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Ana Lúcia do Vale

Sábado, 4 Outubro, 2008

Hoje no Festival do Rio

Esta foto linda aí embaixo foi feita ontem pela Isabela Kassow, no Pavilhão do Festival do Rio. Rodrigo Santoro, Martina Gusmán e Pablo Trapero passaram a tarde lá, dando entrevistas sobre 'Leonera', drama penitenciário que estréia hoje no festival. Também estava por lá o diretor alemão Jens Hoffmann, que apresenta hoje, pela mostra Midnight Movies, o documentário '9to5 - Days in Porn', sobre a milionária indústria de filmes pornográficos dos Estados Unidos. Leiam abaixo os textos publicados hoje no caderno O Dia D. Até.

Crédito: Isabella Kassow

O filme argentino de Santoro

Um Rodrigo Santoro maltratado - com os cabelos desgrenhados, o rosto e as mãos marcados por cicatrizes - aparece hoje na tela da Première Latina do Festival do Rio, em mais um trabalho internacional. Em 'Leonera', do celebrado diretor argentino Pablo Trapero ('Família Rodante', 'Do Outro Lado da Lei'), o ator passa maus bocados na pele de Ramiro, uma das pontas de um triângulo amoroso moderno e trágico.

A protagonista do filme é Júlia (Martina Gusmán, mulher do diretor), universitária de 26 anos que é presa, acusada de matar o namorado durante uma briga, quando está no início de uma gravidez. Ramiro, que vivia com o casal, também é suspeito do crime. Apesar de aparecer pouco, o personagem de Santoro tem o poder de salvar Júlia, inocentando-a, ou a si próprio. O brasileiro conta que tinha acabado de filmar 'Che', em que vive Raúl Castro, quando Walter Salles (co-produtor de 'Leonera') lhe telefonou convidando-o para fazer o longa. "Já tinha ouvido falar bem do Pablo. Depois disso vi os filmes dele e fiquei maravilhado, eles têm alma", elogia.

Sem muito tempo para se preparar, o ator aproveitou o visual de Ramiro - que incluía peruca de fios longos - para entrar no universo dramático do filme. "Isso ajudou muito. Quanto a atuar em espanhol, não foi tão difícil, porque já tinha estudado para o 'Che', embora o sotaque cubano seja diferente do argentino", conta, acrescentando que o clima amistoso no set também contribuiu para o resultado do trabalho. "A equipe era pequena e estava muito concentrada. Me lembrou muito o clima do 'Bicho de Sete Cabeças' (primeiro filme do ator). Fiquei amigo do Pablo e já me ofereci para trabalhar no próximo filme dele. Aliás, faço isso com todos os diretores que admiro", afirma. Modesto, Santoro não acredita que sua presença no elenco possa determinar o sucesso de 'Leonera' no Brasil, onde estréia dia 7 de novembro. "O filme é ótimo por si, transborda paixão e inteligência. E o trabalho da Martina é excepcional", avalia.

Para Trapero, o importante é que as produções realizadas na América Latina sejam vistas pelos povos que representam. "Assistimos a filmes feitos por nossos vizinhos em festivais na Europa, e muitas vezes, eles não chegam aqui. Por isso é importante investir em co-produções", acredita.

No Rio para apresentar a sessão de gala aberta ao público hoje, no Odeon, ao lado de Santoro e Trapero, Martina conta que se preparou para viver Julia durante um ano. "Entrevistei muitas detentas que tiveram filhos na prisão. Elas me tomaram por porta-voz de suas histórias. Foi uma experiência intensa", diz a atriz.

As próximas sessões de 'Leonera' no Festival do Rio acontecem segunda-feira no Estação Ipanema (17h30 e 22h), terça no Estação Vivo Gávea (15h30 e 19h50) e quarta no Cine Santa (21h).



Mundo pornô em foco

Sasha Grey

Sasha Grey tinha apenas 18 anos quando escreveu a um produtor de filmes eróticos pedindo uma chance. Em seguida, enumerava tudo o que topava fazer para alcançar seu objetivo. A lista era grande e hoje, dois anos depois, Grey contabiliza mais de 50 filmes e uma fama que vai além da milionária indústria americana de vídeos adultos: ela estrelou clipes das bandas de rock The Roots e Smashing Pumpkins, foi ao programa da modelo Tyra Banks na TV e posou para o badalado fotógrafo Terry Richardson.

Os primeiros passos de Sasha Grey no mundo pornô estão documentados em '9to5 - Days in Porn', que estréia hoje na mostra Midnight Movies do Festival do Rio. Durante um ano e meio, o diretor alemão Jens Hoffmann e a produtora brasileira Cleonice Comino entrevistaram atores, diretores e produtores em San Fernando Valley, a Hollywood do erotismo nos EUA. "Há muitos filmes sobre esse tema. Mas nenhum dá voz aos profissionais sem julgá-los", afirma Hoffmann, que está no Rio para acompanhar as sessões do longa (hoje às 16h e às 20h10 no Cine Palácio 2).

Totalmente independente - "Todos os parceiros que procuramos queriam impor algo, como a vitimização das atrizes" -, o filme revela os bastidores dos sets de filmagem, um ambiente nada excitante segundo Hoffmann. "Depois de cinco minutos, você acha normal aquelas pessoas nuas passando para lá e para cá", conta, acrescentando que o elo entre todos os personagens é o desejo de levar uma vida normal, e dizendo-se ansioso para ver a reação da platéia carioca. "Até agora o público feminino tem gostado mais, talvez porque as mulheres dessa área estão no comando, ganham mais e podem fingir. Alguns homens se ofendem, mas esses são os que consomem pornografia escondidos de todos".


Quarta-feira, 1 Outubro, 2008

'Muso' do Rio

Leiam abaixo a entrevista exclusiva com Selton Mello e o fofíssimo Fabrício Reis, publicada hoje no caderno O Dia D. 'Feliz Natal', primeiro longa dirigido por Selton, estréia hoje para convidados no Festival do Rio. Amanhã tem sessão popular no Odeon, às 13h15, seguida de debate com o diretor e equipe no Pavilhão do Festival (uma van leva o público de graça até lá). Na sexta acontecem as últimas sessões do filme no evento, no Estação Vivo Gávea às 15h40 e 22h10.
Cinelândia já viu o longa e recomenda.



Ex-ator mirim, Selton Mello revela garoto de 7 anos em seu primeiro filme como diretor, principal atração de hoje do Festival do Rio

Com a estréia de 'Feliz Natal' hoje à noite, em sessão para convidados no Cine Palácio, o Festival do Rio ganha um forte candidato a 'muso'. Carioca, fã de filmes de aventura e de desenhos de fantasmas, Fabrício Reis tem apenas 7 anos, mas é um dos grandes trunfos do drama dirigido por Selton Mello para conquistar o público e o júri da Première Brasil.

Na trama sobre uma família de classe média desestruturada, que marca a estréia de Selton na direção de longa-metragem, Fabrício tem papel fundamental. Ele interpreta Bruno, sobrinho mais novo de Caio (Leonardo Medeiros), a 'ovelha negra' que reaparece para os parentes na noite de Natal, quatro anos depois de ter provocado uma tragédia. É o menino quem recebe o tio na porta de casa e o convida a participar da festa. A cena é uma das várias que comprovam o carisma e a desenvoltura de Fabrício.

"Muitos atores travam quando você pede para esquecer o texto e improvisar, mas o Fabrício tirava de letra. Brincávamos no set que ele ia dar oficina de interpretação depois do filme", conta Selton. A vivacidade do garoto, acostumado a gravar comerciais de televisão desde bebê, foi o que chamou a atenção do produtor de elenco, Oberdan Júnior, em sua busca pelo intérprete de Bruno. Dezenas de crianças foram pré-selecionadas e testadas por ele, até chegar aos cinco finalistas.

A pouca idade de Fabrício - com 6 anos na época, era o mais novo da turma - fez Selton hesitar em escalá-lo. "Achava que ele não ia conseguir seguir as marcas, ou ficar cansado, porque tínhamos muitas cenas noturnas. Mas a capacidade de concentração dele é impressionante", lembra. Outra preocupação do diretor era - ainda é - proteger o menino das armadilhas da profissão.

Ator desde os 8 anos, Selton tem autoridade para dar conselhos ao filho dos guias de turismo Marilana Oliveira e Fábio Reis. "Eu e o Oberdan, que também é ator desde pequeno, sabemos bem como é. Pode chegar uma idade em que você deixa de ser o fofinho e ninguém te chama para nada. Aí você começa a se perguntar: 'eu sou feio? sou mau ator? ninguém gosta de mim?' Passei por isso e me considero um sobrevivente", observa, ciente de que a partir desta noite Fabrício vai chamar atenção dos caçadores de talento. "Quando acabar a sessão, vai ter produtor com contrato na mão para a mãe dele assinar. Esse menino vai longe", aposta.



Quero mais perguntas!

A pedido de O DIA, Selton Mello e Fabrício Reis se encontraram ontem à tarde na casa do diretor, na Gávea. O menino chegou duplamente 'escoltado': pela mãe, Marilana Oliveira, e pela mãe de Selton, Selva Mello.

"É muita mãe-coruja junto", riu Selton. Depois de um abraço apertado no diretor, Fabrício conta que "foi muito legal" fazer 'Feliz Natal' e que já está colhendo os frutos por sua atuação. Além do Prêmio Especial dado a ele em julho, no Festival de Paulínia - "O troféu é uma moça pelada, toda dourada", sussurra ele para a repórter, com as mãos em concha ao lado da boca -, ganhou o papel de Ezequiel, o filho de Capitu na minissérie dirigida por Luiz Fernando Carvalho, que a Globo exibe em breve.

"Mostrei o filme ao Luiz ainda inacabado. Ele abençoou a obra, fez comentários pertinentes e elogiou o Fabrício, que acabou fazendo o teste para a série", orgulha-se Selton. Questionado sobre o novo trabalho, o menino diz que gostou, mas ainda prefere 'Feliz Natal'. Seu ator favorito? "Selton", responde, sapeca. E o que gosta de fazer quando não está no Centro Escolar de Copacabana, onde cursa a 2ª série? "De ver desenho de fantasmas e filme de aventura e de procurar joguinhos na Internet", conta, olhando atento a repórter e mostrando que gostou da brincadeira: "Quero mais perguntas!"


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