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Ana Lúcia do Vale

Sexta-feira , 29 Agosto, 2008

Lindo e com bom gosto para futebol

Agora ninguém segura o meu amado Vasco da Gama! Olha quem foi contratado para reforçar o time no Campeonato Brasileiro.



Com Rodrigo Santoro no ataque não vai ter pra ninguém... pelo menos nos quesitos beleza e elegância, né não? Morram de inveja, amigas flamenguistas, botafoguenses e tricolores (vai vendo aí Xaxá).

Tá bom, tá bom. É claro que Rodrigo Santoro não vai trocar Hollywood pela Colina, mas super é verdade que o ator é torcedor fanático do Vascão. Tanto que resolveu se preparar em São Janu para seu novo papel no cinema. Ele vai viver polêmico craque Heleno de Freitas em filme que começa a ser rodado em breve.

Tropa de elite


Dirigida e estrelada por Ben Stiller, 'Trovão Tropical' mostra suas armas já na abertura. Uma hilária série de 'trailers' apresenta a trinca de astros hollywoodianos escalada para o filme dentro do filme, uma caríssima produção sobre a Guerra do Vietnã bancada pelo produtor Less Grossman (um Tom Cruise irreconhecível, careca, gordinho e desbocado), baseada nas memórias do herói Quatro Folhas (Nick Nolte).

Em versão 'marombada' e imbecil, Stiller é Tugg Speedman, estrela de longas de ação que vê no novo trabalho a chance de reerguer sua carreira. Jack Black vive Jeff Portnoy, astro de comédias escatológicas às voltas com problemas causados pelo vício em heroína. Robert Downey Jr., divertidíssimo, é Kirk Lazarus, um ator 'cabeça'. Ganhador de vários Oscar, ele leva tão a sério seus personagens que tinge a pele cirurgicamente para encarnar um sargento negro. Completam o elenco o rapper Alpa Chino (Brandon T. Jackson) e o inexperiente Kevin Sandusky (Jay Baruchel). Durante as filmagens no Vietnã, os atores são abandonados no meio da selva e confundidos com soldados por um bando de traficantes de drogas.

Idealizado por Ben Stiller e Justin Theroux há 20 anos e co-escrito por Etan Cohen, 'Trovão Tropical' parodia os filmes de guerra (há boas seqüências de ação) e debocha largamente das celebridades. Para o bem do humor, o tom politicamente correto passa longe. Tanto que um diálogo entre Tugg e Lazarus sobre como interpretar deficientes mentais provocou ameaça de boicote nos Estados Unidos. Em vão. Desde a estréia por lá, o filme conquistou duas vezes seguidas o primeiro lugar nas bilheterias.


Segunda-feira, 25 Agosto, 2008

Conhece esse rapaz?



Vini tem 23 anos, estuda Comunicação Social na PUC-Rio e planeja ser diretor de cinema como seus ídolos, Steven Spielberg e Clint Eastwood. Quem o vê andando pela Gávea sorridente, camiseta de grife descolada e mochila nas costas, talvez não reconheça o menino franzino, que há dez anos emocionou platéias do mundo inteiro no premiado 'Central do Brasil' . Mas a partir de 5 de setembro o público poderá se reencontrar com Vini, ou melhor, Vinícius de Oliveira, novamente em um filme de Walter Salles.

Em 'Linha de Passe', que o cineasta co-dirige com a parceira Daniela Thomas, o ex-engraxate interpreta um dos quatro filhos da doméstica Cleusa (Sandra Corveloni, eleita melhor atriz no Festival de Cannes pelo papel). O Dario de Vinícius é um aspirante a jogador de futebol que, como muitos brasileiros, vê no esporte a chance de melhorar de vida. Ele é habilidoso, mas ainda não conseguiu vaga em um time profissional e está prestes a fazer 18 anos, idade-limite para participar das 'peneiras' - testes em que os clubes escolhem jogadores para seus times de base.

Vinícius diz que sempre foi 'bom peladeiro', mas ao receber o convite de Salles para o papel, em 2002, decidiu se aprimorar. Freqüentou a escolinha de Zico no Recreio dos Bandeirantes por três anos e 'estagiou' por dois meses nos juniores do Santo André e do Palmeiras. "Gosto muito de futebol e nunca vi um filme com cenas decentes do esporte, então me preparei", conta o rubro-negro, que sonhava ser como o ídolo Romário quando foi descoberto por Walter Salles engraxando sapatos no Aeroporto Santos Dumont. "Tenho a imagem desse encontro muito fixa na cabeça. Nunca vou esquecer", afirma Vinícius. Além do papel de Josué, na época de 'Central' o menino recebeu de Salles a promessa de ter os estudos pagos até completar a faculdade.

Cursando o 2º período de Comunicação, ele diz que o 'padrinho' está sempre em contato. "Ele me liga para saber se estou indo bem, levando a sério. Essa semana faltei à aula por um compromisso do filme e ele reclamou. 'Ô, Vini, se soubesse que era na hora da sua aula tinha falado para remarcar", conta.

Além dos planos de ser diretor "bem mais pra frente", Vinícius quer voltar a atuar na televisão - fez 'Suave Veneno' e 'Carga Pesada' e estará na minissérie 'Alice', da HBO. "Tirei a sorte grande lá atrás, mas acho que soube agarrar a oportunidade. Agora quero dar uma consolidada na carreira", avisa. Até surgir um convite, ele se dedica a 'Linha de Passe', que fez sucesso em sua passagem pelo festival francês. "Foi emocionante ver a sessão lotada e, no fim, duas mil pessoas aplaudindo de pé durante 9 minutos. Depois, muita gente veio nos elogiar, dizendo que parecia tudo muito verdadeiro", lembra, abrindo um sorriso orgulhoso.

Mais sobre o filme

Com roteiro de Daniela Thomas e George Moura, 'Linha de Passe' acompanha a rotina de quatro irmãos que vivem com a mãe, grávida do quinto filho, em um bairro na periferia de São Paulo. Do elenco principal, apenas Vinícius de Oliveira tinha experiência em cinema. Sandra Corveloni, a matriarca da família, é uma experiente atriz de teatro em São Paulo.

Intérprete do motoboy Dênis, o primogênito da família, João Baldasserini estuda na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Foi a partir de um convite de João que José Geraldo Rodrigues trocou a faculdade de psicologia pelo teatro. No filme, José encarna Dinho: dono de passado nebuloso, tornou-se evangélico fervoroso e trabalha como frentista.

Já Kaíque dos Santos, que rouba a cena várias vezes, vive o caçula Reginaldo. Único negro da família, descobre que o pai é motorista de ônibus e sai por São Paulo à procura dele, entrando em todo coletivo que vê pela frente.

Kaíque foi selecionado em testes quando freqüentava uma ONG para crianças de baixa renda. "Eu me vi bastante nele, por causa da história de vida. E o moleque é espontâneo e inteligente pra caramba. Sempre que o elenco se encontra, eu 'colo' no Kaíque ", derrete-se Vinícius.

Texto pu
blicado no Caderno O Dia D, semana passada


Sexta-feira , 22 Agosto, 2008

'Reflexos da Inocência'

Daniel Craig em 'Reflexos da Inocência'
Eleito o novo James Bond em 2006, Daniel Craig foi comparado a um 'pug' (aquele cão de cara amarrotada) por fãs do espião. Bastou 'Cassino Royale' chegar ao cinema, no entanto, para o público se render ao inglês. Então com 38 anos, ele exibiu seu físico perfeito em cenas de ação e até de nudez e provou estar à altura do charme de 007. Graças ao prestígio (e ao dinheiro, claro) trazidos pelo personagem, o ator produziu este pequeno grande filme, que marca a estréia do diretor e roteirista Baillie Walsh.

Em 'Reflexos da Inocência', Craig interpreta Joe Scott, um astro hollywoodiano decadente, viciado em cocaína e hedonista (para deleite da platéia feminina, ele aparece nu após uma noitada). Um telefonema de sua mãe avisando da morte de um amigo de infância faz Scott acordar do pesadelo atual e enfrentar os fantasmas do passado, esquecidos no balneário da Inglaterra onde cresceu.

A trama recua 25 anos, até o verão em que Scott (agora interpretado por Harry Eden) descobiru o sexo com uma vizinha casada (Jodhi May), o amor - com a linda Ruth Davies (Felicity Jones) - e o glam rock de David Bowie e Roxy Music. A seqüência em que Scott e Ruth dublam 'If There is Something', na voz de Bryan Ferry, resume o espírito do longa, um drama impregnado de nostalgia e carinho pela época e os personagens que retrata.



Quinta-feira, 21 Agosto, 2008

Brasília recebe inscrições

O tradicionalíssimo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que este ano acontece de 18 a 25 de novembro, está recebendo inscrições para suas mostras competitivas. O processo começou dia 12 deste mês e termina em 30 de setembro.
Os interessados em participar da 41ª edição do evento devem acessar o site, onde estão a ficha de inscrição e o regulamento da competição para curtas, médias e longas produzidos em 16mm ou 35mm.


Segunda-feira, 18 Agosto, 2008

Salve Xico Sá

Sou leitora assídua do Carapuceiro, blog do jornalista, escritor, precursor do portunhol selvagem, entendedor da alma feminina (e masculina) e cabra da peste Xico Sá. Hace tiempo que queria hablar de él acá y hoy he conseguido una desculpa buena, este texto ótimo aí. No llego a sentir saudade do pornô-soft de Seu Hugo, mas assino abajo, vale?

FABULÁRIO GERAL DA DESIGUALDADE

Que saudade do Walter Hugo Khouri e o seu pornô-cabeçoso, tratado geral das taras burguesas. Salve nosso Antonioni da Móoca. Os ricos todos perversos e tristemente podres por dentro.

Está na hora de voltar a filmar a burguesia e seus arredores.

Como disse o próprio Fernando Meireles, na ressaca das ilusões perdidas do Oscar, "chega de Cidade de Deus." Chega dessa síndrome de Victor Hugo a promover a invasão da privacidade da vida dos miseráveis. A favela tem que cobrar royalties, bufunfa, cacau, grana, desses urubus, tem que taxá-los mesmo.

É fácil e covarde entrar com as quatro patas nos barracos, sobrados & mocambos, como fazem as rondas policiais, os açougueiros da tevê e os cineastas modernos.

Chegou a hora de trocar o Capão Redondo por Alphaville, o Jardim Ângela pelo Jardim Europa, o Beco da Facada por Casa Forte, o Conjunto Ceará pela Aldeota -sim, aqui entra apenas como símbolo, pois estão batendo na porta, pra te aperrear, pra te aperrear, como canta o bravo profeta Ednardo.

Apontar a câmera para o 1% mais rico e fazer a nossa comédia Forbes de erros. Quem seriam os grandes narradores desse "dogma"? A senzala que desce o morro para trabalhar na Casa-Grande. Contaria, como fábula de classes para ninar meninos e criar cuervos, as historinhas de como vivem os ricos. O Christian Saghaard, Jéferson De, Paulo Sacramento ou Cláudio Assis fariam fitas de entortar o cabeçote, para citar apenas algunschegados.

Quem se habilita a filmar o esnobismo da Casa-Grande da nova era? Fazer o que o homem-víbora Joel Silveira, profissão-reportér, fez ainda nos anos 40, quando exibiu, no semanário "Diretrizes", de Samuel Wainer, os podres do grã-finismo de São Paulo. Um espetáculo do esbanjamento dos quatrocentões paulistanos. Confira as nobres linhas no livro "A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista" (Companhia das Letras), jornalismo do bom, daquele que deixa o cabra corado de inveja. A boa inveja dos homens que dominam a pena e a arte da coragem.
"(...)os lucros dos Matarazzo no ano passado foram de 700 milhões de cruzeiros. É muito dinheiro e com ele os Matarazzo podem fazer grandes e belas coisas. Algum dia (quem sabe?), Matarazzo fará um refeitório ventilado e claro para os seus operários." É por aí a loa de Silveira, com suas Fifis e Penteados.

É preciso invadir a privacidade dos barões que trocaram o café das antigas pela jogatina financeira. Escancarar as rotinas de muitos usineiros, que ainda hoje negociam as "almas mortas" -como no romance de Nicolai Gogol_ dos escravos na banca dos subsídios e títulos da divida agrária.

Mais Robert Altman e menos Victor Hugo.

Chega de "cosmética da fome" e do sertão cordial da Conspiração Filmes. A hora e a vez de filmar os ricos, seus luxos e suas vadiagens. Gente que morre com dez salários mínimos num alpiste de grife do Fasano, embora a iguaria fina vire a mesma merda que os iguala à plebe rude.

Viva a nossa divina comédia Forbes. Rende boas ficções e documentários idem. Na prateleira, as fitas serão localizadas no gênero "tragicomédias da desigualdade". Algo assim explicitamente sociológico. Pedagogia do buraco. Mas não carecem ser filmes chatos, faz favor. A receita estética é simples: podem juntar o camarada Karl e os irmãos Marx, com o moralismo extremado de Nelson Rodrigues -aqui abriríamos uma possibilidade, no segmento mainstream, para Arnaldo Jabor largar o jornalismo e voltar ao seu comércio de origem.

Mas não esqueçam de levar as mil e uma noites de Joel Silveira para a tela. O homem que fez a verdadeira minissérie dos barões paulistas. A hora e a vez de botar a playboyzada na fita.


Segunda-feira, 11 Agosto, 2008

Sobre MPB e Cigarros

Diretora do polêmico Durval Discos (eu amo, tem gente que odeia), Anna Muylaert está prestes a finalizar as filmagens de segundo longa. Rodado em São Paulo e Paulínia, 'É Proibido Fumar' traz Glória Pires e Paulo Miklos nos papéis principais. Ela é Baby, uma professora de violão solitária que cai de amores pelo novo vizinho, o cantor de barzinho Max (Paulo). Decidida a viver uma grande história de amor, Baby pára de fumar para agradar ao parceiro (tenho uma amiga que faz isso todas as vezes em que se apaixona). Quando descobre que está sendo traída, em meio a uma crise de abstinência de nicotina, a personagem surta e... Mais não sei, mas dá pra perceber que, assim como em 'Durval', a trama terá uma virada radical. Outro ponto em comum entre os dois filmes de Anna é a homenagem à música brasileira. Desta vez, a trilha assinada por André Abujamra terá sambas de Martinho da Vila e Jorge Bem. Algumas canções serão interpretadas por Miklos, cujo personagem é obrigado pelo patrão (o grande Paulo César Pereio) a só tocar MPB.
A roqueira baiana Pitty faz uma participação especial no elenco, que tem ainda Marisa Orth, Thogun e Lourenço Mutarelli.

Quer saber mais sobre a produção? Visite o blog da equipe.


Blogs e sites favoritos:

Revista Zé Pereira
Humor inteligente e outras idéias
www.revistazepereira.com.br

Variety e Cahiers du Cinema
Revistas internacionais
www.variety.com www.cahiersducinema.com

Críticos.com Outras opiniões sobre filmes em cartaz
www.criticos.com.br

Filme B e Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual

O mercado de cinema
www.filmeb.com.br www.ancine.gov.br/oca