Irretocável!
Uma rica extensão da linha interpretativa com a qual compreendo o fenômeno.
Saudações meu Coronel!
Mário Sérgio de Brito Duarte (caveira37@yahoo.com.br)
Sab, 23 Ago 2008 17:46:56 GMT
O CARIOCA ESTÁ SEM PAI
POR Carlos HB de Castro Magalhães


A tragédia da violência é o limite da ausência paterna. Em uma vida de armações ilimitadas é natural que o abismo seja o limite final intransponível. O ser humano é destruído quando o limite do abismo é desrespeitado. E agora que há essa destruição é que o carioca se dá conta de que "chegou a uma situação limite". O limite do carioca é o abismo. Não há Pai, não há o Terceiro, o Outro que ao filho sinaliza de que ele não é o centro ilimitado de tudo.

A morte de João Roberto na rua General Espírito Santo Cardoso representa a falta de limites. Embora houvesse um regulamento específico quanto ao uso das armas de fogo, o discurso oficial de confronto estimulou ações violentas e abruptas, sendo internalizado e revelando - tanto por parte das autoridades de segurança como pelos policiais - uma prática de auto-serviço (self service) normativo: os governantes, detentores do poder, escolhem quando e qual a lei a ser cumprida - ao sabor das conveniências. Um governo de homens sem limites e não um governo de leis e princípios - um reflexo da sociedade que o elegeu.

Embora trágico, foi de valor emblemático e dolorosamente consolador ver o Pai do menino João Roberto exigindo - e de certa forma impondo - limites às autoridades de segurança.

A ausência de limites entregou-nos, cariocas, à ignorância do Justo. Quando situações extremas chamam a atenção para o nosso drama - e é sintomático que recorrentemente só situações extremas nos fazem ver a ausência de limites - mobiliza-nos um sentimento de vingança que parece ser o único mecanismo de distribuição de justiça conhecido naquela que já foi a capital cultural do país, sede das melhores escolas de direito do hemisfério sul e atualmente berço dos melhores constitucionalistas. É que a figura do Pai Sábio, ausente que é, estipula para os seus filhos a reação estúpida, animal, instintiva, boçal, bajuladora do bruto, caricaturada de macho e sem inteligência para a realidade da vida. Atire-se primeiro, pergunte-se depois, desrespeitem-se direitos historicamente conquistados, e dê-se vazão ao sentimento de pavor que o abismo nos causa! Mas não se pratique o discernimento e compreensão...Na figura do policial excessivo por ilimitado que assimilou o discurso do governante sem limites e que orgasma o poder, o abismo é o limite...

O Pai Sábio - que deveria ensinar seus filhos e transmitir o saber ao homem comum do povo - está enredado nas disputas políticas das corporações judiciais, policiais, forenses e legislativas ou ocupado com discussões cheias de charme em algum bistrô ou livraria chique. Ele entregou a educação de seus filhos a jornais de cinqüenta centavos e a gritadores de programas policialescos de televisão. Ponderação e razoabilidade são negadas, mas radicalismo e explosão são profusamente ensinadas. Ele está cego pela vaidade, centrado no próprio ventre e morto pelo excesso - é excessivamente protetor dos seus acólitos; no seu excesso há ausência. Seu saber é mecanicista - não humano - e o habilita a usar de dois pesos e duas medidas. É hoje mera caricatura: no Executivo, ele está travestido pelo assistencialismo demagógico ou pelo empresariado de Estado; na Policia, pelo espetáculo e coordenação de jagunçagem e máfias de Estado; no Legislativo pelo gerenciamento de milícias, pelas Comissões de Inquérito, pelas leis simplistas de apelo populista e desvio de verbas; e no Judiciário pelo Populismo Judiciário - uma ideologia caracterizada pelo reducionismo dos problemas do Justo à vontade da opinião pública midiatizada, ao espetáculo e à superficialidade, com a intenção de enganar o povo e manter ou aumentar poder e privilégios. O abismo é o limite.

O abismo é o limite - e há uma celebração dele. O bicheiro - pioneiro e veterano da imposição dos limites geográficos do crime organizado na cidade do Rio de Janeiro - protagoniza a maior festa do cidade: o Carnaval. O bicheiro - caricatura de pai, com seu assistencialismo cafajeste e violência boçal, com seu suborno e múltiplos amantes (sejam mulheres, travestis, ou políticos e autoridades de segurança que se impõem destruindo os limites da verdadeira paternagem) é o homem sem limite que se reproduz nos cariocas carentes de paternagem verdadeira, lotando com seu dinheiro sujo a Passarela do Samba. Geralmente o bicheiro só encontra limite: na morte. E aqueles cariocas que os admiram ou se promiscuem com os favores, dinheiros, festas e benesses deles reproduzem o seu cinismo: só refletem sobre limites nas mortes horríveis que têm acontecido. Estão transformando o carioca num cínico: aquele que se alegra com quem lhe destrói a cidadania. O abismo é o limite..."
Anônimo
Sab, 23 Ago 2008 20:13:25 GMT
É pena que o cargo de Secretário de Segurança seja estritamente político. Ñão era do meu conhecimento que um coronel tão operante no combate à criminalidade quando no comando do 9 BPM, possuisse cabedal tão extenso, maior até que muitos antropólogos, com relação à evolução da violência no RJ. Perdoe-me a ignorância sobre sua intelectualidade. Por que pessoas tão abalizadas assim assim ficam ausentes à administração pública de segurança?
Marcello Siqueira de Souza. (marisolsaqua@click21.com.br)
Dom, 24 Ago 2008 17:39:05 GMT
BANGU 8 SOCIEDADE 0
"Ilha Grande 0 x Bangu 8

Num país de curta memória histórica, os fatos do passado tendem a se repetir no presente, sem que a administração pública se dê conta da gravidade que isso representa. Como exemplo clássico de tal desatino, o nosso sistema prisional se mostra bastante pertinente, notadamente se levarmos em consideração o que vem ocorrendo, de forma particular, no chamado presídio de Bangu Oito.

A "FALANGE VERMELHA", que se notabilizou sob o epíteto de "COMANDO VERMELHO", nasceu entre 1969 e 1975 no Rio de Janeiro, tendo como principais líderes William da Silva Lima, Paulo Nunes Filho, Carlos Alberto Mesquita, Paulo César Chaves, José Jorge Saldanha, Eucanan de Azevedo, Apolinário de Souza e Iassy de Castro, todos encarcerados no então Instituto Penal Cândido Mendes, conhecido como Presídio da Ilha Grande ou "Caldeirão do Diabo". O "COMANDO VERMELHO" resultou da reunião de presos políticos com presos comuns na Galeria "B" do presídio da Ilha Grande, pois esses presos comuns haviam sido condenados, na maior parte das vezes, por assalto a banco, com base na Lei de Segurança Nacional, numa tentativa, por parte do governo militar, de equiparar os revolucionários de esquerda aos criminosos de alta periculosidade. Resolviam-se, assim, dois problemas numa só solução.

Desta forma, a despeito de uma convivência nada harmoniosa, floresceu entre tais grupos um respeito e admiração por parte dos presos comuns à organização, disciplina e companheirismo existente entre os presos políticos - revolucionários de esquerda - o que lhes permitia sobreviver àquele inferno. Os internos da Galeria "B", presos comuns e revolucionários, passaram então a partilhar experiências, tendo os presos comuns adquirido, através de longos e contumazes encontros, o MODUS OPERANDI das guerrilhas revolucionárias, surgindo assim uma curiosa versão da "síndrome de Estocolmo coletiva entre presos comuns e excluídos políticos", dentre eles Fernando Gabeira e José Dirceu, além de outros. Em 1994 o presídio foi implodido com 200 quilos de dinamite, mas parece que os ecos de tal explosão perduram até hoje, já alcançando o Complexo Penitenciário de Bangu (ou Gericinó). A sociedade assiste - sem se dar conta - a construção de um novo "Caldeirão do Diabo" muito mais explosivo, pois o poder público parece não enxergar o perigo e a temeridade de se misturar policiais e políticos com delinqüentes do colarinho branco, onde criminosos que atuavam em quadrilhas, formadas por agentes do próprio estado, com ou sem mandato político, passaram a compartilhar espaço comum com criminosos de lesa-pátria, contra a ordem tributária, sonegação fiscal, dentre outros.

Assim, não tardará em ostentarmos o título de estado federativo com pós-graduação, doutorado e MBA em "Práticas Criminosas Mistas e Avançadas", fazendo inveja à máfia corsa francesa, à Cosa Nostra siciliana, à Camorra napolitana e à N'Drangheta calabresa.

Recente matéria publicada na "Folha de São Paulo" (03/08/2008) dá conta de que "a movimentação começa cedo. Antes das 9h, o desfile de mulheres de sapatos de salto alto toma conta da entrada do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio. Toyotas, Mitsubishis, Hondas, Citroëns e até um carro oficial da Assembléia Legislativa do Rio, todos com vidros escuros, trazem as visitantes, carregadas de sacolas e bolsas térmicas com comida." Segundo o cabo PM Faria "é um pessoal muito educado", comentava após checar a identificação de Rafaella Cacciola, filha do ex-banqueiro Salvatore Cacciola. "O frenesi em frente ao complexo aumentou nas últimas semanas, principalmente às segundas e sextas-feiras, dias de visita em Bangu Oito, como é mais conhecida a Penitenciário Pedro Lino Werling de Oliveira, uma das 23 do complexo de segurança máxima. Ela virou a prisão mais VIP do Rio".

O título se justifica pela lista de presos célebres. Além de Cacciola, estão lá o ex- Secretário de Saúde do Rio Gilson Cantarino, seu subsecretário Itamar Guerreiro, Álvaro Lins e os chamados "INHOS", Ricardo Hallack, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) e seu irmão, o vereador Jerominho (PMDB); o inspetor da Polícia Civil, Odnei Fernando da Silva (acusado de comandar a milícia que torturou jornalistas de "O Dia"), dentre outros. "Só tem sangue bom no 8", brinca um agente penitenciário que dá plantão no Presídio Moniz Sodré, no mesmo complexo".

Mas tanta gente influente junta dá trabalho. Um policial, que prefere não ser identificado, define o clima lá dentro. "ESTÁ UM INFERNO. MILIONÁRIO, POLICIAL CIVIL, DEPUTADO, MILICIANO E BICHEIROS JUNTOS É DEMAIS PARA OS AGENTES PENITENCIÁRIOS DAREM CONTA. É MUITA GENTE PRA COLOCAR BANCA". A pressão parece ser intensa. O poder deles é grande e as tentativas de interferência se mostram perniciosas. Pois bem: se criminosos comuns já fazem aquilo que todos sabem dentro dos presídios, imaginem então o quê não poderão fazer tais honoráveis e inalgemáveis hóspedes? Já está na hora de a administração pública dar uma pronta e eficaz resposta ao problema, pois se for pagar pra ver vai correr o risco de perder o jogo, até porque o outro "time" possui exímios jogadores, e apostadores também.


Rio de Janeiro, 21 de agosto de 2008.

Alexandre Neto
JAMES BOND 6666 (james_bond6666@hotmail.com)
Dom, 24 Ago 2008 20:45:29 GMT
A HISTÓRIA APENAS SE REPETE
Quando o governo do Estado divulgou um "aumento" de 8% para a segurança, decidi não mais postar comentários neste blog. Entretanto, diante deste texto do Cel Emir Larangeira, não resisti e não pude conter a vontade de também escrever. Apesar do texto rebuscado, restou evidente na contextualização do escrito, aquilo que o autor pretendeu transmitir. Não se faz necessário um esforço mental mais dimensionado para saber que o Sr Nilo Batista fora citado nas entrelinhas. Gostaria de dizer ao Cel Larangeira que, apesar de as vezes discordar dos seus discursos, não discordo da sua pessoa, uma vez que não o conheço pessoalmente e isso seria ignorância da minha parte. O que hoje assistimos no contexto social é uma evidente dominação das facções criminosas que durante muitos anos foram ignoradas pelo poder público. Deixaram o monstro crescer e ele ganhou traços políticos e institucionais. O que ontem era quase que inconcebível, hoje não mais nos surpreende. Ontem o homem chefiava a segurança, hoje ele é custodiado e vigiado por um anônimo e simples agente penitenciário. A mistura no cárcere que há três décadas e pouco semeou e fecundou os assassinos e traficantes de hoje, parece se repetir nas recentes prisões de autoridades que se envolveram diretamente com o crime que tinham o dever de combater. Se utilizaram do Estado e do Poder do Estado para empreender suas práticas criminosas. Infelizmente (bato muito nessa tecla), a hipocrisía social talvez seja a maior inimiga da pretenção do povo de se viver mais tranquilo nesse Estado de coisas absurdas. A mão que imita uma pomba nas passeatas pela paz é a mesma que paga ao traficante por um pouco de cocaína. A mão que enxuga lágrimas nos enterros de inocentes muitas das vezes é a mesma que confirma o voto para seus próprios algozes. Quanto ao tráfico? ele se escondia na miséria das favelas, mas agora achou asilo no asfalto e dentro das variadas instituições, e o que é pior, muitas das vezes com o aval do chefe. Muito bom Cel Larangeira, pena que esse filme a gente já viu e vai passar novamente nos próximos anos, com os efeitos especiais mais sofisticados e mortais.
Roberto
Dom, 24 Ago 2008 22:59:51 GMT
Cumprimentando
Mais uma vez, parabéns meu Coronel pelo texto claro, lúcido e como sempre, bem escrito.
O Cel. larangeira é um dos maiores depositários da cultura e do saber de nossa PM.
Um fraterno abraço.
Segadas Vianna (segadasvianna@hotmail.com)
Ter, 26 Ago 2008 12:40:45 GMT
Só complementando...
Para o narcoterror, LSN neles !
Segadas Vianna (segadasvianna@hotmail.com)
Ter, 26 Ago 2008 12:42:03 GMT
ELOGIAR PODE !
Ao Senhor Jornalista Moderador do Blog Works - Jornal O Dia.


Vou ser clara e suscita. Não posso concordar com um BLOG que elogiar poooooode! Cristicar Não pode.
Isso a meu ver é censura. CENSURA/CENSURA/CENSURA.
O Senhor Emir Larangeira adooooora receber elogios. Agora quando uma gotinha de pimenta ameaça cair em seus olhos- Ele chia , ameaça, quer dar porrada- "ainda bem que é porrada". E ainda, manipula o EDITOR com a CENSURA.

Estou foooraaaaaaa!

Não sou amiga dos Marinhos, porém lá em todos os blogs, ao menos o leito e respeitado.

Beijos
Tereza Aquino Müller (Tecamuller@yahoo.com.br)
Qua, 27 Ago 2008 20:40:03 GMT
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