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Sabrina Grimberg

Terça-feira, 13 Maio, 2008

Mãe de muitos



Para o Dia das Mães, preparei para a revista TDB! uma matéria sobre as 'mães de muitos' com a atriz e apresentadora Ana Paula Tabalipa, mãe de Lui, 7 anos, Pedro, 4, e Tom, 3. O papo foi na casa dela, na Barra, e fluiu maravilhosamente bem. A Ana Paula é muito engraçada e cheia de histórias para contar. Como na revista não consegui colocar tudo, o Celebriblog agradece.

1) Como é a mãe Ana Paula Tabalipa?
Considero-me uma pessoa louca por ter três filhos e por querer mais um. Eu gosto de criança levada, mas bem educada. Meu filho pode até falar palavrão, mas tem que falar boa tarde, boa noite, desculpa, obrigado, foi sem querer... Chega uma hora que eles perdem o limite e eu não sei até que ponto eu sou a mãe ou até que ponto eu estou brincando com eles. Daí eu enloqueço com eles, dou meus berros, daí eles pedem desculpa. É uma zona. Em casa a gente conversa muito. As minhas amigas até acham que eu converso demais. Mas quando chega na rua, uma olhada minha, eles já sabem do que eu estou falando. Eu não sei se eu sei dosar, educar... O que os psicólogos iriam dizer da minha educação. Mas eu gosto muito da minha casa cheia de criança, gritando o tempo inteiro. Eu tento passar para eles a maneira que eu gostaria que fosse. Às vezes eu esqueço que são crianças.

2)Você fala muito palavrão...
É verdade. O Lui (o mais velho) é uma lady, supereducado. O pai (o músico João Viana) é educado e não fala palavrão. A cada um que eu falo ele se assusta, não se acostumou ainda. O Pedro fala muito também. E o Tom (os dois mais novos são filhos do artista plástico Philippe Gebara), às vezes, solta um, mas é tão bem empregado que eu não tenho como brigar. Mas, como o Pedro começou a falar muito palavrão na rua e na escola, a gente fez um combinado. Quando estiver só com a mamãe pode falar palavrão, quando estiver no carro da mamãe pode falar todos os palavrões que quiser. Na primeira semana eles falavam todos que sabiam, não formavam nem frases. Agora, que já faz dois anos desse trato, tem uma espaçada. Já entenderam. Os desenhos animados falam porra, idiota e imbecil o tempo inteiro. Eles não xingam ninguém, é mais desabafo. Não posso ter uma menina, ainda bem que são três meninos. Eu sou muito moleque. Brincava de carrinho de rolimã, jogava taco, descia morro com pedaço de papelão, andava de bicicleta... Eu tinha uma casa de bonecas construída, minha mãe conta que se eu entrei na casa uma vez foi muito. Meu pai desistiu e colocou de ateliê de pintura.

3)Como é a reação das pessoas quando você sai nas ruas com os três?
Primeiro as pessoas não acham que são todos meus. Quando descobrem, falam: "Mentiiiira". Aí perguntam: "De um pai só?" Eu falo: "Não, de dois". Aí se assusta de novo. Tudo vai impressionando conforme eu vou respondendo... "Quantos anos você tem?" "Mas foi sem querer?" "Você quer outro?" Eu conto que eu não liguei as trompas, sempre quis ter quatro filhos e acho o máximo não ser do mesmo pai. Adoro essa confusão. Quando eu era pequena, pedia para os meus pais se separarem. Eu queria ter duas casas, ganhar vários presentes, amigos diferentes... Eles não separaram até hoje e eu acho ótimo, mas teve esse momento na minha vida.

4)Como você faz nos restaurantes?
É dificil ir com os três. O Pedro fala alto demais, já começa a rir. Chama atenção, mas eu acho o máximo. Se estiverem os três brincando de espada, rindo, falando besteira eu acho o máximo, contagia até as pessoas que estão do lado. Agora, se estiverem manhosos, volto para casa mal-humoradíssima. Quando eu estou com os três não tem como ser discreta. Até eu já grito: "Menino aí..." Eu criticava essa atitude da minha mãe, mas eu também confundo os nomes deles.

5)E você ainda pretende ter o quarto filho?
Sempre me imaginei mãe de quatro filhos. Um de cada pai e todos homens. Hoje, eu não tive um de cada pai e falta mais um, mas esse um é uma incógnita. Antes, tudo o que eu queria na vida era ter filho. Agora eu tenho três e quero trabalhar. Penso em ter outro, ok, seria legal, mas não é tudo o que eu quero na vida.

6) Com três filhos pequenos, não é difícil arrumar um namorado?
Não acho que o namorado tem que pegar o pacote porque eles têm pai. Mas, ao mesmo tempo, tem. Porque se tratar mal um dos meus filhos não vai ficar comigo. E se não entender que um dia eu não quero badalar porque quero ficar com os meus filhos também. No primeiro "Ah" eu já dou o fora. É muito melhor ficar com os meus filhos, do que ficar todo espremido no Baixo Gávea. Quando eu quero, eu saio e volto para casa feliz. Não deixei de fazer coisas porque eu tive filhos. Eu quis ter filhos e nunca gostei de fazer algumas coisas.

7)Eles ficam com os pais?
As primeiras vezes que as crianças foram para a casa dos pais eu chorava como uma louca. Ligava de quinze em quinze minutos. Depois vi que é ótimo. Estou ganhando o tempo que eu tinha quando morava sozinha. Vou escutar um música, estudar, sair com os meus amigos. Isso só a separação dá. Se eu estivesse morando com o Phellipe até hoje não teria esse tempo para mim. Os dois menores viajaram para Guarda no Carnaval por dez dias e quando voltaram eu estava com ferida no olho, de tanto chorar. Depois eu parei para pensar: "É só o primeiro Carnaval de muitos que virão". Tenho que aprender isso!