Caricaturas...
Antes de tudo, uma nota de repúdio à caricatura feita por Milton Corrêa da Costa sobre antropólogos, socilógos e "policiólogos".
Para mim, isso empobreceu completamente o texto.
Lembra a esquerda querendo demonizar a todo custo a direita e, mais precisamente ainda, a direita querendo demonizar a esquerda. É uma polarização extrema que visa merecer nosso argumento não o afirmando, mas fazendo parecer imbecil o do outro ponto de vista. E isso, é claro, através de uma distorção. Caricaturas e estereótipos são bons apenas para alimentarmos preconceitos, Milton Corrêa. Não para estudarmos inteligentemente um problema.
"A sociedade os fez assim agora que os agüente, afinal de contas também são sujeitos de direitos humanos."
'Agora que os aguente'? Esse me parece o maior exagero, falado por Corrêa como se pertencesse a um defensor dos direitos humanos, mas mais parecendo que foi o filho de um hippie, um garotinho utópico de 12 anos.
Repúdio 2: "quanto custa ao trabalhador brasileiro, que paga pesados impostos, manter facínoras (irrecuperáveis) por longos anos no cárcere?"
Ok, então passamos a admitir que há distinções em formas de vida. Que as diferenças sociais entre elas (não estou falando de dinheiro, mas de comportamento) definem quem vive e quem morre. O "facínora" - supondo ainda que tenham se esgotado todos seus recursos legais e que ele seja incontestavelmente culpado - será morto pelo argumento de quanto ele pesa ao bolso do contribuinte.
As prisões estão cheias. De muitos marginais em franca escalada no crime. Aliás, a prisão os auxilia muito, nesse sentido. Sendo assim, por que não exterminá-las, limpá-las?
- Esqueci: quando se fala de valores e da família de policiais, pode. Agora quando vamos analisar um bandido, eles são frios e generalizados números a serem descontado no bolso do contribuinte. E quem tenta 'humanizar' isto um pouquinho (humanizar seres humanos?, que contra-senso!) é um sonhador a la John Lennon.
Tenho certeza que se eu, em hipótese, falar de um bandido qualquer, digamos um bandido meio-termo, um meliante em escalada em ascensão no "crime penitenciário", não um "facínora comedor de criancinhas", for morto "por acaso" no meio dos bandidões que Corrêa pretende exterminar, ele não ia se importar e a morte deste carinha passaria em vão.
Sim, inseticida social que resvala para os "menos culpados", mas vai acabar não importando: não eram inocentes completos. Correto? Muita gente pensa isso dos jovens da Providência. "Ué, eles tinham passagem pela polícia..." Não eram inocentes completos. Isso acaba não justificando, mas amenizando nossa consciência do choque que eles foram TORTURADOS e mortos.
Aliás, se a questão é tanto assim econômica (ou será que Corrêa só invoca a economia, com certa leviandade, para cutucar a onça em que o carioca é frágil? - seu medo e seu bolso),
então podíamos implementar uma política de limpeza mais completa: eliminamos todo deficiente que usa a saúde pública, todo aposentado (quem lhe paga a pífia aposentadoria? Nossos impostos caríssimos),
todos que andam gratuitamente no transporte público (porque todo o resto que paga, paga também por eles),
todos em situação "incurável", irreversível, que mamem indefinivelmente em algum serviço público. Parece justo?
Sobraria muito dinheiro para quem está bem usufrui-lo em bibliotecas, salas de aula etc, etc. É claro que funciona. É tão cruel e simples que, de fato, funciona. Funcionou na Alemanha nazista. A recuperação social e econômica garantida por Hitler foi fascinante. A "limpeza" social cubana também é fascinante.
Mas aí entra a questão crucial: queremos "funcionar" de qualquer modo? Com exilados políticos, abrindo um açougue? Nesta hora, alguém me interpela: "açougue já existe". Então paguemos na mesma moeda, correto?
Tinha esquecido que a lógica de confronto dessas pessoas significa fazer o mesmo que o bandido faz, para derrotar o bandido.
- Esqueci outra coisa: que o bandido foi rebaixado à condição de inferior à animal. Mas se importar com isso é "papo de direitos humanos", não é?
No meu comentário seguinte, vou demonstrar como esse pensamento é uma armadilha empobrecedora da análise, simplesmente de gente que de tão assustada clama por qualquer solução a curto prazo que venha.
Não tenho condições de morar fora no Brasil. Mas, no dia que ele aprovar por plebiscito a pena de morte, sentirei uma vergonha que vai anular todo nacionalismo que há em mim e, de fato, compreenderei que temos o governo que infelizmente merecemos.
Abraços,
Pedro
Qui, 24 Jul 2008 15:19:10 GMT
Frenesi
Outro dia, estava indo para o trabalho, no ônibus 229, Usina-Castelo.
Na altura da praça Saens Peña, uma menina, sentada na janela, ouvindo seu mp3 player, surpreendeu-se quando um pivete veio por fora, o puxou, conseguiu roubá-lo e fugiu. Rolou aqueles segundos de apreensão e solidariedade coletiva no ônibus.
Foi aí que um senhor falou: "E depois vem gente falar de Direitos Humanos". Encontrou coro em duas senhoras, uma bem velhinha.
É nessa situação que anda o Frenesi social que vivemos. "Direitos humanos" distorceu-se a ponto de virar sinônimo de proteger bandido. E distorceu-se também por conta de artigos como esse, no qual estou comentando. E, por causa da impunidade, as pessoas estão tão desesperadas que eu tenho certeza que apoiariam um espancamento, ou algo pior, do pivete que roubou um mp3 player.
Estou defendendo o pivete? De um linchamento, e de ser feito de judas, sim. Da pena apropriada para ele, não.
A questão é: o carioca tem conseguido discernir crime de crime? Ou todo crime generalizou-se no mesmo saco da "vagabundagem"? Todo crime merece uma dosinha de linchamento?
Outro dia, um taxista reclamava com razão de um cara que o fechou. Com razão, até citar a pena em que ele, ao longo da conversa, revelou que de fato acreditava: "Só matando".
É claro: a impunidade nos deixa fora de nós mesmos, desolados. Alguns dirão que as pessoas "não têm culpa de se sentir assim". Não sei se é questão de culpa ou não.
Mas não é como se fôssemos cordeirinhos amedrontados e a autoridade pastoril devesse resolver o problema para evitar que nós, o rebanho, entremos num frenesi assassino e descontrolado.
A situação está ruim. Todo mundo tem que respirar fundo e pensar: "como é que eu estou reagindo?" Feito uma ovelha, precisando de pastor? E apostando na vida desse Messias?
Ou alguém que sabe que suas reações constróem o mundo, o Rio de Janeiro: e quanto mais descontroladas forem, mais descontrolado é o Rio a sair disso.
Abraços,
Pedro
Qui, 24 Jul 2008 15:30:01 GMT
"PMs SOCIAIS"
coronel da reserva bem remunerada Milton da Costa,
não se aventure em teses sociais. Limite-se - com esforço - ao tema de segurança pública, que o senhor se diz "estudioso". Se os ditos "bandidos sociais" merecem pena de morte, o quê fazer então com os chamados "PMs sociais", que estão sempre na hora errada, no local errado, matando e extorquindo pessoas erradas ? Quem pode atrapalhar o direito de fuga desses "PMs sociais" ? Quem os fez assim ? Os "comandos sociais" ? Então eles - os comandos - é quem devem agüentá-los, e não a sociedade. O seu raciocínio deve possuir via de mão dupla. Ou o senhor vai dizer que o "PM social" não presta porque a sociedade também não presta ? O que farão as vítimas indefesas dos "PMs sociais", que ultimamente nos 10 anos vem fazendo as barbaridades que os jornais noticiam ? Será que merecem um "BEP RECREIO" de presente, tal qual acontecia com o chamado PONTO ZERO da Polícia Civil ? Qual a política pró-ativa do comando da PM prá acabar com os "PMs sociais" ? Todo o seu preconceituoso e demagogo pensamento de candidato a deputado "SIVUCA II A MISSÃO" já é por demais surrado e demodé. Pare de jogar para a platéia. Se o "estudioso" quer saber - ou ensinar - as "razões sociais do crime", procure desvendar primeiro o que acontece na sua Instituição. Depois venha dar "aula" sobre o que acontece fora dela, falou ?
GUARDA NOTURNO
Sex, 25 Jul 2008 01:34:50 GMT
As coisas que não entendo.
Da já longa e triste lista das más idéias, instituir a pena capital no Brasil seria a pior delas, mas há quem á defenda.
Acredito sim que existem criminosos irrecuperáveis mas, como já disse antes, sou ferrenho opositor da pena capital por acreditar que nenhuma prova é 100% infalivel, sempre há uma nova tecnologia que pode provar que aquele fio de cabelo não era do acusado.
Após 08 anos na PM cheguei a conclusão de que o crime e a marginalidade nada tem a ver com condição social e sim com condição de caráter. Porque se vosse assim teríamos hoje só na Favela da Rocinha, cento e cinquenta mil marginais. Acredito que os moradores de favelas pecam sim pela omissão, mas isso é outro assunto.
Como pode um morador de favela ser traficante e o vizinho catador de papel? Simples, caráter. Minha teoria é de que o problema do crime no Brasil está relacionado a família, ou melhor a falta dela. Porque no momento em que deixamos de dar valores mínimos às nossas crianças estamos deixando de dar ensinamentos básicos de caráter e respeito ao próximo.
Para mim o problema não está só nas armas que entram no país, mas sim nas pessoas que estamos formando para usá-las.
Luciano Carriço (lucianocarrico@bol.com.br)
Sex, 25 Jul 2008 17:49:37 GMT
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.
Comentário aguardando aprovação.