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| Pedro Landim |
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O avião tinha a dimensão de uma van, e o medo a cada rasante só não era maior do que o visual improvável do deserto seco e árido, que terminava em falésias sobre um Oceano Pacífico azul e agitado.
Mais alguns minutos de voo na direção contrária, e a vegetação adivinhava o início da Cordilheira dos Andes. Dias depois, mais trem, ônibus e caminhada, o coração disparou sobre a indescritível Machu Picchu.
À noite, o som intenso do rio Urubamba e um porre de Pisco que não esquecerei.
Como um Pizarro guloso, me interessava conquistar os peixes peruanos, que dos espanhóis ganharam perfumes de coentro, alho, cebola, limão... transformando-se em ceviche.

Bem verdade que também devorei tenra carne de alpaca, filezinhos de baby lhama em molho puxado a especiarias, e batatas de diversas cores na terra onde Deus as plantou.
Mas vamos ao peixe cozido no limão, ou suco de outros cítricos, inspirador de todos os grandes chefs contemporâneos, delícia que requer poucos ingredientes para excitar as papilas.
Sucos
Basta o filé limpo de um peixe branco, como o linguado, cortado em cubinhos, que vai curtir durante algum tempo (voto em meia hora) nos sucos. Temperado com azeite, pimentas frescas, cebola roxa (cortada o mais fino possível) e coentro, essa erva de perfume inconfundível que casa com o peixe à perfeição.
As batatas doces e um pouco de milho tornam o prato ainda mais peruano.
Para incrementar a entrada na mesa, pensei num Guacamole fresquinho, que utiliza praticamente os mesmos ingredientes aromáticos do ceviche, com o abacate no lugar do peixe.
Tudo combina perfeitamente nessa mistura de sabores ácidos, doces e picantes, para se comer ao som de 'Soy Loco Por Ti, America'.
2 filés de peixe branco / 1 limão / 1 laranja / 1 cebola roxa / 1 pimenta dedo de moça, ou qualquer outra fresca / Coentro fresco picado / 1 dente de alho bem picado / Azeite / Sal / 1 batata doce grande / 1/2 xícara de milho
1 - Cortar o peixe em pequenos cubos, ou tiras, e cobrir numa tigela com a cebola cortada em tiras finas (de preferência com fatiador do tipo 'mandolin'). Deixar curtir por 30 minutos e acrescentar a pimenta, o coentro, o alho e o azeite, acertando o sal.
2 - Servir com a batata doce cozida e fatiada e o milho, cobrindo com o caldo de limão que temperou o peixe e o guacamole ao lado, se desejar.
3 - Para o guacamole, basta cortar em cubinhos metade de um abacate (deixe antes na geladeira para ficar firme) e misturar com ingredientes picados como pimenta, cebola, alho, suco de limão, azeite, cubinhos de tomate, coentro e gengibre ralado. Sirva na hora.
Veja Também: Boqueria em Digital

Eu tenho um sonho. Na beira de um rio distante, céu azul turquesa, montanhas cobertas de neve, os salmões pulando felizes e selvagens para dentro da cesta, ao lado da fogueira.
Mas aí, sempre nessa hora, ouço a voz da Etelvina, num samba de breque do Moreira: "Acorda, Landim malandro, está na hora do batente..."
Já vou, nêga, já vou. Abro a geladeira e ele está lá, embrulhadinho e todo coberto de sal. O salmão fresco, como aquele do sonho, é quase uma utopia. Pouco provável que eu, ou você, encontremos algum nessa vida.
Então vamos relaxar e brincar com esse talvez chileno que a gente encontra até na banca de jornal, que deve comer ração com lápis de cera moído, porque acende de tão laranja.

Curtição
O resultado da cura é muito bacana, e estou quase chegando à conclusão que essa é a melhor forma de comer salmão. Tipo 'gravlax', a técnica escandinava dos salmões que eram enterrados nos costões gelados para curtir. Ficavam ali na maior curtição.
Certa vez enterrei um filé baixo de salmão numa montanha de sal grosso e deixei dois dias na geladeira. O resultado foi catastrófico, tanto que dessa vez fui no sapatinho e fiz a coisa certa.
1 - Comprei um filé alto de 600g, com a pele, para a experiência. Primeiro misturei sal grosso e açúcar cristal, um pouco mais de sal, imaginando a quantidade necessária para cobrir o peixe por todos os lados.
2 - Abri sobre a mesa o filme plástico, calculei o tamanho do filé e forrei com o sal/açúcar o plástico. Sobre a 'cama' de sal, depositei o filé, pele para baixo.
3 - Peguei uma garrafinha de vodca que tinha em casa e apenas pinguei algumas gotas sobre o filé (muitas receitas pedem bebida). Então piquei na mão um ramo de endro (a erva muito cheirosa que também se chama dill, ou aneto, e está sempre perseguindo o salmão), e cobri o peixe. Por cima, pimenta do reino moída. E cobri tudo com uma camada de sal.
4 - Com cuidado, embrulhei bem o conjunto no filme plástico, fiz alguns furinhos para o caldo sair e coloquei na geladeira um tabuleiro forrado de papel toalha, com uma grelha pesada por cima, serve qualquer coisa que faça peso e 'achate' o peixe.
5 - Dia seguinte, coisa de 15 horas depois, retirei o salmão e o lavei bem sob água corrente. Fatiei na diagonal, desprezando a pele, e fui feliz.

A partir daí, várias entradas deliciosas, de saladas a tartares e carpaccios podem surgir.
Como esse 'pincho' na torradinha que traz saudades de meu rolé pelo País Basco espanhol: anchovas, pimentões e um bom azeite.
Veja também: Bomba!

Fiz pra ela um buquê diferente de flor.
Vermelho, feito pimenta...
De mansinho, por favor.
Com a eleição do pastel da Dona Maria em São Paulo, comecei a salivar e resgatei minha pequena excursão ao lado do 'empadólogo' Gilberto Lameira, que tornou-se grande companheiro de caravanas petisco-etílicas.
O fato é que conheci Gilberto na santa paz do Armazém Cardosão, numa tarde vadia de meio de semana, quando ali cheguei para enquadrar as famosas empadinhas de camarão.
Ele estava degustando calmamente a sua com um amigo, e contava que, ao se aposentar, passara a provar os petiscos famosos dos bares da cidade. Dali, daquela empadinha, estavam partindo para Copacabana atrás de uma tal picanha...
No ramo da empada, ele havia percorrido os quatro cantos da cidade, e combinamos uma matéria para mostrar algumas das melhores da praça. O sabor camarão, segundo Gilberto, servia como parâmetro ideal para a avaliação.
"A massa tem que ser fina, firme mas desmanchando na boca, em perfeita proporção com o recheio", dizia.
E assim fui apresentado a uma coleção de joias saindo de um pequeno carrinho com forno à lenha, numa esquina de Niterói, sábado de manhã (porque lá pelas 13h não há mais sinal de empada).
A Empada do Alfredo fica numa esquina da Av. Rui Barbosa, e o pessoal faz fila para devorar. São cerca de 3 mil unidades vendidas por fim de semana, nos sabores camarão, palmito, carne-seca com catupiry e queijo.

O segredo da massa é científico e surpreende com apenas dois ingredientes: "Só farinha e margarina, de marca especial, com 80% de lipídios", diz Alfredo, o dono do pecado.
Mas estivemos também no Caranguejo, templo dos frutos do mar em Copacabana, segunda no ranking de Gilberto e reconhecida pelas melhores bocas. Um negócio de louco, ao lado dos pastéis de siri e camarão. O Caranguejo, devo confessar, é para mim uma espécie de igreja. Como e rezo com Seu Zé, esse aí de baixo.

E atire a primeira azeitona quem disser que não gosta de empadinhas...
A primeira foto, de Niterói, é de Marcelo Régua. A segunda, do Cardosão, de João Laet. As duas últimas foram feitas no Caranguejo pelo André Az, que partiu cedo demais e deixou muitas saudades. Três craques do DIA. Obrigado, professores.
"A casa está bem bacana, com o charme da Hípica. Vista para as pistas de treino, mesas de madeira... E o menu é do Erik Nako e do Cristiano Lanna, do Cozinha Criativa".

As palavras são da Carol Zappa, que mandou e-mail sobre a inauguração do novo Bistrô da Hípica, e eu já simpatizei de cara.
Não apenas porque sou fã do trabalho do Erik e do Cristiano, mas pelo clima agradável que se adivinha: a paisagem da Hípica, casa colonial reformada e aberta também para receber quem não é sócio, janelas abertas para os cavalinhos e a cozinha inspiradas nos bistrôs e brasseries franceses.
No cardápio leio coisas como patê artesanal de campagne com pistache e azeite de trufas, coxa de pato confit, lombo de cordeiro com cogumelos gratinados ou purê de maçãs, bifes de chorizo com molho béarnaise...

...Massa caseira com camarões ao pesto de hortelã e nozes, sanduíche de rosbife, mostarda de Dijon e cebolas caramelizadas, e sobremesas como um carpaccio de abacaxi com pimenta rosa e sorvete de coco.
A carta de vinhos é bem variada e tem opções de todas as partes do mundo, rótulos a partir de R$ 34.
Fica na Av. Borges de Medeiros 2.448, Lagoa (2156-0155).
Os olhos indagam, a boca descobre e o cérebro matuta. As aparências surpreendem. Um passeio instigante do início ao fim, no menu de Roberta Sudbrack.
A chef e blogueira que transmite sua cozinha em tempo real pelo Twitter - uma espécie de 'país das maravilhas' onde os legumes cantam, cordeiros dançam e brigadeiros levados fogem das colheres -, nos conduz sem pressa a viagem delicada de texturas e proporções.

Ingredientes brasileiros muito frescos, como os microcubos laranjas de abóbora que estalam crus na boca, num inesperado tartare perfumado a gengibre e enfeitado com as sementes crocantes do vegetal.
Uma gastronomia feita de sorrisos, como os lagostins muito frescos envoltos em lâminas de chuchu defumadas na grelha. E a espuma de leite convidando para longe...
O processo dos chuchus ela me passou pela Internet, assim como as batatinhas 'croustillantes' que acompanham o leitão com textura de nuvem, protegido por 'biscoito' de pururuca.

Pelo Twitter, Roberta concluiu:
"Chef que esconde a receita deveria ser preso!"
E lá vem chegando um aspargo branco coberto por leve caramelo picante e diversos brotos, sabores nascentes em cada mordida: flor de erva doce, manjericão roxo...

A gema de ovo caipira com foie gras cremoso, e 'ciscos' de quinoa crocante me lembraram certos versos que diziam que a poesia é a lembrança das coisas que nunca vimos.
Algo assim, como um 'consommé' de chocolate amargo, pele de leite e telha de rapadura.

Roberta trabalha com duas opções fechadas de menus degustação, em conceito artesanal que a leva a colocar diariamente a mão na massa em seu restaurante.
Voltei agora ao Twitter e encontrei a chef, que dizia:
"Agora um pouco de música... e dança..."
Quem não deu boas risadas com a campanha impagável que coloriu a cidade de estrelas vegetais nos últimos anos?
A 'Exposição Hortifruti: O Caminho Natural de um Sucesso', está desde hoje ocupando paredes na estação do Metrô da Carioca, no Centro do Rio. De segunda a sexta, das 9h às 20h.
Vejam nossos heróis...
Símbolo sexual em escala planetária, e curtindo ao vento da península os cabelos cor de sol, o monumento andava a cavalo pela praia, comia pitanga no pé, ajudava os pescadores a puxar a rede e, dizem por lá, usava um vestidinho curto sem nada por baixo.
O verão de 1964 foi mais um inesquecível na Armação dos Búzios, e se Brigitte Bardot definiu as águas claras do balneário como "um mar de champagne azul", inaugurava também ali a vocação gastronômica do pedaço de paraíso que colocou a Região dos Lagos em horário nobre.

Sendo assim, é enfeitado por mais de 20 praias, e muitos frutos do mar, que o 8º Festival Gastronômico de Búzios ganha as ruas da cidade, nos dias 23 e 24 de outubro, apresentando a preços populares o melhor de 40 restaurantes da região.
'Tortino di Melanzana' do Bistrô Bellavere

Leia-se: entradas a R$ 10, pratos principais a R$ 15 e sobremesas a R$ 8.
"O festival tem formato diferente, mesas montadas ao ar livre, criando decoração charmosa e favorecendo a confraternização", diz Marcos Sodré, do tailandês Sawasdee.

Ele vai entrar com o Khao Mok Gung, arroz de jasmim com camarão e especiarias que faria Brigitte Bardot suspirar na orla que hoje leva seu nome.
Camarão ao coco com açafrão do Buzin

Os organizadores da festa esperam mais de 100 mil visitantes em 2009, agora que Búzios está na novela. Atenção pais de família, amantes e namorados: José Mayer está na área.
Khao Mok
Pois é, a Tailândia também tem seus mexidinhos. Esse requer nada mais que alguns minutos. Receita do Sawasdee.
2 col. de sopa de óleo de girassol / 2 dentes de alho picados / 1 pimenta dedo-de-moça picada / 120 g de camarões limpos / 1 col. de sopa de molho nampla (vendido em lojas de produtos orientais) / 1 col. de chá de açúcar mascavo / 1 col. de sopa de molho shoyu / 20 folhas de manjericão / 240g de arroz jasmin cozido / 1 cebola roxa picada / 1 col. chá de curry em pó
1 - Aqueça um wok (tipo de frigideira), ou frigideira normal e adicione o óleo. Quando estiver bem quente, coloque o alho e frite até dourar. Adicione o camarão e a pimenta picada, e refogue o conjunto até começar a mudar de cor.
2 - Coloque o molho nampla, o mascavo, o curry e a cebola. Ferva por mais um minuto e coloque o arroz já cozido. Mexa bem e adicione as folhas de manjericão antes de servir.
Me acompanhe porque sou novela: www.twitter.com/boca_no_mundo
Veja também: Tailândia Batida

Um pouco de mel adoçando o domingo, e uma tacinha de vinho no café da manhã tardio, pra ficar pensando melhor.

Ar lavado de chuva que se foi, cheiro de mato e a companhia do intrépido Gabriel, sempre disposto a correr perigosamente em volta da histórica piscina do Parque Lage, numa tarde que ainda seria palco de um grande confronto nas imediações do parquinho.

Waffles, pães de queijo, frutas, suco de laranja e um sanduba de frango ao curry, com grãos de mostarda e cebola caramelizada, no qual ainda derramei um pouco de mel.
Nos ouvidos, playlist 'swing-black-relax' de Djavan, Ed Motta e Luiz Melodia.
"Vim de lá, vim da praça mistério da raça cachaça pra se beber..."

'Pie' de maçã e passas, mineral com gás e café expresso. Vontade de me esparramar nas almofadas, mas precisávamos salvar o mundo. Ou dominar o mundo, nunca sei.

Eu, Gabriel e dois inimigos de nome e sobrenome notáveis: Max Steel e Aracni Extroyer.

Conseguirá nosso herói resistir ao ataque do terrível aracnídeo?

Vinde a mim, gulosos: www.twitter.com/boca_no_mundo
E veja também: O Tigre Comeu

Encontrei o Fernando no regabofe, que veio com a boa. Tirou do bolso um pequeno tíquete onde se lia: Os Botecos, Monarco e a Família Diniz.
E resumiu a parada de terça-feira: "Vamos ser nós, Enchendo Linguiça, o Paulette, o Cachambeer e o Original do Brás, cada um vai entrar com alguns petiscos, e o samba comendo na quadra da Estácio.
Deixa eu ver se entendi: Monarco, seus filhos Mauro e Marquinhos Diniz, e a neta, Juliana. Estirpe de portelenses 'D.O.C.', na quadra essencial da Estácio ("se alguém quer matar-me de amor...), com alguns dos petiscos campeões do reino carioca da botecaria, em ação conjunta entre louras geladíssimas.

Um evento que já nasce nota 10 em harmonia, evolução e tempero, tira-gosto para um verão que, pelo visto, já se anuncia. É bom se segurar, que a poeira vai subir.
Frigideiras
São bares laureados que estão colocando em fogo alto as frigideiras da gastronomia de botequim no Rio, aclamados nas duas edições do Festival Comida di Buteco.
Petit Paulette, Original do Brás, Cachambeer e Enchendo Linguiça (eleito o Melhor Botequim no Prêmio Tudo de Bom!, do DIA) uniram forças e escolheram especialidades de seus cardápios.
Estarão lá o mágico Croquelette, do Petit Paulette; a Picanha de Sol Acebolada com Manteiga de Garrafa, do Cachambeer; a Linguiça Croc, do Enchendo Linguiça, e a Alcatra Suína (flambada na cachaça, com noisete de mandioca) do Original do Brás, entre outros petiscos.
"Levaremos também meias porções do joelho de porco pururucado", disse o Fernando, sobre a especialidade do Enchendo Linguiça.
Fiquei sem palavras e contando os minutos.
Ali em cima, Zé Carlos, do Original, Paulette e Fernando. Turma da pesada.
Família
E tirei da cortiça um momento bonito nessa vida. Olhaí quem se intrometeu no clã dos Diniz, sem deixar o samba cair (e o copo também).
Da esquerda para a direita: Zeca Pagodinho, Landim, Mauro Diniz e Monarco. Ô, sorte.

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Desde o dia em que entrou na cozinha para arriscar um risotto de cogumelos, a vida de Pedro Landim mudou da água para os vinhos.
Repórter de cultura e colunista de gastronomia do DIA - onde ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2005 -, adora cozinhar, comer e falar de comida.
No jornal impresso, a coluna homônima é publicada às terças-feiras, no Guia O DIA-Michelin de Viagem.
Bom apetite. |
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