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| Pedro Landim |
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"A casa está bem bacana, com o charme da Hípica. Vista para as pistas de treino, mesas de madeira... E o menu é do Erik Nako e do Cristiano Lanna, do Cozinha Criativa".

As palavras são da Carol Zappa, que mandou e-mail sobre a inauguração do novo Bistrô da Hípica, e eu já simpatizei de cara.
Não apenas porque sou fã do trabalho do Erik e do Cristiano, mas pelo clima agradável que se adivinha: a paisagem da Hípica, casa colonial reformada e aberta também para receber quem não é sócio, janelas abertas para os cavalinhos e a cozinha inspiradas nos bistrôs e brasseries franceses.
No cardápio leio coisas como patê artesanal de campagne com pistache e azeite de trufas, coxa de pato confit, lombo de cordeiro com cogumelos gratinados ou purê de maçãs, bifes de chorizo com molho béarnaise...

...Massa caseira com camarões ao pesto de hortelã e nozes, sanduíche de rosbife, mostarda de Dijon e cebolas caramelizadas, e sobremesas como um carpaccio de abacaxi com pimenta rosa e sorvete de coco.
A carta de vinhos é bem variada e tem opções de todas as partes do mundo, rótulos a partir de R$ 34.
Fica na Av. Borges de Medeiros 2.448, Lagoa (2156-0155).
Os olhos indagam, a boca descobre e o cérebro matuta. As aparências surpreendem. Um passeio instigante do início ao fim, no menu de Roberta Sudbrack.
A chef e blogueira que transmite sua cozinha em tempo real pelo Twitter - uma espécie de 'país das maravilhas' onde os legumes cantam, cordeiros dançam e brigadeiros levados fogem das colheres -, nos conduz sem pressa a viagem delicada de texturas e proporções.

Ingredientes brasileiros muito frescos, como os microcubos laranjas de abóbora que estalam crus na boca, num inesperado tartare perfumado a gengibre e enfeitado com as sementes crocantes do vegetal.
Uma gastronomia feita de sorrisos, como os lagostins muito frescos envoltos em lâminas de chuchu defumadas na grelha. E a espuma de leite convidando para longe...
O processo dos chuchus ela me passou pela Internet, assim como as batatinhas 'croustillantes' que acompanham o leitão com textura de nuvem, protegido por 'biscoito' de pururuca.

Pelo Twitter, Roberta concluiu:
"Chef que esconde a receita deveria ser preso!"
E lá vem chegando um aspargo branco coberto por leve caramelo picante e diversos brotos, sabores nascentes em cada mordida: flor de erva doce, manjericão roxo...

A gema de ovo caipira com foie gras cremoso, e 'ciscos' de quinoa crocante me lembraram certos versos que diziam que a poesia é a lembrança das coisas que nunca vimos.
Algo assim, como um 'consommé' de chocolate amargo, pele de leite e telha de rapadura.

Roberta trabalha com duas opções fechadas de menus degustação, em conceito artesanal que a leva a colocar diariamente a mão na massa em seu restaurante.
Voltei agora ao Twitter e encontrei a chef, que dizia:
"Agora um pouco de música... e dança..."
Quem não deu boas risadas com a campanha impagável que coloriu a cidade de estrelas vegetais nos últimos anos?
A 'Exposição Hortifruti: O Caminho Natural de um Sucesso', está desde hoje ocupando paredes na estação do Metrô da Carioca, no Centro do Rio. De segunda a sexta, das 9h às 20h.
Vejam nossos heróis...
Símbolo sexual em escala planetária, e curtindo ao vento da península os cabelos cor de sol, o monumento andava a cavalo pela praia, comia pitanga no pé, ajudava os pescadores a puxar a rede e, dizem por lá, usava um vestidinho curto sem nada por baixo.
O verão de 1964 foi mais um inesquecível na Armação dos Búzios, e se Brigitte Bardot definiu as águas claras do balneário como "um mar de champagne azul", inaugurava também ali a vocação gastronômica do pedaço de paraíso que colocou a Região dos Lagos em horário nobre.

Sendo assim, é enfeitado por mais de 20 praias, e muitos frutos do mar, que o 8º Festival Gastronômico de Búzios ganha as ruas da cidade, nos dias 23 e 24 de outubro, apresentando a preços populares o melhor de 40 restaurantes da região.
'Tortino di Melanzana' do Bistrô Bellavere

Leia-se: entradas a R$ 10, pratos principais a R$ 15 e sobremesas a R$ 8.
"O festival tem formato diferente, mesas montadas ao ar livre, criando decoração charmosa e favorecendo a confraternização", diz Marcos Sodré, do tailandês Sawasdee.

Ele vai entrar com o Khao Mok Gung, arroz de jasmim com camarão e especiarias que faria Brigitte Bardot suspirar na orla que hoje leva seu nome.
Camarão ao coco com açafrão do Buzin

Os organizadores da festa esperam mais de 100 mil visitantes em 2009, agora que Búzios está na novela. Atenção pais de família, amantes e namorados: José Mayer está na área.
Khao Mok
Pois é, a Tailândia também tem seus mexidinhos. Esse requer nada mais que alguns minutos. Receita do Sawasdee.
2 col. de sopa de óleo de girassol / 2 dentes de alho picados / 1 pimenta dedo-de-moça picada / 120 g de camarões limpos / 1 col. de sopa de molho nampla (vendido em lojas de produtos orientais) / 1 col. de chá de açúcar mascavo / 1 col. de sopa de molho shoyu / 20 folhas de manjericão / 240g de arroz jasmin cozido / 1 cebola roxa picada / 1 col. chá de curry em pó
1 - Aqueça um wok (tipo de frigideira), ou frigideira normal e adicione o óleo. Quando estiver bem quente, coloque o alho e frite até dourar. Adicione o camarão e a pimenta picada, e refogue o conjunto até começar a mudar de cor.
2 - Coloque o molho nampla, o mascavo, o curry e a cebola. Ferva por mais um minuto e coloque o arroz já cozido. Mexa bem e adicione as folhas de manjericão antes de servir.
Me acompanhe porque sou novela: www.twitter.com/boca_no_mundo
Veja também: Tailândia Batida

Um pouco de mel adoçando o domingo, e uma tacinha de vinho no café da manhã tardio, pra ficar pensando melhor.

Ar lavado de chuva que se foi, cheiro de mato e a companhia do intrépido Gabriel, sempre disposto a correr perigosamente em volta da histórica piscina do Parque Lage, numa tarde que ainda seria palco de um grande confronto nas imediações do parquinho.

Waffles, pães de queijo, frutas, suco de laranja e um sanduba de frango ao curry, com grãos de mostarda e cebola caramelizada, no qual ainda derramei um pouco de mel.
Nos ouvidos, playlist 'swing-black-relax' de Djavan, Ed Motta e Luiz Melodia.
"Vim de lá, vim da praça mistério da raça cachaça pra se beber..."

'Pie' de maçã e passas, mineral com gás e café expresso. Vontade de me esparramar nas almofadas, mas precisávamos salvar o mundo. Ou dominar o mundo, nunca sei.

Eu, Gabriel e dois inimigos de nome e sobrenome notáveis: Max Steel e Aracni Extroyer.

Conseguirá nosso herói resistir ao ataque do terrível aracnídeo?

Vinde a mim, gulosos: www.twitter.com/boca_no_mundo
E veja também: O Tigre Comeu

Encontrei o Fernando no regabofe, que veio com a boa. Tirou do bolso um pequeno tíquete onde se lia: Os Botecos, Monarco e a Família Diniz.
E resumiu a parada de terça-feira: "Vamos ser nós, Enchendo Linguiça, o Paulette, o Cachambeer e o Original do Brás, cada um vai entrar com alguns petiscos, e o samba comendo na quadra da Estácio.
Deixa eu ver se entendi: Monarco, seus filhos Mauro e Marquinhos Diniz, e a neta, Juliana. Estirpe de portelenses 'D.O.C.', na quadra essencial da Estácio ("se alguém quer matar-me de amor...), com alguns dos petiscos campeões do reino carioca da botecaria, em ação conjunta entre louras geladíssimas.

Um evento que já nasce nota 10 em harmonia, evolução e tempero, tira-gosto para um verão que, pelo visto, já se anuncia. É bom se segurar, que a poeira vai subir.
Frigideiras
São bares laureados que estão colocando em fogo alto as frigideiras da gastronomia de botequim no Rio, aclamados nas duas edições do Festival Comida di Buteco.
Petit Paulette, Original do Brás, Cachambeer e Enchendo Linguiça (eleito o Melhor Botequim no Prêmio Tudo de Bom!, do DIA) uniram forças e escolheram especialidades de seus cardápios.
Estarão lá o mágico Croquelette, do Petit Paulette; a Picanha de Sol Acebolada com Manteiga de Garrafa, do Cachambeer; a Linguiça Croc, do Enchendo Linguiça, e a Alcatra Suína (flambada na cachaça, com noisete de mandioca) do Original do Brás, entre outros petiscos.
"Levaremos também meias porções do joelho de porco pururucado", disse o Fernando, sobre a especialidade do Enchendo Linguiça.
Fiquei sem palavras e contando os minutos.
Ali em cima, Zé Carlos, do Original, Paulette e Fernando. Turma da pesada.
Família
E tirei da cortiça um momento bonito nessa vida. Olhaí quem se intrometeu no clã dos Diniz, sem deixar o samba cair (e o copo também).
Da esquerda para a direita: Zeca Pagodinho, Landim, Mauro Diniz e Monarco. Ô, sorte.

Acabo de chegar da big festa no Pier Mauá, onde foram anunciados os 42 premiados da edição Comer & Beber 2009 da Veja Rio. Uma radiografia da gastronomia carioca.
A revista neste ano tem 385 páginas, com 865 estabelecimentos: 183 especializados em comidinhas, 260 bares, 400 restaurantes e 22 lugares para comprar vinhos. Com aquelas fotos de página dupla que deixam a gente babando.
Fui convidado para votar na categoria bares, muito honrado em figurar ao lado de ídolos como Moacyr Luz e Guilherme Studart.
Resumindo a ópera, alguns premiados de primeira:
Claude Troisgros - ele merece - foi o Chef do Ano, e melhor Francês, com sua CT Brasserie.
Na Alta Gastronomia, nova categoria, deu Roberta Sudbrack, que levaria também a categoria internauta se ela existisse, levando o passo a passo de sua cozinha diária para o Twitter.
O Chef Revelação foi Kiko Faria, do Quadrifoglio, o Terzetto levou a Carta de Vinhos, e o Melhor Brigadeiro, nova categoria salivante, foi para o Colher de Pau, no Leblon.
Siri Mole & Cia foi outro grande vencedor da noite, com melhor Brasileiro, entre os restaurantes, e melhor quiosque, com o homônimo da Avendida Atlântica.
Na comidinhas, o Armazém do Café levou Café Expresso, e o doce, doce surpresa, ficou com a Confeitaria Colombo. Sanduíche foi Focaccia e Bibi Sucos ganhou o melhor suco - taí uma categoria carioca da gema.
Entre os Salgados, brilhou o croquete da Casa do Alemão. E a frase da noite da apresentadora, Cláudia Raia: "A gente mergulha naquele croquete e não consegue mais sair".
Entre os Bares, deu Pavão Azul como Melhor Boteco, ele que já havia ganhado semana passada o prêmio do Rio Show. Está impossível a casa da Rua Hilário de Gouveia, que não por acaso já abriu sua continuação do outro lado da rua.
O mehor chope foi para o Adonis, e a Melhor Cozinha de bar para o Chico & Alaíde.
Agora vou dormir porque serviram um ótimo espumante francês, e vocês sabem como é...
A foto ao lado da carrocinha de cachorro-quente me fez salivar lembrando dos cachorros quentes de um dólar, vendidos nas carrocinhas de rua de Washington e Nova York, pelo menos o preço era esse há uma década, quando marquei um tempo naquelas bandas.
"É a salsicha, o negócio é a salsicha", dizia minha mãe, cheia de razão.
Apenas ela, única, e o pão. O melhor hot dog do mundo, com os complementos opcionais de ketchup, mostarda, cebola, picles...
Seria essa a "quintessência" da comida americana procurada por Jamie Oliver em sua nova empreitada multimídia?
Estréia no outro sábado, 17, o novo programa de Oliver: A Viagem de Jamie para os EUA, às 19h, no GNT.
Steak com molho de amendoim e especiarias:

Diz o release que ele vai "mergulhar na sociedade americana e desvendar histórias pessoais, experimentar a verdadeira comida norte-americana e encontrar os cozinheiros mais interessantes e desconhecidos do país".
Torta de maça e berries:

Cada episódio mostra o cozinheiro num canto do país, como Los Angeles, Wyoming, New York, Louisiana, Georgia e Arizona.
Na abertura, o show-man aparece dançando no estilo YMCA, de cowboy, operário, índio, soldado, marinheiro... Vídeo disponível no portal Jamie.com.
As fotos do post são algumas das receitas disponíveis no site.

Veja aqui minha entrevista com Jamie Oliver.
O sul da França está no Rio (além de BH e Sampa) até o dia 11 de outubro. Falamos de vinho, especificamente da maior região produtora da França, Languedoc-Roussillon, onde eoncontra-se o maior vinhedo contínuo do país. E nós com isso?
Nós com isso que as belas paragens na costa mediterrânea francesa tornaram-se uma das mais dinâmicas regiões produtoras de vinho francês nas últimas décadas, evoluindo na tradição e competindo com qualidade e preço em mercados como, por exemplo, o nosso.
A terceira edição do Festival Sud de France confirma a tese. E envolve, diz o release de divulgação, "produtores, importadores, distribuidores, sommeliers e chefs em concursos, degustações, refeições harmonizadas, palestras e mini feiras".

O evento é abrangente e ocorre ao mesmo tempo em diversos locais, de lojas de vinho como a L'Orangerie, em Laranjeiras, a diversos restaurantes e supermercados como o Zona Sul e o Mundial, com descontos, degustações e menus exclusivos.
Nesta segunda-feira (5), um dos principais eventos leva concursos, feira e grande degustação ao Hotel Sofitel, às 19h. A noite, promovida em parceria com a Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), terá bufê de queijos e massas selecionados pelo chef Roland Villard, do Le Pré Catelan, embaixador do festival.
Os convites, limitados, estão à venda na ABS (2285-0497) e custam R$ 40 para sócios, e R$ 60 para convidados.

Voilà
Existe uma afirmação conhecida por quem adentra o mundo dos vinhos no Brasil, de que vinho francês barato na prateleira não é bom. Infelizmente, isso é verdade na maioria dos casos.
Os vinhos de Langedoc pretendem provar o contrário, e ouvi dizer que há rótulos bem pontuados a partir de R$ 20 dando sopa.
Franceses, sim senhor, com a elegância e rusticidade característica, e sem a madeirada que os chilenos e argentinos incutiram em nosso paladar.
Como diz um amigo sobre certos do Velho Mundo: "São vinhos com gosto de vinho".
Curiosidade: vem de Languedoc, da região de Limoux, o Blanquette de Limoux, considerado o primeiro espumante produzido no mundo. Já bebemos e falamos dele por aqui.

Roteiro
A seguir, os estabelecimentos no Rio que criaram menus para o festival, para a harmonização com os vinhos do sul da França.
Pontos de degustação e promoções:
Supermercado Zona Sul. Dia 6/10, das 18h às 21h, loja da Rua Dias Ferreira 320, Leblon. Vinhos em promoção e presença de produtores. / Lidador. Dia 5/10, das 11h30 às 13h. Rua da Assembléia 65, Centro. Com presença de produtores / Supermercado Mundial. Vinhos em promoção e degustação rotativa na loja do Recreio / Supermercado Port Food. Vinhos em promoção. Rua Cel. Eurico Sousa Gomes Filho 99, Barra / Espirito do Vinho-Decanter. Rua Voluntários da Pátria 448, Cobal do Humaitá. Vinhos com 15% de desconto.
Restaurantes com cardápios harmonizados:
Garcia e Rodrigues - Av. Ataulfo de Paiva 1251, Leblon / Traiteur de France - Av. Nossa Senhora de Copacabana, 386, Copacabana / Enotria Bistro - Casa Shopping. Av. Ayrton Senna 2.150, Barra / Salitre - Avenida General San Martin 857, Leblon / Le Vin Bistrô - Rua Barão da Torre 490, Ipanema / La Botella - Rua Paul Redfern 72, Ipanema / Cais da Ribeira - Hotel Pestana. Av. Atlântica 2.964, Copacabana / La Cigale - Rua Aristides Espinola 88, Leblon / João de Barro - Rua Visconde de Inhaúma nº113, Centro / New Garden - Rua Visc de Pirajá nº631 B, Ipanema / Chez Françoise - Pousada La Borie. Rua dos Gravatás 1374, Praia de Geribá, Buzios
A L'Orangerie, em Laranjeiras, na Rua General Glicério 364 (2205-5000), preparou seleção especial de vinhos e espumantes com boa relação preço-qualidade, e um cardápio cujo prato principal é um ravioli de pato com molho de laranja.
Vinhos especiais da Catalunha harmonizados com pratos do Eñe? Tô dentro. Espanha na veia, com o selo de qualidade dos irmãos Torres (Sergio e Javier), nascidos na terra dos tais vinhos. Já era de se esperar, portanto, o perfeito funcionamento do casamento da bebida com o cardápio.
Me encanta conhecer uvas de regiões diferentes e pouco navegadas, pequenas vinícolas e cortes autóctones que fogem da padronização. E bem gostei de ver o subchef na cozinha aberta, finalizando paellas de linda aparência e provando todas que saíam antes de liberá-las às mesas.
De primeira, com a assinatura da casa, os pimentões de piquillo recheados com bacalhau, lâmina de alho frito por cima, brotos frescos, um destaque da noite bem casado com vinho branco curioso feito com as uvas Picapoll, conterrâneas dos chefs.
Ao vinho, de aromas sutis florais, faltou expressividade. Não surpreendeu frente aos tintos vigorosos e de personalidade forte que viriam.

Primeiro o Abadal 5 Merlot 2003, cinco 'parcelas', tipos diferentes da mesma uva, um ano em carvalhos franceses e americanos, as especiarias do Merlot em vinho de taninos proeminentes, frutado e 'balsâmico', na definição dos produtores.
Acompanhou o ravioli de castanhas de caju e foie gras, uma pequena amostra que poderíamos passar a noite comendo, cheio de texturas num caldo temperado de carne, me pareceu.

Em seguida, lembrando-me que a idade se aproxima, o Abadal 3.9, de 2004. Como brinquei na mesa (brincadeirinha, tá?): "Agora sim. Meteu Cabernet Sauvignon, vira vinho...". Houve risadas. Cabernet temperado com Syrah, um ano de barrica nova.
E a vitela lentamente assada no vácuo, último grito da gastronomia. Creio que mais importante é a lentidão, mas a caramelização, a textura e o sabor revelam que o respeito que o luxo do vácuo dedica às carnes vale a pena quando se quer dar um passo à frente.

O grand finale ficou com o Abadal Selecció 2003, o xodó da vinícola. O dito recebeu 94 pontos do Parker, que aconselhou sua abertura para 2022, tipo daqui a 13 anos.
"Mas estaremos vivos?", perguntou alguém na mesa, com propriedade.

De fato, um vinho elegante e estruturado, daqueles que a gente bebe querendo mais e tentando identificar detalhes na complexidade, mas que faz pensar em mais alguns anos de garrafa. Composição: 40% Cabernet Franc, 40% Cabernet Sauvigngon e 20% Syrah.
Segundo os produtores, a tradução do terroir mediterrâneo e com influência climática dos Pirineus, com 14 meses na barrica européia e preço superior a R$ 200 através da importadora Decanter. Vinho de 94 pontos não costuma ser barato.
Gosto
A nota sobre a idade do vinho me fez lembrar cena de Bottle Shock, entre dois críticos de vinho num restaurante:
"Você está me acusando de ter aberto esse vinho 15 anos antes da hora?"
"Exatamente".
"Ora, você gosta de vinhos velhos, eu gosto de novos".
Ainda teve um cordeiro com cogumelos, mas a luz baixa prejudicou a foto. Os melhores ambientes, à meia luz, são ruins para clicar. Vou providenciar lanterninha.

Errata
Em apresentações de vinho harmonizadas com bons jantares costuma haver uma certa pressa no serviço da comida, que prejudica a degustação dos pratos mas é compreensível, embora certos detalhes precisem de atenção.
O único porém da noite, e não é possível aceitar o fato em eventos do gênero, foi os garçons retirando as taças dos vinhos ainda cheias, fora da vista dos clientes. Para piorar, justamente enquanto o dono da vinícola falava que seus vinhos precisavam respirar. Não pode.
Frase do dia
Se você sabe escolher, não vai gastar mais de 100 dólares para tomar alguns dos melhores vinhos do mundo. Quem gasta mais está interessado em comprar prestígio ou raridade.
(Robert Parker)
Veja também: Revista Bouchoné

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Desde o dia em que entrou na cozinha para arriscar um risotto de cogumelos, a vida de Pedro Landim mudou da água para os vinhos.
Repórter de cultura e colunista de gastronomia do DIA - onde ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2005 -, adora cozinhar, comer e falar de comida.
No jornal impresso, a coluna homônima é publicada às terças-feiras, no Guia O DIA-Michelin de Viagem.
Bom apetite. |
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