 |
|
|
|
 |
|
|
 |
Agosto, 2008 Julho, 2008 Junho, 2008 Maio, 2008 Abril, 2008 Março, 2008 Fevereiro, 2008 Janeiro, 2008 Dezembro, 2007 Novembro, 2007 Outubro, 2007 Setembro, 2007 Agosto, 2007 Julho, 2007 Junho, 2007 Maio, 2007 Abril, 2007 Março, 2007 |
| |
 |
| Pedro Landim |
|
Legumes, verduras e frutas. Falei outro dia à moça vegetariana o quanto acredito cada vez mais nos vegetais. E me sinto muito à vontade com eles justamente pelo fato de comer tantas outras coisas.
Acho até mesmo que os vegetais são as grandes estrelas da culinária, mas essa teoria não faria sentido nenhum sem o boi, o frango e o carneiro. E se não existissem os frutos do mar. Pescou?
O fato é que ando a fim de investir na feira, como nota-se nos tomates, aspargos e cogumelos que andaram por aqui recentemente.
E na idéia de um canelonne de legumes assados colocada em prática no mesmo dia que a 'tortinha' italiana de ricota com saladinha de tomates e manjericão.

Olhando para o pacote da massa italiana Barilla, belos tubos de grano duro, pensei em arriscar um recheio de legumes assados, cozinhando os cannelones no forno, mergulhados em molho de tomate.
No mesmo refratário, joguei todos eles cortados em 'cubos' e regados generosamente com azeite, sal e pimenta do reino: cebola, abobrinha, beringela, alho e tomate.
Assei em forno médio por quase meia hora, mexendo no meio do camiho para misturar.
Depois deixei esfriar e cortei tudo em pequenos pedaços, misturando com as ervas frescas disponíveis: tomilho e manjericão.
Com cuidado, recheei com os legumes os tubos de massa, depositando todos lado a lado no refratário. Abri um vidro de 'passata' de tomate (qualquer polpa serve) e derramei por cima, cobrindo tudo.

Joguei alguns pedacinhos de manteiga por cima, mais sal e pimenta e lá fomos nós outra vez para o forno.
O negócio é fogo brando, tipo 180º, e 20 minutos devem bastar - a metade do tempo recomendado no pacote para uma receita semelhante. Outra dica da caixa é cozinhar na água por 4 minutos e depois assar por mais 10. A conferir.
Assei em duas levas, na segunda com queijo ralado por cima para dar uma gratinada, deixei menos tempo e os canelonnes não se desfizeram, como na primeira vez.

Ricota
Garanto que você ficou curioso com a tortinha de ricota. Também fiquei quando li a receita, e o resultado foi entrada muito bacana, simples, bonita e saborosa, para ser comida na hora do preparo.
Pegue uma tijela e misture com as mãos tipo uma xícara de ricota com um ovo, uma colher de sopa de farinha, sal e pimenta do reino.

Aqueça um fio de azeite numa frigideira antiaderente e quando estiver bem quente faça com a mão um bolinho de ricota e jogue na panela. Deixe fritar um pouco, vire com cuidado com uma espátula e frite mais do outro lado, até ficar dourado. Faça dois de cada vez.
Trace imediatamente, acompanhado de algo como essa saladinha de tomate bem picado, manjericão, azeite, um toque de vinagre balsâmico, sal e pimenta.
Nota: Depois fiquei pensando, amante dos legumes que sou: no recheio daquele canelonne caberia assim, de leve, alguns pedacinhos de bacon. Nada como as boas companhias.
Flor de rúcula
Para alegrar o fim de semana...
À beira do Mediterrâneo, vi com esses olhos que o mar há de lavar, algemadas são elas. Vivas nas peixarias, as lagostas têm as pinças presas para não beliscar o freguês.
No Rio é difícil encontrá-las vivas, e as algemas foram descartadas no zoológico de Bangu 8, onde crustáceos têm transito livre.
Para a população que vive fora da jaula na Zona Oeste, convenhamos, as lagostas são como o caviar do samba do Zeca: ninguém nunca viu, nem comeu, só ouvem falar.
São rumores que atravessam os portões do presídio de sofisticação máxima, onde o trambanqueiro italiano Salmão Cacciola devora lagostas protegido por alguns políticos pés de chinelo e um ex-chefe de polícia deprimido. Bandidos e esfomeados.
Ostentações
Pois sobrou para esse bicho que na mesa é sinônimo de luxo, poder e ostentação, e esconde por baixo de sua armadura garfadas de carne macia e adocicada.

Podemos dizer que lagostas combinam com manteiga derretida, ervas frescas, azeite, um toque de alho, gotas de limão, creme de leite fresco, quem sabe um molho de tomate...
Só não combinam, e o caso é de consenso entre todas as escolas culinárias, só não combinam com presídio.
Mas sempre cabe mais um na mesa do banquete brasileiro da impunidade - atualmente servido até no Supremo Tribunal Federal -, e nem os crustáceos acreditam que esse pessoal vai ficar preso por muito tempo.

Então vale a pena comemorar cada dia. E de preferência com lagosta, por que não?
Atendendo a pedidos, apresentamos o ítalo-brasileiro...
Riso Cacciola - um risotto inocente de lagostas com abóbora
A receita é baseada em prato do restaurante carioca Osteria Dell'Angolo.

250g de abóbora / 1 dente de alho picado / 1 ramo de alecrim / 200g de carne de lagosta (se não houver fresca você pode comprar congelada no supermercado, ou na feira) / 1 cebola picada / 200g de arroz Arborio / 1 litro de caldo de peixe / 2 colheres de sopa de manteiga / Queijo parmesão / Salsinha picada / Sal e pimenta do reino a gosto
1 - Corte a abóbora em pedaços e tempere-a com alho e alecrim. Asse-a em forno de 180º por 15 minutos. Retire e corte em cubinhos e reserve.
2- Refogue as cebolas no azeite e junte as lagostas por dois minutos, apenas para iniciar o cozimento. Reserve.
3 - Coloque o arroz na mesma panela da lagosta, frite por um minutos e comece a derramar o caldo, que deverá estar fervendo na boca ao lado do fogão. Como em todo risotto italiano, acrescente o caldo em conchas, colocando a próxima quando a anterior secar, sempre mexendo.
4 - Na parte final do cozimento, cerca de 12 minutos, acrescente as lagostas e os cubos de abóbora. Continue no processo, prove para descobrir o ponto, retire de fogo, acrescente a manteiga, um toque de queijo e a salsinha.
* Na trilha sonora, Bezerra da Silva:
Se vocês estão a fim de prender o ladrão / Podem voltar pelo mesmo caminho / O ladrão está escondido lá embaixo / Atrás da gravata e do colarinho...
Outro dia falamos da degustação às cegas que premiou um espumante desconhecido e barato, iludindo especialistas, e agora vem o caso bem definido no site do amigo Oscar Daudt como "O inacreditável vexame da Wine Spectator".
A (até então) respeitada revista publica anualmente uma lista com os melhores restaurantes para se beber vinhos no mundo, baseada na qualidade das respectivas cartas. Listas como essa estão sempre sujeitas a falhas e imprecisões, o que não lhes tira os méritos, mas dessa vez a escorregada foi feia.
Acontece que um sujeito chamado Robin Goldstein, crítico e escritor de livros sobre vinho, fez o seguinte: criou um restaurante de mentirinha, bolou um cardápio misturando receitas modernas italianas e inventou uma carta de vinhos.
Pois tudo foi enviado à Wine Spectator, com a taxa de inscrição de 250 dólares e...
A 'Osteria L'Intrepido', restaurante inexistente de Milão, foi premiado com o "Award of Excellence" da publicação que é ponto de referência para os enófilos.

A 'pegadinha' fez parte, segundo o autor, de uma tese acadêmica que ele prepara sobre os critérios e padrões das avaliações e premiações no mundo do vinho.
Enfurecido, o editor-chefe da revista, Thomas Matthews, publicou uma nota oficial em seu fórum de discussões, onde não faz quase nada além de chamar mais atenção para o erro.
Detalhe digno de nota: o site enviado para a revista como sendo o do restaurante, e no qual a mesma depositou confiança, era um blog (!), com endereço da 'Wordpress'.
O editor disse ainda que a revista ligou para o restaurante e ouviu uma secretária eletrônica avisando que estava fechado, achou o endereço no Google e uma discussão entre clientes num famoso site de restaurantes.

Não é novidade que vivemos na época das informações rápidas e imprecisas, mas para não fugir do assunto concluímos dizendo apenas que está mais viva do que nunca a sentença: "Vinho bom é aquele que você gosta".
Gema em nossas vidas. Porque aspargos combinam com ovos, vocês sabem, que combinam com cogumelos.

Os cogumelos 'paris' foram fatiados e bem refogados no azeite. Lancei alguns dentes de alho inteiros no refogado e também alguns galhos de tomilho. Espremi gotinhas de limão siciliano por cima, e um toque muito leve de shoyo. Pimenta do reino e sal.
Os aspargos 'fritaram' com um pouco de azeite na frigideira. Quebrei um ovo, também no azeite, cozinhando em fogo baixo para não queimar e manter a gema mole. Lembra da sopa? Foi à panela até reduzir e virar um molho saboroso de tomate. E joguei no forno as fatias de pão italiano para dourar.
Por cima da torrada, o molho. Por cima do molho, os aspargos. Por cima dos aspargos, o ovo. Ao redor, os cogumelos. Que coisa.

Perfeição
Enquanto comia, como sempre, pensava em comida. E lembrei-me da busca do ovo frito perfeito, desafio para todos os cozinheiros. Porque o ovo, metáfora da vida e do universo, é uma condição necessária para haver culinária no mundo.
No livro 'O Perfeccionista', biografia do chef suicida Bernard Loiseau, há passagem sobre uma lenda chamada Fernand Point, dono do La Pyramide, hotel-restaurante em Vienne, ao sul de Lyon, na primeira metade dos anos 50.
Paul Bocuse foi seu estagiário e aprendiz, e Point é apontado como um guru para a 'nouvelle cuisine' de Bocuse, Troisgros e outros. Uma espécie de pai da culinária moderna.

Pois preste atenção em seu ovo frito:
"Coloque uma porção de manteiga fresca numa frigideira e deixe-a derreter, apenas o bastante para se espalhar e nunca, obviamente, a ponto de estalar ou espirrar. Parta um ovo bem fresco sobre um pires e faça-o deslizar cuidadosamente para a frigideira. Cozinhe-o em fogo tão baixo que a clara mal se torne cremosa e a gema se aqueça mas permaneça líquida. Numa frigideira em separado, derreta outra porção de manteiga, remova o ovo e coloque o num prato ligeiramente quente. Coloque sal e pimenta e delicadamente aspirja a manteiga fresca quente sobre ele".
Posteriormente, o próprio Bernard Loiseau passou a cozinhar seu ovo num pires untado com manteiga e colocado sobre uma frigideira com água, num banho-maria. Achava que o contato do ovo com a frigideira era uma agressão à natureza do ovo. Depois - talvez um sintoma da 'loucura' que terminou em suicídio -, passou a cozinhar clara e gema separadas, juntando depois no prato.
Pochê
Para Gordon Ramsey, que também apresenta em seu livro receita de ovos com aspargos, o ovo frito ideal se faz assim:
"Numa panelinha pequena e redonda, aqueça o azeite em fogo médio. Quebre nela o ovo e incline para centralizar a gema. Cozinhe por 30 segundos e abaixe o fogo, cozinhando até a clara ficar firme (pouco mais de dois minutos). Deslize lâminas de manteiga pelo lado da panela e, quando espumar, jogue com a colher por cima das claras. A clara deve ficar firme e alva, sem queimar, e gema ainda mole. Solte as bordas com uma faca e remova".

Estava outra dia com Lady Mazzini falando no estilo pochê. A moça, amiga dos ovos caipiras desde a infância nos confins mineiros, contou-me que sua mãe lhe ensinou a fazer pochê da mesma forma que eu faço, o que me deixou confiante.

O segredo é o vinagre na água fervendo, e você pode fazer com a colher um 'redemoinho' antes de mergulhar o ovo. Como não queremos um mergulho olímpico, que tudo bagunçaria, vale utilizar panela de bom diâmetro, para quebrar o ovo num pires e escorrê-lo na superfície aquática (anotei essa). Ao retirá-lo, passe-o para um recipiente com água fria, finalizando o processo.
Melhor do que isso, diria um amigo, só pão com ovo.
Se eu fosse um chef famoso, desses que dão entrevistas e respondem qual é o ingrediente que não pode faltar na cozinha, acho que diria: tomate.
Já narramos aventuras deste sedutor, e fechamos o domingo entrando com muitos tomates no forno, porque é lá que eles nos tornam devotos de sua doçura.
Tomates no forno, apenas com um pouco de sal, pimenta moída na hora e algumas ervas frescas formam prato que você pode servir para reis ou rainhas sem medo da guilhotina.
Experimente, por exemplo, tirar pele e semente e depositar pequenos 'filés' de tomate para assar longamente no azeite, em forno muito baixo, e comerá tomates secos como nunca comeu.
Sem falar nos molhos, ou na sopa de tomate assado que preparei inspirado em receita do livro do chef Gordon Ramsey. Fantástica.

Show
1 - Corte 10 tomates maduros pela metade e asse-os besuntados em azeite com uma cebola cortada em rodelas, dois dentes de alho cortados ao meio, alguns ramos de tomilho fresco, uma colher de chá de açúcar, sal e pimenta do reino, por 25 minutos, em forno de 220º.
2 - Com tudo assado e 'caramelizado', retire os ramos de tomilho, acrescente algumas folhas de manjericão e passe para uma panela grande.
3 - Ligue o fogo dessa panela, derrame por cima um litro de caldo de legumes fervendo e cozinhe tudo por cinco minutos.
4 - Coe separando o caldo das partes sólidas (tomates, cebolas...) e coloque estas no liquidificador. Bata acrescentando a parte líquida aos poucos, até obter a consistência desejada.
5 - Passe novamente pela peneira, acerte o tempero e sirva com tomatinhos cereja rapidamente fritos no azeite para enfeitar. E algumas folhinhas de manjericão, se quiser.
E que tudo mais vá pro inferno.
Sempre fui fã das entrevistas da Playboy. E também das matérias de comportamento, vocês sabem. E, sinceramente, não sei onde estava com a cabeça no dia em que me desfiz de uma coleção de respeito da revista, arduamente acumulada ao longo dos anos.
Hoje seria um material de pesquisa consistente para um jornalista fã das matérias de comportamento e das boas entrevistas.

A edição de agosto, por exemplo, promete fazer história.
Traz na capa a jovem atriz Carol Castro, num ensaio estilo Dona Flor feito na Bahia que... Olha, eu bem que poderia escrever uma crônica sobre fotos como essa do barco, mas...

De quê estávamos falando mesmo? Comida, né? Cultura, comportamento...
Ah, lembrei: espumantes.

A Playboy de agosto vem com uma lista que promete balançar os alicerces da comunidade enófila. Resumindo a ópera: convidaram feras do vinho para uma degustação às cegas de espumantes nacionais. Todos provaram e deram suas notas sem saber que rótulo estavam provando.
O resultado surpreendeu ao colocar no topo do ranking espumantes que custam em torno de R$ 30, para a felicidade geral da nação.
E eleger um desconhecido como campeão. É o Dom Cândido Brut, varietal da uva Chardonnay produzido na Serra Gaúcha.

Para ser mais preciso, a garrafa custa R$ 25 na vinícola gaúcha Dom Cândido, propriedade da família Valduga. O Miolo Millèsime Brut, por exemplo, que custa em torno e R$ 70 e é considerado - com justiça, acredito - um dos melhores nacionais, terminou em 10º.
A degustação, coordenada pelo presidente da Associação Brasileira dos Sommeliers (ABS), Gustavo Andrade de Paulo, teve jurados famosos no mundo do vinho como os sommeliers André Santos e Manoel Beato, e os jornalistas especializados José Maria Santana e Josimar Melo.
Não deve ser fácil encontrar o vencedor por aí, o vinho não é vendido em supermercados, mas no site da empresa há telefones de representantes no Rio.
Isso se o estoque já não secou após o vazamento do ranking da Playboy, aquela revista que vem na capa com um ensaio fotográfico que promete fazer história, luz natural, corpo natural e...
A entrevista com o Paulo Coelho parece que é ótima.

Os 10 Mais:
1º lugar Dom Cândido Brut
2º lugar Excellence Par Chandon
3º lugar Aurora Brut
4º lugar Dal Pizzol Brut
5º lugar Château Lacave Brut
6º lugar Georges Aubert Reserva Extra Brut
7º lugar Almadén Brut
8º lugar Peterlongo Brut
9º lugar De Greville Brut
10º lugar Miolo Millèsime Brut
Começou sexta-feira no Rio um dos eventos mais legais de gastronomia do País: o 'Comida di Buteco'. A idéia é genial, e sua realização em Belo Horizonte, há 10 anos, mudou a cara da cidade.
E isso não é slogan, ou força de expressão. Para se ter idéia, na edição deste ano, em maio, mais de 500 mil pessoas participaram e foram registrados 130 mil votos na eleição dos melhores petiscos.

Imaginem: durante um mês, 130 mil pessoas comeram os quitutes inscritos em 31 bares, e depositaram seus votos nas urnas. Mais: no período do evento, 2.500 empregos adicionais foram gerados e 20 milhões de reais circularam na cadeia de valor.
Recebi com muita felicidade o convite para fazer parte do juri do evento carioca, formado por 31 profissionais da comilança e da boemia (como o parceiro Janir), e por isso não darei opiniões sobre as comidinhas, mantendo a ética (ou seria etílica?) na função.

Mas gostaria de fazer alguns comentários, além de apresentar algumas fotos de petiscos inscritos e a relação completa dos bares, com os respectivos endereços.
Os desdobramentos do festival no Rio, cidade mais famosa do Brasil pela cultura 'botequeira', ainda é um ponto de interrogação para os organizadores, e apenas ao longo dos anos, como ocorreu em Minas, poderemos avaliar o tamanho do impacto - invariavelmente positivo - em nossa gastronomia de bar.
Criatividade
Porque a graça do festival atualmente em Belô são as novas criações culinárias que brotam a cada ano, com um mundo de cozinheiros empenhados em inventar, resgatar e viajar nos ingredientes que fazem parte da cozinha local, e o público passa o ano esperando pelas surpresas da próxima edição.
Há um ponto fundamental no regulamento, e isso vale também para o Rio, que impede a repetição de receitas de um ano para o outro e obriga todos os bares a trabalharem com petiscos diferentes - não são permitidas duas carnes assadas na mesma edição, ou dois bolinhos de aipim, por exemplo.

Na primeira edição carioca do 'Comida', como já era esperado, os bares escolhidos entraram com seus clássicos, ícones como o salsichão do Bar Lagoa, o bolinho de bacalhau do Adônis, a patanisca do Pavão Azul ou o caldinho de feijão do Jobi (apesar de que há bons achados em botecos menos conhecidos).
Ano que vem, os bares terão que fugir de seus carros-chefes e o espírito do evento começará a aparecer mais claramente.

Na realidade mineira, um dos principais critérios para a escolha dos bares é seu caráter familiar, daqueles que os donos estão dentro da cozinha. Não há duvidas de que esses são, para quem gosta do termo, os mais 'autênticos' botequins, extensões da casa dos donos.
Na realidade carioca a banda toca de outra forma e a lista tem um pouco de tudo, de bares recém-inaugurados - como o Boteco Salvação - até bares de rede como o Belmonte, com o concurso restrito, porém, à loja do Flamengo, que deu início à série.

Polêmicas? Com certeza elas são um dos principais temperos da festa, e devem render muitas apaixonadas discussões, de preferência entre chopes e petiscos. Numa cidade como o Rio, escolher apenas 31 estabelecimentos é deixar de fora algumas centenas, e só aí já tem assunto para o mês inteiro.
À frente da escolha dos bares, e isso não se pode negar, estão dois doutores no assunto: o músico Moacyr Luz e o jornalista Guilherme Studart, talvez o maior estudioso e pesquisador do assunto na cidade.

A Lei Seca, com certeza, colocou água no chope do evento, mas podemos ver a questão por outro ângulo e imaginar que o carioca - talvez mais chegado a tulipas do que panelas - passe a prestar mais atenção aos petiscos, estrelas do evento. Apesar de que as condições da cerveja também estão em votação.
Votos
Foram escolhidos 31 bares (um para cada dia do mês, vai encarar?), e o festival vai de 1 a 31 de agosto. Cada bar escolheu um petisco para concorrer na eleição que escolherá também o melhor atendimento, a bebida mais gelada e melhor higiene.

O público vota no próprio bar, em cédulas distribuídas a cada vez que se pede o prato inscrito pela casa. Vence o boteco que conseguir a melhor média nos votos popular e do júri. Detalhe: o juri tem peso de 30% no pleito, e o público fica com 70%.
A apuração é realizada pelo Instituto Vox Populi e feita seguindo a média ponderada, dando as mesmas condições para todos os bares, independentemente do número de fregueses que cada um receba.

Serão premiados o primeiro, o segundo e o terceiro lugares nas categorias de melhor tira-gosto e os primeiros lugares em atendimento, bebida e higiene.

O evento também tem seu lado musical com apresentação de grupos de samba e choro nos botecos concorrentes. Estão escaladas feras como Marcos Nimrichter, Caio Marcio, Nicolas Krassic, Rodrigo Lessa, Gabriel Grossi, Alexandre Caldi e Edu Neves.
Vamos ver se a coisa vai 'pegar' no Rio como pegou em Belo Horizonte, onde durante o mês de maio a cidade inteira sai de casa para comer nos botequins e votar.
A Lista
Academia da Cachaça: escondidinho de carne de charque desfiada Rua Conde de Bernadote 26, lojas E, F e G, Leblon (2239-1542).
Aconchego Carioca: bolinho de feijoada Rua Barão de Iguatemi 388-A, Praça da Bandeira (2273-1035).
Antigamente: tortilla de carne-seca Rua do Ouvidor 43, Centro (2507-5040).
Armazém Cardosão: empada de camarão Rua Cardoso Júnior 312, Laranjeiras (2225-3493).
Baixo Araguaia: coração de frango Rua Araguaia 1.709, Jacarepaguá (3392-3760).
Bar Adonis: bolinho de bacalhau Rua São Luiz Gonzaga 2.156-A, Benfica (3890-2283).
Bar Brasil: bolinho de carne Avenida Mem de Sá 90, Lapa (2509-5943).
Bar da Amendoeira: carne-seca acebolada com aipim frito Rua Conde de Azambuja 881, loja A, Maria da Graça (2501-4175).
Bar do Mineiro: pastel de feijão Rua Pascoal Carlos Magno 99, Santa Teresa (2221-9227).
Bar do Seu Tomé: bolinho de abóbora com carne-seca Avenida Salvador Allende 6.700, 101, Recreio dos Bandeirantes (3283-5657).
Bar Jóia: frango à passarinho Rua Jardim Botânico 594-A, Jardim Botânico (2539-5613).
Bar Lagoa: salsichão Avenida Epitácio Pessoa 1.674, Ipanema (2523-1135).
Bar Urca: caldinho de frutos do mar Rua Candido Garffrée 205, Urca (2295-8744).
Beco do Rato: pastel de angu recheado com bacon, couve e torresmo Rua Joaquim Silva 11, Lapa (2508-5600).
Belmonte (do Flamengo): canjica com carne-seca Praia do Flamengo 300, loja B, Flamengo (2552-3349).
Boteco Salvação: espetinho de mignon Rua Henrique de Novaes 55, Botafogo (2539-0216).
Botequim Casual: polvinhos estufados Travessa do Comércio 26, Centro (2221-2626).
Bracarense: bolinho de camarão com aipim e catupiry Rua José Linhares 85, Leblon (2294-3549).
Copão de Ouro (Bar da Portuguesa): pastel de camarão com catupiry Rua Custódio Nunes 155, loja D, Ramos (2260-8979).
Enchendo Lingüiça: joelho de porco Avenida Engenheiro Richard 2, loja A, Grajaú (2576-5727).
Gracioso: risole de camarão Rua Sacadura Cabral 97, Praça Mauá (2263-5028).
Jobi: caldinho de feijão Avenida Ataulfo de Paiva 1.166, Leblon (2274-5055).
Mangue Seco: moquequinha do mangue Rua do Lavradio 23, Centro (3852-1947).
O Original do Brás: bife rolê ouriçado com molho de Bohemia escura em 'mini-baías de guanabara' Rua Guaporé 680, lojas A e B, Brás de Pina (3866-1313).
Pavão Azul: patanisca Rua Hilário de Gouveia 71, lojas A e B, Copacabana (2236-2381).
Petisco da Vila: caranguejo Avenida Vinte e Oito de Setembro 238, Vila Isabel (2576-5652).
Petit Paulette: copa lombo assada com molho escuro e legumes crocantes Rua Barão de Iguatemi 408, loja A, Praça da Bandeira (2502-2649).
Pontapé: carne seca à milanesa Rua Maldonado 361, Ilha do Governador (2467-6954).
Real Chopp: picanha na pedra Rua Barata Ribeiro 319, Copacabana (2547-6673).
Restaurante Siri: porção camarão miúdo ao alho Rua dos Artistas 2, Vila Isabel (2208-6165).
Varnhagen: croquete de carne Praça Varnhagen 14-A, Maracanã (2254 3062).
|
|