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| Pedro Landim |
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Sozinho naquele domingo cheio de água no céu e vento frio, resolvi brincar de hambúrguer. Que diversão: "Amigo, poderia moer para mim meio quilo de alcatra, na parte com bastante gordura?"

Esta é a frase mágica no açougue. Não propriamente pela alcatra, mas com certeza pela gordura. É a chave do sabor, quando derrete na chapa, ou frigideira quente.
Fazer hambúrguer é quase uma volta à infância, à massinha de modelar. Mas antes de inventar, criar e pirar, vamos começar pelo básico que é assim: carne moída, sal e pimenta do reino. Ponto.
Para grelhar, uma chapa ou frigideira apenas untada com óleo, bem quente. A carne tem que chiar. Para o mal passado, favor moldar o hambúrguer mais espesso. Bem passado, mais fino.

Tempere com o sal e a pimenta dos dois lados, na hora de fritar. Um hambúrguer de 200 gramas requer cerca de 3 ou 4 minutos de cada lado. Vire-o apenas uma vez.
Meus hambúrgueres de domingo levaram apenas uma fatia de tomate, folhas de rúcula ao lado e um molho de cebola roxa, azeite e shoyu: em fogo muito baixo, deixe a cebola 'caramelizar' no azeite, temperando a gosto com o molho.

No livro de receitas da Lanchonete da Cidade, um dos melhores hambúrguer de São Paulo, a fórmula mágica é feita, mais ou menos, com uma parte de picanha, para meia de fraldinha e um quinto de gordura de picanha, tudo moído junto.
Aí, com todo o respeito, é sacanagem.
"Quero salmão, papai". Aos 4 anos, imaginem a descoberta. Os três carrinhos abandonados no chão do restaurante e o pequeno gourmet abrindo boca de leão para devorar aquele peixe rosado e macio que dá para comer de colher.
Então fomos à feira no dia seguinte comprar um belo filé, batatas e tomates para almoço de domingo irresistível.

Da forma simples e improvisada: filézinho de salmão grelhado, purê de batata dos deuses e tomates charmosos sem pele, regados apenas com azeite e sal.
Tudo tão rápido que sobrou até tempo para preparar um tartar de salmão salivante - também provado e aprovado por Gabriel, para orgulho do chef papai.

O tartar é uma jóia de sensual simplicidade, o único trabalho é picar tudo o que se vai misturar ao salmão cru em pedacinhos. No caso: azeite, limão, salsa, hortelã, cebolinha, cebola roxa, sal e pimenta.
O filé de salmão gosto de grelhar com pele, no azeite, ela para baixo até tostar e virar um delicioso 'biscoito'. Se sair na hora de virar o peixe, coma pura, com um pouco de sal e gotas e limão, que tal?
Quanto ao purê, meus amigos, não se iludam, o melhor deles é feito apenas de batata e manteiga, temperado com sal.
Cozinhei as batatas e depois as joguei na panela com pedaços de manteiga, amassando com o garfo até achar a consistência. E 'ciboulette' por cima picadinha porque ninguém é de ferro.
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Desde o dia em que entrou na cozinha para arriscar um risotto de cogumelos, a vida de Pedro Landim mudou da água para os vinhos.
Repórter de cultura e colunista de gastronomia do DIA - onde ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2005 -, adora cozinhar, comer e falar de comida.
No jornal impresso, a coluna homônima é publicada às terças-feiras, no Guia O DIA-Michelin de Viagem.
Bom apetite. |
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