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Pedro Landim

Quinta-feira, 31 Maio, 2007

CARVOEIRO

Quando o inverno chegar, eu quero estar junto a ti...

A voz cavernosa de Tim Maia vem na cabeça, enquanto os pedacinhos de bacon defumado douram no azeite.

Que invenção maravilhosa essa mistura de gemas, queijo, bacon e pimenta do reino: Carbonara.

Foto Pedro Landim

O prato, segundo historiadores italianos, vem do final da Segunda Guerra, quando soldados americanos levavam ovos e bacon para família romanas prepararem molhos para macarrão.

Outra vertente sugere que o nome derive de ‘carvão’, e seria um prato substancial devorado por carvoeiros italianos. Nesse caso, é também possível referência aos pedaços de pimenta preta que cobrem o prato, indispensáveis ao sabor e ao visual.

Com vocês, a receita simples e clássica do molho, que tem no espaguete seu melhor companheiro. No prato da foto, utilizei a massa tipo ‘bavette’ e ficou bacana também.

Faça hoje mesmo, e não se arrependerá.

Foto Pedro Landim

Ingredientes:

Meia xícara de bacon em pequenas tiras / Azeite de oliva / Um ovo / Um dente de alho / Pimenta do reino moída na hora / Meia xícara de um bom queijo parmesão / Salsa picada fina / Sal a gosto

Preparo:

1 - Com um pouco de azeite, doure o bacon, com o dente de alho para aromatizar (recordando...). Descarte o alho e reserve o bacon na frigideira.

2 - Quebre o ovo numa tijela onde depois será adicionada a massa. Bata levemente com o garfo, adicione o queijo ralado, uma mão de salsa picada e uma porção generosa de pimenta do reino. Mexa bem.

3 - Assim que escorrer a massa, adicione na tijela e misture bem. Jogue o bacon por cima, misture de novo e sirva imediatamente, temperando com mais pimenta do reino, se for o caso.

Pe-ésse: Nem pense em utilizar pimenta do reino em pó, que já vem moída. Aliás, esqueça isso para sempre. Pimenta tem que ser moída na hora, com seu sabor e seu perfume. A outra é apenas um pó ardido que não serve para nada.

Hoje o céu está tão lindo, vai chuva...


Sexta-feira , 25 Maio, 2007

COMIDA, DIVERSÃO E ARTE

Comida é arte? É a pergunta que não cala entre os críticos de arte europeus, desde que o chef espanhol Ferran Adrià foi convidado para participar em agosto da edição 2007 da Documenta, um dos maiores eventos de arte no mundo, em Kassel, na Alemanha (alguns de seus pratos ilustram o post).

Sorvete de trufas brancas com gelatina de trufas negras:

Reprodução Internet

Adrià, para quem não sabe, é o criador do elBulli, considerado o melhor restaurante do mundo, nas imediações de Barcelona. Ele passa a metade do ano criando pratos em seu ateliê, no Bairro Gótico, e depois abre o restaurante para a temporada - as reservas, como se sabe, devem ser feitas com pelo menos um ano de antecedência.

A comunidade artística espanhola, no entanto, está fula da vida com a presença confirmada do chef na Documenta, considerada uma banalização da arte no país.

Miolo de cordeiro com ouriços e uvas do mar:

Reprodução Internet

O crítico Jose de la Sota escreveu no El Pais: “Adrià não é Picasso. Picasso não sabia cozinhar mas era melhor do que Adrià. O que é arte, agora? Alguma coisa ou nenhuma coisa?”, questionou.

Entrevistado pelo jornal, o chef respondeu: “É verdade, não sou Picasso, mas o que é arte nos tempos atuais? Muitas pessoas agem como se eu tivesse de me desculpar por participar do evento, mas não vou".

E Roger Buergel, o diretor da Documenta, afirmou: “Por que não? Quase sempre seleciono coisas que me soam estranhas”.

'Terroso' (não me pergunte o que há nesse prato):

Reprodução Internet

Enquanto isso...

Na bienal artística Lift, em Londres, comida e arte conviveram saborosamente, numa boa. E o público devorou a cidade de Londres, degustando cada rua ou monumento.

O projeto 'Eat London' reuniu centenas de artistas, arquitetos, designers e cozinheiros para construir uma réplica da cidade feita de comida. Legumes, frutas, carnes, massas, doces, tudo foi utilizado na capital, inteiramente devorada ao final do evento.

Londres comestível, vista de cima:

Reprodução Internet

Nos detalhes, a Tower 42, prédio mais alto de Londres (com tomatinhos cereja) e o moderno Guerkin (cheio de uvas):

Reprodução Internet

A torre do Lloyds, feita de pães e recheios:

Reprodução Internet

E no Rio, qual seria o monumento mais saboroso? Bem, já temos o Pão de Açúcar...


Quinta-feira, 24 Maio, 2007

SONHO COM ELA

Bendito seja o frio que chega de sopetão, inspirando amantes e abrindo apetites. Essa noite sonhei com queijos que derretiam sobre a carne macia da berinjela, e acordei pensando nela. Parmegiana, como tantas. Cremosa, como poucas.

Foto Pedro Landim

A fama do prato é mundial. Basta envolver a criança na bandeira italiana — o vermelho do tomate, o branco da mussarela, o verde do manjericão — e ser feliz.

Mas a culinária daquele país surpreende volta e meia, em detalhes que levam à perfeição certos lugares comuns de nossos cardápios. No caso, um pouco mais de trabalho para muito mais sabor (vou registrar o slogan).

Na receita, dois momentos principais. Um: as fatias de berinjela são fritas antes do forno. Dois: o prato não é apenas gratinado, mas assado por 40 minutos em fogo baixo.

Foto Pedro Landim

Ingredientes, para quatro pessoas:

Quatro berinjelas grandes / 200g de mussarela de búfala em fatias finas / Um bom queijo parmesão ralado na hora / Duas latas de tomates sem pele italianos (pomodori pelati) / Azeite extra virgem / Folhas frescas de manjericão / Óleo para fritar / Sal a gosto

Foto Pedro Landim

1 - Comece com o procedimento básico para retirar o líquido amargo das berinjelas (isso não é fundamental, mas realmente melhora o sabor): corte-as em fatias, ao longo do comprimento, deposite num escorredor e espalhe sal por cima (eu prefiro sal grosso). Em 30 minutos, elas vão ‘suar’ todo o líquido.

2 - Lave-as em água corrente e seque bem cada fatia antes de fritá-las em óleo quentíssimo (cuidado com isso). Escorra em papel toalha. (Na foto acima elas posam fritas).

3 - Para o molho, despeje as latas e tomate com um pouco de azeite e sal na panela, e reduza à metade em fogo lento.

4 - Unte levemente um refratário com manteiga e monte assim: primeira camada de berinjela, segunda de molho, terceira de mussarela, quarta de manjericão e quinta de parmesão ralado. E assim por diante, terminando em camada de berinjela coberta por parmesão. (A montagem está na foto que que abre o post).

5 - Leve ao forno pré-aquecido a 200 graus e asse por 20 minutos. Retire para conferir se a berinjela soltou muito líquido e, se for o caso, retire-o com uma colher. Asse mais 15 minutos, retire e sirva.

O resultado da brincadeira é um amálgama perfumado (isso foi bonito, hem?) de sabores. Abra uma garrafa de vinho tinto, por favor, e depois me diga se não abalou.


Sexta-feira , 18 Maio, 2007

UVAS DO PAN

Divulgação

E o Pan chegou às taças. Quem ganhou a medalha de ouro, no caso, foi a Vinícola Lídio Carraro, de Bento Gonçalves (RS). Com apenas três anos no mercado, a casa foi escolhida pelo Comitê Organizador para a produção do vinho oficial dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007.

Além de presença garantida nas festas, recepções e eventuais comemorações, a nova linha que leva na garrafa o selo do Pan já está chegando às lojas.

Entre nossas feras, quem certamente vai gostar da novidade é Giba, craque da seleção de vôlei e apreciador da boa mesa.

Quem conta é a colega Ana Carla Gomes, jornalista do Ataque e titular do blog Saca Essa. Na foto abaixo, enviada à Ana por Giba, ele exibe sua coleção de vinhos, na residência italiana.

Variedade

Arquivo pessoal

Os vinhos do Pan trazem diferentes faixas de preços, para consumidores distintos.

Na linha Reserva da Serra, o tinto de uvas Merlot e Cabernet Sauvignon, safra 2005, chega por R$ 25.

O vinho Elos, uvas Malbec e Cabernet Sauvignon, estará em junho nas prateleiras, inaugurando a safra 2006, a R$ 50.

E dois novos espumantes Reserva da Serra: o Brut (Pinot Noir e Chardonnay), a R$ 28; e o Moscatel, a R$ 22.

Na linha Lidio Carraro, a top da vinícola, o tinto Merlot Grande Vindima entrou na série do Pan a R$ 65.

"É uma vitória antecipada aos jogos, poder apresentar nossos vinhos para as Américas. Trabalhamos nos primeiros anos com uma divulgação restrita e teremos grande exposição da marca para o público em geral", disse, ao Boca no Mundo, o enólogo Juliano Carraro, 26, da quinta geração da família plantadora de uvas - e da primeira produtora de vinhos.

Reprodução Internet

A seguir, trecho exclusivo de nossa conversa com o enólogo:

"Juliano, como está a temperatura aí em Bento Gonçalves?"

"Estamos na hora mais quente do dia, por volta dos 6 graus"


Terça-feira, 15 Maio, 2007

DOCES MOLÉCULAS

Sushi de papel do restaurante Moto. Reprodução Internet

Nachos doces, com cobertura de um queijo feito de manga e molhados em geléia de kiwi. Que tal?

A sugestão de nojeira, digo, de sobremesa foi apresentada por Ben Roche, chefe de patisseria do restaurante Moto, no evento Taste³, congresso de gastronomia do tipo muito-moderno que rolou semana passada em Napa, Califórnia.

O Moto é aquele restaurante adepto da ‘cozinha molecular’ em Chicago, capitaneado pelo chef Homaro Cantu, que utiliza raio laser e nitrogênio líquido para servir algumas coisas que se parecem com comida.

A última 'revolução' do Moto, que causou espécie no meio culinário, é a técnica de imprimir sabores em papéis comestíveis, utilizando impressoras comuns e substituindo a tinta por sucos vegetais e caldos, em papéis de soja e batata.

O cardápio do restaurante tem desenhos de comida que o cliente pode provar, e o carro chefe são os sushis de papel (foto acima).

Vai um peixe no Chamequinho?

Filme Maria Antonieta. Reprodução Internet

Tofu

Quem andou também pelo congresso foi Eleanor Coppola — mulher de Francis e mãe de Sofia —, que falou sobre a altíssima gastronomia do filme Maria Antonieta (foto), dirigido pela filha.

Ela contou que o ator Jason Schwartzman, que interpreta Louis 16, é vegetariano, e por isso foram criadas réplicas em tofu para todos os alimentos que ele aparece comendo.

Segundo Eleanor, a comida tem tanta importância no filme que os tons pastéis da cores dos figurinos foram baseados em biscoitos de amêndoa franceses.

Afro

Trufas Vosgues. Reprodução Internet

No quesito larica, porém, ninguém suplantou a empresária Katrina Markoff, dona da Vosges Haut-Chocolat, grife luxuosa de chocolates.

Além de revelar que uma de suas principais influências foi Bob Marley, Katrina falou sobre o tributo que fez à música afro-americana, lançando um CD acompanhado por 12 trufas, cada uma representando um estilo musical.

A do hip hop, por exemplo, leva folhas de ouro, champagne e raiz forte. A do Rock ‘n’ Roll tem chocolate defumado com tabaco. E o Rhythm & Blues ganhou chocolate amargo com Jack Daniels e pó de cana de açúcar.

Por incrível que pareça, ficou faltando a do reggae.

Reprodução Internet

Sugestões?


Quinta-feira, 10 Maio, 2007

O GRANDE IRMÃO

Queijo da West Country Farmhouse. Reprodução Internet

Big Brother já era, o negócio agora é espiar o queijo.

A nova sensação gastronômica da Internet é um grande queijo cheddar inglês, vigiado 24 horas por dia por uma webcam em seu processo de amadurecimento.

A sacada partiu da West Country Farmhouse Cheesemakers, empresa que reúne um grupo de fazendeiros especializados em queijos do tipo cheddar.

Segundo eles, o método tradicional de se fazer o queijo é o mesmo desde o século 17. E o slogan dos queijeiros diz tudo: "Boas coisas vêm para aqueles que sabem esperar".

Desde dezembro, o bichão está evoluindo em frente à câmera, e já recebeu mais de 1 milhão de visitantes de 119 países.

Na televisão virtual, o freguês acompanha a saga do queijo com marcadores de dia, hora, minutos, segundos e milésimos.

Estamos hoje no dia 139.

Quer dar uma espiadinha?

No YouTube, um vídeo em 'time-lapse' mostra rapidamente a evolução do queijo nos últimos três meses.


Terça-feira, 8 Maio, 2007

AQUELA QUE MATOU O GUARDA

A bicha é marvada que só, mas quem não gosta só pode ser ruim da cabeça. Ou doente do pé.

Mangue Seco. Foto Pedro Landim

Pois nesta quarta-feira, dia 9, os cachaceiros - entenda-se: indivíduos apreciadores e conhecedores de cachaça - e demais embriagados pela OMB (Ótima Música Brasileira) têm mais uma chance para prestigiar o imperdível Cachaça Dá Samba.

O show é tramado por ébrios do gargalo de Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta (vozes e goles), Luís Filipe de Lima (cangibrina e violão de sete), Henrique Cazes (cavaquinhos e canas em geral) e Beto Cazes (porres e percussões).

A turma vai se apresentar às 21h, na cerimônia de abertura do Rio Sabor Cachaça, no Armazém 6 do Cais do Porto, um festival onde quem conseguir ficar de pé será brindado, até sábado (12), com oficinas, exposições, degustações, shows, seminários e outras atividades relacionadas ao universo das branquinhas.

Reprodução capa do CD

Mangue

Outro dia, este Boca no Mundo esteve esquentando a goela na Cachaçaria do Mangue Seco, na Lavradio, ao lado do amigo Paulo Magoulas — sumidade no mundo da pinga —, e pudemos mais uma vez beber ali, onde tudo começou, as músicas artesanais e envelhecidas no carvalho de Pedro, Alfredo e Cia.

Cachaça Dá Samba é um mergulho no alambique musical brasileiro, sorvendo um século de pinga em sambas, marchas e outras doses de compositores como Noel Rosa, Fernando Lobo e Candeia, sem falar no contemporâneo e corrosivo Jota Canalha.

Chapéu-de-Sol

Ou no obscuro autor E. Briu, que assinava dessa forma, em 1913, a canção ‘Delírio Alcoólico’, serenata ao luar dos singelos versos:

Oh, lua, adeus, deixa-me andar / Vou procurar algum lugar pra vomitar / Tenho na boca a impressão / E a sensação do gosto mau / De um cabo de chapéu-de-sol

Ou Noel, com a marcha ‘Por Esta Vez Passa’:

Acabou-se o parati / Em casa de Dona Antônia / Por isso Dona Didi (Que Foi?) / Só bebe água de colônia

Tem também parceria de Zeca Pagodinho e Wilson Moreira, controle de qualidade no samba ‘Moenda Velha’:

Chego em casa tão bem / Quando bebo cana de alambique / Mas a de coluna me deixa sem pique / Não sei de onde venho, durmo no jardim”.

E Jota Canalha, que apresenta seu cartão de visitas em ‘Baranga das Dez, Broto das Duas’, cujo título diz tudo:

A gorda vira cheinha / A vesga vira charmosa / Até a bem nariguda / É feia mas é gostosa / Depois que a noite vai / Fica a ressaca e a cefaléia / Que que eu tô fazendo aqui com essa mocréia

Jaca

No Mangue Seco, ao final do show, nossos músicos posaram para as lentes deste blog, e ainda quiseram nos convencer de que não bebiam no trabalho. Eis o flagrante:

Foto Pedro Landim


Terça-feira, 1 Maio, 2007

E AGORA, MAGALI?

Reprodução Internet

Essa correu hoje pelas agências de notícia: foi aprovado em Oklahoma, nos EUA, um projeto de lei que tira a melancia da categoria das frutas e a transforma oficialmente em legume.

O senador Don Barrington, entusiasta da causa vencedora por 78 votos a 19, declarou: “Ela também é um legume porque faz parte da família do pepino”.

Reprodução Internet

Especialista

Consta que Don Barrington, amante da fruta, ou do legume, chegou a vencer em 1994 um campeonato de cuspe de semente de melancia à distância.

Em homenagem ao senador, que bem parece que bebe, lembrei-me de uma receita manguaceira que sempre desejei realizar, sugerida num dos livros de Jamie Oliver.

Vou batizá-la de...

Melancia Explosiva

Ingredientes:

Uma melancia grande e madura / Uma garrafa de vodca (ou champagne, para os mais chiques).

Faça um buraco no topo da melancia, profundo, na largura de um funil que será ajustado para você derramar um terço da garrafa de vodca. Deixe na geladeira e no dia seguinte derrame outro terço. No próximo dia, derrame o resto. Fatie em pedaços generosos e aproveite com os amigos.

Amor

Falando em melancias furadas, lembrei-me agora de um momento clássico do cinema nacional, e reparto a lembrança com os amigos, como os colegas do blog 'Cinelândia'.

No curta ‘Vereda Tropical’, de Joaquim Pedro de Andrade — episódio do longa ‘Contos Eróticos’ (1977) —, o personagem vivido por Claudio Cavalcanti se apaixona e faz amor com uma melancia.

O filme foi censurado na época, e está aí embaixo um flagrante do amor retratado no cinema.

Não ficou claro se o senador Barrington chegou às vias de fato, mas fica a sugestão.

Reprodução Internet