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Membro do Comad (Conselho Municipal Anti Drogas do Rio de Janeiro), fundador e conselheiro do IBDC - Instituto Brasileiro de Direito e Criminologia, doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino de Buenos Aires, delegado de Polícia Federal de Classe Especial, responsável pela prisão do publicitário Duda Mendonça na rinha de galo em 2004. Rayol dirigiu por anos a Delegacia de Entorpecentes da PF.
Procurador de Justiça, ex-secretário de Administração Penitenciária, ex-coordenador de Inteligência do Ministério Público estadual do Rio de Janeiro, responsável pela investigação da Propina S.A, entre outras.
professor universitário, dirige a Escola de Turismo e Hotelaria da UniverCidade,há 15 anos.Tem estudado ,nos últimos 18 anos,o impacto da segurança na atividade turistica.Implantou no Rio o primeiro Programa de capacitação para as forças de segurança turistica do Estado do Rio.Preside o Instituto de Pesquisas e Estudos do Turismo,que tem um Nucleo de Segurança Turistica,que faz um estudo comparado dos diversos sistemas no Brasil e no exterior.Sua tese de doutorado em Direito da Cidade versa sobre Um sistema de segurança Turistica para o Rio.
Jornalista e escritor, ex-TV Globo, atualmente na área de entretenimento do SBT, é autor dos livros Comando Vermelho - A História Secreta do Crime Organizado e CV-PCC-- A irmandade do crime, ambos pela Editora Record.
carioca, coronel da reserva, comandou a Tropa de Elite do Exército Brasileiro, o Batalhão de Forças Especiais. Sua última missão no serviço ativo foi o comando do Batalhão Brasileiro de Força de Paz, no Haiti, sendo responsável pela pacificação de Cité Soleil, até então, a região de maior risco (segurança pública) sob controle da ONU. Na área da Segurança Pública, foi o Chefe de Planejamento do Comando Militar do Leste. Para se comunicar com ele, escreva para kidbleu@gmail.com
tenente-coronel reformado da PMERJ, bacharel em Ciências Administrativas, torcedor do Flamengo, escritor com oito livros publicados (vide site: www.emirlarangeira.com.br)
Policial Civil no Rio de Janeiro, atuando há 22 anos no combate ao crime organizado, pesquisador e especialista em segurança pela Fundação Getulio Vargas.
Advogado, torcedor do Vasco da Gama, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, membro efetivo e Vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Copacabana e Leme – AISP19, tem formação no Curso de Capacitação para Lideranças Comunitárias e Integrantes dos Conselhos Comunitários de Segurança ministrado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). É um apaixonado pelo bairro de Copacabana, onde nasceu e foi criado, e também pela cidade do Rio de Janeiro. Acredita que toda mudança na qualidade de vida do cidadão passa necessariamente por uma maior participação da sociedade civil organizada, inclusive na questão da segurança pública.
cientista político (UFF), juiz de direito do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, integrante da Associação Juízes para a Democracia/AJD
João Tancredo, advogado, presidente do Instituto de Defensores de Direitos Humanos, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ
Rapper e Mc, torcedor do Flamengo, formado no Curso de Liderança Comunitária Uerj e engajado na Cultura HipHop, sendo hoje vocalista da Banda Stereo Maracanã. Ativista da (ONG Posse Reagir Cidadânia e HipHop), consultor de Cinema ("Tropa de Elite") e Documentários (Rebeldes da Noite no Rio- Alemanha) que tenham como tema e pano de fundo as Favelas. Espera que esseTrabalho venha fomentar novás idéias, e discutir questões relevantes para todos. Pode ser contactado pelo email jovemcerebral@gmail.com
Julio Ludemir nasceu no Rio de Janeiro em 1960, mas foi criado em Olinda, Pernambuco. Tem cinco livros publicados - No Coração do Comando, Sorria, Você Está na Rocinha, Lembrancinha do Adeus, O Bandido da Chacrete e Mais um Pai. Tem a alegria de ser rubro-negro e a capacidade de fazer filhos lindos, de que Juliana e Pablo são provas incontestáveis. Adoraria escrever sobre paz, amor e sexo selvagem, mas a violência do Rio de Janeiro não permite.
delegado de policia civil de 1ª classe, mestre em ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes, doutorando em Ciências Políticas na Universidade Federal Fluminense, autor do livro "Acionistas do nada: quem são os traficantes de drogas", da Editora Revan.
ex-promotor de Justiça Terapêutica, atualmente procurador de Justiça no TJ.
Tenente-coronel da PM, ex-comandante do Bope, autor do livro "A Verdade da Tropa", trabalhou como assessor especial da Subsecretaria Operacional de Segurança Pública durante as operações na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão em 2007.
Coronel reformado da PM, trabalhou como assessor especial da subsecretaria operacional durante a gestão do general Nilton Cerqueira, no governo Marcello Alencar
Capitão da reserva do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Conclui tese na Universidade Federal Fluminense chamada A Glória Prometida. O Curso de Operações Especiais - Rito de Passagem dos 'caveiras'. Atualmente é secretário de Segurança Pública de São Gonçalo. Treinou os atores do filme Tropa de Elite, de José Padilha.
Defensor público, ex-presidente da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro
Inspetor de Polícia Civil, tricolor de coração, cursando Gerenciamento de Crises pelo SENASP/Ministério da Justiça, escreve no blog.
Carioca, Rubro-negro, coronel da reserva remunerada do Corpo de Bombeiros, ex-integrante do Conselho Estadual de Meio Ambiente, ex-integrante do Conselho Estadual de Controle Ambiental, Ex-diretor de Operações do Departamento Geral de Apoio Comunitário da Sedec-RJ, tendo sido responsável pelo Levantamento Estratégico, Informação e Planejamento para evacuação da população de Angra e Paraty em caso de acidentes na Central Nuclear Almirante Alvaro Alberto, fundador e Diretor Executivo do Instituto de Capacitação, Ação e Cidadania Pelicano.
Jornalista e Consultor de Políticas Públicas, ex-diretor de Fiscalização da COMLURB, Superintendente de Projetos Especiais da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Turismo, Diretor Geral de Apoio Operacional do DETRAN-RJ. Em 1984, passou três meses na Nicarágua como correspondente de guerra na fronteira com Honduras. Em 1995, atuou como consultor/observador na equipe GGAB (Grupo do Gabinete) da
Polícia Civil em ações nas favelas do Rio. Mantinha o blog Falando a verdade mas tirou do ar após receber ameaças de morte de traficantes conhecidos como Bonde do Coelho.
Capitão reformado do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), roteirista do filme Tropa de Elite, co-roteirista do filme Ônibus 174.
Delegado de Polícia Civil, já chefiou a Divisão Anti-Sequestro, e a Divisão de Repressão aos Roubos e Furtos de Veículos, além de ter sido assessor especial da instituição. Na Secretaria da Segurança Pública foi diretor da Divisão de Operações e Analista do Centro de Inteligência (CISP) e diretor-geral de inspeção e correição; foi presidente (e hoje é secretário-geral) do Sindicato dos Delegados e colaborador da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). É pós-graduado em Políticas Públicas de Segurança e Justiça Criminal pela Universidade Federal Fluminense e integra o corpo docente do Curso de Especialização em Segurança Pública, Cultura e Cidadania da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 
Coordenador da organização RIO CONTRA O CRIME e do DISQUE-DENÚNCIA (2253-1177)
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Quarta-feira, 30 Abril, 2008

Dois Brasileiros

Por Gustavo de Almeida

O tenente Carlos Ludwig e o padre Marcelino têm uma coisa em comum. Ambos ousaram. A história do padre Marcelino vocês que lêem O DIA (só saiu em O DIA, durante cinco dias) já conhecem: a primeira personalidade pública no Brasil, não-autoridade, a denunciar, mostrando o rosto e dando o nome, a ação de uma milícia que extorquia moradores em Quintino. Inédito e absolutamente corajoso - a coragem que anda em falta no Brasil de hoje.
O tenente Ludwig, quem ler O DIA nesta quarta-feira vai saber melhor de sua história. Não sabendo que era impossível, foi lá e fez: prendeu em flagrante uma extorsão de motorista, como tantas que acontecem diariamente por aí. Ludwig mostrou que a Polícia Militar tem salvação. Ludwig mostrou que a PM não extorque. A PM prende quem extorque. E quem extorque nunca foi PM.
Dois brasileiros que ajudam o futuro a existir.

Oxigenação sufocante

Por Gustavo de Almeida

O governo do estado conseguiu aprovar na Assembléia Legislativa o projeto de lei que "oxigena" o posto mais alto da Polícia Militar. A "oxigenação" vai entre aspas, já que a tendência em vários outros estados, como São Paulo, é aumentar o tempo no último posto - o Estado gasta dinheiro para formar um coronel, e quando chega a hora deste devolver o investido, fica quatro anos. O governador José Serra, em São Paulo, tenta aumentar para oito anos o limite de permanência.
No Rio, o líder do governo, deputado Paulo Mello (PMDB), conseguiu abater de morte todas as 28 emendas propostas pelos deputados ligados à área de Segurança Pública, a saber Coronel Jairo (PSC), Wagner Montes (PDT), Marcelo Freixo (PSol), Flavio Bolsonaro (PP) e Paulo Ramos (PDT).
Mas foi tudo por terra. O coronel, a partir de agora (na verdade, de quando o governador Sérgio Cabral assinar e publicar), fica só quatro anos.
O projeto 1313/2008, do Palácio Guanabara preserva, no entanto, coronéis nos cargos de comandante-geral, chefe do Estado-Maior, corregedor, comandante dos 1º, 2º, 3º e 4º CPAs, chefe de gabinete do Comando Geral, bem como qualquer oficial superior que esteja em cargo no Gabinete Civil do Palácio.
"Estes cargos são os chamados "highlander" (alusão ao filme "O Guerreiro Imortal")", disse o deputado Wagner Montes (PDT), que votou a favor de um destaque do deputado Paulo Ramos que simplesmente estabelecia o limite de 35 anos de permanência para qualquer integrante da PM.
Lembrou bem o deputado que são seis os CPAs, e não quatro, como está no projeto. "Meu objetivo era defender os praças, diminuir o interstício, o intervalo entre promoções. O sujeito fica 10, 12 anos como sargento, não dá", me disse Wagner, nesta terça-feira à noite, por telefone. O
alvinegro (mas não chorão) deputado disse que vai apresentar uma Emenda Modificativa quando o governador Sérgio Cabral assinar a lei. Caso o plenário não aprove a emenda diminuindo o interstício, vai entrar na Justiça Comum. Sem choro.
De cara, três Barbonos já são atingidos: o coronel Hildebrando Esteves - um dos mais honestos da PM - sairá em agosto, o coronel Paulo Ricardo Paúl deve reformar no ano que vem e o coronel Francisco Vivas em 2010. Os três são exemplos de "mãos limpas" na corporação.
Já o deputado Flávio Bolsonaro foi corrosivo em sua crítica: "É lamentável que num governo que tem o Cabral e o Beltrame seja aprovado um projeto típico de Garotinho", disse. Pano rápido.


O Padre e as Milícias

Por Emir Larangeira

Avolumam-se as críticas contra as milícias, apodadas de "grupos paramilitares" tais como o são as quadrilhas de traficantes dominadoras de favelas. E assim, em modo simples e direto, - e em vista de interesses que lhe são antagônicos, - o miliciano está a se tornar sinônimo de criminoso. Sem adentrar o mérito desta comparação, cabe uma reclamação, pois a denominação milícia é geralmente grafada pela mídia para apelidar grupo de "supostos policiais" (a palavra "suposto" está em voga, também vou nessa...) a dominar favelas por meio de mecanismos semelhantes aos dos traficantes. Reclamo, sim, pois isto cheira a generalização de preconceito contra todos os milicianos... Afinal, milícia é dicionarizada como "vida ou disciplina militar" ou "força militar de um país" e demais conotações positivas, sublinhando-se até a metáfora "milícia celeste" relacionada a "anjos e bem-aventurados".
Contudo, não mais adianta chiar, o pejorativo vingou à moda William Randolph Hearst e dificilmente dará lugar a outro, o que acaba por afetar a dignidade histórica de todas as milícias brasileiras, que já carregam a pecha de "tropas auxiliares de segunda linha", embora se trate de designação que conota idéia de ocupação, em segundo momento, de território conquistado por um "corpo de exército". Ora bem, feito o esperneio (Irra! Arrenego!), vamos ao que interessa...


O padre Marcelino Modelski, da Igreja de São Jorge, que denunciou a prática de extorsões


Há quem afirme que existe mais de uma centena de favelas dominadas por "milícias", e se apóia na ilegalidade da existência delas, das milícias (sempre em visão reducionista e policialesca), para dar fala unívoca aos órgãos de controle interno das polícias, que não só confirmam a idéia da ilicitude praticada pelos "milicianos", como também confessam a impossibilidade de agir contra eles: não são mais "milicianos", são "ex-milicianos" por obra e graça desses mesmos órgãos disciplinadores... Mas, em relação às milícias, abundam denúncias de extorsão associadas à ameaça, ao abuso de autoridade, à agressão e até à tortura, acrescentando-se a indefectível "formação de quadrilha" como crime autônomo. Tudo, porém, adstrito ao campo das suposições.
Não é o caso de polemizar em torno dessas afirmativas, dando-lhes ou lhes retirando razão. Entretanto, merece sublinha o fato de que, desta feita, o denunciante (um padre) possui identidade pública e publicada. A ser verdade a denúncia dele sobre o ágio cobrado por supostos "milicianos" aos barraqueiros de uma festa de São Jorge, em Quintino, conclui-se que o ágio só trocou de posição (da sacolinha do padre para as algibeiras dos "milicianos"), restando saber se isto melhorou ou piorou a vida das pessoas, que, aliás, não querem saber de denunciar ninguém: o padre passa, a "milícia" fica...
Ora, uma coisa é certa: independentemente do aspecto jurídico-legal que explica a questão, a realidade é que a maquinaria governamental se demonstra incapaz de libertar as comunidades do jugo de traficantes ou de "milicianos". Essas comunidades vivenciam um terrível dilema, ou seja, têm de escolher uma entre duas alternativas ruins. Demais disso, pode-se afirmar que as milícias não surgiram por conta de abiogênese. E se hoje elas são um fato, já foram antes miragem e forjaram sua própria história no escorrer dos anos. Mas isto é outro assunto... Com efeito, a formação das "milícias" vem de longe no tempo, num processo de evolução social penoso e decorrente da desatenção governamental e societária em relação às muitas comunidades que vivem se resvalando pouco acima da linha de pobreza ou abaixo dela. E nesta mesmíssima situação de abandono encontram-se aqueles que um dia decidiram se organizar para sobreviver no mundo-cão ao qual sempre pertenceram como policiais ou ex-policiais: os "milicianos".
Interessa, neste ponto, analisar o fenômeno. O que havia nas favelas antes das "milícias"? Não há quem não saiba a resposta: traficantes. De qualquer modo, lidamos com seres humanos, o que nos remete aos conceitos de "comunidade" e "sociedade". Sem muito aprofundar na complexidade do assunto, basta lembrar Paulo Bonavides. Diz ele, grosso modo, que a comunidade é orgânica, emocional e solidária em vista de laços comuns, enfim, mais aproximada do "homem natural"; já a sociedade é caracterizada por laços formais, portanto mais "racional" e aproximada do "homem social".
Muito bem, o nosso foco é a avaliação do fenômeno sob a exclusiva ótica da legalidade (societária), deste modo olvidando o valor e a força da legitimidade (comunitária). Eis o ponto que interessa... Pois as gentes simples submetidas às "milícias" ou ao tráfico ajustam-se bem mais ao conceito de comunidade - não são sociedade. Em qual conglomerado humano se insere o padre?... Estendendo o raciocínio, poder-se-ia afirmar que a comunidade é mais habituada às regras da legitimidade, enquanto a sociedade mais se afina, em tese, à legalidade. Sim, em tese, pois ninguém será capaz de se arriscar a conceituar comunidade (A) ou sociedade (B) como sistemas fechados, e muito menos o são a legalidade (A) e a legitimidade (B). A bem da verdade, e comparando-se A com B, uma deve estar sempre influenciando a outra e modificando-se entre si por força de fatores psicossociais e socioculturais, ou seja, fatores ambientais internos e externos. Pertencem, enfim, ao mesmo contexto social.
Os psicólogos sociais diriam que os fatores psicossociais costumam afrontar mais que se ajustar aos fatores socioculturais. Sob a ótica da Ciência Política, os primeiros caracterizam a legitimidade; os segundos seriam próprios da legalidade. Por conseguinte, não basta provocar discussões superficiais em vista de uma legalidade (com o foco único na impunidade) que não alcança o interesse comunitário formado por segmentos que lhe são comuns e exclusivos.
Os "milicianos", policiais ou não, são "comunitários". Muitos deles são favelados e sofrem na pele as pressões e o terror do tráfico. Portanto, entre sobreviver em meio a doenças, fome, opressão e tiros, a tendência dos sofridos, independentemente de leis, é tentar eliminar pelo menos os tiros. É o que, em princípio, parece ocorrer em locais dominados por "milícias", pelo menos até agora. Daí a dificuldade de se saber o que é verdadeiro e o que é falso em se tratando de avaliar a atuação das milícias no Grande Rio.


Foucault: núcleos de poder em níveis variados

É preciso, na verdade, que a aparição das "milícias" seja pesquisada em seriedade, e não simplesmente vista como nova modalidade de crime praticado por grupos formados por policiais, bombeiros, ex-policiais etc. Creio que esta visão reducionista, nitidamente societária e interesseira, não alcançará o cerne da questão. Pois é certo que combater "milícias" nos dias de hoje talvez corresponda a mandar um policial se olhar a si ao espelho, e se dar a si voz de prisão, e se algemar a si, e se levar a si à autuação, e se conduzir a si à prisão, e se entregar a si ao processo administrativo para se expulsar a si de sua corporação. Complicado, hein?...
Daí nos cabe indagar: sob o ponto de vista social (não legal) "milícia" é problema ou solução?
A visão policialesca sobre "milícias" expulsando traficantes e instituindo um novo modelo de poder a partir da formação de micro-poderes armados (nova modalidade de crime), tende ao fracasso. Ora, estamos ante um fenômeno que de novo nada tem, antes das "milícias" havia as "mineiras"... Imaginar, portanto, que Estado e Poder se restringem a uma sinonímia intransponível, e que o monopólio do uso da força é exclusivo do Estado, é renegar a possibilidade de haver transformações sociais muitíssimo além deste reducionismo teórico. Basta citar as revoluções deflagradas contra os poderes dominantes ao longo da História.
Isto não é assunto novo nem estéril. Foucault, em sua Microfísica do Poder, muito esclarece quando fala em "técnicas de dominação", concluindo em apertada síntese: "Os poderes se exercem em níveis variados e em pontos diferentes da rede social, e neste complexo os micro-poderes existem integrados ou não ao Estado, distinção que não parece, até então, ter sido muito relevante ou decisiva para suas análises". Foucault ainda diz sobre as "técnicas de dominação": "Poder este que intervém materialmente, atingindo a realidade mais concreta dos indivíduos - o seu corpo - e que se situa ao nível do próprio corpo social, e não acima dele, penetrando na vida cotidiana e por isso podendo ser caracterizado como micro-poder ou sub-poder."


O marxista americano Marshall Berman

Buscando inspiração na frase contida no Manifesto Comunista ("Tudo o que era estável e sólido desmancha no ar"), Marshall Berman escreveu "A aventura da Modernidade", intitulando-a: "Tudo que é sólido desmancha no ar". Em texto apurado, e deveras complexo, a idéia do autor traduz a realidade da beleza de uma cidade ao lado do horror que nela se acumula sem que o Estado o consiga evitar, embora seja sua função-síntese garantir a segurança dos cidadãos produtivos e respeitadores das leis. Mas, paradoxalmente, ao lado de cada cidadão produtivo, ou dentro dele próprio, na forma latente, está o malfeitor que um dia aflorará em incontido desejo de burlar as regras formais.
Vivemos numa sociedade cuja informalidade é assumida. Existe o câmbio paralelo em contraposição ao câmbio oficial; existe a aberrante pirataria; existem meios e modos de sonegação fiscal; existe um Estado que combate a contravenção e a pratica simultaneamente, como se fosse mero concorrente dos contraventores informais. E existe a sacolinha religiosa a recolher na informalidade o seu ágio, sob ameaças de danação a quem negar a contribuição. Existe a impressionante "economia invisível"... Num contexto tão complexo, e real, seriam os "milicianos" meros concorrentes do padre?...
Enfim, negar a existência de micro-poderes informais na sociedade é negar a própria existência do corpo social. As "milícias", na verdade, são apenas mais um modelo informal de suprimento da falência relativa do Estado. Por isso, creio ser pura falácia a crítica midiática e o coral das autoridades públicas cantando que "combaterão as milícias". Ora, sem querer justificar o ágio da "milícia" na festa de São Jorge (santo, aliás, repudiado pela Igreja Católica), eu duvido que o padre não fosse motivado por intenção de igual faturar algum ágio, não importando aqui seus justos ou injustos motivos. Ora, o Estado não consegue vencer os traficantes instalados nas favelas como senhores feudais; como então vencer as "milícias", estas, também formadas por favelados integrados à maquinaria estatal, mas por ela muita vez expurgados por serem uns azarados combatentes de bandidos?
Quero estar vivo e com saúde para assistir a mais este fracasso estatal e societário regado a ágio de festinhas geralmente programadas para tal fim. Pois, se a maquinaria governamental retirar as "milícias", retornará o tráfico com seu Poder Paralelo em pujança. Ou seja, será pior a emenda que o soneto. E, com certeza, sejam "milicianos" ou traficantes os "donos do lugar", nem os primeiros nem os segundos estão preocupados em mergulhar nas trevas do inferno depois de ganhar um balaço. Para ambos os grupos informais (micro-poderes de fato) o inferno que existe é aqui no nosso mundo terreno. Sobre o celestial, que o explique o padre lesado por quem foi mais rápido em passar a sacolinha capitalista entre os festeiros profissionais, geralmente exímios contraventores, uns craques na exploração da boa-fé alheia.



Segunda-feira, 28 Abril, 2008

Policiamento em favelas: a hora do debate

Por Gustavo de Almeida

São vários os debates abertos pela reportagem espetacular de O DIA publicada na última sexta-feira (com três seqüencias extraordinárias sábado, domingo e segunda). Já se debateu a proximidade do asfalto dos traficantes com armas longas, se abordou a questão da culpabilidade do usuário de drogas, e creio que nesta segunda-feira o tema Tráfico na Classe Média deve voltar a ser abordado.
No entanto, a decisão da subsecretaria operacional de rever o projeto dos Grupamentos de Policiamento em Áreas Especiais mostra que já há um outro debate em andamento: são válidos os DPOs e grupamentos que tais em favelas completamente dominadas pelo tráfico pesadamente armado?
Presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj, o deputado Wagner Montes já diz há algum tempo que "DPO em favela tomada por tráfico é hipocrisia". Para o parlamentar e apresentador da Record, o morador de favela ganharia muito mais se houvesse naquele mesmo espaço um clínico geral e um pediatra.
"Não dá mais para negar. DPO em favela tomada pelo tráfico, ou dá em humilhação ou em corrupção. E humilhação do tipo o policial ter que aguentar o traficante mandar 'fechar a casinha', como eles falam, de vez em quando".
Para Wagner, o morador de favela não tem menos direitos que os demais - a questão passa mesmo é pelos direitos dos policiais. "Eles têm o dever de proteger, mas ao mesmo tempo o direito de não ficarem expostos".
A tendência é que as próprias comunidades reclamem da declaração de Wagner Montes, mas é fato que hoje, comprovadamente, este tipo de policiamento está sob discussão. Há experiências dando certo, como por exemplo o Morro do Cavalão e a própria Tavares Bastos, a "favela do Bope".
Integrante da mesma comissão de Segurança Pública, o deputado Flavio Bolsonaro também deu sua opinião. E foi sucinto: "O estado tem que parar de transformar PM em segurança de boca-de-fumo".
Ao que tudo indica, a segurança de DPOs em morros vai ter de passar por aquilo que o presidente francês Sarkozy chamou outro dia de "cidadania dos deveres". O morador cumpre o dever de denunciar o traficante, "limpar" o morro, e o estado cumpre o dever de dar segurança a este morador honesto e trabalhador.
No entanto, a cidadania dos deveres não é uma constante no sistema político brasileiro. Por isso, o debate é necessário, aqui e agora.

Sexta-feira , 25 Abril, 2008

O Estado ausente

Em um extremo da Praia de Copacabana, nesta sexta-feira, dia 14, um seminário com diversas autoridades em um hotel no Posto Seis discute as perspectivas da Copa de 2014. O Estado brasileiro está todo lá, presente. Inclusive a polícia.

No outro extremo, um bairro pequeno e escondido de Copacabana, traficantes armados com fuzis, granadas, revólveres, pistolas, vendem cocaína, atormentam moradores, agridem viciados. O Estado brasileiro está todo lá - ausente.

A reportagem publicada nesta sexta-feira em O DIA, dos repórteres Leslie Leitão e Paula Sarapu, é devastadora e incontestável: não há Estado no Chapéu Mangueira. Há apenas o poderio do tráfico, do fuzil, da violência, da arbitrariedade.
Leia e comente aqui.


Vargem Grande: oásis de segurança e tranqüilidade

Por Bayard Boiteux, professor da UniverCidade

Recente pesquisa da Escola de Turismo e Hotelaria da UniverCidade e da Prefeitura do Rio, através da Secretaria de Turismo revelou que 70% dos 400 moradores entrevistados acreditam que o bairro tem potencial turistico e dentre os que afirmaram isto, apresentam como principais pontos positivos a segurança (60%.), a natureza exuberante e a vida interiorana. Ao serem perguntados sobre os principais problemas, apontam o transporte, a dragagem dos rios, a sinalização e a falta de opções noturnas.
O bairro, conhecido por sua gastronomia, seus haras, o templo budista, um parque aquático, é sem dúvida um oásis na cidade maravilhosa.
Temos feito várias pesquisas em vários bairros, em conjunto com nosso colega, professor Mauricio Werner, e é a primeira vez que os moradores elogiam a tranquilidade de um bairro e o fato de manter ainda caracteristicas interioranas numa grande metrópole.
É um Rio de qualidade de vida, que precisa de posto de informação, um roteiro sistematizado e sobretudo uma valorização de tal auto-estima.
O resgate da cidade passa pelos bairros,que devem ser cada vez mais valorizados e estarem em constante choque de ordem. Ainda existem oásis de segurança no Rio. Vamos preservá-los, identificá-los com cuidado(rsrs) mas sobretudo entender como a natureza, a paz e qualidade de vida são fatores para a segurança.
Uma cidade só é boa e segura, para o turista se for excelente para seus moradores.
Estão são apenas algumas reflexões, no momento em que somos atingidos por ondas, terremotos e dengue - que mais uma vez tomam conta de nosso noticiário e traduzem, certamente um comportamento inadequado do cidadão e das politicas governamentais, com a mãe natureza.

Quinta-feira, 24 Abril, 2008

SOLDADOS SEM FORTUNA

Por Gustavo de Almeida

O BOPE é o melhor símbolo de Estado hoje, para quem quer passar imagem de um governo forte, consolidado, honesto e com coragem: é uma tropa com alta capacidade, treinamento, doses de sacrifício, anti-corrupção e contra todas forças do banditismo existentes. O BOPE hoje elegeria fácil seis vereadores na mesma eleição, se houvessem seis candidatos-caveira. Em 2010, se a propaganda pró-BOPE - principalmente com a bandeira da Vila Cruzeiro - continuasse, o BOPE elegeria um deputado federal e uns cinco estaduais.
Dificilmente o cidadão médio, pagador de impostos, pobre ou rico, deixa de gostar do BOPE, a menos que seja um cidadão pobre que tenha perdido alguém em uma operação em favela - aí, a raiva e o ódio se justificam plenamente (e, decerto, raiva e ódio também dos traficantes).
Com efeito, o BOPE hoje é a cara que o brasileiro queria ver no Estado do qual faz parte.
Mal sabem os brasileiros, no entanto, que o BOPE também tem suas mazelas. E da parte dos mesmos governos que sempre o colocam na vanguarda (ou "ponta").
Vejamos, por exemplo, o caso da família do Tenente Caveira Sarmento, brutalmente assassinado em operação policial no Morro de São Carlos, numa tarde de sábado. A família de Sarmento espera, desde o dia 27 de novembro de 2004, pelo pagamento de seu seguro de vida. Estamos em 24 de abril. E nada foi pago. Quanto? R$ 20 mil. Desde o governo Rosinha. E já quase chegando à metade do mandato atual. Nada foi pago.
A família de Sarmento ainda não foi procurada por nenhum representante dos governos que tanto apreciam o BOPE como forma de marketing da ordem urbana. Por enquanto, convivem com a dor, a saudade, a lembrança de uma notícia terrível que chegou numa tarde de sábado, de um filho que tombou em defesa do Estado constituído.
O Tenente Caveira Sarmento teria pensado duas vezes, se soubesse o que fariam com sua familia o Estado constituído e a Polícia Militar - que com zêlo paga mais de R$ 1 milhão para empresas de capim e mais de R$ 1 mlhão em "vales" na área de saúde (tenho provas em mãos, guardadas por terceiros), mas não lembra da família de um filho devoto e guerreiro assassinado.
Um minuto de silêncio pelos Caveiras do céu. Outro por Sarmento.

Terça-feira, 22 Abril, 2008

Roteirista de "Tropa de Elite" defende integração de Polícia Militar com município: "Até milícias na Zona Oeste têm canal estabelecido com as regiões administrativas e subprefeituras"

Por Rodrigo Pimentel, capitão reformado do Bope, roteirista do filme "Tropa de Elite"


Caro futuro prefeito da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro:

Na semana passada conversei com o comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), Tenente-Coronel Pinheiro Neto, que se preparava para receber o prefeito Cesar Maia na unidade. Fato histórico: pela primeira vez um prefeito visita o BOPE. O motivo não é a mídia do filme 'Tropa de Elite', e sim a descoberta pela imprensa carioca - e até mundial - de que existe uma favela no Rio de Janeiro sem milícia e sem traficantes. O que provocaria este fenômeno tão raro? O jornal The Guardian chega a citar a Favela Tavares Bastos como o destino turístico mais seguro do mundo.
A simples proximidade entre o quartel e a favela não explicaria os oito anos sem nenhum homicídio. Há outros batalhões da PM e também unidades das Forças Armadas próximos, ou mesmo, dentro de favelas, como o 22º BPM, 16º BPM, 2º BPM, o CPOR e até a Força Nacional de Segurança (estabelecida no antigo 24º BIB ao lado da Favela Roquete Pinto) e estas unidades não obtiveram sucesso em acabar com o domínio do tráfico.
A resposta ao fenômeno Tavares Bastos pode ajudar na elaboração de um Plano Integrado de Cooperação entre estado e município.
O coronel Pinheiro, literalmente, derrubou os muros que separavam o batalhão da favela, estimulou a presença dos moradores no quartel, criou programas esportivos em parceria com o empresariado para atender as crianças da comunidade e - o mais ousado - nomeou um major para funcionar como administrador e articulador entre a comunidade e o poder público.
É a este Major que a comunidade pede ajuda quando falta água, quando é localizado um foco do mosquito Aedes Egyptis e até para mediar pequenos conflitos entre vizinhos. Por mais que pareça incrível, o BOPE, batalhão de intervenção e resgate de reféns, está realizando e ensinando policiamento comunitário. Todavia, totalmente desarticulado com o município.

Prometeu o coronel Pinheiro que diria ao prefeito que o poder municipal não reconhece o papel do Major e não atende as demandas mais básicas quando solicitadas, o que é lamentável, pois até milícias na Zona Oeste possuem canal estabelecido com as regiões administrativas e subprefeituras e conseguem, eventualmente, benfeitorias em seus domínios.
O coronel Pinheiro Neto caminha na Favela, sempre desarmado, e estimula esta prática aos seus policiais, os depoimentos dos moradores sobre a polícia são emocionantes, Tavares Bastos passou a ser a favela preferida pelas locações de TV e cinema, houve valorização dos imóveis, aumento da auto-estima dos moradores e o melhor, crianças, de até dez anos nunca viram um corpo estendido no chão e não sabem o que é um barulho de tiro.
Esta experiência pode ser o embrião de um Gabinete de Soluções Integradas de Segurança Pública. A PM pode representar, tutelar e ajudar o município na tarefa de se fazer presente nas favelas.
Tal integração traria facilitação nas ações municipais e, de sobra, ainda implicaria na polícia oferecer algo mais que incursões policiais, poderia até mesmo iniciar o resgate da credibilidade da PMERJ.
Só um prefeito perfeitamente articulado com o estado e com a união poderia propor a criação de uma Coordenadoria de Solucões Integradas de Segurança Pública.


MARCHA DA MACONHA : REIVINDICAR A LEGALIZAÇÃO NÃO É CRIME

Por Milton Corrêa da Costa, coronel reformado da PM

A recente prisão de cinco jovens, no bairro de Laranjeiras, no Rio, acusados de possível apologia ao uso da maconha, por terem sido flagrados efetuando a distribuição de panfletos, nos quais convocavam transeuntes para a chamada " marcha da maconha", no próximo dia 04 de maio, no Arpoador, na zona sul da cidade do RIO,cabe alguma refexão.
Primeiramente não se deve crucificar os agentes da autoridade por conduzirem o caso em presença da autoridade de polícia judiciária, tendo esta o poder de decidir, a priori, sobre a prática ou não do crime. Convenhamos que a lei em vigor( Lei Federal 11343/06 ) , que trata da matéria, é de difícil interpretação.
Por outro lado, posiciono-me convictamente contra a liberação da maconha, inclusive como tenho feito em todos os debates que participo. Acho inclusive a passeata um ameaça aos jovens sadios. Temos que zelar sempre pela criação de uma juventude sadia e não por uma legião de drogados sem rumo. No entanto, no presente caso, salvo melhor juízo, só há crime se houver indução ao uso . Está previsto no Artigo 33 da Lei 11343. Solicitar a mudança da norma, de forma respeitosa e pacífica, até então trata-se apenas de uma reivindicação, própria do estado democrático de direito.
Ressalte-se, porém, que quem compra um "baseado" financia a violência que mata e aleija vítimas inocentes e policiais. Após comprarem a maconha nas farmácias, em caso de legalização, os viciados subirão os morros para consumir crack e cocaína na busca de mais estados alterados de consciência. Não tenham nenhuma dúvida sobre isso. A maconha e o álcool são a porta aberta para o consumo das chamadas drogas pesadas.
Drogas não agregam valores de positividade. Há meios sadios para o jovem direcionar sua impulsividade e seu encanto natural pela vida. Certamente que a droga não é um deles. O exemplo do ocorrido com o ex-futebolista e comentarista Casagrande, hoje internado numa clínica para tratamento de dependentes, em São Paulo, deve ser motivo de relexão para os que insistem na liberação de drogas.
Se os jovens conhecessem os males ds drogas, antes do uso, certamente que não as usariam. Quem se ama não se droga.


Segunda-feira, 21 Abril, 2008

Uma boa notícia na Lapa

Por Gustavo de Almeida

É preciso bater na PM? É. Admitamos. Há corrupção, há policiais em eterno desvio de conduta, há falhas graves de policiamento, há omissões. Mas é preciso também destacar as ações positivas da corporação, como forma de incentivá-las - do mesmo jeito que a divulgação da corrupção e do desvio de conduta (e das punições) deve servir para demover futuros infratores.
E é no Centro do Rio que a PM está prestes a dar uma aula de civilidade e integração - algo que falta em diversos setores da vida pública. Sob a gestão do tenente-coronel Antonio Henrique, comandante do 13ºBPM (Praça Tiradentes), o poder público deixou a política de lado e todos se deram as mãos em busca de soluções e de intervenções urbanas na Lapa. E atuando em várias frentes - trânsito, estacionamento, ambulantes, flanelinhas, segurança, tráfico - conforme publicado em O DIA deste domingo.

O que vai acontecer, já sabemos: a PM e os outros órgãos não vão transformar a Lapa, de uma semana para a outra, em uma Recoleta ou em praça de Paris com seus cafés e bistrôs. Vão continuar assaltos, ambulantes, flanelinhas. Mas em uma escala certamente muito menor.
Ao longo de diversas reuniões, o tenente-coronel Antonio Henrique conversou, e muito, com a Polícia Civil, com a Guarda Municipal, e com os órgãos de fiscalização como o Departamento de Controle Urbano, além da CET-Rio e da Secretaria Municipal de Transportes. Junto com a subprefeitura do Centro, o batalhão formou uma espécie de eixo da ordem urbana.
A Polícia dando apoio aos outros órgãos, e os outros órgãos legitimando as ações da Polícia.
É o que se espera do poder público: ação com integração sem picuinhas políticas. Neste ponto, também marcaram golaços os órgãos municipais envolvidos, que não tiveram o menor receio de deixar uma força estadual assumir a vanguarda das ações.
A fórmula pode - e deve - se repetir: na saúde, na educação, na gestão pública como um todo. Ou os políticos aprendem isto, ou é melhor chamar a polícia.


Alemão: a hora de acordar*

Por Mário Sérgio de Brito Duarte, tenente-coronel da PM, ex-comandante do BOPE e do 22ºBPM (Maré), autor de "A Verdade da Tropa - Incursionando no inferno"

Nem sempre foi assim no Complexo do Alemão.
Arrisco com segurança dizer, que há vinte e oito anos, quando ingressei na Polícia Militar, o quadro era outro.
Não que não houvesse violência, ou que essa se limitasse a pequenos conflitos entre moradores.
Com efeito, a criminalidade no Complexo do Alemão, mesmo naquelas épocas pré-fuzil, já ultrapassava a ação pitoresca dos ladrões de galinha e bandidos pés-de-chinelo, que, em tempos quase remotos, tinham sido vetores de um medo "pitoresco" e exagerado para a população "remediada" de sua vizinhança; da Penha e bairros arredores.
Havia quadrilhas de traficantes drogas e outros bandidos, sim, com seus revólveres, algumas escopetas e talvez uma ou outra metralhadora de mão; todavia, preferiam fugir da presença da polícia, não enfrentá-la, e isso perdurou até meados da década de oitenta, quando armas poderosas foram sendo adquiridas e granadas, lança-rojões, fuzis de assalto e metralhadoras. 30 surgiram na cena carioca, modificando-lhe completamente os quadros de segurança pública.
Não vou asseverar que as políticas adotadas desde então foram lenientes ou complacentes com o tráfico de drogas, mas ouso dizer que até o início do ano passado, uma certa ingenuidade e uma excessiva contemplação sociológica do problema empurraram governantes para estratégias não efetivas de controle da criminalidade e promoção da tranqüilidade pública e paz social.


Se de um lado a ação policial mais ativa para desarmamento de quadrilhas e bandos ocorreu em alguns momentos, ações outras, de natureza social requeridas para desestimular a vontade coletiva de crime com ingredientes psicológicos característicos de subcultura, foram absolutamente procrastinadas.
A antítese da política de polícia de repressão, como se costuma rotular a primeira, quando e quanto pôde tratou de refrear a ação das polícias, teorizando pela predominância das desigualdades sociais como fatores essenciais, fundamentais ou genéricos, promotores do crime, semeando uma espécie de culpa coletiva na população e fazendo-a co-responsável da própria vitimização, identificando, subliminarmente, no criminoso, a verdadeira vítima.
Ora, é certo que haveríamos de acordar de tal sono letárgico. Mais dia menos dia haveríamos de ver que crime, criminosos, combustíveis e comburentes de fatos anti-sociais de anormalidade jurídica, devem ser considerados conjuntamente para se viabilizar políticas de segurança pública; e haveríamos de buscar soluções que aglutinassem os diferentes poderes e esferas do Estado Legal, como vemos agora pela aplicação do PAC, PRONASCI e POLÍCIA de pacificação, que, cada qual com seu papel, espera concorrer na promoção definitiva da tão sonhada inclusão social das populações dessas zonas de conflito e dor.
Às sofridas e mal-remuneradas polícias cabe, certamente, o papel menos sedutor e menos simpático; enquanto houver narcotraficantes empunhando fuzis no Complexo, e se comportando como narco-soldados, Policiais Militares e Civis do Rio de Janeiro e os homens e mulheres da Força Nacional que os apóiam, estarão trabalhando diuturnamente ali, em condições dificílimas de ocupação temporária, com a morte rondando, para cumprir seus deveres traduzidos em suor, sangue e honra, em duro processo de libertação das comunidades das garras do crime.
O Complexo do Alemão completa um ano de intensa movimentação policial. Os números revelam uma impressionante belicosidade, agregada como valor coletivo pelo crime local. Somente na delegacia onde se registram ocorrências do Alemão (lembremos que as Especializadas também fazem registros, apreensões, inquéritos e flagrantes), tivemos apreendidas, pelas Polícias Civil e Militar, de 18 de Abril de 2007 a 17 de Abril de 2008, 366 (trezentas e sessenta e seis) armas, e 62 (sessenta e dois) artefatos explosivos. Além disso, quatro agentes da lei morreram em confronto e registraram-se 107 (cento e sete) autos de resistência de criminosos vitimas de suas escolhas, além de outras 470 (quatrocentos e setenta) prisões realizadas.
Um preço caro, o da liberdade, mas que importa e convém.
O Complexo é do bem.


*Texto publicado parcialmente na edição deste domingo, 20 de abril, de O DIA

A CHACINA CONTA-GOTAS E OS DIREITOS HUMANOS

Por Milton Corrêa da Costa - Tenente Coronel da reserva da PM do Rio.

Num período de 48 horas, no Rio de Janeiro, cinco policiais militares fora mortos por marginais da lei. Num dos lamentáveis incidentes, um terceiro - sargento foi baleado e morto num assalto a ônibus, na Avenida Automóvel Clube, em São João de Meriti, em presença de sua filha, uma adolescente de 14 anos, ao tentar impedir o roubo. Certamente que a jovem levará a triste seqüela proveniente do lamentável fato para o resto de sua existência. Foi testemunha do assassinato de seu pai que tentava defender a sociedade da ação marginal.
Estamos diante, sim, de uma chacina conta-gotas que de há muito ceifa (covardemente) a vida de policiais militares no Rio. Nos últimos doze anos cerca de 1200 PMs foram mortos, numa média de 100 por ano, fato inédito na história policial do mundo.Tal número de mortos é equivalente a um efetivo de um Batalhão PM classe A.

Na França a média anual é de três policiais por ano. No Canadá a média de policiais mortos/ano não chega a um. Note-se que a comparação está sendo feita entre apenas uma instituição policial, de um estado brasileiro, e países que envolvem todas as suas corporações policiais, fato que demonstra a extrema violência da guerra urbana que vivenciamos, onde o grau de letalidade do banditismo do Rio ameaça, permanentemente, a vida de cidadãos e defensores da lei. Matam vítimas indefesas com armas de guerra.
Causa espécie, no entanto, que os organismos de proteção aos direitos humanos- - gostaria de saber quem os financiam- permaneçam calados diante de fato de tamanha gravidade, só comparável hoje à violência no Iraque. Por que se calam os arautos dos direitos humanos e não denunciam ao mundo tamanha barbárie, onde ser policial, no Rio de Janeiro, significa possuir um passaporte para a morte? Que organização de direitos humanos prestará assistência à adolescente que presenciou o covarde assassinato do pai policial? Para que servem tais organizações? Para tão somente denunciar a violência policial? Por que mantiveram-se caladas nos covardes assassinatos praticados por "bandidos sociais" a exemplo do caso da morte do bancário Marcelo, no bairro do Andaraí? A exclusão social confere direitos de matar, assaltar, estuprar e torturar?
São respostas que a sociedade fluminense, constantemente ameaçada por perigosos narcoterroristas, deseja urgentemente saber. Até quando a chacina conta-gotas prosseguirá? Certamente até que o clamor público clame pela implantação de uma lei penal mais rígida e menos benevolente, onde prevaleça, principalmente, o caráter intimidativo da norma e não as suas brechas, que muitas vezes incentivam à própria prática criminosa. Com a palavra o Congresso Nacional e os calados representantes dos direitos humanos.


Polícia merece formação e salários melhores

Por Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana

Uma das queixas mais comuns dos moradores é quanto à qualidade do serviço prestado a população pelas organizações policiais. Essas queixas em boa parte são reflexos da má formação que nossos policiais recebem no Estado do Rio.
No meio policial é comum ouvir a expressão policial "miojo", para se referir àqueles policiais que acabaram de sair da academia de policia ou dos cursos de formação. No Estado do RJ, um curso de formação de um soldado PM dura, em média, aproximadamente 06 (seis) meses.
No ano de 2000, tive a oportunidade de assistir uma cerimônia de formação de policiais no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) da PMERJ. Algo em particular me chamou a atenção. Todos os policiais que estavam se formando usavam boinas azuis, que era uma vestimenta característica dos policiais que atuavam nos chamados Grupamento Especial Tático-Móvel (GETAM).
Ao indagar a um oficial da PMERJ sobre essa minha dúvida, tive a confirmação: Todos aqueles 300 policiais recém-formados fariam parte desse grupamento tático.
Ora, um grupamento tático todo ele composto por recrutas inexperientes não me pareceu uma medida muito adequada. Para se ter uma idéia de como a formação de um policial em nosso Estado é deficiente, no Japão, cuja polícia tem a fama de ser uma das mais eficientes do mundo, as comissões encarregadas de realizar o concurso para escolher os candidatos realizam a seleção mediante exame escrito e oral.
Os candidatos aprovados cumprem um rigoroso programa de capacitação inicial dos oficiais de polícia (o primeiro posto) que é constituído dos seguintes cursos: capacitação pré-serviço; prática no trabalho e capacitação geral de pré-serviços.
Os candidatos aprovados no exame de seleção estudam na Academia de Polícia durante 10 meses. Após, esse período, realizam serviços práticos nas chamadas "koban", que são o correspondente as nossas delegacias, durante o período de 08 meses. Depois, passam a cursar matérias legislativas e conhecimentos especiais, durante 03 meses, totalizando 21 meses o curso para capacitação inicial.
Outro ponto muito importante na formação dos policiais é ter uma remuneração compatível com a importância do seu cargo. O salário inicial de um oficial de polícia no Japão é 13% mais alto que os outros empregados públicos.
Com uma má formação e baixos salários, não há como se esperar por uma boa prestação de qualquer tipo de serviço, que dirá na área de segurança.


Sábado, 19 Abril, 2008

Bolsonaro: "A PMERJ respira com ajuda de aparelhos quando se fala em recursos para sua manutenção"

Por Gustavo de Almeida

O telefone toca e do outro lado da linha está o deputado estadual Flávio Bolsonaro, que leu no Blog da Segurança de O DIA a informação de que a PM do Rio restringiu o acesso ao Boletim Ostensivo. O parlamentar, integrante da comissão de Segurança Pública da Alerj, vem tentando sem sucesso abrir a caixa-preta da área de saúde da corporação. Já pediu informações e não foi atendido. Tenta também esclarecimentos sobre o uso de policiais de folga na segurança do show da cantora Cláudia Leitte. Igualmente não atendido. Nos dois assuntos, Bolsonaro me disse que pretende ir até o fim, acionando Tribunal de Contas do Estado (na área da Saúde) e Ministério Público (em ambos os casos). Conversamos muito rapidamente sobre a questão da transparência na corporação.
Blog da Segurança - Qual a importância de um Boletim ser ostensivo na sua opinião?
Flávio Bolsonaro - É de suma importância a transparência dos atos administrativos da Corporação, para que, não apenas a tropa, mas todos os que zelam pelo interesse público tenham ciência, por exemplo, de como está sendo feita a aquisição de material, ou quais os critérios utilizados para aplicação de punições e promoções.
BS - Por que a PMERJ estaria criando medidas restritivas, em vez de criar formas de ser mais transparente?
Bolsonaro - Trata-se de um retrocesso. A PMERJ já pode lançar mão de boletins reservados quando for necessário preservar uma informação estratégica. Contudo, não dá mais para aceitar o tratamento diferenciado que é dado aos Praças, quase sempre expostos de forma precipitada e irresponsável.
BS - O que o senhor pretende fazer em relação às informações sobre o show de Cláudia Leitte e às medidas restritivas?
Bolsonaro: Quero ter em mãos as provas do desrespeito ao direito sagrado da folga de nossos policiais. É revoltante saber que um soldado, lotado em Campos, é obrigado a abdicar do convívio de sua família, na sua folga de domingo, para trabalhar, gratuitamente, como segurança particular de um show em Copacabana. Em quais condições este policial trabalhará, no dia seguinte, para trazer segurança a todos nós?
BS - Em um boletim recente, a PMERJ publicou um investimento em saúde do dinheiro que seria do rancho. O senhor acha que o fato disto ter se tornado público pode ter levado a corporação a restringir o acesso?
Bolsonaro: A PMERJ respira com ajuda de aparelhos quando se fala em recursos para sua manutenção. A saúde começa por uma boa alimentação. Tirar dinheiro do rancho para aplicar na saúde é um contrasenso, afinal, os militares descontam de forma obrigatória para saúde e o recurso é contingenciado, de forma criminosa, pelo governo do Estado.

Acostumados ao erro

Por Julio Ludemir, escritor, autor de Sorria, Você está na Rocinha e No coração do Comando

A última operação policial no Complexo do Alemão me remeteu a diversos momentos da política de segurança do governo Sérgio Cabral. Isso significa que se trata de uma política. Ela é tão equivocada quanto coerente. Não mudou em nada o panorama, mas eu pelo menos sei o que posso esperar do estado. Não deixa de ser um consolo.

Não há muita diferença em relação à megaoperação do ano passado, quando mais de mil homens promoveram mais uma chacina de estado. Muitas balas perdidas e principalmente muitas manchetes. Mas no mesmo dia em que houve todas aquelas execuções a boca repôs os bandidos mortos. A boca funcionou todas as noites durante aquela guerra. A guerra só ia até as seis da noite. Ou até a retirada dos fotógrafos e cinegrafistas. Não importava. Apenas a versão.
O governador Sérgio Cabral está com uma postura semelhante às operações mosaico de Moreira Franco, quando este assumiu. Também não se sustentaram as operações-rio de meados da década de 90. Não se sustentam inclusive as milícias, que em algumas localidades invadem o morro e depois o vende para a facção adversária. Tenho informações de que isso ocorreu pelo menos em duas favelas da Ilha do Governador - Barbante e Boogie-Woogie. Mas isso é outro papo, que vamos deixar para depois.

As milícias no mínimo vão repetir o fenômeno da Operação Rio, quando várias favelas foram ocupadas em nome de um discurso semelhante ao que sustenta as operações de hoje. Acompanhei em particular o processo de retomada do Acari pelo tráfico. Eles no começo foram ocupando partes concedidas pela Polícia Militar, que assumiu a ocupação depois da saída da Civil. Essas partes foram aumentando até que o Acari voltou a ser um dos bastiões do Terceiro Comando.
A política de enfrentamento ao tráfico não se sustentou e não vai se sustentar enquanto tivermos essa polícia, o grande nó da questão. O combate ao tráfico me lembra o combate à dependência química. O problema não é parar de se drogar, mas se manter abstêmio. O problema não é tirar o tráfico da favela, mas mantê-lo fora. É um trabalho para gerações. Não vejo o acomodado povo carioca com toda essa disposição. O povo carioca vai olhar para o tráfico como olha para a corrupção. Ele termina se acostumando, mesmo que a corrupção e o tráfico se tornem endêmicos.

O carioca também tem a fantasia de que o bom bandido vai tomar conta das favelas. Nessa fantasia, o estado pararia as invasões e os bandidos acabariam as guerras. Esse acordo é típico das políticas públicas cariocas. Isso remonta a uma época muito mais remota do que o governo Brizola, que no nosso imaginário foi o que primeiro fez acordo com bandidos. Na verdade, tanto as polícias como a sociedade carioca fizeram esse mesmo pacto com o jogo do bicho.

A sociedade carioca sonha com a institucionalização do tráfico, tal como se deu com o jogo do bicho. Talvez apareça um Dr. Castor do tráfico para iniciar a LIESAnização do Comando Vermelho. Isso parece difícil no cenário atual, em que os traficantes têm uma aparência tão violenta, tão bárbara, tão primária. Mas para isso primeiro o tráfico teria que parar com a guerra de facções, o que no nosso cenário é tão impossível quanto o fim da igualmente sangrenta guerra do bicho.

Vale lembrar que o jogo do bicho pode ter sido socialmente aceito, mas ele jamais deixou de ser criminoso. A guerra dos caça-níqueis está aí para provar que as estruturas criminosas não deixam de existir porque se institucionalizam. Isso nos leva à conclusão de que o bom traficante é apenas uma fantasia. Pode até acabar a guerra de facção, mas a tendência do tráfico é se espalhar cada vez mais pela cidade. Invadindo os Eqüitativas ou as Lapas, onde hoje o tráfico rola solto em meio àquela noite maravilhosa, nas barbas da policia.
Não sei quanto tempo o atual secretário de segurança vai suportar. Não se ganha a guerra contra o tráfico na mídia. Ganha-se a guerra do tráfico no morro e fundamentalmente com uma polícia honesta, não com uma polícia que de manhã estampa nos jornais uma grande apreensão de armas e à noite as revende para os mesmos traficantes de que elas foram tomadas. Na hora que a sociedade carioca perceber que a verdadeira guerra não passa de um jogo de mídia, o secretário vai ser trocado.
O secretário de segurança está para as políticas públicas como os treinadores para o futebol. Quando você não quer mudar nada, muda o treinador.

*Fotos BBC

Delegacias vazias, ruas seguras

Por Reinaldo S. Oliveira, inspetor de Polícia Civil

Uma vez tive de autuar por Desacato um cidadão que chegou na DP exigindo que fôssemos com ele em sua casa porque queria ver os filhos e a mulher não deixava. Expliquei que aquilo não era atribuição nossa e o orientei a procurar a Vara de Família para requerer esse direito. Bastante alterado e em tom de voz muito alto, questionava nossa eficiência, chegando ao ponto de nos ofender dizendo que éramos policiais de merda. Aí não teve jeito. Não aceitava a autuação, resistiu, quebrou a correia de aço do meu relógio, causou pequenas lesões em alguns de nós. Além do desacato, poderia ser também autuado por Injúria, Lesão Corporal e Dano. Mas fiquei só no Desacato.

Alguns meses depois estávamos no Fórum, para a Audiência de Conciliação. Duas jovens e um rapaz nos aguardavam sendo que uma delas era a Conciliadora. Abriu os trabalhos e após nos ouvir perguntou se eu tinha interesse em continuar com a ação e de pronto respondi que não. Com o tempo entendi que o homem ali ao meu lado, tinha agido daquela maneira porque estava muito nervoso. Seu problema o levou ao desespero ao ponto de agredir policiais dentro de Delegacia de Polícia e o fato de não poder ver os filhos deve mesmo tirar qualquer um do sério, concluí, apesar de reprovar suas atitudes. Pessoa humilde, se fosse condenada a pagar apenas uma cesta básica com certeza o dinheiro faria muita falta. Em dez minutos tudo estava resolvido. Ao apertar minha mão em agradecimento ele me fez lembrar que apesar de franzino e seus mais de 50 anos, continuava dono de uma senhora força física.

Para que o procedimento fosse encerrado assinei termo onde em no máximo quinze linhas a ação por mim iniciada foi arquivada.

Para tanto, fomos ouvidos e após isso o autor foi questionado quanto ao se modo de agir e logo depois a sentença foi proferida. A não ser o referido termo de renúncia, nada mais foi escrito.


Na Delegacia fazemos mais. Reduzimos as declarações de testemunhas, autores e vítimas a termo, sendo estas encaminhadas a exame de corpo de delito; requisitamos os boletins de atendimento médico.

O grande problema é quando a vítima não sabe o endereço correto do autor, o que pode fazer com que demore meses até que ele seja encontrado. Como esses crimes geralmente envolvem parentes e vizinhos é de se esperar que se saiba seu endereço correto, haja vista a intimação se dar através dos Correios.

A pergunta é: nesses casos que envolvem crimes de menor potencial ofensivo não poderiam as partes prestar queixa diretamente nos Juizados competentes?

Por serem a maioria absoluta das queixas nas DPs, tais contendas são as que tomam grande parte do tempo dos policiais e via de regra são arquivadas na primeira audiência o que também é um direito da vítima.

Imaginem as polícias civil e militar não mais se envolvendo em tais queixas! Os policiais se dedicando exclusivamente a apurar crimes graves como o roubo, estelionato, furto, estupro...

É claro que a lei tem que ser cumprida, mas o que insisto em lembrar é que elas podem ser alteradas e nesse caso, para melhor.

Creiam senhores que quando isso ocorrer, certamente o número de marginais identificados, processados e presos será muito maior.

Ocupar as polícias com queixas prestadas por impulso, no momento da ofensa e mais tarde retirá-las porque a raiva passou deveria ser algo que o cidadão repensasse. E como é da natureza humana "perdoar" - e que bom que seja -, antes disso os envolvidos poderiam ser encaminhados a um conciliador, um mediador de conflitos, para que este, numa audiência com as partes envolvidas, agisse de modo a fazer com que se entendessem, aceitassem as desculpas ali, sem precisar envolver polícias e justiça.

Seria sem sombra de dúvida um avanço na direção de somente nos atermos a crimes cujas penas culminassem na perda da liberdade, aqueles mais graves, que aterrorizam a população.

Outro exemplo? Imagine uma colisão entre veículos envolvendo dez pessoas. Não importa quantas restam feridas mas tais ferimentos foram leves. São acionados Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil que aciona Perícia para o local, atendimento em hospital, encaminhamento ao IML para corpo de delito, Boletins de Atendimento Médico são requisitados. Após todos os envolvidos terem sido qualificados, prestado declarações, pergunta-se às vítimas se desejam prosseguir com o procedimento e basta que elas digam não para que todo o aparato citado acima tenha sido em vão!
Se os legisladores se esforçassem um pouco mais não poderiam achar uma solução, um atalho para que esse tipo de ocorrência não exigisse tantos servidores, viaturas e tudo mais que os move, à toa?



Sexta-feira , 18 Abril, 2008

Oficial que brigou com deputado é promovido a coronel

Por Gustavo de Almeida

Erir Ribeiro da Costa Filho, oficial da PM que ganhou projeção nacional ao fazer reclamação em público da ingerência política em ações policiais no Morro da Mangueira, se torna coronel PM nesta segunda-feira, dia 21 de abril. A promoção faz justiça a um integrante da PM do Rio que foi "cangalhado" (na linguagem militar, ultrapassado de forma indevida e por influência externa) pelo menos quatro vezes na lista de promoções no governo anterior - no atual, Erir sempre esteve nas posições próximas mas o número de vagas era insuficiente. E outros oficiais acabaram ganhando notas altas, mesmo sem terem feito grandes comandos.
Quando tenente-coronel, Costa Filho - seu nome de guerra - sofreu muito depois de acusar o deputado Francisco de Carvalho de pedir a ele menos rigor contra o tráfico - segundo o deputado, em horário escolar. Quando o ex-governador Anthony Garotinho assumiu a Secretaria de Segurança, ele perdeu o comando do 4ºBPM (São Cristóvão). Algum tempo depois, quando o coronel Hudson Aguiar assumiu o comando da PM, o nomeou na Ajudância-Geral, uma função normalmente dada a oficial no último posto da carreira (coronel ou "coronel full" como se diz internamente). Ali Costa Filho permaneceu até ser nomeado comandante do Batalhão de Choque, já na gestão do coronel Ubiratan Angelo.
O oficial chegou a participar do movimento dos Barbonos. Na tarde fatídica em que todos os que aderiram - inclusive o tenente-coronel Fernando Príncipe Martins - assinaram um documento se comprometendo a pedir exoneração, Costa Filho recuou e não assinou. Com a assunção do coronel Gilson Pitta Lopes, saiu do Batalhão de Choque, uma unidade operacional, para o cargo de chefe da Diretoria Geral de Apoio Logístico (DGAL).
Costa Filho, no entanto, é o segundo da lista de promoções. Vamos a ela:


Número 1 - Rocha Barros - Atual comandante da Academia Dom João VI, não chegou a completar um ano em comando de batalhão. Comandou o 5ºBPM (Praça da Harmonia) e teve boa atuação - infelizmente, ficou marcado por ter feito uma cerimônia de inauguração de novos banheiros
Número 2 - Costa Filho, já mencionado
Número 3 - Paulo Mouzinho - O tenente-coronel Mouzinho poderia, ser, se quisesse, vereador pela Barra da Tijuca com votos no Leblon e São Conrado. Ainda na gestão Ubiratan, cogitou-se um troca-troca. Millan, do 23, iria para a Barra e Mouzinho viria para o Leblon. Os moradores da Barra fizeram lobby - no bom sentido - fortíssimo para Mouzinho permanecer, e assim foi feito. Seu comando, em termos de longevidade, rivaliza com o do próprio Millan.
Número 4 - Robson Batalha - Encarou batalhas fortíssimas: assumiu o comando do 20ºBPM (Mesquita) logo depois da Chacina da Baixada, em 30 de março de 2005. Depois, assumiu o 9ºBPM (Rocha Miranda) e no dia seguinte o menino João Hélio, de cinco anos, foi morto, arrastado por sete quilômetros em sua área. É considerado um homem da área de informações e durante a gestão Ubiratan, seu nome foi aventado, curiosamente, como bem cotado para substituir o próprio Pitta na chefia da PM2.
Número 5 - Rosano Augusto de Souza - Atualmente em Macaé, este oficial tem história no interior. Atuou na terra do vice-governador Pezão (Piraí), como comandante do batalhão de BARRA do Piraí, o 10º.


Detalhe necessário: esta é a lista que a PM enviou ao Palácio Guanabara. O governador não fez a menor interferência ou sequer esboçou fazer qualquer pedido em nome de qualquer oficial. Assinou e mandou publicar.


Quinta-feira, 17 Abril, 2008

Jardim e os segredos da PMERJ

Por Gustavo de Almeida

Abaixo, algumas frases de impacto do coronel Marcus Jardim, em seus períodos de comandante do 16ºBPM (Olaria) e chefe do Comando de Policiamento da Capital (atual 1ºCPA). As frases refletem uma polícia combativa e guerreira. Mas ao mesmo tempo, estas frases e mais a recente medida restritiva de acesso ao Boletim antes chamado de Ostensivo, trazem para a PM do Rio um rótulo triste. A medida foi publicada na semana passada. Quem quiser ler, é só clicar aqui.
Sobre as restrições de acesso ao boletim, já há conversas nos corredores da Assembléia Legislativa. Muitos parlamentares da área de Segurança Pública estranharam. A conferir.
Uma frase é mais interessante que a de qualquer outra do já citado coronel. Perguntado sobre possibilidade de dar entrevistas sobre policiamento ostensivo, quadro de efetivo e outros assuntos, o 01 da corporação respondeu ao repórter:
- Só falo sobre assunto que me interessa.
Pano rápido e vamos às frases do Jardim:

"Quem não gosta do Caveirão gosta de maconha. Quem não gosta do Caveirão, gosta de cocaína"
(Novembro de 2007)

"Esta é a representação de nosso veículo blindado, carinhosamente apelidado de caveirão, que tantas vidas já salvou. Viva o 16º Batalhão da PM, viva o caveirão!"
(Novembro de 2007, ao dar réplica do Caveirão ao relator da ONU, Philip Alston)

"Este será um ano marcado por três pês: Pan, PAC e pau"
(Novembro de 2007)

Baile funk em favela é reunião de vagabundo
(Fevereiro de 2008)

"Quem não sair vai acabar comendo capim pela raiz"
(Março de 2008, sobre os traficantes em tempos de obras do PAC)

Liberdade e ordem

Por Cláudio Barroso Magno Filho
Coronel da Reserva do Exército Brasileiro

Segurança Pública é o tema principal deste fórum, mas o que significa? Seria uma sensação de liberdade para a busca da felicidade, essência da razão de viver? Sim, desde que seja um bem coletivo, desfrutado por todos e promovido pelo poder do Estado. Não é um bem fácil de conquistar e manter. Obteremos segurança exclusivamente com ações policiais, preventivas ou coercitivas? Obviamente, considerada a complexidade do "sentir" e do "ser feliz", não! Como seria uma estratégia para a obtenção dessa Paz Social?
Felicidade não enche barriga, mas uma barriga cheia é fundamental para a conquista de felicidade, que decorre da satisfação das necessidades dos indivíduos. Em uma sociedade harmônica e justa, todos devem ser felizes, cada um a seu modo, todos se respeitando, com "liberdade e ordem". Tudo depende, dentre outros fundamentos, de: organização (instituições), princípios (valores e educação), limites (autoridade), penalidades (justiça), oportunidades (desenvolvimento), integração (liderança), e segurança (a tradicional, com proteção da vida e do patrimônio).
Temos segurança coletiva no Rio de Janeiro? Sim, dizem os otimistas. Que estamos em guerra urbana, afirmam os pessimistas. Os equilibrados, naturalmente, opinam com base em um diagnóstico competente, fruto da análise de indicadores racionalmente selecionados e acompanhados. Se não há segurança, o que fazer? Quais os objetivos de segurança para satisfação do Povo Carioca? Quais os recursos disponíveis para a sua obtenção e como aplicá-los? É nesse contexto que surge o planejamento estratégico: diagnosticar o problema; definir objetivos; identificar e desenvolver os recursos necessários; e estabelecer como empreender as ações necessárias.

Sem a pretensão de apresentar uma concepção estratégica para a segurança pública do Rio de Janeiro, destacamos alguns aspectos pertinentes. A abordagem deve ser sistêmica e não exclusivamente policial. Sistêmica por integrar os diversos setores que atuarão com sinergia e harmonia. Também, deve ser permanente, com continuidade, com o antes e o depois, coerentemente. Essa integração deve ser guiada segundo valores institucionais, com vontade política e uma clara liderança estratégica, emanada do Palácio Guanabara, aglutinando as forças da cidadania.
Seria possível construir a segurança coletiva somente com a captura ou morte de bandidos e a conquista dos seus redutos? No Haiti, na pacificação de Cité Soleil, jamais emitimos ordens para a eliminação de grupos armados ou para a conquista de regiões sitiadas, embora isso ocorresse naturalmente. Lá, as ordens foram, sempre, com o objetivo de "contribuir para a promoção da mudança de atitude na população, resgatando o princípio da autoridade". Também, as ações visavam a que o "bem prevalecesse ao mal" e que a "esperança frutificasse na alma do povo".


Crianças brincam no Haiti, depois da intervenção da Força Jauru do Exército Brasileiro, que atuou também em frentes sociais - FOTO do Acervo do coronel Barroso Magno

Então, como plantar a semente da liberdade e da ordem? Assumindo os nossos compromissos de cidadania; revertendo o imobilismo gerado pelo medo; educando e desenvolvendo, para absorver os excluídos; convivendo em harmonia, com generosidade e sem individualismo; fortalecendo as instituições do Estado, pela profissionalização e valorização dos seus quadros; pelo exemplo e liderança, fundamentados em valores éticos; pela integração dos esforços; pela continuidade e permanência das medidas, com coerência; com vontade política; e comprometidos com o bem comum.
Vamos nessa, vamos juntos! Força!



Quarta-feira, 16 Abril, 2008

O fim de um marginal da lei

Por Milton Corrêa da Costa - Tenente-Coronel PM

Como noticiado pelos órgãos de imprensa,o traficante do Morro do Adeus, no Rio, que atendia pela alcunha de "MATA RINDO", portando um fuzil de guerra (Fal 7.62) e transitando num carro roubado, morreu, juntamente com um comparsa, na madrugada do último domingo, na Avenida Brasil, ao se deparar com uma guarnição da Polícia Militar, cuja missão constitucional é a de preservação da ordem pública.
Bandido frio, covarde e sanguinário tinha em seu currículo diversas mortes, inclusive de policiais em serviço. Morreu como viveu boa parte de sua existência: confrontando com a sociedade e ameaçando cidadãos ordeiros e agentes da lei . Note-se que aqui não se está defendendo uma política de extermínio aos marginais da lei.
Não é essa a missão da polícia, cujos parâmetros de atuação devem estar sempre calcados na técnica, no equilíbrio e no emprego seletivo da força. No entanto, neste episódio, os policiais atuaram na legítima defesa de suas vidas, seriamente ameaçada por um grupo de marginais. Mataram para não morrer. Mata Rindo não fará nenhuma falta à sociedade. No máximo terá a misericórdia divina e de órgãos protetores de direitos humanos. No confronto armado entre um policial, cumpridor de seus deveres, e um perigoso meliante, que se preserve sempre a preciosa vida do agente da lei, cuja sociedade necessita mais do que nunca de seus serviços.



Segurança Pública e o equívoco da guerra

Por Vinícius George, delegado de Polícia Civil, ex-presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil, atuação em várias especializadas como a Divisão Anti-Seqüestro e a Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos

Preliminarmente parabenizamos e agradecemos ao jornal O DIA por este espaço para que profissionais de segurança pública, jornalistas, pesquisadores, qualquer pessoa do povo, possam discutir, de forma educada e civilizada, uma questão extremamente complexa e que tanto preocupa a sociedade. Não há dúvidas de que a segurança pública é uma questão plurifatorial e multiinstitucional. Não sendo, portanto, um problema simples e meramente policial.
Razões históricas, estruturais e conjunturais, de ordem econômica, social e política nos levaram - e ainda levam - a este quadro crítico que vivemos. Concentração de renda, extrema desigualdade, corrupção política e seus filhotes, má prestação pelo Estado dos serviços de educação, saúde e transporte, ausência de uma política pública de habitação popular, consumismo, racismo, hipocrisia social, entre outras, são, sem contestações significativas, causa da extrema violência criminal que assola o Brasil, especialmente, o Rio de Janeiro.
É obrigação de todos, Municípios, Estados/Distrito Federal e União, por meio das suas Instituições e seus poderes, bem como da sociedade pelas suas organizações, trabalharem de forma racional, lógica, permanente, integrada e sistêmica para estabelecer um controle republicano e democrático,eficaz e eficiente, da criminalidade.
Em nossas participações no Blog procuraremos abordar os assuntos que dizem respeito à Polícia e ao sistema de Segurança Pública como um todo. Iniciamos, objetivamente, seguindo uma trilha já apontada pelo Delegado Rayol e pelo Juiz Damasceno, polemizando em cima da "guerra às drogas" ou, da "guerra ao crime" que verificamos no Rio de Janeiro, onde temos, segundo as pesquisas, a Polícia que mais mata e mais morre no mundo.
E por acaso isto gerou redução da criminalidade?
Vamos ver, a título de observação, alguns números oficiais dos últimos 10 anos.
Em 1998, 897 pessoas foram mortas pela Polícia. De lá para cá, basicamente numa curva ascendente, 1.330 foram mortas em 2007.
Em 1998, 139 policiais foram mortos em serviço e fora de serviço, (mas, em regra, em razão de serem policiais). Em 2007, 151 policiais mortos, tendo o ápice sido em 2003, 195 mortos.
Nesse mesmo período (1998/2007) os principais indicadores de criminalidade (homicídios, latrocínios e roubos de veículos) se comportaram como veremos a seguir:
Homicídios passaram de 5.741 para 6.133, ápice de 6.885 em 2002.
Latrocínios (roubo com morte) de 130 para 197, pico de 245 em 2001.
Roubo de veículos de 21.519 para 31.849, auge de 36.434 em 2002.
Sabemos o quão chato é exposição de números, por isso mesmo não vamos ficar aqui apresentando taxas, variações, percentuais, etc., mas não poderíamos deixar de fazê-lo, minimamente, para não ficarmos nos velhos "achismos".
Pois é, a Polícia matou mais, morreu mais, e a criminalidade aumentou!
Outro ângulo de análise dessa "guerra" é o seu custo. Consultando o Tribunal de Contas do Estado (TCE) verificamos que a despesa do Estado com Segurança Pública, nesse período, cresceu muito, chegando a quase R$ 4 bilhões (ano), o que representou um patamar que ultrapassou a casa dos 12% das despesas totais do Estado por ano.
Estudo econômico de alcance nacional mostrou que o Rio de Janeiro foi o Estado da Federação com o maior gasto em segurança pública, per capita.
Claro que isso não se deu só pela "guerra", mas não se questiona ser a logística de guerra extremamente cara.

Poderíamos agregar nesse custo o da rede de saúde, as perdas do comércio, do turismo, da economia como um todo, muitas vezes, mais por causa dessa "guerra", do que pelo crime em si.
E a perda de capacidade laborativa, de PIB (Produto Interno Bruto) que representa a morte de uma pessoa, sobretudo jovem, sejam vítimas de "bala perdida" (meros danos colaterais inevitáveis numa guerra?!?!?!), de policiais ou, até mesmo, de criminosos. Em suma, há muito que discutirmos, existindo outras variantes, todavia o que tem se demonstrado é que essa "guerra" é de um lado caríssima, inclusive em detrimento do salário dos próprios policiais, e do outro ineficiente e ineficaz.
Ah, mas os traficantes-criminosos recebem os policiais à bala de fuzil, os corajosos e voluntariosos policiais-soldados. Sim, é verdade, não restando, na situação limite, aos policiais-soldados alternativa que não o uso da força letal
Como é verdade, também, que as armas, os explosivos e o abastecimento regular de munição têm origem nos desvios dos depósitos/paióis das Polícias e das Forças Armadas ou contrabandeadas/traficadas por criminosos travestidos de policiais e militares.
Temos de controlar melhor o nosso armamento e os nossos quadros!
Temos de intervir nas áreas onde estão esses criminosos e prendê-los, apreendendo as armas. Isto é inquestionável, mas temos de fazê-lo, não vitimizando, mais ainda, a população que habita essas comunidades, em sua maioria esmagadora de pessoas simples e trabalhadoras e, sim, protegendo-as e garantindo os seu direitos, legitimando assim, inclusive obtendo as informações necessárias, o trabalho policial.

Os exemplos de intervenções policiais de Acari em 1996, do Alemão em 2002 e , atualmente, do Cavalão em Niterói, apontam um longo caminho a ser perseguido.
Não pretendemos, por óbvio, nessa nossa participação inicial esgotarmos o ponto e estabelecermos uma verdade. Pelo contrário, queremos, tão somente, "levantar a bola" para a reflexão e a discussão, seja pelos segmentos sociais que legitimam essa "guerra", seja pelos políticos que estabelecem essa estratégia, mas, sobretudo, pelos policiais-soldados que a executam.


(*Do blog: fotos do site http://www.janchipchase.com/)

Terça-feira, 15 Abril, 2008

Reformados por invalidez reclamam de abandono

Por Gustavo de Almeida

A Assembléia Legislativa do Rio formará nesta quarta-feira uma comissão de deputados para, em 120 dias, apresentar um relatório sobre a real situação dos reformados por invalidez nas polícias civil e militar e no Corpo de Bombeiros. Segundo acaba de dizer - na tarde desta terça-feira, via telefone - o deputado Wagner Montes (PDT), o número de denúncias que chega pelo Disk-Segurança de seu gabinete ultrapassa o limite do aceitável. "São denúncias todos os dias. A maior parte é de reclamações quanto a pensões não pagas. Quase todos são mutilados, que não têm de onde tirar sustento. Há falta também de remédios e de tratamento médico", diz o deputado, presidente da Comissão de Segurança Pública da Alerj. Segundo Wagner, faltam apenas três assinaturas, que ele pretende conseguir nesta quarta-feira. O relatório deve bater firme nos setores de previdência da área de segurança.
Quanto ao projeto de reaproveitamento dos inativos em batalhões, nesta terça-feira saiu de pauta mais uma vez. Muitas emendas continuam entrando. É possível até que a comissão a ser formada na quarta crie uma emenda para aproveitar inativos. "Um policial em uma cadeira de rodas pode trabalhar em alguma coisa, tem o conhecimento específico para isso", explica o deputado

CORONEL LOPES: "SÓ NÃO APREENDE CAÇA-NÍQUEIS QUEM NÃO QUISER APREENDER"

Por Gustavo de Almeida

Na PM desde 1976, o coronel Paulo César Lopes, comandante atual do CPA da Zona Oeste, esteve sempre no olho do furacão. Era Lopes quem comandava o 15ºBPM (Duque de Caxias) nos dias que antecederam a terrível Chacina da Baixada - naquela unidade houve o episódio da morte de dois inocentes, um dos quais com a cabeça jogada para dentro do batalhão. Depois, assumiria o Batalhão de Polícia Ferroviária e o polêmico Getam*, sempre com mão de ferro, disciplinando e empreendendo caçada aos focos de corrupção. Em dezembro de 2006, depois que o coronel Celso Lacerda Nogueira foi preso sob acusação de envolvimento com a Máfia dos Caça-Níqueis, "sobrou" para Lopes comandar o 14ºBPM (Bangu), onde apreendeu mais de 1000 maquininhas em um ano. Nesta rápida entrevista ao Blog da Segurança de O DIA, este é o principal assunto abordado.
Blog da Segurança - A polícia pode e deve reprimir as máquinas caça-níqueis?
Coronel Lopes - Sim. Hoje só não apreende máquina de caça-níquel quem não quiser apreender. Basta ir na Receita Federal buscar o procedimento de praxe e empreender a operação. No 14º foram mais de 1000 máquinas apreendidas e lacradas. As operações eram sigilosas até o momento da deflagração.
BS - E houve, naturalmente, pressões de alguns setores?
CL - A 34ªDP, por exemplo, na época me indiciou depois de uma operação em um depósito da Rua Cônego de Vasconcelos. Fui indiciado por arrombamento, prevaricação, abuso de autoridade e usurpação de função pública. Dois dias depois disso, apreendi mais 200 máquinas, e um oficial veio me perguntar qual era o nome da operação. Eu respondi: 'Operação Arrombamento Prevaricação Abuso de Autoridade e Usurpação de Função Pública'.
BS - A corrupção pode ser combatida hoje em dia na PM?
CL - A tropa da PM é muioto boa. O desvio que ocorre se deve principalmente à má conduta de alguns oficiais. O comandante honesto não nomeia subcomandante desonesto. Você conhece o bom comandante pelo subcomandante e pela tropa no terreno.

*A informação não procede, me confundi na biografia, o oficial não comandou tais unidades, conforme corrigiu um leitor pelos comments (agradeço pela correção)

Segunda-feira, 14 Abril, 2008

Um evento de paz entre favela e asfalto

Por Jovem Cerebral, rapper, ex-detento, vocalista da banda Stereo Maracanã (http://www.myspace.com/stereomaracana)

Um grande Salve a todas as comunidades e aos cidadãos cariocas que neste blog tentam encontrar novas formas de unificação entre as Sociedades de Baixo e a de Cima. Tenho observado todo dia o grande numero de ações policiais contra a violência em nossa cidade e principalmente sendo a favela alvo preferencial dessas operações. Fico muito triste em ver que aqui no Rio é muito comum jovens com 11 anos em diante estarem fazendo parte da empresa Tráfico S.A. por diversos motivos que todos estamos carecas de saber (falta de educação, cultura, auto-estima e trabalho).
E a sociedade pouco tem contribuído para que isso mude, e só se faz ausente ou na maioria das vezes utilizando seu braço armado (POLÍCIA) para se mostrar presente, contribuindo para o ciclo de violência e etc...
Não sou contra a POLÍCIA e nem a favor do Tráfico, porém não posso deixar de notar que os dois têm feito muito mal às favelas, principalmente às crianças e aos jovens, que estão morrendo a mingua, com seus corpos crivados de balas de fuzil.
O Rio de Janeiro vem sistematicamente matando seus jovens (seja sem educação e trabalho ou em combate nas guerras contra a polícia ou empresas rivais) de maneira bruta e boçal com o pretexto de estar combatendo a criminalidade. E pouco tem feito para combater os verdadeiros criminosos dessa cidade, sim! Os que usam terno e gravata e são nossos representantes nas repartições públicas do Estado e Município.
Políticos que roubam da merenda, da educação, da saúde, do trabalho. Ou o bacana que é dono de empresa e usa o morador da favela como mão-de-obra barata e, de quebra, sonega impostos, como é normal aqui. Impostos e recursos estes que, com certeza, fazem muita falta na formação desses jovens, e praticamente os obriga a entrar para o tráfico de drogas, empresa que está sempre em expansão e com vagas abertas para novos funcionários.
Amo muito minha cidade e meu pais, porém tenho a plena convicção de que jovem no Brasil nunca é levado a sério! Depois não Adianta chorar por que aqui a Favela Fala.
Para mostrar que ainda existem caminhos, a comunidade do Morro da Mineira e a Posse Reagir vêm com muito orgulho convidar a toda Sociedade Brasileira e Internacional a conhecerem nosso Projeto Piloto Favela Graffiti Social 2008 que estará acontecendo na comunidade e começa dia 19 de abril com término dia 27 do mesmo mês, ou seja um evento de nove dias que inclui desde graffitis temáticos, a workshoppings de produção, graffiti e dança de rua.
Com muita música, informação e cidadania. Todos os dias, das 8h em diante, nossa meta é fazer o maior graffiti em favela do estado do Rio de Janeiro, além de despertar o interesse coletivo na comunidade e na sociedade em geral. Esse projeto é tão somente um piloto e tem o intuito de mostrar a nossos governantes e elites que temos outros caminhos sem ser as balas dos fuzis, e esse é um deles!
Seja bem vindo!

Violência e desordem urbana atingem auto-estima dos tijucanos

Por Gustavo de Almeida

A UniverCidade foi a campo, com os alunos da Faculdade de Turismo, e abordou um aspecto do Rio pouco explorado pelo setor: a Tijuca e como seus moradores vêem o potencial turístico do bairro. Os números trazem conclusões interessantes.
Há poucos bairros no Rio que somam tanta história e tradição quanto a Tijuca. Centro irradiador de cultura da Zona Norte (ainda que muita gente brinque dizendo que é "a Zona Sul da Zona Norte"), a Tijuca até a década de 80, mesmo com todos seus morros e tráfico, ainda tinha o charme de ir à Saens Pena e dizer "vou na Praça", as noites no rock do Robin Hood Pub, as tardes no Tijuca Tênis Clube e, claro, as empadas do Bar Salete.


Vista da Tijuca - site www.marcilio.com

A tradição da Tijuca remonta aos melhores dias do Rio de Janeiro - um Rio desenvolvimentista, com boom industrial-técnico, excelentes escolas e comércio com fortes raízes na comunidade e nos moradores-fundadores.
Mas eis que, a partir da década de 80, a favelização que já existia sofre verdadeira explosão. Morros como o Borel, Casa Branca, Chacrinha, Turano e Salgueiro sofrem grande crescimento populacional. No asfalto, camelôs tomam conta da "praça", ou seja, da Praça Saens Pena. Quem tenta ir da Saens Pena até o antigo Off-Shoping pela Rua General Roca mal consegue andar. É a ausência completa do poder público. É a presença do improviso, da gambiarra, do informalismo que afunda uma nação.
A pesquisa da Escola de Turismo e Hotelaria da UniverCidade - em conjunto com a Secretaria Especial de Turismo da Prefeitura do Rio e apoio da Planet Work e Fundação Cesgranrio - ouviu 500 moradores do bairro do dia 20 ao dia 30. A pesquisa foi coordenada pelos professores Bayard Boiteux, diretor da Escola de Turismo e articulista do Blog da Segurança de O DIA, e Mauricio Werner, coordenador geral do curso.
Um dos resultados mostra a queda da auto-estima: 60% dos tijucanos acham que o bairro não é turistico, mesmo com algumas belezas como as igrejas, o Alto da Boa Vista e o Pólo Gastronômico. E o que faz os tijucanos se sentirem assim, isto é, quais são os pontos negativos? Nada menos que 45% dos moradores disseram que o problema maior é a segurança. Outros 25% citaram a favelização, e 20% apontaram a mendicância. Por fim, 10% dos moradores acreditam que o pior mesmo são os camelôs.
De pontos positivos, 45% mostraram que não olham mais para as belezas do bairro: apontaram o metrô. Ora, o metrô ser ponto positivo da Tiuca é um tanto melancólico. Outros 35% disseram gostar dos shoppings - e shopping, como sabemos, não é bairro. Apenas 8% citaram os restaurantes.
Cerca de 70% dos moradores que responderam à pesquisa foram nascidos e criados no bairro.
Apenas um grande projeto integrando estado e município pode salvar a Tijuca de vez e fazer com que o bairro irradie ordem urbana e otimismo para o restante da cidade.
Pena que esperar integração entre município e estado em ano de eleições é, digamos, complicado.



A Tuba do Serafim

Por Emir Larangeira, coronel PM e escritor, autor de nove livros

Contrariando a lógica institucional da PMERJ, que no seu site oficial começa a contar sua história a partir da criação da Divisão Militar da Guarda Real de Polícia da Corte, em 13 de maio de 1809 (origem da PMDF e posterior PMEG), vou falar da outra, PMRJ, criada em 14 de abril de 1835, e que jamais será apêndice da primeira, por mais que insistam os saudosistas de lá. Claro que sou "de cá", um genuíno "treme-terra", e devo lembrar que a PMERJ foi abortada em 15 de março de 1975, teratogênese nunca assumida pelos que nela ingressaram após esta malfadada data.
Neste 14 de abril de 2008 a história nos remete ao ano de 1824, ao dia 25 de março e à Constituição do Império promulgada nesta data. No seu Art. 165, a Carta Imperial instituiu para as províncias um presidente nomeado pelo imperador, este que poderia remover aquele a seu bel-prazer. Houve, no primeiro momento de euforia, a sugestão de algumas medidas de participação popular nos destinos das províncias, porém logo sepultadas (1834), instituindo-se um retrocesso. Tornou-se o império um sistema mais fechado que antes, com as províncias limitadas à condição de coadjuvantes do poder concentrado no imperador. E por conta de deliberações seguintes criou-se, em 14 de abril de 1835, por ato do Presidente da Província, Dr. Joaquim José Rodrigues Torres, a Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro, tendo como primeiro comandante o capitão João Nepomuceno Castrioto (O Major de Milícias Miguel Nunes Vidigal que espere a sua hora!).

Tornando a 1835, assim se iniciou a história de glórias e de fracassos de uma corporação abruptamente extinta em 1975 pelo regime militar. De glórias, primeiro, pois a participação heróica desta força miliciana na Guerra do Paraguai, formando o 12º Corpo de Voluntários da Pátria, a fez merecer a alcunha de "treme-terra". E de fracasso porque da condição de força auxiliar reserva do Exército Brasileiro, e de tropa aquartelada (força de segurança, típica de defesas interna e territorial), a milícia passou a exercitar sem pendor a atividade policial (defesa pública); pois, para tanto, nada mudou em sua estrutura e na cultura forjada no aprendizado precípuo daquelas defesas mais gravosas.
A defesa pública (ato) decorrente da segurança pública (garantia), em vista da manutenção da ordem pública (situação), tornar-se-ia prioritária a partir de 1964. Foi quando a milícia saiu maciçamente dos quartéis para substituir as patrulhinhas policiais civis no policiamento ostensivo. Enfim, um salto ornamental sem treinamento condizente com seus riscos, porquanto não houve nenhuma transformação estrutural nem se aprofundou o conhecimento da nova missão, em especial quanto aos fundamentos que deveriam nortear as ações milicianas na defesa pública.

Curiosamente, antes da vigência do regime militar (1964), as milícias brasileiras, - muitas com designações diversas, mas com a mesmíssima estrutura organizacional, cópia da organização militar (Exército Brasileiro) à qual ainda devem obediência como forças auxiliares, - as milícias brasileiras viviam no bem-bom intramuros de seus quartéis. Jorrar seus efetivos nas ruas teria sido excelente medida, sim, desde que precedida do devido preparo. Não houve preparo. Até mesmo a Instrução Policial Básica Individual (IPBI), como assim era chamada, permaneceu como "fundamento" único a justificar a abrupta mudança: uma avalanche de milicianos fardados, armados e espalhados pelas ruas e logradouros públicos Brasil afora.
Sem embargo, o miliciano transmudou-se de combatente, de soldado treinado no "grupo de combate" e no "controle de distúrbios", a patrulheiro individualizado e destinado a proteger cidadãos contra delinqüentes. O miliciano, - militar na essência, - passou a ser "policial" na existência, porém submetido aos rigores e cobranças por via do seu perfil predominantemente "militar". Mais que curioso, tudo se tornou aberrante contradição, coisa típica de quem pode dar ordens institucionais sem se preocupar com a objetividade e a excelência dos serviços a serem prestados... a quem?...

Sim, prestados a quem?... Ora, é fácil matar a charada, bastando para tanto ler o Título V da Carta Magna de 1988: "Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas". Com efeito, tudo destinado a defender o Estado e suas Instituições Democráticas, e nada constitucionalmente endereçado aos Cidadãos Brasileiros. Deste modo, estamos condicionados pela Lei Maior a cuidar antes do Estado, permanecendo a Sociedade num segundo plano de preferência. Daí a ambigüidade funcional que se vê nas milícias, mormente nos Estados-membros em que a criminalidade está a vencer as Instituições Democráticas, ou pela fraude ou pelo sangue. Pois a forma miliciana não segue a função social que lhe está a cobrar resultados positivos, e sua estrutura jamais se flexionou além do improviso para atingir tão relevantes objetivos, em especial porque a fonte geradora desses objetivos - a Lei Maior - não se refere ao cidadão como um fim prioritário da tal "Defesa". Isto nos leva a uma alegoria que se poderia desdobrar infinitamente: um cirurgião só pode praticar o seu ofício se antes dominar a teoria que o embasa. Sem o conhecimento prévio dos fundamentos que o nortearão, o cirurgião jamais poderá praticar a cirurgia e salvar o doente. Isto vale até para os esportes, que só serão melhormente praticados se os fundamentos se antecederem à sua prática. Isto vale para a polícia...
Chegamos a 14 de abril de 2008. A antiga PMRJ, - derradeira denominação antes da Fusão (1975), - extinguiu-se ao ser anexada a outra corporação de diferente história, mas de fundamentos tão idênticos e deturpados em vista da Lei Maior como os nossos. Não há, pois, o que comemorar; há o que lamentar. Posto que, de lá para cá, nada mais se vê na PMERJ a não ser dissidências, ambigüidades e luta encarniçada pelo poder interno. Predomina o interesse intramuros do poder pelo poder de participar na sociedade, não como bons prestadores de serviços, não como benfeitores, mas antes beneficiários de um poder restrito a si mesmo.
Enfim, não há o que comemorar; há de se debulhar em lágrimas em vista do fracasso institucional de hoje, tudo porque a forma jamais pôde seguir a função, jamais pôde a milícia modernizar sua estrutura em vista da realidade social a enfrentar: o caótico banditismo urbano. Porque antes não havia realidade alguma, só lembrança do passado e um ostracismo institucional de quando em quando quebrado em arremedos de policiamento para "inglês ver" (cosme-e-damião, policiamento de jogos de futebol, festas juninas e carnaval, destacamentos interiorizados, com milicianos armados de fuzil ordinário - FO 1908 - e baioneta na cinta a marchar garbosamente pelas ruas etc.). Tempos românticos, dos ladrões de galinha e batedores de carteira... Ah, bons tempos!... Próprios para uns toques milicianos de "relações públicas" nas ruas, complementados por solenidades e coquetéis adorados por comensais civis invariavelmente pertencentes à elite. Ainda hoje é assim...

Naqueles tempos não havia comemoração em razão de atividade policial alguma, e hoje não há de haver festejos em razão de vitória nenhuma contra o crime. Vale igualmente o pessimismo para a milícia guanabarina, que em 1975 nos recebeu como um corpo estranho infectado, o que é verdade também para nós, milicianos fluminenses, que à co-irmã nos fingimos somar por conta do imperativo irresistível. No fim de contas, estamos todos enfiados num mesmo saco, como gatos briguentos, enquanto os remanescentes de 15 de março de 1975 se encaminham ao futuro pensando insistentemente no tal "Projeto 200 anos" (focando o dia 13 de maio de 1809), absurda solução que se resume em retirar os gatos do saco e enfiá-los na "Tuba do Serafim" a tocar o mesmo hino exaltando um passado turvo e dissonando um futuro incerto. Mesmo assim, todos nós, saudosistas, estaremos lá a ouvir a tuba tocar. E cantaremos, e nos emocionaremos sinceramente ao relembrar o passado, e o povo continuará a sofrer as agruras da insegurança, e a Terra, alheia às nossas exaltações corporativistas e a tudo mais, continuará girando em torno de si e do sol, e assim permanecerá: viajando sem pressa em direção ao misterioso e eterno infinito.



Domingo, 13 Abril, 2008

O preso como titular de direitos

Por Orlando Zaccone, Delegado de Polícia Civil

A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, ao autorizar a criação de uma seção eleitoral nas dependências da carceragem da 52ª DP, em Nova Iguaçu, garantindo aos presos provisórios o direito/dever de votar, é um marco na luta para a efetivação de um Estado Democrático e de Direito em nosso país. O TRE-RJ vai ao encontro dos anseios de diversas entidades da sociedade civil e representantes do poder público, tais como a Pastoral Carcerária, Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, Associação Juizes para a Democracia, Instituto Carioca de Criminologia, Associação para a Reforma Prisional, Conselho da Comunidade, Tortura Nunca Mais, Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Justiça Global, Defensoria Pública, entre outros.
A princípio, em respeito ao próprio ordenamento jurídico, o preso deveria ser privado tão somente de sua liberdade no cumprimento das penas (prisão definitiva) ou das medidas cautelares (prisões provisórias). A nossa Constituição Federal prevê apenas mais uma restrição quando trata da suspensão dos direitos políticos para aqueles que forem condenados em definitivo, ou seja, após o trânsito em julgado da sentença condenatória, quando não há mais possibilidade de recurso.
O quadro presente no nosso sistema prisional, entretanto, revela um verdadeiro estado de exceção. Os presos são privados não apenas da liberdade, mas também da assistência à saúde, educação, do amparo jurídico e social, direitos estes previstos na lei de execução penal como "dever do estado" (art. 10 da lei 7210/84). Neste contexto, não nos surpreende o fato do estado do Rio de Janeiro em toda a história da República ter negado o direito de voto ao preso provisório. Não existe nenhum impedimento legal para que os presos provisórios exerçam este direito, que em nosso país recebe a roupagem de dever público, já que o voto é obrigatório. Chega-se ao absurdo de, na impossibilidade de exercer o seu direito, o preso provisório acabar sendo punido duplamente, já que além de não comparecer às urnas também está impossibilitado de justificar a sua ausência, vindo a ficar em dívida com a Justiça Eleitoral.
Alguns estudos apontam para a crescente aplicação da restrição da liberdade para pessoas sem condenação. Segundo Eugênio Raúl Zaffaroni, em O Inimigo no Direito Penal (Ed. Revan), aproximadamente 3/4 dos presos latino-americanos estão submetidos a medidas de contenção por suspeita (prisão provisória). Diz o penalista: "Em síntese, pode-se afirmar que o poder punitivo na América Latina é exercido mediante medidas de contenção para suspeitos perigosos, ou seja, trata-se, na prática, de um direito penal de periculosidade presumida, que é a base para a imposição de penas sem sentença condenatória formal à maior parte da população encarcerada". Viola-se assim o princípio da constitucional da presunção de inocência, antecipando-se a aplicação de penas através das prisões provisórias.

Muitos argumentos ainda são utilizados contra a autorização legal para o preso provisório exercer o direito de voto. Chega-se ao absurdo de justificar a violação deste direito sob o argumento de que não existe segurança nas dependências carcerárias para a realização do pleito. Entre os maiores temores, entretanto, encontra-se a possibilidade dos presos passarem a exercer um poder de influência muito grande sobre o poder público. Em entrevista ao jornal Sol Quadrado também brilha, produzido através do projeto Carceragem Cidadã, da 52ª DP, o juiz de direito João Batista Damasceno esclarece: "Acho improvável que os presos sejam beneficiados com este processo. Este medo das elites não é novo. Quando os não proprietários eram impedidos de votar se usava também o argumento de que eles poderiam, ao participar do processo político, atentar contra o interesse dos proprietários. Nós sabemos que não existe solidariedade entre os não proprietários. Devemos entender que estas pessoas não resumem as suas existências somente enquanto presos. São pais, locatários, cidadãos em amplo sentido. Não haverá partido dos presos. Da mesma forma que o direito a voto dos não proprietários não ameaça a propriedade, o direito a voto do preso provisório não deve ser temido pelos não encarcerados".
Evidentemente que muitos presos provisórios do Estado do Rio de Janeiro ainda ficarão sem poder exercer o seu direito de votar nas eleições municipais de novembro. A criação da seção eleitoral na carceragem da 52ª DP reflete, no entanto, a vontade política do Estado em fazer valer, ainda que de forma experimental, as regras previamente estabelecidas constitucionalmente. Este já é o primeiro passo para no campo político distinguirmos o poder soberano da barbárie.


Sábado, 12 Abril, 2008

Moderação do Blog da Segurança

O Blog da Segurança terá seus comentários moderados a partir deste sábado, dia 12 de abril. A medida ainda é provisória. Pedimos desculpas aos leitores e debatedores que conseguem discutir a Segurança Pública no Rio de Janeiro sem atacar pessoas ou ofender os profissionais de outras áreas. A estes, prometemos o máximo de empenho para aprovar os comentários de forma mais rápida possível, afinal, estes leitores não são a razão da moderação dos comentários.

O pacto rompido do Equitativa: traficante dormindo no elevador

Por Julio Ludemir, autor de No Coração do Comando, Sorria Você Está na Rocinha, Lembrancinha do Adeus, O Bandido da Chacrete e Mais um Pai


O Rio de Janeiro desenvolveu o seu way of life. A cidade piora a olhos vistos e o carioca perde a cada dia mais espaço para as diversas modalidades de crime organizado - desde o tráfico até as milícias, passando pelas máfias do Detran e pelos donos das calçadas. Há um livro do Sirkis, que foi tomado como um delírio futurista, que descreve o Morro Dois Irmãos totalmente tomado pela fusão das favelas da Rocinha e do Vidigal. Esse cenário não está muito longe de acontecer. Hoje, se vê a Rocinha avançando mais para o outro lado, porém ela o faz de modo avassalador e ninguém toma nenhuma providência. Há ou houve uma CPI inócua, cujas investigações são desacreditadas por causa das articulações da mesma máfia com que bati de frente durante a minha pesquisa na favela para o livro Sorria, você está na Rocinha. O máximo que a CPI conseguiu foi dar alguma visibilidade à vereadora Aspásia Camargo.


Condomínio Equitativa em Santa Teresa (Foto do blog http://mairus.com/)

Na nossa fantasia, nada abala a beleza da Cidade Maravilhosa. Mas eu acho que a grande metáfora dessa relação entre o morro e o asfalto está na relação entre a Favela dos Prazeres e o condomínio Equitativa, em Santa Teresa. O Equitativa, como vocês devem saber, é um antigo bastião do politicamente correto do Rio de Janeiro. Seus moradores estabeleceram uma histórica relação de boa vizinhança com a favela. As empregadas domésticas eram sempre do morro, bem como os funcionários do condomínio. No auge dessa história de amor, o condomínio abriu mão de um campo de futebol para a favela.
Vale lembrar que o campo estava mais próximo da favela do que do condomínio. Quando o condomínio abriu mão do campo, na verdade estava se negando a compartilhar o mesmo espaço que a favela, que já começava a avançar em sua direção.

A primeira ruptura desse pacto se deu em meados da década de 1990, quando a guerra entre o Cerro-Corá e o Prazeres teve como palco a bucólica praça do condomínio. A classe média do condomínio chiou e foi instalado um DPO na praça. Depois disso, os bandidos mandaram bala para o condomínio a cada acordo não cumprido pelos policiais - eu morava lá nesta época.

Inúmeras reuniões de condomínio determinaram a saída do DPO, mas o síndico de então, cujo nome é João (não sei o sobrenome, mas sei que é jornalista e trabalhou em Vigário Geral, na velha Casa da Paz), tentou fazer a cisão entre morro e asfalto. Foi espancado pelos bandidos na mesma praça bucólica. Como qualquer morador do morro, ele fugiu do Equitativa. Por sorte, apareceu um francês maluco, que comprou seu apartamento. Hoje, um apartamento no Equitativa custa 70 mil reais, se muito.

Agora vigora no Equitativa a lei do morro. O Equitativa se tornou uma extensão da favela. O condomínio se sente impotente para fazer frente a esta invasão. Quando ocorrem batidas policiais no morro, os bandidos se escondem no condomínio. Com freqüência, eles dormem no elevador do prédio. Vale lembrar que a classe média se satisfaz com a contrapartida da favela, que é garantir a não ocorrência de assaltos na vizinhança. A classe média do Equitativa importou todos os códigos do morro.


Ubiratan tem razão

Por Gustavo de Almeida

Em palestra realizada no Palácio Maçônico na noite de sexta-feira, o coronel Ubiratan Angelo acertou no chamado 5X. "Familiares de inocentes mortos em operações policiais, ou seja, mortos pelo estado, devem pedir, sim, indenização. Ora, estamos vendo aí indenizações por danos que o estado causou há quarenta anos, por que o favelado não poderia pedir a mesma coisa?". E acrescentou, em tom levemente crítico: "A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB, que está ajudando uma família na Favela da Coréia a processar o estado) poderia se preocupar também com a vítima policial", disse Ubiratan, que começará em breve a dar aulas no novíssimo IUPOL - Instituto Universitário de Políticas de Segurança e Ciências Policiais, das Faculdades Candido Mendes.
O resto do que aconteceu lá está na reportagem que O DIA publica domingo.

Sexta-feira , 11 Abril, 2008

Pelé era da PM

Por Gustavo de Almeida

O documento abaixo faz parte do edital para prova física dos policiais que querem fazer o curso de instrutor em Educação Física, promovido pela PM de São Paulo. Sei que sou leigo no assunto, mas reparei que já há testes de aptidão para basquete, vôlei, corrida, etc. O sujeito tem que ser um superatleta. Mas equilibrar a bola de futebol na cabeça, tórax, braços, etc, é sinal de que em breve a PM vai contratar Ronaldinho Gaúcho para instrutor de Educação Física.


Quinta-feira, 10 Abril, 2008

A Nova Polícia


Por Gustavo de Almeida

A Alerj hoje votou mensagem indicativa (aquilo que o Legislativo faz dizendo que o Executivo pode fazer uma coisa se ele estiver a fim) do deputado Natalino (DEM). Trata-se de autorização para que o governo do estado crie uma nova polícia - uma polícia comunitária. Bom, sem entrar no mérito de bom ou ruim, analisemos os cinco tópicos do projeto:

Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a criar a Polícia Comunitária com a finalidade de atuar auxiliando a Polícia Civil e a Polícia Militar.

Art. 2º A Polícia Comunitária será composta por policiais aposentados, civis ou militares, que estejam em boas condições físicas e psicológicas, com competência para atuarem nas comunidades onde residem ou nas proximidades.

Art. 3º A Polícia Comunitária será organizada em núcleos e os aposentados com a maior patente desempenharão o cargo de Comandante e Sub-Comandante dos núcleos.

Art. 4º Os Policiais Comunitários serão regidos pela legislação em vigor a que se submetem as Polícias Civil e Militar da ativa.

Art. 5º A remuneração dos Policiais Comunitários será a título de gratificação, a ser fixada pelo Poder Executivo.

Aprovado. Vai à publicação com voto contrário do deputado Marcelo Freixo; com voto contrário do deputado Pedro Paulo.

A inconstitucionalidade do projeto é tanta que não sei nem se o governador vai ter coragem de votar (já que compete à União criar forças com poder de polícia). Mas é de se perguntar qual seria a fonte de custeio destas gratificações que pagariam a tal polícia comunitária. A

Quem sabe um patrocínio da Net ou da DirecTv?


TRE aprova voto de presos em carceragem de delegacia

O Tribunal Regional Eleitoral, em sessão plenária encerrada no início da noite desta quarta-feira (10/04), aprovou uma resolução instalando seção eleitoral na 52ª DP (Nova Iguaçu), garantindo o direito do preso provisório. Na delegacia, há cerca de 300 presos.

(Ana Miguez)

CONCEITOS INDISPENSÁVEIS PARA ESTUDO DO TEMA VIOLÊNCIA URBANA E CRIMINALIDADE (3)

CONCEITO E COMENTÁRIOS SOBRE TERRORISMO DE ESTADO

Por João Batista Damasceno, cientista político (UFF), juiz de direito do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, integrante da Associação Juízes para a Democracia


A expressão terrorismo de Estado foi forjada para designar a Operação Condor, estratégia de repressão comum aos governos ditatoriais da América do Sul dos anos 1970, idealizada e apoiada pelos Estados Unidos, para o admoestação dos movimentos populares, notadamente no Brasil no Chile e na Argentina.
A expressão passou a ser comum nas denúncias das práticas pelos serviços secretos, organizações policiais e paramilitares de assassinatos, torturas, atentados, censura aos meios de comunicação e exercício de violências similares aos empregados no terrorismo, visando admoestar os movimentos populares, grupos políticos contrários ao regime e pensadores do viés católico progressista, liberal e de esquerda.
Vários atos terroristas foram praticados pelo Estado Brasileiro contra os seus nacionais, mas visando incriminar a oposição e grupos que se diziam atuavam na subversão. O último atentado que se provou a participação de agentes públicos da ativa foi o Atentado do Riocentro em 1981, portando após a Lei
da Anistia de 1979. Tratou-se de um ato terrorista frustrado, porque seria colocada uma bomba durante um show no Riocentro no dia 01 de maio de 1981 e que mataria milhares de jovens, mas a bomba explodiu no colo dos passageiros do carro com placa fria em que estavam o capitão do Exército Wilson Luís Alves Machado e o sargento Guilherme Pereira do Rosário. Ambos trabalhavam para o DOI-Codi e o sargento Rosário tinha treinamento do Exército em montagem de explosivos. O sargento morreu e o capitão foi protegido pelo Exército até ser reformar recentemente como Coronel.


A política de enfrentamento e extermínio que se pratica na atualidade no Rio de Janeiro tem origem na formação do primeiro esquadrão da morte no final dos anos 50 e se aperfeiçoou durante os anos de chumbo. As práticas utlizadas pelo Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite têm origem no que se denominou Guerra contra a suberversão.
Muitos dos agentes públicos designados para o combate à subversão e prática de atos terroristas acabaram deixando os cargos que ocupavam para enriquecer na contravenção e em outras práticas ilegais. Da mesma forma que hoje alguns agentes públicos atuam nas milícias, mas sem deixar os cargos, postos e patentes que ostentam.

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COMENTÁRIOS FINAIS

Não se pode confundir guerra com crime. Não se pode falar em guerra ao crime. Tampouco se pode confundir comércio ilícito de drogas, tal como faziam os produtores de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos durante a Lei Seca, com terrorismo. É claro que por vezes o comércio internacional de drogas e armas financia atividades terroristas e guerras, como no Caso Irã-Contras no qual o Estados Unidos contrabandeavam armas para o Irã visando financiar atividades terroristas contra o governo e o povo da Nicarágua.
Uma sociedade sempre define comportamentos que estipula como desviantes. Isto possibilita conhecer os que estão inseridos e os que estão excluídos. A guerra termina com dominação do inimigo, conquista do território ou atingimento do objetivo em nome do qual foi feito. Crime não permite isto. Crime não
tem fim.
O que as sociedades fazem é descriminalizar certas condutas e criminalizar outras: adultério, ingestão de café, uso de roupas de luxo por pessoas pobres, a prática de necropsia, além de capoeira, já foi crime. Hoje não é mais. Diversamente a venda de drogas em drogarias, a cobrança de juros acima dos
legais, a ocupação de terra para plantar e viver não era crime, mas passou a sê-lo.
A existência de crime ou desvios na sociedade não termina. Se um determinado grupo social não for criminalizado por um motivo o será por outro que a própria sociedade o definirá como tal. Guerra é externa ao grupo social. Crime permeia as relações sociais e os conflitos delas resultantes. Talvez isto explique o insucesso na redução da criminalidade no Rio de Janeiro, apesar da matança praticada há anos pelas políticas de enfrentamento e extermínio.
A tuberculose mata no Brasil 500 mil pessoas por ano. A mortalidade infantil no Brasil, que se equipara à do Haiti, é causada sobretudo pela falta de saneamento básico. Para cada arma apreendida outra é trazida para o seu lugar, fazendo a alegria da indústria bélica dos Estados Unidos. A política de enfrentamento e extermínio no Estado do Rio de Janeiro mata mais que as próprias drogas em nome das quais o Estado atua. Pior, coloca na linha de tiro os praças (soldados, cabos e sargentos) e no máximo a baixa oficialidade. Mas, não mata os mandantes da alta oficialidade e os agentes do Estado que a apóia.
Antes de falar nas formas de atuação contra os crimes, devemos afastar as idéias de guerra e terrorismo que não se encontram presentes na nossa sociedade. E, talvez devamos combater o que efetivamente está eliminando a vida dos brasileiros. Talvez as condutas a serem definidas como crime sejam outras que não aquelas nas quais estamos gastando recursos materiais e humanos.
Talvez aqueles que mereçam o título de criminosos sejam outros, tal como A Louca que mandou matar Tiradentes e aqueles que ficaram com o Ouro das Minas que desde aqueles tempos já eram Gerais. A atual política de extermínio persiste por governos a fio, ainda que ineficaz, porque há quem está ganhando com ela.


Pastel de vento

Por Gustavo de Almeida

O Proerd, programa antidrogas da PM do Rio, inaugura no dia 16 o seu Centro de Capacitação para Programas de Prevenção. A cerimônia será no CFAP, Avenida Marechal Fontenelle, 2.906, em Sulacap. O chato é que não recebi convite, e sim denúncia de mães dos alunos atendidos, informando que o futuro centro carece de recursos. O que será inaugurado no dia 16 será um pastel sem recheio.
O pouco recheio, na verdade, não vem nem da PMERJ, e sim da Fecomércio, através de um convênio entre a instituição e a Secretaria de Segurança. Se não fosse este convênio, nem massa haveria neste pastel.

Quarta-feira, 9 Abril, 2008

Fruto proibido

Por Gustavo de Almeida

Aconteceu no dia 4 passado, meio na surdina, sem chamar a atenção: na área do 7ºBPM (Alcântara), o Batalhão de Polícia Florestal e Meio Ambiente (BPFMA) apreendeu 26 máquinas caça-níqueis. As maquininhas foram apreendidas nos bairros do Colubandê, Capote e Almerinda, em São Gonçalo. Um dos pontos de jogo ficava dentro de um shopping no Colubandê.
Um caminhão-baú da PM levou o material para o depósito da Receita Federal. Donos de estabelecimentos foram depor. Um inquérito foi aberto, graças à investigação do Serviço Reservado do BPFMA.
Agora, é estranho que quem siga as instruções do coronel Mário Pinto, comandante da área (que mandou endurecer com as maquininhas), seja o Batalhão Florestal. Será que caça-níquel em São Gonçalo dá em árvores?

A Lapa cada vez mais entregue aos ladrões

Por Marco Antonio Canosa, repórter de O DIA

De um banco da calçada do Bar Antonio´s, na esquina da Avenida Mem de Sá com Rua do Lavradio, assisti, na última segunda-feira (07/04) dois rapazes quebrarem o vidro e roubarem objetos de dentro de um Palio prata, parado em frente ao bar Arco-Íris da Lavradio, a 20 metros de onde apenas dois minutos antes havia uma viatura do 13º BPM (Praça Tiradentes) estacionada. Os policiais haviam saído para fazer uma ronda -coisa que fazem, segundo informações da PM, a cada 45 minutos - e os travestis, que também poucos minutos antes faziam ponto no local, desapareceram. Seria uma terrível coincidência se logo depois que os bandidos terminaram de "limpar" o carro, a viatura, e os travestis não voltassem para seus postos de trabalho.
Quando percebi o roubo, avisei a dois seguranças da casa de samba Carioca da Gema e um deles foi até o local, mas os bandidos haviam sumido. Para corroborar a minha tese de que existe, no mínimo, algo suspeito nisso tudo, logo depois um dos bandidos apareceu na esquina, onde ficou papeando com os travestis, que já haviam voltado ao ponto, enquanto o dono do carro conferia seu prejuízo.
O outro ladrão, com certeza avisado por alguém de que eu havia dedurado o roubo, veio até bem próximo de onde eu estava para olhar a minha cara. Escaldado com bandidos, quando percebi que, meia hora depois, ele voltava com mais dois comparsas em minha direção, me abriguei no bar, chamei um táxi e fui embora.
A narrativa acima serve para descrever bem o que se tornou a Lapa: um antro de ladrões que agem tranqüilamente com a cumplicidade dos prostitutos e seguranças de bares e a complacência da polícia. Bastou pouco mais de uma hora de observação para perceber isso, coisa que a delegacia do bairro (5ª
DP) e o batalhão da PM (13º) não fazem. Aliás, na mesma Rua do Lavradio, a poucos metros de onde acontecem esses ataques, está a sede da DCOD (Delegacia de Combate às Drogas). Um pouco de boa vontade de policiais civis e agentes do Serviço Reservado da PM bastaria para, senão acabar,
pelo menos reduzir os roubos na região. É só sentar em um dos bares da Lapa e observar o entorno para identificar facilmente ladrões, traficantes e cúmplices deles e evitar prejuízos ao cidadão que paga seus impostos para ter, entre outras coisas, um pouco de segurança.

CONCEITOS INDISPENSÁVEIS PARA ESTUDO DO TEMA VIOLÊNCIA URBANA E CRIMINALIDADE (2)

João Batista Damasceno, cientista político (UFF), juiz de direito do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, integrante da Associação Juízes para a Democracia

CONCEITOS E COMENTÁRIOS SOBRE GUERRA

"Guerra é a contestação pela força nascida entre dois grupos políticos, sob
a influência da concorrência vital". Davie.

"Guerra é a condição legal que permite a dois ou mais grupos hostis continuar
um conflito pela força armada". Wright.

"Guerra é um ato de violência cujo objetivo é forçar o adversário a executar
a sua vontade, estabelecendo dominação". Clausewitz.

Para a caracterização de estado de guerra não necessárias duas características: aspecto político e finalidade da ação. Mesmo grupos armados que atuam com finalidade política na ordem interna, como são as FARC na Colômbia, têm dificuldade de obter reconhecimento do estado de guerra, pois isto implicaria em lhes atribuir os chamados Direitos de Guerra, estipulados pela Convenção de Genebra.
Aqueles que, uma vez reconhecido o Estado de Guerra, não respeitem os chamados Direitos de Guerra ficam sujeitos aos tribunais como foram os Tribunais de Nuremberg e Tokyo e na atualidade, o Tribunal Penal Internacional.


CONCEITO SOCIOLÓGICO E COMENTÁRIOS SOBRE CRIME

Para os juristas crime é fato típico, ou seja, fato descrito em lei como tal. Daí é que parar carro sobre uma calçada, impedindo idosos e crianças em carrinhos de bebê de transitarem, não é crime. Isto porque não há lei que defina este fato como criminoso, embora seja uma transgressão às leis
de trânsito e sujeite o infrator a multa e reboque do veículo. Igualmente o crime é fato antijurídico, ou seja, é contrário à lei.
Sociologicamente, crime é uma conduta desviante do padrão social no qual o indivíduo está inserido Uma característica sociológica do crime é que ele é interno ao grupo social. O crime não é conduta praticada por um grupo contra outro ou de uma sociedade contra outra. Mas, é transgressão praticada por um indivíduo no seio da própria na sociedade onde vive. Crime é prática comum a todo grupo social. O "porte de violão" e a "prática da capoeira" já foram considerados má conduta social, sujeitando o "infrator" à ação policial.
Capoeira era crime no Código Penal do Império. Isto porque se considerava quem a praticasse desviante dos padrões dominantes na sociedade aristocrática e escravocrata.

O crime é lesivo aos valores do grupo dominante, mesmo que não tenha qualquer repercussão social. O consumo de bebidas alcoólicas é muito mais nocivo que o de outras drogas. Isto sem falar nas mortes de trânsito causadas pelos efeitos da bebida. No entanto, é socialmente aceito.



O regime disciplinar da PM

Por Emir Larangeira, coronel da PM, autor de nove livros

Eivado de contradições, antiquado, cópia de diplomas legais destinados ao Exército Brasileiro (EB) em épocas remotíssimas ou adaptações malfeitas desses mesmos diplomas, a legislação disciplinar da PMERJ abate sobre a tropa em tal intensidade de imediatismo e injustiça que não seria demais afirmar que chega às raias da violência contra subordinados. Trata-se, com efeito, de modelo centrado em torno de coisas e não de pessoas, ou melhor, modela-as, as pessoas, como se fossem coisas. A começar pelo Estatuto, que se assemelha ao do EB em tempo de II Grande Guerra. Mas, enquanto o da força federal se aprimorou com o passar dos anos, a polícia mantém-se fiel ao modelo feito para evitar que convocados para a guerra se escusassem de suas responsabilidades inventando doenças, por exemplo.
Na verdade, a legislação da polícia é igual à do EB até nos pontos e vírgulas, "cópia xérox" da outra, que, como dito, adapta-se aos novos tempos, enquanto a polícia permanece no mesmo porto de embarque dos tempos da guerra. Inclui-se também no exemplo de legislação anacrônica o Regulamento Disciplinar (RDPM), que, para variar, em nada difere daquele modelo antigo destinado ao EB. Acrescem-se a esse modo preguiçoso os textos referentes aos Conselhos de Disciplina (CD), de Justificação (CJ) e de Revisão Disciplinar (CRD), demais do Conselho Escolar Disciplinar (CED), este último destinado a avaliar cadetes, porém todos aberrantemente inconstitucionais.
De forma draconiana, a legislação disciplinar da PMERJ se volta contra a tropa como se fora a borduna do bugre. Cobra deveres exagerados e pune com rigor excessivo em regime onde prevalece a desconfiança de cima para baixo. Em contrapartida, há a insatisfação e a revolta de baixo para cima. Pior que tudo isso: a Justiça costuma privilegiar as péssimas soluções disciplinares, ressalvadas algumas importantes decisões que, aos poucos, estão predominando em favor dos prejudicados. Porém, ainda não se formulou uma jurisprudência segura e extensiva aos injustiçados em geral. Mais fácil seria a PMERJ mudar o modelo, porém não parece que isto incomode nenhum dirigente, nem de ontem e nem de hoje.
A impressão que fica é a do desleixo, ou pior, da incompetência daqueles que deveriam primar por um melhor futuro institucional. Contrário disso, porém, o modelo enraíza-se no que Erich Fromm designa em seu livro (Ter ou Ser?) como "modo ter" ("sou mais, na medida em que tenho mais"), com predomínio do egoísmo, da indiferença pelos valores pessoais em vez do respeito à dignidade da pessoa humana. A questão crucial é que o egoísmo, como igualmente ensina o importante estudioso, "refere-se não só ao nosso comportamento, mas também ao nosso caráter". Maior exemplo do caráter dos dirigentes milicianos, em sua maioria, resume-se numa frase muito ouvida internamente: "Tenho a tropa na mão!" Isto, em resumo, o supracitado autor designa como "autoridade irracional", típica autoridade hierárquica baseada no "ter". E, neste caso, o desfecho seriam as "relações sociais autoritárias", que se reduzem à idéia seguinte: "a autoridade hierárquica está estreitamente relacionada com a marginalização e o enfraquecimento dos que não têm autoridade."


Erich Fromm

Enfim, vê-se a ênfase no "modo ter", em detrimento do "modo ser", embora o primeiro esteja sempre dissimulado no "parecer", na "persona" embotando o "ter" por meio da falsa projeção do "ser". Neste ponto, deve-se esclarecer que Erich Fromm generaliza a dimensão de seu estudo justificando-o como situação inerente a toda a humanidade, o que explica o modelo PMERJ não como aberração única, mas apenas um vagão acoplado à locomotiva do "modo ter". Só que, na prática, as atividades milicianas deixam de ser produtivas e geradoras de motivação, dando lugar ao pessimismo e à desesperança. Por isso é comum verificar que o maior prazer do PM é a folga longe dos olhos desconfiados e punitivos dos superiores. Mas esse prazer não faz bem à saúde psíquica e física da pessoa humana representada pelo PM, mormente o de menor graduação ou patente.
Na verdade, o "caráter" voltado para o "modo ter", por ser generalizado e cruel, provoca situações ambíguas e até estapafúrdias nas relações internas: o PM que sofre pressões de cima transfere-as para baixo até alcançar o soldado, este que, por sua vez, desconta tudo no transeunte destinatário dos seus serviços. E espera "ter" o máximo que possa conseguir para logo arribar de tão odiosa profissão. Com efeito, é este homem que vai às ruas para proteger o cidadão. Como?
Ora bem, talvez valha a pena discutir seriamente a questão da legislação disciplinar alterando o seu foco, que adrede rotula o ser humano como fundamentalmente mau, para outro, mais salutar, que situa o homem como basicamente bom, capaz de executar atividades produtivas e ser feliz. O inverso, porém, é o que prevalece: a execução sistemática de tarefas restritas ao "cumprimento do dever" e à fuga das ameaçadoras punições por motivos comezinhos. E, ao final das tarefas, surge invariavelmente a tristeza. É assim a disciplina na PMERJ: a imposição pelo temor da punição, em vez de um sistema de motivação que dignifique o ser humano e por aí o alcance em sua condição secundária de servidor público policial-militar. Cá pra nós, não é difícil mudar, basta coragem e crença na qualidade a ser aprimorada, e não na quantidade a ser facilmente descartada.



O endereço da DAS e o princípio da permanência

Por Gustavo de Almeida

O Princípio da Permanência consta na Doutrina de Inteligência em Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (Disperj) desenvolvida pela equipe da Subsecretaria de Inteligência - à frente o coronel do Exército Romeu Ferreira - e decretada pela então governadora Rosinha Matheus em 2005. É possivelmente o mais simples dos conceitos: uma agência de inteligência tem mais capacidade de atingir êxito na medida em que seus integrantes e/ou chefes não passam por movimentações sucessivas.
O caso da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), portanto, é curioso. Aliás, detalhe que dá uma idéia da "permanência" daquela equipe foi a maneira como enfrentaram o dilema de não ter...um endereço. Sim, a DAS não tinha endereço. Sua frente, claro, é na Afrânio de Melo Franco, mas no entanto aquele conjunto de prédios pertence à Rua Humberto de Campos. Após dezenas de obras, o prédio da DAS perdeu a ligação direta com a Humberto de Campos e assim ficou no limbo para a administração pública municipal.
O que fez aquela equipe? Criou o endereço Afrânio de Melo Franco 159. O 159 é o número do seqüestro no Código Penal. Pronto, resolvido o problema.
Aqueles que criaram este endereço estão há 10 anos à frente da delegacia, que hoje tem 120 policiais. Destes, 20 compõem o núcleo de inteligência e os restantes são operacionais, altamente necessários para dar uma agilidade que nem a equivalente paulista sonha em ter.
O aproveitamento daquela equipe é de 100%.
A saída do delegado Fernando Moraes - protocolada, na verdade, no dia 3 de abril - não criaria problemas se o procedimento adotado tivesse sido o mesmo de 2006, quando o delegado disputou as eleições para a Alerj obtendo 17 mil votos. Na ocasião, Moraes se desincompatibilizou mas permaneceu coordenando as ações quando necessário, dando assessoria ao então titular, José Augusto. Desta vez, a Chefia da Polícia Civil feriu o princípío da permanência e colocou lá a equipe do delegado Marcos Reimão.
Sem demérito nenhum para Reimão, eu diria que a saída de Moraes é arriscada. Me informaram ontem que, do núcleo de 20 policiais, quase nenhum ficaria se a saída definitiva de Moraes fosse confirmada.
Tentei falar com o delegado nesta terça, mas ele não quis me receber. Mandou um ajudante dizer que estava arrumando a mudança e que não estava de modo algum aborrecido com o episódio.
Pelo que ouvi da DAS, no entanto, enquanto esperava esta resposta sucinta e um tanto insatisfatória do delegado, o clima é de despedida. Dificilmente permanecem José Augusto, Alexandre Neto e pelo menos 15 policiais especializadíssimos na área de seqüestros. São pessoas que detêm conhecimentos e técnicas e que fazem do seqüestro um crime sob controle.
O que acontecerá com a saída de Fernando Moraes?
Possivelmente, a DAS perde o endereço. Ou a identidade.


Terça-feira, 8 Abril, 2008

A mãe e a madrasta

Mais três deputados se juntaram à comissão que vai estudar um novo estatuto para a Polícia Militar do Rio de Janeiro. Uma lei única, forte, capaz de aglutinar a corporação em uma só - e não permitir mais o eterno conflito entre praças e oficiais que prevalece hoje nos quartéis. Os deputados Iranildo Campos - sargento da PM - Álvaro Lins (ex-chefe de Polícia Civil e ex-capitão da PM) e Waldeth Brasiel, a Waldeth do INPS, trabalharão junto com Flávio Bolsonaro, Paulo Ramos, Wagner Montes e Coronel Jairo na elaboração da nova lei. Na pauta, Regime Disciplinar e tempo de serviço - ainda está fortíssima a tese dos 35 anos de serviço como limite universal e o fim dos "highlanders" (coronéis que permanecem além do tempo protocolar por estarem em cargos de confiança).
O que move alguns dos parlamentares é o conceito de que a PM tem rigor excessivo com seus praças. "A Polícia Militar é mãe para os oficiais e madrasta com os praças", me disse o deputado Flávio Bolsonaro. Já Wagner Montes diz quase a mesma coisa: "A PM tem que deixar de ser madrasta com seus soldados, cabos e sargentos", diz o deputado, que quer propor a diminuição do interstício - intervalo entre as promoções.
Estão errados os parlamentares? Ao vermos o Boletim da PM desta segunda-feira, vemos que nem tanto. Está lá escrito que o capitão Goeth, do 23º BPM, vai presidir um Conselho de Disciplina de um praça, o cabo Mendes. Não sei qual a infração.
Goeth foi preso em fevereiro de 2005 por causa de grampos que supostamente o ligavam a traficantes da Favela da Rocinha. O oficial ganhou absolvição na Justiça e merece voltar a ter uma vida normal - ainda que no decorrer do processo, tenha justificado de forma muito interessante a sua presença nos grampos. Segundo um policial ouvido pelo Blog da Segurança, Goethe explicou que os traficantes, por serem pouco instruídos, se confundiam e pronunciavam "guête" em vez de "gáti" para se referirem ao Grupamento de Ações Táticas da PM.
Não tenho provas ou autoridade para contestar uma decisão da Justiça - aquela que inocentou o capitão.
Mas tenho certeza absoluta de que a corporação pensaria duas vezes se o acusado fosse um praça. Mesmo absolvido, dificilmente o praça receberia uma responsabilidade grande, ainda mais que envolvesse um colega de mesmo batalhão.
Afinal, até reclamar de assédio moral dá CD para praça.

Trecho do BOLETIM DA PM DO DIA 7 DE ABRIL

Rei morto, rei posto

A nomeação de Marcos Reimão para ocupar o seu lugar não agradou Fernando Moraes, que recentemente quase deixou o comando da delegacia depois que o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, tirou um carro da especializada. Moraes queria indicar seu substituto, o delegado José Augusto, para chefiar a Anti-Seqüestro, como já tinha feito, quando se candidatou a deputado estadual em 2006.
(Ana Miguez)

Fernando Moraes deixa a Divisão Anti-Seqüestro

Por Leslie Leitão

Troca de comando na Delegacia Anti-Seqüestro. Sai Fernando Moraes, que vai se candidatar a vereador e entra Marcos Reimão, que estava na Delegacia de Homicídios de Niterói. Reimão já foi da DAS no primeiro governo Garotinho. A troca está registrada no Boletim Interno da Polícia Civil desta terça-feira.


Ecstasy: droga do amor?

Por Fernando Cézar Barbosa, policial civil no Rio de Janeiro, atuando há 22 anos no combate ao crime organizado, pesquisador e especialista em segurança pela Fundação Getulio Vargas.

Em meados da década de 80, um novo estilo musical se popularizou em Ibiza, ensolarada ilha espanhola, refúgio de férias da juventude européia. Era uma música cheia de energia, que as pessoas gostavam de dançar noite adentro sob a influência de uma nova droga de laboratório chamada Ecstasy. Fim de férias e de festa, alguns empreendedores resolveram recriar o ambiente de Ibiza em armazéns de Londres e, daí, para as principais metrópoles do mundo ocidental.


Embora a mídia atribua ao Ecstasy características afrodisíacas, pesquisas demonstram que a droga tende a inibir a ereção masculina. Muitos usuários adultos nunca tiveram ereções sob o efeito da droga, que consideram incompatível com a luxúria, enquanto outros acreditam que podem se manter excitados quando estão se sentindo assim no momento em que o efeito da droga começa a se processar.

As mulheres tendem mais à excitação sexual que os homens, quando sob efeito da droga. Mas em ambos aumenta a dificuldade de ter orgasmo. Casais que tiveram relações sexuais sob a influência da droga dizem que o sexo se torna melhor que o habitual, apesar disso: se sentem mais carinhosos do que passionais e extraordinariamente sensíveis com o outro. Um efeito universal da droga seria a remoção da agressividade sexual masculina, ou como diz uma mulher, "a externalização das qualidades femininas dos homens". Sob o efeito do Ecstaxy as pessoas se tornam mais sensuais e menos luxuriosas.

Sheila Henderson, autora de pesquisas sobre a maneira como as mulheres usam Ecstasy e Luvdup and DeElited, diz que "a maior parte dos homens experimenta o contrário de uma ereção: seu pênis se contrai". Nas raves, as mulheres podem se dar ao prazer de beijar os homens em segurança - sem que isso signifique um prelúdio para a relação sexual. Encontros casuais são menos prováveis em uma noitada rave que em um festa onde o forte é o consumo de álcool.
Nas palavras de uma garota, "não se caça nas raves". Na verdade, a segurança sexual, além da droga é claro, se transformou em um elemento na atração que as raves exercem sobre as mulheres, em contraste com clubes onde se consome álcool, vistos como território de caça.
Outros sociólogos vêm notando que, nas raves, o comportamento sexual é menos importante que outras atividades sociais, e que embora alguns usuários considerem a droga sexualmente excitante, "sob efeito do Ecstasy nem sempre pensamentos sexuais correspondem ao desejo físico propriamente dito".


Segunda-feira, 7 Abril, 2008

A ética e a dor da imagem

Por Gustavo de Almeida


O homem com o colete cheio de utensílios como cantis e medidores abre a porta de casa, deixando entrar um pouco da luminosidade ainda tênue da noite que se foi. São cinco e meia da manhã e ele vai para mais um dia de tiroteios, pânico e correria, sempre com seu pesado equipamento. No meio do dia, talvez dê uma passada em casa para ver os filhos. E em seguida, voltar para uma das 900 favelas do Rio de Janeiro, onde a polícia enfrenta traficantes com armas pesadas.
É esta a idéia-mestra do documentário Abaixando a Máquina - Ética e dor no fotojornalismo carioca, de Guillermo Planel e Renato de Paula. Filmado de setembro de 2006 a setembro do ano passado, o documentário de 65 minutos realizado pelas empresas Núcleo de Imagens, Approach e Pindorama Produções reúne mais de 50 depoimentos de profissionais da imprensa, líderes comunitários, políticos e pesquisadores. O pano de fundo é a guerra carioca e a política de confronto. Mas sempre com distanciamento crítico. "Procuramos mostrar, acima de tudo, o dia-a-dia de uma profissão. Trabalhamos com tudo que tem a ver com o respeito ao indivíduo, com foco maior nas comunidades carentes", diz o jornalista e cineasta Guillermo Planel, que escreveu o roteiro e divide a direção com Renato. "O filme não dá conclusão nenhuma, deixamos a conclusão para o espectador. Fizemos questão de não ser deterministas", acrescenta Renato.
No dia-a-dia das filmagens, muita correria para chegar a tempo nos locais de confrontos onde estariam os fotógrafos. "No tiroteio do Catumbi, por exemplo, fomos no nosso próprio carro. Tínhamos contatos nos jornais que nos avisavam de onde estava havendo tiroteios", explica Planel.
Em meio aos profissionais cujo dia-a-dia de perigos e dedicação, fotojornalistas de O DIA: Alexandre Brum, Carlo Wrede, João Laett, Nilton Claudino, Severino Silva e Uanderson Fernandes se destacam. "Estamos viabilizando a exibição de 'Abaixando a Máquina' no auditório de O DIA, com debate logo em seguida", anuncia Guillermo Planel. Em vários conflitos armados, a presença de fotojornalistas de O DIA é marcante. "Em um dos episódios, o fotógrafo Uanderson Fernandes retrata um homem sendo baleado", conta um dos coordenadores de Fotografia de O DIA,, Nilton Claudino, também entrevistado no filme. O que já é rotina para os profissionais da imprensa, virou crônica na visão distante do cineasta. "Uma das coisas que mais me chamaram a atenção é que só no Rio de Janeiro o fotógrafo sai como se fosse cobrir uma guerra no Iraque, até com colete à prova de balas, e de repente está buscando os filhos na escola.

(Abaixo, clicando na foto você assiste a partes do documentário na TV O DIA:)


O filme estréia nesta terça-feira às 21h no Kinoplex Leblon. Os produtores estão negociando uma semana de exibição em cinemas do Circuito Estação e estão abertos para exibições em escolas e universidades. Os DVDs devem ser distribuídos pela Top Tape e pela Som Livre. Para contato, basta procurar o site do filme, http://www.abaixandoamaquina.com.br.


Drogas: o melhor negócio do mundo!

Por Emir Larangeira, tenente-coronel da PMERJ e escritor, autor de nove livros

Desde que o mundo é mundo, o ser humano entrega-se à orgia, embriaga-se e se droga para fugir dos conceitos, dogmas e tabus. As alucinações justificam-se por meio da transferência de responsabilidade das pessoas para as drogas que elas deliberadamente consomem. A embriaguez e a euforia alucinada garantem o esquecimento posterior e não ocorrem cobranças, especialmente aquelas do viciado ante sua própria imagem refletida no espelho.
No auge da alucinação, juízos de valor desaparecem, vive-se uma espécie de holograma da realidade. Baco assume o papel de deus e emergem as danças sensuais e o esfregar de corpos na busca de um prazer nem sempre alcançado. Mas nada impede o clímax que se antecede ao silêncio, este que é logo substituído pelo rumor da festa seguinte. E todos voltam aos seus afazeres sem qualquer sentimento de pecado. Afinal, a racionalidade dera lugar à entrega total do corpo e da mente às delícias divinas patrocinadas por Dionísio.



O uso de substâncias alucinógenas faz-se presente nos mundos histórico, épico, mitológico e místico. Eis uma constatação importante, pois o que houve ao longo dos tempos foi uma troca desses produtos, geralmente naturais, por outros manipulados artificialmente ou industrializados com fins curativos. Também se deve lembrar a incongruência das medidas preventivas e repressivas, de toda ordem, que jamais lograram êxito na minimização ou na erradicação do uso de drogas. Desde os tempos bíblicos, ainda no Éden, verificamos a proibição antecedendo-se ao pecado. No famoso episódio da "Lei Seca", ocorrido nos EUA entre 16 de janeiro de 1919 e 05 de dezembro de 1933 (13 anos, 11 meses e 24 dias), nunca se bebeu tanto e jamais houve tantas mortes decorrentes das grosseiras falsificações de bebidas. Também jamais se constatou igual proliferação do banditismo organizado e da corrupção policial naquele período. Pasmem: tudo em razão da proibição!


Al Capone: prosperidade na clandestinidade gerada pela Lei Seca


Atualmente, a rede mundial de distribuição de drogas corresponde a uma empresa multinacional de muitos associados sem cara nem nome. Trata-se de monumental maquinaria movida por volumoso capital que gravita em torno de trilhões de dólares/ano. Há tanta modalidade de tráfico que os aparatos governamentais e particulares não conseguem nem acompanhar. A sofisticação e a variação dos meios utilizados pelo tráfico tornam-no fantasmagórico, impossível de ser totalmente alcançado pela prevenção e pela repressão. Existe uma "Face Oculta da Droga" (Rosa del Olmo, Ed. Revan, Rio de Janeiro, 1990) que lhe garante expansão meteórica.
Há tanta gente consumindo drogas que hoje o tráfico pode ser considerado o melhor negócio do mundo. E nem mesmo a repressão extrema, resumida na pena capital adotada por muitos países, tem vencido o tráfico. Tudo porque grande parte da humanidade, quaisquer que sejam os motivos, usa e abusa das drogas, independentemente de raça, credo, profissão e outras singularidades.
Vejo tal situação, caótica em todos os sentidos, como um incurável mal mundial, tal e qual muitos outros que concomitantemente ocorreram e ocorrem no mundo de outrora e de agora: guerras, fome, perseguições religiosas, epidemias etc. Sublinhar, pois, determinado tipo de consumo, como oportunamente o faz a equipe do Jornal O DIA, é de extrema relevância, alarmante em todos os aspectos, mas não servirá para minimizar ou erradicar o grave problema. Permitirá, sim, melhor conhecê-lo, para se especular sobre ele em digressão como a que ora faço. Quem sabe assim não surgirá alguém apontando para uma luz no fim do túnel?... Eu, particularmente, não creio que surgirá alguma luz de lamparina, toco de vela ou fósforo riscado.
Neste ponto se poderia imaginar, como alento, que o mágico comprimido estaria a abalroar o lucrativo mercado da coca em prejuízo da narcoguerrilha colombiana, mas isto não seria verdadeiro, pois a tendência é a do aumento do consumo de ambos (coca e esctasy) por acréscimo de um dos alucinógenos ao vício uno anterior. Pois, ao consumir o comprimido, o usuário provavelmente manifestará um irresistível desejo de experimentar drogas mais pesadas e vice-versa. Enfim, esquecendo-se de que a droga é uma droga, e aqui se incluem o álcool e o fumo, há um inegável florescer do mercado tupiniquim das drogas em geral, com a proibição sempre a cumprir sua invariável função de estimular o pecado...
Preocupa-me a tendência das pessoas de seguir o modismo das opiniões publicadas, como se quem as publica resumisse alguma verdade absoluta. É muito fácil concordar e reforçar a idéia mais corriqueira de que a droga faz mal e pode produzir comportamentos desviados de quem a consome. É mais ou menos como a discussão da "célula-tronco" em relação aos que preferem concordar com as posições radicais de algumas religiões e assim agradar a um segmento específico, porém numeroso, ou como assegurar que a droga, se liberada, irá estimular o piloto de um avião a pilotar drogado, pondo em risco os passageiros. Vale a idéia para o motorista de ônibus, para o maquinista, para o taxista etc. Ora, será então que o piloto, em vista desta visão reducionista, deve então pilotar sua aeronave embriagado ou entupido de nicotina e outras substâncias contidas no fumo a perturbar seus neurônios? Será que a ciência e a tecnologia ainda não colocaram à disposição das empresas e das autoridades fiscalizadoras mecanismos seguros para testar cada profissional antes de assumir seus postos, incluindo-se os efeitos danosos do fumo e do álcool? Ora, ora!...


A verdade é que o problema deve ser analisado contextualmente, pois, a se prender tão-só a conceito, cairemos no abismo comum dos preconceitos e a discussão não evoluirá. Afinal, preconceito é "produto acabado"; integra-se com perfeição à idéia da vigilância e da punição de quem o contraria. Em muitos casos, o preconceito é "legalizado" por determinada sociedade e torna-se crime. Cá pra nós, há comportamentos considerados criminosos por conta apenas de dogmas predeterminados sob a pena do inferno para quem os infringir. O mundo tem sido assim: vigilância e punição, como denuncia Michel Foucault em "Vigiar e Punir".
Vejo com preocupação o aumento desenfreado do consumo de drogas, especialmente o consumo anônimo, este, que só é assim por conta da proibição e da ameaça de punição. Assusta-me a idéia de que o anônimo viciado, em sendo policial, esteja de serviço com uma arma letal na cintura e uma outra, na cabeça, igualmente letal a si e a terceiros: a droga consumida à surdina, capaz de acionar irresponsavelmente a arma. Como resolver isto? Será que o atual sistema de controle social está suficientemente habilitado para cumprir tal desiderato? Fazem testes nos policiais antes de lhe entregarem uma arma? Será que ele está a policiar as ruas e logradouros armado e drogado? Será que ele passeia, drogado e armado, quando de folga? Como saber se ele usa drogas, se ele não pode confessar o seu "crime"?... Ora bem, com essas idéias soltas, paro por aqui.


Domingo, 6 Abril, 2008

ECSTASY E AS OUTRAS DROGAS: SINAL DE ALERTA AOS PAIS

Por Milton Corrêa da Costa, tenente-coronel da PMERJ na reserva e estudioso em violência urbana

De quando em vez, alguma das chamadas "celebridades" ou um dependente convicto, almejando mostrar a sociedade que é possível viver num (falso) "mundo colorido", sob o pretexto de enfraquecer o poder e a violência do tráfico, propõe liberar o uso e oficializar a venda de drogas ilícitas, a exemplo do que ocorre na Holanda. Três conseqüências advirão de tal permissividade, que ninguém se iluda: a diminuição do estigma social , a redução do preço e o aumento do consumo. Isso será inevitável. Uma porção de maconha custará o mesmo que um saquinho de chá e em qualquer esquina ou no pátio de uma escola não haverá problema em fumar um baseado. Imaginem um piloto de avião que resolve, antes do vôo, fazer uso de maconha ou cheirar cocaína? Estará ou não colocando em risco a vida de todos os ocupantes da aeronave?


Liberar a droga significa sim escancarar ainda mais a perigosa porta de entrada para o caminho da destruição por onde ingressarão mais e mais jovens. O resultado na Holanda não foi dos mais promissores. Cerca de 5 mil dos 25 mil dependentes lá existentes são responsáveis pela metade dos crimes leves. O uso da maconha subiu 400% em razão da liberação. Os altos impostos que todos pagamos com o tratamento e recuperação de vítimas do alcoolismo e do tabagismo no Brasil já seria, inclusive, um bom exemplo para inviabilizar tal proposta. O primeiro levantamento domiciliar sobre o uso de drogas no Brasil, realizado no ano de 2000, revelou que 11,2% dos brasileiros que vivem nas 107 maiores cidades do país são dependentes de álcool, o que equivale hoje a cerca de 5,5 milhões de pessoas, sem falar nos usuários dos finais de semana, os maiores responsáveis pela causa dos acidentes de trânsito de maior severidade.

É preciso lembrar também que o consumo do ecstasy ( droga sintética ) tornou-se a coqueluche dos jovens de classe média e classe alta. O que é pior, tornaram-se também traficantes da droga da alucinação, consumida em grande escala - alguns encontram a morte - nas chamadas festas "rave ". Para se ter uma idéia do aumento do comércio do ecstasy no país, a Polícia Federal, no ano de 2006, apreendeu 19 mil comprimidos da droga. Até o mês de outubro de 2007, foram apreendidos 157 mil comprimidos. Dados mais recentes indicam que chegou a 1703% o crescimento total do número de comprimidos apreendidos pela Polícia Federal, comparativamente aos anos considerados. "Na hora a coisa é maravilhosa, mas depois a depressão é horrível. Vendi celular, videogame e outros bens para sustentar o vício", conta um dependente, internado numa clínica de recuperação no Rio. Espanta também o fato de que tal droga, procedente da Holanda, ser repassada aos traficantes de morros e favelas pelos mini-traficantes do asfalto (muitos começam pelo vício), o que significa dizer que o ecstasy já concorre hoje com as drogas ilícitas mais convencionais., surgindo agora uma nova classe de traficantes de maior status social.

Drogas não agregam valores nem desenvolvem talentos. O Uso de drogas, além dos danos físicos e psicológicos, causa também o dano social com a chamada síndrome amotivacional. O consumo de cocaína, por exemplo, pode causar danos irreversíveis ao cérebro. O que se sabe com certeza é que a cocaína é um potente vasoconstritor, ou seja, ela provoca uma contração das artérias, especialmente as cerebrais. Dessa forma, sobra menos espaço para o sangue circular. Com isso, a probabilidade de um derrame aumenta. O uso da cocaína, ao longo do tempo, traz um efeito devastador sendo responsável pela perda gradativa da atividade cerebral. A maconha, ainda que alguns estudiosos do tema afirmem que não produz dependência fisiológica e que traz benefícios de ordem médica, seu uso acarreta, em verdade, a dependência psicológica, colocando o dependente em estado letárgico permanente, sem motivação para as tarefas diárias. Recentemente a pesquisadora norte-americana Karen Bolla, em visita ao Brasil, disse que a maconha causa danos permanentes ao cérebro e que a erva vicia e quem tenta parar o consumo sofre com sintomas que vão da dificuldade de expressão à perda de memória.

No seio familiar, posto que a família é o núcleo basilar da sociedade, o melhor caminho é o da prevenção com permanente abertura para o diálogo franco, claro e objetivo com os filhos. Os pais devem estar alertas e ter conhecimento dos sinais do uso da droga aqui descritos, sendo que pode ocorrer a presença de todos os sinais ou apenas alguns deles, senão vejamos: mudanças bruscas no comportamento; falta de motivação para atividades cotidianas, inclusive esportes; queda no rendimento escolar ou abandono dos estudos; queda na qualidade do trabalho ou seu abandono; inquietação; irritabilidade; desconcentração; insônia; consumo excessivo de dinheiro; depressão; sonolência; marcas ou hematomas nos braços; olhos constantemente avermelhados; boca ressecada; palidez acentuada; dilatação da pupila; olhos muito vivos; troca do dia pela noite; idéias delirantes; emagrecimento repentino sem causa aparente.

Temos o dever, portanto, de zelar pela criação de uma juventude sadia onde os valores sociais se reflitam e não pela criação de uma legião de letárgicos ou alucinados sem rumo. Há para o jovem outros caminhos para direcionar sua impulsividade natural e o encanto pela vida. A busca de estados alterados de consciência seguramente não é o caminho. Legalizar drogas é o mesmo que produzir uma emenda muito pior que o soneto.

Não se pode esquecer também que à escola, outra importante agência de controle social, lhe cabe a missão de desenvolver programas de prevenção, estabelecendo um intercâmbio democrático de idéias entre alunos, pais e professores, despertando, na comunidade escolar, uma consciência crítica em relação aos problemas que derivam do uso excessivo de bebida alcoólica, do uso indesejado do cigarro e de drogas ilícitas, traçando assim possíveis ações a serem desencadeadas.

Tudo deve ser feito, portanto, para frear o avanço das drogas. O falso prazer e o "mundo colorido" oferecido pelas drogas devem ser substituídos pelo mundo real apregoado pelo incentivo aos estudos, ao trabalho, ao lazer, à prática esportiva, à religião e à cidadania consciente, verdadeiros pilares da liberdade, da paz e do equilíbrio humano.

Se o jovem conhecesse os males da droga, antes do consumo, certamente que não a usaria. QUEM SE AMA NÃO SE DROGA.


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O Jornal 'O DIA' acaba de prestar à população fluminense um incomensurável serviço, de relevante interesse social, ao abordar realisticamente um tema que perigosamente ronda nossos lares preocupando sobremodo pais e responsáveis. Drogas não agregam valores nem desenvolvem talentos. Pelo contrário, como visto na primeira edição da série especial sobre o ecstasy, conduzem jovens e seus familiares para o infortúnio das tragédias.
Os que ainda insistem na liberação das drogas deveriam tomar ciência e refletir sobre o conteúdo da reportagem que envolve o triste episódio da morte do jovem Francesco Amendola Maiorano numa festa rave. Proponho inclusive que o caderno especial, que aborda o perigoso uso do ecstasy, seja encaminhado ao Ministério da Educação para que seja reproduzido e distribuído em universidades e escolas de segundo grau Brasil afora.
O país, principalmente nossa juventude, precisa tomar conhecimento do mal das drogas. Se os jovens conhecessem os males das drogas antes do uso provavelmente que não as usariam. Este é, pois, o maior papel de uma imprensa sadia num estado democrático de direito, que alerta o seio social sobre o perigo que o ameaça. Parabéns ao Jornal 'O DIA'e aos ilustres jornalistas que produziram informação de raríssima qualidade.
Milton Corrêa da Costa tenente coronel PM da reserva


Sábado, 5 Abril, 2008

A pí­lula da falsa felicidade


O DIA inicia neste domingo uma série de reportagens sobre a explosão do consumo de ecstasy. São depoimentos contundentes e informações sobre a droga sintética que vem atraindo e arrasando os jovens. Comente aqui.

Ana Miguez, editora-executiva de O DIA e coordenadora do Blog da Segurança

Polícia para quem (realmente) precisa de Polícia

Por Reinaldo S. Oliveira, Inspetor de Polícia Civil

Quando você, cidadão, pede socorro, seja através do 190 ou indo a uma Delegacia da Polícia Civil, está certo de que o passo que vai dar será mantido até o final ou o faz apenas para "dar um susto" no vizinho, cunhado, tio, pai, irmão, primo, ex-esposa/ex-marido, professor, colega...?
Você tem consciência de que a polícia anda muito ocupada combatendo narcoterroristas, assaltantes, assassinos, estelionatários, estupradores, pervertidos sexuais, e que o seu pedido de ajuda pode estar impedindo que uma investigação digamos mais séria se dê, para atendê-lo?
Tem certeza de que após acionar o estado através das polícias, hospital, perícia e justiça não vai aceitar um aperto de mão como pedido de desculpa, o que poderia ter conseguido se procurasse quem o xingou e se entendesse com ele, conversando, revendo as suas ( suas e dele ) atitudes, gestos e atos?
Refiro-me aos procedimentos que têm de ser tomados quando os crimes são de menor potencial ofensivo, de grande demanda nas DPs e que após investigação são remetidos para os Fóruns e que em sua maioria termina em aperto de mão ou um tapinha nas costas acompanhado de um pedido de desculpa.
Cito um exemplo em que uma senhora foi xingada por filho de moradora do condomínio que era síndica. Dele, a queixosa só tinha a placa do carro e o primeiro nome. Iniciada a investigação - Injúria -, demorei 45 dias para chegar ao autor, porque o veículo não estava em seu nome e foi preciso entrevistar quatro ex-proprietários do carro até que chegasse ao atual na época, que negou ter proferido tais xingamentos aproveitando-se de não ter restado testemunha. Fato é que mais de três meses depois o caso foi arquivado no primeiro encontro com o conciliador, tendo a vítima dito a mim que este a convenceu a esquecer a ofensa...
Talvez para ela, alguma justiça tenha sido feita, haja vista ter incomodado a quem a ofendeu obrigando-o a ir ao Fórum. Mas para aquelas vítimas de estelionato, de roubo e de outros crimes mais graves que não obtiveram justiça porque, muito mais complexas, tais investigações demandam tempo, o que não temos justamente pelo elevado número de queixas como a da síndica, elas se sentem plenamente atendidas pela polícia? Claro que não! Então, cidadão, o que você prefere? Que tiremos de circulação criminosos de alta periculosidade ou que gastemos nosso tempo em investigações que serão arquivadas posteriormente em sua grande maioria?
Infelizmente não há policiais o suficiente para que todos mereçam nosso total empenho. Há de se fazer uma escolha...
Se disponível estiver, gostaria de ter acesso à estatística dos Juizados Especiais Criminais. Gostaria de saber quantos milhares de investigações feitas pela Polícia Civil redundaram em punição e qual a punição aplicada; qual o número de "vítimas" que não compareceu às audiências?; quantos são os autores que não o fizeram?; e o de testemunhas?; e essas vítimas que não compareceram, o que ocorre com elas, são punidas?; os autores que não vão, são? Garanto que os números surpreenderão a muitos. É preciso rever a lei. Na maioria desses casos, quem vai à DP, seja conduzido pela PM ou por meios próprios, o faz na hora da raiva. Não quer de fato que quem o ofendeu seja punido. Quer incomodá-lo. Quer vingança. Quer dar um susto. E olhem quanto tempo desperdiçado! Quer uma mulher que foi insultada pelo marido, que chegou de madrugada, bêbado, que ele seja preso? Será que ela deseja que ele perca o emprego se isso ocorrer? Que seus filhos o vejam atrás das grades? Pois é.

No entanto a pena para esse crime é de 1 a 4 anos, conforme Lei 11.340/2006, a Lei Maria da Penha. O que essa mulher precisa naquele momento é de alguém que lhe aconselhe, lhe ampare, lhe dê razão e acolha. Ela quer alguém que dê um " carão " no marido e o aconselhe a " tomar juízo ". Há uns 20 anos a polícia fazia isso. Na hora da queixa. Hoje, até que ele vá à presença do policial ou do juiz, isso pode demorar meses e não raro o casal entra de mãos dadas, sorridente, aos beijos, ela pedindo para retirar a queixa...
No Brasil, falar em mudar as leis é proibido. Fazer isso, impossível.



Sexta-feira , 4 Abril, 2008

CONCEITOS INDISPENSÁVEIS PARA ESTUDO DO TEMA VIOLÊNCIA URBANA E CRIMINALIDADE (1)

Por João Batista Damasceno,
Cientista político (UFF), juiz de direito do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, integrante da Associação Juízes para a Democracia/AJD

1ª Parte: Conceito e comentários sobre legítima defesa

Diz o Artigo 25 do Código Penal que se entende em legítima defesa aquele que, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. Somente se pode falar em legítima defesa quando o agente usa dos meios necessários com moderação e para repelir agressão atual ou na iminência de ocorrer.
Não há legítima defesa se a violência usada for desproporcional à originária, bem como se imoderada. Igualmente não há que se falar em legítima defesa se a violência futura não for iminente, ou seja, se não for aquela em vias de começar a ocorrer.
Se um agente público está no alto em um helicóptero e em terra os procurados estão fugindo, como ratos fogem do gato, não é legítima defesa, porque inexiste violência a ser repelida. Igualmente não há legítima defesa quando aquele contra quem se dirige a violência está em fuga ou já cessou a agressão.

O dever dos agentes públicos encarregados de executar ordens de prisão ou de atuar em prisão por flagrante de delito é estar preparados para perseguir e capturar. Se aquele que está sendo perseguido está em fuga, não há legítima defesa, pois esta apenas se encontra presente quando há uso de violência
proporcional e necessária para fazer cessar a agressão do outro.

A legítima defesa não isenta o autor da conduta de pena. Mais que isto. Ela exclui da conduta o seu caráter injusto. Trata-se de uma excludente de ilicitude do fato que pareceria ser criminoso. Aquele que age em legítima defesa não pratica crime, pois o art. 23 do Código Penal diz que não há crime quando
o agente pratica o fato em legítima defesa.

Nem sempre uma morte é crime; nem sempre o ato deliberado de matar alguém é homicídio. Quando tínhamos entre nós a pena de morte, os carrascos que executavam as sentenças não cometiam homicídio, pois eram apenas funcionários públicos no estrito cumprimento do dever legal. Se matassem fora do serviço, e fora dos casos autorizados pela lei de então, estariam cometendo homicídio.

O carrasco que executou Tiradentes não cometeu homicídio. Era um agente público no exercício de suas funções. Tiradentes cometeu e confessou o crime de lesa-majestade. Muito tempo depois descobrimos que os criminosos não eram aqueles que conspiravam contra o poder. Mas, os governantes que mandavam nosso ouro para o estrangeiro. Talvez um dia descubramos que a chamada guerra contra as drogas mata mais do que as próprias drogas; que o cigarro de tabaco mata mais que o de cannabis sativa (maconha) e que as mortes no trânsito causadas por motoristas de classe média embriagados matam mais que todas as overdoses de cocaína. Talvez um dia descubramos que deveríamos criminalizar outras condutas.

Assim como o carrasco de Tiradentes não cometeu crime, os agentes públicos, se atuam nos limites da lei, igualmente não o cometem. Ainda que provoquem mortes nas suas ações. Mas somente não cometem crime quando atuam no estrito cumprimento de dever legal. Se atuam à margem da lei são como os outros. Porque todo aquele que atua à margem da lei é marginal. Se agem violentamente
quando não há agressão a repelir, praticam crime.


Polícia de dieta

Por Gustavo de Almeida

Por essa a Polícia Civil não esperava: com o vale-refeição atrasado cerca de três meses, veio uma determinação de que o mês de janeiro não será compensado. Pelo jeito, a licitação pública não foi feita a tempo e, com isso, o policial civil deixará de consumir R$ 172 a que tinha direito. Segue abaixo a nota publicada no Boletim da PCERJ:

AVISO N.º 269 - GREEN-CARD - REF/JANEIRO/2008
O Diretor Geral de Administração e Finanças, Delegado de Polícia, Dr. Carlos Augusto Ribeiro Dantas, no uso de suas atribuições, AVISA a classe policial que a PCERJ firmou contrato de n.º 003/1200-08, processo E-09-00548/1704-2007, pelo período de 12 (doze) meses, a contar de 27/02/2008, com a empresa GREEN-CARD S/A - Refeições, Comércio e Serviços, para fornecimento de vale-refeição. Informa ainda que a distribuição dos vales foi iniciada a partir da assinatura e a validade de fevereiro/2008, não sendo, portanto admitido o fornecimento no mês de janeiro/2008.


Maioridade penal e os engarrafamentos de fumaça


Por Emir Larangeira, tenente-coronel reformado da PMERJ, bacharel em Ciências Administrativas, escritor com oito livros publicados

Na foto, Luke Mitchell, que aos 16 anos matou Jodi, de 14 anos, na Inglaterra: exemplo de adolescente julgado em corte comum, mesmo sendo menor

Tenho lido muitos argumentos convincentes a favor da diminuição da maioridade penal. Uns defendem-na até para enquadrar crianças de dez a doze anos e assim sucessivamente. Sou favorável, também, à idéia, pois creio ser absurdo um adolescente discernido de corpo e alma não responder por seus crimes bárbaros com pena equivalente ao seu ato geralmente tenebroso.

Por outro lado, porém, vejo na discussão, como sempre sói ocorrer, uma radicalização perigosa, na medida em que a univocidade da discussão olvida a idéia de que esse problema não é isolado no mundo da violência e do crime, é apenas fração de um grave problema, é subsistema de um sistema complexo que deveria ser revisto concomitantemente, de modo que os objetivos de controle da violência e do crime (elementos globalizados e interagentes, polissistema composto por vários sistemas e subsistemas) partam de um sistema de justiça criminal compatível com a gravidade da questão referente.

E, nesse contexto (tudo é contexto no nosso mundo), a cobrança da responsabilidade penal ao menor, segundo nossas leis, deve-se integrar a um sistema globalizado do qual a maioridade penal faz parte apenas como um subsistema a mais.

Não creio que a simples mudança da regra garantirá a inibição da vontade de cometer crimes por parte de adolescentes e crianças. O sentimento que neles impera é o mesmo do criminoso adulto: certeza de impunidade. E aqui se inclui uma série de subsistemas que necessitam funcionar em interface permanente e numa dinâmica capaz de garantir punição exemplar para todos os delitos, desde os mais simples (são impressionantemente numerosos) aos mais graves (poucos, mas brilhantemente generalizados pela mídia, dando a falsa impressão de que o mundo está acabando...).

A legislação, na verdade, é apenas um subsistema do sistema de justiça criminal, este que poderia incluir as polícias (federais e estaduais), o ministério público federal e estadual, a justiça federal e estadual, o subsistema carcerário, os guardas municipais, os fiscais em geral, as entidades civis que colaboram na ressocialização de condenados, as religiões, a OAB, as Forças Armadas, as casas legislativas etc.). Tratar, portanto, de mudar a maioridade penal, sem considerar todo o sistema e suas gritantes falhas, não me parece suficiente, embora sejam atraentes os argumentos em favor desta medida isolada, não obstante surgirem sob violenta emoção e inegável imediatismo.


Enquanto o país não se unir sob a liderança das autoridades constituídas, - por iniciativa federal (congressos, seminários etc.), - não creio em benefício imediato nem mediato de medidas pontuais como esta da diminuição etária da responsabilidade penal. Isto é tema importante e inadiável, sim, mas a revisão do todo o é ainda mais, sob pena de o crime organizado avançar e ocupar esse vácuo de ausência da maquinaria governamental destinada a garantir paz e harmonia na convivência social; enfim, destinada a garantir a ordem pública nacional, regional e local sob a égide de um sistema integrado nos seus três níveis de poder do Estado (União, Estados-membros e Municípios).

Exemplo disso resume-se na indagação finalizadora: por que os municípios mais abastados não participam construindo presídios municipais para guardar seus presos? Afinal, como diz a Carta Magna, a segurança pública é "dever do Estado e responsabilidade de todos", inclusive das frações menores de poder do Estado (Municípios), que fazem ouvido mouco e corpo mole em relação aos seus deveres e às suas responsabilidades constitucionais e institucionais e ninguém até hoje lhes cobra absolutamente nada. Será que não estamos perdendo tempo com medidas que mais parecem engarrafamento de fumaça?


Quinta-feira, 3 Abril, 2008

O cruel julgamento do crack

Julio Ludemir, escritor

Parece-me inevit�vel um di�logo com a reportagem de um jornal carioca que narra o julgamento pelo tr�fico de B., "um rato de favela". A mat�ria se concentrou no tribunal do tr�fico, forte por causa da aus�ncia do estado nas comunidades populares. Embora reconhe�a o acerto da mat�ria, gostaria de enxergar a hist�ria por um vi�s que me parece pouco estudado no chamado poder paralelo. Refiro-me � explos�o do crack, que est� produzindo personagens como B. em quantidades industriais.
B. � obviamente um viciado em crack - e aquela s�bita vontade de voltar para a favela, que ele atribuiu � dificuldade de usar o palet� e gravata t�o t�picos dos evang�licos, n�o passava de uma s�ndrome de abstin�ncia. A compuls�o para as drogas leva o dependente qu�mico a ignorar o perigo. Ele prefere morrer a abrir m�o de uma pr�xima dose. B. sabia que iria morrer se voltasse para a comunidade da qual fora expulso. No fundo, tamb�m sabia que praticaria os mesmos pequenos furtos com os quais conquistou o r�tulo de "rato de favela". Nada disso importa para quem conhece o lado escuro da vida. Importa apenas a pr�xima dose.
O drama da depend�ncia qu�mica � cada vez maior nas comunidades populares de todo o mundo - e em particular nas favelas cariocas, em cuja orla s�o cada dia mais comuns as crackol�ndias. A exist�ncia de B. � em parte respons�vel pela inoper�ncia do combate ao tr�fico de drogas: sufocar a favela pode impedir a subida de mauricinhos aos morros, mas a boca funciona normalmente com os viciados da pr�pria comunidade. Mas os mesmos viciados que garantem o funcionamento da firma nos piores momentos do mercado tamb�m trazem muitos problemas para a comunidade. A comunidade aceita tudo, inclusive as guerras entre fac��es e entre bandidos e pol�cia. S� n�o aceita o roubo e o estupro dentro das favelas. Cabe ao crime organizado garantir a ordem que o estado n�o proporciona.
Os viciados em crack tamb�m est�o aumentando o n�mero de mortes na pr�pria boca, como vi com meus pr�prios olhos durante a pesquisa para O bandido da chacrete, meu �ltimo livro. Um dos personagens que entrevistei foi Felipe, sobrinho de Paulo Cesar Chaves que est� trilhando o mesmo caminho do fundador do CV.
Felipe, que hoje est� preso, contou-me que D�o e Sapinho proibiram o consumo de crack durante os plant�es. Embora os traficantes saibam mais do que ningu�m as conseq��ncias de uma transgress�o �s leis da boca, eles pr�prios s�o v�timas das drogas que vendem. Como B., primeiro levam uma co�a, depois s�o expulsos da favela e, caso voltem sem autoriza��o da boca, morrem. O crack n�o respeita nem mesmo o chamado poder paralelo.
Se esse fen�meno n�o for entendido, vamos escrever muitas outras hist�rias sobre B. De banaliza��o.


Denúncia encaminhada

O BLOG DA SEGURANÇA de O DIA, além de investigar por conta própria, já está encaminhando às autoridades responsáveis as denúncias que os leitores estão enviando pelo email
blogdaseguranca@odianet.com.br; a subsecretaria de Inteligência já está com uma denúncia feita relacionada à Favela da Varginha. E na tarde desta quinta-feira, encaminhamos ao coronel Paulo César Ferreira Lopes, comandante do 2º CPA, a denúncia abaixo. O coronel Lopes disse que nesta sexta-feira determinará as primeiras providências.
Segue o texto:
Venho por este canal, tornar público que no dia 09/03/2008, por volta das 20h, ao passar de automóvel pela esquina das ruas Benjamim de Oliveira e Rua Paulino Sacramento, ambas na Vila Kennedy, fui surpreendido por seis traficantes que vendiam drogas no local. Eles disseram que não era para eu passar por ali com os faróis acesos, pois se ocorresse novamente eu ia acabar tomando um tiro. (...)
Cabe ressaltar que a "boca de fumo" fica em frente ao CIEP e a menos 100 metros do Colégio Presidente Kennedy, fato que talvez seja proposital em virtude do grande número de alunos daquelas instituições. Inclusive, observei que a grade do CIEP foi destruída, s.m.j, para facilitar uma possível fuga do local.
Participo ainda, que após o ocorrido telefonei para o PPC e o Policial que atendeu disse que iria esperar a chegada da viatura para tomar alguma providência, mas, infelizmente, não foi o que aconteceu, pois por volta das 23h passei de bicicleta pelo local e pude constatar que os traficantes ainda estavam vendendo drogas. Como os moradores já esperavam, com o fim da ronda ostensiva, os traficantes já estão voltando e já surge o "boato" de que eles pretendem retornar à Favela da Metral.
Pelo acima exposto, solicito, mui respeitosamente, que as autoridades competentes tomem as providências cabíveis, pois a maioria da população da Vila Kennedy, bem como da Metral, é trabalhadora e não merece voltar a viver sob as ameaças dos traficantes, como era antes do Cel. Lopes assumir o 14ºBPM, naquela época eles andavam pelas ruas do bairro apontando armas para os transeuntes.


Fardas e praças

Por Gustavo de Almeida

O abismo entre praças e oficiais na PM, que um dia já foi natural - como é nas Forças Armadas - tem criado algumas distorções, muito em função do Regulamento Disciplinar da Polícia Militar. No caso abaixo, que publico apagando o nome do praça (prática que a própria PM não adota), é incrível a situação. Deve-se ler com o seguinte conhecimento: há alguns anos que soldados e cabos são obrigados, eles mesmos, a comprar seu próprio fardamento, algo em torno de R$ 120. E lembremos: são policiais que ganham menos de R$ 1000 em sua maioria.
O caso que publico retrata um cabo que, com problemas no uniforme e principalmente sem dinheiro para comprar outro ou consertar, recebe de seu superior (o subcomandante do batalhão) o seguinte "agrado": a bandeirinha do Brasil* meio avariada em sua farda é arrancada pelo oficial superior e atirada longe.
O cabo, um tanto abalado, dá parte do oficial. A denúncia, claro, não chega a lugar nenhum. Aos oficiais, pelo jeito, é permitido fazer tudo com os praças.
Ao praça,. o que acontece? Ora, o ilustre leitor pode constatar por si: teve a bandeira do Brasil arrancada da farda que pagou do próprio bolso e agora vai responder a inquérito.

Extraído do Boletim da PMERJ


*Correção feita por leitor: a bandeira, na verdade, era do Estado do Rio de Janeiro. Desculpem o ato falho

Operação na Coréia e Vila Aliança e os direitos humanos

Milton Corrêa da Costa, Tenente-Coronel PM da reserva e estudioso em violência urbana

Por certo alguns cientistas sociais e os organismos protetores de direitos humanos se posicionarão contra as 11 mortes, ocorridas durante confrontos empreendidos entre policiais e traficantes, nesta manhã de 03 de abril, nas localidades do Complexo da Coréia e da Vila Aliança. No entanto, mantiveram-se até agora calados quanto ao episódio do covarde assassinato da secretária do reitor da Universidade Cândido Mendes, ocorrido recentemente no bairro da Tijuca e no caso que envolveu a jovem violentada (estuprada) após assalto, em Campo Grande, na Zona Oeste, também recentemente.

Sempre que oportuno militantes dos direitos humanos procuram justificar a ação de perigosos meliantes invocando a exclusão social, com fulcro na criminologia social humanitária. Para alguns "iluminados" intelectuais a exclusão social confere direitos de matar, oprimir, torturar, estuprar e tudo mais. Será mesmo que as condições econômicas e materiais determinam a conduta dos homens? A pessoa trafica, aterroriza, assalta, mata e estupra por ser excluído e favelado? Isso justifica o crime cometido?
Por outro lado, há que se ter em mente que por mais que se tenha técnica policial, inteligência e equilíbrio no emprego seletivo da força, durante as intervenções de combate ao narcoterrorismo, em morros e favelas (locais de difícil acesso), haverá riscos para todos. Os agentes da lei, com iminente risco de suas vidas, são recebidos, invariavelmente, por perigosos marginais da lei com tiros de fuzil provenientes de poderosas armas de guerra convencional, quiçá metralhadoras anti-aéreas. Parênteses: no exato instante em que elaboro este texto posso ouvir, nitidamente, o barulho de tiros vindos de um dos morros que circundam o bairro da Tijuca onde resido. São cerca de 15:50 horas desta quinta- feira. É a guerra do Rio, das mais violentas e sangrentas que já se teve notícia na história policial no mundo.
É preciso entender ainda que na guerra contra o narcoterrorismo não podem existir áreas de exclusão à ação policial e que o resguardo da legítima defesa da vida, também constitui direito dos agentes da lei, na difícil e complexa missão de restauração da ordem pública.
Por enquanto o Rio continua sendo, `a exceção de Bagdá, o epicentro da violência urbana no mundo.Que os arautos dos direitos humanos deixem de viver no mundo dos sonhos e fantasias e reconheçam o estado de guerra onde cada um de nós, policiais ou não, poderemos ser a próxima vítima.



Toc, toc, toc

Por Maria Inez Magalhães

No comando da PM há dois meses, até agora o coronel Gilson Pitta Lopes não deu uma declaração sequer sobre a segurança no Estado do Rio, e muito menos sobre a corporação - assim como o chefe do Estado-Maior, coronel Antônio Carlos Suarez David. Tem alguém aí?

Segurança turística: uma utopia?

Por Bayard Boiteux, professor da UniverCidade

Fico sempre a me perguntar como é possivel apenas tornar um destino turistico seguro com aumento de contingente nas ruas. Devo confessar que a atual estrutura do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BP-Tur) é bastante precária,para uma cidade turística, como o Rio. O referido batalhão acaba policiando algumas áreas e sem efetivo suficiente para as demais. É um trabalho de Hércules de um grupo de abnegados,como o tenente Douglas Andrade, exemplo para uma corporação.
No entanto, o que se discute aqui são dois pontos:a proximidade tão tênue do asfalto e das áreas mais pobres da cidade, onde muitas vezes reina o chamado poder paralelo, ora dos traficantes, ora das milícias, e a inexistência de políticas efetivas de inclusão social permitem alguma mudança no status quo do desenvolvimento sustentável?
Receio que o Direito da Cidade,que apregoa um desenvolvimento participativo dos diversos segmentos da sociedade civil, tenha esquecido de cogitar que não é possível respeitar o turista se nunca usufruímos da atividade turistica; que não podemos continuar convivendo com tantas diferenças sociais e morais, capazes de nos fazer afirmar, muitas vezes, a vergonha que sentimos em termos, cada vez mais, menos força, para mudar os rumos do Brasil e do Rio.
É possíver ter segurança turistica????

Quarta-feira, 2 Abril, 2008

PM do Rio cancela todos seus cursos

Por Marco Antonio Canosa

O comandante-geral da Polícia Militar, Gilson Pitta, cancelou todos os cursos e estágios de aperfeiçoamento oferecidos pela corporação a oficiais e praças em 2008. A decisão foi motivada "pela imperiosa necessidade de atender à demanda operacional da Corporação", segundo publicado no Boletim Interno número 040, de 01 de abril. Entre os cursos cancelados estão: Intensivo de Tiro de Combate; Ações Táticas em Motopatrulhamento; Ações Táticas; Policiamento Ambiental; e Investigação e Perícia Criminal. Ao todo foram 13 cursos cancelados, deixando sem ensino e instrução cerca de 452 policiais.


O Haiti não é aqui!

Por Claúdio Barroso Magno Filho
Coronel da Reserva do Exército Brasileiro
1º colocado em todas as academias e ex-comandante de Forças Especiais


Ao ser convidado por O DIA para participar deste fórum, me senti orgulhoso e ao mesmo tempo em dúvida. Afinal qual seria a contribuição de um coronel da reserva do Exército no debate sobre a segurança pública carioca? Embora não sendo um especialista no tema, sem titubear, respondi afirmativamente, impulsionado por um forte comprometimento com as questões coletivas, reafirmando a desejável "cidadania" - sem cidadania não há segurança e sem uma participação efetiva de todos não atingiremos o "bem comum". E, disposto a servir ao bem comum, aceitei participar dessa louvável iniciativa. A O DIA, meus parabéns!
Vencida a dúvida inicial e decidido a contribuir, deparei-me com uma nova questão: quais os temas específicos sobre os quais eu poderia opinar com propriedade? Como vítima da "insegurança", poderia opinar sobre tudo, pois devemos expressar sentimentos e indicar possíveis soluções - quanto maior participação, melhor. Mas, com propriedade, imagino trazer reflexões decorrentes de minha experiência profissional: planejamento estratégico e integração; a participação das Forças Armadas na segurança pública; a experiência brasileira na pacificação do Haiti; e operações tipicamente militares, suas táticas e técnicas.
O planejamento estratégico é fundamental para a definição dos objetivos e a racional seleção e organização das ações que permitirão a sua conquista. Planejar permite antever as adversidades e definir como superá-las para a conquista dos objetivos almejados. Sem planejamento, há desperdício de meios e pequenas conquistas podem ser perdidas. Mais do que tudo, um erro na concepção estratégica não poderá ser reparado por vários acertos táticos e operacionais. Assim sendo, podemos afirmar que: "a solução das questões de segurança pública pressupõe planejamento estratégico, instrumento fundamental para a integração dos diferentes agentes da cidadania, públicos ou não, militares ou não".
As Forças Armadas podem participar da Segurança Pública? Sim, devem! Quando? Sempre! Para que e como? Para o que for necessário e de uma maneira fundamentada nos nossos instrumentos jurídicos, sem desrespeitar as instituições e as leis, particularmente a Constituição Federal. A segurança é um direito dos cidadãos e a sua promoção é dever do Estado. As nossas Forças Armadas são instituições do Estado brasileiro e podem e devem participar da "sinergia" que nos garantirá a desejável "sensação" de segurança.
O Haiti não é aqui! Aqui é muito mais complexo e difícil: lá não há influência do narcotráfico sobre grupos criminosos; aqui vivemos um regime democrático e lá um estado de exceção, com forte intervenção internacional, por intermédio da ONU; e lá as medidas policiais (imposição da paz) são conduzidas por estrangeiros e não por iguais, por concidadãos. Mas, dizer que não temos coisas boas a tirar da experiência haitiana é desconsiderar o maior campo de provas da sociedade brasileira, na "Imposição da Paz".
Finalmente, poderemos debater o emprego de operações militares na "guerrilha urbana" carioca. O que da cultura dos militares pode ser apropriado pelas organizações policiais? Não se trata de ensinar, mas de compartilhar conhecimentos, táticas, técnicas, etc. Como exemplo, destacamos as seguintes atividades: planejamento; logística; inteligência; comunicações; emprego de tropas especiais; comando e controle; ações de comunicação social (em apoio às operações); etc.
Vamos nessa, vamos juntos. Força!

O Adormecido com sono leve

Por Gustavo de Almeida

Aproveitando a estréia do coronel Barroso Magno aqui no blog, um pouco dos bastidores do verde-oliva, ou melhor, do grande Adormecido. Sim, o Exército está dormindo desde 15 de março de 1990, que é quando a democracia foi restabelecida (em outras palavras, quando assumiu o cargo o primeiro presidente eleito pelo voto direto depois do regime militar). No noticiário, apenas crises pontuais - como a que culminou com a exoneração do general Santa Rosa, no ano passado - e as eternas convocações para intervir na Segurança Pública.

Cerimônia de comemoração do 31 de março na sede do CML - Foto Divulgação
Cerimônia de comemoração do 31 de março na sede do CML - Foto Divulgação

No entanto, o que antes era reservado (com redundância) à reserva, agora começa a atingir oficiais da ativa, na questão da reivindicação salarial. Irrita ao Exército também o abuso no uso da farda, da parte do ministro da Defesa Nelson Jobim e da ministra Dilma Roussef. Os dois costumam usar farda e estrela, o que irrita à reserva e, silenciosamente, à ativa.
Nem tão silenciosamente assim, eu diria. Em algumas manifestações salariais brasil afora, o Grande Mudo (usando palavras do então deputado Márcio Moreira Alves, nos idos de 1968) tem sussurrado. Há efetivamente oficiais da ativa nas manifestações. E nem só salariais.
Horas antes de Lula chegar ao Rio para a inauguração do Pólo Petroquímico de Itaboraí, o general Cesário, chefe do Comando Militar do Leste, abrigava em sua sede a comemoração dos 44 anos do 31 de Março. As cerimônias que comemoravam a dita revolução dos militares (historicamente, o conceito de "revolução" não pode ser aplicado no Brasil em nenhum momento, na minha opinião) tiveram a presença de muitos oficiais da ativa.
Se na próxima vez que Lula vier ao Rio, resolver ir com o ministro da Defesa no Comando Militar do Leste, vai dar de cara com a placa abaixo. O CML inaugurou a Sala 31 de Março, na segunda-feira passada.


Placa em homenagem ao 31 de março de 1964, em salão na sede do CML
Placa em homenagem ao 31 de março de 1964, em salão na sede do CML

À noite, em Brasília, cerca de 800 pessoas se reuniram em Brasília por iniciativa do grupo Terrorismo Nunca Mais, o Ternuma, composto de oficiais da reserva. Fizeram uma missa em homenagem aos militares mortos no período de exceção - e de fato houve, nas escaramuças com os grupos extremistas de antanho.
O Exército está adormecido. Calma. Mas a impressão que tem é que o sono está cada vez mais leve. Não acordem o verde-oliva. Este, só acorda de mau-humor.


Terça-feira, 1 Abril, 2008

A Justiça estacionada

Por Maria Inez Magalhães, Repórter de O DIA


Que a Justiça é lenta todos já sabem. Mas para mim é novidade a morosidade que chegou aos elevadores do Tribunal de Justiça de Niterói. Neste terça-feira, cinco elevadores do prédio de 10 andares, apenas três funcionavam. No quarto andar até paravam, mas quando a porta abria... lotado! Por isso, dona Nadir Carvalho, apesar de 76 anos e de muleta, só conseguiu descer algum tempo depois, quando o terceiro elevador chegou.
As pessoas em perfeitas condições físicas poderiam também ter oferecido seu lugar e descer pelas escadas. Mas, enfim, quando eu digo "perfeitas condições", como me referi apenas às condições físicas...

 Dona Nadir e os elevadores do Tribunal de Justiça de Niterói - Foto de Fábio Gonçalves
Dona Nadir e os elevadores do Tribunal de Justiça de Niterói - Foto de Fábio Gonçalves

Assim, a senhorinha conitnuou esperando. Eu e o fotógrafo descemos pela escada onde encontramos outras pessoas que também optaram por aquele 'meio de transporte' bem mais rápido. No térreo, para minha surpresa, encontramos dona Nadir. Ela tentava, de elevador, descer ao subsolo. Conversei com ela mas saí de lá sem saber quanto tempo mais esperou. Se é que o elevador já chegou. "A gente se acostuma minha filha". É.

Estacionamento proibido em frente ao Tribunal de Niterói - Foto de Fábio Gonçalves
Estacionamento proibido em frente ao Tribunal de Niterói - Foto de Fábio Gonçalves

Até onde sei o Código de Trânsito Brasileiro não divide os motoristas entre os que trabalham ou não no Tribunal de Justiça de Niterói.
Então, por que eles podem parar os carros em cima da calçada e ainda por cima (sem trocadilhos) onde há uma placa de proibido estacionar?
Só por que a calçada é do Palácio da Justiça da cidade???
Ontem à tarde PMs multaram do lado dos carros na calçada um motoqueiro que estava sem capacete. Perfeito. Mas e os donos dos veículos na calçada?


Troca de Plantão

Por Leslie Leitão, Repórter de O DIA

Tarde de um dia de semana na 21ªDP (Bonsucesso). Um chefe de setor ouve três batidas na porta e manda o subordinado entrar. O detetive entra, se ajeita na cadeira e faz um pedido:
- Chefe, eu precisava trocar de plantão no dia 22 de junho.
- Ô, meu querido, está muito cedo, por que tanta antecedência. E por quê dia 22 de junho?
- Chefe, eu sei que preciso, e muito.
- Tudo bem, vamos dar um jeito mais para a frente.
- Não pode ser mais para a frente, eu tenho que garantir isso agora.
- E o senhor pode me dizer por quê?
- Olha, vou confessar para o senhor: no dia 22 de junho vai cair um meteoro aqui perto do Rio, o mar vai subir e vai alagar tudo, vou levar minha família para a Região Serrana.
Pausa na sala. O chefe de seção tenta ver se é brincadeira ou não. Entra na onda do solicitante:
- Mas meu querido, e como fica a gente aqui na DP? Vamos ser alagados também?
O outro abre os braços:
- A DP eu não sei. Aí é com vocês. Eu vou para a Região Serrana.

O jeito é torcer para não engarrafar a Ponte.

Matar ou prender?

Por Antonio Rayol
Delegado de Polícia Federal de Classe Especial, ex-chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF

No último sábado, dia 30 de março, a Polícia Federal apreendeu 400 quilos de cocaína em uma camionete, na cidade de Itatiba a 70 quilômetros da cidade de São Paulo. No momento da abordagem policial, o motorista da camionete tentou fugir, trocando tiros com os policiais federais, mas acabou preso sem qualquer ferimento. Ele estava armado com uma arma curta e um fuzil de uso exclusivo das forças armadas. Outros três indivíduos da quadrilha foram presos. As investigações consumiram cerca de seis meses.
Nos últimos anos a Polícia Federal tem freqüentado com assiduidade o noticiário nacional com grandes operações policiais de repercussão. Por força de suas atribuições constitucionais, as ações da Polícia Federal têm alcançado, principalmente, funcionários públicos corruptos, fraudes em licitações, desvios de dinheiro público de diversas modalidades, crimes de "colarinho branco", uso criminoso da internet, pedofilia, tráfico de pessoas, et coetera...Em geral, são ações policiais contra criminosos que não usam armas de fogo e violência como prática instrumental sistemática em suas ações delituosas, mas a polícia federal também tem agido contra traficantes armados e outros tipos de criminosos igualmente violentos e perigosos, como assaltantes de bancos, assassinos de aluguel e seqüestradores.
Infelizmente têm ocorrido perdas de vidas de policiais federais e de criminosos em confrontos armados que o planejamento minucioso das operações não conseguiu evitar. Entretanto, comparadas tais perdas em ações da polícia federal com números de outras instituições policiais brasileiras, verifica-se que os níveis de uso letal da força policial são extremamente desproporcionais. Se o número de óbitos em ações policiais federais se compara ao verificado em estatísticas policiais do chamado primeiro mundo, em algumas polícias estaduais brasileiras tais cifras atingem proporções só compreensíveis e cabíveis em áreas conflagradas do mundo.
São números de mortes típicos de uma guerra!
Em números absolutos a polícia carioca mata e morre, pelo menos, quatro vezes mais do que a polícia paulista. Proporcionalmente falando, tal diferença se torna ainda mais assustadora porque a população e o número de policiais de São Paulo são muito maiores do que no Estado do Rio de Janeiro. Estatísticas mostram que São Paulo é a unidade da federação que mais prende criminosos, enquanto que o Rio de Janeiro é a unidade federativa onde mais morrem criminosos e policiais em confrontos armados! Há alguma coisa errada e alguém terá que descobrir qual é o problema e qual é a solução! Estudiosos da questão da segurança pública do meio acadêmico, mais qualificados do que o autor deste texto, afirmam que há no Rio de Janeiro, uma cultura baseada na política do extermínio de criminosos como solução para o grave problema da segurança pública. Não é um defeito exclusivo da atual administração da segurança pública do Rio de Janeiro.
É uma política equivocada que vem sendo repetida há pelo menos uns vinte anos, ou mais, por sucessivos governos estaduais das mais distintas vertentes ideológicas. O fato é que se o extermínio de bandidos fosse solução para o problema da criminalidade no Rio de Janeiro, já viveríamos, hoje, no melhor dos mundos, pois a pilha de corpos de supostos criminosos, acumulada ao longo de todos esses anos, é simplesmente impressionante! Ao contrário, o que ocorre é que a política do uso indiscriminado da força policial letal só tem gerado uma interminável espiral ascendente de violência que causa vítimas em ambos os lados, policiais e criminosos, e, no fogo cruzado, cidadãos inocentes.
Talvez seja por esse motivo que o fenômeno das "balas perdidas" já se tornou uma "tradição" cotidiana do Rio de Janeiro, coisa que não existe, pelo menos nas mesmas proporções, em outros pontos do Brasil!
Em polícias do mundo civilizado, a prioridade é a preservação de vidas, seja de quem for, e o uso da força letal é o último recurso! Quando os bandidos sabem, acreditam ou imaginam, que a prioridade policial é matá-los mesmo que se rendam, optam por não se entregar e por tentar fugir a todo custo, sem qualquer preocupação com eventuais vítimas inocentes do tiroteio!
A missão da polícia não é matar bandidos, é prendê-los e submetê-los ao judiciário criminal!


Saúde com segurança (s)

Por Gustavo de Almeida

Vai dar polêmica a questão da área de Saúde da Polícia Militar. A partir desta quarta-feira, quando for publicado no Diário Oficial da ALERJ o requerimento feito pelo deputado Flávio Bolsonaro (PP), ao comando da corporação e à Secretaria de Segurança, solicitando notas fiscais e vales emitidos pelo Hospital Central da Polícia Militar. O por quê da polêmica? Bolsonaro enviou o mesmo requerimento de informações ao Tribunal de Contas do Estado, solicitando inspeção e quiçá abertura de processo. "Vamos abrir esta caixa-preta", disse Bolsonaro, que prometeu reforçar a própria segurança.
A ação do parlamentar - integrante da Comissão de Segurança Pública da assembléia - se deve ao grande número de denúncias sobre retenção de verbas destinadas ao hospital e compras com dispensa de licitação (denúncias encaminhadas ao gabinete do deputado).
Outro aspecto complicado da saúde na PMERJ é o judicial: é certo que há ações na Justiça de policiais que não querem mais descontar nos contra-cheques a alíquota referente ao Fundo Estadual de Saúde. Motivo: ficaram sabendo que há verbas retidas e não encaminhadas.


Qual deve ser a prioridade para enfraquecer a milícia que atua em Campo Grande?

Ocupação policial permanente
Aumento no número de ônibus e vans regulares
Repressão às centrais clandestinas de TV a cabo (gatonet)
Controle da venda de gás
Todas essas medidas ao mesmo tempo


 
 
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