Prezado Gustavo
A impressão que me sobreveio a ler teu texto foi de eco...lembro-me perfeitamente do ocorrido - e eu, que não pertenço à classe média, não me senti aliviado. Pensava, antes de chegar aos teus últimos parágrafos: "nossa, só mudou o endereço...caso idêntico ao do Jacarezinho".
Apenas não me lembrava do sintomático detalhe dos 5 TIROS DE FUZIL NO PEITO DO RAPAZ DESARMADO. Não é preciso ter estado lá para ao ler isso, concluir que se trata de muito despreparo ou de muita perversidade. E em ambos os casos, incidentes como esse são intoleráveis - pelo menosd everiam ser.
Quero acreditar que as receitas mágicas propostas por lados conflitantes no debate sobre segurança pública aqui no Rio, dizem respeito ao universo onírico dos ideólogos do "crime-social", composto de bandidos boas-praças, tipo "Anjos .45" massacrados por agentes policiais sanguinários, versus bizarras teorias de extermínio seletivo, defendidas por nossos lamentáveis aspirantes a fascistas dos trópicos.
Conforme clara e exemplarmente descreves na tua postagem, "o buraco é muito mais embaixo". Os discursos que tenho ouvido a respeito, quando não são reacionários (de ambas as partes, é bom lembrar), são fundamentalmente pastosos, dignos de quem "deseja exercer influência sem aceitar responsabilidade' - e aí, na minha modesta opinião, os defensores da condescendência para com "banditismo-social", ganhma disparados.
Valha-me...pela primeira vez ouvi de um jornalista(a meu ver coerente, equilibrado) críticas honestas quanto a visão de que "marginal de fuzil é 'excluído' que precisa ser recuperado".
Eu concordo em gênero, número e grau com suas ponderações. Faço apenas a acanhada ressalva de que, mesmo defenestrando a noção de que favela seja "lugar de matança", a essa altura dos acontecimentos, mesmo na utópica situação em que o Estado ponha fim a gastos obscenos com sua máquina (vide as somas estarrecedoras consumidas caprichosamente pelo Legislativo fluminense, noticiadas por esse mesmo jornal há não muito tempo), e corrija os vencimentos aviltantes pagos aos agentes policiais (só para começar, nem menciono a minha classe também vituperada no aspecto remuneração). ainda assim, ao pé em que as coisas foram parar no Rio, forçoso é admitir que mortes violentas (digo em confronto), ainda que apenas de início e sem a magnitude de ocorrências que se trivializaram pela cidade, serão inevitaveis. Lamentavelente.
E por falar em utopia e situações ideiais a esssa altura do campeonato, insisto que um sistema efetivo e muito mais duro de execuções penais,a par de todas as outras mediads de correção de desigualdades sociais, é meramente elementar no combate à violência. Um sistema que venha garantir proporção entre delito e crime praticado, em condições dignas de cumprimento, indistintamente: para facínoras de 17 3/4 anos; para "excluídos" que dizimam covardemente duplas de policiais em patrulha; para policiais que alvejam cidadãos desarmados, em suas próprias comunidades, com 5 tiros de fuzil no peito; para a classe média que espanca mulheres em pontos de ônibus, no caminho para casa, ou que reincidentes, quebram narizes de cidadãos ordeiros em conflitos banais de trânsito.
Leandro (proflribeiro@yahoo.com.br)
Qua, 25 Jun 2008 16:14:58 GMT
Despreparo Policial
A bem da verdade, nossas polícias atuam de maneira improvisada, haja vista, no meu leigo entendimento, que operações em favelas,somente caberiam ao BOPE e a CORE. Todavia, o que presenciamos, nada mais é que shows piricténicos policiais. Se a função da polícia civil é investigapor que efetuar operações em comunidades carentes? Se a PMERJ tem por fim realizar atividade ostensiva, preventiva, por que investigar. Por que existem vários policiais militares lotados na polícia civil, se fizeram concurso para militar. Serviço de Segurança não admite improviso. Improviso gera despreparo. Tenho o dito.
Marcello Siqueira de Souza. (marisolsaqua@click21.com.br)
Qua, 25 Jun 2008 20:49:24 GMT
segurabça
Não é bem assim que vamos consertar. A sua visão, e de muitos, de um lado tende para o conforto e o incomodo; Melhor explicando, voce vê as coisas com um certo pejo da policia, e também, crê, como muitos que somente o salario vai dar jeito na instituição. Nada disso; Muita gente se arvora de comentarista politico-social-e de segurança publica, como se fosse comentario futebolistico no bar da esquina. Segurança publica envolve, governos, sociedade civil (toda), sindicatos, associações, e toda a policia. A segurança deve começar em casa, com os pais, com as limitações das atitudes das crianças, dos jovens, para que, no dia-a-dia sejam bem recebidos; combate as drogas, mas, principalmente, ao alcool que é o fluido inicial para as portas do vicio em geral. Sòmente assim, com todos os requisitos necessários, com campanhas maciças de prevenção e de educação, poderemos traçar normas rigidas para o preenchimento das vagas à instituição policial, e aí sim, oferecer salarios dignos que os façam por merecer. A questão, meu caro gustavo, é muito complexa. As camadas sociais, principalmente as de baixa renda, foram deixadas de lado pelo Estado, perderam-se no complexo "modus vivendi", deterioraram-se os valores, e agora estamos aí, a mercê de "axólogos" que acham que podem com meia duzia de palavras levar diretrizes que acabem com os problemas. É um fiasco, porém, voce, como eu (delegado de policia) temos que continuar, no n osso pedacinho, junto aos que atendemos, fazer com que enxerguem a realidade, procurando, cada vez mais, alcançar nossos objetivos. Já consegui muitas vitorias, e vou continuar a persegui-las no afã de que, dentro da minha ótica, cada um deve fazer um pouco, pois num futuro poderemos ter grandes resultados. Um abraço !!!
martins (robertomartinsni@hotmail.com)
Qui, 26 Jun 2008 10:26:17 GMT
Em relação aos profícuos comentários dos participantes:
Considero justíssima a observação do Ten Ferreira, quando a necessidade de ação, e que belos textos não hão de comover o poder público - no sentido de que este cumpra o que lhe é devido. Contudo, acredito que as letras, que nem precisam ser belas, mas pertinentes, constituem uma forma incisiva de se promover a ação - basta que fluam na direção e pelos canais adequados. De minha parte, desde o advento da internet, escrevo com frequencia para jornais, blogs, e casas legislativas de todas as esferas. Essas manifestações quando maciças e coordenadas redundam em mudanças, significativas(vide o aborto da pratica de pagamento de jeton e ferias de 90 dias para nossos insígnes congressistas, o que, a depender deles, estaria em vigor até então).
Em todo caso, escrever tão-somente, não basta, é óbvio. A sociedade civil organizada em movimentos contundentes como o liderado pelo Rev Antonio Carlos da Costa ("Rio de Paz'), cujo manifesto já assinei e de cujos encontros participo, por sua vez, constitui um passo à frente na mobilização para que esse funesto quadro que vivemos seja revertido.
Divirjo da opinião do Sr Marcello Siqueira, quanto a improvisação constituir palavra de ordem
comum nas Instituições de Segurança Pública do Estado. Parece-me, aliás, que o "entendimento leigo" do Sr Siqueira encontra eco no entendimento especializado de boa parte dos acadêmcos sociólogos críticos da política de segurança do Estado. Classificar de pirotécnicas as ações da polícia nas favelas, a meu ver, é não apenas recorrente, mas inconsistente:pirotecnia é ficar preso numa estação de trens do subúrbio à noite, na expectativa do ansiado retorno para o lar, enquanto, uma estação à frente, membros de facções rivais trocam solenemente, disparos de projéteis traçantes, de um lado e de outro da linha férrea.
Que incursões em favelas possam não ter sido empreendidas com planejamento suficiente, por parte dos organismos policiais, é possível admitir. Asseverar que isso seja regra, se não é leviano é incongruente (a investida da PC hoje, na comunidade do Rebu, conforme noticiado nesse mesmo jornal, é apenas mais uma ocorrência a aprovar que, via de regra, mortes - sobretudo dos próprios marginais - em confronto, dependem muito menos da polícia que dos meliantes enquistados nessas comunidades).
Também desconheço razões institucionais, ou mesmo viabilidade que justifique incursões em favelas apenas efetuadas pelo BOPE ou pela CORE - Nem que no Rio existissem somente umas 3 comunidades dominadas por bandos armados, compostos de uns 30 integrantes cada.
Não vejo obstaculo por conflito de atribuições, às incursões da PC em favelas - desde que a prática criminosa tenha sido comprovadamente verificada. Além do que, como investigar nessas localidades, notadamente dominadas por grupos pesadamente armados, sem o aparato de segurança necessário?
Quanto ao caráter ostensivo da PM, entendo que averiguações com fins de planejamento de ações de repressão e prevenção, não podem ser confundidas com investigação que tenha por meta elucidação de crimes ordinários. Não tenho notícias de ações dessa natureza por parte da PM, como não vejo policiais civis patrulhando as vias da cidade.
No entanto, concordo com o Sr Siqueira quanto a impropriedade de policias militares lotados na polícia civil, embora não conheça nenhum caso desse.
Divirjo do Sr Martins, pelo qeu depreendi das linhas do Sr Gustavo, que este enxergue unicamente nas melhorias salariais dos agentes policiais, a solução para os problemas de segurança pública do Estado. O que não invalida a pertinente e inquestionável ponderação do Sr Martins ao afirmar que segurança pública envolve sociedade civil, sindicatos, governos, famílias bem estruturadas, limitações de comportamento desde a tenra infância, campanhas maciças de prevenção e educação, contrapondo conceitos de propaganda já consagrados, segundo os quais, quem ingere alcool, fuma, ou faz uso de qualquer outra modalidade de alteração de humor é mais esperto, mas bem-cucedido, mais macho, mais gostosa...
Apenas divirjo que só após sedimentarmos essas condições possamos "estabelecer regras rígidas para o preenchimento das vagas às instituições policiaise oferecer salarios dignos aos que fazem por merecer". Levaríamos uma geração inteira de dizimados(bandidos, policiais e inocentes) até lá.
Não vejo impedimentos para que tais medidas sejam empreendidas paralelamente. Salário decente não é solução, é apenas o começo de conversa. Não acredito, francamente, dar partida a qualquer discussão sobre segurança pública, sem atendimento a essa condição rudimentar. Bem como adoção de penas rigorosas, em condições dignas, para crimes contra a integridade física (afinal, morto, ninguém aprende nada, ninguém cura ninguém, ninguém garante segurança de ninguém).
E já que falamos de imposição de limites às crianças, por parte das famílias, não vejo razão para que o Estado não os imponha, quando aquelas não o fazem. Incongruente, na minha modesta opinião, é esperar que crianças com desvios de comportamento se formem marginais perigosos, enquanto vamos conscientizan do as famílias de seus papéis.
Leandro (proflribeiro@yahoo.com.br)
Qui, 26 Jun 2008 21:36:19 GMT
Diferença.
Que belo texto, ele me lembra a história da menina Isabela, que foi jogada de uma janela do terceiro andar, deixando todo o país comovido.
Mas, na verdade, esse tipo de coisa acontece quase que diariamente, nos morros, nas favelas, só que não tem essa grande repercussão, sabe por quÊ?
Porque são favelados, não tem "apelo" para a mídia noticiar, não choca tanto as pessoas como a menina de classe média alta que foi assassinada.
Renato Neves Motta (renatonmotta@yahoo.com.br)
Sex, 27 Jun 2008 23:39:01 GMT
Razões
Acredito que a estoria da menina que sofreu aquela violência inominável chocou e comoveu o país não por ter sido ela "filha da classe média", mas por tratar-se de uma criança indefesa, brutalizada de forma ignominiosa por quem deveria protege-la. Caso esse crime abjeto tivesse ocorrido numa favela, teria causado as mesmas reações - com ou sema pelo da mídia. Esse nosso universo carioca não é assim polarizado como defendem os arautos das ideologias de compensação criminosa das desigualdades sociais.
O caso do rapaz rico assassinado em Ipanema na madrugada de domingo desmonta a lógica do potencial de repercusão apontada pelo Sr Motta: o que teria "mais apelo para a midia noticiar"? O caso dele, ou o dos 3 jovens pobres executados na Mineira?
Todos esses crimes são deploráveis, intoleráveis, chocantes, e, a mim, como a outros tantos cidadãos que conheço, sejam pobres, ricos ou remediados são capazes de causar tanta revolta como repulsa, independentemente da classe social a que pertençam seus autores.
Leandro (proflribeiro@yahoo.com.br)
Seg, 30 Jun 2008 01:07:15 GMT
Cada qual em seu lugar
Hoje 1º de julho de 2008, estou lendo os vários artigos dos articulistas do “Blog da Segurança do Jornal Odia e os artigos mais recentes nos falam sobre a morte dos três rapazes do morro da providência, ocorrido, segundo se tem notícias pela entrega dos três a traficantes de uma favela que seriam rivais dos traficantes do morro da Providência.
Mas, outra notícia que ainda não vi no blog é sobre a morte de um rapaz na saída de uma boate na zona sul do Rio de Janeiro. O fato é controvertido, embora se saiba que o rapaz tenha sido atingido por disparo feito pela arma de um policial militar que fazia a segurança de um outro rapaz, neste caso filho de uma promotora ameaçada de morte por criminosos.
Ora, como se pode entender que uma família ameaçada de morte por criminosos permita que seu filho saia a noite e permaneça até de madrugada na rua em uma boate? E o pior, com sua segurança sendo feita por um policial militar pago pela população.
Como explicar o inexplicável?
O segurança deveria estar na porta da casa da promotora e não dentro de uma boate com o filho dela.
A segurança, neste caso, deve ser particular e não pública, pois entendo que não há finalidade pública ato de estar bebendo em uma boate. Não há o interesse da administração.
É claro que fazer um jovem entender que, diante da ocupação de seus pais tenha que ficar preso dentro de casa, é uma coisa complicada e isso deve ser discutido no seio familiar.
O inexplicável é obrigar o segurança, um Policial Militar legalmente cedido, a ficar de prontidão enquanto o garoto se divertia no interior de uma boate, tal ato não é função a ser desempenhada por um agente do Estado.
Embora não se justifique a ação de atirar contra outro rapaz, a menos que ele (o protegido) estivesse sofrendo perigo de vida, a fim de poder se alegar legitima defesa.
Inácio Henrique (inaciohenrique@ig.com.br)
Ter, 01 Jul 2008 11:34:54 GMT