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| Pedro Landim |
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Saiu a lista dos 18 ganhadores da promoção Boca no Mundo/Candy de vinhos portugueses.
Os seis primeiros ganharam exemplares do Barão do Sul Garrafeira 2002:
1 - Anny Helena Wakslicht
2 - Maria Alzemira Jereissati
3 - Adriana Maria Sanzana
4 - Cinthya Sternberg
5 - Esdras Reis
6 - João José Fidêncio Filho
E os demais ganharam o Barão do Sul 2005:
7 - Ajalmar Oliveira da Silveira
8 - Alexandre Mesquita
9 - Felipe Sales Mariotto
10 -Cristiana Corrêa
11 - Eraldo Correia Rocha
12 - Sara Braustein
13 -Telmo Montani
14 - Fernando Lopes Marçal
15 - Natalia Lopes
16 - Priscila Amaral Lobato
17 - Valeria Alves Martins
18 - Wesley Ferreira Ramos
Os vinhos deverão ser retirados na loja Candy da Cobal do Humaitá - Rua Voluntários da Pátria 448, lojas 10 e 11, Humaitá (2526-2526) - a partir da segunda-feira, dia 8 de junho de 2009. Os ganhadores devem comparecer pessoalmente, apresentando a carteira de identidade original.
Na semana de 8 a 14 de junho, conforme noticiamos, o Barão do Sul estará aberto na loja para quem quiser provar. É só chegar para uma tacinha.
É um rótulo de ótima relação preço-qualidade, um vinho do dia-a-dia no Velho Mundo.

Para quem está acostumado aos chilenos e argentinos que dominam as prateleiras é uma boa oportunidade para variar.

E, quem sabe, ainda levar para casa uma porção da incrível 'punheta' de bacalhau feita na loja pelo Luis, com bacalhau e azeite de primeira. Par perfeito para o Barão.

A relação dos 18 vencedores está publicada também na página de RESULTADOS das promoções do Dia Online.
Lembrando que toda a apuração do concurso e a escolha dos vencedores foi realizada pelo departamento de Promoções, sem a ingerência deste blogueiro.
Meus parabéns aos vencedores. O sucesso de nossa primeira empreitada aponta para novas promoções no futuro. Obrigado a todos, do fundo de minhas panelas.
Boca Convida
Na segunda feira começaremos a publicar, a princípio semanalmente, os textos de nossos convidados especiais. Vamos ativar o link CONVIDADO ali do lado, abrindo espaço para textos de outros amantes do mundo da comida, da bebida e outras coisinhas mais. Não percam.
Lá pelos lados de Belém do Pará, a chuva vem depois do almoço e o tacacá vem depois da chuva. O pé d'água cai com hora marcada para embalar a sesta, e depois o pessoal embarca nos tucupis, camarões e jambus antes de voltar ao trabalho.
Foi a Angela que contou, lá do Tacacá do Norte, o precioso botequim 'fast food' paraense ali na Barão do Flamengo, perto do Largo do Machado.

Porque entre as 100 tijelinhas vendidas diariamente, para a freguesia formada em 90% por paraenses, a maior parte sai lá pelas 17h, quando a chuva passa...
Terra Encantada
Nos 10% restantes, me vejo ao lado dos franceses. Pelo menos um, que vale por muito na cozinha. Pilotando um menu com mais de 20 ingredientes do Norte no requinte do Le Pré Catelan, o chef Rolland Villard já fez suas comprinhas no Tacacá e afirma:
"A Amazônia é a novidade, são os produtos que vão influenciar a gastronomia mundial".
Num caminho já trilhado por gigantes como o catalão Ferran Adrià e o basco Juan Marí Arzak - que comeram, cheiraram, anotaram e levaram de tudo em visita ao Amazonas e Pará, no ano passado - Rolland incorporou para sempre em seu cardápio o serviço de 10 pratos como o 'pirarucu em crosta de caju e consomé de tucupi e jambu'.
Agora reparem a semelhança nos ingredientes, cores e apresentação do prato (acima) com a tradicional tijelinha de tacacá do bar no Flamengo (abaixo). Paris e Pará, vamos lá?

Rolland contou que recentemente, ao receber em seu restaurante o italiano Massimo Bottura, expoente atual em seu país (com seus picolés de Foie Gras), apresentou-lhe um sorvete caseiro de murici - a frutinha amarela - e pediu que adivinhasse o sabor pelo cheiro.
"Rolland, aí tem parmesão com certeza", afirmou o italiano. "Ele não acreditou quando contei que era apenas a fruta e quis levar quilos para a Itália", diverte-se o francês.
Do luxuoso ao popular, os quitutes paraenses estão aí para quem quiser provar. No Tacacá do Norte tem de tudo para viagem, e no balcão fez fama com seu trio poderoso: tacacá, 'unhas' de caranguejo e a casquinha que transborda de tão bem servida.
Brandade de tucunaré ao leite de coco

Casquinha, para seis
1 kg de carne de caranguejo / 5 dentes de alho picados / 1 cebola picada / 2 tomates picados / 2 molhos de coentro / 1 molho de cheiro verde / Sal a gosto / Farinha d'água para acompanhar
Preparo
1 - Cozinhar a carne do caranguejo na água e escorrer bem.
2 - Refogar na frigideira os demais ingredientes: 'suar' no azeite a cebola e o alho, acrescentar o tomate, acertar o sal.
3 - Adicionar a carne do caranguejo e depois as ervas. Servir com a farinha d'água ao lado e um bom molho de pimenta para temperar. Pimentas coloridas de cheiro são bem vindas no enfeite comestível.
"Eu quero agora uma codorna pra comer, o meu problema ela tem que resolver..."
Mantive a métrica mas tirei da letra os ovos - que elas produzem aos montes -, acrescentando carvão em brasa, sal, pimenta, alho, ervas...
"O segredo da codorna é o tempero, e o segredo do tempero é carinho, amor e determinação", sintetiza o paraibano Roberto Salles, irmão do forrozeiro Chico e também cantor, ex-operário da construção civil, radialista esportivo e dono do Nordestino Carioca, um bar para lá de porreta no Anil.
Foi o primeiro 'pit stop' da fabulosa Caravana da Codorna, onde embarquei num sábado vadio ao lado de paladares privilegiados como os de Claude Troisgros e Clarisse, Luciana Fróes e Deise Novakoski, craque das cachaças em geral e animadora ímpar de caravanas.

O objetivo: avaliar as codornas populares, assadas na brasa e vendidas a pouco mais de R$ 5 em botequins codorneiros.
Ossos do Ofício
E tome guardanapo, quilos deles para limpar os dedos. Porque não há nem como começar a comer codorna de garfo e faca. Segundo informou Lu Fróes, há mais de 100 ossos em cada ave - perdi o guardanapo onde anotei o número exato.
Aliás, essa é para o Ministério da Saúde: o boa praça Paulão, da Confraria do Copo Furado, contou que um dos cachaceiros de seu grupo certa vez parou no hospital após engasgar com um ossinho de codorna. Muita calma nessa hora.
"Tem que assar no alto da churrasqueira, aberta na grelha, nada de 'sapecar' perto da brasa", ensinou o nordestino carioca Roberto, retratado ao lado em pintura de seu bar.
E peço um parêntese para fugir rapidinho das penosas e descrever a 'lasanha nordestina' da casa, narrada como um gol pelo ex-radialista:
"Feijão de corda cozido, manteiga de garrafa, cebola roxa, coentro, carne seca desfiada, queijo coalho fatiado, purê de aipim, queijo ralado e tudo gratinado a 300º".
Segundo ele, é o único prato que cachorro não come. Porque não sobra.
A codorna do Roberto, foto de abertura, vem com farofinha de cuscuz de milharina e um molho a campanha campeão de audiência.
Provamos também um pastel de queijo coalho com cebola roxa que só voltando lá.

Marinando
Em Jacarepaguá, à beira da estrada, muitas codornas perfumam o ambiente visitando o braseiro temperadas no vinagre de vinho tinto, com alho e ervas como orégano e - olhaí a bossa - alfavaca, aquela prima de segundo grau do manjericão. Foi a carne onde a marinada se fez mais presente.

Em pequenas cuias de alumínio com limões cortados, os bichos pegaram. Porque ao lado das aves pintaram costelas do porco inesquecíveis.

Quando encarei dois ossos abarrotados de carne macia cheguei a ouvir uma voz: espelho, espelho meu, existirá no reino do fogo costela mais bonita do que eu?

O dono, também Roberto, foi criador de codornas durante muito tempo, ali mesmo no fundo do bar. Hoje, como a maioria, trabalha com as codornas Perdigão (ou seria 'Brasil Foods'?). São aves jovens e macias, abatidas por volta dos 40 dias de vida.

Feio
Dali voamos para o Engenho de Dentro, aportando na afamada Codorna do Feio. Um pé sujo de esquina autêntico, com selo de de origem controlada, engradados na rua delimitando o espaço das mesas e uma festa assada de codornas, linguiças, costelas e corações de galinha chegando às mesas em pratinhos de vidro Duralex.
Senti certo gosto de vinho nas codornas de carne 'avermelhada' pelo tempero, mas Katita Aconchego garantiu que o negócio ali eram as e ervas secas, além da salmoura.

Acertar o sal e o equilíbrio da marinada em ave de tão pouca e delicada carne não é fácil, foi uma das conclusões.
No Bar das Quengas, nossas amigas vieram carnudas e bem assadas, embora um pouco salgadas, incentivando a cerveja. E confesso que ali desertei, antes da etapa final no Flor do Nordeste, na feira de São Cristovão.
Perdi o forró mas cantei o samba, quando um grupo de rua dobrou a esquina e botou metade da mesa em pé na Lapa. Até Claude arriscou seus passos, dizendo no pé antes de traçar um pudim de leite.
E estava formado o pagode das codornas.
PROMOÇÃO
Lembrando que até o dia 29 está rolando nossa promoção de vinhos portugueses. Saiba mais e concorra clicando AQUI.
Um pastel de costela aqui, um escondidinho de jiló e linguiça acolá, um caldinho de rabada...
Começa na sexta-feira, 29 de maio, a segunda edição carioca do Comida Di Buteco, com 31 bares concorrendo e muitos deles já vestidos com o espírito do evento e dispostos a quebrar o 'continuísmo' em suas cozinhas.
Aos puristas: isso não tem nada a ver com abdicar dos clássicos.
Não arrisco previsões, mas acho que no futuro devem sobrar os bares que colocarem a mão na massa para criar coisas novas para o concurso.
Por aqui, medalhões como Bar Brasil e Jobi, por exemplo, vão entrar com clássicos como o kassler e a salada vinagrete de polvo, coisas que estão há décadas nos balcões.
A Adega Pérola vai com seus 'rolmops', realmente uma especialidade de paladar pouco convencional. São as sardinhas marinadas no vinagre recheadas com cebola e temperos.
Os pratos tradicionais são maravilhosos, e mesmo necessários nas primeiras temporadas do concurso. É preciso apresentá-los ao público.
Mas para ver confirmada a expectativa dos organizadores, de que o Rio se tornará em breve a maior praça do festival, a criatividade precisará entrar em campo.
Só assim poderemos, como ocorre em Minas, eleger ingredientes como tema. E aí, se o bar nunca trabalhou com tal produto, que trate de incorporá-lo às tradições de sua cozinha.
Carne de Sol da Adega da Velha:

Bolinho de Vagem do Gato de Botas:

A propósito, curioso com alguns dos nomes, liguei para o Cardosão para saber da tal 'prupetinha': é um bolo de carne à base de pão, com molho de mostarda e temperos.
Caldos, Camarão e Baroa
O público não falha na resposta, ainda mais se a cerveja estiver gelada e o atendimento esperto. Tudo isso está na cédula de votação que deverá ser preenchida secretamente e depositada nas urnas de cada bar.
Na presente edição, vejo como tendência a presença dos adoráveis 'caldinhos', e outra curiosidade é a combinação entre camarão e batata baroa que aparece em dois bares: Aconchego Carioca e Salvação.
Sobre o Comida Di Buteco, resume o distinto Eduardo Maya, mente gastronômica privilegiada que inventou o festival: "A ideia é resgatar ingredientes da culinária clássica de cada região e transformá-los para os botecos".
Kassler do Bar Brasil:

Viva Dercy
Estive em BH com a Rosiana, do Bar Pontapé, na Ilha do Governador, que me explicou o seu Bacalhauzinho da Dercy, homenagem à comediante falecida no ano passado.
"A filha da Dercy me disse que o que ela mais gostava eram pastéis de carne com muita pimenta, carne assada e bolinhos de bacalhau", contou Rosiana.
Seu petisco é o seguinte: um bolinho frito de arroz de bacalhau com brócolis, acompanhado de azeite, alho e lasquinhas de bacalhau. Já me vejo na Linha Vermelha.
A LISTA DOS 31
OS NOVOS:
Adega Cesare's, Copacabana - Caldeirada Aperitivo
Adega da Véia, Botafogo - Carne de sol
Cachambeer, Cachambi - Costela no bafo
Gato de Botas, Vila Isabel - Bolinho de vagem
Adega Pérola, Copacabana - Rolmops
Bar Rebouças, Jardim Botânico - Bolinho de camarão com catupiry
Zeca's Vila, Vila Isabel - Jiló recheado
OS QUE VOLTAM:
Academia da Cachaça, Barra - Empada de queijo coalho com alecrim
Aconchego Carioca, Praça da Bandeira - Purê de baroa com camarão
Adonis, Benfica - Caldinho de rabada com torradas
Antigamente, Centro - Pastel de Costela
Araguaia, Freguesia - Pão de alho especial
Armazém Cardosão, Laranjeiras - Prupetinha do Cardosão
Bar Brasil, Lapa - Kassler defumado com mostarda escura
Bar do Mineiro, Santa Teresa - Pastel de galinha à cabidela
Bar Urca, Urca - Kibe de peixe
Beco do Rato, Lapa - Escondidinho de jiló e linguiça
Bracarense, Leblon - Barquete de salmão
Copão de Ouro, Ramos - Caldo de siri
Enchendo Linguiça, Grajaú - Lingüiça Croc
Gracioso, Saúde - Croquete Gracioso
Jobi, Leblon - Polvo à vinagrete
Mangue Seco, Lapa - Linguicinha no creme de aipim com catupiry e couve fininha
Original do Brás, Brás de Pina - Doce Refúgio: lombinho suíno folhado à tamarineira
Pavão Azul, Copacabana - Caldinho de feijão temperado
Petit Paulette, Praça da Bandeira - Croquelette
Pontapé, Ilha do Governador - Bacalhauzinho a Dercy
Real Chopp, Copacabana - Bolinho de Carne Especial
Salvação, Botafogo - Bolinho de baroa com camarão
Siri, Vila Isabel - Filezinho de peixe com molho
Vanhargem, Maracanã - Vaca atolada
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PROMOÇÃO
Lembrando que até o dia 29 está rolando nossa promoção de vinhos portugueses. Saiba mais e concorra clicando AQUI.
Diz que a colher de azeite protege o bucho das cachaças. E formou fila para a 'azeitada' na porta do buzum.
"Em caso de despressurização, uma lata de cerveja cairá na sua frente", foi a primeira piada da caravana onde 70 indivíduos visitaram cinco bares em seis horas, epopeia de petiscos, tragos e conversa fiada.
Do trio taioba-couve-mostarda, as três verdes folhas inspiradora da 10ª edição mineira do Comida Di Buteco, faltou provar a última.

A taioba pintou de leve recheando um bolinho de angu num prato incrível, e a couve enfeitou mas também gritou crocante, na versão frita que faz sucesso.
E não adianta dizer que vai beber pouco, pois as sacolinhas de cerveja passam no ônibus e lá pelo terceiro bar já tem alguém desafiando as leis etílicas e físicas e equilibrando doses de cachaça na tampinha da garrafa, com o ônibus subindo uma ladeira de paralelepípedos.

Angus
Nas mesas, suspiros. Comemos no Bar do Doca uma costelinha de porco ao molho de goiabada, com empada feita de angu (Milharina mexida no caldo) e recheio de requeijão. O nome diz muito: Dezmaio Mineiro.
Curioso é que na véspera eu havia conhecido o Vecchio Sogno, célebre e chique restaurante da cidade, e pedido uma entrada que consistia exatamente numa espécie de 'petit gateau' de polenta, recheado com gema de ovo trufada.
A mesma lógica do angu com requeijão no botequim, vejam como anda a culinária mineira.

Política e Cachaça
A fama de 'come-quieto' dos locais ficou nas primeiras mordidas e goles, e teve até discurso de político cachaceiro (que entende de cachaça). O deputado federal Virgílio Guimarães (PT), que não perde uma caravana de boteco, levantou da mesa ao provar uma cachaça Germana de 10 anos para declarar:
"Me enganaram. Essa cachaça tem mais de 10 anos!".

Palmas para ele, porque um representante da empresa disse que no 'blend' da garrafa tem pinga até de 17.
E permanecemos naquela: golim na cachacim e belisquim no petisquim. Particularmente, pirei com Dona Berinjela e Seus Dois Quitutes (o deputado também discursou sobre o legume), do Agosto Butiquim.
Porque ao lado de bolinhos de angu recheados com requeijão e taioba estavam berinjelas que nunca mordi igual, um creme por dentro e crocantes por fora. Perguntei e revelo o truque: deixá-las um bom tempo na água gelada antes de secar e fritar passadas na maizena.
Melodias
No Autêntico's bar, encontrei um 'arbusto' de couve que a gente afasta e descobre um refogado de carne com linguiça defumada, palmito, gengibre e cenoura, como dizia o cardápio.
Depois veio o Bombar, com o prato que eu já namorava na foto, um molho de alhos caramelados no meio, bolinhos de angu com couve e linguiças.
A essa altura, violão e gaita já embalavam a digestão no ônibus, e teve grande senso de oportunidade o gaitista quando improvisou a melodia de 'When The Saints Go Marchin In'...
Noite no céu e chegamos ao Ali Ba Bar, boteco de cozinha árabe com excelente quibe cru e petisco molhado de aipim no creme branco, com manteiga de garrafa e almôndegas em molho ferrugem, mais couve e pequenas tiras de tâmaras dando um charme sutil e adocicado.
E uma tal de 'shuraya' (se bem me lembro o nome, inventando a grafia) que é um bolo de carne achatado à milanesa que, cortado, tem a fama de lembrar o órgão sexual feminino. Precisa dizer que estávamos na última parada?

Nachos
Tendo a Elma Chips como patrocinadora, em mais uma jogada campeã, os organizadores da festa bolaram o seguinte: paralelamente, há uma competição envolvendo os nachos de pacotinho, só entra quem quer, e os bares criam algo para o snack.
O vencedor vai estampar com sua receita alguns milhões de embalagens de Doritos, não é preciso dizer que todo mundo topou.
Geralmente, são molhos para os nachos, como um guacamole aqui, uma ricota temperada acolá... E teve um que, no melhor estilo Adrià, processou o Doritos, fez uma farinha e empanou uma linguiça. Muito legal.

Mulherada
Salvaram-se alguns dados rabiscado num guardanapo rasgado: em Belo Horizonte, já são mais de 300 receitas criadas na festival, 65% do público eleitor é feminino e 41 bares disputam o voto popular.
No Rio, serão 31, a partir do próximo dia 29 . Essa é a boa, gente: juntar amigos, chamar táxis ou alugar vans, e percorrer um roteiro pré-determinado de bares e petiscos, cumprindo o dever de cidadão e depositando o voto secreto nas urnas.

Partiu?
E lá se vão dois anos celebrando boas coisas da vida...
   
Reunimos amigos no Paraíso, subimos aos céus no Mugaritz, brindamos com Arzak, surfamos no País Basco, traçamos um bife com Sting, descobrimos a sálvia de Gaudí, sonhamos com lagostas de Hitchcock, perseguimos Jilós cariocas, mergulhamos num mar Azul de moluscos...
   
E sobrevivemos para contar. Muito obrigado a todos, do fundo de minhas panelas.
Vinhos Para Você
Para o brinde do aniversário, oferecemos aos leitores 18 garrafas de belos vinhos portugueses.
Basta imaginar: Como seria o seu momento perfeito para abrir uma garrafa de vinho?
Para responder basta se cadastrar na página de Promoções do Dia Online, clicando AQUI.
Não dói nada, é rapidinho e você tem boas chances de ser um dos 18 contemplados com um exemplar do Barão do Sul, vinho regional das Terras do Sado, na Península de Setúbal, uma das regiões históricas que mais têm evoluído em rótulos portugueses de qualidade.
A promoção é parceria do blog com delicatessen Candy, uma das melhores casas para se conhecer e comprar vinhos, com filiais na Barra e na Cobal do Humaitá.

Serão 12 garrafas do Barão do Sul 2005, corte das uvas Castelão, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Syrah; e mais 6 garrafas doBarão do Sul Garrafeira 2002, feito com as uvas Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot e Castelão, com 18 meses em barricas de carvalho francês e o mesmo tempo na garrafa antes de ganhar o mercado - um senhor vinho, em resumo.
O resultado da promoção sai no dia 29 de maio, e as garrafas deverão ser retirados na Candy do Humaitá, na primeira semana de junho. Novas informações sobre os vinhos e a promoção serão publicadas nos próximos dias. Estamos terminando a reforma e há novidades a caminho.

Obrigado à turma do Dia Online e um beijo especial para a Joanna Chigres, que me vestiu de chef e criou o banner ali de cima com algumas fotos que fiz na feira ( da esquerda para a direita: nirá, pimenta biquinho, fruta do conde, abacaxi e cardamomo). Valeu.
O santo xará não falha, avisei. E dei a real: a boa da noite é ir dormir agora para amanhã acordar cedo no Mercado São Pedro. Vinhos na bolsa, olho no peixe e aquele abraço. Um abraço de cavaquinha, na manteiga.
"De manhã é a melhor hora para beber Champagne. A boca está nova, limpa...", ponderou o amigo André, destilando sabedoria. Fermentando, digo.

O programa começa com o visual da Ponte, seguido pelo giro na peixaria, um pulo do outro lado da rua para o gelo, aquele papo na idéia com o dono do bar e repare como a vida é bela.
Limite
Levamos bocas e taças, além do trio fantástico para o balde incluindo uma viúva borbulhante e dois sauvignons blancs à altura da empreitada.
Merecedor de aplausos demorados, abrimos um dos melhores brancos chilenos do pedaço, sem exagero: o instigante Casa Marin, presente de Dr. Marcelo. E o sempre muito agradável Nimbus State.
Ali em cima não tem erro, é soltar os bichos do mar nas mãos dos cozinheiros, e esperar o melhor tempero. Mas todos resolvemos tocar cavaquinhas, além de cherne e camarões para a grelha e anéis de lula fritos para a abertura.
A moça na cozinha estranhou os bichos na casca, abertos ao meio. E emudeceu quando um dos convivas, levando a situação aos limites do paraíso, sugeriu: "Dá para queimar a manteiga um pouco antes de passar o crustáceo?"

A tentativa do 'noisette' ficou para a próxima, e meus antes desconfiados convidados não encontraram palavras para descrever a satisfação.

Nem precisavam. Foi puro sentimento, até ancorarmos em terra firme para tornar inesquecível um sábado qualquer.

Grenache
Seguindo o mapa do doutor, passamos na Kurt para adquirir a torta de damasco (se você não conhece aconselho a visita nas próximas horas) capaz de realçar um dos melhores vinhos de sobremesa que já passaram por esta Boca que vos digita.

É o Mistela Josefina Piñol Blanca 2006, um espanhol fortificado feito 100% com as uvas Grenache, natural da Cataluña, onde a família Piñol faz vinhos artesanalmente há quatro gerações - segundo o site da importadora.

Cheio de frutas secas, amêndoas, pêssegos, flores, mel... é um vinho complexo e apaixonante a começar pela cor e a garrafa.
A quem interessar possa, senhor Parker deu 95 pontos para a criança. A quem possa também interessar, é importado pela Decanter e sai por volta dos R$ 120. Para os tarados pela coisa, vale o preço.

E falando em tara, parece mentira mas o cidadão André acendeu seu charuto e aceitou um copinho gelado de vodca para a digestão...

Mas será que eu sonhei tudo isso?
Quando percebi, estava ali a bandeira italiana. O verde do hortelã, o branco do alho e o vermelho da pimenta. Antipastos, vocês sabem, são aqueles que vêm antes da pasta. Trocadilho infame mas saboroso.
Ando ensaiando algumas entradas, penso num jantar feito apenas de aperitivos, mesa colorida.
Cogumelos recheados são infalíveis, e as abobrinhas fritas, mesmo sem atingir o resultado esperado transformaram-se em bela entrada com a participação fundamental da bandeira...

Os aspargos com tomate cereja, azeitona, manteiga e limão seriam mais uma entrada, mas em cima da hora pintou a massa.
Recheados
Ingredientes
Cogumelos Paris / Azeite / Manteiga / Um dente de alho/ Ramos de nirá / Queijo tipo Grana ralado / Pimenta do reino e sal a gosto
  
Preparo
1 - Retire com cuidado os talos dos cogumelos, se necessário use pequena faca ou colher para abrir espaço para o recheio. Pique bem fino os talos e reserve.
2 - Aqueça o azeite na frigideira e grelhe os cogumelos, dourando dos dois lados, com o dente de alho e o ramo de tomilho na panela para aromatizar.
3 - Para o recheio, misture numa tijela os talos picados com a manteiga, o nirá picado, o queijo ralado, o sal e a pimenta (não se esqueça que o queijo já é salgado).
4 - Recheie as cavidades dos cogumelos com a 'massinha' preparada, cubra com mais queijo se quiser e leve ao forno de 250º para gratinar, de cinco a 10 minutos.

No caso acima, acrescentei queijo de cabra francês, cremoso, um auxílio luxuoso...
Verdinhas
Ingredientes
Abobrinhas / Óleo vegetal / Sal / Hortelã bem picada / Alho bem picado / Pimenta dedo-de-moça bem picada

Preparo
1 - Fatie a abobrinha bem fina, de preferência no mandolim (fatiador manual), e seque bem todas as fatias em papel toalha.
2 - Aqueça o óleo em fogo máximo por cinco minutos. Frite as abobrinhas em leva até dourarem, vá retirando e escorrendo em papel toalha.
3 - Jogue as abobrinhas fritas numa tijela, salgue e por cima despeje alho, hortelã e pimenta. Regue ligeiramente com bom azeite extra virgem e se quiser pingue algumas gotas de limão.
Ótimo para servir de entrada, com pães ou torradas. Pode ser bela cobertura para bruschettas.
Massa
Ingredientes, para dois
250g de massa (sugestão: penne) / Seis aspargos frescos / Uma xícara de tomates cereja / Meia xícara de azeitonas pretas cortadas e sem caroço / Uma pimenta dedo-de-moça grande / Meia xícara de salsa picada / Azeite / Manteiga / Limão / Sal

Preparo
1 - Mergulhe os aspargos em água fervente e cozinhe por um minuto. Escorra os aspargos com água fria.
2 - Com um pouco de azeite, grelhe os aspargos e os tomates cereja numa frigideira antiaderente e reserve na própria panela.
3 - Quando a massa estiver cozida, 'ao dente', ligue o fogo dos aspargos, corte-os em pedaços do tamanho de um dedo mindinho, jogue por cima três boas colheres de manteiga para derreter, esprema meio limão e derrame por cima a massa escorrida.
4 - Finalize cobrindo com as azeitonas, a salsa e a pimenta picadas, misture bem e sirva com o queijo ralado, se for de seu agrado.
Pode virar também uma boa salada fria, na geladeira, com o acréscimo de iogurte, quem sabe algumas folhas de hortelã picadas...
A vida de Jamie Oliver tem sido uma caçarola cheia de azeite, tomate, alho, limão e pimenta - os cinco ingredientes que não podem faltar em sua cozinha -, mantida em fogo alto.
Em abril, ele cozinhou para Barack Obama, Luiz Inácio 'O Cara' da Silva e os líderes do G-20, em London. No dia seguinte, entrou na sala de parto para receber 'Pétala de Flor do Arco-Íris' (Petal Blossom Rainbow), sua terceira filha (todas têm nomes de jardim).
No meio de tudo isso, por conta da exibição no Brasil de seu novo programa, Ministry of Food ('Revolução na Cozinha'), abriu seu notebook e respondeu meu e-mail.
"Os ingleses estão obesos, e quando fiz meus programas sobre a comida nas escolas percebi que a questão está nos lares. Vi mães e filhos comendo pratos 'para viagem', em caixas de isopor, no chão. Tinha gente que não sabia amassar uma batata, ou nunca tinha usado o próprio fogão", diz Jamie. O novo projeto é dedicado a ensinar as pessoas a cozinhar em casa.

Estrelas
Jamie Oliver, para quem não conhece, é um menino progídio no entretenimento da comida, a arte de transformar a culinária em shows televisivos, livros, revistas, lojas, sites, blogs e tudo mais que você puder pensar em termos de diversão, audiência e consumo.
Risotto com cogumelos assados e salsa:

Gosto de suas receitas, livros e séries, de seu paladar fanático pela cozinha italiana.
O que chefs como Marco Pierre White e Gordon Ramsey fizeram pela imagem da Inglaterra no 'business' da alta gastronomia, levando estrelas Michelin ao país conhecido como "o lugar onde se come a pior comida do mundo", Jamie pretende fazer dentro dos lares britânicos.
'Pasta alla Norma', com berinjelas, tomates, manjericão e ricota:

Não é difícil entender a irritação que o louro e roqueiro de cabelos desgrenhados - ele tem show ao vivo no teatro onde cozinha e toca bateria ao mesmo tempo - causa nos 'cascudos' do negócio, chefs que se tornaram conhecidos antes de ir para a TV, ao contrário de Jamie.
Perguntei a ele o que acha das críticas de Marco Pierre, que disse recentemente que seus projetos filantrópicos são marketing pessoal. Na mesma fornada, Jamie assou dois coelhos:
"Não presto muita atenção no que Marco diz. Ele fala para conseguir manchetes quando lança um programa novo. Não preciso discutir com ele, deixo isso para o Gordon (Ramsey)".
Gordon, ex-pupilo de Marco, tornou-se posteriormente seu desafeto, e chegou a ser substituído por este no programa Hell's Kitchen.
Ombro
No jantar do G-20, Jamie mostrou na prática as idéias que defende, baseadas numa culinária fresca, barata e feita com ingredientes sazonais e típicos da Grã-Bretanha. Bolou cardápio despretensioso com receitas de seus livros.
"Estava receoso de não obter algumas coisas mas na última hora conseguimos aspargos jovens e verduras da estação. Obama gostou muito e tivemos boa conversa depois do jantar", contou.
No menu, pratos como "salmão escocês assado com vegetais da costa, favas, salada de ervas do jardim, maionese e pão irlandês com alho selvagem"; e "ombro de cordeiro do País de Gales lentamente dourado, aspargos jovens e cogumelos selvagens de Saint George".
"Eu queria provar que você realmente não precisa gastar rios de dinheiro para servir refeição especial", prossegue Jamie, calculando em 11 libras (pouco mais de R$ 30) o preço que gastou por pessoa, incluindo os três pratos do jantar.
Peladas
Mesmo de graça, nada disso entraria no cardápio das ativistas da Peta, grávidas e nuas, que protestaram na porta do Fifteen, o restaurante de Oliver.
Após ele ter feito campanha pelo consumo de porco de fazendas que tratam bem animais, os radicais da alface resolveram dizer: se você ama os porcos, não os coma.
"Senti pena das pobres meninas nuas congelando no frio. Falando sério, eu nunca poderia ser vegetariano, mas acho importante as pessoas pensarem sobre carne, de onde ela vem, e foi o motivo pelo qual eu fiz campanha por melhores condições para as galinhas e os porcos".

Me identifico bastante com as receitas de Jamie, não apenas porque os ingredientes que não poderiam faltar em sua cozinha poderiam ser os meus, mas porque seus programas foram os que mais me incentivaram a me arriscar nas panelas. 
E até mesmo Antonhy Bourdain, um dos maiores críticos de Oliver e, vocês sabem, meu chef-celebridade preferido, que na TV apresenta o 'Sem Reservas' - exibido no Discovery Travel & Living -, afirma num de seus livros:
"E mesmo Jamie Oliver no que tem de mais frenético e aborrecido talvez seja, no conjunto, uma força para o bem. O chef-celebridade incita o ignorante a comer melhor, quem sabe a cozinhar de vez em quando. E oferece um muito necessário ganho de fim de carreira para chefs mais velhos, quebrados, queimados como, bem... eu".
"Não se admire se um dia um beija-flor invadir..."
Era essa, digamos, a música de trabalho dos 'hippies' nas rodas de violão das fogueiras de Visconde de Mauá, em algum lugar de uma adolescência regada a banhos de cachoeira.
De vez em quando alguém atirava um pinhão na brasa e depois o pescava, macio por dentro.
A prática, é bom que se diga, remonta a outros cabeludos que também assavam pinhões no fogo: os índios puris, habitantes da região no século 19 - confira na ilustração como eles não lembram certos cantadores de Zé Ramalho e Raul Seixas:

De meu passado na região, guardo experiências gastronômicas tipo churrasco de linguiça improvisado entre tijolos na Toca da Raposa, os pastéis fantásticos do Seu Tatão na Maromba e os PFs de truta no Moisés - que assim foi batizado porque quando nasceu foi arrastado pelo Rio, numa histórica cabeça d'água, e sobreviveu para nos alimentar.
Sem falar numa das maiores invenções do ser-humano, típica de Mauá: a pinga com mel.

No 'poção dos sete metros' (acima), nos áureos tempos, já pulei de salto mortal e até de noite. Repetiria hoje a façanha mediante pagamento antecipado, em espécie.
Amor
Mas o fato, conforme eu ia dizendo, é que as sementes das araucárias despencam no chão da serra desde sempre, e tornaram-se naturalmente um ícone da gastronomia do vilarejo.
'O Bosque e o Cozinheiro', shiitake e creme de pinhões, de 2008:

Porque Mauá é lindo, friozinho e com barulho de cachoeira. Perfeito para os romances, e romances sem comida perdem boa parte da graça.
Nos dias 15, 16 e 17 de maio, o famoso concurso de gastronomia dos pinhões, em sua 17ª edição, vai abrir oficialmente a temporada das castanhas hippies (foi um 'insight') na montanha. Aí, durante um mês, tudo quanto é restaurante local vai ter pinhão no cardápio.
'Outono em Mauá', de Olimpia: coelho com pudim de pinhão, de 2005:

"São as nossas 'trufas' e não custam nada. É só catar no mato. Tem que ser fresco, com o gosto da estação", diz Mônica Rangel, chef do Gosto Com Gosto, um dos mais famosos restaurantes da região.
Viscondes
'Outono em Mauá', não por acaso, é o nome de um dos pratos já premiados da cozinheira que é um livro de histórias. Já publicado, com o título: 'A Cozinheira e o Visconde'.
É Dona Maria Olimpia, do alto de seus 76 anos. Como muitas pessoas de coração privilegiado, ela trocou a cidade pelo campo há 23 anos e virou cozinheira de fazenda.

Hoje comanda A Cozinha do Visconde, restaurante que funciona em casa histórica (foto acima): "Ela foi residência da primeira professora de Mauá, que se casou com um alemão. Ele resolveu construir a casa típica de sua terra, tem o estilo country-alemã", conta Dona Olimpia, que é também contadora de histórias e integrante do movimento 'Slow Food'.
Enfim, uma dessas pessoas que Deus criou para fazer do mundo um lugar agradável.
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Desde o dia em que entrou na cozinha para arriscar um risotto de cogumelos, a vida de Pedro Landim mudou da água para os vinhos.
Repórter de cultura e colunista de gastronomia do DIA - onde ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2005 -, adora cozinhar, comer e falar de comida.
No jornal impresso, a coluna homônima é publicada às terças-feiras, no Guia O DIA-Michelin de Viagem.
Bom apetite. |
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