Boca no Mundo por Pedro Landim

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Pedro Landim

Quarta-feira, 24 Dezembro, 2008

VINHOS DE ANO NOVO

Reprodução Internet

Vinho bom é aquele que você pode pagar, que tal?

Foi a frase inicial da matéria que publiquei no último domingo, dia 21, na revista Tudo de Bom!, suplemento dominical de O DIA onde escrevo sobre comida.

Direcionada aos leitores do jornal, partiu do desejo que todos temos de saber quais são os vinhos bons e baratos que podemos comprar nos supermercados.

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Um texto com o objetivo claro de incentivar o consumo dessa bebida inigualável e, como disse recentemente um amigo, tirar o terno do vinho. Afrouxar sua gravata.

Inspirado por uma pesquias feita com carinho pelo amigo Oscar, do Enoeventos, fomos aos dois lugares mais baratos para se comprar vinho na cidade, segundo o trabalho que comparou preços de 14 estabelecimentos: a Cadeg e o Mundial.

O supermercado Zona Sul, focado num consumidor com o bolso mais forrado, também será abordado, pois trata-se, sem dúvida, do supermercado que mais investe na escolha e importação de seus vinhos, com melhores condições de armazenamento e preocupação com o consumidor.

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A apesar de que o Mundial também está levando a sério o negócio e mantém funcionários treinados junto às prateleiras onde imperam os vinhos portugueses, conterrâneos dos donos da empresa.

Nossa busca é por vinhos de qualidade custando até R$ 30. Contamos na empreitada com dicas de amigos apreciadores, e de profissionais amigos como os sommeliers Marcos Lima e Danilo Machado.

Além de um papo rápido ao telefone com o mestre Danio Braga, chef, enólogo, consultor e o que mais se quiser falar, homem que está por trás da carta do Zona Sul.

Os espumantes que simbolizamo nossos réveillons, apenas os nacionais, ganham capítulo à parte no final.

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Mundial

Entre grande variedade de rótulos, incluindo vinhos excepcionais por preços convidativos, alguns bons exemplos em nossa faixa etária, quer dizer, monetária:

*EA, português, tinto - R$ 28,90

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*Periquita, português, tinto - R$ 21,90

*Porca de Murça, português, tinto - R$ 15,90

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*Herdade do Pinheiro, português, tinto - R$ 22,80

*Vinho Verde Muralhas de Monção, português - R$ 24,30

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*Morandé Pionero Shyraz, chileno, tinto - R$ 17,50

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*Casillero del Diablo, chileno, tinto - R$ 26,30

O Casillero citado é o 2007, alardeada como 'safra histórica' para o vinho. De fato, em relação ao 2005, que bebi e não me agradou, a atual produziu vinho mais elegante. Falo do Cabernet Sauvignon, mas ouvi que o varietal das uvas Merlot, mais raro nas prateleiras, é a melhor pedida.

*Salton Classic Reserva Especial Tannat, nacional, tinto - R$ 9,90

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A dica do sommelier Danilo para essa linha da Salton é uma raridade. Das uvas tannat e safra 2007, um vinho nacional apresentável por menos de R$ 10.

*Royal Porto Tawny, português - 24,50

Para acompanhar as rabanadas e doces, um legítimo Porto por um preço excelente.

*Aurora Colheita Tardia - R$ 15,90 (com estojo e taça) no Mundial.

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Eis um vinho de sobremesa nacional honesto. E vem numa caixa com taça, excelente preço.

*Quinta de Cabriz, português, tinto - R$ 21,90

Foto Pedro Landim

Cadeg

O Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara, em Benfica, é um grande passeio por diversos motivos, imbatível quando o assunto é bacalhau ou vinho.

Comprar vinhos por lá é uma diversão. São poucas lojas e em algumas as garrafas estão misturadas, você pode achar de tudo, sempre bem mais barato do que em qualquer outro lugar. Algumas lojas só aceitam dinheiro, e têm preços ainda menores.

A Grife do Vinho, no corredor central do segundo andar, é a maior e mais organizada. O calor e as condições precárias de armazenamento são compensados pela alta rotatividade. De vinho de garafão a rótulos de R$ 500, tem de tudo. Exemplos:

*Benjamin Nieto Senetiner, argentino, tinto: R$ 11,90

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*Trapiche Malbec, argentino, tinto: R$ 13,90.

*Don Luis, chileno, tinto, branco ou rosé: R$ 26,90.

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*Monte Velho, português, tinto: R$ 24,90

*Casillero del Diablo 2007 - R$ 24,90

*Gran Tarapacá Carmenére Reserva 2007 - R$ 29,90

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*Casa Silva Colección, chileno - R$ 29,90

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*Palo Alto Reserva, chileno - R$ 26,80

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*Casa Valduga Premium 2005, nacional - R$ 20,50

*Duetto Casa Valduga, pinot noir-shyraz, nacional - R$ 18,80

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Zona Sul

É como diz um amigo: que outro supermercado faz degustações anuais para seus clientes?

*Fortaleza do Seival Miolo Pinot Grigio, nacional - R$ 26,50

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*Veramonte Sauvignon Blanc, chileno - R$ 26,98

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Os dois brancos acima são tiros certeiros, frescor para o verão.

*Cavia Classic Malbec, argentino - R$ 28,70

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*La Mision Merlot Reserva, chileno - R$ 29,99

*Mandrarossa, italiano - R$ 26,78

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*J.P. Moscatel de Setúbal - R$ 28,50

Já falamos deste delicioso vinho de sobremesa e de seus aromas por aqui.

*Côtes du Rhône Taladette, francês - R$ 29,58

Foto Pedro Landim

Espumantes

Em linhas gerais, a questão é que a maior vocação brasileira para o vinho são os espumantes. Em resumo: pouco sol, frio e umidade. São características da Serra Gaúcha, uma 'lenha' para os tintos e maravilha para os espumantes.

As vinícolas brasileiras estão investindo e obtendo produtos que barram grandes rótulos estrangeiros. O preço destes é mais caro, mas o fato é que, seja qual for a faixa escolhida, os nacionais estão melhores que os italianos proseccos que chegam por aqui.

A primeira oferta de nossa lista, e só vou revelar porque já garanti meu estoque (hehe), é nosso famoso Chandon Brut, ótimo para a celebração, versátil que faz bonito em qualquer ocasião e custa exatamente R$ 29,90 na Cadeg. Abalou.

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Outros:

*Miolo Brut - R$ 22,90 no Mundial

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Dos espumantes de sua faixa de preço, o Miolo Brut é um dos poucos fabricado pelo método tradicional, 'champenoise', o mesmo da champanhe, com a segunda fermentação na garrafa. A vinícola está investindo pesado na produção.

*Aurora Brut - R$ 19,80

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Outro rótulo nacional evoluindo, o Aurora é grata surpresa.

*Salton Reserva Ouro - R$ 21,90 no Mundial. Por R$ 17,90 na Cadeg.

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O Salton Brut, o mais barato de todos, deixa a desejar. Invista no 'Reserva Ouro'.

*Salton Prosecco - R$ 16,90

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As vinícolas nacionais também investem na uva italiana prosseco, e este Salton é um bom exemplo de qualidade-preço.

*Dignus Brut - R$ 23,90 no Zona Sul

Exclusividade do Zona Sul, produção de Danio Braga com e enólogo Adolfo Lona, é ótima pedida para as festas, apresentando elegância para a faixa de preço.

*Terranova Moscatel - R$ 14,80, no Mundial

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Opção de espumante doce, com a curiosidade da produção da Miolo no Vale do São Francisco, na Bahia.

E vamos que vamos que lá vem 2009.


Sábado, 6 Dezembro, 2008

ÁGUAS CLARAS

Foto Pedro Landim

Vale a pena pegar um filé fresco de peixe, que o peixeiro tirou do peixe na hora, e jogar dentro do risoto? Pode ser que sim, mas acho que não. Textura delicada é legal preservar.

Estava nesses pensamentos diante de todos os ingredientes. Por exemplo, fazer o risoto no 'estilo italiano', com o arroz arborio cozido num caldo feito com verduras e a cabeça do peixe, e depois misturar as lulas e camarões.

E depois de tudo, por cima, depositar os filés inteiros, grelhados na manteiga, com um pouco de limão espremido por cima. Salsa fresca, e tudo mais. Isso não tem como dar errado.

Foto Pedro Landim

Aí vamos cozinhando da melhor forma possível, num momento de folga, com a cabeça livre, uma tacinha de vinho ao lado para ser bebida sem pressa, terapia.

Muita gente me diz assim: "Ah, cozinhar deve ser legal, mas não tenho paciência". Já ouvi também essa: "Eu começo mas não tenho saco e desisto no meio". Aí não rola mesmo. Eu cozinho porque faz minha cabeça.

Foto Pedro Landim

Prata

Na parede da minha sala tem um peixe feito de galhos de madeira que comprei há muitos anos numa viagem às praias de Pipa. Ele me acompanha e foi uma das primeiras referências de bicho, de coisa do mundo para o meu filho.

Quando era bebê, eu colocava ele no colo, chegava perto do peixe e cantava uma canção que gosto muito, dos Doces Bárbaros e que já foi trilha do Sítio do Pica-Pau Amarelo na televisão.

Ele arregalava os olhos e sorria. Pouco depois, ainda bebê de colo, ao ouvir a palavra 'peixe' ele virava a cabeça e olhava para o peixe na parede, reconhecendo.

Foto Pedro Landim

Não sei exatamente qual é o bicho preferido de meu filho hoje, num universo amplo que inclui dinossauros e alienígenas, mas para mim o peixe é o animal fantástico.

Foto Pedro Landim

Dança

O fato é que se você tem uma frigideira e, já picados, o alho e a salsa, quem sabe uns grãos de pimenta esmagados e um copo de vinho branco à temperatura ambiente, os camarões e as lulas lavados e bem secos, é só acender a chama alta, lubrificar a panela com azeite, deixar o fundo pelando e dançar.

Foto Pedro Landim

Jogue os anéis de lula na frigideira, uma pitada do alho, um toque de vinho branco, tudo chiando, mais um vôo de salsinha e pimenta, tudo isso em um minuto porque lulas e camarões ficam prontos muito rapidamente, e os nossos ainda vão terminar de cozinhar no arroz.

Faça o mesmo com os camarões e deixe moluscos e crustáceos descansando com todo caldo da panela num potinho ao lado.

Quando o arroz estiver no ponto, desligue o fogo e misture sem pressa aos camarões e lulas, mais colher de manteiga, mais salsa e um pouco de queijo parmesão se for de seu gosto quebrar a regra de que em risoto do mar não entra queijo.

Na frigideira usada, mais manteiga, em fogo mais baixo para os filés de peixe, um pouco mais de vinho se quiser 'deglaçar' o fundo da panela e isso tudo será depositado por cima do risoto nos pratos. Foi o que aconteceu.

Foto Pedro Landim




Desde o dia em que entrou na cozinha para arriscar um risotto de cogumelos, a vida de Pedro Landim mudou da água para os vinhos.

Repórter de cultura e colunista de gastronomia do DIA - onde ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2005 -, adora cozinhar, comer e falar de comida.

No jornal impresso, a coluna homônima é publicada às terças-feiras, no Guia O DIA-Michelin de Viagem.

Bom apetite.