do casal. Paradoxalmente, os filhos também são vilões para essas duas mulheres, que se tornaram mães frustradas. Elas tiveram que aceitar uma gravidez não planejada e precisam aprender a engolir a escolha dos filhos. Há sempre os dois lados da moeda.
As equipes de produção contam que você orienta a composição dos personagens de forma certeira.
De onde vem esta característica?
Miguel Falabella: Isso vem de uma sólida formação teatral. O teatro certamente me ofereceu isso, pois exige que o ator tenha um universo pronto antes mesmo de entrar em cena. É preciso conceituar muito bem para que todos consigam falar a mesma língua. Eu tenho uma estética muito bem definida na cabeça e sei exatamente o que quero e para onde estou indo.