Membro do Comad (Conselho Municipal Anti Drogas do Rio de Janeiro), fundador e conselheiro do IBDC - Instituto Brasileiro de Direito e Criminologia, doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino de Buenos Aires, delegado de Polícia Federal de Classe Especial, responsável pela prisão do publicitário Duda Mendonça na rinha de galo em 2004. Rayol dirigiu por anos a Delegacia de Entorpecentes da PF.
Procurador de Justiça, ex-secretário de Administração Penitenciária, ex-coordenador de Inteligência do Ministério Público estadual do Rio de Janeiro, responsável pela investigação da Propina S.A, entre outras.
professor universitário, dirige a Escola de Turismo e Hotelaria da UniverCidade,há 15 anos.Tem estudado ,nos últimos 18 anos,o impacto da segurança na atividade turistica.Implantou no Rio o primeiro Programa de capacitação para as forças de segurança turistica do Estado do Rio.Preside o Instituto de Pesquisas e Estudos do Turismo,que tem um Nucleo de Segurança Turistica,que faz um estudo comparado dos diversos sistemas no Brasil e no exterior.Sua tese de doutorado em Direito da Cidade versa sobre Um sistema de segurança Turistica para o Rio.
Jornalista e escritor, ex-TV Globo, atualmente na área de entretenimento do SBT, é autor dos livros Comando Vermelho - A História Secreta do Crime Organizado e CV-PCC-- A irmandade do crime, ambos pela Editora Record.
carioca, coronel da reserva, comandou a Tropa de Elite do Exército Brasileiro, o Batalhão de Forças Especiais. Sua última missão no serviço ativo foi o comando do Batalhão Brasileiro de Força de Paz, no Haiti, sendo responsável pela pacificação de Cité Soleil, até então, a região de maior risco (segurança pública) sob controle da ONU. Na área da Segurança Pública, foi o Chefe de Planejamento do Comando Militar do Leste. Para se comunicar com ele, escreva para kidbleu@gmail.com
tenente-coronel reformado da PMERJ, bacharel em Ciências Administrativas, torcedor do Flamengo, escritor com oito livros publicados (vide site: www.emirlarangeira.com.br)
Policial Civil no Rio de Janeiro, atuando há 22 anos no combate ao crime organizado, pesquisador e especialista em segurança pela Fundação Getulio Vargas.
Advogado, torcedor do Vasco da Gama, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, membro efetivo e Vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Copacabana e Leme – AISP19, tem formação no Curso de Capacitação para Lideranças Comunitárias e Integrantes dos Conselhos Comunitários de Segurança ministrado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). É um apaixonado pelo bairro de Copacabana, onde nasceu e foi criado, e também pela cidade do Rio de Janeiro. Acredita que toda mudança na qualidade de vida do cidadão passa necessariamente por uma maior participação da sociedade civil organizada, inclusive na questão da segurança pública.
Rapper e Mc, torcedor do Flamengo, formado no Curso de Liderança Comunitária Uerj e engajado na Cultura HipHop, sendo hoje vocalista da Banda Stereo Maracanã. Ativista da (ONG Posse Reagir Cidadânia e HipHop), consultor de Cinema ("Tropa de Elite") e Documentários (Rebeldes da Noite no Rio- Alemanha) que tenham como tema e pano de fundo as Favelas. Espera que esseTrabalho venha fomentar novás idéias, e discutir questões relevantes para todos. Pode ser contactado pelo email jovemcerebral@gmail.com
Julio Ludemir nasceu no Rio de Janeiro em 1960, mas foi criado em Olinda, Pernambuco. Tem cinco livros publicados - No Coração do Comando, Sorria, Você Está na Rocinha, Lembrancinha do Adeus, O Bandido da Chacrete e Mais um Pai. Tem a alegria de ser rubro-negro e a capacidade de fazer filhos lindos, de que Juliana e Pablo são provas incontestáveis. Adoraria escrever sobre paz, amor e sexo selvagem, mas a violência do Rio de Janeiro não permite.
delegado de policia civil de 1ª classe, mestre em ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes, doutorando em Ciências Políticas na Universidade Federal Fluminense, autor do livro "Acionistas do nada: quem são os traficantes de drogas", da Editora Revan.
Tenente-coronel da PM, ex-comandante do Bope, autor do livro "A Verdade da Tropa", trabalhou como assessor especial da Subsecretaria Operacional de Segurança Pública durante as operações na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão em 2007.
Coronel reformado da PM, trabalhou como assessor especial da subsecretaria operacional durante a gestão do general Nilton Cerqueira, no governo Marcello Alencar
Capitão da reserva do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Conclui tese na Universidade Federal Fluminense chamada A Glória Prometida. O Curso de Operações Especiais - Rito de Passagem dos 'caveiras'. Atualmente é secretário de Segurança Pública de São Gonçalo. Treinou os atores do filme Tropa de Elite, de José Padilha.
Carioca, Rubro-negro, coronel da reserva remunerada do Corpo de Bombeiros, ex-integrante do Conselho Estadual de Meio Ambiente, ex-integrante do Conselho Estadual de Controle Ambiental, Ex-diretor de Operações do Departamento Geral de Apoio Comunitário da Sedec-RJ, tendo sido responsável pelo Levantamento Estratégico, Informação e Planejamento para evacuação da população de Angra e Paraty em caso de acidentes na Central Nuclear Almirante Alvaro Alberto, fundador e Diretor Executivo do Instituto de Capacitação, Ação e Cidadania Pelicano.
Jornalista e Consultor de Políticas Públicas, ex-diretor de Fiscalização da COMLURB, Superintendente de Projetos Especiais da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Turismo, Diretor Geral de Apoio Operacional do DETRAN-RJ. Em 1984, passou três meses na Nicarágua como correspondente de guerra na fronteira com Honduras. Em 1995, atuou como consultor/observador na equipe GGAB (Grupo do Gabinete) da
Polícia Civil em ações nas favelas do Rio. Mantinha o blog Falando a verdade mas tirou do ar após receber ameaças de morte de traficantes conhecidos como Bonde do Coelho.
Delegado de Polícia Civil, já chefiou a Divisão Anti-Sequestro, e a Divisão de Repressão aos Roubos e Furtos de Veículos, além de ter sido assessor especial da instituição. Na Secretaria da Segurança Pública foi diretor da Divisão de Operações e Analista do Centro de Inteligência (CISP) e diretor-geral de inspeção e correição; foi presidente (e hoje é secretário-geral) do Sindicato dos Delegados e colaborador da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). É pós-graduado em Políticas Públicas de Segurança e Justiça Criminal pela Universidade Federal Fluminense e integra o corpo docente do Curso de Especialização em Segurança Pública, Cultura e Cidadania da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Abaixo, o vídeo em que o texto do Blog da Segurança, assinado pelo capitão Rodrigo Pimentel, roteirista do filme Tropa de Elite, é lido no plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.
Por Emir Larangeira, coronel PM reformado e escritor
Onze jovens militares do Exército Brasileiro, dentre eles um imberbe tenente "comandando-os", entregam, em promiscuidade incrível, três jovens residentes no Morro da Providência a traficantes do Morro da Mineira. Duas favelas, homizios de facções inimigas, detalhe facilíssimo de saber, e com certeza o sabiam todos os personagens envolvidos no episódio que culminou na morte dos três infelizes em máxima crueldade. Parece ficção, absurdo que nossa mente se recusa a aceitar: seres humanos destruindo corpos de seus semelhantes tais como os animais destrincham a presa para se alimentar. Mas, neste caso último, trata-se de determinismo da natureza, limita-se a irracional agressividade à luta pela sobrevivência das espécies. No dos seres humanos (humanos?), a violência não é natural, é fruto da banalização da morte em reedição de tempo incivilizado, como o da tortura de Damiens impressionantemente detalhada na abertura do clássico Vigiar e Punir, de Michel Foucault. Ou de Tiradentes... Ontem e hoje, tempos, enfim, do "castigo-espetáculo" demonstrando o poder de vida e morte de uns sobre outros, como se mais nada existisse além desse maldito poder, nenhum valor ético, moral, religioso, nada.
Damiens
A reação oficial não poderia ser outra: prisão dos militares criminosos, sepultamento das vítimas e perseguição aos traficantes-homicidas logo identificados; aliás, facilmente identificados, porém dificilmente alcançados pelas malhas da lei, não se sabendo quantas torturas e mortes protagonizaram no escorrer de suas vidas criminosas e quantas outras ainda protagonizarão. Mas a eficiência do sistema decerto se fará presente! Haverá a pronta resposta e alguns desses prováveis homicidas serão presos ou mortos! Suas identidades? Bem, suas identidades pouco servirão para singularizá-los como verdadeiros autores e culpados. Basta que sejam traficantes conhecidos e assunto encerrado. Afinal, trata-se de imperiosa necessidade de rápida resposta a um fato escabroso envolvendo uma instituição das mais importantes e sérias do país: o Exército Brasileiro. Claro que, por conta disso, o assunto descambou para a digressão jurídico-constitucional-eleitoral, com opiniões diversas sobre a legalidade (ou ilegalidade) da presença da força militar federal em ação típica de segurança pública, associada a uma atividade comum a qualquer empreiteira particular, tudo atendendo à bem-intencionada iniciativa de um senador da República prazerosamente acolhida pelo mandatário máximo do país. Por acaso, o senador em questão é candidato a prefeito da cidade onde o trágico episódio ocorreu. Mera coincidência?... Talvez... Tudo, porém, seria perfeito, se não houvesse a tragédia no meio do caminho... Mas, infelizmente, houve! E agora?...
Muito bem, agora a discussão prender-se-á aos aspectos legais (ou ilegais) da presença verde-oliva na favela exercitando a segurança pública, que, doutrinariamente, significa "garantia da ordem pública". Doutrina, por sinal, otimamente ensinada em Manual da Escola Superior de Guerra (ESG) e referendada em parte por renomados mestres do Direito Administrativo. Resume-se o ensinamento doutrinário, grosso modo, ao seguinte: "ordem" é "situação de paz e harmonia na convivência social"; "segurança" é a "garantia" da "ordem", e "defesa" seria o "ato caracterizado e medido" a atalhar qualquer risco à "ordem". Enfim, denota-se que o "ato" (emprego da força) deve ser proporcional ao risco adrede "caracterizado e medido". É com base neste fundamento que a doutrina informa sobre as diferenças entre a "ordem interna", cuja "garantia" é a "segurança interna", e a "ordem pública", cuja "garantia" é a "segurança pública". Claro que não cuidamos aqui de preconceitos semânticos, como nos alerta em artigo precioso o mestre Diogo de Figueiredo Moreira Neto, este que, em outra ocasião, assim emite seu "conceito operativo" da "ordem pública": "Ordem pública, objeto da segurança pública, é a situação de convivência pacífica e harmoniosa da população, fundada nos princípios éticos vigentes na sociedade." (Grifo meu). Ainda esclarece o mestre que a "ética" abarca "as leis, a moral e os costumes". Ora, o Art. 144 da Constituição Federal explicita os organismos de "segurança pública" (federais, estaduais e municipais), da qual a "ordem pública" é "objeto", o que situa a "segurança pública" como "sujeito da ação", naturalmente excluindo as Forças Armadas dessa condição, pois suas finalidades estão prescritas em separado, no Art. 142, nos termos seguintes: "As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem." (Grifos nossos). Eis agora a síntese do Art. 144: "A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. (...) § 8º - Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei." Isto sem se considerar o outro improviso inconstitucional da Força Nacional de Segurança Pública, que não se integra à Carta Magna como "organismo de segurança pública". Cá pra nós, a FNSP existe num vácuo que sugere deliberada anomia... Portanto, não há como supor que aquela "ordem" referida no Art. 142 seja a "ordem pública". E, se não é a "ordem pública", só pode ser a "ordem interna", cuja "garantia" é a "segurança interna", como nos informa a Doutrina de Segurança Nacional, não se considerando aqui ideologias nem preconceitos semânticos. Enfim, sem temor do "bicho-papão" conhecido como ditadura militar... Entretanto, não se pode negar a possibilidade de desordens internas de intensidades tais que obriguem aos "poderes constituídos" o acionamento das Forças Armadas para a "garantia da lei e da ordem", não sendo complicado inferir que tratamos de algo maior que a ordem pública, que tem na segurança pública a sua "garantia", pois as perturbações da ordem pública subsistem enquanto ocorrem graves perturbações da ordem interna a exigirem "ações operativas" das Forças Armadas para restaurá-la em vista da "Defesa do Estado e das Instituições Democráticas", como nos informa o Título Constitucional. Na verdade, não se deve estranhar a presença de desordem num ambiente social; a desordem pode ocorrer em intensidade previsível e, muitas vezes, imprevisível, assim como é possível supor que a ordem se restaure naturalmente, eis por que se admite a existência de uma ordem pública ou interna "material" (ser) ou "formal" (dever ser). E é exatamente por isso que a gradação da "ordem" inicia-se pela preservação da ordem pública e sua restauração poderá ocorrer sem intervenção estatal ou por via dos organismos de segurança pública em operações tipicamente policiais, preventivas e repressivas, fundadas nas leis vigentes e no "poder de polícia", este, todavia, juridicamente contido nos seus limites. O excesso do seu uso pela Administração é considerado abuso de poder, punível na forma da lei. É nesse campo restrito que se joga com a possibilidade de ocorrência da perturbação da ordem e, num patamar superior, da grave perturbação da ordem; esta última, porém, em ultrapassando a capacidade operacional dos organismos de segurança pública, gravados no Art. 144 da Carta Magna, poderá determinar, aí sim, a intervenção das Forças Armadas, especialmente em missões operativas de caráter exclusivamente militar, obedecidos os limites estabelecidos na Carta Magna e em leis referentes (Estado de Defesa e Estado de Sítio). Ultrapassá-los significa golpe militar, o que não vem ao caso. Embora a presença do Exército Brasileiro na favela tenha se resumido a um gesto de boa vontade, assim como ocorreu durante o surto de dengue em que as Forças Armadas emprestaram notável contribuição à população, não se há de negar a ambigüidade do emprego de força militar federal como "organismo de segurança pública". Pois o Exército Brasileiro ocupou o Morro da Providência como tal, o que não prevê o Art. 144 da Carta Magna. À luz da Lei Maior e da Doutrina, a ação do Exército Brasileiro no Morro da Providência deveria ser precedida da decretação do "Estado de Defesa", caso fosse reconhecida uma situação de "grave perturbação da ordem pública" restrita à localidade em questão. Não era o propósito. Portanto, se as leis vigentes no país fossem seguidas ao pé da letra, não haveria a presença do Exército Brasileiro no Morro da Providência; lá não estariam os dez militares comandados pelo desastrado tenente; os três jovens não teriam sido detidos pelos militares e entregues à facção inimiga do Morro da Mineira; e não seriam torturados e mortos. Enfim, numa relação de causa-efeito-causa-efeito... o problema inicia-se muito antes e acima de o tenente descumprir a ordem do capitão, e por sua conta e risco, e em função de ser treinado para combater o "inimigo", culminar praticando um ato destruidor de todas as vidas: a dele, a dos seus dez comandados, e a dos três rapazes. Tudo isto me faz lembrar o tal "PM Rambo", da PM de São Paulo, que, ao ser indagado em CPI deflagrada pelo Poder Legislativo daquele Estado sobre o porquê de ter atirado e matado covardemente um cidadão favelado, e sem mais saber como se defender, respondeu singelamente aos deputados: "Eu fui treinado assim!" Por outro lado, há de se registrar que diversas autoridades do mais alto talante do país assumem diariamente que os traficantes do Rio de Janeiro dominam as comunidades carentes (fato inegável) e praticam barbáries que desde muito tempo ultrapassaram as raias do absurdo. Não há como negar, pois é consenso geral, que a imensa população residente em favelas não desfruta a paz nem o direito de ir e vir. Os cidadãos favelados vivem ameaçados de todos os modos; são oprimidos por traficantes e milicianos; pagam "taxas de sobrevivência" e mesmo assim morrem vítimas de balas perdidas ou são sentenciados à morte se errarem o caminho de casa e ingressarem numa localidade dominada por facção inimiga. Vale a assertiva também para inadvertidos policiais que erram o caminho e são torturados e mortos por traficantes; vale também para Tim Lopes, jornalista torturado e morto como qualquer cidadão sujeito às conseqüências do Estado Marginal Institucionalizado a matar o Estado Democrático de Direito.
O jornalista Tim Lopes
Isto é calamidade social do banditismo urbano, é o império da desordem com o Estado circunflexo, conformado, acovardado! É grave perturbação da ordem muitíssimo além da capacidade operacional dos organismos de segurança pública federais, estaduais e municipais, tudo publicamente assumido por autoridades dos três poderes constituídos em todos os seus níveis. É caso de acionamento das Forças Armadas, sim! Mas puseram um freio constitucional tão violento nas forças militares federais que até para os políticos, incluindo-se o Presidente da República, tornou-se a Lei Maior um obstáculo quase que intransponível. Formalizaram exageradamente a possibilidade de emprego das Forças Armadas em questões de segurança pública ou interna, olvidando o fato de que a desordem (pública ou interna) ocorre independentemente de ser proibida por lei. Até pode eclodir em razão de calamidade pública e o freio é o mesmo. Mas, como sabemos, freio costuma dar defeito, e se ocorrer alguma falha em caminhão truncado, carregado e disparado ladeira abaixo, ninguém será capaz de segurá-lo... Portanto, é passada a hora da revisão dos dispositivos constitucionais, de modo a garantir a presença ostensiva das Forças Armadas onde elas se fizerem indispensáveis, sem burocracia ou temor a emperrar a evolução do Estado Democrático de Direito, hoje ameaçado pelo Estado Marginal cada vez mais institucionalizado por conta da omissão e da covardia governamentais. Não basta desferir "castigo-espetáculo" contra militares e traficantes assassinos. Isto será apenas mais um a desaparecer, em fade-out, da memória coletiva.
O desembargador Gustavo Leite, chefe da Corregedoria Geral Unificada, investiga a participação de policiais militares na fuga ocorrida em outubro do ano passado no Presídio Ary Franco, em Água Santa. Os detentos Alexandre Oliveira e Velton Reis teriam tentado a fuga do sistema penal com ajuda de um PM que estava escalado na guarita do presídio - um dos 3 mil policiais militares à disposição da Secretaria de Administração Penitenciária, já há muitos e muitos anos. Segundo o depoimento de Velton no Processo Administrativo Disciplinar aberto por ocasião da fuga, o preço combinado com o policial seria algo em torno de R$ 100 mil. O dinheiro seria entregue na Rodoviária Novo Rio a uma outra pessoa. Resta saber, na investigação, de onde dois detentos tiram R$ 100 mil para comprarem a própria liberdade.
Por Pedro Paulo Lourival Carriello - Defensor Público titular do II Tribunal do Júri da Capital-RJ
O cenário carioca: população clama pela ocupação dos Morros cariocas pelas Forças Armadas. As vozes são em maior número da classe média, Zona Sul. Realidade: o Morro da Providencia já estava ocupado, não havendo qualquer motivação constitucional, tão-só um pedido de um Senador da República para realização de obras por empresa privada, conforme noticiado pelos jornais. Resultado: morte de três jovens, lógico, negros e favelados! Personagem principal: a mãe em busca de seu filho - moradora deste espaço tão estigmatizado - fez valer sua cidadania, provocando e buscando apuração dos fatos. Resultado: obtenção de seus propósitos, início da apuração dos fatos, com toda classe política "subindo" ao Morro, inclusive com pedidos de desculpas do Ministro da Defesa, sendo importante como meio de legitimar atuação daquela mãe. Neste contexto observamos que nem sempre o caminho jurídico e institucionalizado permite a efetivação de direitos, neste caso emblemático a opção foi à voz ativa da cidadania - o berro, a insistência, a luta em fazer valer o direito de saber onde estava seu filho e enterrá-lo, como uma espécie de ANTÍGONA carioca na luta contra os editos do rei e o "direito das estrelas"(direito natural) do funeral, como bem retrata a obra de Sófocles. Neste caso é a vida imitando a arte! Mais um mito se vai - a idéia que as Forças Armadas teriam condições de resolver a questão da segurança pública urbana, especialmente a carioca e do Grande Rio. Entendo que não é por aí. A força e choque (desculpe o trocadilho) que a cidade necessita não são de intervenções armamentistas, da manutenção da cidade partida, mas sim de aproximação efetiva entre a doméstica e a patroa, tentando dar ao filho daquela, aquilo que o filho desta tem em seu bairro, na sua escola privada e no consultório médico. Sempre alertando que não vale o velho discurso do aumento de pena para os delitos comumente imputados aos filhos das nossas empregadas, não dá mais. Aumento, só se for de salário. Um grande abraço.
Um dos nossos poucos parlamentares sérios (em termos nacionais, inclusive) é o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Dele, pode-se discordar - e eu até discordo, no que concerne ao uso do blindado, que considero Equipamento de Proteção Individual (E.P.I.) e não uma ameaça às comunidades. Seu mau uso deve ser combatido. O uso, jamais. Na verdade, não tenho certeza se Freixo quer mesmo o fim do Caveirão. Mas minha posição é diferente da dele. No entanto, independente de ideologias, precisamos, no Brasil, formar um bloco que se identifique pela honestidade e pelo caráter. Há pessoas que ainda não perceberam a importância de se ter no mesmo bloco um Marcelo Freixo, um Flávio Bolsonaro, um Wagner Montes, um Alessandro Molon. Pessoas de diferentes espectros ideológicos mas que não se envolvem com negociatas. Nesta quinta-feira, Freixo merecia muito mais respeito como parlamentar, e por parte da Alerj. Na CPI das Milícias, os dois acusados de atentado à 35ªDP (Campo Grande) pelo delegado Marcos Neves foram ouvidos. Ocorre que Neves, na ocasião, fez clara referência ao deputado Natalino (DEM), acusando-o de participação no atentado. Natalino fez questão de ir à CPI e enviou perguntas aos dois depoentes. Tal comportamento pode ter feito uma pressão errada nos depoentes, uma vez que a acusação feita pelo delegado é de domínio público. Que a Alerj crie instrumentos para preservar a integridade dos depoimentos, é o que esperam parlamentares sérios como Freixo. Que o Poder Legislativo tenha independência e integridade, é o que espera (e sonha) cada um de nós.
Desde 2003, todos os anos a Secretaria Estadual de Segurança Pública promove o Curso de Inteligência em Segurança Pública (Cisp), destinado a policiais militares, promotores, coordenadores de segurança patrimonial, delegados da PCERJ e da PF, inspetores da PCERJ, juízes e agentes de órgãos de assessoramento em geral. Condição sine qua non para se fazer o curso: ficha absolutamente limpa. Em 2006, na gestão do hoje deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), a secretaria inovou e ainda abriu oito vagas para jornalistas do Rio de Janeiro - gesto que até hoje é considerado um trágico erro por muita gente boa. Em jornais cariocas, há apenas seis jornalistas em atividade que começaram a fazer o curso - e destes, apenas três têm o certificado de conclusão. Por que todo este longo preâmbulo? Para dizer que a atividade de Inteligência é algo que, nas polícias, é encarada com máxima seriedade. No curso citado, que teve participação de jornalistas, um dos monitores era o atual comandante-geral da PM, coronel Gilson Pitta Lopes, então chefe da PM2, o setor que centraliza todas as atividades de Inteligência da PMERJ. Cargo hoje ocupado por oficial de também grande competência. No entanto, há fatos na PMERJ atual que têm escapado aos olhos atentos e seletivos da área de Inteligência. Em primeiro lugar, vejo contradição em algumas decisões nos batalhões. Em dois batalhões da Zona Norte da cidade, por exemplo. O coordenador da P-2 do 6ºBPM (Tijuca) certamente foi escolhido por sua dedicação e competência. No entanto, seu nome não consta no sistema que cadastra os agentes da área de inteligência (talvez seja até um gesto de discrição necessário). Da mesma forma, um agente de reconhecida competência e honestidade foi afastado de um outro batalhão da Zona Norte recentemente, tendo cadastro no sistema, apenas por ter confeccionado relatório no qual elenca uma série de irregularidades ocorridas em sua área de atuação - a saber: milícias, transporte alternativo pirata, tráfico e outras mazelas da nossa cidade, decorrentes da falta de crescimento econômico e da ausência do Estado. Um não tem cadastro e é nomeado. Outro, tem cadastro e é afastado? Em seguida, passamos a analisar as escolhas feitas na Zona Oeste, área sob gestão do polêmico e explosivo coronel Paulo César Lopes, comandante do 2ºCPA. Temos como comandante do Regimento de Polícia Montada Enyr Cony dos Santos o coronel Weber Guttemberg. Trata-se de batalhão que atua em Campo Grande, Guaratiba e parte de Bangu (ou Gericinó). Seu subcomandante é o tenente-coronel César Tanner, que ano passado comandava o 18ºBPM (Jacarepaguá), uma área igualmente complicada devido à presença de milícias. Tanner foi nomeado há poucos meses como comandante do 14º (Bangu), mas pediu que a nomeação fosse tornada insubsistente (no Boletim Ostensivo). Segundo algumas fontes da PMERJ, pelo seguinte motivo: mora na região e correria riscos se fosse combater milícias e traficantes. Ora, se minhas fontes estão realmente corretas, a grande contradição é que o coronel Weber, que comanda o RP-Mont, igualmente em área repleta de milícias e candidatos a vereador milicianos, também mora na Zona Oeste. Como combater as milícias morando e tendo sua família na Zona Oeste? Creio ser tarefa dura, perigosa e injusta para com o coronel Weber. Que certamente evitou recusar-se à missão por ser oficial que não foge à luta. Mas de qualquer maneira, estas coisas deveriam ser evitadas em uma corporação que é comandada por um dos baluartes da área de inteligência em Segurança Pública.
Por Milton Corrêa da Costa, tenente-coronel da reserva da PMERJ e preside há 14 anos uma Junta Administrativa de Recursos de Infrações
A prova testemunhal, para a caracterização da embriaguez ao volante, admitida em território nacional através da Lei Federal 11.725, de 07 de fevereiro de 2006 e agora ratificada pela recente lei seca do trânsito (Lei 11.705/08), já havia sido utilizada, no ano de 2003, para autuar um motorista, em fato ocorrido na jurisdição da 24ª Delegacia Policial, no bairro do Encantado, na cidade do Rio de Janeiro. O fato se deu quando um motorista, ao deixar uma casa noturna na Barra da Tijuca, em companhia de sua namorada, em visível estado etílico, começou a empreender direção perigosa na condução de seu veículo, seguindo pela Linha Amarela em direção à zona norte. Ao perceber que sua vida, a do namorado e dos demais usuários da via pública encontrava-se em risco iminente, a própria namorada pediu socorro a uma guarnição da Polícia Militar, já junto à praça do pedágio, ali existente. Ao ser abordado pela guarnição da Polícia Militar, em estado extremamente exaltado, o motorista desacatou os agentes na via pública, sendo então conduzido preso à 24ª Delegacia Policial, em presença da autoridade de polícia judiciária. Ao ser interpelado pelo delegado de dia, também o desacatou afirmando, em altos brados e em tom desafiador, que não iria ser submetido a nenhum teste ou exame no IML, que pudesse comprovar a ingestão de bebida alcoólica. Ao analisar o fato o delegado de plantão, ante a recusa taxativa do infrator e o comportamento desrespeitoso, o autuou por desacato e também nas penas do Artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro, por crime de embriaguez ao volante, sob o argumento jurídico, que considerei brilhante à época, de que "é pacífico o entendimento de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, o que não impede, porém, que o crime de embriaguez se caracterize pela prova testemunhal", citando a autoridade policial, em seu argumento, que a maior testemunha do fato era a própria namorada do motorista, além de seu testemunho e dos agentes da autoridade ali presentes. Na esfera penal a informação é de que o motorista foi punido tão somente pelo crime de desacato. No entanto, na esfera administrativa, foi punido pela autoridade executiva de trânsito com multa pela infração cometida, suspensão do direito de dirigir pelo período de 4 meses, além de freqüência obrigatória a curso de reciclagem de motoristas infratores. Ao recorrer das penalidades que lhe foram aplicadas, tendo atuado na ocasião como relator do processo recursal, mantive a decisão da autoridade de trânsito, no que fui acompanhado pelo demais membros da junta recursal. Não custa lembrar que a nova lei de trânsito, em vigor em território nacional desde 20 de junho, prevê a aplicação das mesmas penalidades, estabelecidas no Artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro, ao condutor que se recusar à submissão a testes e exames que possam comprovar a ingestão de bebida alcoólica ou outra substância psicoativa que determine dependência. A grande realidade é que é preciso, urgentemente, minimizar os efeitos da gravíssima doença social dos acidentes de trânsito que matam e mutilam a todo instante, onde o uso de bebida alcoólica é a principal causa dos mais graves acidentes. O chopinho inocente e descontraído dos finais de semana tem sido causa de grandes tragédias no trânsito brasileiro. Trânsito é meio de vida não de morte. Se beber não dirija.
A história já tem quase dois anos. É antiga, aconteceu em 3 de novembro de 2006. Mas na época, pouco se falou ou divulgou. Aconteceu em Ipanema. Na Rua Vinícius de Moraes, de madrugada. Dona Célia Macedo estava em seu apartamento de quatro quartos, bem perto da praia, quando seu marido João Rodrigues, de 77 anos, começou a passar mal. Por sorte (ou azar, como se verá mais à frente), as duas filhas de dona Célia estavam em casa, tinham chegado de uma viagem a Miami. O filho mais velho, Bruno Ribeiro, também estava em casa. Os três filhos começaram a socorrer o pai, colocaram-no em uma cadeira de rodas e começaram a descer com o pai. Bruno não dirigia carro, o único que tinha carteira era o pai, João, portanto eles teriam de arrumar um táxi para todos irem à Clínica São Vicente, na Gávea. Bruno teve a idéia de pegar uma moto e ir até a Praça Nossa Senhora da Paz para tentar arrumar um táxi. Ele usava a moto para ir à Prainha surfar. De repente, Bruno encontrou seu amigo David Chagas, que voltava de uma festa, passando em frente, na rua. Pediu ajuda a ele.Os dois saíram juntos da Vinícius de Moraes e foram até a praça e começaram a sinalizar por um táxi. Um motorista parou, ouviu o relato e concordou em buscar o pai de Bruno. David entrou no táxi e Bruno foi colocar cadeado na moto em um poste na praça, já que achava melhor ir com o pai até a Clínica dentro do táxi mesmo. Um policial, no entanto, abordou Bruno neste momento, apontando-lhe um fuzil. O susto fez com que o policial desse cinco tiros no peito e no pescoço do jovem, matando-o instantaneamente. Seu corpo tombou ali mesmo, na Nossa Senhora da Paz. Dentro do táxi, David viu outro policial chegar e se dirigir ao corpo baleado. A dupla viu o táxi e imediatamente mandaram David sair do carro e se jogar ao chão. O taxista, apavorado, explicou que não era nada de irregular, que os dois jovens de classe média alta estava querendo socorrer o pai de um deles que passava mal. David tremia da cabeça aos pés. Provavelmente a iniciativa do taxista salvara sua vida. Os policiais colocaram o corpo de Bruno dentro da viatura e, com David ao lado, seguiram para a Clínica São Vicente. Enquanto essa ação acontecia, dona Célia e as filhas já tinham conseguido, pelo telefone, um outro táxi para irem à mesma clínica. Mas Seu João, ao chegar lá, não resistiu e faleceu. O filho, Bruno, lá chegou morto. Enquanto Seu João morria, dona Célia e as filhas nem faziam idéia de que Bruno estava dando entrada no mesmo hospital já morto, com vários tiros de fuzil no corpo. Pai e filho morreram quase ao mesmo tempo. Sem que um pudesse chorar pelo outro. Sim, a história é metade ficção, metade realidade. As mortes e as lágrimas aconteceram mesmo. Mas não foi em Ipanema, na Praça Nossa Senhora da Paz, e sim na Favela do Jacarezinho, na Rua Viúva Cláudio. E a família não morava na Rua Vinícius de Moraes, e sim na Rua João Alberto. Bruno não usava a moto para ir à Prainha surfar, e sim para entregar pizza. A emergência não era a da Clínica São Vicente, e sim a do Hospital Salgado Filho.
Você suspirou de alívio? Se sim, é porque estamos sem soluções. Nossa "solução" é a polícia pessimamente paga, colocada dentro de uma favela em que o risco é total, de todos os lados. Nossa "solução" é o apartheid social, é o extermínio pura e simples. Se este adiantasse, talvez eu até apoiasse. Mas se mata, mata, mata inocentes e nós, daqui da Rua Vinícius de Moraes, continuamos morrendo, vítimas dos traficantes e assaltantes alucinados. No meio do confronto, da guerra insana, famílias ricas e pobres. Nos chocamos mais quando as ricas morrem, claro. Mas faz parte da nossa visão de classe média. É exatamente a mesma visão que acha normal policial ganhar 900 reais para morrer, é exatamente a mesma visão que considera que a favela é local de matança, é a mesma visão que considera o marginal de fuzil um "excluído" que tem de ser recuperado. Trata-se da visão ideológica e seletiva que o debate de Segurança Pública no nosso país adotou. Os lados conflitantes procuram estabelecer os pontos de vista com receitas mágicas. A verdade respira com ajuda de aparelhos - mas se chegarmos perto, ela tem a cara do Estado. O Estado forte, consolidado, com presença em todos os territórios, na forma de agentes bem-pagos e formados com excelência. Um Estado que extirpa a própria corrupção, para que o dinheiro público seja aplicado no que a população precisa: policiais, professores e médicos de primeiro mundo. Um Estado que zele pela vida. Esta verdade não tem e nem quer ter dono. Esta verdade quer apenas ser vista. Sem que seja preciso que ela esteja em Ipanema ou no Jacarezinho.
Fonte muito confiável me informa que a situação no 16ºBPM (Olaria) está bem agitada. Fato atípico: em dois dias, foram transferidos o subcomandante da unidade - major Barone - e mais dois capitães. Não dois capitães quaisquer, e sim o chefe da P/3 - capitão Marcos Melo - e o chefe da P/5 - capitão Luis Carlos Silva Junior. Melo passou a fazer parte do efetivo do Batalhão Especial Prisional (BEP) e Carlos foi para o 3ºBPM (Méier). Desta unidade, aliás, veio outro capitão, Vinícius Carvalho. Os motivos? Ninguém sabe. Ímpera a lei do silêncio.
O mal-estar na PM do Rio sexta-feira ficou por conta das mudanças no Proerd, o programa de prevenção ao uso de drogas mantido pela corporação. A major Tânia Loos, que estava no órgão há 16 anos, foi defenestrada sumariamente, sem maiores explicações. Ali estava praticamente o trabalho de uma vida. Entrou em seu lugar o tenente-coronel Rogério Seabra Martins. Curiosamente, ele era o relações-públicas da PM quando o comandante era o coronel Ubiratan Ângelo, que foi exonerado da PM depois de passeata na orla liderada pelos Coronéis Barbonos. Até hoje os motivos de sua saída são pouco claros. Há quem diga que a gota d'água foi a passeata, que chegou perto da casa do governador. Outros atribuem a seu comportamento irreverente, teimoso em não ceder oficiais da PM para funções burocráticas no Palácio do Planalto. Mas fato é que ele deixou a Secretaria de Segurança em clima irreconciliável. Mas apesar de tudo isso, a nítida ligação com Ubiratan não impediu o tenente-coronel Seabra de assumir a direção do Proerd. O oficial se apresentou na sexta-feira já distribuindo o RioCard para os 45 policiais da unidade. Todos achavam que o cartão seria distribuído pela major. O Proerd receberia desde janeiro uma verba de R$ 30 mil do Detran, por meio de convênio. No entanto, o dinheiro nunca chegou. Agora, a aposta dos policiais da unidade é que o prestígio de Ubiratan possa melhorar a chegada de verbas. O atual centro de capacitação do Proerd, por exemplo, é resultado de um convênio com a Secretaria Nacional de Segurança Pública no valor de R$ 600 mil. Convênio encerrado em dezembro de 2006. Mas deve vir mais por aí, é o que se fala. Na posse de Seabra, o nome de Ubiratan - hoje reformado - era lembrado a todo instante. Nem parecia que o coronel tinha saído do comando-geral da PM.
Os deputados da CPI do Sistema Carcerário votam nesta quarta-feira às 14h em Brasília o relatório que determina o indiciamento de 10 pessoas no caso da menor presa em carceragem masculina no município de Abaetetuba, no Pará, caso que teve repercussão internacional. O relator da CPI é o deputado Domingos Dutra, do PT do Maranhã. O relatório tem mais de 500 páginas, três DVDs e milhares de fotos. No total, 32 pessoas têm o indiciamento proposto. No caso do Pará, o relatório propõe indiciamento da juíza, dos defensores públicos, dos promotores e dos delegados. A idéia da CPI é também elaborar uma recomendação para que o Poder Executivo crie um sistema fixo de financiamento do Fundo Penitenciário - ao qual os Estados a toda hora recorrem por meio de convênios que dispensam licitação - e, mais ainda, a promulgação de uma lei que proíba o contingenciamento das verbas. É matéria para ser discutida também na Assembléia do Rio.
A Comissão Permanente de Prevenção às Drogas da Câmara dos Vereadores promove nesta quinta-feira, das 9h30 às 13h, o debate "Maconha: O mito da Droga Natural". Já confirmaram presença no evento o tenente-coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, presidente do Instituto de Segurança Pública (e nas poucas horas vagas articulista do Blog da Segurança), o delegado Marcos Vinicius Braga, titular da Delegacia de Combate às Drogas (DECOD) e a renomada psiquiatra Maria Thereza Aquino, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad/Uerj). Presença mais que aguardada é a do sociólogo Renato Cinco, organizador da Marcha da Maconha. Ele ainda não confirmou a ida ao debate, mas já deu sinalização positiva. O confronto promete, já que Renato Cinco, sem querer, esteve em lado oposto ao da vereadora Sílvia Pontes (DEM), presidente da Comissão de Prevenção. No mesmo dia em que Renato organizou a Marcha da Maconha, Sílvia montou uma caminhada contra a droga. O evento montado pela vereadora foi mal-recebido pela mídia em geral, que classificou como reacionarismo. Sílvia nega até hoje. "Minha intenção não era atacar a Marcha da Maconha, e sim defender o direito de pais, familiares, opinarem sobre o assunto", diz Sílvia. "Sou contra proibir a Marcha da Maconha, inclusive. Eles têm direito de se expressar. Assim como eu quero me expressar e dizer que drogas e bem-estar não combinam". Apesar do tema girar em torno da maconha, pesa sobre a mesa da vereadora um relatório inédito sobre uma nova droga que a cada dia se torna moda entre os jovens: a Cápsula do Vento ou Gota. Trata-se de algo simplesmente imperceptível por pais e policiais, uma mistura de ecstasy e anfetaminas com efeito devastador, e que o traficante apenas pinga na mão do usuário. A vereadora ainda não sabe se deve discutir o tema neste evento, mas o relatório está praticamente pronto. Com depoimentos de pessoas que freqüentam a noite-rave do Rio.
A rádio-corredor me informou nesta segunda-feira: o texto Máfia dos combustíveis, máfia dos rádios Nextel, máfia da Alerj: é a cidade mafiosa publicado aqui no BLOG DA SEGURANÇA do DIA ONLINE será lido no plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP) ainda esta semana. Possivelmente nesta terça-feira 24 de junho. Se confirmada a informação, desde já agradeço ao parlamentar pela deferência com nosso espaço de discussão da Segurança Pública e desde já abro espaço para seus comentários sobre o texto citado, escrito pelo capitão reformado Rodrigo Pimentel, ex-Bope, roteirista do filme Tropa de Elite.
Segurança particular na Ilha do Frade (ES), em foto do site capixaba http://www.rededenoticias.com.br
Seguranças de ruas ou mesmo de lojas temos aos montes em praticamente todas as ruas de Copacabana, da Zona Sul e Centro da cidade. Basta andar pelas ruas e verificar que em praticamente cada quarteirão há um homem vestindo aquele característico colete preto escritos nas costas "APOIO". Em alguns casos nem há esse colete. Em Copacabana, o último lugar do bairro que ainda não tinha esse tipo de "segurança" era a orla junto à faixa de areia, mas com o advento da construção dos novos quiosques (que na verdade são verdadeiros restaurantes!) os quiosqueiros rapidamente contrataram esse tipo de "segurança". No entanto, não temos notícia de nenhum caso onde tenha havido a intimidação ou imposição aos moradores e comerciantes na contratação desses "profissionais da segurança". Na verdade, a iniciativa de contratar esses seguranças parte dos próprios moradores e comerciantes. Bom, as atividades de segurança privada serão reguladas, autorizadas e fiscalizadas pelo Departamento de Polícia Federal (DPF) e são complementares às atividades de segurança pública nos termos da legislação específica. São consideradas atividades de segurança privada a vigilância patrimonial, o transportes de valores, a escolta armada, a segurança pessoal e o curso de formação. A Polícia Federal editou no dia 28/08/2006 a Portaria nº 387/2006 - DG/DPF, que altera e consolida as normas aplicadas sobre segurança privada, onde diz no seu Art. 13:
"Art. 13. A atividade de vigilância patrimonial somente poderá ser exercida dentro dos limites dos imóveis vigilados e, nos casos de atuação em eventos sociais, como show, carnaval, futebol, devem se ater ao espaço privado objeto do contrato. (Texto alterado pela Portaria nº 515/2007-DG/DPF)"
Portanto, é correto afirmar que esse tipo de "segurança" existentes nas ruas de nossa cidade uma atividade ilegal e constitui crime de exercício ilegal da profissão. Por outro lado é fácil compreender por que os moradores e comerciantes estão contratando esse tipo de "segurança privada". O Estado, detentor da exclusividade de exercer o poder de polícia, não está mais conseguindo fazê-lo. Os moradores e comerciantes, então, se sentindo órfãos do poder público, têm de buscar uma saída para a sua sobrevivência. E a saída acaba sendo essa "segurança privada". Esse efeito da ausência do Estado já havia sido percebida nas ruas de nossa cidade, com a presença quase que ostensiva dessa "segurança privada" na porta de cada loja e prédio. Agora estamos percebendo a mesma coisa acontecer nas comunidades carentes. Porém, de uma forma mais intimidadora e violenta. Qual a solução do problema? Bom, a solução passa, antes de mais nada, pelo resgate do chamado princípio da autoridade dos órgãos públicos que estão desaparelhados, mal remunerados, corrompidos e desestimulados.
Caros amigos, inimigos gratuitos. Trago-lhes boas novas, como diria Cazuza. É que vivemos tempos de paz, se formos compará-los com o que nos aguarda quando a geração Degase chegar ao poder no crime organizado. E apenas um detalhe pode impedir que os menores infratores de hoje galguem essas posições. É que eles podem morrer antes do tempo. Porque da mesma forma como se entra cada vez mais cedo no crime, são igualmente precoces as mortes. Se formos voltar no tempo, veremos que, quando a geração de Isaías do Borel entrou em cana, os bandidos não traziam uma ficha criminal tão pesada como a dos meninos que estão chegando à maioridade. Vejamos o caso de Paulo César Chaves, um dos criadores do Comando Vermelho, personagem do livro "O bandido da chacrete", que publiquei no fim de 2007. Preso com 18 anos em 1972, sua ficha criminal continha cinco assaltos a banco cometidos ao longo de seis meses. Foi condenado a 45 anos pela Lei de Segurança Nacional da ditadura militar. Os chamados menores infratores podem não ter uma lei tão dura, mas seus crimes são muito mais bárbaros do que os da geração que criou o Comando Vermelho. Um exemplo é o do adolescente que arrastou João Hélio pelas ruas do subúrbio do Rio de Janeiro. Mas esse jovem, que foi estuprado por todo o coletivo do Padre Severino, está longe de ser uma exceção nos corredores do Degase. Entrar com um homicídio nas costas é quase uma medalha de condecoração. Esses menores entram no sistema com diversas medalhas de condecoração chacoalhando no peito. Há uma outra grande diferença da geração que criou o Comando Vermelho e essa. É que a lei de execução penal vem sendo gradativamente suavizada e, mesmo quando recebem a pena máxima na primeira condenação, esses meninos passam no máximo quatro anos na cadeia. A razão para isso é que os chamados primários só cumprem um sexto da pena. Só para pegar o mais emblemático dos casos da primeira geração do Comando Vermelho, William da Silva Lima, o Professor, fugiu depois de 37 anos de cadeia. Os novinhos de agora não apodrecem na cadeia, voltando para a sociedade antes que ela se esqueça de seus crimes hediondos. Essa nova geração está cada vez mais audaciosa, pois não tem nada a perder. Na verdade, eles já nascem no lucro, como diria uma amiga psicóloga. Usando outra imagem desta mesma amiga, eles são o sexto filho da terceira família que a mãe está tentando constituir. E não se pode esperar muito de um cara que aos três anos já circula pela favela como uma top model pela passarela. Melhor dizendo, pode-se esperar que sejam essas as pessoas que entrem no tráfico para picar os cadáveres insepultos. Essa é uma das funções que executam na boca. A propósito, esta é mais uma diferença entre o assassino de João Hélio e PC, o bandido da chacrete. Os parceiros de PC ordenavam essas execuções. Eram minoria os casos como o de Mau-Mau ou do mítico Zé Bigode, que entravam no que os bandidos ora chamam de bonde do bicho, ora chamam de bonde do gato preto. Já a geração Degase é o que essa mesma amiga psicóloga chama de perversa. Perverso é aquele que tem total ausência de culpa, chegando mesmo a gozar com a dor do outro. Podemos até concordar com as sentenças do Tribunal de Nuremberg, muito mais severo com os autores intelectuais dos crimes de guerra. Mas pelo menos do ponto de vista psicológico as seqüelas são muito mais nefastas em quem mete a mão na massa. Além de a perversão ser uma doença psíquica incurável, a ressocialização da geração Degase pode se tornar ainda mais remota com a crise anomia do crime organizado. Na verdade, foram os grandes traficantes do Rio de Janeiro que ocuparam o vácuo deixado no coração desses meninos, abandonados pelos pais antes mesmo de nascerem. Mais uma vez recorrendo a teses psicanalíticas, alguém tem que cortar o laço das crianças com a mãe. Na ausência do pai, quem estava emanando a figura da lei, do limite, da força, era o chefe da boca, que não à toa é chamado de patrão por esses meninos. Eles eram o último escudo protetor da sociedade. Talvez esteja aí a explicação para a chacina de estado promovida pelo governo Sérgio Cabral nas favelas cariocas, da qual todos somos cúmplices. Nosso povo nunca acreditou na recuperação dessas crianças.
No dia 6 de junho, o soldado PM Márcio Carvalho Pereira encerrou seu expediente no 3º BPM (Méier), onde estava havia dois meses, e deixou a unidade dirigindo seu carro, um Vectra. No batalhão, havia recebido uma ligação de sua ex-mulher, dizendo que precisava falar com ele. Marcaram encontro no Largo do Correia,em Campo Grande. O encontro jamais aconteceu. Seqüestrado na Estrada do Mato Alto, não teve a menor chance de se defender dos assassinos. Dois dias depois, seu carro foi encontrado, com um corpo no porta-malas. O fogo havia consumido quase tudo. Antes de servir no batalhão do Méier, Márcio foi caveira do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) por oito anos. A mãe de Márcio - cujo nome preservarei - mora em Belém do Pará. Viu muito pouco o filho nos últimos anos. Mas "pouco" é também uma expressão que não pode se aplicar ao seu sentimento de saudade. Esta, era insuportável. E vai continuar sendo. Por volta de 15h de segunda-feira, o irmão de Márcio recebeu a notícia que não queria receber: a de que um carro com a descrição exatamente como a do carro de seu irmão havia sido encontrado. No dia seguinte, esteve no Instituto Médico-Legal e, apesar do corpo estar muito destruído, fez o trágico reconhecimento. Telefonou para a mãe em Belém e deu a notícia terrível. Não havendo mais nada a fazer a não ser chorar em um enterro, a mãe do Caveira partiu para o Rio de Janeiro, em uma longa viagem de ônibus. Chegou na sexta-feira passada e mal se desfez da bagagem: foi direto com o filho que lhe restava para a delegacia que cuidava do caso, a 43ªDP (Barra de Guaratiba). Lá, viu o carro destruído. E uma visão horrenda: havia vestígios do corpo carbonizado do filho. No IML, disseram à mãe e ao irmão de Márcio que seria necessário esperar quatro meses por um exame de DNA, a fim de provar cientificamente que o corpo era do PM. para provar que era ele cientificamente. Segundo o irmão de Márcio, depois desta espera, outra de mais quatro meses até sair o resultado. A mãe do Caveira não verá o enterro. Terá de retomar sua vida na longínqua Belém, porque não sabe quanto tempo esperará. Afinal, não há prioridade para ela. O Estado não o distingue em meio à multidão. O caso não tem repercussão, é apenas mais um que morre. Aqui não cabe questionar se Márcio tinha algum problema de desvio de conduta ou envolvimento condenável. Estamos falando apenas de uma mãe. Esta mãe não verá o enterro. E o Caveira não verá país nenhum.
Recebi em meu correio particular a mensagem abaixo, enviada pelo inspetor Figueiredo, um policial civil que luta há anos por melhores condições de trabalho. Não pedi autorização para publicar (devido ao adiantado da hora), mas corro o risco por ser texto-desabafo emocionante e que nos induz à reflexão (objetivo maior da leitura). Trata-se de emoção diante da morte do policial civil Alberto Brunet Leite, da Delegacia de Atendimento ao Turista, morto na noite desta sexta-feira (dia 20 de junho) ao trocar tiros com bandidos próximo à Vila Olímpica da Mangueira. Ele estava indo para casa, no Grajaú, quando foi abordado pelos dois bandidos em um sinal de trânsito. A dupla queria roubar seu carro - um Corsa, carro popular - e ele reagiu. O delegado Fernando Veloso não conteve lágrimas e emoção. "Ele trabalhou o dia todo e eu até brinquei com ele um pouco antes. Falei que ele não deixaria trabalho para mais ninguém. Estamos perdendo um grande policial, principalmente, um homem com o coração bom" Também emocionado, o inspetor Figueiredo enviou a seu grupo de amigos a mensagem abaixo:
Brunet morreu da mesma forma que sempre viveu: combatendo o crime! Policial honesto, trabalhador, disciplinado, eficiente e digno, é mais um trabalhador que tomba no cumprimento do dever. Reagiu à injusta AGRESSÃO sofrida por parte de parasitas sociais que se escondem atrás de agremiações carnavalescas e comunidades suspeitas, "bancadas" por contraventores sob os "auspícios" de um estado venal. Fez o que foi treinado para fazer: lutou pela Justiça ofertando o máximo sacrifício, ou seja, sua própria vida, na defesa da sociedade. Porque onde muitos fogem amedrontados e acovardados ele respondeu com coragem, bravura e devotamento. Não fazia "paradinhas", não se corrompia, não aceitava nada menos que a verdade e pagou o preço de seu excelente caráter, forjado pelo trabalho árduo cotidiano. Outro herói policial que passa anonimamente à história em um país, um estado e um município que não honra os seus filhos mais ilustres, preferindo "condecorar" funkeiros, artistas e "bandidos" de moral duvidosa. Descanse em PAZ, Amigo! Nós o HONRAREMOS! Nós, policiais civis do estado do Rio de Janeiro lotados na DEAT, estávamos lá no hospital para abraçar e chorar com a FAMÍLIA de Brunet. Testemunhamos a DOR e a REVOLTA de seus familiares e vimos em seus olhos a mesma dor que sabemos ser possível a nossos próprios parentes. Em seu enterro serão as mesmas mãos calejadas que conduzirão o esquife. Sem holofotes, sem "coberturas" de imprensa, sem "protestos" de ONGs, sem manifestações de repúdio da OAB, sem o interesse dos jornais sensacionalistas que apenas se movem no chamado "interesse da democracia" em CAUSA PRÓPRIA. Estaremos lá, presentes, para que seus DOIS FILHOS, ESPOSA e FAMILIARES saibam que Brunet NÃO MORREU EM VÃO. Estaremos lá presentes, para que a sociedade não se esqueça daqueles que doam seu suor, sangue e a própria VIDA na defesa do Estado Democrático de Direito. Estaremos lá, presentes, com a união, força e honra que nos distingue. A DEAT está de luto! Seus Delegados, Inspetores, Oficiais de Cartório e Detetives choram a perda irreparável de um irmão! Inspetor Figueiredo - Força e Honra! "Nenhum indício melhor se pode ter a respeito de um homem do que a companhia que freqüenta: o que tem companheiros decentes e honestos adquire, merecidamente, bom nome, porque é impossível que não tenha alguma semelhança com eles."
Os coronéis, majores e capitães mal acreditavam no que viam. A turba furiosa jogava pedras nos militares da Polícia do Exército que guarneciam a sede do Comando Militar do Leste e quebravam os carros em frente à antiga sede do Ministério da Guerra. Não era possível, muitos certamente pensaram, que os comunistas fossem responsáveis por isto. Vamos interromper este relato aqui e retrocedermos um pouco. E aí vamos até Brasília , onde uma aliança político - eleitoral envolve o Exército em uma missão inédita com o prosaico nome de "Cimento Social". Mesmo contrariando um parecer oficial do Alto Comando, que o jornal O DIA publicou, que recomendava enfaticamente que seus integrantes não atuassem no Morro da Providência, prevaleceu a questão eleitoreira. E para lá foi o Exército. O Morro da providência é sede de um dos segmentos mais sanguinários e mais bem armados da facção criminosa Comando Vermelho - Rogerio Lemgruber ( CV-RL), comandado pelo traficante e assaltante de bancos conhecido pelo vulgo de "Sapinho", que se encontra preso atualmente na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Neste morro já se assassinou um famoso e respeitado líder comunitário, o "seu Manoel", que se recusou a transformar a associação de moradores em um braço do tráfico. Apareceu enforcado em casa como resultado de sua postura. Ali também vários heróis da PM já perderam a vida em combates com traficantes. E neste local, PMs também já envergonharam sua Corporação sendo filmados recebendo propina de traficantes. E, pasmem, tudo isso acontece a menos de 1 km da sede da Secretaria de Segurança. Vamos voltar porém, para a frente do Comando Militar do Leste . O sequestro ( prisão irregular é sequestro sim) dos três jovens da Providência e sua entrega para serem barbaramente torturados e depois mortos por traficantes de uma facção rival aos do morro no centro do Rio já havia feito com que a PM carioca ( tão achincalhada e denegrida, muitas vêzes injustamente) viesse em socorro do Exército e utilizasse mais de cem homens ( tão necessários em outras áreas da cidade) para controlar , ou tentar controlar, os tumultos na região. Incapaz de controlar a situação o Exército teve que pedir socorro a PM carioca. O mesmo acontecia naquela noitinha na porta do Comando Militar do Leste. Sem a PM o Exército estaria perdido. Mais perdido ainda. O Exército errou. Errou não por estar ali cumprindo ordens superiores, mas errou por utilizar nesse cumprimento da ordem homens da forças não profissionais, como os Fuzileiros Navais ( da Marinha), ou do Batalhão de Guardas, ou da Polícia do Exército ou até do Regimento Sampaio. O Exército, talvez por comodismo, e economia, resolveu usar homens do Batalhão de Infantaria Motorizada, que fica aos pés da Providência, totalmente despreparados para exercer qualquer função ou missão de cunho policial . O Exército errou. E para socorrer-se de seu erro, precisou chamar a PM.
Por Rodrigo Pimentel, roteirista de "Tropa de Elite"
Na cidade mafiosa, jornalistas são barbaramente torturados por integrantes de milícia no mesmo mês em que uma bomba é lançada contra uma delegacia de polícia em uma típica ação terrorista. Em ambos os crimes, as investigações chegam à Assembléia Legislativa. No primeiro caso, um dos acusados de comandar a sessão de espancamento, segundo a própria polícia, seria integrante do gabinete do vice -presidente da casa, no segundo caso o mandante seria um deputado do partido do atual prefeito. Na cidade mafiosa, a Polícia Civil, agora despolitizada, descobre que na casa onde 50% dos representantes respondem processos criminais que vão de homicídios até formação de quadrilha, se conectam os crimes praticados nas ruas. Nessa mesma cidade, quarenta deputados, agora jurisconsultos, contrariando parecer dos procuradores federais, alegando inconstitucionalidade da prisão, resolvem soltar o ex-chefe de polícia e colega deputado. Deputados, ingênuos ou mesmos coniventes, entendem que imunidade parlamentar não se aplica apenas a crimes de opinião, típica do mandato, mas à formação de quadrilha armada e ao enriquecimento ilícito.
De repente, em uma tarde comum na cidade mafiosa, um deputado do partido do governo vai ao plenário defender as milícias. Ora, afinal, é a mesma cidade em que concessões de linhas de ônibus municipais não são licitadas há 30 anos, facilitando o surgimento de transportes ilegais, principal fonte de renda das milícias. Na cidade mafiosa, ao olhos de todos, policiais militares em motocicletas abordam e extorquem motoristas com IPVA atrasado, após consultar as placas, não nos rádios da corporação mas em aparelhos Nextel. Na cidade mafiosa um grupo abnegado e corajoso de delegados, procuradores e jornalistas, tenta, timidamente há mais de seis anos, através de colunas, denúncias e pronunciamentos acordar seus companheiros para a grande organização criminosa que surge no Estado. Nessa cidade, a Polícia Federal prendeu mais policiais civis e militares que as corregedorias destas duas polícias juntas. É mesma cidade em que a Polícia Federal também prendeu seus integrantes e indiciou delegados e agentes. Nessa cidade, agora também, a Polícia Civil prende e indicia vereadores e deputados, algo até então inimaginável na cidade mafiosa. Os ingênuos deputados não acordaram que a premissa básica para existência do crime organizado é a simbiose com o poder estatal e isso já foi alcançado não pelo tráfico de drogas, mas pelos caças-níqueis, pelas milícias, pela vans piratas e pela máfia dos combustíveis, aliás em muito breve os deputados estarão votando também pela liberdade destes representantes. Na cidade mafiosa o secretário de Segurança Pública, o primeiro nos últimos dez anos com credibilidade necessária para estar à frente da função, continua insistindo nas ações de enfrentamento para desestabilizar o tráfico e apreender armas. Cada vez mais mortes nas favelas não traduzem tranqüilidade ou paz, nem para moradores de favela, nem aos moradores do asfalto. Em breve perceberá o secretario de Segurança Pública, que na cidade mafiosa as ações nas casas legislativas são mais urgentes, eficazes e necessárias que as operações nas favelas.
A Alerj aprovou nesta quarta-feira - com dez emendas - o Projeto 1359, que cria o trabalho temporário para policiais e bombeiros militares inativos. Os PMs e bombeiros da reserva remunerada e os reformados, que prestarem tarefa por tempo certo receberão um adicional, que, segundo emenda aprovada pela Casa, não poderá ser inferior ao menor piso salarial estabelecido pela tabela do Estado A adesão ao trabalho temporário será voluntária e só pode ser oferecida a policiais e bombeiros que não estejam respondendo a ações penais. Segundo o texto, será delegada aos comandantes gerais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do estado a competência para regulamentar, no âmbito de suas corporações, a prestação de tarefa por tempo certo e sua prorrogação, assim como a nomeação e a exoneração dos respectivos militares estaduais, de acordo com a disponibilidade orçamentária. É mais um orçamento a ser controlado pela PMERJ: o dos inativos prestando serviços dentro dos batalhões. ***** E eu nunca pensei que veria essa cena: a Alerj vota nesta quinta-feira, dia 19 de junho, um projeto inusitado: proíbe o governo do Estado de classificar os detentos mediante as facções criminosas. Depois do Executivo, é o Legislativo que passa a reconhecer como organizações consolidadas o Comando Vermelho, o Terceiro Comando, os Amigos dos Amigos e o Terceiro Comando Puro. O projeto é do deputado Paulo Ramos (PDT), e determina que o qualificação de detentos para divisão nas celas obedeça rigorosamente à Lei de Execuções Penais, segundo a qual os presidiários somente podem ser classificados segundo seus antecedentes e personalidade. A intenção é boa. Mas a realidade me parece ser outra. Misturar Bangu 1, 2 e 3 cheira a pólvora e sangue. A conferir.
***** O deputado Wagner Montes (PDT) atuou nos bastidores e o anúncio deve sair semana que vem: até o fim deste ano, policiais de todos os batalhões da Capital vão passar a usar o cartão RioCard para andar de ônibus. Na semana que vem será anunciado pela Secretaria de Segurança mais um pacote de batalhões a receberem o benefício. O importante agora é que o cartão seja recarregado em dia para que o benefício não se desmoralize.
Por João Batista Damasceno, cientista político da UFF, juiz de direito do TJ/RJ e Conselheiro da Associação Juizes para a Democracia
Os filmes americanos com julgamentos começam com o pregrão do nome das partes: O povo versus fulano. No realismo brasileiro não é o povo que se opõe ao réu. Mas, o Estado, por seus estamentos armados, ao povo. A morte dos jovens David Wilson da Silva, de 24 anos, Marcos Paulo Campos, de 17 anos, e Wellington Gonzaga da Costa, de 19 nos leva à reflexão se estamos diante de um crime cometido por um grupo de maus agentes públicos ou se diante de uma ação deliberada do Estado Policial, em franca ascensão. O morro da Providência e o Exército Brasileiro tem uma história que já dura 111 anos. Foi para lá que rumaram em 1897 os ex-combatentes do Massacre de Canudos, onde o Exército exterminou a população de miseráveis fanáticos seguidores de Antônio Conselheiro.
Guerra de Canudos: história e origens da favela
De um pequeno morro em Canudos, chamado Favela, em decorrência de uma pequena fava que nele crescia, foram trazidas sementes daquela leguminosa que foram plantadas no Morro da Providência, então situado no coração do que se denominava Pequena África, formada pelos bairros de Santo Cristo, Gamboa, Santa Rita, Candelária, Saúde, Praça Onze e Estácio. Do plantio da pequena fava nasceu o nome favela. A agricultura não foi próspera, mas as favelas se multiplicaram pela cidade. Favelados e privados dos mais elementares direitos, os jovens da Providência ficaram, na Pequena África, por quatro horas nas mãos dos militares e, ao final, foram assassinados. A abordagem sem fundada suspeita já denotaria abuso de autoridade. Fundada, é a expressão contida na lei. Não bastaria a suspeita. A liberação após quatro horas igualmente denotaria crime de abuso de autoridade. Sem fundamento que justificasse a detenção, porque o cerceamento do direito de ir e vir, ainda que por pouco tempo? Mas, além do cerceamento indevido da liberdade os jovens foram, tal como inimigos sem direito às garantias do Tratado de Genebra, que regula as guerras, entregues ao grupo rival de traficantes. Seus corpos foram encontrados no domingo, dia 15, em um lixão em Caxias, na Baixada Fluminense. Os lixões, as favelas e abandonados bairros periféricos são os lugares para onde o Estado remete os pobres. Na divisão espacial da cidade no início do século XX isto estava programado. Mas, não podemos culpar apenas o tenente, os sargentos o os soldados. Eles fizeram aquilo que aprenderam a fazer. Estão em guerra. Em guerra contra a sociedade. A responsabilidade penal lhes cabe. Mas, a responsabilidade política é daqueles que os treinaram, bem como daqueles que sustentam as políticas de enfrentamento com o povo, dentre eles, o oficialato superior das forças armadas, o ministro da defesa e o próprio presidente da república. O confronto do Estado com a sociedade civil, notadamente por expressão de seu aparato militar, rumou numa escalada desde a auto-prorrogação do mandato pelo marechal Castelo Branco, apoiado pela linha dura do exército. Seguiu a proibição de manifestações da Frente Ampla em abril de 1968, no governo de Costa e Silva, que culminou com inúmeros eventos naquele ano, dentre as quais várias prisões e mortes de jovens como o David, o Marcos e o Wellington. Mas, o marco desta ruptura do Estado com a sociedade foi a edição do AI-5, em 13/12/1968, o fechamento do Congresso Nacional, mais uma vez, e a intervenção no próprio Supremo Tribunal Federal, com a cassação de três dos seus mais notáveis ministros, quais sejam: Victor Nunes Leal, Hermes Lima e Evandro Lins e Silva. Seguiu-se a edição de mais seis atos institucionais (do AI-5 ao AI-11) até que, oito meses depois da edição do primeiro, o presidente Costa e Silva , fosse acometido de uma trombose, ensejando mais uma ruptura com a legalidade através da edição do AI-12, pelos ministros militares, instituindo uma junta militar governativa, composta pelos próprios, que assumiam o poder no lugar do vice-presidente Pedro Aleixo. Seguiram-se seis atos institucionais editados pela Junta Militar (do AI-12 ao AI-17). O povo não foi chamado a escolher o sucessor da Junta Militar Governativa, que Ulisses Guimarães nominou de três patetas. A Junta anunciou que o general Emílio Garratazu Médici, havia sido indicado para a sucessão e editou o AI-16 declarando vagos os cargos de presidente e vice-presidente da República. O Congresso Nacional, sob o poder das armas, tal como os jovens do Morro da Providência, foi convocado para eleger o candidato indicado em sessão pública e por votação nominal. Editou-se ainda o AI-17, autorizando a própria Junta Militar a colocar na reserva os militares que "tivessem atentado ou viessem a atentar, comprovadamente, contra a coesão das forças armadas". Tratava-se de uma forma encontrada para conter a oposição militar à indicação de Médici. Médici iniciou seu discurso de posse enfatizando que não assumia a presidência por mandato da sociedade civil e disse: "Recebo a indicação do meu nome para a Presidência da República, consciente da responsabildiade excepcional dessa missão que me foi imposta pelo consenso das Forças Armadas..." Esta radicalidade autoritária, notadamente durante o mandado do presidente indicado pela Junta Militar, opôs ao Estado não só a sociedade civil, mas igualmente os membros moderados do próprio estamento burocrático-militar e possibilitou que da articulação destes, tal como proposto pela Frente Ampla, surgisse a possibilidade da abertura política. Mas, ainda assim a linha dura manteve a sua atuação, atentando contra a vida dos brasileiros. A abertura política, num processo lento, gradual e seguro para os seqüestradores do poder não implicou em punição para os crimes de terrorismo de Estado praticados após a lei da anistia, como as bombas colocadas em bancas que vendiam jornais contrários ao regime, na OAB, nos órgãos legislativos, em igrejas e até em shows de estudantes, como foi o caso da Bomba do Riocentro. A cumplicidade do Exército com aqueles atos foi tal que até promovia os autores dos atentados, como relatou o Almirante de Esquadra e Ministro do Superior Tribunal Militar Júlio de Sá Bierrenbach. Desta cumplicidade com os atentados, da recusa em entregar os corpos dos desaparecidos, da negativa de fornecer informações aos familiares das vítimas do regime militar e da crença na impunidade resulta a formação do tenente, dos sargentos e dos soldados destacados para o combate do mal. Se não dos próprios, daqueles que lhes adestraram. Mas, a concepção maniqueísta de combate ao mal não se faz apenas com o aparato repressivo do Estado. A ele se alia um bispo, da igreja fundada por seu tio, que progrediu prometendo milagre em troca de recompensa e satanizando as demais religiões, seus ícones e suas crenças. Se o mal é o outro ele tem que ser exterminado, assim pensam, numa violação aos princípios do respeito, da tolerância e da pluralidade. Combater o mal é a lógica das perversões armadas e religiosas, usadas para converter ou exterminar aqueles considerados irrecuperáveis ou indesejados. A idéia de emprego das forças armadas para combate de crime, tal como se fosse um mal a ser eliminado, carece do mais elementar fundamentação teórica. É claro que o fim da guerra fria, com a queda do Muro de Berlim e da União Soviética, e a inexistência de possibilidade de conflito externo nos leva à necessidade de refletir sobre o papel a ser desempenhado pelas forças armadas. Talvez devêssemos discutir se os recursos gastos no orçamento militar não poderiam ser empregados em efetivo benefício da sociedade como a erradicação do analfabetismo, o saneamento básico, que é a maior causa de mortalidade infantil no Brasil, a assistência hospitalar e o custeio das aposentadorias aos contribuintes da previdência social. É elementar que saneamento básico e combate ao crime não são missões para as forças armadas. Diz a Constituição que "As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem." A garantia da lei e da ordem, diante de uma guerra civil, demanda iniciativa dos poderes da república. Segundo Clausewitz Guerra é um ato de violência cujo objetivo é forçar o adversário a executar a sua vontade, estabelecendo dominação. A guerra tem por características o aspecto político e a finalidade. Diversamente Crime é uma conduta desviante do padrão social no qual o indivíduo está inserido. O Crime por característica ser interno ao grupo social. Crime é comum a toda sociedade. A guerra acaba quando o inimigo é vencido. Guerra termina com dominação do inimigo ou atingimento do objetivo. Crime não permite. Guerra é externa ao grupo social. Crime permeia todas as relações sociais. Daí ser uma irresponsabilidade destacar agentes preparados para a guerra para o combate ao crime e dizer-se depois que atos anômalos serão apurados com rigor e os autores repreendidos. A questão não está na capacidade do Exército de apurar ocorrências supostamente anômalas no seu funcionamento, pois esta já é conhecida de toda a sociedade, desde o episódio do Deputado Rubens Paiva até a Bomba do RioCentro.
Bomba no RioCentro, em 1981
Mas, para situar o andar dos acontecimentos façamos uma análise das declarações das autoridades envolvidas no evento: Num primeiro momento o Comando Militar do Leste informou que os rapazes tinham sido detidos porque teriam desacatado os soldados, mas afirmou que o comandante da tropa determinou que os três fossem liberados depois de ouvidos. Felizmente a ação da imprensa livre e do delegado Ricardo Dominguez disposto e em condições de investigação mostrou que não foram liberados. Diante dos fatos o Ministro Nelson Jobim afirmou que a ação dos militares deveria ser "repreendida de forma exemplar". Estamos diante de um tríplice homicídio e o Ministro sugere repreensão, tal como se apenas estivéssemos diante de uma simples transgressão disciplinar. Isto denota que o atentado à vida do povo é mera transgressão para os detentores do poder. Os familiares e amigos das vítimas não foram recebidos pelo Comando Militar, embora a ele tivessem acorrido. Ao contrário, foram dispersos com bombas de efeito moral e com a intimidação de armas, coturnos, cassetetes e escudos. Seguiram-se os pedidos de desculpas, do Comandante do Batalhão e do próprio Ministro. Mas, o Exército em nota informou que a operação no Morro da Providência não tem como objetivo segurança pública e, por isso, não necessitaria de determinação da presidência da república ou do Congresso Nacional. Em outras palavras, o Presidente da República não manda nas forças armadas. E isto ficou claro no episódio da demarcação da Reserva da Raposa da Serra do Sol e da colocação de placa comemorativa dos 44 anos do Golpe Militar em 31 de março passado, no saguão do Comando Militar do Leste, quando o presidente estava na cidade. A nota do Exército diz que "É importante destacar que a participação do Exército no empreendimento no Morro da Providência não é uma operação em prol da segurança pública, a qual necessita de determinação da Presidência da República e de aprovação no Congresso Nacional. O Exército, naquela comunidade, participa de uma ação subsidiária. As ações subsidiárias estão entre as missões constitucionais atribuídas ao Exército Brasileiro, definindo sua cooperação com a nação". Mais uma vez o Exército se arvora moderador das relações sociais, sem regular convocação dos poderes da república. A nota diz ainda que a ação é fruto de um acordo entre o Ministério das Cidades e o Ministério da Defesa e tem por objetivo a revitalização de moradias populares e que repudia qualquer desvio de conduta de seus integrantes. Não há desvio. O prédio em construção projetado para ter 30 andares, mas programado para cair quando lhe for colocada a vigésima laje, quando cai não é um acidente. É o cumprimento da sua programação. Militares que colocados para mediação de relações sociais e que acabam por abusar dos direitos das pessoas humanas, aqui ou no Haiti ou na Reserva da Raposa da Serra do Sol, não estão desviando de seus treinamentos. Militares são treinados para combater o inimigo e destruí-lo, o lugar dele não é o de mediação de relações sociais em conflito. Quem ocupa o trono tem culpa. Diz o Código Penal que quem de qualquer modo concorre para o crime incide nas penas a ele cominadas. Seja o transportador da vítima, seja o autor do disparo fatal. Se responsabilidade penal cabe àqueles que concorreram para o crime, a responsabilidade política é daqueles que treinam os algozes do povo, acobertam-lhes com desculpas prontamente desmascaradas, tentam manipular os familiares das vítimas com pedidos de desculpas, sem assunção de responsabilidade, bem com daqueles que ouvindo as instituições de Vivas aos Ricos não se dispõem à imediata suspensão de ações militares em bairros pobres e dentre eles se situam o ministro da defesa e o próprio presidente da república, de quem se espera mais que uma simples "indignação". Um bom lugar para os militares é dentro do quartel, disse o Ministro do STF Ribeiro da Costa em 1965.
O emprego de militares das Forças Armadas, no campo da segurança pública, só se justifica para por fim à grave perturbação da ordem pública, conforme previsto no texto constitucional, com a decretação, pelo Presidente da República, da intervenção federal sobre a autonomia do estado-membro, ou no caso previsto na Lei Complementar 097/99, após esgotados, pelo estado, todos os instrumentos destinados à preservação da ordem pública . Neste caso terá que existir pedido formal emanado do chefe do poder executivo estadual, situação em que a lei estabelece que o controle das operações, para garantia da lei e da ordem, será transferido então para a força federal. Em se tratando, obviamente, de operações em terra o comando das medidas preventivas e repressivas caberá ao Exército. Isso significa dizer que o aparelho de segurança do estado passa então a subordinar-se ao comando militar da área. Numa situação de quadro ainda mais grave, de iminente estabilidade institucional, a Constituição Federal prevê, como salvaguardas, o estado de defesa e até mesmo a decretação do estado de sítio. No estado defesa, caso previsto no artigo 136 da Constituição, decretado no prazo máximo de 30 dias, prorrogável por uma só vez, deve o Presidente da República submeter o ato, dentro de 24 horas, ao Congresso Nacional que decidirá pela sua aprovação ou não. Observa-se então que a atuação Forças Armadas no campo da segurança república é mais delicada do que possa imaginar, sendo estas destinadas constitucionalmente `a defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. O que ocorreu, por exemplo, no final de 1994 e inicio de 95, no desencadeamento da chamada Operação Rio, onde as forças federais atuaram operativamente no asfalto e em morros e favelas, com subordinação das forças de segurança do estado ao Exército, não foi ato objeto de legítima intervenção federal, mas pura iniciativa da União, tendo sido chamada aquela intervenção branca pelos estudiosos na época de "ingerência consentida". Há que se ter em mente então que sem o necessário respaldo jurídico constitui risco iminente qualquer atuação de integrantes das Forças Armadas na segurança pública, devendo ser ressaltado, por exemplo, que o superior hierárquico não poderá determinar ao subordinado que elimine o "inimigo", com numa situação de guerra, pois também responderá pela autoria do crime. No campo da segurança pública a responsabilidade é individual, Cada um responde por sua ação ou omissão. Detalhe: até hoje alguns militares respondem judicialmente por atos praticados durante intervenções realizadas na área de segurança pública no Rio de Janeiro tempos atrás. No caso atual do Morro da Providência, no Rio, a atuação do Exército se prende, pura e simplesmente, às missões (inusitadas) de guarda e proteção de bens e serviços ora executados pelo governo federal na construção de casas e reurbanização daquela localidade, situação esta, em sendo a área sujeita a permanente tensão pela ação de narcotraficantes, que evidentemente coloca em risco a atuação de militares na missão extra- muros. Precisam estar bem instruídos para a difícil e complexa missão. Ainda que a cautela recomende aguardar primeiramente toda a apuração dos fatos, o recente episódio que envolve a morte de três jovens residentes naquela localidade, em ocorrência com a intervenção e participação de militares, com entrega dos jovens a um grupo de traficantes rivais de outra favela, demonstra, inequivocamente, a complexidade da atuação em tais áreas, convindo lembrar que a grande maioria do contingente de recrutas do Exército é oriunda hoje dos próprios morros e favelas onde de constata, obviamente, a convivência diária desses jovens com o tráfico. É bom que fique claro, muito embora ainda imaginem alguns estrategistas, que o Rio não é a Colômbia nem tampouco o Haiti. Nem sempre as mesmas soluções aqui se aplicam. O teatro de operações aqui é outro. A criminalidade do Rio é atípica, portanto caso de difícil e complexa solução. É necessário estar preparado técnica e psicologicamente para atuar de forma equilibrada para intervir em locais de difícil acesso, em morros e favelas, em presença de civis, respeitando os limites da lei e da legítima defesa, num quadro de legalidade ordinária, dentro de um estado democrático de direito. Que sejam alertados portando os bravos e destemidos soldados de Caxias!
Por Julio Ludemir, escritor, autor de O bandido da chacrete, Lembrancinha do Adeus e Sorria, você está na Rocinha
Li em um dos grandes jornais cariocas que a fachada das casas da Mineira está sendo pintada de verde, em uma operação comandada pela associação de moradores em parceria com os comerciantes do morro. Essa mesma matéria faz uma breve referência a uma operação semelhante em Parada de Lucas, cujas casas tiveram as fachadas igualmente pintadas de verde. Não sei por ingenuidade do repórter, mas a matéria sequer suspeitou de uma ingerência do tráfico de drogas nessa pintura das fachadas de um trecho da Mineira. Faz anos que não vou à Mineira e por isso me sinto pouco confortável ao lembrar que historicamente a associação de moradores daquele morro tem estreitas ligações com os bandidos - o filho da presidente que conheci era vapor da boca. É verdade que desde a minha última ida à Mineira houve uma guerra no morro, que resultou na mudança de facção. Apesar disso, acho que vale a pena lembrar os motivos que culminaram com a pintura das fachadas de Parada de Lucas, então controlada pelo traficante Robertinho de Lucas. Como registrou o antropólogo Marcos Alvito no livro As cores de Acari, o traficante determinou a pintura das fachadas para dificultar a ação dos informantes da polícia. Como as casas de uma favela são muito parecidas, uma das poucas formas de diferenciá-las é pela cor de suas fachadas. Um detalhe final que, além de dar um sabor todo especial a esta história, conspira contra a pintura das fachadas da Mineira: o verde se tornou a cor do Terceiro Comando desde o episódio de Parada de Lucas. A Mineira não é controlada pelo Terceiro Comando, mas pelo ADA. Vale lembrar, no entanto, que historicamente a parte de cima do Complexo do São Carlos era controlada pelo Terceiro Comando. Quando Gangan migrou para o ADA, devido aos problemas com Adilson Balbino, seu sogro e um dos nomes históricos do Terceiro Comando, as duas facções haviam feito uma aliança para combater o Comando Vermelho, o inimigo comum. Não posso afirmar, mas é possível que o ADA tenha herdado não apenas os morros do Terceiro Comando, mas também a sua cor.
E lá vamos nós deixando para trás aquelas obscuras cidadezinhas paraguaia e brasileira onde nasce, cresce e se distribui maconha às toneladas.
Chegando aos grandes centros, principalmente em SP e no RJ as cargas da maconha são assim distribuídas. A que vem em caminhões segue para galpões de empresas transportadoras " de fachada" , onde a carga que disfarça a droga é descarregada e a maconha retirada e levada às "bocas de fumo" já designadas. A maconha que vem sob a lataria dos carros de passeio já segue para oficinas próximas ou mesmo dentro das favelas e o carro é desmontado para a droga ser retirada. As famílias dos plantadores mandam seus emissários para acompanharem de longe a entrega da maconha e após a entrega recebem o pagamento e também pagam ao transportador.
Quem são os transportadores? Em geral, ou caminhoneiros ligados aos plantadores ou policiais da reserva, em geral da PM do MS, do RJ ou de SP, além de conhecidos das famílias plantadoras, que tenham em média cerca de 40 a 50 anos de idade, boa aparência, sem tatuagens e que falem sem gírias para que não se desperte suspeita. Há transportadores que chegam a fazer, principalmente nos carros de passeio, uma viagem por semana, que lhes rende um total de cerca de R$12 mil mês. A maconha, depois de distribuída entre as "bocas" que " se consorciaram" para a compra, chega então às mãos dos "endoladores", que são os que , como "funcionários" da "boca", estão responsáveis por desfazer os tabletes, pois a maconha que vem do Paraguai é toda ela prensada, e picotar com grandes tesouras toda a droga, que vai ser embalada em "trouxinhas" que vão ser postas à venda por valores que podem variar, no varejo, entre R$1 e R$ 70, dependendo da quantidade de maconha em cada embalagem. E mais. Ainda ganham, em muitas "bocas", etiquetas com os preços de cada "trouxinha" e uma designação, um adjetivo, que exalte de alguma forma a "qualidade" da droga. Finalmente esta maconha vai para as mãos dos "vapores" encarregados de vendê-la aos usuários e auferirem um lucro ínfimo ( perante o que ganha a "boca") que em geral beira a quantia de R$ 20 por cada "carga" ( em torno de cinqüenta "trouxinhas").
Aí a maconha começa a ganhar as ruas da cidade... . Usuários (dependentes ou não), que pensam em diminuir suas despesas de consumo de maconha e poderem também, de forma ilusória, ganhar dinheiro com a droga, pegam aquelas trouxinhas e revendem parte delas, ou elas completas, para outros usuários que têm medo de subir os morros e enfrentar a polícia e os traficantes por preços que podem chegar até três vezes o valor inicial da maconha comprada nos morros. Como pudemos observar por esse rápido passeio pelo trajeto da maconha aquele aparentemente inocente "baseado" nas mãos dos jovens tem um caminho complexo, muitas vezes lavado com sangue, e atapetado com muito dinheiro, que também alimenta a corrupção. Hoje o Rio e São Paulo são quase em sua totalidade abastecidos com a maconha da região do chamado "quadrado verde", que compõe as cidades de Capitán Bado, no Paraguai, e Cel. Sapucaia, no MS. A maconha do Nordeste abastece apenas pequenos traficantes do Sudeste, pois a quase totalidade de sua produção abastece os estados nordestinos. Esperamos ter conseguido dar a vocês uma visão mais ampla da maconha e sua trajetória aos grandes centros.
É mais que evidente que a história dos três jovens mortos no Morro da Providência está repleta de pontos obscuros. Por e-mail, recebi informação anônima de que os soldados do Exército na verdade teriam encaminhado os três jovens a policiais militares e que estes é que teriam feito a transação comercial com o tráfico na favela rival. No entanto, causa espécie o dilema: está na cara que os jovens não eram traficantes - e a determinação da mãe de um deles é comovente e muito coerente - "Vão ter que provar". O dilema consiste no estranho que seria o tráfico de uma favela matar qualquer morador de outra, morador que não é integrante de quadrilha. Tal evento só ocorre em caso de invasão de uma favela por outra. Outro ponto de interrogação é, como já foi bem propagado até mesmo pelo secretário Beltrame, a razão da presença dos militares no Morro da Providência. Ora, o que há de constitucional nisso? A Carta Magna deixa claro que a União não compete com os Estados em atribuições exclusivas destes últimos (caso da Segurança Pública). Salvo, claro, em caso de intervenção federal. Neste caso, prega a Constituição que o Estado passa temporariamente à gestão da União via FFAA. A presença do Exército, e não da Polícia Militar Estadual, há meses no Morro da Providência, causa estranhamento. E deixa a pergunta: de quem seria a responsabilidade final? Do Estado? Da União? É este questionamento que sobra, quando decisões políticas são tomadas e algo dá errado.
A cantora Madonna já está tirando o sono dos moradores de Copacabana. Com o Brasil incluído em sua atual turnê, Madonna tem já uma data reservada para o Maracanã e, pelo que apuraram alguns dos moradores do bairro, pode se apresentar em Copacabana, reunindo um milhão de pessoas e afetando a vida de outro milhão. Ou outros milhões. O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães - que escreve aqui no Blog da Segurança de O DIA - confirma que o assunto será discutido na reunião do Conselho Comunitário de Segurança que acontece terça-feira, dia 17, no Clube Israelita Brasileiro. Horácio - também vice-presidente do Conselho Comunitário - argumenta que há informações sobre um possível show da cantora circulando por agências de viagem que trabalham com o Destino Rio de Janeiro. Do lado da prefeitura, o subsecretário de Turismo Paulo Bastos não confirma e nem desmente. Apenas informa: - A prefeitura tem uma meta de fazer eventos desta magnitude mas que envolvam a menor quantidade possível de dinheiro público. Estamos na época de negociações de shows, os artistas do hemisfério Norte abrem sua agenda agora para dezembro e janeiro, meses mais difíceis nos países deles. Só que agora, em vez de a prefeitura do Rio escolher o artista, o artista é que apresenta a proposta e nós a discutimos. Quanto mais a produtora bancar, mais chance tem de conseguir o direito de fazer o show - diz Paulo Bastos, acrescentando, com bom-humor: - Pode-se dizer que a Prefeitura do Rio não sonha com o show da Madonna. A Madonna é que deve sonhar com um show em Copacabana. Bastos cita itens da organização como alimentação de artistas, limpeza, segurança e instalação de banheiros químicos como despesas que devem ser assumidas pela iniciativa privada. Na Alerj, o deputado Flávio Bolsonaro (PP) ataca a questão do uso de PMs para a Segurança. Esta semana, o parlamentar recebeu da PMERJ o relatório solicitado em abril sobre os PMs usados no show da cantora Cláudia Leitte, do Babado Novo, em 17 de fevereiro. Para um bairro que praticamente acabou com o policiamento a pé - o velho Cosme e Damião - Copacabana viveu um domingo de sonho em termos de Segurança Pública: havia 39 pontos de policiamento a pé, usando neste quesito 156 policiais militares de diversos batalhões. Inclusive de Grupamentos de Policiamento em Áreas Especiais, e, pior ainda, o GPAE do Morro do Cantagalo. Grande parte dos policiais estava de folga e voltaria em menos tempo ao seu trabalho diário. No relatório da PM, um oficial superior ressalta que no mesmo dia havia decisão entre Flamengo x Vasco no Maracanã e um evento evangélico na Praia de Botafogo. Resta entender o porquê então de ter sido dado o "Nada a opor" para o show - dado, aliás, pela própria PM. Tal decisão de permitir o show de Cláudia Leitte acabou contribuindo para tumultos na Praça do Lido e a morte de um jovem que viajou no teto de um ônibus - ele não teria prosseguido na sua estupidez se os PMs não estivessem empenhados em diversas ocorrências no Lido. A decisão está com o poder público: permitir o show da Madonna? Pode ser. Mas desde que com planejamento e seriedade.
A Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj finalmente conseguiu quorum e aprovou no fim da tarde desta quinta-feira (12 de junho) o requerimento que convocará ao plenário da Assembléia Legislativa o comandante do 19ºBPM (Copacabana), tenente-coronel Édson de Almeida, e o então comandante do CPAE, coronel Monteiro de Castro. Os dois devem passar por uma sabatina intensa, na qual deverão fornecer números como viaturas utilizadas por dia, efetivo, e, last but not least, munição recebida e munição utilizada. O requerimento que convoca os dois é do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP) e foi plenamente aprovado pelo presidente da comissão, deputado Wagner Montes (PDT). O caderno especial de O DIA sobre o tráfico no Chapéu Mangueira e sua convivência com moradores do Leme levou a comissão a investigar o caso. Hoje, apartamentos de quatro quartos, com suites, vista para a praia, sofrem desvalorização de mais de 200% até no preço do aluguel - o corretor leva o cliente ao quarto das crianças e dá de cara com barracos. E homens com fuzis.
A PM já apreendeu, da tarde de quarta-feira até a noite desta quinta-feira, nada menos do que 1.160 máquinas de caça-níqueis em diversos pontos do Estado do Rio. O objetivo da operação, segundo disse na noite desta quinta-feira o coronel Paulo César Lopes (comandante do 2ºCPA), é desestabilizar financeiramente uma das principais fontes de renda das milícias, que é o faturamento das maquininhas. Fontes da PM muito seguras garantem que as operações devem se estender em breve para o transporte alternativo, outra fonte de renda das milícias.
Quando alguém vê um "inocente" "baseado" ( cigarro de maconha|) nas mãos dos jovens em eventos musicais ou em lugares públicos certamente não faz a menor idéia do tremendo aparato que é montado para que aquela maconha chegue às mãos dos usuários e os caminhos por ela percorridos. Tudo começa lá na fronteira do Paraguai com o Brasil, mais especificamente em torno das cidades de Capitán Bado ( Paraguai) e Coronel Sapucaia ( MS- Brasil) . Ali se concentram os maiores plantadores da maconha que abastecem o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do país. Coronel Sapucaiai é uma cidadezinha de 15 mil habitantes onde uma morte "encomendada" pode sair por até R$ 100, dependendo do "status" da vítima. Não é à toa que esta cidade também é a que tem o mais alto índice percentual de morte violenta de adolescentes. Lá em Cel. Sapucaia vivem os plantadores e suas famílias, "lavando" o dinheiro da venda da maconha que eles plantam nas terras paraguaias. Meia dúzia de famílias dominam o tráfico a ferro e fogo e o traficante Fernandinho Beira Mar era sempre visto, quando solto, circulando pela cidade com seus seguranças a bordo de vistosas camionetes importadas. Em Coronel Sapucaia foi morta, por desavença na questão da comercialização da maconha, todos os integrantes, oito, da família Morel, que abastecia Beira Mar. Lá em Cel. Sapucaia o quilo da maconha pode chegar a custar entre R$10 a R$15 reais ( nos grandes centros hoje ele está cotado entre R$700 e R$ 1 mil), mas a maior dificuldade é atravessar as estradas repletas de barreiras da PM, da Polícia Civil e das Polícias Federais para que esta maconha chegue às grandes cidades onde ficam os mercados consumidores. Este fator é primordial na elevação do preço da maconha nos grandes centros. Há que se camuflar a droga entre cargas nos caminhões ou sob a lataria de veículos de passeio, dependendo da quantidade, e cada motorista de um caminhão ou de um carro leve recebe cerca de R$ 3 mil para fazer este transporte ao chegar são e salvo com sua carga ao destino. Os que comandam o "varejão da maconha". No meio desta maconha vem , como se fosse para complementar o lucro, quantidades de armas , munições, crack e cocaína. Em São Paulo há vários membros de uma conhecida família sapucaiense sendo processados por remeterem toneladas de maconha para SP, para abastecer o PCC e o CV-RL. A maconha requer poucos cuidados na sua plantação e colheita, em geral são usados "bóias-frias" paraguaios para a colheita e cuidado com a "roça" , que têm como paga uma parte da colheita. Ou seja, custo muito baixo de produção. Os plantadores se denunciam uns aos outros para as polícias, a fim de que seja prejudicada sua venda e o denunciador possa ser o fornecedor da vez. Na cidade à noite motos circulam com homens armados espionando as saídas de cargas para SP e RJ.
Na próxima postagem: como a droga é distribuída nos grandes centros para traficantes que vão levá-la aos "varejões" das "bocas de fumo
A CPI do Sistema Carcerário, presidida pelo deputado Neucimar Fraga (PR-ES), pode dar um passo importantíssimo para acabar com uma das despesas mais ineptas que existem: o custo da movimentação física de detentos para audiências na Justiça. Nesta quarta-feira, o presidente da CPI e mais o relator, deputado Domingos Dutra (PT-MA), e a deputada Jusmari Oliveira (PR-BA), também integrante da CPI, levaram ao presidente do Supremo Tribunal Federal uma fita de vídeo com problemas nos principais sistemas carcerários do país - inclusive o do Rio. O ministro Gilmar Mendes viu imagens estarrecedoras. E deu um depoimento para o vídeo final da CPI. No fim, o deputado Neucimar Fraga abriu o importantíssimo debate: conversou com o ministro Gilmar Mendes sobre a urgência o Supremo rever sua posição sobre o uso das videoconferências em interrogatórios de presos. Segundo o deputado, Mendes disse que o STF não é contra esse método, e sim contra a sua aplicação sem amparo de uma lei federal. O passo é gigantesco, e pode acabar de vez com manchetes como "Ida de Beira-Mar custa R$ 35 mil aos cofres públicos", e coisas do gênero. E, claro, muitas vezes as idas de presos acabam em desastres como o que aconteceu na Ilha do Governador em 2004. Vamos torcer pelo sucesso da CPI.
Por Pedro Paulo Lourival Carriello, Defensor Público titular do II Tribunal do Júri da Capital-RJ
Todos nós conhecemos o dito popular que denomina nosso artigo, e o mais importante, sabemos perfeitamente o seu sentido. Matéria do O Dia - jornalistas são torturados por milícias! Matéria do Jornal O Globo - Tim Lopes é morto por traficantes! Fatos tão marcantes, fatos tão distantes, mecanismo idêntico de "calar"! Tortura, homicídio, ou seja, violência como forma de argumentação e ação afirmativa junto à comunidade para fazer valer sua autoridade. Se a cidade já estava partida entre a suposta força do "bem" e outra do "mal", agora a confusão é total, pois a desmistificação da prática miliciana permite enxergarmos que tal dicotomia era falsa. Não podemos nem legitimar a milícia com a suposta idéia do ruim com ela, pior sem. Não se engane, vale o dito: é trocar seis por meia dúzia! Na verdade, daquele ato bárbaro de tortura sofrido pelos jornalistas do O Dia, fica ao menos a certeza que todos, milicianos e traficantes, se igualam em seus atos e propósitos. Ambos exercem um controle social, elegendo "inimigos", estabelecendo regras de conduta, em alguns momentos fornecendo serviços a um custo demasiadamente alto. Tal constatação é uma boa premissa, porém não basta à identificação dos grupos, tem algo de importante, não sendo irrelevante a tentativa da ALERJ na criação de uma CPI, entretanto se espera mais, se quer mais. Podemos dizer: pede-se mais. Necessita-se que todas as instituições estatais, poderes públicos, associações de classe e de moradores - sociedade civil, participe dessa busca de soluções para a questão da violência, especialmente aquele que toca ao povo do asfalto, massacrando a dignidade daqueles que residem no morro e nas periferias. Tenho algumas certezas, por exemplo: (1) mudança legislativa penal processual de maior reprovação; (2) aumento de pena; (3) incriminação de novas condutas; (4) diminuição de mecanismos de defesa; (5) proibição de concessão de liberdade - em nada tem diminuído a violência e a existência de delitos. Reafirmo: em nada! Podemos até dizer que temos uma espécie de inflação legislativa punitiva nas últimas décadas, porém sem o resultado pretendido. A violência só aumenta, como aumenta na mesma proporção às penas e as prisões! Por hora terminamos, nunca é tarde para pensarmos em outras saídas - quem sabe alguma relacionada a idéia bem simples de que é "proibido proibir" manifestações que lutam em favor da abolição de alguns crimes ou algo mais radical - uma espécie de anistia geral? Fica pra outro dia.
Na tarde desta terça-feira o Instituto de Segurança Pública anuncia que pelo menos nove crimes tiveram redução no mês de março. Mas três deles chamam a atenção porque vão causar festa e lamento na cúpula da Secretaria de Segurança Pública. O calcanhar de Aquiles Homicídio Doloso sofreu redução significativa. Mas por outro lado, continua em franca ascensão o Roubo a Transeunte e sua subcategoria, o Roubo de Telefone Celular (com o devido desconto de que muitos roubos de Nextel não existem de verdade, são apenas registros de aparelhos que sumiram). O aumento no roubo a transeunte tem uma motivação numérica: aumentaram as apreensões de drogas no mesmo mês.
Por Julio Ludemir, escritor, autor de Lembrancinha do Adeus, O Bandido da Chacrete e Sorria, você está na Rocinha
Para que não digam que não falo das flores, eis um espinho que colhi junto a uma das rosas que cultivo na SEAP. "A chegada do promotor Astério Pereira dos Santos foi uma revolução no sistema", revelou-me esta fonte. Para dar mais credibilidade a essa declaração, esta rosa discorda dos métodos que ele utilizou para controlar uma comunidade carcerária acostumada a tratar os agentes penitenciários como suas babás. A discordância se deve ao frontal desrespeito aos direitos dos presos. Traduzindo para um português menos castiço, foi pau puro. A revolução em questão começou com o que os marqueteiros chamariam de choque de gestão. "Ele desbaratou os esquemas de corrupção existentes em quase todos os presídios com a simples transferência das equipes de cada unidade", disse. Outra estratégia igualmente óbvia e eficiente foi a construção de uma cancela na entrada do complexo penitenciário, impedindo a formação do camelódromo que funcionava no longo corredor que dá acesso às cadeias. "As garotas de programa que viviam na cadeia sumiram da noite para o dia", disse. Também acabaram os churrascos regados a cerveja, nos quais eram figurinhas fáceis pagodeiros com grande visibilidade na mídia.
A sociedade carioca pagou um alto preço por causa dessa queda-de-braço entre a administração da SEAP, os agentes da corrupção e as lideranças do Comando Vermelho, principalmente as de Bangu III. Podem-se botar na conta desse confronto os dois blackouts ordenados pelo Comando Vermelho no início desta década. Também se deve a esse arrocho a rebelião na casa de custódia de Benfica em maio de 2004, motivada pelo fim da divisão dos coletivos por facção. O saldo de 30 mortes impôs ao promotor Astério Pereira a única derrota política de sua gestão.
Mas a lógica aplicada para acabar a divisão de facções foi a mesma que culminou com a imposição da ordem nas unidades de Bangu - particularmente em Bangu III, onde o major Walter Lourenço sempre foi tratado como "sujeito-homem" pelas principais lideranças do Comando Vermelho. O major foi até os limites da lei para controlar o coletivo mais aguerrido do sistema. "Se o regimento prevê a punição de uma falta qualquer com o corte das visitas íntimas durante um ano, ele não pensaria duas vezes em aplicá-la", revelou a mesma fonte.
Essa fonte já chegou a temer pela segurança do major Lourenço e seus familiares. Mas tanto ela como o coletivo entenderam a lógica de um homem que está satisfeito com os bens que já possui e por isso não tem preço, como não perdeu oportunidade de alardear para os funcionários e para os presos. Usou essa lógica para cortar os privilégios da chamada frente de cadeia, ousando dispensar o mesmo tratamento ao dono da boca e ao caidinho. Esse talvez tenha sido o lance mais ousado de sua gestão, já que ter uma liderança nas cadeias no fundo é mais vantajoso para a direção do que para o coletivo. Conceder privilégios às castas que se autodenominam frentes de cadeia é a melhor estratégia para que não haja fugas e rebeliões, o tendão de Aquiles das direções de unidade.
Como nem tudo são flores, a linha dura terminou abrindo uma nova senda de corrupção. Antes, bandidos e agentes penitenciários negociavam a entrada de armas, drogas e celulares nas unidades. Com a nova política nas cadeias, tornou-se valiosa a entrega de uma carta para os advogados, cujo acesso aos presos é mais controlado do que em um passado recente. Mas com certeza hoje eles pensam muito mais antes de negociar o que o sociólogo Michel Misse chama de "mercadoria política", agora mais valiosa do que nunca.
Neste domingo, o Rio vive um dia de protestos na orla. O tom agora é diferente. Não tem mais o glamour das velhas caminhadas de camisetas brancas, com ONGs à frente e defesas de ideais harmônicos que o "outro lado" (bandidos) dificilmente assimila. Desta vez, em duas caminhadas, são cidadãos que se insurgiram, cidadãos de todos os espectros ideológicos e classes sociais. Às 11h, em Ipanema, o Forum Rio em Movimento reunirá cidadãos em protesto contra a votação de apoio à libertação do deputado Álvaro Lins, ocorrida na sexta-feira dia 30 de maio na Alerj. Coordenado pela líder estudantil Ingrid Ingrid Gerolimich, o Forum foi criado em 2005 por estudantes, professores e artistas, para discutir os problemas da cidade. Ingrid liderou na terça-feira passada uma votação popular em frente à assembléia. Em duas horas, a urna recebeu 1.300 votos reprovando a atitude dos 40 deputados que votaram pela libertação de Lins. Dois votos foram em branco e três a favor da libertação. Da minha parte, não creio que os 15 deputados que votaram contra tenham "ofendido a Constituição". Não acho que um Marcelo Freixo, um Wagner Montes, um Flávio Bolsonaro, um Paulo Ramos, sejam deputados que ofendam a Carta Magna. Poucas horas mais tarde, às 15h, no Leblon, em frente à Rua Bartolomeu Mitre, será a hora de lembrar de Ulrich Rosenzweig, morto covardemente há alguns dias no prédio em que trabalhava. Será feito um ato de protesto contra ineficácia das políticas públicas de combate à violência. O ato público está sendo organizado pela Associação Comercial do Leblon, Câmara Comunitária do Leblon, Movimento Rio de Paz, Movimento Segurança Cidadã, Viva Rio, Gabriela Sou da Paz, entre outras. Além de Ulrich, será homenageado o jovem William de 19 anos, cantor, guitarrista e evangélico, morador de Bangu, Zona Oeste do Rio, assassinado de forma inacreditável por PMs do 14ºBPM (Bangu). Digo inacreditável porque ainda se tentou apresentar armas e drogas na delegacia como sendo de William, o que é a meu ver inaceitável. Como se já não bastasse a morte estúpida, a memória é profanada. Foi necessário que família, amigos e colegas de William se expusessem para que as suspeitas se dissipassem. William era um jovem crente e que sonhava com a música. Não era um bandido. Em comum entre os dois atos, o sonho de ver o Rio ser de novo uma Cidade Maravilhosa.
Juntos, cidadãos cariocas somam esforços para exigir transparência e responsabilidade das autoridades públicas, em todos os níveis de governo. Segundo dados do ISP - Instituto de Segurança Pública, até fevereiro de 2008, o número de pessoas assassinadas, é maior que no mesmo período do ano passado. 80% desses crimes, na Região Metropolitana do Rio. E estes números vêm crescendo assustadoramente a cada dia.
Consolidou-se no Judiciário do Estado do Rio de Janeiro entendimento no sentido de que o direito à livre associação disposto na Constituição da República se exerce pelo direito de desfiliar-se quando, filiado sem a própria vontade, não quiser manter-se na agremiação na qual foi inserido. Ou seja, não gostou "pede pra sair". Dispõe a Constituição da República no art. 5º que ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado. Da literalidade do dispositivo constitucional não se pode confundir os direitos de não ser compelido a associar-se e o de ser mantido associado. De tal confusão resultou um ajuste entre a administração do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro com as associações corporativas de magistrados (nas quais fui e continuo filiado), estadual e nacional, que associam os juizes automaticamente no ato da posse, propiciando tão somente o direito à desfiliação. Esta prática recorre ao ano de 1997, quando por injunções políticas o então presidente da AMB e o Presidente do TJ pertenciam ao mesmo grupo dentro do Tribunal. Esta questão não mereceria maiores preocupações, por se tratar de questão entre pessoas conhecedoras de seus direitos e hábeis a defendê-los, se não envolvessem um tipo de percepção do fenômeno social que redundou no fortalecimento dos grupos paramilitares, denominados milícias, no Estado do Rio de Janeiro. Naquele ano de 1997, iniciou-se no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro o entendimento de que aquele que participa da fundação de associação de moradores, constituidora de "Condomínio de Rua" não podia dela depois se desfiliar, pois contratualmente estava obrigado a custear os serviços contratados, como iluminação e segurança. Posteriormente o entendimento se desdobrou no sentido de que mesmo aqueles que não houvessem se associado ao "Condomínio de Rua" estava obrigado ao pagamento da taxa de manutenção dos serviços instituídos, sob pena de enriquecimento indevido. Num primeiro momento os organizadores daqueles "condomínios" buscavam o poder judiciário para cobrar tais "taxas de manutenção" ou "cotas de condomínio informal", onde encontraram acolhida numa jurisprudência à margem da Constituição. No momento seguinte, já respaldados pelo entendimento do tribunal, passaram a exigir diretamente e sob ameaça.
Tanto a constituição do "Condomínio de Rua" quanto a jurisprudência que acolheu seu direito de cobrar taxa de manutenção desprezou princípios elementares da ordem constitucional vigente. Dentre eles estão o direito de livre associação e desfiliação, o da obrigatoriedade de serviços de iluminação e segurança pelo próprio Estado, o da legalidade, segundo o qual ninguém pode ser compelido a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, o da inexistência de prestação pecuniária compulsória, salvo a exigência pecuniária de natureza tributária e a intervenção estatal na propriedade privada sancionatória por descumprimento de dever jurídico (multa). Aberta a porta para a atuação marginal (à margem da legalidade) não tardou para que os policiais contratados para a segurança, fora dos seus horários de serviço, passassem a desempenhar a atividade de cobrança da "taxa de manutenção" ou "cota condominial de rua", transformando-se posteriormente em "donos do negócio". Deixou de se falar em associação constituída e contraprestação por serviços de iluminação para se tratar de "taxa de segurança". Do mesmo modo estabeleceu-se "taxa para localização" exigida dos comerciantes. Eliminando a concorrência, com o uso da força privada (mas apoiada pelo Estado) foi instituído o monopólio paraestatal de determinados serviços: distribuição de bebidas, distribuição de gás de cozinha e serviço de transporte alternativo. O desprezo à legalidade praticado numa ponta pode gerar conseqüências funestas do outro lado. A autorização para torturas, atos de sabotagem e terrorismo, em nome da segurança do Estado Francês na Argélia, trouxe graves conseqüências para a hierarquia, a disciplina e a organização das Forças Armadas daquele país e ameaçou as próprias instituições estatais e seus titulares. Tanto mais a sociedade e seus serviços, dentre os quais a liberdade de imprensa. A questão que se coloca é: como trazer para a eticidade da legalidade aquele que foi incentivado pelo próprio Estado a empreender-se na marginalidade (atuação à margem da lei)? A justiça que queremos há de buscar o respeito absoluto e incondicional aos valores jurídicos próprios do Estado Democrático de Direito, promover promoção da conscientização crescente da função judicante como proteção efetiva dos direitos do Homem, individual e coletivamente considerado, e a conseqüente realização substancial, não apenas formal, dos valores, direitos e liberdades do Estado Democrático de Direito, há de defender a independência do Poder Judiciário não só perante os demais poderes como também perante grupos de qualquer natureza, internos ou externos à Magistratura que lhe possam ameaçar, propiciando a democratização da Magistratura, seja no plano do ingresso, seja nas condições do exercício profissional, com o fortalecimento dos direitos dos juízes à liberdade de expressão, reunião e associação, considerando-se a atividade jurisdicional autêntico serviço público que atenda ao princípio da transparência e permita ao cidadão o controle de seu funcionamento, que promova a defesa dos direitos dos menores, dos pobres e das minorias, na perspectiva de emancipação social dos desfavorecidos e crie e desenvolva vínculos de cooperação e solidariedade mútuos entre operadores judiciais e associações afins, bem como promova a defesa dos princípios da democracia pluralista e difunda a cultura jurídica democrática. Estes são os objetivos institucionais da Associação Juizes para a Democracia.
Os soldados do fogo não têm, evidentemente, o mesmo acompanhamento e cobrança da sociedade que o policial militar - embora sejam forças-irmãs em todos os países desenvolvidos, se não institucionalmente, pelo menos emocionalmente falando. No Brasil, os bombeiros têm tradições no resgate no mar, no combate a incêndios, na fiscalização de interiores e no apoio à população em casos de calamidade pública . Mas é notório que o impacto das medidas dentro dos bombeiros é acompanhado de forma menos intensa. O resultado disso, no entanto, é parecido com o que acontece na PMERJ: debandada de profissionais. São vários os fatores que causam esta debandada. Tomemos, por exemplo, o que aconteceu com o concurso dos bombeiros, realizado há três domingos. Um aditamento ao edital elevou a idade limite de 25 para 50 anos, inclusive para o cargo de "combatente". Muita gente achou estranho e pensou na possibilidade de um idoso de 55 anos resgatar alguém de um prédio em chamas. Em 27 de fevereiro de 2008, quem consultasse o Diário Oficial do Poder Executivo número 039, constataria diversas demissões do quadro de saúde - ainda que com data à frente. O preocupante: todas a pedido do demitido. A tenente 32230, o tenente 32365, o tenente-dentista 32541, a capitão médica 28370, o capitão médico 32164 e o capitão 32186. Praticamente todos com mais de 10 anos de serviço e muita experiência. Todos pediram para sair. Aqueles que mais têm experiencia no chamado atendimento pré-hospitalar, ou seja, emergência, ambulância.
No mês seguinte, talvez para compensar a perda destes oficiais, foram alugados 40 veículos sem motorista e dez com motorista, por três meses. O processo é o E-08/045/51044/2008. A empresa LOCARES AUTOMOTORES LTDA receberá R$ 423 mil reais pelos três meses de serviços. Quase meio milhão de reais. O curioso é que há motoristas no Corpo de Bombeiros. Com sobras. Em 17 de abril, foi formalizada a dispensa da licitação para o aluguel destes carros. A empresa tem nome fantasia bem conhecido e a filial é a da Ilha do Governador. O diário oficial é o de número 072. Naquela mesma semana, foi baixado o decreto de número 41.269, que causou também certa insatisfação entre os soldados do fogo. Trata-se de gratificação sobre plantão extraordinário para profissionais de saúde e motoristas. Bom, isso depois que se contrataram 10 motoristas extras (talvez prove dedicação dos bombeiros à causa da dengue). A tabela de gratificações ficou assim: Art. 2º - Desde que comprovada a execução das atividades nas condições elencadas no artigo acima, a referida gratificação mensal terá os seguintes valores: I - R$ 2.100,00 (dois mil e cem reais) aos oficiais médicos BM; II - R$ 900,00 (novecentos reais) aos oficiais enfermeiros BM; III- R$ 700,00 (setecentos reais) aos praças técnicos de emergências médicas BM e auxiliares de enfermagem BM; IV - R$ 400,00 (quatrocentos reais) aos praças motoristas BM.
Ora, a carga horária do oficial não é definida, não existe legislação estadual a respeito. Convinha na hora questionar por que só pagar horas extras a alguns militares e a outros não? Sem contar que não se estabeleceu gratificação para escalas extras de Carnaval, Ano Novo, etc. Só que no caso fica estranho que haja uma tabela só para os profissionais das Unidades de Pronto Atendimento, sem incluir os combatentes do fogo. Com a gratificação atual um tenente médico ganha R$ 2.100 reais, mais do que uma gratificação de comandante de grupamento.Os tenentes que pediram para sair no início do ano perderam uma boa. Enquanto isso, um praça dos bombeiros trabalha na escala de 24 por 48, uma média de 56 horas por semana, com gratificação de R$ 400. A conseqüencia desse quadro, de estagnação na atividade laborial que é a razão de ser dos bombeiros, é o surgimento de listas como as abaixo (omito os nomes devido ao direito òbvio à privacidade), onde tem bombeiro lotado até no Teatro Municipal. É a desmotivação do militar estadual no seu formato mais triste, que é quando o profissional abre mão do contato com a atividade que o atraiu inicialmente para a corporação. Segue a lista:
OE 214/2008 O Diretor Geral de Pessoal recebeu os ofícios de freqüência integral nos meses de fevereiro e março de 2008, dos Militares que se encontram adidos à DGP e à disposição de órgãos externos, relacionados abaixo: FEVEREIRO/2008 TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Ten-Cel BM 09.330 Conforme Ofício 675/08, de 03/04/2008. MARÇO/2008 TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Cel BM 07.380 Cel BM 07.388 Ten-Cel 09.330 Ten-Cel 10.978 Ten-Cel 10.980 Ten-Cel 16.355 Ten-Cel 16.472 Ten-Cel 16.494 Maj BM 16.716 Maj BM 17.673 Maj BM 19.886 Conforme Ofícios nº 679/08, 623/08. COORDENAÇÃO GERAL DO SISTEMA DE DEFESA CIVIL - (COSIDEC) Cel BM 05.516 Cel BM 07.364 Cel BM 08.578 Cel BM 09.329 Ten-Cel BM 08.826 Ten-Cel BM 09.749 Ten-Cel BM 18.721 Ten-Cel BM 15.978 Ten-Cel BM 16.937 Maj BM 14.315 Maj BM 16.934 Conforme Ofício nº 3442, de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DE MERITI Maj BM 11.457 Conforme Ofícios nº 020/08, de 01/04/2008. COORDENADORIA MILITAR DA CASA CIVIL DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TELECOMUNICAÇÕES Ten-Cel BM 08.186 Ten-Cel BM 08.439 Conforme Ofício nº 189/08, de 02/04/2008. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Maj BM 11.649 Maj BM 17.367 Maj BM 17.683 PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO GONÇALO Ten-Cel BM 07.962 Maj BM 16.455 Conforme Ofício 255/08, de 31/03/2008. CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO Cel BM 06.413 Cel BM 09.643 Conforme Ofício nº 79/08 de 31/03/2008. TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO - 1ª REGIÃO Ten-Cel BM 16.505 Conforme Ofício s/nº, de 01/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE E DEFESA CIVIL Cel BM 03.955 Ten-Cel BM 08.822 Ten-Cel BM 09.661 Maj BM 19.269 Conforme Ofício nº 130, de 16/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAPERUNA Ten-Cel 06.408 Conforme Ofício nº 190/2008, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE NOVA IGUAÇU Maj BM 16.487 Maj BM 16.488 Conforme Ofício 036/08, de 03/04/2008. DEPARTAMENTO DE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS - DETRO Ten-Cel BM 08.421 Conforme Ofício nº 093, de 03/04/2008. CASA CIVIL Ten-Cel BM 15.981 Conforme Ofício nº 172, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE ITABORAÍ Ten-Cel BM 10.486 Conforme Ofício 021/08, de 03/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE NOVA FRIBURGO Ten-Cel BM 08.434 Conforme Ofício nº 10/08, de 28/03/2008. DETRAN/RJ - SECRETARIA DE ESTADO DA CASA CIVIL Ten-Cel BM 18.725 Conforme Ofício nº 179/08, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SUMIDOURO Ten-Cel BM 09.876 Conforme Ofício nº 035, de 03/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE ARARUAMA Ten-Cel BM 08.861 Conforme Ofícios nº 87/08, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE PETRÓPOLIS Maj BM 16.935 Conforme Ofício 075, de 04/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DO AMBIENTE - SEAMB Ten-Cel BM 10.977 Maj BM 16.385 Conforme Ofício 55, de 03/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DO CARMO Ten-Cel BM 09.326 Conforme Ofício Nº 18, de 03/04/2008. FEVEREIRO/2008 TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 1º Ten BM 05.169 Conforme Ofício 675/08, de 03/04/2008. MARÇO/2008 PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO GONÇALO 1º Ten BM 06.515 Conforme Ofício 255/08, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE BOM JARDIM 2º Ten BM 07.283 Conforme Ofício nº 030/08, de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACAMBI 2º Ten BM 05.373 Conforme Ofício nº 238/08, de 31/03/2008. ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 1º Ten BM 32.451 1º Ten BM 32.572 Conforme Ofício nº 1711/08. TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 1º Ten BM 05.169 1º Ten BM 32.599 Conforme Ofícios nº 623/08, de 01/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE TRANSPORTES 1º Ten BM 32.349 Conforme Ofício nº 084/08, de 01/04/2008. DETRAN/RJ - SECRETARIA DE ESTADO DA CASA CIVIL 1º Ten BM 32.250 1º Ten BM 32.459 Conforme Ofício nº 179/08, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DA BARRA 1º Ten BM 32.771 Conforme Ofícios nº 073/08, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAPERUNA 1º Ten BM 10.388 Conforme Ofício nº 189/2008, de 31/03/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE E DEFESA CIVIL 1º Ten BM 28.939 2º Ten BM 32.131 2º Ten BM 34.040 Conforme Ofício nº 130, de 16/04/2008. MINISTÉRIO DA DEFESA - FUNDAÇÃO OSÓRIO 1º Ten BM 11.551 Conforme Ofício nº 43, de 07/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE GOVERNO 1º Ten BM 32.385 Conforme Ofício nº 195, de 04/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DA CASA CIVIL - COORDENADORIA MILITAR 1º Ten BM 32.259 1º Ten BM 32.404 Conforme Ofício nº 234, de 27/03/2008. CASA CIVIL 2º Ten BM 34.033 Conforme Ofício nº 172, de 31/03/2008. Em conseqüência, os órgãos, aos quais advierem responsabilidades, tomem conhecimento e providências no âmbito de suas atribuições. 5. FREQÜÊNCIA DE MILITARES - OFICIAIS INTERMEDIÁRIOS - INFORMAÇÃO - NOTA DGP-OE 213/2008 O Diretor Geral de Pessoal recebeu os Ofícios de freqüência integral no mês de março de 2008, dos Militares que se encontram adidos à DGP e à disposição de Órgãos Externos, relacionados abaixo: MARÇO/2008 ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Cap BM 28.273 Conforme Ofício nº 1606/08. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DE MERITI Cap BM 22.720 Conforme Ofícios nº 020/08, de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SEROPÉDICA Cap BM 05.387 Conforme Ofício nº 084/08, de 01/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE TRANSPORTES Cap BM 07.810 Cap BM 28.219 Cap BM 28.259 Cap BM 32.166 Cap BM 32.176 Conforme Ofício nº 084/08, de 01/04/2008. DETRAN/RJ - SECRETARIA DE ESTADO DA CASA CIVIL Cap BM 28.530 Cap BM 32.534 Conforme Ofício nº 179/08, de 31/03/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL Cap BM 28.482 Conforme Ofício nº 051 de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMBUCI Cap BM 07.698 Conforme Ofício nº 08, de 31/03/2008. DEFENSORIA PÚBLICA DO RIO DE JANEIRO Cap BM 03.411 Conforme Ofício nº 160, de 05/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE E DEFESA CIVIL Cap BM 28.359 Conforme Ofício nº 130, de 16/04/2008. COORDENAÇÃO GERAL DO SISTEMA DE DEFESA CIVIL (COSIDEC) Cap BM 19.193 Conforme Ofício nº 3442/08, de 01/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DA CASA CIVIL - COORDENADORIA MILITAR Cap BM 22.953 Cap BM 28.236 Cap BM 32.156 Cap BM 28.266 Conforme Ofício nº 234, de 27/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO GONÇALO Cap BM 24.844 Conforme Ofício 255/08, de 31/03/2008. CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO Cap BM 32.231 Conforme Ofício nº 79/08 de 31/03/2008. Em conseqüência, os órgãos, aos quais advierem responsabilidades, tomem conhecimento e providências no âmbito de suas atribuições. PREFEITURA MUNICIPAL DE SAPUCAIA Sd BM TATIANA DE CARVALHO SILVA LIMA 27.963 Conforme Ofício nº 119, de 03/04/2008. TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Subten BM 02.735 Subten BM 02.974 Subten BM 04.367 Subten BM 04.661 Subten BM 04.893 Subten BM 05.601 Subten BM 07.062 Subten BM 07.483 Subten BM 07.502 Subten BM 07.821 Subten BM 07.970 1º Sgt BM 05.438 1º Sgt BM 05.978 1º Sgt BM 06.419 1º Sgt BM 06.714 1º Sgt BM 10.082 1º Sgt BM 12.474 2º Sgt BM 05.357 2º Sgt BM 05.434 2º Sgt BM 05.440 2º Sgt BM 06.725 2º Sgt BM 06.977 2º Sgt BM 07.219 2º Sgt BM 09.854 2º Sgt BM 10.070 2º Sgt BM 10.731 2º Sgt BM 10.781 2º Sgt BM 10.785 2º Sgt BM 11.316 2º Sgt BM 13.691 2º Sgt BM 16.273 3º Sgt BM 11.245 3º Sgt BM 11.940 3º Sgt BM 12.293 3º Sgt BM 12.336 3º Sgt BM 12.407 3º Sgt BM 12.999 3º Sgt BM 13.207 3º Sgt BM 13.442 3º Sgt BM 13.707 3º Sgt BM 13.833 PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DA BARRA 2º Sgt BM 12.553 3º Sgt BM 12.048 Conforme Ofícios nº 072/08 e 071/08 de 31/03/2008. TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO - 1ª REGIÃO Subten BM 04.319 Subten BM 04.404 1º Sgt BM 06.836 1º Sgt BM 07.861 2º Sgt BM 06.926 2º Sgt BM 12.182 2º Sgt BM 13.627 2º Sgt BM 15.165 2º Sgt BM 15.925 3º Sgt BM 10.737 3º Sgt BM 10.787 3º Sgt BM 12.270 3º Sgt BM 12.381 3º Sgt BM 13.508 3º Sgt BM 14.697 3º Sgt BM 15.647 3º Sgt BM 13.875 Cb BM 21.554 Cb BM 21.583 Conforme Ofício s/nº, de 01/04/2008. COORDENADORIA MILITAR DA CASA CIVIL - (DETEL) 1º Sgt BM 14.969 2º Sgt BM 05.955 3º Sgt BM 11.869 3º Sgt BM 14.691 3º Sgt BM 14.975 Cb BM 23.768 Cb BM 22.298 Conforme Ofício nº 189/08, de 02/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE CONCEIÇÃO DE MACABU Subten BM 04.668 Conforme Ofícios nº 043, de 02/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DE MERITI Subten BM 06.576 Cb BM 21.305 Conforme Ofícios nº 020/08, de 01/04/2008. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 1º Sgt BM 14.792 2° Sgt BM 07.496 2° Sgt BM 07.989 2° Sgt BM 12.300 2° Sgt BM 13.524 2° Sgt BM 13.802 3° Sgt BM 10.022 3° Sgt BM 11.382 3° Sgt BM 11.387 3° Sgt BM 12.148 3° Sgt BM 12.503 3° Sgt BM 12.639 3° Sgt BM 12.807 Cb BM 18.144 Cb BM 24.288 Sd BM 31.717
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 2º Sgt BM 05.361 2º Sgt BM 07.474 2º Sgt BM 07.516 2º Sgt BM 08.694 3º Sgt BM 10.691 3º Sgt BM 12.144 3º Sgt BM 12.676 3º Sgt BM 14.566 3º Sgt BM 15.035 3º Sgt BM 15.170 3º Sgt BM 15.209 Cb BM 18.304 Cb BM 20.496 Cb BM 21.185 Cb BM 24.481 Sd BM 31.414 Sd BM 31.716 Sd BM 31.743 PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO SEBASTIÃO DO ALTO 3º Sgt BM 13.047 Conforme Ofícios nº 68/08, de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO GONÇALO 2º Sgt BM 13.260 Cb BM 25.942 Conforme Ofício 225/08, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE NILÓPOLIS 3º Sgt BM 12.965 3º Sgt BM 14.603 Conforme Ofício nº 84, de 04/03/2008. JUSTIÇA FEDERAL Subten BM 06.529 2º Sgt BM 07.896 2º Sgt BM 14.039 3º Sgt BM 11.389 3º Sgt BM 13.893 Cb BM 19.958 Cb BM 20.635 Conforme Ofício nº 4121/08, de 11/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE TRABALHO E RENDA 3º Sgt BM 11.850 3º Sgt BM 11.884 3º Sgt BM 14.029 Conforme Ofícios nº 37, de 01/04/2008. PROCURADORIA GERAL DO ESTADO 2º Sgt BM 09.363 3º Sgt BM 15.591 Cb BM 18.216 Cb BM 22.166 Cb BM 22.266 BOLETIM DA SUBSEDEC/CBMERJ NÚMERO 086 DATA 14/05/2008 FOLHA 3628 Cb BM SÉRGIO LUÍS P. DOS SANTOS FILHO 24.199 Sd BM ALAIN RIVAIL DIAS DA SILVA 22.028 Sd BM FABIANO FONSECA DE MEIRA 27.908 Conforme Ofício nº 161, de 03/04/2008. DEFENSORIA PÚBLICA DO RIO DE JANEIRO Subten BM 04.836 3º Sgt BM 12.700 Sd BM 27.578 Conforme Ofício nº 0160, de 05/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE MIRACEMA 2º Sgt BM 08.407 Conforme Ofícios s/nº, de 01/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA FUNDAÇÃO TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO 2º Sgt BM 09.205 2º Sgt BM 13.066 Conforme Ofício nº 227/08, de 02/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE JAPERI 2º Sgt BM 12.910 3º Sgt BM 13.297 Conforme Ofício nº 041/08, de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE NOVA FRIBURGO Subten BM 07.311 2º Sgt BM 08.190 Conforme Ofício nº 10, de 28/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE MAGÉ Cb BM 23.673 Conforme Ofício nº 0133/08, de 01/04/2008. DETRAN/RJ - SECRETARIA DE ESTADO DA CASA CIVIL 3º Sgt BM 13.391 3º Sgt BM 15.343 Cb BM 17.993 Cb BM 26.893 Cb BM 27.066 Cb BM 30.748 Cb BM 30.766 Conforme Ofício nº 179/08, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE CABO FRIO 3º Sgt BM 18.663 Conforme Ofício nº 110/08, de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE CANTAGALO Sd BM 27.607 Conforme Ofício nº 068, de 04/04/2008. 14/05/2008 FOLHA 3629 PREFEITURA MUNICIPAL DE DUAS BARRAS Subten BM 04.086 Conforme Ofício nº 104/08, de 01/04/2008. SECRETARIA DE FAZENDA SUBSECRETARIA DE RECEITA 3º Sgt BM 11.787 Cb BM 12.464 Conforme Ofício nº 026/08, de 01/04/2008. DEPARTAMENTO DE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS - DETRO Cb BM 24.375
Conforme Ofício nº 093, de 03/04/2008. CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO Subten BM 05.964 3º Sgt BM 13.818 3º Sgt BM 14.815 Cb BM 18.820 Conforme Ofício nº 79, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO PEDRO DA ALDEIA Cb BM 24.213 Conforme Ofício nº 21, de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE NOVA IGUAÇU 1º Sgt BM 15.671 2° Sgt BM 11.741 Conforme Ofício 036/08, de 03/04/2008. CASA CIVIL 1º Sgt BM 04.103 2º Sgt BM 05.386 2º Sgt BM 07.156 2º Sgt BM 11.785 3º Sgt BM 13.848 3º Sgt BM 15.706 3º Sgt BM 15.738 3º Sgt BM 18.315 Cb BM 18.147 Sd BM 25.984 Cb BM 26.648 Sd BM 31.866 Conforme Ofício nº 172, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SEROPÉDICA 3º Sgt BM 12.150 Conforme Ofício nº 084/08, de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE TRÊS RIOS 2º Sgt BM 07.580 Conforme Ofício nº 220/08, de 02/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE ITABORAÍ Subten BM 09.031 SECRETARIA DE ESTADO DE ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA (FUNDAÇÃO SANTA CABRINI) Subten BM 06.407 3º Sgt BM 12.694 3º Sgt BM 15.864 Sd BM 31.914 Conforme Ofício nº 056, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA MARIA MADALENA Cb BM 24.297 Conforme Ofício nº 124, de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE VARRE-SAI 3º Sgt 27.994 Conforme Ofício nº 22/08, de 01/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE BOM JARDIM 2º Sgt BM 10.040 Conforme Ofício nº 015, de 01/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE E DEFESA CIVIL Cb BM 30.665 Cb BM 30.668 Conforme Ofício nº 229, de 08/04/08. PREFEITURA MUNICIPAL NATIVIDADE Subten BM 07.466 Conforme Ofício nº 118, de 03/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA 3º Sgt BM 10.101 Conforme Ofício nº 083, de 31/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SUMIDOURO Sd BM 27.998 Conforme Ofício nº 035, de 03/04/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ DE UBÁ Sd BM 27.725 Conforme Ofícios nº 011/2008, de 02/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DO AMBIENTE - SEAMB Subten07.907 1º Sgt BM 04.128 1º Sgt BM 11.433 1º Sgt BM 11.401 1º Sgt BM 11.816 1º Sgt BM 13.370 3º Sgt BM 11.838 3º Sgt BM 12.821 3º Sgt BM 14.126 3º Sgt BM 15.085 Cb BM 11.059 Cb BM 21.062 Cb BM 23.645 Sd BM 26.353
TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO 3º Sgt BM 11.307 Cb BM 14.123 Conforme Ofício nº 66, de 01/04/2008. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 3º Sgt BM 13.787 Conforme Ofício nº 179, de 07/04/2008. AUDITORIA DE JUSTIÇA MILITAR DO RIO DE JANEIRO - AJMERJ Subten BM 06.471 Subten BM 06.988 Subten BM 08.108 2º Sgt BM 06.952 2º Sgt BM 07.286 2º Sgt BM 07.309 3º Sgt BM 11.285 3º Sgt BM 12.232 3º Sgt BM 14.454 3º Sgt BM 15.666 Conforme Ofício nº 151, de 02/04/2008. MINISTÉRIO DA DEFESA - FUNDAÇÃO OSÓRIO Subten BM 05.499 1º Sgt BM 10.563 1º Sgt BM 16.309 3º Sgt BM 13.916 Cb BM 14.855 Cb BM 16.128 Conforme Ofício nº 43, de 07/04/2008. POLÍCIA CIVIL/RJ 3º Sgt BM 13.726 Conforme Ofício nº 1694, de 03/04/2008. SECRETARIA DE ESTADO DA CASA CIVIL - COORDENADORIA MILITAR 2º Sgt BM 26.732 Conforme Ofício nº 234, de 27/03/2008. PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAOCARA Cb BM 30.946 Conforme Ofício nº 44/08, de 02/04/2008. RIOPREVIDÊNCIA 2º Sgt 13.326
O crime organizado foi atingido mortalmente com a transferência das principais lideranças para presídios federais em outros estados. Desde então, as cadeias cariocas se tornaram uma verdadeira terra de ninguém. A situação está tão grave que alguns observadores estão idealizando uma nova guerra nos moldes da que o Comando Vermelho derrotou a Falange Jacaré, no fim da década de 1970. Essa guerra pôs fim aos roubos, aos abusos contra os familiares e aos estupros que havia em uma cadeia onde prevalecia a lei do mais forte. Com as cadeias acéfalas, só não estão ocorrendo violências sexuais na atualidade. Um exemplo emblemático da crise de liderança nos coletivos está nas freqüentes extorsões praticadas pelas quadrilhas que simulam seqüestros de dentro das cadeias. Esse tipo de prática traduz com perfeição o clima de salve-se-quem-puder no crime. As bocas estão à míngua, mal produzindo para o próprio gasto. Isso significa que não está sobrando dinheiro para manter os caidinhos na cadeia, que dependem de uma espécie de mesada paga pelo dono da boca para a qual ele trabalhava ao ser preso. Há uma espécie de código de honra no crime segundo o qual as lideranças perdem a autoridade quando não podem manter os parceiros. Essa crise também está se refletindo nas favelas, onde a nova geração do crime não está conseguindo fazer frente aos ataques das milícias e às seguidas incursões policiais. Também nesse caso, nós estamos sentindo as conseqüências no bolso. Deve-se a essa perda de espaço nas favelas a transferência do crime contra o estado para o cidadão, que os estudiosos chamariam de deslocamento da mancha de óleo. Na prática, a mão de obra marginal até então absorvida pela boca de fumo agora está nas ruas, fazendo saidinhas de banco e assaltando residências. Também é revelador da crise de liderança do crime organizado a entrada maciça de mulheres e filhos nos negócios, o que em tese está aproximando o modo operacional do tráfico de drogas ao da máfia italiana. Há uma grande diferença da época em que Isaías era o manda-chuva do Comando Vermelho para os dias de hoje. O dono do Borel, que entregou o comando da facção para Marcinho VP depois da morte do filho, era um provedor da família. Era como se o crime fosse um sacrifício que ele fazia para dar aos filhos aquilo que ele próprio não teve. Essa lógica mudou sensivelmente com a Era Fernandinho Beira-mar. Há diversas mulheres e filhos do inimigo público número um da polícia carioca na cadeia. Também não estão sendo poupadas as crianças, que já foram sagradas para o Comando Vermelho. Não se pode dizer que as lideranças do tráfico estejam completamente isoladas nos presídios federais. Mas com certeza elas já não têm a mesma facilidade para falar com suas bases no Rio de Janeiro, fazendo o controle social que em última instância é exercido pelo crime organizado, não pelas instituições policiais cariocas. Nunca foi tão fácil para o poder público retomar o controle das favelas perdidas para o tráfico de drogas. Resta saber se as polícias de fato estão dispostas a perder a renda proveniente da corrupção ou se na verdade elas só querem ser o nosso novo poder paralelo.
Um leitor atento deixou um link de Orkut (copie e cole no seu navegador: http://www.orkut.com/Scrapbook.aspx?uid=6739995901716822489 ) para um suposto perfil do deputado estadual Álvaro Lins, investigado pela PF por lavagem de dinheiro. Analisando o perfil, é possível acreditar que seja "fake" (falso, inventado por outra pessoa), já que no campo "terra natal" está escrito "João Pessoa - PA". Creio que a sigla certa da Paraíba é "PB". E o deputado seguramente não erraria isso. Na ficha consta um curso de "lavagem de dinheiro no STJ". Não confirmei que existisse este curso no STJ. De valor jornalístico mesmo, só a viagem antropológica através das declarações de apoio (via "scraps", os recados do Orkut) dadas ao deputado por policiais, eleitores e do público feminino. São depoimentos verdadeiros de gente que acredita estar mesmo se comunicando com Lins. Vale a pena navegar.
A sensação de insegurança da população de nossa cidade não pode ser combatida apenas com o investimento na contratação de mais policiais ou de viaturas. A mudança desse paradigma passa necessariamente pelo principio da manutenção da ordem urbana em nossa cidade e em nosso Estado. A falta de uma política de ordenamento urbano contribui de forma significativa para o aumento das ocorrências policiais. Não se pode mais perder tempo discutindo quais questões são de competência da Prefeitura e quais são do Governo do Estado. Isso é pura perda de tempo e virou desculpa oficial para não fazer nada a respeitos dos problemas que assolam a nossa cidade e o nosso estado. Um exemplo claro disso é o crescimento desordenado das favelas. As favelas existentes aumentaram demasiadamente e novas foram criadas. Nada se fez. Minto! Se fez sim! As autoridades promoveram uma verdadeira perda de tempo discutindo se houve ou não crescimento. Ou se o crescimento foi vertical ou horizontal. Todo balela! O fato é que o crescimento desordenado dessas comunidades carentes fez com que elas se tornassem os locais propícios para o funcionamento das facções criminosas. Com isso se percebeu um recrudescimento dos confrontos. Esses confrontos tem como conseqüência imediata o aumento na sensação de insegurança da população. Com a inércia do poder público, vimos a criação de um novo "Frankenstein" que são as chamadas milícias compostas em grande maioria por policiais. Como se não bastasse tudo isso, os moradores ainda assistem estarrecidos o envolvimento de ex-membros da cúpula da segurança pública do nosso Estado com ações criminosas. Tudo isso passa para o cidadão comum a sensação de que a cidade e o estado estão "entregues ao deus dará". Diante disso tudo, os moradores devem esta se perguntando: "A situação pode melhorar? Em quem posso acreditar?". A resposta? Bom, com a palavra o exmo. Sr. Prefeito e exmo. Sr. Governador.
Por Emir Larangeira, coronel reformado da PM e escritor
Creio que as coisas naturais que ocorrem no mundo têm íntima relação com as coisas sociais, e aceito a visão quântica de que não existe nenhuma realidade neste mundo em que vivemos ou pensamos viver. Nessas circunstâncias, portanto, separar o natural do social pode não passar de troca de um holograma por outro. A verdade é que, nesses dois mundos suscetíveis de interferências várias, a nossa mente impõe como alternativas reducionistas o sim e o não, o certo e o errado, mesmo que estejam desfocados. Afora esta idéia de pesar restritamente as coisas em dois pratos de uma só balança, um deles contendo o Bem e o outro, o Mal, existe um continuum desconhecido e/ou desconsiderado. Isto porque é mais fácil optar entre duas alternativas apenas; afinal, a possibilidade de acerto ou erro é de 50%, tudo em tese, claro.
Mas na vida prática, ou "real", as possibilidades são infinitas, embora o ser humano costume rejeitar as variáveis diferentes do sim e do não. Enfim, tendem para o sim ou para o não; na dúvida, porém, optam por um dos lados do contraste, geralmente o de senso comum e ponto final. Esta visão adstrita ao conceito e consequentemente ao preconceito e ao estereótipo (abominado o contexto), ainda pincelada com a tinta da emoção, acaba predominando e se disseminando na consciência coletiva, como hoje se impõe a falsa idéia de "paz" nas manifestações de vítimas da "guerra urbana". Ora, não se conquista a paz sem guerra; a tentativa de paz termina com a exaustão da diplomacia. Pedir "paz" de mãos dadas em volta da Lagoa ou do Maracanã é um gesto coletivo de natureza diplomática, sim, só que o outro lado (o do marginal da lei) não sabe o que é diplomacia, conhece apenas a linguagem belicosa do seu dia-a-dia tormentoso, não importando se legal ou ilegal. Com efeito, são muitos anos passados, anos que forjaram o sustentáculo dessa realidade contemporânea (admitindo-se que existe realidade) de cidadelas ilhadas nas grandes cidades brasileiras, tendo o Grande Rio como exemplo marcante do fenômeno e de sua evolução à larga do Estado Democrático de Direito. Aliás, essa designação constitucional é por si só uma piada, como sói ser o combate à corrupção no Brasil, geralmente se vendo o corrupto de hoje a ser julgado por seu igual ainda não alcançado pelo azar de amanhã. Nada demais, a Ciência Política desde há muito expõe o fenômeno social em dois campos de se deveriam sobrepor, mas que, em contrário, vivem afastados e são até antagônicos na prática: a Legitimidade e a Legalidade. Sim, enquanto a sociedade se prende aos laços formais da Legalidade (dever ser), geralmente exigindo de outrem aquilo que não cumpre, a comunidade reforça seus laços orgânicos da Legitimidade (o ser) e ignora as leis. Deste modo, os micro-poderes informais se vão desenvolvendo e reagindo aos micro-poderes formais, sendo certo que, ao contrário dos defensores da isolação típica das sociedades formais em relação aos seus guetos informais, com destaque para a nossa "Casa-grande & Senzala", esses segmentos formam uma única tessitura social, tais como as células formam o tecido humano de um só corpo. E ambos os tecidos, natural ou social, tornam-se doentes incuráveis... Os jornais de domingo, 1 de junho de 2008, estamparam a justa indignação da imprensa, de personalidades e de entidades em virtude da barbárie encetada contra uma equipe de reportagem do Jornal O DIA por membros de uma milícia instalada na "Favela do Batan", assim designada como se fora um ente isolado na tessitura social do Rio de Janeiro, ou seja, um ambiente ilhado em relação ao ambiente geral que o circunda. O fato é gravíssimo e merece o destaque e a indignação geral, sem dúvida! Afinal, a equipe estava há dias oculta para documentar o real funcionamento de uma milícia dominando favela em lugar de traficantes, talvez uma chance única de desmistificar as milícias. Porém, os profissionais da imprensa, em sendo descobertos, foram torturados e correram sério risco de vida. Cá pra nós, não sei se o risco compensou, pois, no final das contas, a única novidade consistiu na barbárie contra a equipe de reportagem. Afinal, todos sabem como atuam as milícias em suas interações com as comunidades por elas ocupadas: cobram ágio de tudo por conta de afastar os perigos típicos do tráfico (guerra entre quadrilhas e confrontos constantes com a polícia vitimando inocentes). Também corre à boca miúda que os milicianos cobram ágio menor que o concorrente afastado, para assim agradar a comunidade. Pois é sabido que os traficantes desde há muito formaram essa "escola" do tributo informal, sem dúvida o objeto principal e imediato da cobiça dos milicianos.
Curioso (para não dizer estranho) é que, nesta mesma data, um grande jornal do Rio anuncia em manchete a PMERJ excluindo de seus quadros seis PMs que estariam envolvidos com o traficante Márcio José Guimarães, vulgo Tchaca, da "Favela do Rato Molhado" (Que pejorativo, hein?!...), fato que teria ocorrido há nove anos atrás. Repito: há nove anos atrás!... Aqui cabe a indagação: que fizeram esses PMs nesses nove anos de serviço ativo? Estavam afastados de suas atividades? Por que tanto tempo? Será que eles não teriam se arrependido nesse período tão longo de suas vidas? Ou continuaram nos quadros da corporação a cometer delitos idênticos ou mais graves? Por fim, para onde esses seis excluídos migrarão depois de terem seus nomes estampados nos jornais como "bandidos fardados"? Creio ser fácil concluir sobre que rumo eles tomarão, salvo milagre: vão engrossar o contingente de alguma dessas dezenas de milícias que se proliferam no Grande Rio, e isto na hipótese mais otimista... Enquanto isso, porém, toda a mídia, em coro com aliados afinados com suas justas chiadeiras, reduz o assunto ao lugar-comum de sempre. Matérias são escritas criticando com veemência o atentado à liberdade de informação, adjetivos jorram como tempestade desqualificando os tais "milicianos", já supostamente identificados como PMs, ex-PMs, BMs, ex-BMs, PCs, ex-PCs, Agentes Penitenciários, ex-Agentes Penitenciários etc., todos, enfim, tachados de "banda podre", "bandidos fardados", "agentes públicos marginais" etc. Mas eles não estão nem aí pra isso, pois, sob a ótica deles (e delas), não há mais nada a perder, nem a vida que arriscam diuturnamente. Neste ponto, merece relevo o depoimento do Delegado de Polícia titular da DRACO (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais), Dr. Cláudio Ferraz, em entrevista exclusiva ao Jornal O DIA. A par da constatação de que a polícia vê-se ante um problema tão ou mais complexo que o tráfico dominando favelas, vale destacar a alegoria escolhida pela autoridade policial para caracterizar o gravíssimo problema:"A Milícia é um Câncer" . Título melhor talvez não existisse, já que a doença é incurável, e, na maioria dos casos, proporciona tão-somente sobrevida ao doente. Vou além. Prefiro dizer que estamos ante uma doença auto-imune, que nos remete a heranças genéticas, e que se resume na formação de auto-anticorpos, estes que atacam as células normais pertencentes ao próprio tecido humano e inexplicavelmente o destrói, em vez de defendê-lo das agressões de vírus e bactérias. Neste caso, há a sobrevida, mas são mínimas as possibilidades de cura. Numa alegoria, é só imaginar um beque a chutar deliberadamente a bola contra o gol do seu próprio time, marcando tento a favor do adversário; ou um caça a disparar seus mísseis contra aviões de sua própria esquadrilha, em vez de atacar o inimigo comum. Sem dúvida, algo inesperado e gravíssimo. Agora, levado ao extremo do "Fogo Selvagem" (pesquisa gratuita na internet), por exemplo, não é demais comparar as milícias aos agentes causadores das doenças auto-imunes, pois, a pretexto de combater traficantes, e somente em razão disso, as milícias tendem à máxima violência e passam a atacar a tessitura social que intentaram defender, claro que em vista unicamente de auferir lucros, pois quem trabalha de graça é relógio, e mesmo assim tem de ser comprado ou roubado. Mas não se deve deixar de analisar a questão sob a ótica não-policial, ou, pelo menos, da forma como tão bem sugeriu a autoridade policial supracitada, ou seja, uma ação interdisciplinar muito além da mera repressão policial. (Em vista da dura realidade do grande número de milícias instaladas em favelas, a repressão policial resultará no mesmo desastre da repressão ao tráfico. Demais disso, não faltarão discursos a insinuar que combater milícias significa favorecer o tráfico). Pois a disfunção social existe, e vem de longe, e tem "herança genética" vinculada a "alelos" e "lócus" sociais profundos, que se poderiam resumir na desigualdade social a separar a sociedade (formal) da comunidade (informal), sendo certo que a "realidade" (do dever ser) da primeira não corresponde à "realidade" (do ser) da segunda, se é que existe alguma realidade neste mundo maluco...
O atentado praticado contra a equipe de jornalismo do O Dia na favela do Batan, em Realengo, desmonta de uma vez por todas todos os argumentos que podiam ser tecidos com relação às atividades das milícias serem preferíveis às dos traficantes nas favelas cariocas. As milícias, inicialmente criadas e imaginadas como uma forma de expulsão dos traficantes das favelas, e vistas até com alguma simpatia por moradores das comunidades carentes, desvirtuaram-se completamente e acabaram se tornando mais um braço do crime organizado no Rio de Janeiro. Extorsões, assassinatos de cidadãos que não tinham envolvimento com criminosos, exploração de caça-níqueis, furto de sinal de TVs a cabo acabaram fazendo com que as milícias se igualassem aos traficantes que haviam expulsado. Assim mesmo, ainda havia uma mística de que "melhor os milicianos, que os traficantes...". A impensada, tresloucada e irresponsável, além de criminosa, ação dos milicianos, provavelmente oriundos da milícia auto-intitulada "Batman", que age nas favelas da Zona Oeste carioca, seqüestrando e torturando jornalistas demonstrou que não há essa diferença tão falada. O desmonte que a Secretaria de Segurança vem fazendo com a milícia "Batman", levando à prisão e processando judicialmente seus principais líderes provavelmente enlouqueceu os milicianos que estão na ponta destas forças "paralelas" e paramilitares. Certamente, cegos pela ótica da imbecilidade e da impunidade, acreditaram que torturando jornalistas e moradores conseguiriam calar as denúncias que levaram a polícia, principalmente a Polícia Civil, a reprimir duramente a atuação das milícias, em especial a "Batman", nos bairros da Zona Oeste da cidade. Há fontes que asseguram que a milícia "Batman" movimenta ainda hoje cerca de R$ 2 milhões por mês em extorsões e venda de sinal de TV a cabo furtado. Estes valores certamente, segundo seus "líderes", justificariam represálias contra a imprensa, que denuncia e traz à luz os desmandos e as ações criminosas das milícias. Os milicianos que ocupam a favela do Batan podem ser a partir deste seu feito execrável, considerados os responsáveis pelo fim do mito de que as milícias representam a segurança para os moradores das favelas. A milícia "Batman" jogou a pá de cal definitiva no mito de que o miliciano é um "agente do bem" nas favelas cariocas.
A Associação Juízes para a Democracia emitiu nota de solidariedade aos profissionais do jornal O DIA e repúdio ao crime organizado na forma de milícias. A seguir, a íntegra da nota:
A ASSOCIAÇÃO JUIZES PARA A DEMOCRACIA, entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem por finalidade estatutária o respeito absoluto e incondicional aos valores próprios do Estado Democrático de Direito e a promoção e a defesa dos princípios da democracia pluralista, bem como a difusão da cultura jurídica democrática, por seu núcleo do Estado do Rio de Janeiro, AJD-RIO, solidariza-se com os profissionais do Jornal O DIA vítimas de seqüestro e tortura por milicianos, bem como com os demais profissionais da imprensa sujeitos a idênticas vitimações no exercício de suas funções. O seqüestro e tortura aos jornalistas do Jornal O DIA, por milicianos, causa indignação pela violência, espanta pela audácia e atemoriza por violação a uma das instituições cujo livre funcionamento é indispensável à democracia e ao Estado de Direito, qual seja, a imprensa. Ainda que a democratização dos meios de comunicação seja medida demandada como requisito para a democratização das relações sociais e das instituições, não se pode ter como aceitável no âmbito do território de um Estado Soberano o ataque a profissionais da imprensa por agentes do próprio Estado. Os milicianos, que melhor seriam chamados de paramilitares, sem apoio institucional (político e econômico) seriam enfraquecidos, ainda que na ausência da atuação dos órgãos investigativos da polícia e acusatórios do Ministério Público. Da mesma forma não se pode pretender que os profissionais cujo campo de atividade são as múltiplas comunidades e bairros que formam a cidade demandem esquemas especiais de segurança quando forem às comunidades ditas carentes. É obrigação do Estado garantir o direito de ir e vir, seja para os moradores nas comunidades periféricas, seja para os profissionais cujas atividades se desenvolvem ao longo da cidade. Pretender que o jornalista redija suas matérias à distância implicaria isentar o Estado do dever de prestação de adequado serviço de segurança pública e burocratizar a atividade jornalística que deve pulsar como pulsa a vida social. A AJD-RIO entende que a atuação dos milicianos contra os profissionais do Jornal O DIA é resultado da costumeira atuação do Estado à margem da legalidade, conseqüência da ineficiente política de enfrentamento e extermínio dos indesejáveis, o que reforça sua concepção de que toda atividade estatal deve ser regrada pela lei e somente dentro dela ser legitimada. Além da violência cometida contra os profissionais da imprensa, e diariamente contra a comunidade, a AJD-RIO apresenta sua preocupação com o tipo de atividade que os milicianos desenvolviam, e na qual a jornalista atuava infiltrada para documentar, como suposta voluntária, que é o cadastramento de eleitores. Tal atividade demonstra atuação política dos milicianos, num ano no qual se realizarão eleições municipais e denota a possibilidade de reforçamento do poder de grupos locais, base da ordem democrática nacional. A AJD-RIO espera pronta apuração dos fatos, punição dos responsáveis pela violência perpetrada contra a equipe do Jornal O DIA, desmantelamento dos grupos de milicianos, enquadramento dos agentes públicos na legalidade e mudança na política de segurança de enfrentamentos e extermínio capaz de produzir agentes públicos dispostos a atuar à margem da legalidade.
Por Milton Corrêa da Costa, coronel da PM, estudioso em violência urbana
O ato de intimidação, barbárie, tortura física e psicológica e de extrema covardia, de que foi vítima uma equipe de repórteres do jornal O DIA, no dia 14 de maio, no interior de uma favela na Zona Oeste do Rio de Janeiro, feriu mortalmente o estado democrático de direito. Não que as torturas até aqui sofridas por vítimas indefesas- vide caso Tim Lopes- pelos tribunais do tráfico, denunciados e mostrados em excelente matéria de Mauro Ventura de 'O GLOBO', tenham sido fatos de menos graves e importantes. Não. O que mais impressiona neste lamentável episódio é que o ataque à equipe de O DIA foi cometido por milicianos, alguns são agentes públicos que juraram um dia defender a própria sociedade mas que optaram por ferí-la na sua forma mais representativa, na vigência do estado de direito: a imprensa. Infelizmente, apesar de toda coragem com que reconhecidamente as autoridades governamentais e bravos policiais vêm de forma obstinada e permanente, combatendo e enfraquecendo o narcoterrorismo no Rio, sob as fortes críticas dos organismos de direitos humanos, há que se reconhecer também a existência de zonas de anomia ( locais de ausência do cumprimento das leis) onde impera e se expande perigosamente a ação miliciana, fruto do histórico abandono do estado nas localidades menos favorecidas. É a prática, nos grandes centros urbanos, dos tempos das guardas pretorianas próprias, do coronelismo dos sertões. Os atores agora são parlamentares, policiais, alguns são bombeiros e outros civis contratados. É a busca da sobrevivência através do lucro irregular, de forma clandestina, com a imposição de um Código Penal específico, que acreditam poder vigir eternamente. Vendem falsa proteção usurpando função pública, extorquindo moradores, monopolizando serviços básicos e, da mesma forma que nos redutos no tráfico, submetendo a todos aos ditames do terror. Nas áreas controladas pelas milícias também não vale o ordenamento jurídico em vigor, a exemplo do que ocorre na ditadura do tráfico em morros e favelas. É a lei do mais forte, tal e qual no velho oeste americano ainda que lá sempre prevalecessem os mocinhos. Sinto nojo, repulsa ante a covardia, de além do desafio frontal ao poder público, do modo como tais facínoras puniram vítimas indefesas, entre elas uma mulher- não se sabe que seqüelas poderão adquirir os corajosos jornalistas - num ato que agride a toda a sociedade brasileira. Estamos diante de uma perigosíssima organização miliciana que julga e pune quaisquer cidadãos que contrariem seus interesses. Diante da gravidade do fato a sociedade agora não poderá calar-se. O clamor público tem que ser no sentido principalmente de que as leis brasileiras deixem de existir para beneficiar criminosos de todo gênero, da luta pelo fim da doutrina misericordiosa do direito penal mínimo, que enfraquece os mecanismos de defesa social. Basta da proposta de leis para tirar criminosos do cárcere e para fazer com que muito ali não entrem! Ao poder, legal e legitimamente constituído, ante a magnitude de crime tão hediondo, cabe-lhe a prioridade absoluta no intuito de investigar e identificar a autoria de tal prática criminosa, atentatória aos órgãos de imprensa, à democracia e aos direitos humanos. É ponto de honra para a polícia do Rio trabalhar arduamente nesse sentido. Que os culpados sejam rigorosamente punidos.