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| Pedro Landim |
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Com a eleição do pastel da Dona Maria em São Paulo, comecei a salivar e resgatei minha pequena excursão ao lado do 'empadólogo' Gilberto Lameira, que tornou-se grande companheiro de caravanas petisco-etílicas.
O fato é que conheci Gilberto na santa paz do Armazém Cardosão, numa tarde vadia de meio de semana, quando ali cheguei para enquadrar as famosas empadinhas de camarão.
Ele estava degustando calmamente a sua com um amigo, e contava que, ao se aposentar, passara a provar os petiscos famosos dos bares da cidade. Dali, daquela empadinha, estavam partindo para Copacabana atrás de uma tal picanha...
No ramo da empada, ele havia percorrido os quatro cantos da cidade, e combinamos uma matéria para mostrar algumas das melhores da praça. O sabor camarão, segundo Gilberto, servia como parâmetro ideal para a avaliação.
"A massa tem que ser fina, firme mas desmanchando na boca, em perfeita proporção com o recheio", dizia.
E assim fui apresentado a uma coleção de joias saindo de um pequeno carrinho com forno à lenha, numa esquina de Niterói, sábado de manhã (porque lá pelas 13h não há mais sinal de empada).
A Empada do Alfredo fica numa esquina da Av. Rui Barbosa, e o pessoal faz fila para devorar. São cerca de 3 mil unidades vendidas por fim de semana, nos sabores camarão, palmito, carne-seca com catupiry e queijo.

O segredo da massa é científico e surpreende com apenas dois ingredientes: "Só farinha e margarina, de marca especial, com 80% de lipídios", diz Alfredo, o dono do pecado.
Mas estivemos também no Caranguejo, templo dos frutos do mar em Copacabana, segunda no ranking de Gilberto e reconhecida pelas melhores bocas. Um negócio de louco, ao lado dos pastéis de siri e camarão. O Caranguejo, devo confessar, é para mim uma espécie de igreja. Como e rezo com Seu Zé, esse aí de baixo.

E atire a primeira azeitona quem disser que não gosta de empadinhas...
A primeira foto, de Niterói, é de Marcelo Régua. A segunda, do Cardosão, de João Laet. As duas últimas foram feitas no Caranguejo pelo André Az, que partiu cedo demais e deixou muitas saudades. Três craques do DIA. Obrigado, professores.
Encontrei o Fernando no regabofe, que veio com a boa. Tirou do bolso um pequeno tíquete onde se lia: Os Botecos, Monarco e a Família Diniz.
E resumiu a parada de terça-feira: "Vamos ser nós, Enchendo Linguiça, o Paulette, o Cachambeer e o Original do Brás, cada um vai entrar com alguns petiscos, e o samba comendo na quadra da Estácio.
Deixa eu ver se entendi: Monarco, seus filhos Mauro e Marquinhos Diniz, e a neta, Juliana. Estirpe de portelenses 'D.O.C.', na quadra essencial da Estácio ("se alguém quer matar-me de amor...), com alguns dos petiscos campeões do reino carioca da botecaria, em ação conjunta entre louras geladíssimas.

Um evento que já nasce nota 10 em harmonia, evolução e tempero, tira-gosto para um verão que, pelo visto, já se anuncia. É bom se segurar, que a poeira vai subir.
Frigideiras
São bares laureados que estão colocando em fogo alto as frigideiras da gastronomia de botequim no Rio, aclamados nas duas edições do Festival Comida di Buteco.
Petit Paulette, Original do Brás, Cachambeer e Enchendo Linguiça (eleito o Melhor Botequim no Prêmio Tudo de Bom!, do DIA) uniram forças e escolheram especialidades de seus cardápios.
Estarão lá o mágico Croquelette, do Petit Paulette; a Picanha de Sol Acebolada com Manteiga de Garrafa, do Cachambeer; a Linguiça Croc, do Enchendo Linguiça, e a Alcatra Suína (flambada na cachaça, com noisete de mandioca) do Original do Brás, entre outros petiscos.
"Levaremos também meias porções do joelho de porco pururucado", disse o Fernando, sobre a especialidade do Enchendo Linguiça.
Fiquei sem palavras e contando os minutos.
Ali em cima, Zé Carlos, do Original, Paulette e Fernando. Turma da pesada.
Família
E tirei da cortiça um momento bonito nessa vida. Olhaí quem se intrometeu no clã dos Diniz, sem deixar o samba cair (e o copo também).
Da esquerda para a direita: Zeca Pagodinho, Landim, Mauro Diniz e Monarco. Ô, sorte.

Iniciativa muito legal do Bar Urca, que é de fato um bar (e restaurante) muito legal, o 2º Concurso de Receitas da casa está na fase final.
São pratos criados pelos fregueses, na 'vibe' do lugar, e o vencedor recebe o belo prêmio de ver sua criação no cardápio, após um jantar de comemoração.
As cinco finalistas serão escolhidas por um juri especializado e pelo voto popular, na Internet. Recebi o aviso e repasso aqui.
A 'urna' com as receitas está no www.barurca.com.br. Se os jurados escolherem um prato, e o público votar em outro, serão dois campeões.
Os concorrentes são: Bacalhau delicioso da Ely; Risoto Delícia (camarão, cogumelo e queijo brie); Polenta de camarão a Iris Castro Reis, Filé de Hadock à moda J.B; e Risoto de caranguejo com limão e pimenta do reino.
A vencedora do primeiro concurso chama-se Faby, e seu camarão na moranga está lá na Urca para quem quiser provar. A foto ali de cima é do polvo com arroz de brócolis que comi outro dia apreciando o visual da Baía.
E falando em visual, fiquem com a imagem maneiríssima capturada pelo amigo e fotógrafo Rafael Wallace. Homenagem ao bondinho, ao bairro, à cidade...
Muitos aplausos e a surpresa geral. É isso mesmo, eleição boa de petisco é aquela de final surpreendente, e muitas apostas do pessoal na festa nem subiram ao pódio.
A Academia da Cachaça, único bar com mais de uma filial entre os concorrentes - Barra e Leblon -, sagrou-se ontem à noite campeã da segunda edição carioca do festival Comida di Buteco, com sua empada de queijo coalho e alecrim.
O peso do voto foi dividido entre jurados especializados e o povo nas mesas, e quem já comeu a empada diz que é mesmo da pesada. Parabéns ao campeão.
O segundo lugar ficou com o Original do Brás, campeão de 2008, que mostrou incrível fôlego mantendo-se no topo com seu lombinho ao molho de tamarindo, motivo das lágrimas dos donos e criadores no Centro Cultural Carioca, Praça Tiradentes, palco da premiação.
Lombinho 'versado à tamarineira' no Original do Brás:

A medalha de bronze ficou com o Enchendo Linguiça, do Grajaú, e sua linguicinha diferente, envolta em 'chips' de batatas.
Linguiça 'Croc' do Enchendo Linguiça:

A seguir, o ranking do quarto ao décimo lugar:
4º - Bar Varnhagem, na Tijuca, com sua vaca atolada
5º - Pavão Azul, em Copacabana, e seu caldinho de feijão
6º - Cachambeer, no Cachambi, e sua costela no bafo
7º - Petit Paulette, na Praça da Bandeira, e seu 'croquelette'
8º - Bar Rebouças, no Jardim Botânico, e seu bolinho de aipim com camarão
9º - Bar da Portuguesa, em Ramos, com seu caldo de siri
10º - Pontapé, na Ilha, com o bolinho de arroz de brócolis com bacalhau
E ficam algumas lembranças e imagens de um mês de comilança plena e celebração de nossa cultura botequeira. Lembrando a todos que, no Rio, todo dia é dia de boteco. O festival acabou mas o sentimento não pode parar. E nem as caravanas.
Salada de bacalhau no Bar da Portuguesa:

Carne seca à milanesa do Pontapé:

Cachacinha com caju no Orginal do Brás:

Angu de frutos do mar do Pontapé:

Bagaceira artesanal trazida de Portugal por Dona Donzília, no Bar da Portuguesa:

Bolinho de arroz de brócolis com bacalhau no Pontapé:
"Eu quero agora uma codorna pra comer, o meu problema ela tem que resolver..."
Mantive a métrica mas tirei da letra os ovos - que elas produzem aos montes -, acrescentando carvão em brasa, sal, pimenta, alho, ervas...
"O segredo da codorna é o tempero, e o segredo do tempero é carinho, amor e determinação", sintetiza o paraibano Roberto Salles, irmão do forrozeiro Chico e também cantor, ex-operário da construção civil, radialista esportivo e dono do Nordestino Carioca, um bar para lá de porreta no Anil.
Foi o primeiro 'pit stop' da fabulosa Caravana da Codorna, onde embarquei num sábado vadio ao lado de paladares privilegiados como os de Claude Troisgros e Clarisse, Luciana Fróes e Deise Novakoski, craque das cachaças em geral e animadora ímpar de caravanas.

O objetivo: avaliar as codornas populares, assadas na brasa e vendidas a pouco mais de R$ 5 em botequins codorneiros.
Ossos do Ofício
E tome guardanapo, quilos deles para limpar os dedos. Porque não há nem como começar a comer codorna de garfo e faca. Segundo informou Lu Fróes, há mais de 100 ossos em cada ave - perdi o guardanapo onde anotei o número exato.
Aliás, essa é para o Ministério da Saúde: o boa praça Paulão, da Confraria do Copo Furado, contou que um dos cachaceiros de seu grupo certa vez parou no hospital após engasgar com um ossinho de codorna. Muita calma nessa hora.
"Tem que assar no alto da churrasqueira, aberta na grelha, nada de 'sapecar' perto da brasa", ensinou o nordestino carioca Roberto, retratado ao lado em pintura de seu bar.
E peço um parêntese para fugir rapidinho das penosas e descrever a 'lasanha nordestina' da casa, narrada como um gol pelo ex-radialista:
"Feijão de corda cozido, manteiga de garrafa, cebola roxa, coentro, carne seca desfiada, queijo coalho fatiado, purê de aipim, queijo ralado e tudo gratinado a 300º".
Segundo ele, é o único prato que cachorro não come. Porque não sobra.
A codorna do Roberto, foto de abertura, vem com farofinha de cuscuz de milharina e um molho a campanha campeão de audiência.
Provamos também um pastel de queijo coalho com cebola roxa que só voltando lá.

Marinando
Em Jacarepaguá, à beira da estrada, muitas codornas perfumam o ambiente visitando o braseiro temperadas no vinagre de vinho tinto, com alho e ervas como orégano e - olhaí a bossa - alfavaca, aquela prima de segundo grau do manjericão. Foi a carne onde a marinada se fez mais presente.

Em pequenas cuias de alumínio com limões cortados, os bichos pegaram. Porque ao lado das aves pintaram costelas do porco inesquecíveis.

Quando encarei dois ossos abarrotados de carne macia cheguei a ouvir uma voz: espelho, espelho meu, existirá no reino do fogo costela mais bonita do que eu?

O dono, também Roberto, foi criador de codornas durante muito tempo, ali mesmo no fundo do bar. Hoje, como a maioria, trabalha com as codornas Perdigão (ou seria 'Brasil Foods'?). São aves jovens e macias, abatidas por volta dos 40 dias de vida.

Feio
Dali voamos para o Engenho de Dentro, aportando na afamada Codorna do Feio. Um pé sujo de esquina autêntico, com selo de de origem controlada, engradados na rua delimitando o espaço das mesas e uma festa assada de codornas, linguiças, costelas e corações de galinha chegando às mesas em pratinhos de vidro Duralex.
Senti certo gosto de vinho nas codornas de carne 'avermelhada' pelo tempero, mas Katita Aconchego garantiu que o negócio ali eram as e ervas secas, além da salmoura.

Acertar o sal e o equilíbrio da marinada em ave de tão pouca e delicada carne não é fácil, foi uma das conclusões.
No Bar das Quengas, nossas amigas vieram carnudas e bem assadas, embora um pouco salgadas, incentivando a cerveja. E confesso que ali desertei, antes da etapa final no Flor do Nordeste, na feira de São Cristovão.
Perdi o forró mas cantei o samba, quando um grupo de rua dobrou a esquina e botou metade da mesa em pé na Lapa. Até Claude arriscou seus passos, dizendo no pé antes de traçar um pudim de leite.
E estava formado o pagode das codornas.
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Um pastel de costela aqui, um escondidinho de jiló e linguiça acolá, um caldinho de rabada...
Começa na sexta-feira, 29 de maio, a segunda edição carioca do Comida Di Buteco, com 31 bares concorrendo e muitos deles já vestidos com o espírito do evento e dispostos a quebrar o 'continuísmo' em suas cozinhas.
Aos puristas: isso não tem nada a ver com abdicar dos clássicos.
Não arrisco previsões, mas acho que no futuro devem sobrar os bares que colocarem a mão na massa para criar coisas novas para o concurso.
Por aqui, medalhões como Bar Brasil e Jobi, por exemplo, vão entrar com clássicos como o kassler e a salada vinagrete de polvo, coisas que estão há décadas nos balcões.
A Adega Pérola vai com seus 'rolmops', realmente uma especialidade de paladar pouco convencional. São as sardinhas marinadas no vinagre recheadas com cebola e temperos.
Os pratos tradicionais são maravilhosos, e mesmo necessários nas primeiras temporadas do concurso. É preciso apresentá-los ao público.
Mas para ver confirmada a expectativa dos organizadores, de que o Rio se tornará em breve a maior praça do festival, a criatividade precisará entrar em campo.
Só assim poderemos, como ocorre em Minas, eleger ingredientes como tema. E aí, se o bar nunca trabalhou com tal produto, que trate de incorporá-lo às tradições de sua cozinha.
Carne de Sol da Adega da Velha:

Bolinho de Vagem do Gato de Botas:

A propósito, curioso com alguns dos nomes, liguei para o Cardosão para saber da tal 'prupetinha': é um bolo de carne à base de pão, com molho de mostarda e temperos.
Caldos, Camarão e Baroa
O público não falha na resposta, ainda mais se a cerveja estiver gelada e o atendimento esperto. Tudo isso está na cédula de votação que deverá ser preenchida secretamente e depositada nas urnas de cada bar.
Na presente edição, vejo como tendência a presença dos adoráveis 'caldinhos', e outra curiosidade é a combinação entre camarão e batata baroa que aparece em dois bares: Aconchego Carioca e Salvação.
Sobre o Comida Di Buteco, resume o distinto Eduardo Maya, mente gastronômica privilegiada que inventou o festival: "A ideia é resgatar ingredientes da culinária clássica de cada região e transformá-los para os botecos".
Kassler do Bar Brasil:

Viva Dercy
Estive em BH com a Rosiana, do Bar Pontapé, na Ilha do Governador, que me explicou o seu Bacalhauzinho da Dercy, homenagem à comediante falecida no ano passado.
"A filha da Dercy me disse que o que ela mais gostava eram pastéis de carne com muita pimenta, carne assada e bolinhos de bacalhau", contou Rosiana.
Seu petisco é o seguinte: um bolinho frito de arroz de bacalhau com brócolis, acompanhado de azeite, alho e lasquinhas de bacalhau. Já me vejo na Linha Vermelha.
A LISTA DOS 31
OS NOVOS:
Adega Cesare's, Copacabana - Caldeirada Aperitivo
Adega da Véia, Botafogo - Carne de sol
Cachambeer, Cachambi - Costela no bafo
Gato de Botas, Vila Isabel - Bolinho de vagem
Adega Pérola, Copacabana - Rolmops
Bar Rebouças, Jardim Botânico - Bolinho de camarão com catupiry
Zeca's Vila, Vila Isabel - Jiló recheado
OS QUE VOLTAM:
Academia da Cachaça, Barra - Empada de queijo coalho com alecrim
Aconchego Carioca, Praça da Bandeira - Purê de baroa com camarão
Adonis, Benfica - Caldinho de rabada com torradas
Antigamente, Centro - Pastel de Costela
Araguaia, Freguesia - Pão de alho especial
Armazém Cardosão, Laranjeiras - Prupetinha do Cardosão
Bar Brasil, Lapa - Kassler defumado com mostarda escura
Bar do Mineiro, Santa Teresa - Pastel de galinha à cabidela
Bar Urca, Urca - Kibe de peixe
Beco do Rato, Lapa - Escondidinho de jiló e linguiça
Bracarense, Leblon - Barquete de salmão
Copão de Ouro, Ramos - Caldo de siri
Enchendo Linguiça, Grajaú - Lingüiça Croc
Gracioso, Saúde - Croquete Gracioso
Jobi, Leblon - Polvo à vinagrete
Mangue Seco, Lapa - Linguicinha no creme de aipim com catupiry e couve fininha
Original do Brás, Brás de Pina - Doce Refúgio: lombinho suíno folhado à tamarineira
Pavão Azul, Copacabana - Caldinho de feijão temperado
Petit Paulette, Praça da Bandeira - Croquelette
Pontapé, Ilha do Governador - Bacalhauzinho a Dercy
Real Chopp, Copacabana - Bolinho de Carne Especial
Salvação, Botafogo - Bolinho de baroa com camarão
Siri, Vila Isabel - Filezinho de peixe com molho
Vanhargem, Maracanã - Vaca atolada
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PROMOÇÃO
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Diz que a colher de azeite protege o bucho das cachaças. E formou fila para a 'azeitada' na porta do buzum.
"Em caso de despressurização, uma lata de cerveja cairá na sua frente", foi a primeira piada da caravana onde 70 indivíduos visitaram cinco bares em seis horas, epopeia de petiscos, tragos e conversa fiada.
Do trio taioba-couve-mostarda, as três verdes folhas inspiradora da 10ª edição mineira do Comida Di Buteco, faltou provar a última.

A taioba pintou de leve recheando um bolinho de angu num prato incrível, e a couve enfeitou mas também gritou crocante, na versão frita que faz sucesso.
E não adianta dizer que vai beber pouco, pois as sacolinhas de cerveja passam no ônibus e lá pelo terceiro bar já tem alguém desafiando as leis etílicas e físicas e equilibrando doses de cachaça na tampinha da garrafa, com o ônibus subindo uma ladeira de paralelepípedos.

Angus
Nas mesas, suspiros. Comemos no Bar do Doca uma costelinha de porco ao molho de goiabada, com empada feita de angu (Milharina mexida no caldo) e recheio de requeijão. O nome diz muito: Dezmaio Mineiro.
Curioso é que na véspera eu havia conhecido o Vecchio Sogno, célebre e chique restaurante da cidade, e pedido uma entrada que consistia exatamente numa espécie de 'petit gateau' de polenta, recheado com gema de ovo trufada.
A mesma lógica do angu com requeijão no botequim, vejam como anda a culinária mineira.

Política e Cachaça
A fama de 'come-quieto' dos locais ficou nas primeiras mordidas e goles, e teve até discurso de político cachaceiro (que entende de cachaça). O deputado federal Virgílio Guimarães (PT), que não perde uma caravana de boteco, levantou da mesa ao provar uma cachaça Germana de 10 anos para declarar:
"Me enganaram. Essa cachaça tem mais de 10 anos!".

Palmas para ele, porque um representante da empresa disse que no 'blend' da garrafa tem pinga até de 17.
E permanecemos naquela: golim na cachacim e belisquim no petisquim. Particularmente, pirei com Dona Berinjela e Seus Dois Quitutes (o deputado também discursou sobre o legume), do Agosto Butiquim.
Porque ao lado de bolinhos de angu recheados com requeijão e taioba estavam berinjelas que nunca mordi igual, um creme por dentro e crocantes por fora. Perguntei e revelo o truque: deixá-las um bom tempo na água gelada antes de secar e fritar passadas na maizena.
Melodias
No Autêntico's bar, encontrei um 'arbusto' de couve que a gente afasta e descobre um refogado de carne com linguiça defumada, palmito, gengibre e cenoura, como dizia o cardápio.
Depois veio o Bombar, com o prato que eu já namorava na foto, um molho de alhos caramelados no meio, bolinhos de angu com couve e linguiças.
A essa altura, violão e gaita já embalavam a digestão no ônibus, e teve grande senso de oportunidade o gaitista quando improvisou a melodia de 'When The Saints Go Marchin In'...
Noite no céu e chegamos ao Ali Ba Bar, boteco de cozinha árabe com excelente quibe cru e petisco molhado de aipim no creme branco, com manteiga de garrafa e almôndegas em molho ferrugem, mais couve e pequenas tiras de tâmaras dando um charme sutil e adocicado.
E uma tal de 'shuraya' (se bem me lembro o nome, inventando a grafia) que é um bolo de carne achatado à milanesa que, cortado, tem a fama de lembrar o órgão sexual feminino. Precisa dizer que estávamos na última parada?

Nachos
Tendo a Elma Chips como patrocinadora, em mais uma jogada campeã, os organizadores da festa bolaram o seguinte: paralelamente, há uma competição envolvendo os nachos de pacotinho, só entra quem quer, e os bares criam algo para o snack.
O vencedor vai estampar com sua receita alguns milhões de embalagens de Doritos, não é preciso dizer que todo mundo topou.
Geralmente, são molhos para os nachos, como um guacamole aqui, uma ricota temperada acolá... E teve um que, no melhor estilo Adrià, processou o Doritos, fez uma farinha e empanou uma linguiça. Muito legal.

Mulherada
Salvaram-se alguns dados rabiscado num guardanapo rasgado: em Belo Horizonte, já são mais de 300 receitas criadas na festival, 65% do público eleitor é feminino e 41 bares disputam o voto popular.
No Rio, serão 31, a partir do próximo dia 29 . Essa é a boa, gente: juntar amigos, chamar táxis ou alugar vans, e percorrer um roteiro pré-determinado de bares e petiscos, cumprindo o dever de cidadão e depositando o voto secreto nas urnas.

Partiu?
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Desde o dia em que entrou na cozinha para arriscar um risotto de cogumelos, a vida de Pedro Landim mudou da água para os vinhos.
Repórter de cultura e colunista de gastronomia do DIA - onde ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2005 -, adora cozinhar, comer e falar de comida.
No jornal impresso, a coluna homônima é publicada às terças-feiras, no Guia O DIA-Michelin de Viagem.
Bom apetite. |
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