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| Ana Lúcia do Vale |
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 Tentei ver 'Batman - O Cavaleiro das Trevas' ontem, no Unibanco Arteplex. Faltando 40 minutos para a sessão, restavam apenas ingressos para a fila A, a preferida de alguns cinéfilos, mas não desta blogueira. Sob protestos de meu acompanhante (louco para ver o Coringa passar a mão na bunda do homem-morcego), troquei Gotham City por Lyon.
A cidade às margens do rio Ródano é cenário de 'Uma Garota Dividida em Dois', novo filme de Claude Chabrol. Grande fã e discípulo de Alfred Hitchcock, Chabrol foi um dos criadores da nouvelle vague, o movimento que renovou o cinema francês entre as décadas de 50 e 60, e se notabilizou por criar tramas policiais salpicadas do mais fino humor negro.
'Uma Garota' mostra que o cineasta continua em forma aos 78 anos. Ludivine Sagnier interpreta Gabrielle, garota do tempo de uma TV a cabo de Lyon que se apaixona por Charles Saint-Denis (François Berleánd), escritor 30 anos mais velho, casado e chegado a uma safadeza. O coração da mocinha também é alvo de Paul Guadens (Benoît Magimel), jovem milionário, afetadíssimo e desequilibrado. Doente de ciúmes da relação entre Gabrielle e Charles, Guadens vai transformar esse triângulo amoroso num caso de polícia. Não preciso (e não vou, fiquem tranqüilos) revelar mais nada para vocês saberem que o filme é diversão de primeira, inteligente mas sem 'cabecice'. Vão lá ver e voltem para dizer o que acharam, ok.
Mais uma dica pro fim de semana... 'Nome Próprio', que estréia hoje nos cinemas. Abaixo, o texto publicado no Guia Show&Lazer de hoje.
 Para deixar bem claro que o blog 'brazileira!preta' era um depósito para seus pensamentos, aspirações e delírios mais íntimos, a gaúcha Clarah Averbuck saudava os visitantes com a expressão 'três vivas ao umbiguismo'. Da Internet, onde ficou famosa, a moça que se fez personagem saiu para a literatura (lançou três livros) e chegou ao cinema.
Textos de Clarah são a matéria-prima de 'Nome Próprio', em que o diretor Murilo Salles retoma seu diálogo com o universo jovem urbano. Mas enquanto 'Seja o que Deus Quiser' resvalava para a caricatura, 'Nome Próprio' cumpre seu propósito com eficiência (tivesse 30 minutos a menos e a palavra seria excelência). A alma do filme é Leandra Leal, que se entrega com vigor a Camila, blogueira e aspirante a escritora Os extremos de emoção da personagem, que no afã de ser intensa e maldita como seus ídolos (Fante/ Bukowski/ Leminski)passa noites em claro, bebe em excesso e faz sexo inseguro, são um prato cheio para a atriz exercitar seu talento.
De quebra, Leandra ainda mostra que não tem medo de se expor em nome da personagem e passa 80% do tempo nua ou de calcinha. O elenco tem ainda Juliano Cazarré, como o namorado traído de Camila, e Rosane Mulholland, a melhor amiga e 'casinho' da protagonista.
Uma dica para o fim de semana. Não deixem de ver 'O Escafandro e a Borboleta', drama de Julian Schnabel em cartaz no Rio desde 4 de julho. É o filme que mais impressionou e emocionou nos últimos tempos.
Em 1995, aos 42 anos, o editor da revista 'Elle' de Paris e bon vivant Jean-Dominique Bauby sofreu um acidente vascular cerebral. Ao acordar do coma, descobriu-se vítima de síndrome rara, que deixa a pessoa paralisada da cabeça aos pés, tendo o movimento de uma pálpebra como único meio de comunicação. Depois de um período em que desejou morrer, Bauby entregou-se aos cuidados das dedicadas terapeutas que o assistiam. E em poucos meses escreveu um livro usando um código em que piscava para 'dizer' sim ou não e para 'ditar' palavras. Seu relato sobre o drama de viver encarcerado em seu corpo (o escafandro), tendo apenas o espírito (a borboleta) capaz de voar para além da janela de seu quarto, inspirou o terceiro filme do diretor e artista plástico Julian Schnabel ('Antes do Anoitecer'). Filmado boa parte do tempo a partir do ponto de vista do protagonista, o longa angustia, emociona e, como queria o cineasta, funciona como uma espécie de auto-ajuda nada piegas sobre a vida e a morte. No excelente elenco, destaque para Mathieu Amalric (Bauby), que ganhou o papel escrito para Johnny Depp, e Max von Sydow (a cena em que seu Papinou liga para o filho hospitalizado é de cortar o coração).
 Sei que prometi o balanço de Paulínia, mas antes gostaria de comentar 'Era Uma Vez'. O longa de Breno Silveira fez sua pré-estréia nacional sábado, no encerramento do festival. Os 1361 lugares do Teatro Municipal de Paulínia estavam ocupados e era grande a expectativa em torno do novo trabalho do diretor de 'Dois Filhos de Francisco'.
'Era Uma Vez' narra o romance entre dois jovens de classes sociais diferentes do Rio Janeiro. Dé (Thiago Martins) vive no morro do Cantagalo e trabalha num quiosque da praia de Ipanema, de onde observa a aparentemente inalcançável Nina (Vitória Frate), moradora de um dos prédios luxuosos da Vieira Souto.
A história de amor entre o favelado e a patricinha, já definida como um Romeu e Julieta carioca, tem tudo pra dar errado. E dá. Do pior jeito. Quer dizer, não é só a trama que desanda, mas o filme todo. Sou superfã de 'Dois Filhos' e estava na torcida pelo novo trabalho de Breno Silveira. Acontece que 'Era Uma Vez' tem um roteiro óbvio, feito de diálogos ruins, personagens caricatos e situações pouco críveis. É uma fabula romântica? É, mas nem por isso dá pra engolir certas soluções dramáticas. Opções técnicas do diretor também me incomodaram, como a câmera lenta em cenas de violência, mas a fotografia é linda e há tomadas memoráveis, como uma que mostra a favela de cima (feita com grua ou balão, não sei). Depois da estréia, dia 25, volto ao assunto.
'Encarnação do Demônio', o filme que trouxe de volta às telas o sinistro Zé do Caixão, foi o grande vencedor do primeiro Festival Paulínia de Cinema. O longa de José Mojica Marins levou seis prêmios do júri oficial, incluindo melhor filme, além do prêmio da crítica. Selton Mello recebeu o troféu Menina de Ouro de direção por seu filme de estréia, 'Feliz Natal', que venceu ainda na categoria melhor atriz coadjuvante (Darlene Glória e Graziella Moretto dividiram a a premiação) e o prêmio especial do júri para o ator-mirim Fabrício Reis. O melhor documentário segundo os júris oficial e popular 'Simonal, Ninhuém Sabe o Duro que Dei', de Cláudio Manoel, Calvito Leal e Michael Langer. 'Alucinados', de Roberto Santucci, levou o Menina de Ouro de melhor filme segundo o público.
Veja abaixo a lista dos ganhadores do festival. PREMIAÇÃO DO JÚRI OFICIAL Melhor Filme (R$ 60 mil): Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins Prêmio Especial do Júri (R$ 30 mil): Walter Lima Júnior, diretor de "Os Desafinados" Melhor Diretor (R$ 30 mil): Selton Melo, por "Feliz Natal" Melhor Ator (R$ 25 mil): Paulo José, por "Pequenas Histórias" Melhor Atriz (R$ 25 mil): Claudia Abreu, por " Os Desafinados" Melhor Ator Coadjuvante (R$ 15 mil): Ângelo Paes Leme, por "Os Desafinados" Melhor Atriz Coadjuvante (R$ 15 mil): Darlene Gloria e Graziella Moretto, por "Feliz Natal" (por unanimidade) Melhor Roteiro (R$ 15 mil): Helvécio Ratton, por "Pequenas Histórias" Melhor Fotografia (R$ 15 mil): José Roberto Eliezer, por "Encarnação do Demônio" (por unanimidade) Melhor Montagem (R$ 15 mil): Paulo Sacramento, por "Encarnação do Demônio" (por unanimidade) Melhor Edição de Som (R$ 15 mil): Ricardo Reis, por "Encarnação do Demônio" Melhor Direção de Arte (R$ 15 mil): Cássio Amarante, por "Encarnação do Demônio" Melhor Trilha Sonora (R$ 15 mil): André Abujamra e Marcio Nigro, por "Encarnação do Demônio" Melhor Figurino (R$ 15 mil): Fabio Namatame, por "Onde Andará Dulce Veiga?" Melhor Documentário (R$ 30 mil): Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei, de Cláudio Manoel, Calvito Leal e Michael Langer Prêmios Especiais - Documentários (R$ 20 mil): Iluminados, de Cristina Leal e Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais, de Carlos Alberto Prates Correia Menção Especial: Fabrício Reis por sua atuação em "Feliz Natal", de Selton Mello PRÊMIO DA CRÍTICA Melhor Longa-Metragem: Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins Melhor Curta-Metragem: Dossiê Re Bordosa, de Cesar Cabral CURTAS NACIONAIS (Júri Oficial) Melhor Filme (R$ 20 mil): Dossiê Rebordosa, de Cesar Cabral. Premio Especial do Júri: Vida Maria, de Marcio Ramos. Melhor Diretor (R$ 15 mil): Daniel Ribeiro, por "Café com Leite". Melhor Ator (R$ 8 mil): Eduardo Melo, por "Café com Leite". Melhor Atriz (R$ 8 mil): Ana Carolina Lima e Renata Torralba Horta, por "Espalhadas pelo Ar". Melhor Roteiro (R$ 8 mil): Márcio Ramos, por "Vida Maria". Melhor Fotografia (R$ 8 mil): Rômulo Errico, por "OD - Overdose Digital". Melhor Montagem (R$ 8 mil): André de Campos Mello, por "OD -Overdose Digital". Menção Honrosa: Elke, de Julia Rezende. Curtas Regionais (Júri Oficial) Melhor Filme de Curta Metragem Regional (R$ 20 mil): A Vaca, de Marcelo Reginaldo de Menezes. Melhor Diretor (R$ 15 mil): Marcelo Reginaldo de Menezes por "A Vaca". Melhor Ator (R$ 8 mil): Dirceu Carvalho e Jose Ricardo Nogueira, ambos pelo filme "Luchador". Melhor Roteiro (R$ 8 mil): Marcelo Reginaldo de Menezes por "A Vaca" Melhor Fotografia (R$ 8 mil): Marcelo Mazzariol por "Luchador" Melhor Montagem (R$ 8 mil): Marcelo Mazzariol e Juliano Luccas por "Luchador" PRÊMIOS DO JÚRI POPULAR Melhor Filme de Ficção (R$ 30 mil): Alucinados, de Roberto Santucci. Melhor Documentário (R$ 20 mil): Simonal, Ninguém Sabe o Duro que Dei, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal. Melhor Curta Nacional (R$ 15 mil): Dossiê Rê Bordosa, de César Cabral e Vida Maria, de Marcio Ramos. Melhor Curta Regional (R$ 15 mil): A Vaca, de Marcelo Reginaldo de Menezes. MELHORES ROTEIROS SELECINADOS PELO JÚRI ROTEIRO Júri: Leonardo de Barros, Patrick Siaretta, Rodrigo Saturinino e Bráulio Mantovani. Prêmio de R$ 15 mil para cada um: 1. Colegas, de Marcelo Galvão. 2. Idéia Fixa, de Rui Veridiano. 3. Corpo Presente, de Marcelo Toledo, Daniel Chaia e Paolo Gregori.

Triunfal é a melhor palavra para definir o retorno de Zé do Caixão ao cinema, como se viu quarta-feira, no lotado Teatro Municipal de Paulínia. Recebido de pé e sob aplausos empolgados da platéia, José Mojica Marins subiu ao palco devidamente caracterizado como o personagem que o consagrou para apresentar Encarnação do Demônio.
O filme encerra a trilogia do terror completada pelos clássicos À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967). Emocionado, Mojica leu um texto em que explicava as razões da demora para concretizar o projeto, que incluem desde a perseguição pela ditadura militar e a Igreja, até as sucessivas mortes de produtores interessados em apoiá-lo.
"Sonho ou obsessão? Mais de 40 anos depois, encontro grandes e leais guerreiros e consigo realizar a fita. Mais que um filme, esta é uma lição de vida. Paciência, garra, vitória", discursou Mojica, ao lado dos produtores Fabiano Gullane e Paulo Sacramento.
Mas vamos ao filme, cujo roteiro original, escrito em 1966, foi atualizado por Mojica e Dennison Ramalho. Tudo começa com um plano-sequência sensacional, que mostra o diretor do presídio (Luis Melo) e um bando de policiais percorrendo os corredores da instituição até a cela onde Josefel Zanatas está encarcerado há décadas. Os homens estão visivelmente com medo daquele que, só na cadeia, matou mais de 30, e está prestes a ser solto. Já na rua, Zé do Caixão encontra o fiel assistente Bruno (Rui Rezende) e segue para seu "mocó" numa favela de São Paulo.
Lá encontra novos seguidores e retoma sua busca pela mulher perfeita para gerar seu sucessor. E o que o público vê na próxima 1h30 é uma sucessão de cenas violentíssimas, capazes de fazer os mais sensíveis desviarem os olhos da tela. Ratos, baratas (3 mil delas!), aranhas, as longuíssimas unhas de Zé do Caixão, objetos usados por adeptos de body modification (atores se furam, costuram bocas e se penduram com ganchos enfiados nas costas mesmo!), ferros incandescentes e outros recursos bizarros são usados para torturar e matar os inimigos do sinistro coveiro. A sequência que mais me impressionou foi o escalpelamento da advogada Lucy Pontes (a sumida Christina Aché).É claro que não falta também o tradicional apelo erótico dos filmes de Mojica, com muitas e belas moçoilas seminuas. "A minha principal preocupação é o visual. E o público que paga quer ver mulher", explica ele, gaiato.
É tudo bem-feito, ao mesmo tempo fiel ao estilo de Mojica e moderno, com referências a filmes de terror atuais como O Albergue e Jogos Mortais. Da fotografia de José Roberto Eliezer à montagem de Sacramento, percebe-se que todos os envolvidos se esmeraram para dar ao mestre do terror a estrutura que ele nunca teve. Antes da exibição Mojica disse que se a platéia não gostasse, não iria mais "encher o saco" de ninguém. Mas pode apostar: a partir de 8 de agosto, quando estréia com apoio da gigante Fox, o coveiro vai conquistar novos fãs lembrar os antigos que "a continuação vem no seu pesadelo."
Amanhã cedíssimo embarco rumo a Paulínia, a cidade do interior de São Paulo que está investindo alto para se transformar na Hollywood brasileira. Vou cobrir o I Festival Paulínia de Cinema, que começou sexta-feira e termina domingo com uma programação ótima de filmes brasileiros inéditos. Chego poucas horas antes da exibição de 'Rita Cadillac, A Lady do Povo', documentário de Toni Venturi sobre a ex-chacrete. À noite verei 'Encarnação do Demônio', de José Mojica Marins, de que falei no post anterior.
No dia seguinte tem o documentário 'Pindorama - A Verdadeira História dos 7 Anões', do trio Roberto Berliner, Lula Queiroga e Léo Crivellari, à tarde, e 'Os Desafinados', de Walter Lima Jr, à noite. Na sexta-feira passam 'Iluminados', documentário de Cristina Leal, e 'Feliz Natal', a aguardada estréia de Selton Mello na direção de longas. Pra terminar em grande estilo, no sábado acontece a pré-estréia de 'Era Uma Vez', o novo filme de Breno Silveira, diretor do megasucesso '2 Filhos de Francisco'.
Espero conhecer também o pólo audiovisual da cidade, a menina dos olhos do projeto Paulínia Magia do Cinema. Inaugurado ano passado, o pólo já abrigou filmagens de longas como 'Blindness', de Fernando Meirelles. O cineasta, aliás, foi uma das personalidades que compareceram à abertura do festival, sexta-feira. Na ocasião, que marcou ainda a inauguração do Teatro Municipal de Paulínia, foram anunciados os 10 longas que repartirão a verba de R$ 5,5 milhões do município em 2008.
Entre os contemplados estão 'Cabeça a Prêmio', que marcará a estréia de Marco Ricca na direção; 'Mamonas, o Filme', documentário de Maurício Eça sobre a banda Mamonas Assassinas; o musical infantil 'Eu e Meu Guarda-Chuva', de Toni Vanzolini, e 'Jean Charles', de Henrique Goldman, que contará o drama do brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia de Londres, em 2005, ao ser confundido com um terrorista.
A partir de amanhã, então, notícias do festival aqui e no Jornal O Dia. Até.
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