Tom Cruise, o galã cientologista que já teve sua masculinidade questionada N vezes e processou jornalistas por isso, recebeu ontem na Alemanha o prêmio Bambi. Não é nada disso que vocês estão pensando, tá? O marido da Katie Holmes recebeu a láurea por sua "bravura" ao interpretar o conde Stauffenberg, oficial do exército alemão que tramou atentado contra Adolf Hitler em 1944, no filme inédito 'Valkyrie'. Algumas pessoas presentes à cerimônia, que acontece anualmente em Dusseldorf, reclamaram da escolha do ator. O ator Heiner Lauterbach dise que "rodar um filme e cobrar por isso 50 milhões de dólares não é sinal de bravura".
Além de ser o mais antigo do Brasil, o Festival de Brasília é conhecido como o "mais sério". Durante os sete dias que duram as competições oficiais de curtas e longas, cineastas, atores, produtores, técnicos, jornalistas e estudantes se reúnem para discutir cinema em debates, seminários e oficinas. Mas como ninguém é de ferro, é claro que rolam festinhas e momentos de lazer, a maioria no combalido Hotel Nacional, onde se hospedam as centenas de convidados do evento. Como ainda estão rolando exibições especiais em Brasília, ainda não dá para fazer o balanço de números desta histórica edição de número 40 do festival. Então aproveito para contar algumas cenas do evento. Vai vendo aí.
- Na apresentação de 'Meu Mundo em Perigo', o diretor brasiliense José Eduardo Belmonte ficou de costas para a platéia, ajoelhou-se diante do elenco e da equipe de seu filme e abriu os braços, agradecendo a todos a dedicação. Ficou assim tempo suficiente para os fotógrafos registrarem a cena, que no dia seguinte foi reproduzida em alguns jornais.
- No debate sobre 'Cleópatra', um radialista disse para Júlio Bressane que não tinha gostado do filme e foi alvo do discurso erudito-irônico do diretor. "Quando você gosta de uma coisa, é porque ela é ruim, medíocre, igual a você", respondeu Bressane.
- No domingo, a Petrobras ofereceu um coquetel para comemorar os 40 anos do festival. A festa (comandada por um DJ fraquíssimo) durou duas horas. Quando terminou, quem não estava com sono continuou a farra nos apartamentos. A festa mais animada aconteceu no quarto andar e reuniu a ala jovem do festival, principalmente os curta-metragistas. Tinha tanta gente, que além de dois quartos, a galera se espalhou pelo corredor para beber, fumar e conversar. Por volta das 5h, um segurança apareceu e pediu silêncio. Pedido ignorado, minutos depois o segurança voltou e deu o recado completo: "A Sara Silveira disse para vocês entrarem agora para os quartos ou nunca mais vai produzir filme de cineasta iniciante". Em segundos, quem não foi dormiu, se espremeu nos apartamentos. Quem vai querer briga com uma produtora, não é mesmo?
- Três famílias ligadas ao e pelo cinema viveram momentos de emoção na capital. Na exibição de 'Anabazys', a platéia inteira aplaudiu de pé a fofa Dona Lúcia Rocha, mãe de Glauber. No palco estava ainda Paloma Rocha, filha do mítico diretor, que co-dirigiu o documentário com o marido, Joel Pizzini. Paloma também estava emocionada porque naquele dia, sua mãe, a atriz Helena Ignez, tinha lançado o DVD de 'O Bandido da Luz Vermelha'. Helena foi casada com Rogério Sganzerla, que lançou o hoje clássico em 1968, lá mesmo em Brasília, e ganhou os troféus de direção e filme aos 23 anos. Na terça, outra filha de Helena, Djin Sganzerla, ganhou o Candango de atriz coadjuvante por 'Falsa Loura'. Já a família Carvalho ganhou dois Candangos desta vez: Walter, o pai, foi premiado pela fotografia de 'Cleópatra'; Lula, o filho, ganhou na mesma categoria, pelo curta 'Trópico das Cabras'. "Hoje tem festa lá em casa", comemorou Lula.
- Eucir de Souza foi consagrado o melhor ator do festival, pelo papel do angustiado Elias de 'Meu Mundo em Perigo'. Antes do Candango, foi chamado ao palco para receber um prêmio especial oferecido por um jornal local. Como o ator não aparecia, o diretor José Eduardo Belmonte subiu ao palco e o chamou de novo. Elias surgiu correndo pelas escadas. Quando pegou o microfone, agradeceu: "Este é o primeiro prêmio da minha vida e.. eu não ouvi. Estava lá fora comendo acarajé". Quando veio o troféu oficial de interpretação, o ator já subiu ao palco chorando: "Este é o segundo prêmio da minha vida e... desta vez eu ouvi".
Confira abaixo a lista dos vencedores do 40º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que terminou ontem na capital do País. Amanhã publico o balanço do evento e os momentos mais marcantes desta edição histórica do evento, que homenageou seu criador, o crítico Paulo Emílio Sales Gomes. Também amanhã, no Caderno Dia D do jornal, sai a cobertura da festa de encerramento, que consagrou o polêmico 'Cleópatra', do sempre polêmico Júlio Bressane. O filme ganhou seis troféus Candangos, incluindo o de melhor filme e melhor atriz para Alessandra Negrini.
PRÊMIOS OFICIAIS - TROFÉU CANDANGO
LONGA-METRAGEM 35MM Melhor Filme - CLEÓPATRA, de Julio Bressane Melhor Direção - LAÍS BODANSKY por Chega de Saudade Melhor Ator - EUCIR DE SOUZA por Meu Mundo em Perigo Melhor Atriz - ALESSANDRA NEGRINI por Cleópatra Melhor Ator Coadjuvante - MILHEM CORTAZ por Meu Mundo em Perigo Melhor Atriz Coadjuvante - DJIN SGANZERLA por Falsa Loura Melhor Roteiro - LUIZ BOLOGNESI por Chega de Saudade Melhor Fotografia - WALTER CARVALHO por Cleópatra Melhor Direção de Arte - MOA BATSON por Cleópatra Melhor Trilha Sonora - GUILHERME VAZ por Cleópatra Melhor Som - LEANDRO LIMA por Cleópatra Melhor Montagem - RICARDO MIRANDA por Anabazys
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI ANABAZYS, de Paloma Rocha e Joel Pizini
CURTA-METRAGEM EM 35MM Melhor Filme - TRÓPICO DAS CABRAS, de Fernando Coimbra Melhor Direção - LEONARDO LACCA por Décimo Segundo Melhor Ator - WOLNEY DE ASSIS por Enciclopédia do Inusitado e do Irracional Melhor Atriz - LARISSA SALGADO por Trópico das Cabras Melhor Roteiro - CAMILO CAVALCANTE por O Presidente dos Estados Unidos Melhor Fotografia - LULA CARVALHO por Trópico das Cabras Melhor Montagem - LUIZ GUIMARÃES DE CASTRO por Eu sou assim - Wilson Batista
CURTA OU MÉDIA OU LONGA-METRAGEM EM 16MM Melhor Filme - CONVITE PARA JANTAR COM O CAMARADA STALIN, de Ricardo Alves Junior Melhor Direção - RICARDO ALVES JUNIOR por Convite para jantar com o Camarada Stalin Melhor Ator - ARDUINO COLASSANTI no filme Esconde Esconde, de Álvaro Furlan Melhor Atriz - SUZANNA KRUGER no filme Esconde Esconde, de Álvaro Furlan Melhor Roteiro - ALVARO FURLONI, pelo filme Esconde Esconde Melhor Fotografia - TOMAS PERES SILVA, Convite para jantar com o Camarada Stalin, de Ricardo Alves Junior
Melhor Montagem - MARINA MELIANDE, por O LABIRINTO, de Gleysson Spadetti
Premio Especial do Júri para O CRIADOR DE IMAGENS, de Diego Hoefel e Miguel Freire
Menção Honrosa para SISTEMA INTERNO, de Carolina Durão
PRÊMIO JÚRI POPULAR Melhor longa-metragem em 35mm - CHEGA DE SAUDADE Melhor média ou curta-metragem em 35mm - EU SOU ASSIM - WILSON BATISTA, de Luiz Guimarães de Castro
PRÊMIO DA CRÍTICA Melhor Longa 35mm - Pela excelência de uma realização que evidencia a disposição em correr riscos, a exemplo da ousada concepção da trilha sonora, da câmera e da fotografia, o prêmio da crítica em longa-metragem 35mm foi para: MEU MUNDO EM PERIGO, de José Eduardo Belmonte Melhor Curta em 35mm - TRÓPICO DAS CABRAS, de Fernando Coimbra
OUTROS PRÊMIOS
CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL (exclusivo para produções do Distrito Federal) Melhor longa-metragem em 35mm - SIMPLES MORTAIS, de Mauro Giuntini Melhor média ou curta-metragem em 35mm - DIA DE VISITA, de André Luís da Cunha Melhor filme em 16mm - OLHOS NOS OLHOS, de Johil Carvalho e Sergio Lacerda
PRÊMIO ABCV DF 2007 DONA CUSTÓDIA, de Adriana Andrade
PRÊMIO AQUISIÇÃO CANAL BRASIL Cessão de dois prêmios, no valor de R$ 5 mil cada, a dois curtas 35mm, selecionados pelo júri Canal Brasil. Os filmes, futuramente, serão exibido pelo Canal Brasil. CAFÉ COM LEITE, de Daniel Ribeiro, e TRÓPICO DAS CABRAS, de Fernando Coimbra
Atenção, cineastas. Desde segunda-feira já estão rolando as inscrições para o 18º Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema, que desta vez acontecerá entre 10 a 17 de abril de 2008.
Serão selecionados filmes para a Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-Metragem e para a Competitiva Brasileira de Curta-Metragem. O regulamento e a ficha de estão disponíveis no site www.cineceara.com.br. O material deve ser enviado até o dia 15 de fevereiro para a Associação Cultural Cine Ceará (Av. Barão de Studart, 1165 sala 103 - Aldeota - Fortaleza / CE).
O resultado da seleção será divulgado pela organização do Cine Ceará até o dia 24 de março de 2008.
Com a seleção mais equilibradas dos últimos anos, o 40° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro chega ao fim hoje sem um favoritíssimo ao Candango de melhor filme. Os veteranos Carlos Reichenbach ('Falsa Loura') e Júlio Bressane ('Cleópatra'), que já venceram edições anteriores do evento, concorrem com Joel Pizzini e Paloma Rocha (do único documentário da seleção, 'Anabazys') e com os diretores da nova geração Laís Bodanzky ('Chega de Saudade'), José Eduardo Belmonte ('Meu Mundo em Perigo') e Daniel Bandeira ('Amigos de Risco'). Formado pelo escritor Marçal Aquino, os atores Chico Diaz e Dira Paes, os jornalistas Mauro Ventura, Inácio Araújo e João Paulo Pinto da Cunha e ainda o diretor Manfredo Caldas, o júri do festival se reuniu ontem durante horas - o encontro varou a madrugada, como costuma acontecer - para eleger os vencedores. Eles também julgaram os 12 curtas em 35 mm, que foram exibidos em dupla antes das sessões dos longas. Essa tarefa, entretanto, não deve ter sido tão difícil, uma vez que a seleção deste ano foi bem fraca. O candidato mais forte, pelo que se escuta por aí, é o representante de São Paulo 'Trópico das Cabras', de Fernando Coimbra. Fotografado por Lula Carvalho, o filme é um road movie que acompanha um casal que tenta se reconciliar durante uma viagem pelo interior do Brasil. Na cerimônia de encerramento, que acontece daqui a pouco no Teatro Cláudio Santoro, também serão entregues os prêmios da Crítica e do Público. Para o último os mais cotados são 'Falsa Loura' e 'Chega de Saudade'. Os prêmios oficiais do júri são os únicos que dão aos vencedores, além do troféu Candango, quantias em dinheiro. Para os longas, são R$ 80 mil para o melhor filme, R$ 20 mil para diretor, R$ 10 mil para ator e atriz, R$ 5mil para os coadjuvantes e R$ 10 mil para roteiro, fotografia, montagem, direção de arte, trilha sonora e som.
A julgar pela efusiva reação da platéia, que ignorou a forte chuva de domingo à noite em Brasília e foi ao cinema ver 'Chega de Saudade', Laís Bondanzky passou no teste do segundo filme. Além de aplausos demorados, ao fim da sessão, enquanto os créditos finais subiam na tela, alguns casais dançaram coladinhos na frente do palco, impregnados pelo clima do baile da terceira idade recriado no longa-metragem. Resta saber se o júri da competição também se encantou, a ponto de dar à diretora seu segundo Candango de melhor filme, hoje, na cerimônia de encerramento do 40º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Há sete anos, Laís saiu daqui consagrada com o seu 'Bicho de Sete Cabeças'. Desta vez, tenta novos prêmios com uma história mais leve, mas cheia de sentimento, que toca em tema pouco visto no cinema, o amor carnal na maturidade. "Não queria fazer um filme sobre a velhice, mas falar desse universo dos bailes, que tem muita sensualidade, muita libido. Independentemente da idade daquelas pessoas, me interessava o que elas estavam sentindo", observa Laís, que visitou muitos eventos do tipo durante os cinco anos em que se preparou para filmar. A decisão de centrar a trama em apenas uma noite e uma locação levou a diretora e Luiz Bolognesi, seu roteirista e marido, a estudar minuciosamente 'O Jantar', de Ettore Scola. "Quando digo que tudo acontece no mesmo lugar, as pessoas se lembram de 'O Baile' (outro longa do mestre italiano), mas foi 'O Jantar' que mais nos inspirou. Vimos quantos personagens havia, em que momento eles entravam e saíam, o que conversavam", conta. A câmera do diretor de fotografia Walter Carvalho passeia pelo salão do clube Chega de Saudade e se aproxima até chegar bem perto dos personagens, cujas histórias são embaladas por ritmos como samba, tango e bolero. Leonardo Vilar (Alberto) e Tônia Carrero (Alice) protagonizam uma das tramas mais comoventes. Amantes e parceiros de longa data, eles têm uma briga feia na festa. A seqüência em que o casal se reconcilia é uma bela homenagem aos dois veteranos. Betty Faria encarna Elza, que passa a noite se lamentando por não ser tirada para dançar. Rejeitada na tela, na sessão de ontem a atriz foi saudada com um 'gostosa!' por alguém do público. "Obrigada!Para quem gostade coroa... É uma delícia ouvir isso", agradeceu. Stepan Nercessian interpreta Eudes, o motorista malandro e pé-de-valsa, que mantém um caso com Marici (Cássia Kiss) e seduz a jovem Bel (Maria Flor). Namorada de Marquinhos (Paulo Vilhena), funcionário do clube, Bel chega à festa de má vontade e acaba se encantando com o que vê e vivencia. Mais ou menos como aconteceu com Laís e Bolognesi há alguns anos, quando os dois começaram a namorar. Movidos pela curiosidade, eles entraram por curiosidade num baile de idosos perto do bar onde estavam bebendo. "Eu fiquei sentado, porque não sabia dançar daquele jeito. A Laís, muito folgada, tirou um velhinho para dançar. Nesse momento fui meio Marquinhos, pensei 'o que ele tá falando no ouvido dela para ela rir desse jeito?'", lembra Bolognesi, que já naquele momento vislumbrou um roteiro sobre esse universo. Produzido pela Buriti Filmes, em parceria com a Gullane, 'Chega de Saudade' tem estréia confirmada para 21 março, em circuito nacional. A trilha sonora, compilada pelo produtor musical Bid, sai antes, dia 4 de dezembro.
Quarto filme da competição de longas do Festival de Brasília, 'Falsa Loura' arrebatou a platéia que mais uma vez lotou o Cine Brasília ontem à noite, e deve levar alguns Candangos na cerimônia de premiação do evento, que termina amanhã. No filme, Rosane Mulholand interpreta Silmara, operária que vive na periferia de São Paulo com o pai e sonha conhecer seus dois maiores ídolos, os cantores românticos Bruno de Andrés (Cauã Reymond) e Luís Ronaldo (Maurício Mattar). Bonita e cheia de atitude, ela acaba se envolvendo com os dois em momentos diferentes da trama. Mas quando o sonho se concretiza, a realidade atropela Silmara e ela sai das experiências sem ilusões. Apesar da dor que carrega a personagem, o filme tem um clima leve, divertido e assumidamente cafona. Na seqüência em que Silmara se imagina dançando com Luís Ronaldo enquanto ele canta uma de suas músicas açucaradas, a letra aparece em legendas estilo karaokê, com direito àquela bolinha que marca o ritmo pulando de uma palavra à outra. Foi o momento mais aplaudido do filme, que, aliás, foi o primeiro a receber esse tipo de ovação em 'cena aberta'. Hoje é a vez de 'Chega de Saudade', ambicioso projeto de Laís Bodansky, que se passa em apenas uma noite, durante um baile da terceira idade. Com o longa, a diretora paulista tenta ganhar o segundo Candango da carreira. Foi aqui que, em 2000, ela lançou e foi premiada por 'Bicho de Sete Cabeças'. Parte do elenco está na cidade para acompanhar a sessão. No almoço via-se, além da diretora, Betty Faria, Maria Flor, Paulo Vilhena e Stepan Nercessian.
Milhem Cortaz, o capitão Fábio de 'Tropa de Elite', passou por Brasília rapidinho para apresentar a sessão de 'Meu Mundo em Perigo' (post abaixo) e já voltou para São Paulo, onde está em cartaz com o espetáculo 'Homem sem Rumo', do dramaturgo norueguês Arne Lygre. "Amo fazer teatro, mas nunca desejei tanto ter um stand in (substituto). Queria muito ficar aqui no festival para ver os outros filmes", lamentou o ator, que não pôde nem participar de todo o debate sobre o longa, que aconteceu hoje de manhã no Hotel Nacional, o quartel-general do Festival de Brasília. Antes de ir embora, Milhem fez questão de dizer que Belmonte, com quem já havia feito 'A Concepção', é seu diretor predileto. "O Zé me faz crescer como artista. Quero trabalhar com ele pra sempre, nem que seja como cabo man ou cuidando da alimentação", brincou. Mas se Belmonte precisar de Milhem na cozinha, pode mesmo contar com o ator. Ele acaba de inaugurar um bar em São Paulo, o Cortás Pastéis e Espetos (grafia original de seu sobrenome). "Por favor, vão lá tomar cachaça e comer espetinho e me deixem rico para eu não depender de televisão", pediu ele. Milhem, que no filme de Belmonte vive um sujeito louco pelo pai - a ponto de permitir que ele assedie sexualmente sua mulher -, contou ainda que abriu o bar para ficar mais próximo do seu 'velho', Milhem Cortás Neto. "Meu pai vendia cachorro-quente nas madrugas de São Paulo, então montei o negócio pra ele. E posso dizer que em quatro meses, nos vimos mais que nos últimos 12 anos". Para quem está na capital paulista, segue o endereço do Cortás: Avenida Professor Alfonso Bovero, 584, Perdizes.
Cinelândia está em Brasília para acompanhar a 40ª edição do tradicional festival de cinema brasileiro que acontece na capital do país. A competição de filmes em 35 mm começou quarta-feira, com a exibição dos curtas paulistas 'Um Ridículo em Amsterdã', de Diego Gozze, e 'Espalhadas pelo Ar', de Vera Egito, e do longa 'Amigos de Risco', do diretor estreante Daniel Bandeira. Infelizmente, como só pude vir pra cá ontem, perdi a sessão e não posso comentar os primeiro concorrentes ao Candango. Como rolam reprises, vou tentar tirar o atraso no fim de semana. Mas vamos ao segundo dia da mostra, quer dizer, ontem. O participativo público do festival - o povo aqui aplaude, vaia e grita sem inibições - abarrotou o Cine Brasília para conferir 'Meu Mundo em Perigo', terceiro longa do cineasta local José Eduardo Belmonte. Bastante emocionado, o diretor subiu ao palco para apresentar o filme e ajoelhou-se para reverenciar sua equipe, com quem faz questão de dividir os méritos da obra. Protagonizado pelo excelente ator Eucir de Souza (que está em cartaz no Rio com a peça 'O Incrível Menino na Fotografia', por isso não veio a Brasília), o filme é uma tragédia pertubadora sobre a relação pai e filho. Eucir interpreta Elias, um fotógrafo desempregado que perde a guarda do filho para a ex-mulher, uma alma desequilibrada, e acaba entrando num processo de autodestruição. Numa noite, bêbado, Elias atropela e mata um idoso, pai de Fito (Milhem Cortaz), e vai se esconder num hotelzinho do centro de São Paulo, onde conhece a também perturbada Isis (Rose Mulholand). Os caminhos desses três personagens vão se cruzar e.... O resto é melhor não contar.
Uma das festas mais bacanas da cidade, a Paradiso completa 6 aninhos neste sábado, na Casa da Matriz. Os DJs fodões Tito e Edinho prometem receber o público com bolo, champanhe e sorteio de CDs, além, claro, dos sempres infalíveis sets de rock, pop e eletrônico que fizeram a fama da festa. Na pista 2, vários DJs que já passaram pela Paradiso vão se revezar nas picapes. 'Mas isto aqui não é um blog de cinema?', você está se perguntando agora. É. E para justificar o jabá do bem, pedimos a Tito e Edinho para eleger os três melhores filmes de rock de todos os tempos. Ó o resultado aí:
Edinho: 'Os Reis do Iê Iê Iê': primeiro filme dos Beatles, lançado em 64. 'American Pop': animação de Ralph Bakish, de 81, conta a história de quatro gerações de músicos de uma família russa que migra para aos Estados Unidos, construindo um painel da música popular americana. 'Urgh!, a Musical War': The Police, Devo e Dead Kennedys são alguns dos 37 artistas que participam deste documentário.
Tito: 'Cocksucker Blues': dirigido pelo fotógrafo Robert Frank, o filme acompanha a turnê dos Stones pelos Estados Unidos em 1972, com direito a muito sexo e drogas além de rock'n'roll. 'The Great Rock'n'Roll Swindlle': Julien Temple mistura realidade e ficção neste longa sobre a banda punk inglesa Sex Pistols. 'Control': conta a vida e a morte precoce de Ian Curtis, o líder da lendária banda Joy Division. Dirigido por Anton Corbjin, passou este ano no Festival do Rio. O vocalista da banda 10.000 Things, Sam Riley, interpreta Curtis.
Variações sobre o mesmo tema? Pode ser... O pitéu Fernanda Paes Leme tem alguma coisa em comum com a protagonista de 'Teeth', assunto do post anterior. No filme 'O Homem Que Desafiou o Diabo', a atriz protagoniza generosas cenas de nudez na pele de uma prostituta, que ela classifica como GBA. Entendeu? A própria atriz explicou o significado da sigla numa entrevista concedida à revista 'Capricho'.
Como foi fazer as cenas mais picantes em "O Homem Que Desafiou o Diabo"? Fernanda: Eu tinha um certo receio no começo. Havia a preocupação em ser sensual, coerente com a personagem, mas sem cair no vulgar. A Genifer é chamada de GBA. No filme, ela explica o porquê dessa sigla. Então, eu fiquei um pouco receosa com relação a isso. E o que significa GBA? Fernanda: GBA é "G" de Genifer, "B" de uma gíria muito feia para vagina e "A" de alicate (risos).
No filme, a personagem de Fernanda faz jus ao título e arranca um prego com a ajuda de sua poderosa anatomia:
"Imagina minha fama depois disso! Só fico imaginando meus amigos assistindo a esse filme. Fiquei assustada com a cena do prego, mas é tranqüila e engraçada. Tudo cabe numa história dessas; é um filme alegre, fantasioso, que retrata muito bem o clima do Nordeste (...). Estou feliz em conhecer esse universo, o qual não conhecia, e poder compartilhar com minhas amigas da mesma idade que eu. Em volta de tudo isso, um prego ou um "peitinho" que a gente "paga" não tem a mínima importância", disse Fernanda ao site Cineclick.
Fernanda parece ter perdido a inibição depois de ter posado nua na 'Playboy' em 2005. Ela também mostra seus dotes em 'Podecrer!', em cartaz nos cinemas, e vai 'pagar peitinho' (foi ela mesma que usou a expressão na entrevista acima) num dos próximos episódios da série 'Mandrake', da HBO. > Ah, Fernandinha também está no ar na novela das seis, 'Desejo Proibido', numa participação bem mais inocente do que as do cinema.
Cinelândia está muito curioso para conferir um lançamento de terror/ humor negro que promete fazer barulho. Dirigido pelo estreante Mitchell Lichteinstein (filho do ícone da pop art Roy Lichtenstein), 'Theet' traz uma protagonista com dentes na vagina. É isso mesmo que você acabou de ler. Colegial insegura com sua sexualidade, Dawn (Jess Weixler) sofre todas as pressões comuns da idade. E pior: ela não consegue fazer sexo com ninguém e mutila todos os seus possíveis parceiros. O trailer mostra a primeira ida da moça ao ginecologista e já arrancou gargalhadas aqui na redação do jornal. Dá só uma olhada nesta prévia:
Rubia deu uma estrela só (razoável) para 'O Magnata', filme com roteiro do roqueiro Chorão que chega hoje aos cinemas. A trama do riquinho rebelde protagonizada pelo sempre canastra Paulo Vilhena é apenas uma das quatro estréias nacionais desse fim de semana. 'Mutum', 'A Casa de Alice', e o documentário 'Grupo Corpo 30 Anos: Uma Família Brasileira' são os outros três títulos brazucas disponíveis nas salas cariocas a partir de agora. Quem ainda costuma reclamar que o cinema 'made in' Brasil não tem vez, deveria pegar o roteiro dos jornais para constatar que outros nove filmes nacionais (além dos quatro mencionados no começo do post) estão em circuito comercial. Não me lembro de ver 14 filmes brasileiros em cartaz ao mesmo tempo (ok, pus na conta também 'O Passado', de Hector Babenco). Mas quem ganha é o público, que pode escolher entre diferentes tipos de produção. Tem pra todo mundo. Tem filme adolescente? Tem. Além do filme do Chorão, os teens podem se divertir com o simpático 'Podecrer!', de Arthur Fontes. Tem 'Noel - Poeta da Vila', que eu ainda não vi, mas estou curioso. Tem o poético 'A Via Láctea', com a nossa nova atriz 'tipo exportação' Alice Braga. Tem mais documentários também: os elogiados 'Jogo de Cena', de Eduardo Coutinho e 'Santiago', de João Moreira Salles. E sim, tem o blockbuster nacional do ano, 'Tropa de Elite', que já ultrapassou os 2 milhões de espectadores nos cinemas.
O homem mais sexy do mundo, segundo eleição da revista People, é o ator Matt Damon. O intérprete do espião Jason Bourne recebeu a notícia com desconfiança (eu também) e bom humor. "Vocês levantaram o ego de um velho pai suburbano pela vida toda", declarou o bonitón de 37 anos, que há pouco tempo foi flagrado acima do peso, num passeio com a mulher e a filha. A lista dos 100 famosos mais sexies inclui Brad Pitt, Patrick Dempsey, Javier Bardem, Ryan Reynolds, Will Smith, Justin Timberlake, Gerard Butler e Jake Gyllenhaal. O preferido desta blogueira, o maravilhoso, o talentoso, o inigualável Johnny Depp, amarga um injusto 6º lugar.
Estive em São Paulo ontem para ver 'O Magnata', o filme idealizado pelo roqueiro Chorão. A sinopse: jovem roqueiro riquinho (Paulo Vilhena) que tem péssima relação com a mãe alcoólatra (Maria Luís Mendonça) comete um crime só por zoação e acaba pagando um preço alto pela irresponsabilidade. Tudo isso embalado por muito punk rock, sexo e manobras de skate. Voltando a SP. Fazendo jus à fama de temperamental, o líder do Charlie Brown Jr. deu um bolo nos jornalistas (eu, inclusive) que iam entrevistá-lo após a sessão. Primeiro disseram que ele ia se atrasar - "Está saindo de Santos agora", avisou uma assessora de imprensa, na hora em que as entrevistas deveriam estar começando - e depois, que ele simplesmente não iria aparecer. Achei feio. E tive que concordar com as piadas maldosas que começaram a rolar na salinha onde aguardávamos a hora de falar com o diretor Johnny Araújo (uma simpatia) e o ator Paulo Vilhena. Disseram que as risadas fora de hora (tipo nos momentos mais dramáticos, sabe?) puderam ser ouvidas lá no litoral paulista, por isso o polêmico rock star teria preferido continuar em casa. Agora vocês me perguntam: o filme é fraco assim? Bastante. A história é rasa, moralista, e os diálogos são os mais fracos dos últimos tempos do cinema nacional. Mas tem coisas boas, como a edição alucinada, que casa bem com a fórmula rock+skate, a atuação de Juliano Cazarré, a participação do Tiririca e uma música ótima do Tom Waits ('I Don't Wanna Grow up') na trilha sonora (que, claro é dominada por canções do Chorão). 'O Magnata' estréia dia 15. Aos fãs de Chorão, recomendo uma visita ao site do filme, que é cheio de gracinhas: www.omagnata.com.br