Mitologia
Não sei se o mito de que "as forças armadas teriam condições de resolver a questão da segurança pública no estado", se foi. Mas sei que outro permanece: o do mundo encantado em que tão somente nossas mazelas sociais justificam o quadro de abominável violência que se tornou marca registrada do Rio nos últimos anos.

Sentenças regurgitadas em tom de verdade insofismável, como "as vozes que clamam pela presença das forças armadas são em maior número da classe média, da Zona Sul"; "Morte de 3 jovens, lógico, negros e favelados"; "a cidade não necessita de intervenções armamentistas";"aproximação efetiva entre empregada e patroa"; "não vale o velho discurso do aumento de pena para os delitos comumente imputados aos filhos das nossas empregadas", e outras que tais, obrigam-me, perplexo, a duvidar se seus autores vivem no Rio de Janeiro, ou se um dia já frequentaram alguma comunidade pobre - refiro-me especificamente àquelas em que bandos armados fazem o papel de estado.Um estado tirano, mas sempre estado.

Eu mesmo fico vexado em ser recorrente, ao mencionar pela zilionésima vez, os projéteis traçantes, as munições .50, o absurdo de, numa cidade como a nossa, ser ameaçado por grupos de 3 a 5 homens armados por fuzil em plena luz do dia, dentro de um automóvel popular 1.0; os próprios cidadãos ordeiros dessas mesmas comunidades, submetidos a violências, humilhações e arbitrariedades de toda sorte, praticados pelos verdadeiros "donos" da área, quais sejam os bandoleiros armados até os dentes; que quebrar o nariz ou levar ao coma cidadãos pacatos em brigas fúteis de trânsito, não é prerrogativa da classe pobre.

Seria lindo que aqui nossos policiais não precisassem portar fuzis nem trafegar em veículos blindados. É óbvio e ululante que a iniquidade característica da distribuição de renda no país só faz engrossar o caldo dessa realidade de desvalorização da vida(mormente da alheia) flagrante nesses tempos.Mas daí a afirmar que intervenções armaads por parte do estado legitimamente estabelecido são, não apenas desnecessárias, mas condenáveis, e que aumento de pena seja "discurso velho e inválido" (velho pode até ser, já passou da hora de considerarmos seriamente a alternativa), só faz sentido em termos ficcionais - eu que não sou classe média, nunca tive empregada, já frequentei favelas, já fui vítima de arbitrariedade policial(morando em comunidade pobre, sem ser negro), posso falar com conhecimento de causa, que o desprezo aos direitos do próximo, o egoísmo, a agressividade, a intolerância, a rapinagem,a desonestidade não campeiam nesse universo maniqueísta que idealizam nossos defensores públicos e nossos sociólogos. Essas deformações são muito mais democráticas, não privilegiam classe social. E, em que pese todo um sortilégiio de preconceitos(desde classe até orientação sexual), presente em nossa sociedade, como em qualquer outra metrópole em qualquer país do planeta, se existe "Cidade Partida",a divisão não é entre pobres e ricos, negros e brancos, favelados e "do asfalto"; mas sim entre honestos e desonestos, respeitadores da lei e transgressores desta; sobretudo, cruéis destituídos da menor noção de compaixão e respeito à vida, e aqueles que, mesmo à margem da lei, por um motivo ou outro, ainda enxergam um limite nítido entre a transgressão e a perversidade.

Mas é, claro, não se pode negar que endurecimento de penas para crimes torpes haveria de tornar mais árida a vida de nossos nobres causídicos, na complexa tarefa imposta pelo ofício, de defender figuras do quilate de um Fernandinho Beiramar, ou a herdeira dos Ritchhofenn.

Por fim, embora essa questão do Exército na Providência mereça um outro debate (por exemplo, onde estavam os doutos críticos e questionadores da legitimidade prática e jurídica da iniciativa - que ora pululam por todos os fóruns - em todo esse tempo antes da ignominiosa tragédia?), e eu mesmo prefira um aparato policial adequadamente diponibilizado em situações como essa, gostaria de saber, se alguns dos críticos da empreitada já haviam passado alguma vez, à noite, pelas adjacências, de carro ou a pé. E, caso, sim, se já passaram por lá, no mesmo horário, após a retirada das forças. Eu, que não sou classe média, nem jamais tive empregada, sim- mas, como esclareci acima, esse meu último parágrafo mereceria outra discussão.
Leandro (proflribeiro@yahoo.com.br)
Sex, 27 Jun 2008 18:12:59 GMT
Pensei em escrever aqui um comentário. Mas depois que li o cargo do autor do texto, desisti, pois ja entendi logo a razão dele ter esta opinião. Seria perda de tempo falar qualquer coisa.
Rafael
Seg, 30 Jun 2008 00:09:23 GMT
Concordo em GÊNERO, NÚMERO E GRAU com o Leandro,assino embaixo.
Marli Moraes (marlimoraess@yahoo.com.br)
Seg, 30 Jun 2008 08:27:07 GMT
VIVA O EXÉRCITO FOI EMBORA
Não vou perder meu tempo me prolongamdo nesse comentário, só vou dizer poucas palavras:'foi-se o exército e voltou o tráfico, para alegria da população local'. Agora o morador da comunidade tinha que pedir para o tráfico uma casa nova. Isso é Brasil, onde o morador implora para que o Estado saia da favela para que o traficante volte e promova seus bailes funk, para a alegria da comunidade.
Rodrigo Fernandes (get2ten@hotmail.com)
Seg, 30 Jun 2008 09:35:19 GMT
Daniela Duque, mãe do estudante Daniel Duque, 18 anos, morto na saída da boate Baronetti, em Ipanema, na madrugada deste sábado, clama por justiça para seu filho. Em um desabafo ao deixar a 14ª DP (Leblon), onde o caso foi registrado, Daniela criticou a ação do soldado da Polícia Militar Marcos Parreira do Carmo, autor dos disparos na briga do lado de fora da casa noturna em que morreu Daniel.


- O cara disse que foi legítima defesa. Legítima defesa de quê, se o menino estava no chão, apanhando? Que legítima defesa é essa? Quero justiça, mais nada.

Daniela teme que o soldado da PM, que estava cedido ao Ministério Público para fazer a segurança da família de uma promotora, acabe impune. Marcos Parreira do Carmo se apresentou à polícia, confessou o crime e está preso no Batalhão Prisional da Polícia Militar.

O ministério Público mantém em seus quadros Policiais Militares, pago com o meu e seu dinheiro e de toda sociedade.
Só uma pergunta para a mídia ? O NOME DA PROMOTORA? O NOME ??? por favor ??

Não ésse mesmo MINISTÉRIO PÚBLICO, que faz a caça as bruxas, denunciando e colocando seus nomes na midia sem provas ?????????? E ainda sem serem julgados.

Ora, ora, ora, PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS É COLÍRIO>
O OBSERVADOR 66666 (obs666@ifin_geena.com)
Seg, 30 Jun 2008 09:59:23 GMT
QUEM MATA ?
QUEM MATA +++++

O EXÉRCITO OU A POLÍCIA??????


Sem mais perguntas !
O OBSERVADOR 66666 (obs666@ifin_geena.com)
Seg, 30 Jun 2008 10:00:56 GMT
RESPONDENDO!
Respondendo a pergunta do observador,com outra pergunta quem morre ++++++
O EXÉCITO OU A POLÍCIA?
Thiago (caminhos@hotmail.com)
Seg, 30 Jun 2008 10:22:26 GMT
Vergonha da PM
É lamentavel que alem da Policia receber dinheiro para liberar carros em Sao Pedro da Aldeia, comerça a matar crianças.
José Luiz
Qua, 09 Jul 2008 20:58:54 GMT
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