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Membro do Comad (Conselho Municipal Anti Drogas do Rio de Janeiro), fundador e conselheiro do IBDC - Instituto Brasileiro de Direito e Criminologia, doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino de Buenos Aires, delegado de Polícia Federal de Classe Especial, responsável pela prisão do publicitário Duda Mendonça na rinha de galo em 2004. Rayol dirigiu por anos a Delegacia de Entorpecentes da PF.
Procurador de Justiça, ex-secretário de Administração Penitenciária, ex-coordenador de Inteligência do Ministério Público estadual do Rio de Janeiro, responsável pela investigação da Propina S.A, entre outras.
professor universitário, dirige a Escola de Turismo e Hotelaria da UniverCidade,há 15 anos.Tem estudado ,nos últimos 18 anos,o impacto da segurança na atividade turistica.Implantou no Rio o primeiro Programa de capacitação para as forças de segurança turistica do Estado do Rio.Preside o Instituto de Pesquisas e Estudos do Turismo,que tem um Nucleo de Segurança Turistica,que faz um estudo comparado dos diversos sistemas no Brasil e no exterior.Sua tese de doutorado em Direito da Cidade versa sobre Um sistema de segurança Turistica para o Rio.
Jornalista e escritor, ex-TV Globo, atualmente na área de entretenimento do SBT, é autor dos livros Comando Vermelho - A História Secreta do Crime Organizado e CV-PCC-- A irmandade do crime, ambos pela Editora Record.
carioca, coronel da reserva, comandou a Tropa de Elite do Exército Brasileiro, o Batalhão de Forças Especiais. Sua última missão no serviço ativo foi o comando do Batalhão Brasileiro de Força de Paz, no Haiti, sendo responsável pela pacificação de Cité Soleil, até então, a região de maior risco (segurança pública) sob controle da ONU. Na área da Segurança Pública, foi o Chefe de Planejamento do Comando Militar do Leste. Para se comunicar com ele, escreva para kidbleu@gmail.com
tenente-coronel reformado da PMERJ, bacharel em Ciências Administrativas, torcedor do Flamengo, escritor com oito livros publicados (vide site: www.emirlarangeira.com.br)
Policial Civil no Rio de Janeiro, atuando há 22 anos no combate ao crime organizado, pesquisador e especialista em segurança pela Fundação Getulio Vargas.
Advogado, torcedor do Vasco da Gama, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, membro efetivo e Vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Copacabana e Leme – AISP19, tem formação no Curso de Capacitação para Lideranças Comunitárias e Integrantes dos Conselhos Comunitários de Segurança ministrado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). É um apaixonado pelo bairro de Copacabana, onde nasceu e foi criado, e também pela cidade do Rio de Janeiro. Acredita que toda mudança na qualidade de vida do cidadão passa necessariamente por uma maior participação da sociedade civil organizada, inclusive na questão da segurança pública.
cientista político (UFF), juiz de direito do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, integrante da Associação Juízes para a Democracia/AJD
João Tancredo, advogado, presidente do Instituto de Defensores de Direitos Humanos, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ
Rapper e Mc, torcedor do Flamengo, formado no Curso de Liderança Comunitária Uerj e engajado na Cultura HipHop, sendo hoje vocalista da Banda Stereo Maracanã. Ativista da (ONG Posse Reagir Cidadânia e HipHop), consultor de Cinema ("Tropa de Elite") e Documentários (Rebeldes da Noite no Rio- Alemanha) que tenham como tema e pano de fundo as Favelas. Espera que esseTrabalho venha fomentar novás idéias, e discutir questões relevantes para todos. Pode ser contactado pelo email jovemcerebral@gmail.com
Julio Ludemir nasceu no Rio de Janeiro em 1960, mas foi criado em Olinda, Pernambuco. Tem cinco livros publicados - No Coração do Comando, Sorria, Você Está na Rocinha, Lembrancinha do Adeus, O Bandido da Chacrete e Mais um Pai. Tem a alegria de ser rubro-negro e a capacidade de fazer filhos lindos, de que Juliana e Pablo são provas incontestáveis. Adoraria escrever sobre paz, amor e sexo selvagem, mas a violência do Rio de Janeiro não permite.
delegado de policia civil de 1ª classe, mestre em ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes, doutorando em Ciências Políticas na Universidade Federal Fluminense, autor do livro "Acionistas do nada: quem são os traficantes de drogas", da Editora Revan.
ex-promotor de Justiça Terapêutica, atualmente procurador de Justiça no TJ.
Tenente-coronel da PM, ex-comandante do Bope, autor do livro "A Verdade da Tropa", trabalhou como assessor especial da Subsecretaria Operacional de Segurança Pública durante as operações na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão em 2007.
Coronel reformado da PM, trabalhou como assessor especial da subsecretaria operacional durante a gestão do general Nilton Cerqueira, no governo Marcello Alencar
Capitão da reserva do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Conclui tese na Universidade Federal Fluminense chamada A Glória Prometida. O Curso de Operações Especiais - Rito de Passagem dos 'caveiras'. Atualmente é secretário de Segurança Pública de São Gonçalo. Treinou os atores do filme Tropa de Elite, de José Padilha.
Defensor público, ex-presidente da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro
Inspetor de Polícia Civil, tricolor de coração, cursando Gerenciamento de Crises pelo SENASP/Ministério da Justiça, escreve no blog.
Jornalista e Consultor de Políticas Públicas, ex-diretor de Fiscalização da COMLURB, Superintendente de Projetos Especiais da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Turismo, Diretor Geral de Apoio Operacional do DETRAN-RJ. Em 1984, passou três meses na Nicarágua como correspondente de guerra na fronteira com Honduras. Em 1995, atuou como consultor/observador na equipe GGAB (Grupo do Gabinete) da
Polícia Civil em ações nas favelas do Rio. Mantinha o blog Falando a verdade mas tirou do ar após receber ameaças de morte de traficantes conhecidos como Bonde do Coelho.
Capitão reformado do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), roteirista do filme Tropa de Elite, co-roteirista do filme Ônibus 174.
Delegado de Polícia Civil, já chefiou a Divisão Anti-Sequestro, e a Divisão de Repressão aos Roubos e Furtos de Veículos, além de ter sido assessor especial da instituição. Na Secretaria da Segurança Pública foi diretor da Divisão de Operações e Analista do Centro de Inteligência (CISP) e diretor-geral de inspeção e correição; foi presidente (e hoje é secretário-geral) do Sindicato dos Delegados e colaborador da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). É pós-graduado em Políticas Públicas de Segurança e Justiça Criminal pela Universidade Federal Fluminense e integra o corpo docente do Curso de Especialização em Segurança Pública, Cultura e Cidadania da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 
Coordenador da organização RIO CONTRA O CRIME e do DISQUE-DENÚNCIA (2253-1177)
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Sábado, 31 Maio, 2008

A barbárie contra a democracia

O DIA publica neste domingo a prova irrefutável de que o poder público está perdendo a batalha contra o banditismo. Na tarde deste sábado já está nas bancas o terrível e sombrio relato de jornalistas torturados por bandidos, facínoras, que usam farda azul da PM, em uma comunidade carente do Rio de Janeiro. Se auto-intitulam milícia, mas são muito piores do que os traficantes. São marginais da lei, torpes e que deveriam estar presos. Só a Providência divina explica o fato de os dois jornalistas estarem vivos e já em outra cidade do planeta.
O caso é um divisor de águas para a credibilidade do poder público. Se os culpados não forem presos - e principalmente, MANTIDOS na cadeia - a sinalização que o poder público e a Justiça darão é a de que não se terá mais imprensa livre.
E sem imprensa livre, quem perde é a democracia como a conhecemos. Sem a imprensa livre, o que existe é o estado de sítio e a barbárie.


PS - Não serão publicados comentários que defendam a barbárie. Os IPs são identificados.

Mal-estar institucional

"Quero saber quem eram os delegados que pagavam caixinha. É preciso dar nome aos bois, porque eu fui titular na administração do Álvaro e do Hallak e nunca paguei caixinha pra ninguém". O desabafo do jovem diretor da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Ronaldo Oliveira, foi feito ao repórter Leslie Leitão. Mas ele resume um pouco do sentimento geral entre os delegados da Polícia Civil. A maior parte quer que se tome uma decisão: ou se punam (ou sejam apontados) os culpados, ou cessem as insinuações.


Sexta-feira , 30 Maio, 2008

Jardim em Genebra

Por Gustavo de Almeida

A frase "PM é o melhor inseticida social" está no primeiro parágrafo do Relatório Preliminar de Phillip Alston, relator para Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais da Organização das Nações Unidas. A miniatura de Caveirão que o controvertido coronel Marcus Jardim deu a Alston durante sua visita ao Rio não serviu para amaciar as relações com o representante da ONU. Alston, que já tinha sido duríssimo com o baixo salário dos policiais do Rio em conversas em Brasília, não poupou adjetivos. "O modelo de megaoperações policiais tem resultado em chacinas sistemáticas, como a do Complexo do Alemão", diz o relatório, que vai sr apresentado segunda-feira durante a abertura do 8º. Período de Sessões do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça.
Para Alston o modelo de Segurança Pública adotada no Rio de Janeiro é politicamente motivado e baseado em policiamento pelas pesquisas de opinião. “Mas é popular entre aqueles que querem resultados rápidos de demonstrações de força. A ironia é que é contraproducente”, informa o relatório.
A ONG Justiça Global publica trecho do relatório preliminar em português e o total em inglês. O endereço é http://www.global.org.br.


Sobre helicópteros e polêmicas

Por Gustavo de Almeida

Com bastante atraso - o que já enseja um pedido de desculpas - publico mensagem enviada a este blog pelo tenente-coronel Pinho, comandante do Grupamento Aéreo, a respeito de postagem em que discorro sobre a escolha de quatro oficiais para um curso de pilotagem. Em primeiro lugar, não conheço o tenente-coronel Pinho, mas procurei me informar sobre ele com pessoas da minha estrita confiança. E só ouvi elogios quanto a sua correção e princípios. Portanto, ataques pessoais ao oficial não serão tolerados.
Publico o email não como correção, mas por entender ser justo dar espaço para o oficial falar sobre assunto de seu domínio. No entanto, não vejo como correção e explico isto abaixo do texto do tenente-coronel Pinho.


Caríssimos Companheiros.
Na qualidade de Comandante do Grupamento Aéreo e Marítimo da PMERJ posso garantir que a informação veiculada pelo Sr. Gustavo de Almeida no texto intitulado “Dinheiro com validade vencida” (http://odia.terra.com.br/blog/blogdaseguranca/200805archive001.asp#1211558230001) completamente inverídica, pois não há por parte do Comando da Polícia Militar qualquer indicação de Oficiais Superiores ( TEN CEL) ou Intermediário ( CAPITÃO) para o curso de piloto de aeronaves.
“Profissionais não se improvisam”, motivo pelo qual, todos os cursos realizados pelo Grupamento Aéreo e Marítimo, principalmente no que se refere ao curso de piloto de aeronaves, são públicos em Boletim da Corporação, selecionando-se o material humano mediante critérios intelectuais, físicos e disciplinares , sem qualquer tipo de apadrinhamento. O GAM NÃO É LUGAR PARA AMADORES OU IRRESPONSÁVEIS.
Atualmente encontra-se sim em andamento processo seletivo para o curso teórico de piloto de avião, cujas inscrições foram abertas ao Posto de Tenente PM, havendo ainda em vias de ser concluída , licitação para a contratação de curso prático de piloto de helicóptero para quatro Tenentes do GAM, todos aprovados em processo seletivo e concludentes do curso teórico de piloto de helicóptero realizado pela Escola de Aviação da PMERJ.
No que concerne ao grau hierárquico dos pilotos de aeronaves do Grupamento, contamos atualmente com Oficiais e dois Praças , sendo que as Praças foram admitidas na época de criação do Grupamento, momento em que pela inexistência de atividade aérea na Corporação e pela urgente necessidade de se criar a Unidade procurou-se recrutar quem já possuía alguma qualificação como piloto de aeronave, abrindo-se aí uma oportunidade , à época , para as Praças, que por uma questão de justiça e reconhecimento permaneceram exercendo tal atividade. Atualmente somente se admite acesso à seleção para o curso de piloto de aeronaves a Policiais Militares no Posto de Tenente, sendo essa restrição regulada por Portaria do Sr. Comandante Geral que ratificou sugestão deste Comandante, justamente pelo fato de poder o Tenente oferecer maior tempo de retorno à Corporação no exercício da atividade de piloto. Assim sendo, nos dias atuais para quem é Praça e deseja ser piloto de aeronave na Corporação, sugerimos prestar concurso para a Academia da Polícia Militar e se formar tenente , afinal, não há mais limite de idade para tal.
Ainda quanto às alegações descabidas de alguns no que tange ao emprego somente de Praças pilotos no apoio aéreo de fogo em locais de grande periculosidade, temos que ressaltar que tanto Oficias quanto Praças são enviados para as missões sem qualquer favorecimento pessoal, pois cumpre a missão aquele que se encontrar de serviço no dia, prova disso é que o fato mais grave envolvendo piloto de helicóptero atingido por disparo de arma de fogo vitimou um um piloto que é Oficial, à época Capitão e hoje Major.
Na certeza de haver dirimido qualquer dúvida.
Atenciosamente
TC PM PINHO – CMT DO GAM

O tenente-coronel está parcialmente correto - e a outra metade não está errada. Na verdade, o que foi esquecido de mencionar no post citado é que o curso será dado a oficiais da Coordenadoria Militar da Casa Civil (CMCC), oficiais da Polícia Militar mas que estão fora da corporação. O processo de contratação da empresa que vai dar o curso já foi aberto e a mesma já está praticamente escolhida. Os quatro oficiais da CMCC são os tenentes-coronéis Lima e Abreu, o major Clarissa (FEM) e capitão Ferreira. Todos muito bem preparados e de bom currículo. Mas a crítica - construtiva se referia ao tempo no qual eles ainda permanecerão na PM - obviamente os dois primeiros ficarão menos.
Até por conta da oxigenação promovida pelo Palácio Guanabara.
Aproveito para agradecer a mensagem do tenente-coronel Pinho - que seguramente não sabia deste pedido da CMCC. Respondeu pelo que é de sua responsabilidade. No que está mais do que certo.


O dia seguinte

Por Gustavo de Almeida

A prisão do deputado estadual e chefe de Polícia Civil Álvaro Lins foi revogada pela Comissão de Constituição e Justiça da Alerj na manhã desta sexta-feira. Mas o procedimento ainda não significa a liberdade para Lins. Os 69 deputados deverão aprovar, com voto aberto, o decreto, ainda na tarde desta sexta-feira.
A lei para estes casos é clara: a Constituição diz:
Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.
A lei vale para as assembléias estaduais.
O voto contrário na CCJ - a eleição terminou 6 a 1 - foi do deputado Paulo Ramos (PDT).

*****

Fica a pergunta: será que a PF investigou todas as formas possíveis de lavagem de dinheiro? Não haveria nenhuma instituição de caridade envolvida? Segundo investigadores que conheço, uma das formas mais fáceis de lavar dinheiro é por meio de rifas de instituições de caridade declaradas de interesse público.
Segundo informações de cocheira, um dos presos desta quinta-feira (não o deputado) mantém uma instituição de caridade. A conferir.


Quinta-feira, 29 Maio, 2008

Polícia identifica provável assassino do advogado de 84 anos na Uruguaiana

Por Gustavo de Almeida

Policiais militares do Serviço Reservado do 13ºBPM (Praça Tiradentes) já identificaram o assassino de Ulrich Rosenzweig, advogado, empresário e pai de Evelyn Rosenzweig, presidente da Associação Comercial do Leblon. Na noite desta quinta-feira deve ser pedida a prisão provisória de Marcelo Souza Magno, de 26 anos, conhecido como Teka. Marcelo é motoboy com ponto na Rua Cândido Mendes, na Glória, e tem vínculo com a comunidade da Ladeira Santo Amaro, próximo dali, em frente à Beneficência Portuguesa.
Segundo os levantamentos, a princípio ele agiu sozinho, pelo menos na abordagem ao office-boy que levava R$ 9 mil para o escritório de Rosenzweig.
A equipe do 13ºBPM apreendeu na noite de quarta-feira a motocicleta que Marcelo usou para fugir do local do crime terça-feira à tarde.
Deve-se dar o mérito: em menos de dois dias o assassino já foi identificado - a bem da verdade, em 24 horas, já que a moto foi apreendida na noite de quarta.

Álvaro Lins e a praga de caveira

Por Gustavo de Almeida

Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, tarde de quarta-feira. Palestrantes falam sobre Segurança Pública no Rio de Janeiro. Um deles chama mais atenção por ser ex-integrante do Bope e roteirista de um dos filmes mais falados dos últimos 10 anos, "Tropa de Elite". O capitão Rodrigo Pimentel está diante de uma platéia atenta.
Entre os espectadores, uma amiga do Blog da Segurança, do qual Pimentel é articulista.
De repente, Pimentel tece críticas à atual política de Segurança do Estado, que tem na figura do secretário José Mariano Beltrame o seu maior expoente (em termos midiáticos - Beltrame personifica a politica do confronto e o caráter "operacional". Para quem não sabe, Beltrame é um delegado que participa pessoalmente de operações).
Uma jovem na platéia se levanta, bastante chateada, e sai no meio da palestra.
- Era a filha do secretário - conta a amiga deste blog, que achou o clima pesado.
Passados uns cinco a 10 segundos de mal-estar, Pimentel retoma a palestra. Até que um dos participantes questiona a eficácia das operações da PF e pergunta sobre o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB). Pimentel, diante da platéia, diz com sinceridade:
- Deve ser preso em uns três meses.
Não durou nem 24 horas, após a frase. Boca de caveira não é mole.

Combate ao tráfico em favelas

Por Emir Larangeira, coronel PM reformado


“Se correr o bicho pega, se parar o bicho come.”

Em 1991, escrevi um texto apontando para a grave questão do tráfico em favelas, baseado em minha vivência durante comando de unidade operacional na Zona Norte do Rio de Janeiro (9º BPM: 1989/1990). Hoje percebo o quanto meu remoto desabafo é atual, porquanto o problema não mudou, apenas aumentou em intensidade e perigo. Também em nada se alterou o modelo operacional da polícia, ora pautado pela ação, ora pela omissão, dependendo do humor dos governantes. Eis a que se reduz a “doutrina da atividade policial” ante o problema do domínio de comunidades carentes por traficantes com base no terror das armas, no anonimato e na certeza de impunidade. Um artigo mais amplo, com o título “Favelas – a ditadura dos bandidos”, está disponível no meu site (www.emirlarangeira.com.br), no campo “Polêmica”, e pode ser conferido pelo leitor como complemento deste raciocínio.

Como o Blog da Segurança sugeriu abordagem semelhante em vista de acontecimentos recentes, creio poder contribuir com algumas considerações a respeito do assunto, deixando evidente, porém, que não sou detentor de nenhuma verdade absoluta. Isso posto, começo focando o traficante-mor e sua vital importância no contexto do tráfico. Pois não se há de subestimar um líder do tráfico de qualquer favela, ninguém alcança tal posição de relevo sem possuir um máximo de qualidade, claro que sob a ótica do bandido. A principal delas, – afora o lugar-comum da ferocidade a impor respeito aos subordinados e “súditos favelados”, – a principal delas prende-se ao fato de o traficante-mor conhecer “o caminho das pedras” fora da favela, ou seja, conhecer e ter crédito com os fornecedores nacionais e estrangeiros.

Enfim, é o traficante-mor quem garante o funcionamento do negócio, e sua credibilidade até lhe permite adquirir drogas e armas para pagamento posterior. Mas seria isto muito pouco se ele não mantivesse possíveis sucessores reconhecidos por seus fornecedores como confiáveis. Caso ele seja preso ou morto, o negócio flui naturalmente, bastando para tanto o cumprimento fiel dos tratos. A ruptura desse liame entre o lado de fora e o de dentro é fatal. Isto explica as freqüentes invasões de favelas por bandos de outros locais, sejam ou não de facções rivais. Os fornecedores, mandatários de ambas, podem ser os mesmos... A inadimplência é geralmente cobrada com a perda do mando, que depende do estoque de drogas e armas, especialmente de drogas. Porque, sem o produto para vender, não haverá dinheiro para a reposição de nada. Como se vê, em princípio é um negócio tipicamente capitalista.

Não é difícil perceber que a estrutura do tráfico de outrora e de agora pouco mudou, apenas aumentou a quantidade de gentes envolvidas (traficantes e usuários). As denominações, regra geral, permanecem vigorando, bem como o valor de cada função:
“fogueteiros”, “aviões”, “vapores”, “endoladores”, “gerentes”, “soldados”, “traficantes-mores” etc.
É bem verdade que em muitos lugares os foguetórios tradicionais foram substituídos por tecnologia sofisticada. Pois o tráfico acompanha o progresso, especialmente o das armas de guerra de última geração que hoje proliferam em mãos irresponsáveis de pivetes e até de meninas. Também é possível conceber a mudança de algumas denominações na hierarquia do tráfico, não se podendo, porém, olvidar a existência dessa hierarquia mantida a sangue de quadrilheiros recalcitrantes e de moradores apavorados, incluindo-se as cobranças sangrentas direcionadas contra usuários mal pagadores, geralmente punidos com a morte para servir de exemplo. É a lei do sangue e do silêncio...
Negar a existência dessas quadrilhas organizadas militarmente e armadas até os dentes para enfrentar quaisquer oponentes, incluindo-se a polícia, é quase que se colocar ao lado e a favor dos traficantes. Sem embargo, não há como imaginar um Estado omisso diante de problema tão grave e visível. Já sabemos de antemão o que gera a omissão estatal: guerras entre quadrilhas, assassinatos covardes de patrulheiros para recolher suas armas, e, por último, chacinas de vária ordem: bandido contra bandido, polícia contra bandido em ações extra-oficiais (“mineiras”) etc. Foi assim no período da omissão brizolista, e todos sabemos qual foi a “solução” daquele sistema governamental: retaliação de policiais que antes combateram o crime com ardor, para, deste modo, impor a omissão como regra. Mas a ação é tão ou mais criticada que a omissão...
Na verdade, desde muito tempo o Estado vem funcionando como se fora gangorra, tendo um gorducho de um lado e do outro, um magro. Hora o magro é o gordo, ora o gordo é o magro, variando conforme as pressões e a vontade do governante que está a manipular os cordões dos fantoches. Os fantoches, claro, são os policiais, sempre sujeitos a essa ambigüidade estonteante. São submetidos a um vaivém que não seria problema se as ideações críticas e acusatórias não saíssem da boca de quem manda ou é de quem é capaz de impressionar a mídia e a massa popular, como, por exemplo, a Anistia Internacional... Agem, esses prosélitos de plantão, como se o braço do tráfico no varejo fosse invisível e o traficante-mor não estivesse na favela como senhor da vida e da morte da indefesa plebe: os cidadãos favelados.
Sem desmerecer a crítica da ausência do Estado, que nenhum serviço presta a essas comunidades e se faz representar apenas pela polícia a confrontar-se com os traficantes, sobrando bala perdida para todo lado e atingindo inocentes, a grande questão se resume na indagação: combater ou não combater traficantes em favelas? Nisso se restringe a decisão governamental, sempre pressionada conforme o momento político e dependente de onde o sapato aperta o calo de quem o calce. Se a polícia se omite, as elites abrem espaço na mídia e criticam; se a polícia age, os favelados vêm às ruas protestando a mando do traficante-mor. E as ONGs alienígenas e tupiniquins, – demais de outras entidades pseudo-defensoras dos direitos humanos, – acusam a polícia sem contemplação. Enfim, para a polícia somente lhe resta o aforismo: “Se correr o bicho pega, se parar o bicho come.”


Quarta-feira, 28 Maio, 2008

Ecstasy – a droga das classes média e alta chegou ao povão

Por Segadas Vianna, jornalista e escritor

A origem do ecstasy é sempre a mesma. Países da Europa onde existe forte comercialização dos comprimidos que misturam derivados da anfetamina (um poderosíssimo estimulante) com ácido lisérgico (LSD), um forte alucinógeno. Seu preço? Pode variar aqui no destino entre R$ 100 e R$ 15, dependendo da “qualidade” das substâncias entorpecentes nele contidas.

Há “tempos atrás só se encontrava a também chamada “bala” ou” balinha” nas mãos de jovens que viajavam a na volta distribuíam os comprimidos diretamente aos usuários ou os repassavam aos seus “revendedores associados” que se encarregavam da venda no varejo.
O ecstasy é a grande sensação entre essa parcela da garotada devido à facilidade de seu transporte e consumo (não tem cheiro, é pequeno, não requer nenhum “ritual” ou “equipamento” para seu uso e pode ser tomado de forma ultra-discreta dentro das festas) e também devido ao seu forte efeito estimulante que, dependendo da “pureza” das drogas nele existentes pode durar até 12 horas. E, para “dourar a pílula”, ele não precisava, para ser adquirido, que o usuário enfrentasse as “bocas-de-fumo” com traficantes armados e a polícia no em torno.
Entretanto, a tremenda ( infelizmente...) popularização do ecstasy através dos noticiários, que, em geral, além de falarem, de forma não muito aprofundada, sobre os danos à saúde que o uso , mesmo eventual, do ecstasy e LSD podem causar ao cérebro e ao coração; também , de certa forma, o “glamourizam” e ao o ambiente onde o ecstasy é usado, as festas “raves”, com suas luzes feéricas, belas garotas e guapos rapazes em roupas sumárias ou semi-nus... .
Essa “glamourização” fez com que as camadas mais desassistidas da população que também usa drogas, em geral maconha e cocaína, também se sentissem atraídas pela “novidade”: a droga do Século 21.
Como esses usuários, pela sua origem social, não têm acesso aos revendedores de ecstasy de classe média, que usualmente utilizam “disques-drogas” para seu comércio, eles começaram a pedir a seus fornecedores, os marginais que controlam e “trabalham” nas “bocas-de-fumo”, que colocassem à venda nas “bocas” os “famosos comprimidinhos da playboyzada”.
Hoje, após algumas apreensões de ecstasy em favelas do Grande Rio (até na Baixada Fluminense já foi encontrado ecstasy à venda nas “bocas de fumo”), infelizmente se pode constatar que , apesar do ecstasy não substituir a maconha e a cocaína junto às classes mais baixas ele já se tornou mais uma opção no “ menu do mal” das drogas.
O ecstasy não substituiu nem a maconha nem a cocaína, exceto nos ambientes de festas “raves”, mas tornou-se mais um fator de preocupação para a totalidade das famílias que têm em seu seio usuários de drogas.

Rumo à Transparência Zero

UPDATE: A PM decidiu manter a forma anterior de consulta aos boletins. As senhas, no entanto, continuam restritas, ao alcance apenas de policiais que têm acesso às seções em cada batalhão. Muitos praças são excluídos do processo. Mas pelo menos a PM ainda manteve acesso para muitos policiais de fora.


Por Gustavo de Almeida

A PM continua caminhando a passos largos para trás, talvez tentando voltar 200 anos no tempo. Depois de restringir o acesso ao boletim ostensivo, agora utiliza o recurso máximo da arapongagem que é sistematizar o mesmo de modo a saber quem está lendo e de onde. É uma espécie de Big Brother. Com todos os erros políticos cometidos pela sua gestão, deve-se reconhecer que o coronel Ubiratan Angelo, antecessor, pelo menos defendia uma maior aproximação e abertura da corporação.O processo agora foi revertido.
Talvez seja para evitar que pessoas não-acostumadas se deparem com tantas "dispensas de licitação" (Apolo Serviços Gerais, mais de 200 mil reais?), ou "inexigibilidade de licitação" ou mesmo apurações de denúncias anônimas que levam dois anos e são arquivadas porque "o denunciante não se apresentou".
Fato é que os policiais me enviaram mensagens questionando a imagem abaixo:

Curioso é que não se vê o mesmo empenho na PMERJ em ter controle sobre ações de seus agentes - os mesmos têm liberdade total para andar de moto pela cidade cumprindo o dever de verificar quem pagou ou não pagou o IPVA, como acontece no Aterro do Flamengo.
Enquanto isso, os requerimentos de informações feitos pelos deputados da Comissão de Segurança Pública (que têm como presidente Wagner Montes e como vice Flavio Bolsonaro) continuam sendo sumariamente ignorados.
É curioso o modelo de Polícia Militar aprovado pela Secretaria de Segurança Pública. Transparência, correição, salário, todos são temas tabus. Nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados em Brasília, o delegado Gilberto Ribeiro, chefe de Polícia Civil, defendeu melhores salários para seus chefiados. O mesmo não fez o comandante-geral da PM, também presente (diga-se de passagem, graças à série sobre o Chapéu Mangueira publicada por O DIA).
Será que é isso mesmo que quer a Secretaria de Segurança?
*****
O comandante-geral disse ontem na Câmara que há "mais policiamento ostensivo" e que a PM teve "748 enfrentamentos este ano". As estatísticas de assaltos só aumentam. E nesta terça-feira, o crime mostrou sua brutalidade: foi morto, aos 86 anos, Ulrich Rosenzweig, pai de uma das figuras mais queridas da Zona Sul do Rio, a Evelyn Rosenzweig.
Só podemos rezar. Por Evelyn, por Ulrich, por todos nós.



Terça-feira, 27 Maio, 2008

O DIA abre discussão na Câmara dos Deputados em Brasília

Por Gustavo de Almeida

O caderno Retrato Trágico do Brasil dos Armas, dos repórteres Leslie Leitão e Paula Sarapu, é o principal tema hoje no Congresso Nacional. Resultado de 25 dias de trabalho, investigação e observação, o extraordinário caderno foi o trabalho definitivo sobre a relação entre o tráfico e o asfalto no Chapéu Mangueira, no Leme, bairro dos mais queridos e (um dia) tranqüilos do Rio de Janeiro.
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado promove nesta tarde audiência para discutir a situação da segurança pública no estado do Rio de Janeiro. O deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que sugeriu a audiência, aponta a fragilidade dos órgãos de segurança em relação ao poder dos traficantes. Itagiba é delegado da Polícia Federal e foi secretário de Segurança Pública do estado do Rio de 2004 a 2006, no governo Rosinha Matheus (PMDB).
Está lá no site da Câmara dos Deputados:
No requerimento para realização da audiência, Itagiba cita reportagens publicadas em abril pelo jornal O Dia sobre a segurança no estado. As reportagens trazem fotos de traficantes dos morros Chapéu Mangueira e Babilônia circulando fortemente armados pelas favelas, em frente ao Quartel do Exército do Forte do Leme.
"Da notícia se extrai um estado de coisas da maior gravidade: agentes de segurança pública e das Forças Armadas submetidos a uma situação de contato com o tráfico de drogas sem a devida reação estatal", afirma o deputado Marcelo Itagiba.
Ele recomenda também a formação de uma força-tarefa pelos órgãos de segurança pública e as Forças Armadas para combater o problema. Estão sendo aguardados na audiência o secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, José Mariano Beltrame; o superintendente da Polícia Federal no Rio, Valdinho Jacinto Caetano; o chefe da Polícia Civil do Estado do Rio, Gilberto Ribeiro; o comandante-geral da Polícia Militar do estado, tenente-coronel Gilson Pitta Lopes; o comandante militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira Filho.
A intenção do deputado é aproveitar a presença de todas as autoridades para criar uma nova força-tarefa destinada a fazer do Leme um "case" de Segurança Pública. A conferir.

Segunda-feira, 26 Maio, 2008

Ex-PM é problema do Estado?

Por Emir Larangeira, coronel reformado da PM

O assassinato do Delegado de Polícia Alcides Iantorno por um ex-PM pode ser especulado de diversos modos, e deve sê-lo, pois se trata de episódio gravíssimo. Em vista disso, pretendo abordar a questão do ex-PM como um problema oriundo da desídia do próprio Estado, que continua a apostar no aumento da quantidade de PMs em vez de primar pela qualidade deles como resposta às pressões sociais. Assim informo porque já discorri sobre o excesso de ex-PMs no ambiente social do Rio de Janeiro (vide “O ex-PM e o Crime” no meu blog, que pode ser acessado pelo site http://www.emirlarangeira.com.br).

Enfim, basta haver um fato criminoso de grande repercussão para que todos critiquem em clamor uníssono: “Falta policiamento nas ruas!” Sim, em havendo repercussão, os discursos dos cidadãos, da imprensa e do Poder Público surgem inelutavelmente como formulários: “É preciso mais policiamento nas ruas!” Por conta desta “unanimidade burra”, como diria o mestre Nelson Rodrigues, a PMERJ reage “por música” e logo anuncia que está providenciando concurso para compensar o efetivo perdido. Mas, baseado em quê?... No reducionismo da fração “número de habitantes/quantitativo policial”?... Ora, enquanto o efetivo aumenta por meio de novas inclusões de PMs, ao mesmo tempo diminui em virtude de variados fatores, relevando-se, dentre eles, o licenciamento disciplinar. Já a população sempre está a aumentar... Não seria isto o círculo vicioso de um objetivo humanamente inalcançável?...

A verdade é que o processo de reposição do efetivo mal consegue suprir o êxodo de PMs (digo-o deste modo para não cair em total pessimismo...). E todo PM que sai (não importam as razões, é facilíssimo sair) recebe a pecha de ex-PM, com direito a ter sua inválida identidade funcional divulgada em estardalhaço, de modo a confundir um ex-PM assassino com os valorosos PMs que se mantêm no serviço ativo. Foi o caso do matador do Delegado de Polícia, que desde muito tempo não era mais PM. Enfim, e com certeza, muita gente deve estar a pensar que o tresloucado ainda pertencia ao serviço ativo da PMERJ quando perpetrou seu covarde ato contra a vida da autoridade policial. Mas o ex-PM, como sempre ocorre no país da impunidade, não estava preso; em contrário, ficara leve, livre e solto para cumprir sua vingança particular.

Vamos ao ponto. Qual será o valor numérico-quantitativo do PM mais novato da corporação, ou seja, qual será o número do seu “RG” (Registro Geral)?... Vale a pergunta, pois o “RG” do excluído não é aproveitado pelo incluído: mantém-se vinculado ao seu detentor original. E novamente indago: qual será o real efetivo da PM em atividade? Quantos serão os inativos? Quantos morreram, sejam PMs ou ex-PMs? Qual teria sido a oscilação do efetivo, ano a ano, só em função das inclusões e exclusões disciplinares? Quantos ex-PMs existem, por que saíram e o que fazem?... Muito bem, vamos restringir a indagação aos últimos dez anos para não tornarmos aos tempos remotos... E a indagação última: que faz o Estado quanto à reinserção social do ex-PM licenciado disciplinarmente, e quanto à sua família, que perde imediatamente o acesso aos benefícios sociais inerentes à profissão, em especial ao sistema de saúde? Vou me arriscar a respondê-la: Nada!... O ex-PM nem mesmo recebe o tratamento dado a criminosos contumazes durante e após o cumprimento da pena.

A morte do Dr. Alcides Iantorno tem de servir para clarear estas e outras dúvidas que permanecem debaixo dos tapetes institucionais. No meu modo de ver, cabe à Secretaria de Segurança Pública (SSP), no seu nível estratégico, levantar a questão com a transparência devida. Deste modo, talvez se chegue à conclusão de que não adianta inchar como um tumor social maligno o efetivo da PMERJ. Isto amplia sobremodo a possibilidade de a corporação jorrar mais ex-PMs nas ruas como quem descarta lixo hospitalar sem reciclagem. Ademais, prejudica qualquer planejamento no sentido de melhorar o serviço prestado à população, em especial por meio de investimentos destinados à sofisticação dos aprestos policiais. E pior: tal modelo massificado de tropa impede o pagamento de salário digno ao exausto efetivo que trabalha sério em benefício da sociedade.

Tal sistema de controle do ex-PM (não se trata de “patrulhamento”, pois o objetivo é a sua reinserção social) poderia integrar-se à atividade do Instituto de Segurança Pública (ISP), apoiado pela Inteligência da PM e da SSP. Se assim antes funcionasse, talvez permitisse descobrir que o perigoso assassino estava à solta e, em conseqüência, ele fosse trancafiado. E o ilustre Delegado de Polícia, – que cumpriu a arriscada tarefa de prendê-lo, alegando na ocasião, e com razão, que se tratava de elemento perigoso – talvez estivesse vivo.



O tempo perdido e os crimes de menor potencial ofensivo

Por Reinaldo S.Oliveira

Se nos dedicássemos exclusivamente à missão de investigar crimes cujas penas fossem a prisão, teríamos mais sucesso - sem a necessidade de perder tempo e recursos nas ocorrências de menor potencial ofensivo. Refiro-me às ocorrências ( a maioria delas, aliás ) que tomam grande parte do nosso tempo, as elencadas na lei 9099/95, que resultam, em grande parte e após todo o procedimento tomado por nós, em pedido de desculpas no Fórum.
Essas ocorrências têm um prazo legal a ser cumprido, enquanto as mais graves vão ficando para segundo plano, caso de inquéritos que " rolam " por anos. E inquéritos policiais dizem respeito a apuração de crimes graves! As vítimas de tais ocorrências, as de menor potencial ofensivo, geralmente querem retratação, um pedido de desculpas de quem as xingou, caluniou, difamou, etc e, não raro, Indenização por Danos Morais. No Fórum, três, seis meses depois de dada a queixa, elas já até esqueceram as ofensas e já perdoaram os ofensores...
Percebemos que o ideal seria trazer o autor no momento da queixa e, em vez de perdermos tempo fabricando Registros de Ocorrências intermináveis, a questão seria resolvida ali, na DP, na presença de um conciliador. Sem falar naquelas que são prestadas por motivos escusos, tais como perder o celular e ser orientado a dizer que foi roubado a mando de sua operadora; as que os documentos são extraviados, e que para nós é dito que foi assalto, caso contrário pagarão pelas segundas vias...
Por exemplo, em dias como os de hoje, é razoável alguém colocar sua carteira com dinheiro e documentos sobre um balcão e ir ao banheiro achando que ninguém a levaria?
É razoável acreditar ter alguém a mochila furtada onde havia apenas o documento do carro e roupa de trabalho, enquanto demais pertences estavam no bolso? Da mesma forma, deixar o celular no carro com o vidro aberto e se ausentar por horas? Ser " assaltado " e na carteira estarem somente a CNH e os documentos do carro, se a pessoa estava em um ônibus? É sim possível, dirão alguns de vcs, mas na proporção em que ocorre duvido!
Então, se nós pudéssemos nos dedicar totalmente a identificar e prender autores de crimes cujas penas fossem a prisão e não um aperto de mão, nossa taxa de resolução daria um salto na qualidade e quantidade.
Se não tivéssemos de a toda hora parar de ler, de estudar um processo, para observarmos falhas, pormenores, detalhes, pistas, rastros de quem cometeu o crime, se não tivéssemos de parar a toda hora para fazer Registros de Ocorrências " natimortos " como chamo, a PC seria mais vista nas ruas, como nos anos 80 e certamente contribuiríamos para a sensação se segurança da população, tão ávida por ver "um policial em cada esquina".
Mas ...
Imagino ocupar a Polícia Militar com tais queixas. Alguém aciona 190 e uma viatura é deslocada para o local. Lá os policiais ouvem do queixoso que seu vizinho o xingou. Após isto, o vizinho, de quem só sabe o prenome saiu de casa. O que deve ser feito?
Ouvir a vítima. Ouvir o autor. Ouvir testemunhas e é bom que alguém tenha testemunhado o xingamento pois no Fórum raramente haverá punição porque será a palavra de um contra a do outro. Qualificar todos os envolvidos. Nas DPs Legais, o sistema operacional já marca a data da primeira audiência no Fórum. Esse é o tempo que dispomos para trazer o autor e testemunhas à DP. Porém a vítima sabe que o autor se chama Zé. Presume-se ser José. E como vamos qualificá-lo uma vez que intimado, ele não comparece à DP, talvez orientado haja vista " se a polícia não sabe teu nome completo, não poderá te indiciar"!
E como os colegas PMs farão para, no dia seguinte, ouvirem as pessoas restantes? Onde estas serão ouvidas? Nos Batalhões? Pensem no acúmulo de ocorrências a cargo de cada dupla de policiais militares, que no outro plantão terão de correr atrás do autor que não que ser encontrado. E nas outras que vão se somando. Existem companheiros que estão com 200 (!) investigações em andamento. Muitas de meados do ano passado. Pensem em estarem debruçados no capô da viatura preenchendo formulários, alheios ao que ocorre ao redor. Em não poderem ou não terem como perseguir meliantes. Vocês acabarão como nós. Se empenhado ao máximo em resolver tais questiúnculas, enquanto os criminosos aterrorizam a população.
Tais ocorrências deveriam ser discutidas diretamente nos Fóruns. Muitas delas nem isso!
Aliás, neste fim de semana, um jornal de grande circulação publicou matéria de página inteira a respeito. Nela, juízes e advogados comentam essa " indústria ". Todos deveriam lê-la. A maioria absoluta de tais registros não seria feita se as vítimas esperassem o dia seguinte para prestar a queixa. Isso porque a raiva teria passado. Movidos pelo ódio, vão à DP querendo que quem as xingou seja preso. Três dias depois retornam para " tirar a queixa". Ninguém merece!

Domingo, 25 Maio, 2008

Assuntos que só geram silêncio

Por Julio Ludemir

Em meados da década de 1980, descobri casualmente as estruturas mafiosas do sindicalismo carioca. Não falei nada porque não tinha como provar as notas frias vendidas pelas empresas que prestavam serviço aos sindicatos por que transitava naquela época. No entanto, o fato de não poder provar não significa que não existia bandalheira no movimento popular muito antes da Era Lula.
No início desta década, fiz uma pesquisa na Rocinha. Descobri na ocasião as perigosas ligações entre o tráfico, as ongs que atuam na favela e o então emergente líder comunitário William DJ. Paguei um preço altíssimo por ter falado dessa promiscuidade, num momento em que o trabalho social da sociedade civil era santificado. O tempo se encarregou de mostrar que eu não sou tão inconseqüente como afirmaram as pessoas que tentaram desacreditar a minha pesquisa.
Quase todos os dias obtenho uma informação quente das fontes que mantenho no mundo do crime, quase sempre de difícil confirmação. Gasto muita sola de bota até poder produzir um texto sem correr o risco de um processo de difamação ou mesmo de perder a credibilidade junto aos colegas de profissão, tido como um repórter que embarca em balões de ensaio. No entanto, toda essa transpiração serve apenas para comprovar o que já sei.
Por exemplo, faz mais de um ano que soube que as milícias estavam revendendo as favelas tomadas do tráfico. Escrevi sobre isso em um dos primeiros posts que fiz para este blog, citando o caso de duas comunidades da Ilha do Governador. Não soube de nenhum jornal que tenha ido atrás daquela informação. Os editores devem ter achado aquela história inverossímil. Talvez ainda não tenham percebido que tudo é possível no Rio de Janeiro. Quanto mais absurda a história, mais próxima ela está da verdade.
Eu teria pelo menos três teses para justificar um esforço de reportagem para demonstrar mais essa história improvável, porém tão típica do Rio de Janeiro. Meus três leitores foram poupados dessas teorias, que comparariam a atuação das milícias com a dos militares durante a ditadura, com a recente publicação de uma matéria do jornal O Dia, escrita pelo repórter Francisco Édson Alves. A matéria de que falo provou que as milícias da Kelson´s negociaram com o mesmo tráfico que ela demonizou para justificar sua entrada na favela.
Ainda no campo das milícias, soube recentemente que uma multinacional que está se instalando em Santa Cruz está mantendo o grupo que controla os conjuntos habitacionais do Guandu. Segundo minhas fontes, o pagamento começou a ser feito devido ao desconhecimento do grupo alemão da área. A comunidade do Guandu, porém, está adorando. Seus conjuntos habitacionais são os únicos que não pagam taxa de segurança às milícias que estão varrendo o tráfico da Zona Oeste.
Falar sobre esse pagamento, feito sob a rubrica de segurança, talvez seja tão complicado quanto escrever sobre a demissão do diretor do Padre Severino, que caiu por causa de sua indiferença diante das denúncias de que o menor envolvido na brutal morte do menino João Hélio estava sendo estuprado pelo coletivo da unidade.
Também soube que os técnicos da instituição acharam injusta a demissão do diretor, que só ocorreu devido à pressão de ativistas dos direitos humanos aos quais chegou a denúncia.
No fundo, os valores morais dos responsáveis pela segurança pública são semelhantes aos dos bandidos. Ambos os lados dessa moeda acreditam mais na Lei do Talião do que no Código Civil. Isso parece inacreditável num país que tanto sofreu com a ditadura militar. Mas é a mais pura verdade.


Sexta-feira , 23 Maio, 2008

Banditismo na Ponte Rio-Niterói

Antonio Rayol, delegado de Polícia Federal de classe especial

Ao longo de mais de trinta anos de efetivo exercício nos quadros do Departamento de Polícia Federal, o autor deste texto teve a oportunidade de trabalhar em diversas áreas da instituição, inclusive naquela conhecida como “segurança de dignitários”, onde logrou amealhar relevante experiência.
O signatário foi o responsável pela coordenação da segurança do Papa João Paulo II, durante sua visita ao Rio de Janeiro em 1997, como também foi o coordenador geral das equipes de segurança móvel aproximada que acompanharam todos os chefes de estado presentes à RIO-92, conferência da ONU sobre o meio ambiente.
A segurança física de autoridades estrangeiras visitantes é responsabilidade do país anfitrião, e como tais autoridades costumam cumprir uma extensa agenda de compromissos, o planejamento da segurança deve ser minucioso e, portanto complexo.
A Polícia Federal deve guarnecer não somente os hotéis onde as autoridades estrangeiras ficam hospedadas, como os locais dos eventos de que participarão e os trajetos entre um local e outro, já que as autoridades visitantes são acompanhadas, de muito perto, por equipes de policiais federais fortemente armados e especialmente treinados.
Existe uma doutrina mundial aplicável aos procedimentos que norteiam as operações de segurança de autoridades, e uma das “regras de ouro” a ser obedecida no planejamento dos trajetos que serão cumpridos pelo comboio em que viaja a autoridade, determina que a passagem por túneis ou pistas elevadas, como pontes ou viadutos, deve ser evitada a todo custo!
A razão é simples:
No caso de uma emboscada, uma ponte, viaduto ou túnel pode se transformar em uma armadilha mortal porque não há alternativas laterais de fuga!
Pelo mesmo motivo, criminosos em fuga deveriam evitar túneis, pontes ou viadutos já que um sistema de segurança pública organizado, em que existe integração e comunicação, os policiais podem facilmente bloquear as duas extremidades do túnel, ponte ou viaduto, transformando-os em uma “ratoeira” fatal para os bandidos, que ficam sem rotas de fuga.
Pelo menos é assim que acontece em países onde a polícia se comunica e age de forma articulada!
No Rio de Janeiro, porém, as coisas acontecem de forma diferente, infelizmente, para os cidadãos de bem!
Não são poucos os casos pretéritos em que bandidos realizaram “arrastões” em túneis localizados em áreas nobres da cidade. Também não são poucos os casos de ataques de criminosos ocorridos em pistas elevadas como a avenida perimetral.
A última novidade é que a ponte Presidente Costa e Silva, mais conhecida como Rio-Niterói tem se transformado ultimamente em segura rota de fuga para bandidos.
Conforme amplamente noticiado pela mídia, nas manhãs dos últimos dias 20, 22 e 23 de maio, respectivamente, terça, quinta e sexta-feira, bandos armados atacaram motoristas e roubaram carros em Niterói, e usaram a ponte Rio-Niterói como rota de fuga em direção à cidade do Rio de Janeiro!
Não é pouca coisa não!!!
A ponte Rio-Niterói, descontando as pistas de acesso, tem 13.290 metros de extensão. Na melhor das hipóteses, leva-se cerca de 10 minutos para atravessá-la, e, em horários de tráfego intenso, pode-se levar até 30 minutos para cumprir todo o trajeto, mas isso não parece preocupar a bandidagem carioca!
Tempo mais do que suficiente para que um aparato de segurança eficaz bloqueie as saídas da ponte!
Como a ponte Rio-Niterói é parte de uma rodovia federal, seu policiamento é responsabilidade da Polícia Rodoviária Federal e, nas suas duas terminações deve, ou ao menos deveria haver, policiamento ostensivo estadual a cargo da Polícia Militar carioca.
O fato é que bandos de criminosos armados conseguem atravessar os mais de 13 quilômetros da ponte Rio-Niterói com a certeza de que não serão incomodados. Se alguém contar essa história para um policial norte-americano ou europeu, provavelmente, ele não irá acreditar! Nós, brasileiros, que tanto gostamos de contar “piadas de português”, não nos damos conta de que as “piadas de brasileiros” são muito mais engraçadas! São engraçadas quando não envolvem tragédias de cidadãos de bem trucidados pelos criminosos que agem com inusitada desenvoltura em qualquer lugar e em qualquer horário do cotidiano do Rio de Janeiro.
Freqüentemente equipes da Polícia Rodoviária Federal instalam, em vários locais, ao longo do percurso da ponte Rio-Niterói, radares móveis para flagrar motoristas que ultrapassam os limites de velocidade.
É louvável a preocupação e deve ser boa a arrecadação pecuniária! Seria muito bom também se a mesma eficiência acontecesse para impedir que bandos de criminosos armados transitassem tranqüilamente pela ponte Rio-Niterói! Seria muito bom também se a PRF e a PM se comunicasse e agisse de forma integrada!
Do jeito que está. Não pode ficar! Tem alguma coisa muito errada acontecendo, ou deixando de acontecer! Assim fica difícil!

O perigo do liberou-geral

Por Gustavo de Almeida

A notícia que vem de São Paulo é no mínimo preocupante. E, para uma metrópole que, como o Rio, sofre com o crescimento do tráfico de drogas, não é nada animadora. Pela primeira vez desde a promulgação da Lei 11343 uma decisão de segunda instância absolve um porte de cocaína.
A lei 11343 foi a que tornou o consumo de drogas um crime de menor potencial ofensivo.
A decisão foi da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. O réu, R.L.L., havia sido preso no carnaval do ano passado com 7,7 gramas de cocaína.
O juiz convocado (já que em segunda instância predominam desembargadores) Henrique Rodrigues Torres deu parecer no qual diz que tipificar como crime o porte de drogas para consumo próprio é inconstitucional. Na tese, viola os princípios da ofensividade (não ofende a terceiros), da intimidade (é opção pessoal) e da igualdade (já que portar bebida alcoólica não é crime).
O porte de drogas para consumo próprio está previsto como crime no artigo 28 da Lei 11.343, de 2006, com pena de prestação de serviços à comunidade. Mas o juiz Henrique Torres não inclui como crime, ressalte-se. R.L.L. foi integralmente absolvido e não pagará nem prestação de serviços e nem cesta básica.
As preocupantes informações são do site Consultor Jurídico.

O velho cobertor curto de sempre

Por Gustavo de Almeida

Uma senhora muito amiga do Blog da Segurança, moradora de Laranjeiras, foi quem observou, ao sair do Shopping Rio Sul no carro do genro: policiais do 2ºBPM (Botafogo) entraram na batalha pela paz no Chapéu Mangueira, que fica no Leme.
Duas guarnições estão lá, bloqueando uma possível passagem dos traficantes para o shopping. Um trabalho difícil e arriscado, vale ressaltar - ser policial no Rio de Janeiro, antes de "sobretudo uma razão de ser", é antes de mais nada correr risco constante, numa cidade em que os traficantes têm armas longas e de guerra.
Mas é curioso: antes da publicação da série de reportagens de O DIA em 25 de abril, o que se dizia era que o 19º não podia trabalhar no Chapéu Mangueira porque era área de Gpae.
Agora que a exclusividade do Gpae acabou, o 19º trabalha, sim, e muito (deve-se sempre lembrar). Mas com a colaboração do 2º.
Por que não podiam, antes, Gpae e 19º trabalharem em parceria?
O comandante do 19º, tenente-coronel Edson de Almeida, disse na noite desta sexta-feira, em um telejornal, que "a PM está empenhada e que o morador do Leme pode ficar tranqüilo". Só que horas antes o mesmo oficial tinha dito que "as balas não chegaram ao calçadão" (informação confirmada por dezenas de testemunhas, algumas delas até deram relato para O DIA na edição desta sexta-feira.
Torço para que o comandante tenha revisto sua posição anterior, ao dizer que o morador do Leme pode ficar tranqüilo.


Endurecimento na Condicional

Por Gustavo de Almeida

No embalo das mudanças já aprovadas no sistema penal e de Justiça pela Câmara semana passada em Brasília, surge nesta sexta-feira uma outra notícia interessante: a aprovação, pela Comissão de Segurança Pública, do projeto de lei 2214/07, que suspende automaticamente a liberdade condicional do condenado que é preso em flagrante cometendo crime com dolo.
O projeto é do deputado Laerte Bessa (PMDB-DF), que descobriu recentemente que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) vem negando a suspensão automática da condicional nos casos como este. O projeto ainda será votado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser analisado pelo plenário. Mas as chances de aprovação, mesmo com o STJ não aprovando momentaneamente a suspensão da condicional, são bem grandes. Para o deputado Neucimar Fraga (PR-ES), o STJ só mantém a condicional porque a legislação é omissa neste caso.



Mais polêmica no ar (literalmente)

Por Thiago Prado

O Ministério Público estadual abriu esta semana um inquérito para investigar o aluguel do helicóptero da Polícia Civil para programas da Rede Globo e longametragens. A 7ª Promotoria de Tutela Coletiva quer saber detalhes sobre as negociações feitas desde 2006. Em troca do Águia, as empresas de comunicação forneciam material de escritório para a polícia.
O primeiro caso que o promotor Rogério Pacheco Alves irá investigar é a cessão do helicóptero para o programa Caldeirão do Huck, da Globo, há dois anos. O equipamento ficou dois dias com a produção do apresentador Luciano Huck (18 e 19 de julho) para gravar manobras radicais. Com o helicóptero, foram gravadas cenas de um wakeboard especial na Lagoa Rodrigo de Freitas e o pouso em alta velocidade na traseira de uma caminhonete em andamento na Barra;
Em troca, a emissora doou R$ 12.419 em: ar condicionado (2 unidades), computador (1), fax (1), televisão (1), refrigerador (1), DVD (1), Cafeteria (1), telefone (5), câmera fotográfica (1), sanduicheira (1), purificador de água (1), poltrona estofada (1), sofá com dois lugares (1) e impressora (2).
O aluguel para a produtora Conspiração Filmes em 28 de junho de 2007 também será objeto de investigação. O helicóptero foi usado para gravação do longametragem Era uma Vez no Rio (ainda não lançado). Na época, a polícia recebeu R$ 2.339, sendo a grande maioria em cadeiras (17 ao todo).
Outra cessão a ser apurada ocorreu em novembro para a novela Beleza Pura da Globo. A doação da emissora ainda não ocorreu, mas a Polícia Civil informou que os equipamentos chegarão ao valor de R$ 33.468, distribuídos entre computadores e cartuchos de impressora.
Num bate-papo com o chefe do Serviço Aeropolicial, Adonis Oliveira, ele nos contou que outras emissoras de TV também já usaram o helicóptero. A pergunta que fica: e se um dia o bicho pegar na cidade e o helicóptero estiver gravando cenas de novelas, programas ou filmes? "Temos total autonomia para remover o equipamento a hora que quisermos durante uma gravação. Inclusive já teve dia que adiamos o empréstimo do helicóptero porque ia rolar uma operação", garante Adonis. Com a palavra, o MP.

Dinheiro com validade vencida

Por Gustavo de Almeida

Os nomes dos quatro oficiais que farão o curso de pilotagem de helicópteros pela Polícia Miilitar já foram escolhidos. Cada curso custa R$ 170 mil aos cofres públicos. Dois dos candidatos são capitães, ou seja, profissionais que ainda trabalharão por mais 20 anos na área da Segurança Pública, potencializando, portanto, a validade do curso.
No entanto, os outros dois são oficiais que permanecerão menos tempo na tropa. Um deles, tenente-coronel recém-promovido, só terá mais 10 anos de polícia.
O outro, também tenente-coronel, só que mais antigo, ficará mais seis anos. Se não for promovido, ficará apenas quatro.
Reiterando: são R$ 340 mil de investimento.
A empresa que ministrará o curso já foi escolhida em pregão. Em seis anos, provavelmente haverá outra demanda de piloto. Graças ao critério de escolha.

A ineficácia do confronto

Por João Tancredo, advogado, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos OAB-RJ e presidente do Instituto de Defensores de Direitos Humanos


Um ano depois da ocupação policial na Vila Cruzeiro, na Penha, vale a primeira pergunta: o que mudou? A resposta é seca: nada. Isto posto, somos levados a afirmar que também nada melhorou. A política de segurança defendida pelo estado é ineficaz e criminaliza a pobreza. Na visão dos nossos governantes favela é sinônimo de moradia e esconderijo de bandidos. Para sustentar essas afirmativas, vamos aos números. No ano de 2007 a polícia do Rio de Janeiro, reconhecida como a que mais mata e a que mais morre, executou 1.360 pessoas. 20% a mais do que no ano anterior. De suas fileiras tombou, em confronto, no ano de 2006, um policial; enquanto que no ano de 2007, tombaram 7 (aumento de 700%). Frise-se que somente estamos computando policiais mortes em serviço, desconsiderando os milicianos; a segurança privada; ou nos dias de folga.
O terror exposto nos números acima está aumentando. Comparando o mês de fevereiro de 2007 com o mês de fevereiro deste ano, foram lavrados 21% a mais de "autos de resistência". Pergunta necessária e pertinente: e os de crimes diminuíram? Ao contrário. No mesmo período houve um aumento de 113% de crimes de extorsão; para o grave crime de latrocínio o aumento foi 90,9%; roubo a lojas o índice
anterior foi engordado em 32,2%; assalto a transeuntes, saltou da marca de 4.201 para 4.583, em um
aumento de 30,5% - e olha que a maioria dos assaltos não é sequer registrada; aos assaltos em ônibus(não ao patrimônio das empresas, mas dos passageiros) foi adicionado o percentual de 5,1% e o
número de homicídios aumentou em 3,9%.

A partir dos números acima, extraídos, as duras penas, de bancos de dados oficiais, pode-se concluir, sem qualquer esforço, que a política de extermínio defendida e aplicada pelo governo do estado, com sua máquina sangrenta e mortífera de enxugar gelo, além de ineficaz e cara, constitui exemplo candente de propaganda enganosa.



Quinta-feira, 22 Maio, 2008

Feira livre e virtual das drogas

Dois dias depois da grande apreensão de ecstasy no Aeroporto do Galeão, os vendedores da droga já voltaram a atuar no Orkut. E como sempre, anunciam com tranqüilidade o envio por Sedex, inclusive a cobrar. A lista de drogas é extensa e assustadora. Confiram abaixo ou clicando no link (se você, leitor, tiver cadastro no Orkut):

Morte sob suspeita

Por João Tancredo, advogado

A morte do ex-policial acusado do assassinato do delgado Alcides Iantorno tem características de
queima de arquivo e também de execução. Sabia demais. Não consigo entender como um ex-policial, com o pesado armamento que foi apreendido em seu apartamento tenha reagido (muito embora há relatos de moradores do local informando que o ex-polical estava desarmado) à ação policial com um revólver calibre 38.
Estranho também o fato de que ele foi atingido, como o delegado, com um tiro na nuca. Mais um "auto de resistência", a exemplo de tantos outros em que ocorrem execuções com tiro na nuca, foi lavrado. E nada mais será apurado...


Quarta-feira, 21 Maio, 2008

RioCard: recarga ficou presa no engarrafamento?

Por Gustavo de Almeida

Até esta quarta-feira, dia 21 de maio, a PMERJ não havia feito a recarga do RioCard dos policiais militares. Segundo denúncia de um PM beneficiado feita ao Blog da Segurança de O DIA, a recarga deveria entrar no dia 10 de maio.
"Os policiais militares ganham tão pouco e o pouco que ganham estão gastando em passagem", reclama, com toda justiça, o policial militar que fez a denúncia.
O RioCard foi anunciado com toda a pompa e circunstância logo que assumiu o novo comandante-geral - era uma das formas de atenuar o desgaste provocado pela saída do coronel Ubiratan e pela assunção de um oficial que até então era tido como aliado. O cartão de passagens serviria para policiais que trabalham em batalhões da Zona Sul mas moram na Zona Norte. Com o RioCard, podem pegar ônibus incógnitos, sem se identificarem como policiais e, assim, correndo menos riscos.
Agora, se o RioCard não recarrega, fica difícil.


Terça-feira, 20 Maio, 2008

O ex-PM Alexandre Lins de Medeiros e suas ligações perigosas com os amigos dos amigos

Por Gustavo de Almeida

O falecido ex-PM Alexandre Lins de Medeiros é uma espécie de teste para os Seis Graus de Separação - aquela teoria segundo a qual as pessoas estão todas conectadas a pelo menos seis "conhecidos" de distância. Pode-se dizer que Medeiros, morto pela DRAE nesta terça-feira, tem uma conexão com o assaltante Pedro Machado Lomba, o Pedro Dom. Não é simples. Mas basta saber uma informação: todos são Amigos dos Amigos nesta história.
Já se sabe que em 2003 Alexandre Lins Medeiros foi preso sob a acusação de ser armeiro do traficante Savoy, ligado ao traficante Linho. Todos da facção Amigos dos Amigos. Somente em 2006 ele foi condenado em segunda instância. A 7ª Câmara Criminal do Tribunal do Júri o condenou a quatro anos de reclusão. Um advogado tentou um habeas-corpus no Supremo Tribunal de Justiça. O então ministro Hamilton Carvalhido negou o pedido.

O advogado dele neste pedido era Sérgio Alves Teixeira Júnior.

Dois anos antes, este mesmo advogado tinha sido acusado de facilitar a fuga de Leandro Aparecido Sabino, o DJ, da então sede da Polinter no Santo Cristo(Zona Portuária). Nada foi comprovado. Teixeira Júnior também impetrou pedido de habeas-corpus no fim do ano passado em defesa dos ex-PMs Antonio Eugenio da Silva Freitas e Ricardo da Silva Ribeiro, ambos envolvidos com bandidos da Ilha do Governador.
Para quem não lembra nada sobre estes ex-PMs (aliás, ex-PMs como o próprio Alexandre), os dois foram presos sob acusação de trabalharem para traficantes. Antonio Eugenio forneceria armas para traficantes do Morro do Dendê, na Ilha do Governador. Ex-cabo, estava lotado no 3ºBPM (Méier) em 2006, quando foi preso em flagrante pela DRE.
Ricardo da Silva Ribeiro era - pasmem - da Companhia Independente de Polícia Militar do Palácio Guanabara. Trabalhava para o traficante e comerciante de armas Fernandinho Guarabu, uma das principais lideranças do tráfico na Ilha - quiçá a maior liderança (embora os critérios para avaliar este tipo de coisa sejam subjetivos e dependam de avaliações momentâneas de investigadores com interesses diversos).
"É altamente censurável a conduta de policiais que, abusando de sua condição, contribuem para o tráfico de drogas", escreveu a desembargadora mineira (convocada especialmente para o acórdão) Jane Silva, em 30 de maio do ano passado. Impossível discordar. Não há salário de fome que justifique o policial vender arma para bandido matar outros policiais.

Mas voltando ao assunto, também no ano passado, o mesmo Teixeira Júnior impetrou pedido de HC para Luciano Rocha dos Santos, preso em julho de 2005 por ter praticado seqüestro-relâmpago contra Bruno Azambuja, de 67 anos, empresário do setor petrolífero.
Azambuja ficou em um cativeiro na Vila dos Pinheiros - favela dominada pela facç&