Hoje no Festival do Rio
Esta foto linda aí embaixo foi feita ontem pela Isabela Kassow, no Pavilhão do Festival do Rio. Rodrigo Santoro, Martina Gusmán e Pablo Trapero passaram a tarde lá, dando entrevistas sobre 'Leonera', drama penitenciário que estréia hoje no festival. Também estava por lá o diretor alemão Jens Hoffmann, que apresenta hoje, pela mostra Midnight Movies, o documentário '9to5 - Days in Porn', sobre a milionária indústria de filmes pornográficos dos Estados Unidos. Leiam abaixo os textos publicados hoje no caderno O Dia D. Até.
O filme argentino de Santoro
Um Rodrigo Santoro maltratado - com os cabelos desgrenhados, o rosto e as mãos marcados por cicatrizes - aparece hoje na tela da Première Latina do Festival do Rio, em mais um trabalho internacional. Em 'Leonera', do celebrado diretor argentino Pablo Trapero ('Família Rodante', 'Do Outro Lado da Lei'), o ator passa maus bocados na pele de Ramiro, uma das pontas de um triângulo amoroso moderno e trágico.
A protagonista do filme é Júlia (Martina Gusmán, mulher do diretor), universitária de 26 anos que é presa, acusada de matar o namorado durante uma briga, quando está no início de uma gravidez. Ramiro, que vivia com o casal, também é suspeito do crime. Apesar de aparecer pouco, o personagem de Santoro tem o poder de salvar Júlia, inocentando-a, ou a si próprio. O brasileiro conta que tinha acabado de filmar 'Che', em que vive Raúl Castro, quando Walter Salles (co-produtor de 'Leonera') lhe telefonou convidando-o para fazer o longa. "Já tinha ouvido falar bem do Pablo. Depois disso vi os filmes dele e fiquei maravilhado, eles têm alma", elogia.
Sem muito tempo para se preparar, o ator aproveitou o visual de Ramiro - que incluía peruca de fios longos - para entrar no universo dramático do filme. "Isso ajudou muito. Quanto a atuar em espanhol, não foi tão difícil, porque já tinha estudado para o 'Che', embora o sotaque cubano seja diferente do argentino", conta, acrescentando que o clima amistoso no set também contribuiu para o resultado do trabalho. "A equipe era pequena e estava muito concentrada. Me lembrou muito o clima do 'Bicho de Sete Cabeças' (primeiro filme do ator). Fiquei amigo do Pablo e já me ofereci para trabalhar no próximo filme dele. Aliás, faço isso com todos os diretores que admiro", afirma. Modesto, Santoro não acredita que sua presença no elenco possa determinar o sucesso de 'Leonera' no Brasil, onde estréia dia 7 de novembro. "O filme é ótimo por si, transborda paixão e inteligência. E o trabalho da Martina é excepcional", avalia.
Para Trapero, o importante é que as produções realizadas na América Latina sejam vistas pelos povos que representam. "Assistimos a filmes feitos por nossos vizinhos em festivais na Europa, e muitas vezes, eles não chegam aqui. Por isso é importante investir em co-produções", acredita.
No Rio para apresentar a sessão de gala aberta ao público hoje, no Odeon, ao lado de Santoro e Trapero, Martina conta que se preparou para viver Julia durante um ano. "Entrevistei muitas detentas que tiveram filhos na prisão. Elas me tomaram por porta-voz de suas histórias. Foi uma experiência intensa", diz a atriz.
As próximas sessões de 'Leonera' no Festival do Rio acontecem segunda-feira no Estação Ipanema (17h30 e 22h), terça no Estação Vivo Gávea (15h30 e 19h50) e quarta no Cine Santa (21h).
Mundo pornô em foco
Sasha Grey tinha apenas 18 anos quando escreveu a um produtor de filmes eróticos pedindo uma chance. Em seguida, enumerava tudo o que topava fazer para alcançar seu objetivo. A lista era grande e hoje, dois anos depois, Grey contabiliza mais de 50 filmes e uma fama que vai além da milionária indústria americana de vídeos adultos: ela estrelou clipes das bandas de rock The Roots e Smashing Pumpkins, foi ao programa da modelo Tyra Banks na TV e posou para o badalado fotógrafo Terry Richardson.
Os primeiros passos de Sasha Grey no mundo pornô estão documentados em '9to5 - Days in Porn', que estréia hoje na mostra Midnight Movies do Festival do Rio. Durante um ano e meio, o diretor alemão Jens Hoffmann e a produtora brasileira Cleonice Comino entrevistaram atores, diretores e produtores em San Fernando Valley, a Hollywood do erotismo nos EUA. "Há muitos filmes sobre esse tema. Mas nenhum dá voz aos profissionais sem julgá-los", afirma Hoffmann, que está no Rio para acompanhar as sessões do longa (hoje às 16h e às 20h10 no Cine Palácio 2).
Totalmente independente - "Todos os parceiros que procuramos queriam impor algo, como a vitimização das atrizes" -, o filme revela os bastidores dos sets de filmagem, um ambiente nada excitante segundo Hoffmann. "Depois de cinco minutos, você acha normal aquelas pessoas nuas passando para lá e para cá", conta, acrescentando que o elo entre todos os personagens é o desejo de levar uma vida normal, e dizendo-se ansioso para ver a reação da platéia carioca. "Até agora o público feminino tem gostado mais, talvez porque as mulheres dessa área estão no comando, ganham mais e podem fingir. Alguns homens se ofendem, mas esses são os que consomem pornografia escondidos de todos".


