Boa noite!
Antes de tudo, parabéns ao jornal O Dia por promover e manter um espaço tão bacana de debate sadio e democrático entre diferentes pontos de vistas sobre um tema tão importante quanto o da segurança pública.
Faço algumas perguntas à linha de argumento do coronel Milton Corrêa:
Quem compra um "baseado" financia a violência. Eu concordo plenamente.
Por isso, apesar de ser favorável à legalização, não consumo esta droga (maconha).
Entretanto, não podemos negar uma lei básica do mercado: se há demanda, há oferta. O que as pessoas se perguntam é: pode a repressão desestimular essa demanda?
Nos EUA, um país cujo problema do tráfico de drogas não se equipara ao da violência que existe no Rio, bilhões foram investidos desde a década de 20 (desde a proibição nacional) e as leis de repressão se provaram insuficientes.
Estudos científicos eram desencorajados, a fim de perpetrar o mito propagado pelo governo de que a maconha poderia te tornar "lunático, assassino", dentre outras coisas.
A questão é: houve proibição severa, com mais de trinta anos de prisão para um usuário, mas a demanda não desapareceu. A Lei Seca, que proibia o consumo de álcool, inventou o Al Capone (algum paralelo com Beira-Mar?)
A repressão criou grupos mafiosos perigosos e armados e a demanda continuou existindo. Discutir de quem é a culpa é procurar saber quem veio primeiro, se o ovo, ou a galinha. O fenômeno existe, e não podemos negar.
Agora vamos ao debate de valores:
- A maconha, sim, faz mal. Vicia. Mas, dizer que vicia como o crack e a heroína é um pouco de exagero, não?
E, depois, se o usuário de maconha tem propensão de passar para drogas mais perigosas, o que dizer do álcool? Estou certo de que a cervejinha de fim de semana é até saudável para o bem-estar. Lógico que, quando se propõe liberar a maconha, se presume a moderação, a venda responsável, em lugares controlados e para maiores de 18 anos.
Lembrando que até mesmo a cafeína pode produzir overdose, e a maconha NÃO.
Uma vez liberada, coronel Milton, e disso eu digo também com certeza, pois conheço muitos usuários, nenhum deles voltaria ao morro. Nem mesmo se a maconha legal custasse mil vezes mais caro. Todo mundo que fuma, fumaria sem culpa de saber estar, com isso, criando mais um aviãozinho do tráfico.
Tem muita gente responsável defendendo a legalização porque, além de querer conquistar uma liberdade (responsável, claro), ENTENDE que nossos policiais estão se sacrificando por uma situação que pode ser mudada: os bandidos que estão no poder podem ter sua renda diminuída gritantemente, com isso, a verba que eles usam para comprar armas.
Abraços!
Pedro
Qua, 23 Abr 2008 23:48:06 GMT
Há também aqueles que dizem que a maconha degenera famílias.
Gente, o problema não estaria na falta de diálogo dentro dos próprios lares? Quantos filhos homossexuais foram culpados de destruírem suas casas, porque seu pais não tiveram a menor boa vontade de entender sua escolha?
O diálogo, assim como pode evitar o excesso do álcool ou do fumo, pode evitar o da maconha. Pode evitar que seu filho caia em drogas realmente mortais, como a cocaína, o crack ou o ecstasy. O diálogo salva famílias até mesmo da DEPRESSÃO, doença que causa a dependência de muitos remédios. Muito mais preocupante.
Entendo que seja por bons motivos que querem dar continuidade à ilegalidade da maconha. Mas o preço para isso será mais morte de inocentes e policiais. Será que não é a hora de desfazermos certos tabus e confiar mais na liberdade da sociedade?
Exatamente por ser cristão, creio no livre arbítrio. Nenhuma ordem funciona, se ela vem de cima para baixo. Há leis que não funcionam. E a sociedade civil deve mudá-la.
Liberdade responsável, acompanhada de assistência e cuidado!
Abraços.
Pedro
Qua, 23 Abr 2008 23:57:09 GMT
Começa assim: marcha para liberar, direito de reivindicar, e outras coisas que se tivéssemos um bom senso de humanidade, nem precisaríamios estar discutindo o assunto. Se é crime, distribuir folhetos a favor é incentivar também. Depois, não adianta reclamar da insegurança, da criminalidade, dos traficantes. Jovens drogados (pode ser qualquerdroga, inclusive o ÁLCOOL) são jovens distantes da família e dos padrões normais da sociedade. A desagregação social vem daí. A criminalidade bárbara aumentou em intensidade e em caráter, devido a estas liberações, em prol de um discurso "democrático" de livre expressão. Famílias com embasamento cristão, estão menos vulneráveis a estas coisas. Mas desculpe, falar em Deus é "induzir" e condicionar os que não o aceitam. não é o que dizem os "liberais"?
luiz (lfffons@hotmail.com)
Sex, 25 Abr 2008 16:17:59 GMT
Maconha liberada
"Fora Vermelhos",
Concordo que o problema do tráfico se inicia no usuário. Mas essa não é uma questão de juízo de valores. É de pragmatismo. Se você me provar que a repressão violenta ao usuário funcionou em algum país, e me convencer de que funcionaria no problemático caso do Brasil, até posso mudar de idéia.
Mas, nos EUA, um país de proporção parecida com o nosso (só que com o Estado mais forte) penas absurdas (de 30 anos à perpétua!) já foram dadas a usuários. O consumo de maconha continuou 'alarmante'.
Na Guatelama, que experimentou intensa guerra civil (ou seja, agora tem traficantes fortemente armados, como o Rio) e sofre com o narcotráfico, um usuário pode pegar 30 anos de cadeia. O consumo diminuiu? Não.
A solução é simplesmente punir, não importam as consequências? Punir por um instinto moralista e vingativo? Ou punir aquilo que dá efeito?
A lei não pode ser feita simplesmente pelo que gostaríamos que o mundo fosse. Ela tem que se ancorar na realidade. Dentre os males, o menor. Mortes ou maconha liberada, controlada?
Pensem nisso.
Pedro
Sab, 26 Abr 2008 16:14:15 GMT