Membro do Comad (Conselho Municipal Anti Drogas do Rio de Janeiro), fundador e conselheiro do IBDC - Instituto Brasileiro de Direito e Criminologia, doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino de Buenos Aires, delegado de Polícia Federal de Classe Especial, responsável pela prisão do publicitário Duda Mendonça na rinha de galo em 2004. Rayol dirigiu por anos a Delegacia de Entorpecentes da PF.
Procurador de Justiça, ex-secretário de Administração Penitenciária, ex-coordenador de Inteligência do Ministério Público estadual do Rio de Janeiro, responsável pela investigação da Propina S.A, entre outras.
professor universitário, dirige a Escola de Turismo e Hotelaria da UniverCidade,há 15 anos.Tem estudado ,nos últimos 18 anos,o impacto da segurança na atividade turistica.Implantou no Rio o primeiro Programa de capacitação para as forças de segurança turistica do Estado do Rio.Preside o Instituto de Pesquisas e Estudos do Turismo,que tem um Nucleo de Segurança Turistica,que faz um estudo comparado dos diversos sistemas no Brasil e no exterior.Sua tese de doutorado em Direito da Cidade versa sobre Um sistema de segurança Turistica para o Rio.
Jornalista e escritor, ex-TV Globo, atualmente na área de entretenimento do SBT, é autor dos livros Comando Vermelho - A História Secreta do Crime Organizado e CV-PCC-- A irmandade do crime, ambos pela Editora Record.
carioca, coronel da reserva, comandou a Tropa de Elite do Exército Brasileiro, o Batalhão de Forças Especiais. Sua última missão no serviço ativo foi o comando do Batalhão Brasileiro de Força de Paz, no Haiti, sendo responsável pela pacificação de Cité Soleil, até então, a região de maior risco (segurança pública) sob controle da ONU. Na área da Segurança Pública, foi o Chefe de Planejamento do Comando Militar do Leste. Para se comunicar com ele, escreva para kidbleu@gmail.com
tenente-coronel reformado da PMERJ, bacharel em Ciências Administrativas, torcedor do Flamengo, escritor com oito livros publicados (vide site: www.emirlarangeira.com.br)
Policial Civil no Rio de Janeiro, atuando há 22 anos no combate ao crime organizado, pesquisador e especialista em segurança pela Fundação Getulio Vargas.
Advogado, torcedor do Vasco da Gama, presidente da , membro efetivo e Vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Copacabana e Leme – AISP19, tem formação no Curso de Capacitação para Lideranças Comunitárias e Integrantes dos Conselhos Comunitários de Segurança ministrado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). É um apaixonado pelo bairro de Copacabana, onde nasceu e foi criado, e também pela cidade do Rio de Janeiro. Acredita que toda mudança na qualidade de vida do cidadão passa necessariamente por uma maior participação da sociedade civil organizada, inclusive na questão da segurança pública.
cientista político (UFF), juiz de direito do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, integrante da
João Tancredo, advogado, presidente do Instituto de Defensores de Direitos Humanos, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ
Rapper e Mc, torcedor do Flamengo, formado no Curso de Liderança Comunitária Uerj e engajado na Cultura HipHop, sendo hoje vocalista da Banda Stereo Maracanã. Ativista da (ONG Posse Reagir Cidadânia e HipHop), consultor de Cinema ("Tropa de Elite") e Documentários (Rebeldes da Noite no Rio- Alemanha) que tenham como tema e pano de fundo as Favelas. Espera que esseTrabalho venha fomentar novás idéias, e discutir questões relevantes para todos. Pode ser contactado pelo email jovemcerebral@gmail.com
Julio Ludemir nasceu no Rio de Janeiro em 1960, mas foi criado em Olinda, Pernambuco. Tem cinco livros publicados - No Coração do Comando, Sorria, Você Está na Rocinha, Lembrancinha do Adeus, O Bandido da Chacrete e Mais um Pai. Tem a alegria de ser rubro-negro e a capacidade de fazer filhos lindos, de que Juliana e Pablo são provas incontestáveis. Adoraria escrever sobre paz, amor e sexo selvagem, mas a violência do Rio de Janeiro não permite.
delegado de policia civil de 1ª classe, mestre em ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes, doutorando em Ciências Políticas na Universidade Federal Fluminense, autor do livro "Acionistas do nada: quem são os traficantes de drogas", da Editora Revan.
ex-promotor de Justiça Terapêutica, atualmente procurador de Justiça no TJ.
Tenente-coronel da PM, ex-comandante do Bope, autor do livro "A Verdade da Tropa", trabalhou como assessor especial da Subsecretaria Operacional de Segurança Pública durante as operações na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão em 2007.
Coronel reformado da PM, trabalhou como assessor especial da subsecretaria operacional durante a gestão do general Nilton Cerqueira, no governo Marcello Alencar
Capitão da reserva do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Conclui tese na Universidade Federal Fluminense chamada A Glória Prometida. O Curso de Operações Especiais - Rito de Passagem dos 'caveiras'. Atualmente é secretário de Segurança Pública de São Gonçalo. Treinou os atores do filme Tropa de Elite, de José Padilha.
Defensor público, ex-presidente da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro
Jornalista e Consultor de Políticas Públicas, ex-diretor de Fiscalização da COMLURB, Superintendente de Projetos Especiais da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Turismo, Diretor Geral de Apoio Operacional do DETRAN-RJ. Em 1984, passou três meses na Nicarágua como correspondente de guerra na fronteira com Honduras. Em 1995, atuou como consultor/observador na equipe GGAB (Grupo do Gabinete) da
Polícia Civil em ações nas favelas do Rio. Mantinha o blog Falando a verdade mas tirou do ar após receber ameaças de morte de traficantes conhecidos como Bonde do Coelho.
Capitão reformado do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), roteirista do filme Tropa de Elite, co-roteirista do filme Ônibus 174.
Delegado de Polícia Civil, já chefiou a Divisão Anti-Sequestro, e a Divisão de Repressão aos Roubos e Furtos de Veículos, além de ter sido assessor especial da instituição. Na Secretaria da Segurança Pública foi diretor da Divisão de Operações e Analista do Centro de Inteligência (CISP) e diretor-geral de inspeção e correição; foi presidente (e hoje é secretário-geral) do Sindicato dos Delegados e colaborador da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). É pós-graduado em Políticas Públicas de Segurança e Justiça Criminal pela Universidade Federal Fluminense e integra o corpo docente do Curso de Especialização em Segurança Pública, Cultura e Cidadania da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Coordenador da organização RIO CONTRA O CRIME e do DISQUE-DENÚNCIA (2253-1177)
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Por Gustavo de Almeida
Um contato da PM me diz que houve grande estresse entre o Quartel-General da PM e o comando do 3ºBPM (Méier). O motivo seria um só: a Inteligência informou, na véspera, ao batalhão, que o tráfico da Mangueira poderia criar problemas. Não deu outra, no fim de semana houve a guerra que terminou com quatro mortos encontrados na tarde de domingo. A Polícia Militar, efetivamente, trabalhou no evento. Mas havia proximidade por demais perigosa entre os milicianos a serviço - "milicianos" é um termo que se usa para PMs - e os "milicianos", ou seja, integrantes da milícia que ocupa o Morro do 18 desde antes do Carnaval. Não se trata aqui de sequer insinuar que o 3ºBPM (Méier) teria relação com a milícia do Morro do 18. Mas se trata de afirmar: a Inteligência da PM trabalhou muitíssimo bem, municiando com informação. Em algum momento houve erro e essa informação não foi utilizada. A conferir. Abaixo, a foto obtida durante o Carnaval pelo repórter fotógrafico Ernesto Carriço, de O DIA:
Por Júlio Ludemir, escritor, autor de "Sorria, você está na Rocinha" (entre outros)
A maneira mais honesta de começar este post é revelando que trabalho na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu. Foi por causa dessa condição que estive, na noite do último sábado, em um jantar oferecido pela comunidade da Cerâmica, palco da chacina que hoje completa três anos, para os participantes do Fórum Mundial de Educação. Mas estou sendo igualmente honesto ao revelar que aquele evento me mobilizou. Impossível ignorá-lo. 
A mesa posta na Travessa BR3, como disse o também funcionário da SEMCTUR Écio Salles, parecia uma reedição do filme Festa de Babette. O mesmo Écio Salles, que foi um dos coordenadores do grupo Afro-Reggae, comparou-o a dois episódios que entraram para a história do movimento social carioca: a encenação de uma peça na fronteira entre Vigário Geral e Parada de Lucas e a noite inaugural do projeto Conexões Urbanas no Complexo do Alemão. Os visitantes foram recebidos com rosas vermelhas e a emocionante história de algumas moradoras da travessa, registrada em um documentário produzido pela ong Reperiferia a partir da relação delas com seus álbuns de fotografias. Marcaram presença no banquete artistas da intrigante cena cultural da Baixada Fluminense, pedagogos do mundo inteiro e funcionarios de peso do governo federal, dentre os quais destaco o visionario coordenador de politicas digitais do Ministerio da Cultura, Claudio Prado. Não seria de todo estúpido comparar a Cerâmica a Columbine, a escola que entrou para a história depois que os adolescentes Eric Harris e Dylan Klebold abriram fogo contra os colegas. A Cerâmica não lida com a violência do mesmo modo que o Complexo do Alemão, para citar apenas o conjunto de favelas mais badalado do momento. A tragédia de 31 de março de 2005 é um evento do qual querem se esquecer, catalogado na condição de destino. Principalmente depois das ações do governo Lindberg, não existe a menor chance de aquela tsunami de mortes se repetir. Havia uma espécie de constrangimento dos moradores, que ouso comparar ao de uma viúva que troca o vestido negro por uma roupa colorida. A festa de agora teve um caráter diferente dos atos que marcaram a data em anos anteriores, nao a toa promovidos por grupos religiosos. Nos outros eventos, mais do que lembrar a chacina para que ela não se repetisse e se exigir a punição dos culpados, a comunidade estava processando o luto. No último sábado, houve todo cuidado para não abrir feridas curadas com muito custo. Apesar da sensação de insegurança, está na hora de a Cerâmica voltar para a vida. E isso tem que ser celebrado com uma festa.
Por Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana Um dos problemas que mais incomodam os moradores e turistas que visitam a nossa cidade são, sem dúvida nenhuma, os crimes cometidos por menores. Basta ler os jornais diariamente para ver que quase todo dia tem um turista sendo vitimado. Isso sem falar nos moradores que acabam não ganhando as páginas dos jornais tornando-se um fato, lamentavelmente, comum. Aliás, uma correção importante! Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), menor não comete crime. Menor comete ato infracional! O difícil é explicar essa diferença para as vítimas. Para estas, crime é crime. O resto soa como mera terminologia técnica. A condição de vítima é a mesma, e pouco importa para vítima se foi cometido um crime ou um ato infracional! O dano causado é o mesmo! 
O que o cidadão comum não imagina, mas acaba verificando na prática, é que essa terminologia vai culminar, muitas das vezes, numa verdadeira impunidade. Nesse aspecto, o ECA tem sido de grande valia para a criminalidade, pois viu nos menores um filão a ser explorado, devido a impunidade que se tem gerado. Exemplo típico dessa impunidade foi o assassinato ocorrido em novembro de 2006 da Ana Cristina Giannini Johannpeter, ex-mulher de Germano Johannpeter, irmão do empresário Jorge Gerdau, que morreu depois de ser baleada na cabeça em uma tentativa de assalto. O crime aconteceu na esquina das Ruas Afrânio de Mello Franco e General San Martin, no Leblon, Zona Sul do Rio. O criminoso, quer dizer, o menor infrator, tinha 17 anos na época. Com essa idade, a lei assegura a ele o direito de poder votar nas eleições, ajudando a escolher o destino de nossa cidade, do Estado e até do País! No entanto, outra lei (ECA) acaba por garantir que esse mesmo criminoso, isto é, menor infrator fique internado (menor não fica preso, fica internado!) no máximo 3 (três) anos, cumprindo medidas sócio-educativas (?!). Mas, ao completar 21 anos, ele tem de ser libertado com a sua ficha limpa, sem qualquer registro do crime bárbaro cometido por ele. Na imaginação do cidadão comum isso é um verdadeiro encorajamento à impunidade! Portanto, está mais do que na hora de começar a enfrentar esse problema dos menores infratores de frente. Sem medo da polêmica! É preciso adequar a legislação à atualidade. Redução da idade penal para 16 anos, emancipação penal, aumento do tempo de internação, são algumas propostas de mudança no ECA em discussão no Congresso Nacional, porém sem qualquer esperança de definição. Quantos crimes nós ainda vamos ver acontecer cometidos por menores sem a adequada punição? Ops! Crimes não! Menores cometem atos infracionais...”
Por Milton Corrêa da Costa, tenente-coronel PM da reserva e estudioso em violência urbana
A fixação do limite etário para a responsabilidade penal tem sido objeto constante de inúmeras discussões sendo tema de grande polêmica, sendo observado que intelectuais de vários segmentos, aí incluídos respeitados juristas, antropólogos, soció-logos e militantes de direitos humanos se posicionam, terminantemente, contra a possibilidade de menores de 18 anos serem processados criminalmente. Permanecem fiéis à recomendação de 1949, proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU), no Seminário Europeu de Assistência Social, realizado em Paris. Esquecem que os jovens, no pós-modernismo, sofrem como todos as vertiginosas mudanças provocadas pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia, onde a difusão e a massificação da informação se fazem presentes. Alguns intelectuais do direito devem pelo menos reconhecer que a verdade expressa na doutrina do direito penal brasileiro não pode ser absoluta. Há que se conceder a possibilidade de avançar na questão, na constatação de que a idade biológica, critério da razoabilidade recomendada pela ONU em 1949, não guarda mais nenhuma relação de proporcionalidade com os crimes brutais hoje cometidos por menores de 18 anos, perfeitamente capazes de entender o caráter danoso de seus atos. Há que se buscar novos paradigmas e referenciais na discussão do tema.  Menores no Instituto Padre Severino
Muitas vezes o notável saber jurídico é irreal. Deve-se ter em mente que o critério biopsicológico é hoje o mais recomendável, devendo o menor de 18 anos ser penalmente imputável quando revelar, através comprovação científica, a capacidade de entender a ilicitude do ato cometido. A conclusão a que se chega, no Brasil, é que o Estatuto da Criança e do Adolescente, com mais de 17 anos de vigência, permite aos menores de 18 anos, ainda que já possam votar e influenciar nos destinos do país, estuprar, matar, torturar , esquartejar e outras barbáries desde que, caso capturados, cumpram o máximo de três anos de internação em estabelecimento educacional com direito extra- legal a participar de rebeliões, além de fuga. Esta é a indulgência plena, concedida a menores, sob a proteção da criminologia (sociológica) da compaixão.”A sociedade os fez assim agora que sofra as conseqüências”, dizem os doutos sociólogos. Num estudo, comparado com doutrinas penais mais realistas e menos misericordiosas, aqui vale lembrar o exemplo da juíza Carol Kelly quando, em meados de 1996, em Chicago, nos EUA, condenou a 15 anos de prisão dois menores, de 12 e 13 anos de idade. Os infratores foram condenados pelo assassinato de uma criança de cinco anos, que eles jogaram do décimo quarto andar de um prédio.
A pequena vítima, Eric Morse, se recusara a comprar bala para eles numa venda próxima. Ao emitir a sentença a juíza rejeitou o pedido da defesa para que os acusados fossem enviados a um centro de tratamento psiquiátrico que lidava com crianças agressivas, decidindo enviá-los para uma penitenciária de segurança máxima. Naquela ocasião os dois menores foram os primeiros condenados sob a nova lei do Estado de Illinois, que reduziu de 13 para 10 anos a idade mínima para ir para prisão. “Os acusados negligenciaram o direito de conviver em sociedade”, disse a magistrada em sua sentença. Assim sendo cabe indagar: o Brasil participa ou não da globalização do mundo? Nossos juristas são os únicos donos da razão? A tese do direito penal mínimo permanecerá encobrindo criminosos? Que resultados positivos trouxe até aqui o também chamado Estatuto do Menor Infrator? O aumento significativo da delinqüência infanto-juvenil? A impossibilidade de retirar das vias públicas, face ao “direito” de ir, vir e estar, menores em situação de pré-delinqüência? A responsabilidade penal, somente a partir aos 18 anos, constitui cláusula pétrea na Constituição Federal? As cláusulas devem deixar de ser pétreas quando de contrapõem aos legítimos interesses da sociedade. A grande realidade é que a conseqüência maior da frouxidão das leis tem sido o aumento assustador da violência. Infelizmente as leis penais no Brasil não guardam proporcionalidade com a crueldade do nosso dia a dia, perpetrada por perigosos delinqüentes, menores de 18 anos ou não, dispondo de arsenais de última geração, que ameaçam a vida e a dignidade humana. O sistema anacrônico induz e incentiva o adolescente ao dizer-lhe: “aproveite enquanto não tem 18 anos para praticar crimes”. Conhecedores disso os chefes do tráfico utilizam, cada vez mais, os chamados inimputáveis no tráfico de drogas.

Toda sociedade organizada necessita, pois, de mecanismos legais de auto-proteção contra o crime. A redução de idade de responsabilização penal é um mecanismo de defesa social . A lei penal deve ter por escopo, além de corrigir, também intimidar. A grande questão é como acreditar plenamente no endurecimento das leis ante um Congresso Nacional onde alguns parlamentares, condenados por formação de quadrilha, foram reeleitos pelo povo que agora, paradoxalmente, suplica a estes o maior rigor das leis. Difícil acreditar.
Por Gustavo de Almeida A mãe, o Lula já contou: é a Dilma. O pai, todos achavam que era o Tarso Genro. No meu tempo, pai tinha bigode. Mas, enfim, o ministro da Justiça talvez seja apenas padrinho de batizado, daqueles que vê uma vez por ano trazendo uma boa grana. Quem fará o exame de DNA do PAC? Adelson Guedes (quem?) já se levantou do meio da platéia e bancou: eu sou o pai do PAC. Tal e qual Luke Skywalker em "O Império Contra-Ataca", quando ouve de Darth Vader que é filho dele, o PAC deve ter olhado espantado, chocado, para a faixa estendida na esquina da Avenida Vieira Souto com a Rua Vinícius de Morais. 
Diz a faixa que o projeto inovador, conhecido como PAC da Segurança, é de autoria do Adelson. Quem é o Adelson? Bom, consultando o site do TRE e depois o do , seu partido, foi possível descobrir que em 2006 o Adelson foi candidato aqui no Rio de Janeiro a deputado federal. Bateu na trave (do outro estádio): 474 votos, ou seja, 0,01% dos válidos, não credenciaram o novo pai do PAC a uma cadeira na Câmara. O que deve nos preocupar muito, já que a faixa do PAC coloca no domingo em plena Vieira Souto só pode significar uma coisa: Adelson Guedes vem aí. Radicado em Realengo, Adelson deve estar até hoje esperando que o Lula venha a público - quem sabe na inauguração do teleférico - e, ao microfone, desabafe, lágrimas nos olhos e camisa do Corinthians na mão: - Nunca na história deste país tivemos um PAC como este, em que a mãe é a Dilma e o pai é o Adelson. Se isto acontecer, aí sim: Adelson na Câmara em 2009. Primeiro projeto? Proibir faixas. Agora, falando sério: se a seis meses da eleição já tem gente colocando faixas reivindicando, imaginem quando a coisa esquentar? Até o porteiro lá do meu prédio vai dizer que o PAC é dele.
Por João Batista Damasceno, juiz de direito do TJ/RJ, membro da Associação Juizes para a Democracia e cientista político da UFF 
A Constituição da República assegura a todos os brasileiros maiores de 16 anos o direito de voto. E impõe sua obrigatoriedade para os com mais de 18 e menos de 70 anos. A Constituição dispõe que é vedada a cassação de direitos políticos, salvo nos casos que especifica. Dispõe o art. 15 que é vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos caso de: I – cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; II – incapacidade civil absoluta; III – condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeito; IV – recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5, VIII; V – improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4°. O Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos adotado pela resolução 220 da Assembléia Geral das Nações Unidas/ONU, de 16 de Dezembro de 1966. reza que cada Estado Parte no presente Pacto compromete-se a respeitar e a garantir a todos os indivíduos que se encontrem nos seus territórios e estejam sujeitos à sua jurisdição os direitos reconhecidos Pacto, sem qualquer distinção ou situação. Em seu art. 25 o pacto dispõe que todo o cidadão tem o direito e a possibilidade, sem nenhuma da discriminação e sem restrições: de votar e ser eleito, em eleições periódicas, honestas, por sufrágio universal e igual e por escrutínio secreto, assegurando a livre expressão da vontade dos eleitores. O preso com sentença definitiva perde dois direitos: o de ir e vir e o de voto. Todos os seus demais direitos devem ser respeitados. É o que está na Constituição. Na prática, aos excluídos não se garantem alguns direitos e aos presos são subtraídos todos, dentre os quais o direito à própria dignidade decorrente de suas naturezas de pessoas humanas. Isso porque no Brasil as leis são apenas ideais, sem relação com a vida ou com a realidade. 
A provisoriedade do Brasil reside no fato de que cada administrador gere a coisa pública ao seu modo, com total desrespeito às leis. Ao invés de moldarem suas atuações pelas leis e pela Constituição querem que a Constituição e as leis se moldem aos seus estilos. Daí é que administram na ilegalidade, contrariamente às leis, ou no máximo mudam a Constituições aos seus estilos pessoais. Por outro lado, as autoridades costumam agir fundadas em sentimentos pessoais de justiça ou no senso comum. As leis costumam ser desprezadas. Cada decisão costuma expressar o sentimento momentâneo da autoridade. Assim o é quando se trata do direito de voto do preso temporário, ou seja, daquele que aguarda julgamento. Embora tenham o direito e o dever de votar, isso não lhes é garantido porque não se tem o sentimento de que façam jus ao seu exercício. O direito de voto tem sido negado ainda quando requerido por presos provisórios, com a garantia de segurança e possibilidade de implantação do serviço pelos dirigentes das instituições prisionais. Aqueles que não votam devem justificar a falta, sob pena de multa. Ao preso temporário não se garante a possibilidade de voto ao qual está obrigado, e não se lhe permite justificar a ausência, o que acaba por lhe acarretar pena. Não há qualquer distinção entre aqueles que descumprem as leis, sejam elas civis, penais ou administrativas, sejam aqueles em torno dos quais se forma um consenso quanto à necessidade de enclausuramento, sejam os agentes públicos que praticam ilegalidades. Todos, quando atuam à margem da lei, têm suas condutas violadoras do ordenamento jurídico, e portanto estão à margem da legalidade. A atuação dos agentes públicos contra o crime, direcionada contra aqueles que descumprem as leis do Estado, deve ser feita estritamente dentro da legalidade. A conduta dos agentes públicos contra aqueles que descumprem as leis somente se justifica se atuarem na legalidade. Os marginais assim são chamados porque suas condutas se encontram à margem da legalidade. Policiais, juizes, promotores ou quaisquer outros agentes públicos que atuarem igualmente à margem da legalidade não poderiam receber outro qualificativo. Fora da lei, o que existe é a ilegalidade, seja por sua contrariedade frontal ou por seu margeamento. Todos os que atuam à margem da lei são marginais. A justiça eleitoral tem sua razão de existência determinada pela garantia dos direitos políticos, razão pela qual tem o dever de garantir o direito de voto e de ser votado. O exercício dos direitos políticos não depende e nem pode sujeitar-se a fatores administrativos ou operacionais que ao administrador incumbe superar, visto que a norma que o garante é absolutamente auto-aplicável, independentemente de norma regulamentadora. Seu descumprimento ou qualquer entrave, institucional, estatal ou procedimental constitui afronta ao Estado Democrático de Direito. Os que acreditam não devam o preso temporário ter o direito ao voto deveriam pugnar no parlamento a revogação do artigo da Constituição que garante tal direito. Enquanto estiver vigendo tem que ser cumprido. Pouco adianta suprimir todos os direitos daqueles que estão presos temporariamente. Menos ainda daqueles que cumprem pena decorrente de sentença definitiva. Seria mais inteligente tratarmos com dignidade aqueles que estão encarcerados para prepará-los para o convívio social quando vierem a ser soltos. Quando pior o tratamento lhes dispensado, pior se tornarão ao retornarem à sociedade. Se o Estado é democrático e fundado na razão da maioria é também Estado de Direito, ou seja, sua ação deve se dar dentro da lei. De outra forma não se poderia falar em direitos e garantias individuais, que se exercem até mesmo contra a maioria e contra o próprio Estado. O atendimento à Constituição, que já completa 20 anos sem seu integral cumprimento, implica na necessidade de instalação de seções eleitorais nas casas de custódia e delegacias, assegurando o exercício do direito constitucional ao voto ao preso temporário. Isto é o que no momento é objeto de estudo pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.
Por Reinaldo S. Oliveira, inspetor de Polícia Civil Fato hipotético. Ou real. Cliente entra no banco para sacar R$ 4 mil. Fica espantado com o reduzido número de pessoas ali dentro; apenas quatro. Ele é o quarto, e o único na fila. Vai ao caixa, efetua a retirada. Sai, atravessa uma praça, entra no carro e volta para casa. No caminho, lembra dos conselhos dados por parentes policiais quanto aos cuidados que deve tomar, e o tempo todo não desgruda os olhos dos retrovisores a fim de se certificar que não está sendo seguido. Estaciona na calçada e, ao sair do carro, nota a aproximação de dois homens em uma moto, vinda na direção contrária. Adivinhem. Aos costumes, o carona, arma em punho, diz " quero os R$ 4 mil que você acabou de sacar e que está nesse bolso aqui" apalpando sua calça. Feito isso evadiram-se. Dois mil para cada em apenas cinco minutos. 
Na DP, após ouvir seu relato, perguntei se havia comentado com alguém sobre o saque tendo ele dito que não! Fui ao chefe, contei-lhe o fato e disse que iria ao banco trazer o funcionário do caixa, apreender seu telefone celular e pedir a quebra de sigilo telefônico da agência, bem como o cd com as imagens do fato ocorrido uma hora antes. Ao voltar para minha mesa para concluir o registro de ocorrência, continuei a entrevistar a vítima e dela ouvi o mesmo: "Inspetor, o senhor não bota isso aí não, mas na minha opinião o caixa está envolvido. Os caras sabiam até meu endereço". O fato de uma viatura da polícia ir à agência tão logo tome ciência do ocorrido já daria um ar de seriedade, faria com que as pessoas notassem que "estamos correndo atrás, investigando". Ao contrário, quando o cliente é roubado e vai à DP para fazer RO e de lá sai com o papel na mão sabendo que nada será feito de imediato, que nem ao local iremos, ele se pergunta: registrar para quê? É isso que ocorre. nada! O chefe me respondeu: " Tá maluco? Trazer ninguém! Libera a vítima, envia um ofício ao banco solicitando cópia das imagens. Eles não entregam na hora. Precisam acionar um técnico que quando puder vai à agência, copia as imagens que nos interessa, passa para o jurídico, que após analisá-las nos remete. Isso pode demorar meses, até". Ah, as polícias de primeiro mundo... E ele está certo. Eu mesmo aguardo resposta de alguns ofícios há meses. Parece que não existe nenhum interesse a quem os remetemos em colaborar com a polícia. E pensar que a polícia americana requisita por telefone informações que, no ato, são atendidas. Certa ocasião um detetive pediu à administradora de certo cartão de crédito informação sobre a última vez que o investigado havia usado o cartão tendo como resposta que em hotel tal, onde está hospedado agora. Que políca, a americana... Voltando ao caso, traria o caixa do banco em primeiro lugar porque ele foi o último a estar com a vítima - se bem que, particularmente nesta ocorrência, eu o teria como o principal suspeito. Mas trazer o funcionário não pode. Se o intimássemos ele poderia se sentir acusado e mover ação contra o delegado, contra o estado. Então para que estamos ali? Será que esse funcionário vive de acordo com o que ganha? Qual o seu carro? Onde mora? Como se veste? Mas parece que ao policial civil lotado em distritais não é permitido pensar. Registrar é preciso; investigar não é. Quanto às ocorrências de pequeno potencial ofensivo, a estas chegamos talvez a 95% de solução. Afinal não é assim tão difícil levar ( levar não, convidar pelo correio ) à DP o autor de uma injúria, de uma difamação, de uma calúnia, ameaça, lesão corporal leve, culposa... Nesses casos a própria vítima nos fornece seu nome e endereço... Precisamos quebrar paradigmas, dar agilidade à ação policial, obrigar ( nem que seja ) as pessoas jurídicas a atenderem o quanto antes as requisições de informações. Precisamos prender bandidos. Eles precisam saber que estamos atentos e no seu encalço e que isso começa assim que tomamos ciência do cometimento do crime. Apuramos todas as ocorrências pequenas e assim conseguimos mostrar serviço a uma pessoa; aquela que foi xingada ou ameaçada. Apuramos cinco em cem ocorrências em que a sociedade inteira poder ser a vítima. Basta simplesmente trocar de prioridades. Aliás, oficiei o banco " pedindo " ( por favor, assim que vocês puderem, pelo amor de deus ) cópia do cd com as imagens. Quando remeterem aviso aqui. Aliás o que farei para identificar o dono do rosto? Somos quantos? 40 milhões de brasileiros homens com o perfil do autor? Como deve ser bom ser policial de verdade.
Reunir no mesmo espaço diferentes visões de especialistas em Segurança Pública é um dos objetivos deste blog, que entra no ar hoje. Numa iniciativa inédita no Rio de Janeiro, O DIA abre espaço para quem sempre pensou e agiu Segurança Pública e expõe estes pensamentos ao público cidadão. Para isso, contamos com a experiência de, inicialmente, 22 especialistas e agentes da área, numa discussão plural, e de pessoas que estão do outro lado do front, seja em comunidades, seja escrevendo sobre o assunto. Um fórum permanente de debates que, esperamos, contará com os preciosos comentários de nossos internautas e leitores diários. Neste Blog da Segurança também há espaço para denúncias anônimas, que serão encaminhadas aos jornalistas de O DIA, e, claro, muita notícia. Boa leitura. *Ana Miguez, editora-executiva de O DIA
Por Gustavo de Almeida Visto como resposta dura do governo ao movimento (já superado) dos Coronéis Barbonos, o projeto de mudanças na Lei 443 (Estatuto da PMERJ) chegou à Assembléia Legislativa em meio ao escândalo dos fantasmas de gabinete denunciado por O DIA após uma operação da Delegacia de Defraudações. Por conta disto, foi logo retirado de pauta. Quando voltou, ganhou 25 emendas. Resultado: o Estatuto da PMERJ acabou se tornando oficialmente, desde sexta-feira, tema de uma comissão provisória. O principal objetivo da comissão formada pelos deputados Coronel Jairo (PSC), Wagner Montes, Paulo Ramos (PDT) e Flávio Bolsonaro (PP) é basicamente aprovar um novo estatuto no qual se estabeleça que o tempo limite para permanência na corporação de 35 anos. Sem tempo adicional para quem está no comando-geral - ou seja, será o fim dos "highlanders", os coronéis que permaneciam em cargos-chave, intocáveis e preservados das alterações nas leis. A comissão terá 120 dias para trabalhar, mas se a aprovação for rápida, oficiais de alta aprovação como o coronel Paulo César Lopes (comandante do CPA da Zona Oeste) irá imediatamente para a geladeira. No fim do requerimento para instalação da comissão, ironicamente, os deputados ainda escrevem: "O objetivo desta Comissão é justamente estabelecer um espaço democrático para a participação direta não só da sociedade, mas principalmente, dos policiais militares, de todos os postos e graduações, ativos e inativos, a fim de garantir um instrumento que promova a oxigenação da Corporação, de forma a coibir os abusos de autoridade, e prestigiar o profissional da segurança pública." **** E, falando nos Barbonos: começou a caça discreta aos oficiais que participaram do movimento, que vão sendo removidos para outros lugares contra a vontade deles. Mas as represálias estão indo só para tenentes, capitães. Coronéis continuam onde estão - na geladeira.
Por Fernando Cezar Jorge Barbosa, policial civil no Rio de Janeiro, atuando há 22 anos no combate ao crime organizado, pesquisador e especialista em segurança pela Fundação Getulio Vargas. Por décadas a equação Mídia + Polícia = Notícia criou o que chamamos de: "A Política de Segurança do Inimigo-Público-Número-Um". A imprensa em sua atividade profissional conta a história cotidiana de personagens extraídos do contexto social, e, ao contar esta história, precisa de pessoas que tenham notoriedade para chamar a atenção do leitor. Assim, nada mais conveniente que o surgimento de dois personagens protagonistas: o famoso policial competente X o inimigo-público-número-um. Interessa tanto ao aparelho de segurança estatal como à imprensa, a notoriedade de determinado indivíduo de grande liderança entre os marginais, pois sua promoção pela mídia à condição de bola-da-vez, causa um ciclo vicioso alimentado com sua prisão amplamente documentada nos meios de imprensa. Não foi raro, aos gestores da segurança pública, seduzidos pela farta publicidade dada ao tema, ao assumirem seus cargos ou durante suas administrações elencarem, nos moldes das agências americanas, a lista dos mais procurados, estabelecendo a caça aos bola-da-vez como prioridade de suas pastas.

Já os policiais, em busca da fama e do reconhecimento auferido com as badaladas prisões, investem na “demonização” do personagem antagônico para que sua captura se torne um ato espetacular, de bravura, de inteligência e de competência, exatamente como o público espera que haja o mocinho do filme. Os marginais eleitos, também lucram com a notoriedade, pois em razão de sua fama, e, sobretudo, do temor da sociedade, são elevados à condição de celebridades as avessas, muito embora suas carreiras sejam curtas, suas importâncias no submundo do crime lhes geram lucros proporcionais. Um exemplo típico é a história de um - à época - médio narcotraficante carioca, que, após sua fuga da prisão em Minas Gerais, no ano de 1996, totalmente descapitalizado, em razão da operação feita pela Policia Federal geradora de sua prisão, fugiu do Rio de Janeiro para o Mato Grosso do Sul, para que sua presença servisse como fiança à droga que ele pretendia comprar a crédito dos fornecedores paraguaios. Com personalidade megalomaníaca, o meliante alcançou a mídia, que o elegeu inimigo-público-número-um-nacional. Este, muito embora não fosse um traficante de atuação nacional, tinha por hábito investir seus lucros em imóveis e negócios além das divisas do Rio, à época sua área de atuação. Com o tempo, a celebridade lhe rendeu muito mais que o pretendido crédito inicial, chegando a descartar o atravessador paraguaio, assassinando sua família inteira, passando a negociar diretamente com a FARC colombiana, culminando com sua prisão internacional na selva amazônica do país vizinho em uma operação com 3 mil militares. O fato é que tal política de segurança obteve os resultados pretendidos pelas partes durante anos, o que já não ocorre mais, pois, a prisão do bola-da-vez não faz com que a sociedade fique livre de suas atividades criminosas. O desenvolvimento econômico colocou à disposição dos marginais os modernos meios de comunicação, pois, ainda que encarcerados, continuam a exercer sua lucrativa atividade criminosa ou seu beligerante terror do interior de nossas cadeias.

Além disso, o modus operandi dos criminosos fragmentou-se, havendo quadrilhas que possuem vários líderes e inúmeras praticas criminosas, caso o elegido seja preso, não há algo a se perder, pois há um substituto pronto para seu lugar, alimentando novamente o “círculo vicioso”. O aparelho estatal parou no tempo, e, ainda está à procura de quem intimidar, sem se perceber que a banalização das atividades criminosas resultou no reduscrescimento da violência, e na diluição do universo criminoso, em uma odiosa metástase. Da ação do estado os remanescentes da quadrilha do elegido, “os filhos da droga”, só temem não contar com a hipotética e rudimentar garantia de integridade física no cárcere, fornecida por suas facções penitenciárias. Observe-se que, as maiores organizações criminosas no mundo têm origem penitenciária. Hoje em dia, as badaladas prisões dos inimigos-públicos-número-um, não surtem qualquer efeito prático na macro segurança pública, além da exploração publicitária das eficientes investidas policiais, se não vierem acompanhadas da ação repressiva estatal sobre seus ativos, rotas, redes de comunicação, fornecedores e comparsas, É óbvio que as prisões dos líderes do crime são importantes e estas ações devem ser estimuladas nos moldes descritos, porém não podem mais ser vistas como uma solução simples para um problema complexo e devem estar inseridas em um contexto de ações bem mais amplo, visando libertar as comunidades carentes do controle marginal. Sebastian Roché ensina que o “sentimento de insegurança” se estrutura mais a partir de percepções subjetivas dos fatos acontecidos e menos de percepções objetivas quanto à proximidade do perigo ou do risco da violência e do crime. As ações concretas de segurança pública nas comunidades carentes feitas de maneira casuística, sem qualquer planejamento em médio prazo e de forma emergencial, ocupa determinada comunidade por dias, muitas vezes apenas por horas, para logo em seguida entregá-la a própria sorte aos marginais. Além dos traumas que algumas destas operações e ocupações causam com suas abordagens e posturas ultrapassadas, a polícia ao “entrar em comunidades pobres acredita estar em território inimigo. As relações que mantêm com a população são de uma brutalidade proporcional ao medo”, diz a pesquisadora Angelina Peralva. No darwinismo organizacional que caracteriza o mundo moderno, as organizações que sobrevivem às mutáveis condições ambientais são aquelas que não somente se ajustam, mas se antecipam proativamente e criam as condições de mudanças para as outras organizações. Os diagnósticos internos e externos e a construção dos cenários indicam, em uma abordagem projetiva, a formulação de novas estratégias que assegurem a implementação das mudanças necessárias, principalmente em uma nova doutrina de segurança. A alternativa para pacificar e unificar a “cidade partida” são ações de Segurança Humana que terão, necessariamente, que estar acompanhadas de projetos de ordenação urbana e desenho arquitetônico como instrumento de auto-proteção, desenvolvidos em bairros de classes menos favorecidas, como a criação de vias de acesso, esquadrinhado as comunidades, tornando-as parte integrante da cidade como um todo, (prevenção secundária da criminalidade), dando-lhes a chamada acessibilidade. Acreditamos que Programas Sociais permanentes para a população de baixa renda vão diminuir o fosso social e conquistar a confiança do público alvo, com uma atuação preventiva nas áreas afetadas, com ações de urbanização, segurança, educação e saúde.
Por Jovem Cerebral
Primeiramente gostaria de parabenizar o DIA ONLINE pela grande e merecida idéia de juntar vários cariocas em torno de uma questão muito pertinente e emblemática, e que está bem na frente de todos nós, favela ou asfalto, todos! Nossa meta aqui é servir de elo entre as favelas e as várias faces de uma cidade partida, ao longo de vários anos de desgoverno em nossa cidade, onde na maioria das vezes, em se tratando de Segurança Pública, somos nós as principais vítimas. Juntos, também vamos mostrar o outro lado da favela, que pouco é divulgado. nossas idéias e trabalhos positivos que acontecem em diversas comunidades, e colaborar na difusão de nossa cultura que é rica e diversificada, e vem ditando moda e comportamento no Brasil como um todo. Sejam bem-vindos, porquê aqui "A Favela Fala!" PAC nas comunidades do Rio Em relação ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), estou sinceramente torcendo para que dê certo, a idéia é muito boa, sem contar a iniciativa do governo federal, via presidente Lula. Meu receio é se esse dinheiro será realmente investido nas favelas. Ou será mais uma obra de papel, como foi e é em outros projetos? Sem contar que até agora só ouvimos falar em obra, e pouco sabemos sobre de que forma essa verba do PAC vai ajudar na educação e cultura das favelas e, principalmente, na capacitação e inserção profissional dos jovens no mercado de trabalho, como ação afirmativa, e como forma de combate ao êxodo dos Jovens para a criminalidade! E gostaria de conclamar a todas as lideranças para que fiquemos de olhos bem abertos, pois em se tratando de dinheiro público é sempre bom! Quanto aos rumores de acordo com o tráfico: eu penso que na verdade não houve um acordo, o que houve foi uma flexibilização dos setores de Segurança Pública para que não fosse usado o confronto como abre-alas do PAC; ano de eleição em breve, e no Rio, a Política é o que conta né? O resto é o resto! Quanto aos rumores, como já disse o nome, só rumores! ************ De olho na laje Epidemia da dengue e o velho dilema: o Rio tem guetos onde é impossível combater o mosquito por causa da falta de acesso devido ao estado paralelo: gente, vamos ficar de olho na dengue, não fiquem de bobeira, a parada é séria e temos de ter o máximo de cuidado - com as crianças, principalmente. E não custa nada dar aquela limpeza em casa e olhar em todos os cantos, inclusive nas lajes, pois quando chove, muitas não escoam e acabam virando piscinas naturais para o mosquito!
Por Bayard Boiteux, professor da UniverCidade 
Gostaria de começar minha primeira participação no blog,destacando a importância da atividade turistica como forma de reduzir as desigualdades sociais e melhorar a qualidade de vida da população. A questão da segurança pública se revela extremamente multidisciplinar quando abordamos a questão abaixo. No entanto, tal atividade pressupõe que o consumidor turista encontre algumas formas de sobrevivência,quando visita um determinado país. Cada vez mais,o turista viaja por conta própria e precisa encontrar um país devidamente sinalizado, para que possa usufruir de seu tempo livre e lazer. Assim,é necessário que o governo federal, através do Ministério do Turismo, desenvolva com a máxima urgência umn programa nacional de sinalização,para as principais cidades turisticas do país. A sinalização turistica não pode ser desenvolvida aleatoriamente por municipios e estados,sem uma padronização.Vejo exemplos no interior do Estado do Rio,que em vez de orientar,estão ligados a promoção e acabam gerando poluição visual e contribuem para o caos urbano. É um investimento fácil,de custo relativamente baixo mas que demanda vontade politica e sobretudo prioridade nas ações e não programas pontuais,desenvolvidos repentinamente para atender futuras campanhas politicas. A sinalização é uma das formas de se manter uma cidade segura, para quem a visita e quem mora nela.
Por Mário Sérgio de Brito Duarte, tenente-coronel da PM, ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Publicado originalmente no blog http://marius-sergius.blogspot.com/) Não me recordo exatamente se foi em 1993 ou 1994, mas me lembro bem como tudo se passou. Nós, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), havíamos realizado uma operação durante o dia na Vila Cruzeiro, a pedido do comandante do 16º BPM, que andava assustado com o poder de fogo dos traficantes de drogas do Complexo do Alemão. Lembro-me que um atirador com fuzil fez fogo por duas ou três vezes, de uma laje, bem próximo de onde eu progredia com minha "patrulha mais”, ou seja, reforçada de cinco ou seis homens (devíamos ser uns quinze Caveiras), deslocando-nos a pé pelas ruas e becos da grande favela. Os tiros, eu não saberia dizê-los se foram dados em nossa direção ou em qualquer outra, como às vezes acontece e que chamamos de “guerra de barulho”. Embora os vagabundos do tráfico já dispusessem de um bom arsenal, ainda não haviam desenvolvido a cultura de enfrentamento diurno, como temos nos nossos dias, quando privilegiam o combate ao comércio de drogas e enfrentam a polícia, sempre. De qualquer forma, eu solicitara apoio aéreo e logo uma aeronave Esquilo sobrevoava nossas cabeças, pilotada, se não me engano, pelo excelente Adonis, da Polícia Civil, que logo encurralou os marginais, surpreendidos pelo desembarque espetacular do Cabo Lotério (se não me engano, também), além de outro companheiro da PC de quem eu não saberia dizer o nome. Regressamos da Delegacia ao Bope por volta das 18h e nem chegamos a subir as escadarias do Regimento Caetano de Farias, o antigo Quartel de Cavalaria que abrigava nossa Unidade Especial, quando recebi do Coronel Rangel a ordem de seguir para a Favela da Varginha, onde uma equipe do 22º BPM estava encurralada desde cedo. Havia suspeitas de policiais feridos, e mesmo mortos, em poder dos traficantes. Os celulares naquele tempo eram artigos de luxo e rádios transceptores portáteis só o Bope possuía. Não havia jeito; sem comunicações para sabermos da situação da tropa na favela, só indo ao local para saber, de verdade, o que se passava: era com o Bope mesmo! 
Senti um nó na garganta. Eu não conhecia nada da favela. Sabia só que ficava em Manguinhos e que era uma área muito pobre, de barracos misérrimos. Já era noite, não daria para fazer um reconhecimento aproximado... Não tivemos tempo sequer de nos abastecer com munição. Partimos em alta velocidade em várias viaturas que seguiam um carro-guia, e em vinte minutos chegamos à Rua Leopoldo Bulhões, entrando por Benfica.
Foi um inferno! Ficamos eu, o hoje falecido Sargento Retameiro e... acho que o então Cabo Vasconcelos, abrigados num poste magricelo, de luz fraquinha, enquanto as balas batiam no chão, roçando nossos pés. Os projéteis saiam em fachos de luzes traçantes das bocas dos canos dos fuzis dos narcotraficantes, que não souberam aguardar o momento e o local para uma emboscada, posto que ficamos a cerca de cem metros de suas confortáveis posições barricadas em muros e lajes das construções, e separados por um rio fétido cujas margens estavam unidas por uma ponte tipo “pinguela”, miserável, de madeira apodrecida e descadeirada. Expulsei um combatente do 22º, que se aproximara do "nosso poste" para ajudar. Seu equipamento branco, de trânsito, estava nos transformando em alvos seletos na quase escuridão do local; ele seguiu para um ponto seguro e nós fomos avançando por lanços quase irrefletidos, para onde pudéssemos nos abrigar. 
Chegamos a um conjunto de casas de alvenaria e ocupamos suas lajes. Retameiro localizou um traficante e atirou em sua direção, com o FAL em intermitente. O Caveira Amaurício fez o mesmo. Um tiro acertou a caixa d’água sobre a cabeça do bandido. Ouvimos um barulho de cachoeira e um “filho da p...” do “soldado do pó” que tratou de fugir dali. Nossos alvos de resgate estavam um pouco mais à nossa esquerda; a outra patrulha os havia localizado e tentava retirá-los. Lopasso, Everaldo “Bate-Lata” e falecido Getúlio ficaram atrás de um monte de lama endurecido, retirado do rio podre que estava sendo dragado. Notava-se que logo haveria uma ponte de verdade substituindo aquela pinguela esquálida, considerando as obras que estavam sendo iniciadas. Pouco a pouco retiramos todo pessoal do 22º BPM que estava encurralado. Getúlio, que sequer portava fuzil, queria atravessar para o outro lado para pegar os vagabundos. Reuni o grupo para ouvir-lhes a opinião e a única dúvida sobre se deveríamos atravessar ou não veio do Cabo Lopasso. Os demais foram unânimes: - A gente pega eles na terça-feira, meu capitão!
***** Não consegui dormir naquela noite. Fui para o quartel no sábado e contei meu drama para o então Tenente Ronaldo: - Cara, cristalizei na pinguela. Que merda! Que raiva! Ronaldo fez que não deu importância: - Vai atravessar outras, primo! (somos primos, sim). ***** Voltei lá na segunda-feira com outra patrulha. Pedi ao Coronel Rangel e ele autorizou que eu voltasse ao meu inferno particular, com algumas recomendações sobre o cuidado com a população inocente. Fizemos o mesmo trajeto, beco a beco; poste a poste, laje a laje até chegarmos à pinguela. A tropa ficou me olhando. Ninguém dizia nada. As ruas vazias, estranhamente vazias. Pensei e falei para mim mesmo: - É emboscada! Mas precisava atravessar a pinguela. Era questão de honra! Eu estava preso às minhas pernas, aos meus receios, aos gritos dos traficantes naquela noite de sexta-feira: - Aí, bota a cara mermão! Vai voltá gelado, hem ?!! – Bota a cara seus verme! ***** Eu tinha de atravessar a pinguela. Senti uma mão no meu ombro. Era Jorge “Bocanca”, Cabo do BOPE, pára-quedista militar, discípulo de mestre Zé-Pedro, o velho Zé, 1º Sargento à época, hoje capitão QOA reformado e trabalhando mais na equipe de instrução do BOPE, gratuitamente, do que qualquer um que por lá tenha passado. Era Jorge “Bocanca” que me ladeou e disse: - Posso atravessar meu capitão, se o senhor fizer minha cobertura. O senhor conta até três. - Vai, Jorge. Eu faço tua cobertura e te sigo. - falei sem pestanejar. Atravessamos a pinguela com ele fazendo a ponta e eu o segundo homem. Não houve tiros. Já voltei lá muitas vezes. Comandei, anos depois, o 22º BPM e participei de pelo menos dois combates pesados ali, como Comandante da Unidade. Numa vez, perdemos um soldado e matamos um traficante. Acho que estavam comigo os majores Louzada e Parrini. Não voltei mais lá com Jorge “Bocanca”. Estivemos juntos na semana que passou. Ele precisa agora atravessar uma outra pinguela. Talvez seja a pior da vida dele. Não quero saber. Estou com ele. Jorge Bocanca não fez julgamentos sobre se eu merecia ou não o risco da vida dele. Vou fazer a ponta e ele vai atravessar. Tenho fé em Deus! Tenho fé em “Bocanca” Ele tem fé em nós . - No tempo três, Sargento Jorge: Um, dois, três...CAVEIRA!
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