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Pedro Landim

Quinta-feira, 24 Janeiro, 2008

NASCE UM CHEF

“Pai, que peixe é esse?”

Foto Pedro Landim

“É um Vermelho, filho”.

“Não, é Olho de Cão.”

Está impossível, a criança.

“Então, papai, podemos fazer o churrasco?”

E a cozinha foi a tônica do fim de semana em Búzios.

“Papai, você vai colocar um azeitinho?”

Pois vejam vocês, três anos e meio de vida e o interesse pela culinária. Não poderia ser diferente. O pequeno está soltando frases de comida que eu só fui falar depois dos 25 anos. Quer dizer, leva 22 de vantagem sobre o pai na cozinha. Segura a fera.

Foto Pedro Landim

A ocasião teve até churrasqueira nova, comprada pela vovó para receber o Vermelho — ou Olho de Cão, como corrigiu Gabriel. Tanto faz, o importante é depositá-lo na grelha, sobre carvões em brasa.

Para acompanhar, fizemos batatas no forno, apenas com azeite e sal grosso, arroz branco e um molho de tomate com camarões e lulas feito assim, para cinco pessoas:

Ingredientes:

Uma lata e meia de tomate pelado italiano / 500g de camarões médios / 500g de lula cortada em anéis / Azeite / Dois dentes de alho picadinhos / Sal / Pimenta preta / Salsa / Dois copos de caldo rápido de camarão

Caldo rápido:

Cascas e cabeças dos camarões / Três copos de água mineral / Uma cebola cortada / Dois dentes de alho cortados / Salsa e cebolinha.

Ferva tudo em fogo baixo por meia hora, retirando a espuma que sobe.

Foto Pedro Landim

Na panela:

1 - Tempere o camarão e a lula com sal, pimenta do reino* e gotas de limão e salteie ambos, separadamente, no azeite. Reserve.

2 - Na mesma frigideira, em fogo brando e com mais azeite, refogue o alho e acrescente os tomates. Amasse-os e cozinhe por 15 minutos.

3 - Junte o caldo de camarão e cozinhe mais 10 minutos, acrescentando lulas e camarões no cinco finais. Jogue a salsa bem picadinha e pronto. É quase o mesmo molho que fizemos para a abóbora ali de baixo.

Grãos

O asterisco ali de cima diz respeito a um método supimpa de se tratar pimentas pretas: martelo nelas. Ou pilão, quem sabe. Amasse os grãos fora do moedor. É o que os franceses chama de pimenta 'mignonette'.

Foto Pedro Landim

O sabor e o perfume desprendidos fazem diferença. Descobri isso na marra, numa vez que viajei e esqueci de levar o moedor, e não há modo melhor de utilizar as pimentas em grão.

Adivinhem quem ajudou a martelar? Um chef da novíssima geração...


Sábado, 12 Janeiro, 2008

MORANGAS DA VIDA

Foto Pedro Landim

Acho que demorei tanto para fazer essa abóbora porque para cada um que eu perguntava, para cada receita que eu lia, a forma de se cozinhar o legume-carruagem era diferente. Todas eficientes, provavelmente, mas a dúvida pairava. Só experimentando cada uma.

Folheando o 'Larousse da Cozinha Brasileira' - grata surpresa editorial da qual falarei num próximo post -, simpatizei com receita assinada por Flávia Quaresma, e resolvi seguir a trilha.

Passei na Candy, do brother André, na Cobal, comprei um malbec rosé argentino Crios (recomendo) e fui alugar a cozinha da mamãe, que estava resfriada, de cama.

Já falei como gosto de um rosé, né? Na cozinha, a temperatura chegava perto dos 50 graus, e enquanto cozinhava matei metade da garrafa, geladinha no freezer, com tampa de rosca, descompromissada, jovem e deliciosa, como os bons vinhos rosados. Mas vamos em frente.

Vapor

Naturalmente, a abóbora oca pode ser simplesmente temperada por dentro e assada no forno. Mas a receita começava por cozinhar o interior da criatura no vapor, usando a abóbora, virada com o orifício para baixo, como 'tampa' de uma panela com água fervendo, por 30 minutos.

E acrescentava algumas ervas na água para 'perfumar' o vapor do cozimento. Depois, o forno completaria o processo.

Testado e aprovado. Me orientei pela receita da Flávia, mas pulei a parte de bater no liqüidificador o molho, no final. É um capricho interessante, para se obter um molho homogêneo, mas não há prejuízo algum em deixar tudo como está na panela.

Também não coloquei o leite de coco, para o prato ficar mais leve, porque não tive paciência para tirar o leite fresco, utilizando o coco natural e ralado. É um processo trabalhoso, mas que altera completamente o resultado. Vale experimentar.

Foto Pedro LandimFoto Pedro LandimFoto Pedro Landim

Eis minha versão, abóbora média para 4 pessoas:

Ingredientes:

Uma abóbora média / 500g de camarão médio / Uma lata de tomate sem pele italiano / Meia embalagem de Catupiry / Salsa e coentro picadinhos / Quatro dentes de alho picadinhos / Uma cebola pequena picadinha / Uma pimenta dedo-de-moça picadinha / 500ml de caldo de camarão

Para o caldo:

Um litro de água / as cascas e cabeças de todos os camarões / Uma cenoura / Uma cebola / Um talo de salsão / Três dentes de alho / Sete grãos de pimenta preta / Raminhos de salsa e tomilho.

O caldo:

Ferva tudo em fogo baixo, tirando a espuma da superfície com uma escumadeira, reduzindo o líquido pela metade. Coe no final.

A abóbora:

1 - Retire a tampa da abóbora com uma boa faca, limpe tirando todas as sementes e cozinhe o interior da abóbora no vapor, conforme descrevi lá em cima. Deixe esfriar e tempere o interior com azeite, sal, pimenta do reino, tomilho e alho picado, espalhando com as mãos.

2 - Besunte a moranga por fora com azeite e leve ao forno médio num tabuleiro, por mais 20 minutos.

O recheio:

1 - Tempere os camarões com o sal e a pimenta e salteie no azeite até eles mudarem de cor. Reserve os camarões. Na mesma frigideira, refogue a cebola e o alho no azeite, sem deixar escurecer, e acrescente o tomate. Amasse, temere com sal e pimenta agosto e deixe cozinhar por cinco minutos.

2 - Vá acrescentando aos poucos o caldo, mexendo, acertando o tempero e deixando reduzir. Acrescente o Catupiry aos poucos, mexendo para incorporar, até obter um molho 'aveludado', no ponto que desejar. Acrescente a salsa e o coentro, a pimenta vermelha e desligue o fogo.

3 - Jogue os camarões sobre o molho, misture e recheie a moranga com todo o conteúdo da frigideira. Leve novamente ao forno, de cinco a dez minutos, e sirva acompanhado de arroz branco com castanha de caju picada (sugestão da Flávia).

Foto Pedro Landim

Matei a outra metade da garrafa de vinho com a moranga e caí duro no sofá, sonhando com a Cinderela.