Parabéns!!!
Prezado Coronel Emir Larangeira,

Parabéns pelo excelente artigo.

Saudações fraternais,

Ten Cel Carballo.
Ten Cel Carballo (carballoblanco@terra.com.br)
Sex, 25 Jul 2008 20:57:02 GMT
A ARTE DE SABER ESCREVER
O idioma é uma forma limitada de comunicação. Quem costuma usar e-mail para discutir, ou pelo menos se comunicar com freqüência (o que, ainda que a contragosto, é meu caso), já invariavelmente deparou-se com situações onde falou uma coisa, o outro lado entendeu outra, e um dissabor se gerou desse mal entendido. Porque, quando nos comunicamos, usamos mais que as palavras prá nos fazermos entender. Usamos entonação de voz, expressão facial, gesticulações, e o olhar, que transmite sentimentos bonitos, mostra a alma e recebe Amor.

Mas há situações em que não há outra forma de comunicação possível que não a escrita. Eu trabalho com pessoas dos Estados Unidos, do Canadá, da Alemanha, da Índia, e a melhor forma de me comunicar com elas é através de IRC (Internet Relay Chat). Mesmo alguns de meus amigos antigos de São Paulo falam comigo freqüentemente por um sistema de Instant Messaging chamado ICQ. Eu não teria condições financeiras prá falar com todos eles por telefone, nem posso voltar à São Paulo (tampouco ir a Austin, Fishcue, Bombaim ou Montreal) com freqüência. Mesmo os excluídos digitais invariavelmente recaem sobre esse problema: aquela família no Sertão Nordestino não vai poder receber notícias do seu filho que está no Sudeste tentando conseguir melhores condições de vida que não por carta - não há telefone, não há condições de ver o filho pessoalmente. Nessas situações, vemos a importância de a língua ser instrumento que permita fácil e clara absorção do conteúdo que o interlocutor planejou passar para o ouvinte, já que na forma escrita nos comunicamos apenas por ela.

Ora, estamos então falando sobre padrões. Padrões, em Computação, são conjuntos de regras criados, que todos devem seguir (um exemplo que deveria ser mais amplamente divulgado - até prá não falarem, por exemplo, dos problemas encontrados em navegadores que não o Internet Explorer sem perceber que o problema é o Internet Explorer não seguir os padrões -, é o do World Wide Web Consortium: acesse se você desenvolve páginas, e olhe com carinho), para que todos possam entender o que você quis dizer quando programou um código, diagramou uma página, ou documentou algo. Mas no caso da Computação é mais fácil, porque trabalhamos com ferramentas mais limitadas. A língua é naturalmente dinâmica, muito mais abrangente (abrange inclusive toda a Computação), e com um público usuário muito maior e mais heterogêneo. O que não quer dizer que os padrões não sejam importantes - aliás, pelo contrário.

Em 2002 uma amiga me chamou de preconceituoso lingüístico, e foi a primeira vez que eu ouvi essa expressão. Por um desses enganos que a limitação de idioma faz, eu entendi que ela, estudante de Letras, estava escrevendo um livro sobre como falar e escrever corretamente, e procurava minha ajuda - eu fazia parte de um grupo informal na faculdade que corrigia erros crassos de português em textos com muito bom-humor. Quando fui falar com ela, fui rotulado como esse nome grande, e na mesma semana ela me deu um livro sobre o tema. Li com carinho - acredito que só através da tese e da antítese conseguimos senso crítico -, mas não concordei com quase nada do que estava escrito lá. Não acho nenhum problema alguém que não teve acesso a uma educação formal falar Português da maneira como consegue (influenciado pelo meio, ou até pela sua criatividade, como único instrumento que restou), mas acho que esse fato não legitima o Português que essa pessoa fala como "correto", tampouco que a partir daí possa aceitar-se que qualquer um possa falar como bem entender, sem se preocupar com forma, construção, e até mesmo corretude das declinações - ou seja, sem se preocupar com padrões. No mesmo ano, conversava com uma conhecida, estudante de Lingüística, e ela chegou à conclusão que, mesmo se evoluíssemos o idioma até um dialeto que só nós dois entendêssemos, ainda assim poderíamos chamá-lo de Português. Babilônia!

(Penso no assunto desde aquela época, e ele voltou à tona hoje, quando um amigo me repassou uma crítica justamente ao livro que tenho sobre o assunto. Não quero fazer propaganda, nem do livro nem da crítica, porque os dois me desagradam. A crítica é muito longa, trata cada parte do livro, mas com um extremismo desnecessário, que chega ao ponto da argumentação burra, sem conclusões - num dado ponto do texto, por exemplo, o crítico entitula o autor do texto como "de esquerda", de forma depreciativa e sem explicitar nenhum motivo: nem por que o autor é de esquerda, nem por que é ruim ser de esquerda. Daí, achei que deveria escrever algo mais moderado. E hoje me chamei de "Preconceituoso Lingüístico Esclarecido", em tom de brincadeira, quando bronqueei com uma pessoa que escreveu dois e-mails ininteligíveis para uma lista de discussão: sem pontuação, quase sem palavras ortograficamente corretas, e sobre um assunto importante.)

Então, tenho medo quando falam de preconceito lingüístico. Medo de cada vez mais eu conseguir me comunicar com cada vez menos pessoas. Medo de não me fazer entender quando precisar, simplesmente porque o ouvinte faz parte de um gueto diferente do meu. Respeito muito a iniciativa bem intencionada de não excluir o português coloquial, taxando-o de "errado", como se fosse um pecado. Aliás, foi Oswald de Andrade quem trovou uma vez:


"Dê-me um cigarro"
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido

Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
"Deixa disso, camarada
Me dá um cigarro"


E eu aplaudo. Mas não façamos, por conta disso, caminhos para uma Babel futura. Comunicação é essencial, sobretudo na Sociedade da Informação, e não podemos deixá-la se perder num descuido.
LILIANE VALLE BARRADAS (lilithvalle@globo.com)
Sex, 25 Jul 2008 21:54:10 GMT
MILITARISMO POLICIAL NÃO TEM LÓGICA
O Coronel Emir Larangeira já está convidado a alistar-se no meu EXÉRCITO. O seu texto deveria ser impresso e repassado aos "engomadinhos e brilhantes oficiais da PM" (o brilho é das medalinhas e outros pendurucalhos da farda), que ao invés de se postarem ao lado da tropa - e de farda - preferem enfeitar salões palacianos e decorar gabinetes de outras autoridades estaduais - de terno e gravata.
Mas essa foi a filosofia que o Exército Brasileiro lhes deixou como legado: "ocupar, bajular e conspirar". É essa a tradição militar nacional. Hoje os PMs adoram ser chamados de "militares". Basta ver o entorno de qualquer quartelsinho, onde lá está impresso em placas e latões: "área militar". Os oficiais da PM parecem reeditar tudo aquilo que os militares revolucionários de 64 fizeram com as Forças Armadas. Montaram uma estrutura pesada e burocrática para garantir-lhes o poder de mando e a distância da tropa, que é descartável, tal qual os meninos do tráfico. Adoram motorista, carro oficial,telefone celular ajudante de ordens, pompa de comando e outras benesses, que não mais se coadunam com a realidade social, cuja ordem pública são incumbidos de manter. Eles querem SE MANTER,ficando a ordem pública em segundo lugar. A estrutura militar - e não policial - é pesada, a começar pelo tal do "rancho", que deveria acabar. Os chamados "tickets refeição" seriam bem mais úteis à tropa, mas o "rancho" é mais generoso e lucrativo pros oficiais. Mas esse é apenas um dos detalhes. Hoje os comandantes não precisam mais estar no "campo de batalha" pra amealhar os "espólios de guerra". Eles obrigam os policiais militares a faze-lo em seu nome, tal qual no filme "TROPA DE ELITE", e o "soldado" que não tiver "bom desempenho" recebe o "castigo" apropriado, ou então não recebe nada e é obrigado a ceder a vaga para um outro mais "eficiente".
E a comprovação de tudo que foi dito pelo próprio articulista ficou constatado no movimento dos "BARBONOS", que em última análise tentou compelir o próprio governador a "demitir" um secretário de estado, em flagrante afronta à hierarquia e disciplina militares. Esse foi o belo exemplo repassado à tropa. E o resultado disso a sociedade experimenta todos os dias.
CORONEL DO EXÉRCITO DA SALVAÇÃO
Sab, 26 Jul 2008 01:47:28 GMT
Agradecimento
Prezado companheiro Carballo


Considero uma honraria receber do estimado companheiro um elogio. Acompanho o seu esforço intelectual e creio que nós ambos almejamos um mundo melhor para as próximas gerações, inclusive as da nossa corporação, que, infelizmente, se mantém no que designo como “maldita tradição”. Ora, mesmo gostando do nosso lar, quantas vezes temos de reformá-lo para melhorar o conforto e a auto-estima de nossa família? Só não o fazemos porque nos falta o principal (condições financeiras), mas é só um exemplo para caracterizar que o nosso “segundo lar” (a PMERJ) tem todas as possibilidades de se aprimorar para melhor atender à sociedade no tocante à sua proteção, que é a sua finalidade constitucional. Temos obrigação de insistir nisso, embora eu saiba que é muito difícil influenciar os nossos colegas mais velhos e, desgraçadamente, os mais novos. Por isso, não desisto de expor idéias e acompanho com atenção aqueles que, como o ilustre companheiro, fazem o mesmo que eu até com muito mais qualidade intelectual e vivência atualizada.
Costumo visitar o seu blog (Segurança Pública: Desafios e Perspectivas) e me impressiona a sua coragem ao defender suas idéias. Afastei-me abruptamente da atividade em 1990. Poucos entenderam o meu gesto. Assim fui ao debate, arcando com as conseqüências disso, em especial absorvendo críticas e até ofensas dos que não concordam comigo. Ora, discordar é fundamental para a evolução das idéias, e enganam-se os que pensam que as idéias não movem o mundo. Por tudo isso, meu prezado companheiro, creia que a sua convergência neste caso teve para mim um valor especial, do mesmo modo que, se um dia houver a divergência (e haverá, e isto é bom!), eu a observarei com muito respeito, sem qualquer constrangimento em mudar de idéia, se for o caso. Já fiz isso muitas vezes, até mesmo confessando em artigo no meu blog minha culpa por muitos erros nos quais acreditei e transmiti aos mais novos como instrutor. Até que fui derrotado por uma negra favelada ante o filho adolescente tombado morto com um tiro de escopeta, em Vigário Geral, com ela seminua, em miséria absoluta, confessando-me em pranto convulsivo ser o seu filho envolvido no tráfico. Confesso isto em livro no qual busquei clarear a verdade do meu passado na PMERJ, maculado por uma facção brizolista insana (desculpe-me a redundância, nada contra o PDT). Na verdade, creio que os governantes têm culpa menor que a nossa. Eles ouvem as pessoas erradas e acabam respondendo por falhas que não se vinculam ao seu íntimo. Eu, por exemplo, gosto pessoalmente do governador Sérgio Cabral e ainda estou crendo que ele vai acordar a tempo de melhorar a segurança pública. Ele é bem-intencionado. Espero sinceramente que isto ocorra, embora eu lamente a saída do Coronel Ubiratan Ângelo do comando da PM, deixando claro que nada tenho nem contra nem a favor do atual. Mas não me há dúvida de que o Coronel Ubiratan foi vítima da resistência interna às mudanças que sabemos serem inadiáveis. Elas, pelo jeito, não ocorrerão tão cedo...
Eu poderia lhe agradecer por e-mail, mas prefiro seguir o conselho do comentarista seguinte à sua postagem e fazê-lo aqui da forma como está. Muito obrigado pela atenção e pelo carinho! Saiba que a recíproca é absolutamente verdadeira! Abraços. Emir
Emir Larangeira (emirlarangeira@hotmail.com)
Sab, 26 Jul 2008 07:10:03 GMT
CRÉU NAS MILÍCIAS
CRÉU NAS MILÍCIAS

O Secretário José Mariano Beltrame pretende acabar com o porte de arma dos bombeiros fora do horário de serviço.

A Constituição garante aos bombeiros o porte de arma - por serem força auxiliar do Exército - mas o "Estatuto do Desarmamento tem uma brecha" que permite que os comandantes de cada unidade decidam sobre o porte de arma para seus comandados. A equipe jurídica do secretário José Mariano Beltrame aproveitou a brecha e vai atuar no sentido de impedir que os bombeiros usem armas de folga fora do horário de serviço. Além reduzir o número de armas nas ruas e preservar a imagem da corporação, que está desgastada por causa do envolvimento de bombeiros com milícias, a Secretaria de Segurança vai tentar reduzir as facilidades dos bombeiros que participam de grupos ilegais armados no estado. Segundo Beltrame, 15% dos investigados por desvio de conduta na área de segurança são bombeiros.

Historicamente os bombeiros sempre foram os heróis. Mas desde a década de 90 alguns deles passaram a ser também vilões, ao participarem de grupos de extermínio, os precursores das milícias.

A iniciativa do secretário José Beltrame é digna de apoio da sociedade. A medida segue uma postura pró-ativa do governo do estado, que foi o primeiro a declarar guerra às milícias, desde que suas atividades se tornaram públicas por meio de reportagem.

Agora,aqui entre nós, o que tem haver "OS SOLDADOS DO FOGO, CORPORAÇÃO MAIS QUERIDA DO BRASIL !" usarem armas?

Já sei, vão combater os focos de incêndio com suas pistolas 380 ?

"Cá prá nós", o Deputado que inventou essa brecha na CONSTITUIÇÃO para dar porte de arma aos BOMBEIROS, estava bêbado ou mal intencionado.

Parabéns ao "XERIFE" JOSÉ BELTRAME!

Podem conspirar, pois o gaúcho tem o santo forte !

" QUEM CONSPIRA O RABO ESPICHA "

(QUEM COM GRAMPO GRAMPEIA,COM GRAMPO SERÁ GRAMPEADO)
O AZULÃO GUANABARA (leviatã@yahoo.com.br)
Sab, 26 Jul 2008 11:56:04 GMT
SUN TZU e MAQUIAVEL
Sugestão! Haveria possibilidade de tirar do "curriculo" de formação policial os livros " A Arte da Guerra" e o "Pequeno Principe" , haja vista, os conceitos filosoficos e doutrinarios ali passados, nada teem a ver com a realidade constitucional e a sociedade em que vivemos aqui no Rio, sem falar ainda, a perca da "Identidade" dos jovens formandos que mais tarde comporão a Segurança Publica?
Pinacio (mcpi@oi.com.br)
Dom, 27 Jul 2008 08:33:46 GMT
(POR UM RIO DE PAZ)
ABIXO TRANSCREVO LINDO TEXTO DO PRESIDENTE DO MOVIMENTO RIO DE PAZ.

"POR UMA POLÍTICA DE LIBERTAÇÃO
Fala-se muito sobre a chamada política de confronto do governo do estado do Rio de Janeiro. Após um ano e meio de muito confronto, marcado por baixas de civis inocentes e policiais, sem conseqüência significativa alguma para a diminuição do número de homicídios, que deve chegar em dezembro à marca de 21.000 em dois anos (se contarmos homicídio doloso, encontro de cadáver, auto de resistência, latrocínio, pessoas que foram assassinadas e que se encontram na categoria “desaparecidos” e policiais mortos), a população começa a perceber que seu apoio inicial ao confronto estava equivocado.

Um dos dramas da vida reside no fato de que em muitas ocasiões há um lado dialético na verdade. Os dois lados de uma mesma moeda que precisam ser levados em consideração. Uma sutileza que passa despercebida pelos que se recusam a pensar de modo duplo. C. S. Lewis, famoso autor das "Crônicas de Nárnia", costumava dizer que o erro vem aos pares. Extremos opostos que se nos apresentam, forçando-nos a fazer uma escolha entre ambos, quando na verdade a escolha de ambos os lados representará a opção pela meia verdade. Como diz o famoso médico e teólogo galês, Martin Lloyd-Jones: “Não há nada pior na busca pela verdade do que elevarmos à condição de verdade completa um aspecto da verdade”. Em suma, pessoas podem estar numa discussão apresentando pontos de vista diferentes sobre um determinado tema e ambas estarem erradas.

Só um completo desconhecedor da natureza humana para eliminar o confronto da política de segurança pública. Sendo o homem quem é o estado tem que se fazer valer do monopólio do uso da força. Nossa tendência ao mal tem que ser refreada ou pela força da persuasão racional ou pelo poder coercitivo do estado. A idéia de eliminarmos a responsabilidade humana em razão do histórico de miséria da vida do malfeitor, fará com que admitamos como normais crimes que nenhuma miséria é capaz de justificar. Contudo, a meta do combate à violência mediante o confronto pode ser alcançada de modos diferentes, adaptando os meios aos fins estabelecidos e às circunstâncias históricas.

A atual política de segurança do estado do Rio de Janeiro está equivocada por vários motivos. Os números da violência estão aí para mostrar que houve algum equivoco e que uma correção de rumo urgente precisa ser feita. Senão vejamos.

Há um erro estratégico, incompreensível mesmo para um leigo, de focar o combate ao tráfico e ao uso ilegal de armas na comunidade pobre e não no entorno da cidade do Rio de Janeiro. Sabe-se que essas drogas vêm pelas nossas estradas. Por que não há um investigação séria e eficaz nas vias de acesso da cidade? Por que transferir o trabalho de apreensão para as comunidades pobres apenas?

A idéia de que há um preço de vidas a ser pago pela população a fim de que a violência seja reduzida é moralmente incorreta e unilateral. Esse preço está sendo pago pelos pobres e não pela classe média. Quem tem morrido em troca de tiros entre policiais e traficantes é gente como a menina Fabiana da Mangueira e o menino Ramon de Guadalupe, e não as crianças do Novo Leblon e do Mandala na Barra da Tijuca. Não se combate a violência com o foco mais voltado para a morte do malfeitor do que a proteção da vítima. É imoral trocar tiro com armamento que fura parede de alvenaria sabendo que há criança dentro das casas que situam-se nas regiões onde ocorrem os conflitos.

A invasão sem a intenção de ocupar as áreas dominadas por narcotraficantes representa um desembarque da Normandia pela metade. A um custo altíssimo de vidas entra-se numa região, mata-se dezenas, traumatiza-se crianças, para no minuto seguinte voltar-se para batalhões e delegacias, deixando a mesmíssima área devastada totalmente desguarnecida. Um observador estrangeiro atento será levado a pensar que ou enlouquecemos, ou perdemos o senso de valor da vida humana, ou somos um povo atrasado sob todos os pontos de vista. Precisamos de uma política de libertação. O estado precisa fazer com a população pobre o que o exército colombiano fez com a ex-refém das Farc, Ingrid Betancourt: “Somos do exército da Colômbia, a senhora está livre”. A falta de uma perspectiva de ocupação tem levado os próprios integrantes das polícias à percepção frustrante de que estão “enxugando gelo”. Olha, eu vi gente graúda da nossa segurança pública expressando para mim essa semana essa terrível frustração.

A morte de garotos envolvidos com o tráfico sem a presença definitiva do estado em áreas dominadas pelo crime e a criação de condição para a chegada de políticas públicas nas comunidades pobres, é outro aspecto desse desperdício de tempo, recursos e vida. Sabe-se que para cada jovem morto há uma fila indiana de reservistas do crime prontos para substituir os que pereceram. Rapazes com uma demanda de auto-aceitação imensa. Sabedores do fato de que com um fuzil na mão vão poder levar as meninas para a cama, ter o destino de vidas humanas em suas mãos e comprar os bonés, tênis e roupas de grifes famosas. Tudo isso num contexto de ausência completa de uma referência paterna, colapso da experiência familiar, perda de valores, pobreza e evasão escolar. Sem o estado presente e oferecendo condições dignas de vida para esses jovens, nós vamos entrar para a história como cidadãos do estado que mais matou e menos realizou para a promoção da vida e paz.

Como esperamos vencer essa crise terrível, a maior que a minha geração enfrentou, com a condição de penúria em que se encontra a nossa polícia? Nossa polícia trabalha em circunstância desumana. Os policiais que tombaram na proteção dos moradores da Fonte da Saudade ganhavam menos do que o custo fixo de cada filho das famílias para as quais ofereciam segurança. Como pagar tão mal a homens que exercem função social de tamanha importância e que correm risco de vida tamanhos no exercício de sua profissão? Essa polícia carece de melhores salários. Soldo digno de atrair os melhores jovens da nossa sociedade para o exercício do ofício de policial. Essa polícia carece de ser melhor qualificada. Não se pode botar uma arma na mão de uma homem, dizer que ele tem o direito de usá-la com base em um pacto social que envolve o consentimento de milhões de seres humanos, e não prepará-lo para tarefa que envolve vida e morte. Essa polícia carece de homens que saibam comandar e inflamar seus comandados com altos ideais de serviço ao próximo.

Tudo isso depende de investimento. Essa semana soube através de gente importante da área da segurança pública do nosso estado que o Rio de Janeiro precisa de mais 10.000 policiais para um policiamento ostensivo à altura das demandas do estado. Sabe-se também, conforme acabei de mencionar, que o salário do policial deve ser aumentado. Perguntei: “Mas, porque esse investimento não é feito?” Em tom que me pareceu sincero e tomado de frustração ouvi meu interlocutor dizer: “O estado do Rio de Janeiro não tem dinheiro”. Pensei: “Meu Deus, essa gente tinha que vir a público e admitir isso. A população tem o direito de saber se o estado tem condição ou não de oferecer segurança para os seus cidadãos”. Porque das duas uma: ou vamos embora daqui por causa do medo, ou nos mobilizamos para salvar o Rio de Janeiro por causa do amor. Se é assim, o governo federal peca ao deixar o segundo estado em arrecadação da federação sob um massacre sistemático de vidas humanas, não oferecendo recursos para que os homens que estão à frente da secretaria de segurança pública possam trabalhar.

Sou um leigo sobre segurança pública. No início do ano passado eu não sabia a diferença entre Polícia Civil e Militar. Não sabia que a primeira é responsável pelo serviço investigativo (no Rio de Janeiro são elucidados menos de 2% da autoria de homicídio doloso) e a segunda pelo policiamento ostensivo. Mas, venho de dias nos quais entrevistei todo mundo. Falei com coronéis da PM, parente de vítima, jornalistas, pesquisadores, presidente do ISP, secretário de segurança e o próprio governador. Cheguei à essas conclusões. Gostaria de saber se estou errado, se sou alarmista ou ingênuo. Aguardo convencimento racional do meu possível erro de avaliação.

Nós só não podemos fazer o que é tão próprio do brasileiro, deixar para a amanhã o que devemos fazer hoje. Não há mais espaço para procrastinação. Não podemos decidir não decidir, permitir que a maldade dos perversos seja reforçada pela fraqueza dos virtuosos, tornando-nos assim cúmplices de um genocídio. A hora de agirmos com mais bom senso é agora, especialmente quando tomamos conhecimento do fato de que pode ser que um terceiro monstro esteja para nascer na nossa cidade, o pior de todos. Permitimos o narcotráfico e a milícia, e, agora, surge no cenário o envolvimento com o crime baseado em ideologia de libertação dos oprimidos dos centros urbanos. Imagine marginais treinados para infernizar a cidade e julgando com isso que estão salvando os pobres.

Ainda é tempo. Houve povos que enfrentaram problemas mais graves dos que os nossos e os superaram. Nossa geração pode vencer essa batalha da violência. Mas, para isso precisamos trocar a idéia de confronto pela idéia de libertação. E isso mediante a união de todos nós que amamos e nos orgulhamos do estado maravilhoso que Deus nos deu para habitar em paz.
Antônio Carlos Costa
Rio de Paz"
ANA PAULA ABRANTES SILVA R SOUZA
Seg, 28 Jul 2008 09:27:28 GMT
Comentário
Prezada Ana Paula

Vou postar o texto do Antônio Carlos Costa no meu site (
www.emirlarangeira.com.br), mais especificamente no blog a ele integrado. É texto que merece de cada um de nós muita reflexão. Há nele muita verdade a ser levada em conta. Também sugiro à ilustre leitora que visite a parte do meu site onde eu ponho à disposição de todos os meus livros editados e esgotados(romances e contos) para leitura e impressão gratuita. Recomendo o romance "Cidadela Contemporânea", que muito tem a ver com a idealização desse texto postado como comentário. Em boa hora. Vou divulgá-lo ao máximo. Obrigado pela participação.
Emir
Emir Larangeira (emirlarangeira@hotmail.com)
Seg, 28 Jul 2008 11:39:54 GMT
Sim acredito que o premio jaboti seja merecido, pois, farda, não é fardo, não podemos esquecer que é um voluntariado, esta onde esta porque quer, se não aguenta vai estudar para ser poeta, não digo com isso que não temos muitos letrados na corporaçaõ mas, tenho certeza e a lucides que nunca colocariam como fardo a vocçao de defender a vida de outrem.
Motta (mottacelio@hotmail.com)
Sex, 01 Ago 2008 20:42:58 GMT
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